Prefeitura do Rio declara padaria Rio-Lisboa patrimônio cultural imaterial em meio à especulação imobiliária no Leblon


05/03/2026 - O Globo


Estabelecimento foi fundado em 1943 por imigrantes portugueses e instalado desde então no mesmo endereço, na Avenida Ataulfo de Paiva.


Padaria Rio-Lisboa, no Leblon
Foto: Ricardo Leoni/ Agência O Globo


A tradicional Confeitaria Rio-Lisboa, no Leblon, agora é patrimônio cultural de natureza imaterial da cidade por decreto publicado nesta quinta-feira pelo prefeito Eduardo Paes. A medida ocorre em meio a uma disputa imobiliária envolvendo o terreno onde funciona a padaria há mais de oito décadas e que pode ser vendido para dar lugar a um empreendimento residencial.

O decreto municipal nº 57.651 reconhece a importância cultural do estabelecimento, fundado em 1943 por imigrantes portugueses e instalado desde então no mesmo endereço, na Avenida Ataulfo de Paiva. No texto, a prefeitura afirma que negócios tradicionais como a Rio-Lisboa fazem parte do “referencial cultural” da cidade e preservam “diferentes modos de fazer, habitar e viver o cotidiano do Rio”.

Pelas regras previstas na legislação municipal, o reconhecimento como patrimônio imaterial tem validade inicial de dez anos, podendo ser renovado após análise do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. O título pode ser cancelado caso o estabelecimento deixe de manter as características que justificaram o reconhecimento ou encerre as atividades.

Após a publicação do decreto, Eduardo Paes comentou o tema nas redes sociais e indicou que a medida faz parte de um esforço para garantir a permanência da padaria no bairro.

“A Rio-Lisboa fica! Ponto final! Essa é só a primeira medida para preservá-la!”, escreveu o prefeito.


Padaria Rio-Lisboa, no Leblon
Foto: Acervo O Globo


Disputa imobiliária

O decreto surge no momento em que o imóvel ocupado pela padaria se tornou alvo de interesse do mercado imobiliário. O terreno de 280 m² — em uma das áreas mais valorizadas da Zona Sul — estaria sendo disputado por construtoras e investidores, com estimativas que colocam o valor do negócio na casa das dezenas de milhões de reais.

A eventual venda do espaço levanta dúvidas sobre o futuro da Rio-Lisboa, conhecida pelo funcionamento 24 horas e por manter, ao longo das décadas, elementos tradicionais da arquitetura e do atendimento. Frequentada por moradores do bairro, trabalhadores da madrugada e gerações de clientes fiéis, a padaria se consolidou como um ponto de encontro do Leblon.