sábado, 29 de agosto de 2015

Vargem Grande Maravilha

28/08/2015 - O Globo

Ancelmo Gois

Eduardo Paes vai tentar repetir, em Vargem Grande, Zona Oeste carioca, um projeto de revitalização semelhante ao que deu certo no Porto do Rio.

A ideia é abrir uma frente de obras de urbanização no bairro com recursos privados, por meio da emissão dos tais Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção).

O exemplo do Porto...

No caso do Porto Maravilha, esse modelo é um sucesso. As obras ali são financiadas com o dinheiro arrecadado via Cepacs.

O empresário entra nessa porque recebe como contrapartida vantagens como construir com gabarito maior. Quando é bem feito, todos ganham.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Tatuzinho começa a escavar rede na Marina da Glória

25/08/2015 - O Globo, Emanuel Alencar

Os engenheiros da Cedae garantem: a fase mais complicada ficou para trás e o início de operação do tatuzinho - versão reduzida do schield utilizado nas obras da Linha 4 do metrô - inaugura a fase final da construção da galeria de cintura que promete livrar a orla da Marina da Glória do despejo clandestino de esgoto em galerias de águas pluviais. Um ano após o início das intervenções, o equipamento da empresa alemã Herrenknecht começa a interligar oito poços de visita já escavados por métodos convencionais, num trecho que vai da Avenida Presidente Antônio Carlos à Praça Paris.

Ao todo, o sistema de um quilômetro de novas redes, ao longo da Avenida Beira-Mar, levará 450 litros por segundo de esgoto ao emissário submarino de Ipanema. A conclusão das obras, orçadas em R$ 14 milhões e realizadas com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), está prevista para dezembro. A Marina da Glória será o ponto de partida das competições de vela dos Jogos Olímpicos, e abriga uma das raias. As péssimas condições de saneamento do trecho preocupam esportistas e autoridades.

O presidente da Cedae, Jorge Briard, afirma que as águas naquele trecho da Baía de Guanabara "melhorarão significativamente" após a conclusão das intervenções. Mas ele reconhece que novas obras poderão ser feitas no futuro, para garantir a totalidade da coleta dos esgotos na região, abastecida por redes instaladas há mais de 80 anos.

- Estamos construindo um sistema que permitirá melhorar muito as condições na Marina. Vamos continuar estudando melhorias para garantir a solução definitiva - diz Briard, lembrando que a galeria de cintura funcionará "em tempo seco", ou seja, garantirá a coleta e o envio dos detritos ao emissário apenas quando não chover. - Com chuva, passará a valer a regra de evitar o banho num período mínimo de 24 horas.

Com 60 centímetros de diâmetro, o tatuzinho terá muito trabalho pela frente. Serão retirados 285 metros cúbicos de terra do subsolo. O espaço será preenchido por tubulações de concreto, que se ligarão ao interceptor oceânico, que, por sua vez, é conectado, em Copacabana, ao emissário submarino, que funciona hoje com 6,5 mil litros por segundo, embora tenha capacidade para 12 mil.

ESCAVAÇÕES SEM CONFLITOS

Como as escavações ocorrem a quatro metros de profundidade, não há o risco de interrupção das atividades por conflito com redes da Light ou de TV a cabo. Normalmente, os equipamentos desses serviços ficam enterrados a aproximadamente 1,5 metro de profundidade. Segundo a Cedae, o maior problema na região é o lançamento clandestino de esgoto nas galerias de águas pluviais.

Apesar da promessa de conclusão da galeria de cintura da Marina da Glória, outra etapa importante para melhorar o saneamento da região está atrasada. Trata-se da limpeza do interceptor oceânico da Glória, construído em 1975 e que faz ligação com o emissário. A Cedae identificou, no ano passado, a necessidade de limpar a tubulação, que sofre com acúmulo de areia e terra. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) analisa o processo. Jorge Briard diz que a licitação para o serviço - orçado em R$ 11 milhões - deverá ser publicada até o fim do ano:

- Mesmo sem essa intervenção já teremos melhoria. Mas a limpeza é muito importante, e quero colocar essa licitação na rua o quanto antes. A análise pelo TCE é um trâmite normal.

Firjan propõe mais 14 linhas de barcas

26/08/2015 - O Dia

Firjan propõe mais 14 linhas de barcas
Novas estações podem tirar mais de 100 mil carros das ruas

GUSTAVO RIBEIRO
Rio - A solução para desafogar o trânsito no Grande Rio pode estar na Baía de Guanabara. Estudo realizado há dois anos mostrou que os congestionamentos na Região Metropolitana chegam a 130 quilômetros por dia, o que equivale a pouco mais de duas Avenidas Brasil, a maior via expressa da cidade, ou dez pontes Rio-Niterói completamente paradas — e muita paciência envolvida. A Firjan (federação das indústrias do estado), que fez o cálculo na ocasião, deu a receita que seria capaz de reduzir a quase um terço os engarrafamentos. Nota técnica divulgada ontem pela entidade aponta que existe demanda suficiente, e, portanto, viabilidade comercial, para a criação de 14 novas linhas hidroviárias na Baía de Guanabara e nas lagoas da Barra da Tijuca. 

Se todos os projetos fossem implementados, essas rotas teriam potencial para absorver 272,4 mil viagens por dia e tirar 100,9 mil veículos das ruas. A extensão diária dos congestionamentos diminuiria 84,1 km. "Comprovamos que existe demanda. O que resta para essas propostas saírem do papel é estratégia de governo para optar por torná-las realidade", diz Riley Rodrigues, especialista em competitividade industrial e investimentos do Sistema Firjan. 
 

Foto:  Arte O Dia

Só no eixo da Baía de Guanabara, que hoje conta com apenas quatro rotas de barcas, são propostas 11 novas ligações. Dessas, cinco conectam a cidade do Rio ao Leste Fluminense: Praça 15-Gradim (São Gonçalo), Botafogo-Praça Arariboia (Niterói), Botafogo-Charitas (Niterói), Praça 15-Itaipu (Niterói) e Cocotá (Ilha do Governador)-Gradim. Partindo da Praça 15, haveria ainda a possibilidade de oferecer transporte aquaviário até Duque de Caxias, ao Aeroporto do Galeão, à Ilha do Fundão e à Ribeira (ligação desativada há pouco tempo). Outros dois serviços propostos seriam entre o Aterro do Flamengo, na altura do Museu de Arte Moderna, e o Galeão, além do deslocamento dentro de Niterói entre a Praça Arariboia e Itaipu. Em conjunto, estas novas linhas poderiam prover mais de 156 mil viagens por dia, 57,8 mil veículos a menos no trânsito. 

A universitária Carolina Zacharski, de 23 anos, que se desloca frequentemente entre Botafogo e Charitas, onde estuda, gasta até 1h10 no percurso, indo de ônibus. De acordo com Riley Rodrigues, o tempo cairia para entre 15 e 20 minutos apenas, dependendo se o tipo de embarcação escolhido fosse um catamarã, como os que são operados pela CCR Barcas nas linhas atuais, ou aerobarco. "Seria perfeito! Muitos estudantes das faculdades do Rio moram em Niterói e São Gonçalo e seriam beneficiados", comenta a futura enfermeira. 

A também estudante Camila Lopes, 23, leva 45 minutos da Central do Brasil até Caxias entre o trabalho e a faculdade. O trajeto pelo mar seria traçado de 25 a 40 minutos, conforme o estudo da Firjan, o que também dependeria do modelo de barco. "Os trens não estão mais tão ruins como antigamente, consigo até vir sentada. Mas, se eu puder chegar em 20 minutos, com certeza vou de barca", planeja. 

A federação também sugere ligação entre a Barra da Tijuca e o Centro com o uso de embarcações próprias para navegação em mar aberto, o que seria capaz de liberar, ao longo do dia, 32,8 km de vias rodoviárias. Estima-se que o serviço hidroviário tenha potencial para realizar até 106,4 mil viagens diárias, o equivalente a 15,6% das 679, 3 mil viagens/dia feitas hoje nesse trajeto por meios convencionais.A nota técnica também defende a criação de linhas internas na Barra, utilizando as lagoas de Marapendi e de Jacarepaguá. 

"As ligações hidroviárias no complexo lagunar da Barra possibilitariam aos usuários saltarem próximo à futura estação da Linha 4 do metrô, no Jardim Oceânico, que fará a conexão da Barra da Tijuca com a Zona Sul e o Centro. A partir da combinação das hidrovias com a Linha 4 do metrô, seria possível retirar milhares de veículos ao longo do trajeto Barra da Tijuca-Centro, reduzindo ainda mais os congestionamentos", sustenta o estudo. 

A Secretaria Estadual de Transportes vai apresentar, neste semestre, o resultado do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) e do Plano Estratégico de Logística de Cargas (PELC), que projetam o desenvolvimento da mobilidade e direcionam os investimentos em infraestrutura no estado. O órgão também fará avaliação técnica se é possível viabilizar as linhas. 

Parte das linhas apontadas já havia sido cogitada, mas, segundo Riley, a teoria de que não havia demanda sempre derrubou os projetos. Em alguns casos, são necessários investimentos maiores, como a complexidade de dragagem na região de São Gonçalo e Duque de Caxias e a necessidade de abertura de um canal na Ilha do Fundão. "Esse momento de crise financeira é o ideal para se pensar em soluções que potencializam a economia. Os engarrafamentos na Região Metropolitana geraram um custo de R$ 29 bilhões em 2013 (os números levam em conta a remuneração média do trabalhador local por minuto que ele perde no trânsito). O governo deve estabelecer parcerias com a iniciativa privada." 

Engenheiro de Transportes da Uerj, Alexandre Rojas critica o estudo. "Essas linhas não têm demanda e mais operações na Baía só seriam possíveis se ela fosse despoluída e se houvesse controle do tráfego de navios. Isso é um pesadelo." Já Eva Vider, engenheira de Transportes da UFRJ, é a favor. "A maioria dessas rotas foi proposta no Plano Diretor de 2003. Um modal não compete com os outros, eles devem se somar." 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Novos horários no Ramal Inhomirim têm início nesta terça-feira

24/08/2015 - Jornal do Brasil

A Secretaria de Estado de Transportes (Setrans) e SuperVia informaram que a partir desta terça (25) serão abertos três novos horários no serviço do Ramal Vila Inhomirim, que faz a ligação de Saracuruna, em Duque de Caxias, Vila Inhomirim (Raiz da Serra), no município de Magé. 

As novas partidas de Vila Inhomirim em direção a Saracuruna, às 5h05 e 7h08, e a nova partida de Saracuruna em direção Vila Inhomirim, às 6h05, acrescentarão mais 1.500 lugares ao sistema. Na estação Saracuruna, os passageiros podem fazer transferência para Gramacho e Central do Brasil. 

O Ramal Vila Inhomirim tem sete estações (Morabi, Imbariê, Manuel Belo, Parada Angélica, Piabetá, Fragoso e Vilha Inhomirim) e percorre uma distância de 15,5 Km pelos municípios de Duque de Caxias e Magé. Os novos horários atendem a uma antiga reivindicação dos usuários para redução dos intervalos nos horários de pico da manhã. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Prefeitura anuncia ampliação de estações do BRT Transoeste

18/08/2015 - O Dia

Magarça, Mato Alto e Curral Falso devem ser transformadas em terminais, informou a Secretaria Municipal de Obras

O DIA

Rio - Além das promessas de aumentar os terminais do BRT Santa Cruz e Alvorada, a Secretaria Municipal de Obras (SMO) divulgou que há estudos para ampliar as estações Magarça, Mato Alto e Curral Falso, do Transoeste, e transformá-las em terminais. As obras, que visam a amenizar os efeitos da superlotação, ainda não têm prazo para ocorrer, exceto a do Alvorada. 

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, comentou, em gravação de entrevista ao programa "Deles e Delas", da TV CNT, que vai ao ar no sábado, que o Terminal Alvorada será ampliado antes das reformas no corredor Transoeste.

Segundo a SMO, as intervenções no Alvorada estão em fase de mobilização de canteiro e execução da 4ª faixa da Avenida das Américas, sentido Recreio. "Com a extensão deste terminal, a área de circulação dos ônibus BRT será potencializada mediante a duplicação do número de pistas existentes no local. As baias para ônibus também serão ampliadas", afirmou a pasta em nota. A capacidade do Alvorada é de 35 mil passageiros por hora e deve dobrar.

Prefeitura divulga prazos para retirar de circulação 28 linhas de ônibus da Zona Sul

24/08/2015 - O Globo

Leia: Prefeitura adia redução de frota - O Globo

RIO — A Secretaria municipal de Transportes publicou nesta segunda-feira, no Diário Oficial, os prazos para a implementação do corte de 35% dos ônibus que circulam pela Zona Sul do Rio. Até o fim do ano, serão eliminadas 28 linhas, que serão substituídas por cinco novas. Outras 21 linhas terão o trajeto reduzido. Com o encurtamento, os passageiros precisarão fazer baldeações, o que provocou polêmica entre os usuários, conforme O GLOBO noticiou na semana passada.

O objetivo da prefeitura é resolver o problema de sobreposição de linhas e diminuir o número de ônibus que circulam vazios. As mudanças serão feitas progressivamente. No dia 3 de outubro, serão eliminadas 22 linhas. No mesmo dia, começarão a operar as linhas integradas 1 (Alvorada-Rio Sul, via Lagoa-Barra), 2 (Alvorada-Rio Sul, via Avenida Niemeyer) e 8 (Recreio-Rio Sul, via Lagoa-Barra).

A linha Troncal 1, que ligará a General Osório à Central, passando pela Nossa Senhora de Copabanaca e pelo Aterro do Flamengo, será implementada no dia 24 de outubro. Já o encurtamento no trajeto de 11 linhas será realizado a partir do dia 7 de novembro.

A estimativa da prefeitura é que a racionalização de linhas retire 700 coletivos dos cerca de dois mil que trafegam hoje pela Zona Sul. Com o corte, a velocidade dos coletivos deverá aumentar em 30% nas vias com BRS.

A segunda fase da operação começará no dia 5 de dezembro, com a extinção de 6 linhas e a implementação da Linha Troncal 3, que ligará a Gávea à Central, passando pela Nossa Senhora de Copacabana e pelo Aterro do Flamengo. O encurtamento de outras 10 linhas será feito no dia 12 de dezembro.

VEJA ABAIXO A LISTA COMPLETA

Linhas que serão extintas no dia 3 de outubro:

314 – Central x Barra da Tijuca (via Copacabana/Av. das Américas)

332 – Alvorada x Castelo (via Av. Lucio Costa)

501 – Barra da Tijuca x Gávea (via Av. das Américas) - Circular

502 – Recreio x Gávea (via Av. das Américas) - Circular

318 – Barra Sul x Castelo

177 – São Conrado x Candelária - Circular

360 – Carioca x Recreio dos Bandeirantes

504 – Piabas x Gávea (via Av. Benvindo de Novaes)

535 – Alvorada x Leme (via Av. Niemeyer/Copacabana)

120 – Central x Prado Junior – Circular

121 – Central x Copacabana – Circular

122 – Central x Prado Junior (via Praça Tiradentes) - Circular

125 – Central x General Osório (via Aterro do Flamengo) – Circular

129 – Rodoviária x Praia de Botafogo (via Túnel Santa Barbara) Circular

305 – Rodoviária x Barra da Tijuca (via Túnel Rebouças)

405 - Ramos x Cosme Velho

411 – Usina x Prado Junior - Circular

454 – Meier x Prado Junior - Circular

458 – Norte Shopping x Praia de Botafogo (via Túnel Santa Bárbara) - Circular

480 – Olaria x Prado Junior - Circular

481 – Penha x Praia de Botafogo (via Túnel Santa Bárbara) - Circular

505 – Recreio dos Bandeirantes x Gávea – Circular

Linhas que serão encurtadas no dia 7 de novembro:

404 – Cordovil x Leblon (via Av. Brasil) – Circular para Cordovil x Siqueira Campos (via Av. Brasil) - Circular

441 – Caju x Lido (via São Cristóvão) – Circular para Caju x Humaitá (via Túnel Rebouças) - Circular

442 – Maré x Copacabana (via Praça Mauá) – Circular para Maré x Candelária - Circular

455 – Meier x Copacabana (via Parque do Flamengo) para Méier x Candelária - Circular

456 – Norte Shopping x General Osório (via Túnel Santa Bárbara) para Norte Shopping X Mourisco (via Túnel Santa Bárbara) - Circular

457 – Abolição x General Osório (via Túnel Santa Bárbara) para Abolição x Mourisco (via Túnel Santa Bárbara) - Circular

475 – Meier x Prado Junior – Circular para Méier x Castelo - Circular

483 – Penha x Copacabana – Circular para Penha x Siqueira Campos (via Túnel Santa Bárbara)

484 – Olaria x Copacabana (via Parque do Flamengo) – Circular para Olaria x Candelária - Circular

485 – Penha x General Osório (via Linha Vermelha/Túnel Santa Bárbara) para Penha x Siqueira Campos (via Linha Vermelha/Túnel Santa Bárbara)

486 – General Osório x Fundão – Circular para Siqueira Campos x Fundão (via Túnel Santa Bárbara)

Linhas que serão extintas no dia 5 de dezembro:

123 - Jardim de Alah x Candelaria - Circular

132- Central x Leblon (via Aterro do Flamengo) - Circular

382 - Carioca x Piabas (via Av. Benvindo de Novaes)

402 – Engenho da Rainha x Gávea

421- Vila Isabel x Prado Junior - Circular

443 - Mare x Leblon (via Central) - Circular

Linhas que serão encurtadas no dia 12 de dezembro:

124 - Jardim Botanico (Horto) x Central (via Copacabana) para Horto x Jardim de Alah - Circular

413 - Muda x Jardim de Alah (via Aterro do Flamengo) para Muda x Castelo - Circular

415 - Usina x Leblon –Circular para Usina x Candelária -Circular

426 - Usina x Jardim de Alah (via Tunel Santa Barbara)

432 - Vila Isabel x Leblon (via Tunel Santa Barbara) para Usina x Mourisco (via Túnel Santa Bárbara - Circular

433 - Vila Isabel x Gávea (via Copacabana) para Vila Isabel x Largo do Machado - Circular

435 - Grajau x Gávea (via Tunel Santa Barbara) para Grajau x Siqueira Campos (via Tunel Santa Barbara) - Circular

464 - Maracanã x Leblon para Maracanã x Glória - Circular

474 - Jacaré x Jardim de Alah para Jacaré x Candelária - Circular

503 - Alto Leblon x Ipanema - Circular para Alto Leblon x Gávea - Circular

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Veja as linhas de ônibus do município do Rio que serão excluídas, substituídas ou alteradas

Mudanças começam a partir de outubro

POR O GLOBO

19/08/2015 - O Globo


Os coletivos da linha 433 (Vila Isabel-Leblon) terão itinerário reduzido - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - De outubro até o primeiro semestre de 2016, a prefeitura reduzirá em 35% o número de ônibus que circulam diariamente pela Zona Sul do Rio. O objetivo é diminuir a quantidade de linhas superpostas, que contribuem para engarrafamentos na região. Na primeira fase, que vai de outubro a dezembro, 33 linhas serão eliminadas, 21 substituídas e cinco novas linhas serão criadas. Quem sai da Zona Oeste com destino ao Centro vai ter que trocar de ônibus em Ipanema ou na Gávea. Para continuar até a Zona Norte será preciso fazer outra baldeação, na Central do Brasil.

INFOGRÁFICO: AS NOVAS LINHAS DE ÔNIBUS

AS LINHAS EXCLUÍDAS:

- 314 (Barra-Central), 332 (Alvorada-Castelo), 501 (Barra-Gávea), 502 (Recreio-Gávea), 318:(Barra Sul-Central), 177 (São Conrado-Central), 360 (Recreio-Carioca), 504 (Recreio-Gávea), 535 (Vidigal-Copacabana), 120 (Prado Júnior-Central), 121 (Copacabana-Central), 125 (General Osório-Central), 127 (Copacabana-Rodoviária), 411 (Prado Júnior-Usina), 442 (Maré-Copacabana), 129 (Praia de Botafogo-Rodoviária), 305 (Barra da Tijuca-Rodoviária), 404 (Cordovil-Leblon), 405 (Ramos-Cosme Velho), 441 (Caju-Lido), 454 (Méier-Prado Júnior), 458 (Norte Shopping-Botafogo), 480 (Olaria-Prado Júnior), 481 (Penha-Praia de Botafogo) e 505 (Recreio-Gávea).

VEJA AS NOVAS LINHAS:

- Integrada 1 (Alvorada-Rio Sul, via Lagoa-Barra), substitui as linhas 314 (Barra-Central), 332 (Alvorada-Castelo), 501 (Barra-Gávea) e 502 (Recreio-Gávea).

- Integrada 2 (Alvorada-Rio Sul, via Avenida Niemeyer) vai substituir as linhas 177 (São Conrado-Central), 360 (Recreio-Carioca), 504 (Recreio-Gávea) e 535 (Vidigal-Copacabana).

- Integrada 8 (Recreio-Rio Sul, via Lagoa-Barra) vai substituir a linha 318 (Barra Sul-Central).

- Troncal 1 (General Osório-Central, via Copacabana e Aterro do Flamengo) vai substituir as linhas 120 (Prado Jr.-Central), 121 (Copacabana-Central), 125 (General Osório-Central), 127 (Copacabana-Rodoviária), 411 (Prado Jr.-Usina), 442 (Maré-Copacabana), 129 (Praia de Botafogo-Rodoviária), 305 (Barra-Rodoviária), 404 (Cordovil-Leblon), 405 (Ramos-Cosme Velho), 441 (Caju-Lido), 454 (Méier-Prado Jr.), 458 (Norte Shopping-Botafogo), 480 (Olaria-Prado Jr.), 481 (Penha-Praia de Botafogo) e 505 (Recreio-Gávea).

- Troncal 3 (Gávea-Central, via Copacabana e Aterro do Flamengo) vai substituir as linhas 123 (Jardim de Alah-Praça Mauá), 128 (Rodoviária-Leblon), 132 (Leblon-Central), 382 (Piabas-Carioca), 402 (Engenho da Rainha-Gávea), 421 (Vila Isabel-Prado Jr.), 443 (Maré-Leblon) e 537 Rocinha-Leblon); a partir de dezembro.

LINHAS COM ITINERÁRIO REDUZIDO:

- As linhas 119 (Copacabana-Candelária), 455 (Méier-Copacabana), 456 (Norte Shopping-General Osório, via Túnel Santa Bárbara), 457 (Abolição-General Osório), 475 (Méier-Prado Júnior), 483 (Penha-Copacabana), 484 (Olaria-Copacabana, via Aterro), 485 (Penha-General Osório, via Túnel Santa Bárbara) e 486 (Fundão-General Osório) vão ser encurtadas; mas passageiros poderão usar a Troncal 1.

- As linhas 124 (Jardim Botânico-Central), 154 (Ipanema-Central), 413 (Muda-Jardim de Alah), 415 (Usina-Leblon), 426 (Usina -Jardim de Alah), 432 (Vila Isabel-Gávea), 433 (Vila Isabel-Leblon), 435 (Grajaú-Gávea), 464 (Maracanã-Leblon), 474 (Jacaré-Jardim de Alah), 503 (Alto Leblon-Ipanema) e 539 (Rocinha-Leme) serão encurtadas, mas passageiros poderão usar a Troncal 3.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Melhor para todos

20/08/2015 - O Globo

Anunciado em julho como tentativa de solucionar um dos principais focos de trânsito da Barra, o projeto do novo Terminal Alvorada teve seus detalhes apresentados em audiência pública na Câmara Comunitária, na semana passada. As principais alterações serão a criação de uma alça viária para os motoristas que seguem do Recreio para a Avenida Ayrton Senna, o alargamento e a recuperação das pistas do entorno do Cebolão e o aumento do espaço interno, com a saída do posto do Detran. As obras já estão em andamento, e a previsão é que terminem até abril de 2016, ao custo de R$ 30 milhões. Ainda que satisfeitos com a perspectiva de melhora, os moradores da região pleiteiam outras mudanças: querem que os ônibus dos condomínios tenham permissão para entrar no Alvorada e que as linhas intermunicipais sigam apenas até o terminal, e não mais até o Downtown, como ocorre em muitos casos.

A grande expectativa em torno das alterações é explicada pelos números: segundo dados da CET-Rio, 30% dos carros que saem do Recreio pela Avenida das Américas fazem retorno na altura do BarraShopping para acessar a Avenida Ayrton Senna, e outros 30% descem a agulha à direita, em uma pista que só tem uma faixa. O resultado são congestionamentos constantes. Essas duas frentes, por isso, receberam maior atenção no projeto. Enquanto a nova alça, de 560m de comprimento (que será feita em via já existente porém bloqueada pelo estacionamento da Cidade das Artes) será uma nova opção para os motoristas que seguem para a Linha Amarela, a agulha ganhará mais uma faixa, numa tentativa de desafogar o trânsito.

— Já havia um problema de acessibilidade que só se agravou com as obras da Barra. Para quem vai para a Ayrton Senna, vindo do Recreio, pela Américas, o caminho mais lógico é pegar a agulha na altura da concessionária Toyota; mas, como só existe uma faixa, muitos preferem ir até o BarraShopping e fazer o retorno. No final, as duas opções ficam carregadas. Quem vem da praia também contribui para o trânsito, e nesse trecho ganharemos outra faixa — explica o subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Alex Costa.

Ao todo, serão cinco faixas novas no entorno do terminal: uma na agulha, uma na pista entre a concessionária da Toyota e o condomínio Nova Ipanema (que passará a ter cinco), uma na pista de quem segue da praia em direção à Avenida das Américas e as duas da nova alça. O projeto também contemplará o reforço da iluminação pública e a ampliação da calçada.

— Temos de estar atentos também ao acesso a pé ao terminal. Hoje muitas pessoas atravessam irregularmente pelo canteiro central, em frente ao Carrefour, enfrentando os carros. Esse trecho será gradeado, e a passagem de pedestres já existente será ampliada — diz Costa, que prevê a conclusão das obras para janeiro de 2016, três meses antes do prazo.

Se no entorno do Alvorada haverá muitas mudanças, internamente as novidades também causarão impacto. A principal alteração será a saída do posto do Detran, o que permitirá o aumento do espaço para a circulação de ônibus convencionais e a construção de uma nova pista para o BRT. Com isso, a capacidade do terminal, que é de 35 mil pessoas por hora, deverá dobrar. Para o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, o Alvorada hoje está "muito pequeno".

— O projeto é um benefício para todo o sistema público de transporte, e não só para os moradores da Barra. O Alvorada concentra Transoeste e Transcarioca, além das linhas de ônibus normais. Do jeito que está, temos perda de capacidade do BRT, porque os intervalos entre os ônibus precisam ser maiores.

O aumento do espaço físico do terminal permitirá a construção de mais uma pista de BRT, a ampliação das duas passarelas de pedestres e a instalação de uma nova bilheteria, bem como a criação de outros acessos para os ônibus alimentadores, além de aumento nas posições de embarque e desembarque do BRT, de 11 para 22. A parte que cabia ao Detran passará a ter um estacionamento de ônibus, com 60 vagas para BRT e 39 para os convencionais, e vias de circulação interna, o que viabilizará outra mudança: os portões de entrada e saída dos ônibus ficarão do mesmo lado, o mais próximo ao BarraShopping. Isso amenizará o trânsito no lado oposto do terminal, sempre mais congestionado.

— Atualmente, os ônibus que saem do terminal dividem espaço com os carros até chegar à Américas ou à Ayrton Senna. Vamos ganhar um pátio de manobras, e os coletivos já sairão pelo lado do BarraShopping — explica Picciani. Com a certeza de que encontrarão congestionamento no entorno do Terminal Alvorada, muitos moradores da Barra têm suas estratégias para ganhar tempo. O estudante Daniel Dayrell, por exemplo, que vive no Nova Ipanema, diz que é melhor saltar do ônibus do condomínio antes que ele contorne o Cebolão, em vez de esperar que entre no residencial.

— O trânsito é tão intenso que, quando estou chegando, salto no ponto do New York City Center e ando pela passagem subterrânea até minha casa; é mais rápido — explica.

As horas desperdiçadas no trânsito impulsionam a mobilização por melhorias. A Câmara Comunitária da Barra da Tijuca ( CCBT) é uma das associações do bairro que lutam, há anos, por mudanças na Alvorada. O presidente da instituição, Delair Dumbrosck, aprova o novo projeto, mas diz que os moradores têm mais reivindicações.

— Nós queremos limitar as linhas intermunicipais, para que elas sigam apenas até o Alvorada. Hoje os ônibus vão, na maioria dos casos, até o Downtown. É um problema, o trânsito fica impraticável. Nossa reivindicação é que a mudança seja imediata. Já falamos várias vezes com o secretário estadual de Transportes e o governador, e eles ficaram de avaliar — diz Dumbrosck, para quem os ônibus intermunicipais não precisariam mais entrar na Barra após a inauguração de todo o sistema de BRTs. — Acho que no futuro as pessoas poderão fazer baldeação em outros pontos da cidade, seja no Fundão, em Irajá ou em Deodoro. Afinal, o BRT serve para diminuir o número de linhas convencionais.

A alteração no trajeto dos ônibus intermunicipais já é "caso resolvido", segundo o secretário estadual de Transportes, Carlos Osório.

— De fato esse pedido já me havia sido feito em oportunidades anteriores, e eu me comprometi a restringir a circulação das linhas intermunicipais até o Alvorada, assim que o Lote Zero for concluído (em dezembro deste ano, segundo previsão do governo). Isso representará um ganho para a Avenida das Américas, com o BRT substituindo veículos no trânsito. Vai ser uma determinação do Estado, de uma portaria do Detro, e as empresas vão cumprir — diz Osório, que rechaça a possibilidade de impedir a chegada desses ônibus à Barra, no futuro. — Tirar de dentro do Alvorada é inviável. Ele é um terminal rodoviário, e precisa ser o ponto de chegada ou partida para as linhas da Baixada, inclusive porque o BRT não vai até lá.

A outra reivindicação dos moradores implicaria em mais um ajuste no projeto do novo terminal.

— Queremos que haja alguma forma de desembarque dos ônibus de condomínio dentro do Alvorada, o que facilitaria a baldeação para pegar o BRT. A intenção não é tirar carros da rua? Então, quanto mais facilidades para os ônibus de condomínios, que são utilizados pela maioria dos moradores, melhor — defende Dumbrosck. — Também recebi sugestões de que seja implantado um ponto de táxi dentro do Alvorada e que o limite de velocidade nos mergulhões passe de 40 km/h para 50 km/h.

Na audiência pública que apresentou os detalhes do projeto, na CCBT, estiveram presentes o subprefeito Alex Costa e o secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho. Costa diz que o assessor do prefeito Eduardo Paes recebeu bem as reivindicações e prometeu avaliar sua viabilidade mais profundamente. Rafael Picciani, secretário municipal de Transportes, porém, acredita que a entrada de ônibus de condomínio no terminal não seja necessária.

— Eu não estava sabendo desse pleito, mas não vejo muito sentido, já que quase todos os condomínios terão BRT nas suas portas, com as aberturas das novas estações do Lote Zero. Acho que, no geral, essa cultura de não usar tanto o transporte público pode mudar na Barra; as pessoas vão precisar cada vez menos do serviço privado com a melhora do sistema. Será um ganho para a cidade.

O futuro do posto do Detran, que será deslocado, não está definido. Segundo o subprefeito Alex Costa, uma das possibilidades é sua transferência para um terreno atrás do Via Parque. Outra é a ida para o Recreio, entre a Estrada Vereador Alceu de Carvalho, a Avenida Teotônio Vilela e a Avenida das Américas.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Justiça determina demolição de casas em terreno da Aeronáutica

18/08/2015 - Agência Brasil

Moradores da comunidade Rádio Sonda, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, voltaram a protestar por causa da demolição de mais três casas na manhã de hoje (18). No dia 2 de julho, duas famílias foram removidas e uma casa chegou a ser demolida, depois de a Justiça determinar a reintegração de posse do terreno, pertencente à Aeronáutica.

A área faz parte da Vila Militar do Galeão e é habitada por cerca de 100 famílias há décadas, segundo moradores. Edivalma Souza, integrante da associação de moradores da região, um caminhão com soldados chegou ao local por volta das 5h30 da madrugada desta terça-feira e ordenou que os moradores se retirassem das casas que seriam demolidas.

"Eles chegaram sem avisar, e fizeram um escudo impedindo que nossa passagem. Não trouxeram sequer uma assistente social para nos dar algum suporte. Estamos muito assustados, porque além de todo esse susto, não temos para onde ir", disse a moradora.O taxista Márcio Campos, 45 anos, nascido e morador da comunidade, disse que foi "uma tremenda covardia" já que, segundo ele, moradores foram ameaçados com fuzis e cassetetes pelos soldados.

"Entramos com uma ação coletiva na justiça há algum tempo contra essa determinação. Ficou definido que,  a princípio, a Aeronáutica não poderia demolir as casas. Porém, ela recorre todas as vezes, já que, no documento, classifica o terreno como se fosse um lote só. Saímos como 'invasores' da área. O juiz, sem ter conhecimento da real situação, autoriza a remoção e demolição. Isso não é justo. Só queremos ter o nosso lugar para morar", disse.

O Centro de Comunicação da Aeronáutica, em Brasília, respondeu, em nota, que a reintegração de posse realizada hoje pela Justiça Federal no terreno da Vila Militar da Ilha do Governador ocorreu de forma pacífica. Os moradores estavam cientes de que a decisão transitou em julgado e que não cabe mais recurso.

"Ressaltamos que a Aeronáutica, por meio da Advocacia-Geral da União, tem a obrigação legal de recorrer à Justiça para reaver o terreno que pertence à União", diz a nota.

domingo, 16 de agosto de 2015

Adeus aos últimos Fusquinhas

16/08/2015 - O Dia

Restam apenas dois exemplares entre os táxis que circulam no Alto da Boa Vista, na Tijuca

O DIA

Rio - As ladeiras do Alto da Boa Vista estão prestes a perder seus mais tradicionais visitantes. Os últimos dois táxis Fusca que sobem e descem as ruas da região sumirão da praça até 23 de dezembro, prazo determinado pela Prefeitura. Durante quatro décadas os Fusquinhas fizeram ponto no Largo da Usina, na Tijuca. 

Com a mudança no Código Disciplinar do sistema de táxis em 2014, ficou estabelecido que a vida útil da frota é de seis anos de uso. Após este período, o taxista precisa trocar o veículo. "Antigamente só existiam Fuscas aqui no ponto. Há pouco tempo apareceram os carros grandes", explicou Marcos Cardoso, taxista há 28 anos que sempre pilotou Fusquinhas e reclama que os carros mais modernos não tem a mesma resistência. "Alguns já estão na terceira troca. Esses carros grandes não aguentam as ladeiras daqui". Marcos e o colega taxista Sérgio da Silva Dias, de 64 anos, estão lutando para continuar com os amarelinhos.


Sergio Dias e Marcos Cardoso lamentam a despedida dos fusquinhas
Foto:  Bruno de Lima / Agência O Dia

Os moradores da região também torcem pela permanência dos modelos que fizeram moda nos anos 70. "Eles são muito tradicionais, e poderiam ser vistos com mais carinho", argumentou Eloá Marques, de 60 anos. "Me lembra saudade". 

Os dois táxis estão rodando há 20 anos e são da última leva de Fuscas produzidos no Brasil em 1995. Para pedir a permanência dos carros, os taxistas fizeram um abaixo assinado com mais de 3 mil assinaturas. Eles entregaram o documento na Secretaria Municipal de Transporte há seis meses. 
Taxista no mesmo local, Oswaldo de Jesus, 55, começou a trabalhar em 1999 em um Fusquinha. Em 2012 pegou a autonomia, mas comprou um utilitário. "Se pudesse também teria um Fusca", ponderou. "O pessoal vai sentir falta. Eles são a cara daqui."

Coisas que só os Fuscas sabem fazer 

Os táxis Fusca são muito mais do que uma atração por onde passam. "Quando chove o carro grande não sobe a ladeira de paralelepípedo, só o fusca", explica Marcos Cardoso. O secretário municipal de transportes, Rafael Picciani, esclareceu que estuda a possibilidade de renovar a permissão especial para os carros. "A secretaria tem o desejo de renovar a permissão para preservar a memória cultural do bairro", disse o secretário. Porém, não há prazo para a decisão. 
Os moradores de Niterói também estão correndo o risco de perder um de seus patrimônios sobre rodas. Em caso semelhante, o último táxi Fusca da cidade, o modelo Fusca Sedan de 1969, só pode rodar até outubro.

O Centro da cidade... na Barra

Shopping Metropolitano, na Abelardo Bueno, se prepara para abrir as portas no início de dezembro e marca o início do Centro Metropolitano, um grande espaço empresarial planejado por Lucio Costa em 1969

24/11/2013 - O Globo

POR CLARISSA PAINS

Shopping Metropolitano, ainda em construção, é o primeiro grande empreendimento do Centro Metropolitano da GuanabaraFoto: Felipe Hanower
Shopping Metropolitano, ainda em construção, é o primeiro grande empreendimento do Centro Metropolitano da Guanabara
Foto: Felipe Hanower

RIO — A poeira ainda subia e uma lama de terra avermelhada sujava os calçados de quem trabalhava no canteiro de obras do Shopping Metropolitano quando, com exclusividade, O GLOBO-Barra visitou o espaço, dias antes da inauguração, marcada para 5 de dezembro. Ocupando 45 mil m² na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, o empreendimento faz parte do Centro Metropolitano da Guanabara — uma área de quase cinco quilômetros quadrados, ou cerca de 10% da Barra —, concebido pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa em 1969 para ser o novo Centro da cidade. O shopping é o filho primogênito a nascer. Em seguida, virão o hotel Hilton e prédios empresariais.

VEJA TAMBÉM
VÍDEO Bastidores da construção do Shopping Metropolitano
Resultado de uma parceria entre a Cyrela Commercial Properties (CCP) e a Carvalho Hosken, o shopping chegou a ter sua abertura anunciada para esta terça-feira, mas um problema com o fornecimento de energia elétrica adiou-a. Entre as novidades que a construção traz, duas saltam aos olhos. A primeira é um jardim vertical, de 1.600m², vista inclusive por quem passa de carro pela Abelardo Bueno. É a segunda maior parede verde do mundo, de acordo com registros do Guinness. Só perde para uma dos Emirados Árabes, erguida em março, com pouco mais de 2 mil m². Outro diferencial são quatro painéis que circundam a praça de alimentação, retratando as Zonas Oeste, Norte e Sul e a Baía de Guanabara. Todos foram desenhados pela artista plástica francesa Dominique Jardy, radicada no Rio há 29 anos e responsável por quadros pictóricos de Copacabana Palace, Marriot, Windsor e outros grandes hotéis.

— Esta é a primeira vez que meu trabalho é usado dentro de um shopping — conta Dominique, que levou três meses para aprontar as obras.

A artista pintou telas que foram fotografadas, reproduzidas em maior escala e transformadas em grandes painéis, de dez metros de altura cada um, colados à parede. O conjunto panorâmico tem, ao todo, 134 metros de comprimento.

— Para pintar os quadros, eu me posicionei no alto do Morro dos Queimados, que é um ponto mais ou menos central da cidade, de onde dá para ver bastante da Zona Norte, da Zona Sul e da Zona Oeste. De lá, eu vejo a Pedra da Gávea e o Corcovado, o Maracanã, a Vista Chinesa, a Floresta da Tijuca, o início da Barra. E, como o Rio não tem uma Zona Leste, retratamos este lado com a Baía de Guanabara — explica ela, que, junto com a equipe do GLOBO-Barra, viu pela primeira vez, na segunda-feira passada, suas obras prontas no mall. — As reproduções estão muito fiéis às telas. As cores ficaram num tom perfeito: nem apagadas, nem fortes demais.

O projeto do Shopping Metropolitano, criado pelo arquiteto Paulo Baruki, prioriza a inserção da natureza no conjunto — seja ela real, como na parede verde, ou poética, como nas telas de Dominique. O próprio desenho da construção, com muitas linhas curvas, é inspirado nas paisagens da cidade.

— O muro verde representa a montanha, e a linha curva da frente do shopping, o mar. Quis fazer o encontro dos dois, como ocorre na geografia do Rio — diz Baruki, que participou do projeto de mais de dez shoppings no Rio e de outros 30 fora do estado.

Arquitetura e decoração são mesmo destaques no mall. Uma outra bossa é o banheiro teen, todo rosa, destinado às adolescentes.

Estratégico para lojistas e clientes

Com 210 lojas, entre elas 15 âncoras e megalojas, o shopping será inaugurado com dois pisos, mas se prepara para abrir o terceiro em meados do próximo ano. Por enquanto, serão 21 lojas na praça de alimentação, no segundo piso, e quatro restaurantes com varandões: Gula Gula — que abre somente em 12 de janeiro —, Benkei Asiático, Outback Steakhouse e Delírio Tropical. Lojas de departamento como C&A e Renner se misturam a algumas consideradas classe A, como Richards e Mr. Cat.

O estacionamento tem 2.600 vagas, sendo 1.900 vagas cobertas. E ainda será possível encontrar o carro estacionado com a ajuda do celular, porque haverá pilastras com QR Code de sinalização.

Segundo o superintendente do shopping, Paulo Renato Rey, as classes A e B são o público-alvo do empreendimento, que custou cerca de R$ 350 milhões. A localização, na Abelardo Bueno, é considerada o grande trunfo para atingir a expectativa de 35 mil pessoas por dia ao longo do primeiro ano.

— Hoje, existem dois pontos estratégicos no Rio: o Porto e a interseção de Barra, Jacarepaguá e Recreio. O shopping foi construído mais ou menos na divisa entre estes três bairros, que são os que queremos atingir principalmente. E, pela proximidade com a Linha Amarela, ainda conseguiremos trazer um público da Zona Norte — aposta Rey. — A Barra já é atendida por muitos shoppings, mas nossa vantagem é que damos fácil acesso para outros bairros e ocupamos uma via que tem muitos terrenos já licenciados.

É em torno desta via que estão alguns dos principais investimentos para as Olimpíadas de 2016, como as vilas Olímpica e Paralímpica.

PUBLICIDADE

— Se já houve certo esvaziamento do Centro em favor da Barra, acredito que isso vá continuar até chegar a um ponto em que a maioria das empresas de grande porte esteja aqui — ressalta ele.

Segundo Fernando Santos, diretor regional da Via Varejo, responsável pelas Casas Bahia no Rio e no Espírito Santo, a loja aberta no Metropolitano pode ser considerada a nova menina dos olhos da rede.

— Abrir uma filial na Abelardo Bueno é fundamental para o nosso negócio, porque esta é uma região com grande perspectiva de crescimento, onde se concentra um novo núcleo econômico da Barra. Estamos apostando numa linha que vai atender as classes A,B e C — diz Santos.

Para os donos da Joalheria Viseu, a ida para a Zona Oeste acompanha o movimento do público da loja, já existente em Madureira e no Centro.

— Nossa ideia é resgatar os clientes que deixaram de ir a Madureira e já não vão com tanta frequência ao Centro — conta a sócia Rosane Rocha, à frente da Viseu ao lado do pai, Valentim; do irmão, Rogério; e do primo Sérgio Martins.

As cifras mostram a confiança no potencial da região: Pedro de Lamare, do Gula Gula, por exemplo, investiu R$ 2,5 milhões na nova loja.

Jardim vertical é destaque

A parede verde erguida na fachada do shopping reúne seis espécies de plantas, entre elas bromélias e zebrinas, e é formado por 2.700 módulos (tapetes retangulares que parecem camurça, mas são feitos apenas de garrafa PET). Neles, as mudas são presas com o substrato sphagnum, que substitui a terra.

— Como não usamos terra adubada, o jardim vertical tem menos ervas daninhas. É de fácil manutenção, porque tem um sistema de microtubos de gotejamento durante todo o dia. Apenas a cada quinzena um funcionário deverá subir por rapel para limpar a parede — diz a paisagista e engenheira civil Darcy Brouck, sócia da empresa Horto das Palmeiras, responsável pelo projeto e pela tecnologia usada.

Os módulos do jardim, chamado de Garden Up, são montados na própria empresa e, depois de prontos, instalados na parede. No total, foram usadas mais de cem mil mudas para compor o projeto. Daqui a cerca de 15 dias, espera-se que as plantas já tenham tomado toda a parede, tapando o fundo preto.

— A produção desse jardim levou quatro meses. Além de ser sustentável, ele ajuda a diminuir a temperatura no interior do ambiente. E isso a baixo custo — explica a engenheira de produção Taissa Abtibol, também sócia da empresa.

Mudança de rumo

Em pleno desenvolvimento há três décadas, a Barra é, sem dúvida, o maior foco de expansão do Rio. De lá para cá, as construções ultrapassaram as tradicionais avenidas Lucio Costa e Américas, e, agora, vão ocupando a Abelardo Bueno.

Bem em frente ao Shopping Metropolitano está em construção o The City, o primeiro business district do Rio, com inauguração prevista para dezembro de 2016. Com 100 mil m², o empreendimento será um complexo multiuso, com salas comerciais, lajes corporativas, malls e centros gastronômicos.

No setor hoteleiro, uma novidade é a rede Hilton, que constrói seu primeiro cinco estrelas na cidade, um complexo formado por um prédio com 300 suítes e edifícios corporativos, a ser inaugurado em junho de 2014.

Claudio Hermolin, diretor regional da construtora PDG, aposta na valorização da avenida com as obras de infraestrutura e transporte em curso:

— A Barra é o vetor natural de crescimento da cidade, e as obras de infraestrutura favorecerão o trânsito na região. Após grande oferta de unidades residenciais, chega a vez das unidades comerciais.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do Rio, Sydnei Menezes, não acredita que a avenida venha a integrar um novo Centro da cidade, mas reconhece seu potencial:

— O desenvolvimento da Abelardo Bueno acontece tardiamente, porque foi planejado no Plano Piloto. Mas o uso do espaço está um pouco diferente do concebido inicialmente. Lucio Costa pensava que os órgãos públicos ocupariam o Centro Metropolitano, e não empresas privadas. Acho impossível que aquele área se torne o novo Centro da cidade, mas vai ser responsável por consolidar o atual modelo de ocupação da Barra.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/o-centro-da-cidade-na-barra-10844966#ixzz3j0zeWlQ8 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Paes ataca 'dono da Barra': 'Não entendeu nada o que significam Jogos para o Rio'

15/08/2015 - BBC Brasil

Leia: 'Como é que você vai botar o pobre ali', diz bilionário 'dono da Barra' – BBC/Brasil

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), em entrevista exclusiva à BBC Brasil, classificou como "escândalo" as declarações de Carlos Carvalho, um dos maiores nomes do setor imobiliário da cidade, e disse que o empresário "não entendeu nada o que significam as Olimpíadas para o Rio".

Carvalho é dono da incorporadora Carvalho Hosken, que comercializará os 3.604 apartamentos da Vila dos Atletas por até R$ 1 milhão cada. Nesta semana, ele disse à BBC Brasil acreditar que os 31 prédios construídos para acomodar atletas e comissões técnicas não poderão servir de moradias populares após os Jogos, como ocorreu em Londres.

Segundo o empresário, "para botar tubulação de água e de luz há um custo alto, e quem mora paga. Como é que você vai botar o pobre ali?"

"Ele tem que morar perto porque presta serviço e ganha dinheiro com quem pode, mas você só deve botar ali quem pode, senão você estraga tudo, joga o dinheiro fora. Há muitos bairros que agasalham pessoas com poder aquisitivo mais modesto", disse Carvalho.

Paes disse discordar da avaliação do empresário. "Respeito a liberdade de opinião, mas as opiniões dele foram de um primarismo e de um grau de preconceito assustadores", disse o prefeito, que afirmou que ambos têm uma boa relação.

Professores da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) se manifestaram contrários a Carvalho, mas também criticaram a Prefeitura pelos preparativos olímpicos, o legado dos Jogos, as moradias populares e o processo de remoção da Vila Autódromo, favela ao lado do Parque Olímpico.

Na entrevista, o prefeito atacou o posicionamento do empresário, cuja incorporadora está avaliada em R$ 15 bilhões, e rebateu as críticas dos urbanistas, movidas, segundo ele, por uma posição ideológica contra o setor privado.

"Há as pessoas como o Carlos Carvalho, que são demofóbicas, que têm horror a pobre, e há os que são ideologicamente contra o setor privado. Eu não sou nem demofóbico nem contra o setor privado. Talvez por isso eu tenha sido eleito prefeito dessa cidade duas vezes", disse.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - Como o senhor recebeu as declarações do empresário Carlos Carvalho, dono da incorporadora Carvalho Hosken, em entrevista à BBC Brasil no início da semana?

Eduardo Paes - A entrevista é assustadoramente surreal, um horror. Respeito a liberdade de opinião, mas as opiniões dele foram de um primarismo e de um grau de preconceito assustadores.

Mas ele é um ator privado e tem a liberdade de pensar o que quiser, cabe à gente fazer diferente. Ele não entendeu nada o que significa a Olimpíada para a cidade do Rio de Janeiro.

É uma visão absolutamente equivocada de tudo que se quer fazer. Mas ele já está numa certa idade para eu ensinar alguma coisa sobre a vida, e como não é ele quem dita as regras da cidade, as opiniões dele não fazem muita diferença.

BBC Brasil - Na entrevista com Carlos Carvalho ele se referiu ao senhor como um "parceiro" desde a época em que o senhor foi subprefeito da Barra.

Paes - Eu trabalho em parceria com todo mundo. Não sou eu que escolho quem são as universidades que têm opinião, nem os empresários que têm opinião. Tenho uma boa relação com ele, mas isso não quer dizer que eu concorde com as opiniões dele. O que ele falou é um escândalo.

E como é justamente essa gente que ele falou que "está fedendo" que me elege como prefeito, eu te confesso que prefiro lidar com eles.

Há as pessoas como o Carlos Carvalho, que são demofóbicas, que têm horror a pobre, e há os que são ideologicamente contra o setor privado. Eu não sou nem demofóbico nem contra o setor privado. Talvez por isso eu tenha sido eleito prefeito dessa cidade duas vezes.

BBC Brasil - Uma das questões levantadas no debate durante a semana foi a da moradia, já que, em Londres, a Vila dos Atletas foi transformada em casas populares e, no Rio, os apartamentos que hospedarão atletas e comissões técnicas serão vendidos por até R$ 1 milhão pela iniciativa privada. Para urbanistas, o governo foi omisso na questão.

Paes - O Rio fez 65 mil moradias populares nesses cinco anos de Minha Casa Minha Vida, várias delas perto da Vila dos Atletas, independente de Olimpíada ou não. Em Londres, o projeto da Vila dos Atletas era originalmente privado, mas com a crise de 2008 tornou-se público. E aí obviamente como foi um projeto pago pelo governo virou casas para os mais pobres.

A decisão do local da Vila dos Atletas não foi tomada por mim, e ocorreu ainda no processo de candidatura, quando aquele terreno foi escolhido. Não acho que tenha sido errada. Estamos fazendo uma Vila dos Atletas sem botar dinheiro público, e você economiza ao ter a iniciativa privada construindo para você, mas aí não é uma obra pública. E por ser um empreendimento privado, ele dá o tom que ele quiser.

BBC Brasil - Deste ponto de vista o senhor acredita que valeu a pena para o Rio não ter gasto para construir a Vila dos Atletas, mas abrir mão do legado olímpico de moradias populares?

Paes - Imagina uma cidade como o Rio, com os problemas que o Rio tem, e a gente gastando dinheiro público com a construção de um Parque Olímpico. Ter feito isso com dinheiro privado é um avanço, porque o dinheiro público está servindo para fazer 331 escolas e 140 clínicas da família.

A Prefeitura do Rio não gastou dinheiro com estádios e a maneira de não gastar é quando você faz PPPs (Parcerias Público Privadas), com algum benefício financeiro, senão a iniciativa privada não entra. A 500 m da Vila dos Atletas a gente fez o Parque Carioca. A 1 km da Colônia Juliano Moreira estou entregando 5 mil apartamentos. Na Vila de Mídia, no bairro do Anil, são mais 3 mil apartamentos populares.

BBC Brasil - Algumas das obras não custarão nada ao governo porque serão financiadas pelas empreiteiras, mas entre os críticos há quem acredite que nesta troca o setor imobiliário esteja tendo um retorno vantajoso demais.

Paes - A gente precifica as coisas. Quando você faz um processo licitatório para uma PPP você coloca as condições. Há audiências públicas e você precifica aquilo que está vendendo, em geral pelo potencial construtivo. E aí são valores de mercado.

O sujeito está tendo benefício exatamente correspondente àquilo que ele teve de gasto, claro que com uma margem de lucro. Se você quiser que o setor privado entre para empatar, eles não vão entrar nunca, a não ser que você seja ideologicamente contra o privado. Eu não sou.

Esses especialistas da UFF são ideologicamente contra o privado, mas eu entendo que se você usar de maneira inteligente o desejo de ganho de dinheiro do setor privado você consegue ter benefícios, e é por isso que a cidade do Rio de Janeiro está entregando tanta coisa.

O Porto Maravilha é um exemplo disso. Ali os urbanistas também acham que há um exagero de especulação imobiliária. Mas eu vou fazer o quê? São os ônus. A Olimpíada traz muito benefício para a cidade, mas tem alguns ônus.

BBC Brasil - Na visão dos especialistas, o Porto Maravilha é um dos maiores exemplos de "oportunidade perdida", já que o centro da cidade poderia ter ganhado mais moradias populares, mas grande parte da revitalização será em função de torres comerciais.

Paes - Mas você tem que entender que eu penso exatamente o oposto deles. Eles pensam diferente de mim, e por isso eu sou prefeito do Rio e eles não. São pessoas que disputam eleição aqui e não ganham nunca, perdem feio, porque nunca tiveram a capacidade de produzir nada.

BBC Brasil - Outra crítica é a de que governo e organizadores olímpicos enfatizam os benefícios dos BRTs por tornarem mais rápido o deslocamento da periferia para as regiões centrais, quando na verdade os Jogos poderiam ter favorecido que as pessoas morassem mais perto dos empregos. O senhor discorda?

Paes - Mas aí eles propõem que eu não faça transporte para Santa Cruz? Acaba com Santa Cruz e traz todo mundo para a Barra? Eu discordo. A Zona Oeste tem 2,5 milhões de habitantes. Então, eu traria um pouco mais de gente para a Barra e não faria o BRT. Aí você resolveria o problema de umas 240 mil pessoas. E o resto?

A vida é feita de escolhas, não tem dinheiro para fazer tudo. Era o BRT ou trazer 200 mil pessoas, e teria que comprar terra. Mas ao invés disso eu fiz dois túneis no maciço da Pedra Branca. Eu também acho que todo mundo tinha que morar de frente para a praia, na Barra ou no centro, mas em Londres as pessoas também não moram assim. Lá tem transporte de muita qualidade pegando as pessoas mais longe, porque o centro é inabitável, é só para milionário.

BBC Brasil - Uma das questões mais polêmicas da preparação para os Jogos é a remoção da Vila Autódromo, favela localizada ao lado do Parque Olímpico e diante da área onde as empreiteiras devem erguer torres residenciais após 2018. Em março o senhor assinou um decreto confirmando a ordem de remoção dos moradores. O que deve ser, afinal, o destino desta área?

Paes - Eu sempre me posicionei da mesma maneira. Não estamos retirando a Vila Autódromo toda. Uma parte dela vai ficar. Aquele plano da UFF tinha boas intenções, mas não levava em conta que tínhamos que construir os acessos para o Parque Olímpico. A gente tirou as pessoas que estavam nos acessos para o parque, e quem saiu de outras áreas é porque pediu para sair.

Eu estou com uma petição aqui de 60 famílias dizendo "a BBC não nos representa". Eu até mando para vocês, tem um abaixo-assinado dizendo isso.

BBC Brasil - O senhor está dizendo que uma parte da Vila Autódromo vai ficar, mas os moradores já relataram em reportagens que os agentes da Prefeitura deixam claro que todos terão que sair. Além disso, no plano que nos foi apresentado pelo empresário Carlos Carvalho para o Parque Olímpico após 2018, a área onde hoje fica a comunidade torna-se inteiramente verde, como um parque diante dos empreendimentos imobiliários.

Paes - Uma parte da Vila Autódromo vai ficar. Agora é o seguinte, eu não respondo nem pelo pessoal da UFF, nem pelo Carlos Carvalho. Eu penso diferente dos dois lados. Nenhum dos dois me representa. Eu tenho minhas opiniões, e o prefeito sou eu. Quem manda é o prefeito. Não vou fazer o que a UFF quer, nem o que o Carlos Carvalho quer.

BBC Brasil - Qual é a linha que o senhor segue, então?

Paes - A linha que eu sigo é essa que você está vendo. É a linha de uma cidade com 150 km de BRT para a Zona Oeste e a Zona Norte, que urbaniza as comunidades da Zona Oeste, que faz 331 escolas e 140 clínicas da família, que não tem uma obra na Zona Sul, nem na Barra, todas são em Jacarepaguá. Que revitaliza o centro e resgata uma região da cidade abandonada durante anos. A minha visão de cidade é essa que você está vendo surgir.

BBC Brasil - Se o senhor nos permitir insistir, quando a imprensa vai até a Vila Autódromo, os moradores são enfáticos ao afirmar que para os agentes da Prefeitura todos terão que sair. Além disso, uma ação de remoção da Guarda Municipal ocorrida em junho e avaliada como truculenta pela Defensoria Pública e a Anistia Internacional deixou pessoas feridas e ensanguentadas.

Paes - Houve um caso, de uma ordem judicial, e eu desconhecia que essa operação estava ocorrendo. Sobre este senhor, deste caso de ferimento, se você quiser, eu te mando uma gravação dele dizendo que a pessoa que ele mais ama no mundo é o Eduardo Paes. Ele veio aqui, eu pedi desculpas a ele pela ação da Guarda Municipal, esclareci que foi um erro a maneira como eles agiram. Ele já recebeu uma casa, está morando muito bem, e acho até que vai pedir voto para mim na próxima eleição.

BBC Brasil - Então podemos cravar isso, que uma parte da Vila Autódromo vai ficar? Qual parte vai ficar?

Paes - Sim, e eu digo isso para eles todo dia, desde o início. Eles têm vários vídeos meus gravados. A gente já apresentou esse mapa. O que sai são os acessos ao Parque Olímpico e a beira da Lagoa, onde tinha um monte de gente rica e é área de proteção ambiental. Todo o resto fica. Só sai quem quer.

BBC Brasil - Na entrevista à BBC Brasil, o empresário Carlos Carvalho defendeu seus planos do que enxerga ser o "novo Rio de Janeiro", centralizado na Barra, nos moldes dos grandes condomínios. Com as obras olímpicas o senhor acha que o poder público está estimulando este tipo de urbanismo, com uma elitização desta região da cidade?

Paes - Não fui eu quem fez o plano urbanístico da Barra, foi o Lucio Costa na década de 70. Eu particularmente não gosto da concepção urbana da Barra da Tijuca, com condomínios fechados, grandes avenidas, e poucas calçadas. Prefiro muito mais o Rio tradicional. O subúrbio carioca e o centro. Há outras regiões olímpicas, como Deodoro, Engenhão e Copacabana, e a área que mais se valorizou com os Jogos foi Madureira, na Zona Norte.

BBC Brasil - O Plano Diretor da Barra foi alterado pelo senhor para que o número máximo de andares de novos edifícios construídos lá passasse de 13 para 18 andares. Foi uma moeda de troca?

Paes - Claro que foi. Aprovada em lei, comunicada à imprensa, feita de forma pública. Você acha que o empresário ia investir por amor à pátria? O dinheiro que constrói as obras do Parque Olímpico é privado porque a gente disse para eles: "olha, se você fizer isso aqui eu vou aumentar o seu gabarito". Senão eu teria que usar dinheiro de impostos para construir arena olímpica. Não tem nada de errado.

BBC Brasil - Como o senhor avalia as críticas de que o processo olímpico está empurrando os cariocas mais pobres rumo às periferias do Rio, seja por remoções ou pela especulação, que tem aumentado o valor dos imóveis?

Paes - Não tem relação nenhuma. O único caso que você tem de reassentamento relacionado à Olimpíada é a Vila Autódromo, e eles foram empurrados para a periferia a 1 km de onde eles moravam (em referência à obra do Parque Carioca, conjunto habitacional construído para alguns dos removidos). Então não sei que periferia é essa para onde eles estão sendo empurrados.

Outra coisa é o fenômeno mundial da gentrificação, que ocorre em grandes cidades, do qual Londres talvez seja o caso mais explícito. É algo que acontece em Nova York, Berlim, e também no Rio, que é um processo de sobrevalorização conforme as cidades se qualificam.

Na Zona Sul do Rio, por exemplo, não há mais onde construir, então é óbvio que o que já existe vai ficar mais caro. E aí você precisa requalificar outras áreas da cidade, como a Zona Norte. Quando você faz uma Transcarioca você requalifica uma região de subúrbio que estava degradada, para que a pessoa não precise morar num lugar degradado só porque ela não tem dinheiro.

BBC Brasil - Como avalia as críticas de que os Jogos são uma "oportunidade perdida" no que diz respeito ao legado para a cidade?

Paes - Eles estão equivocados. A população está vendo esse legado e aplaudindo e apoiando.

sábado, 15 de agosto de 2015

Transoeste ganhará novas estações até o segundo trimestre de 2016

Três das sete unidades da extensão da linha até o Jardim Oceânico estão quase prontas

POR DARLAN DE AZEVEDO

15/08/2015 - O Globo


Quase pronta. A nova estação do Transoeste, na altura do Freeway: obra é extensão do BRT até o Jardim Oceânico - Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO - Três das sete novas estações do BRT Transoeste, que vão ligar o Terminal da Alvorada ao Jardim Oceânico, através da Avenida das Américas, estão quase prontas. As obras de extensão do corredor em seis quilômetros fazem parte do lote Zero, o último trecho da linha que ainda falta ser finalizado, hoje com 66% dos trabalhos concluídos. A previsão é que o traçado fique pronto até o segundo trimestre de 2016.

Obra ficou 25% mais cara

O formato das estações, que começaram a ser construídas em julho, já pode ser visto na altura da Avenida Jornalista Ricardo Marinho, do Freeway e do Barra Garden. Quem passa pelo local vê que os transtornos comuns à obra estão com os dias contados. Devido às intervenções, uma faixa da via costuma ser interditada, e o trânsito, segundo moradores, piora nos horários de pico.

— É muito difícil sair de casa no horário de rush. Infelizmente, precisamos passar por este sacrifício para termos um benefício no futuro. Perco, todos os dias, duas horas só para chegar ao Centro da cidade. Só quero que fique logo pronto — diz Manoel Bulhosa, presidente da Associação de Moradores do Bosque Marapendi.

Ao todo, são seis as estações sob responsabilidade da prefeitura: além das três citadas, também estão em construção as que ficam perto do BarraShopping, do Parque das Rosas, e do Bosque Marapendi. A exceção é a estação de integração do Jardim Oceânico, cujo projeto está sendo desenvolvido pelo Consórcio Rio-Barra e o estado.

— Poucas pessoas têm a conscientização de que é preciso evitar o uso do carro. Temos que continuar investindo em transporte público de qualidade, senão o trânsito não vai diminuir — ressalta Azaury Alencastro, morador do bairro, que tem casa nas imediações do Supermercado Extra.

Segundo a Secretaria municipal de Obras, a revisão do projeto, em 2013, elevou os custos. Os gastos, agora, estão estimados em R$ 114 milhões, cerca de 25% a mais do que havia sido planejado. O traçado completa os 52 quilômetros da via, em operação atualmente entre a Barra e Paciência, com 55 estações.

Com a ampliação, o Transoeste passará a transportar 230 mil pessoas por dia. Atualmente, cerca de 154 mil passageiros utilizam o BRT diariamente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/transoeste-ganhara-novas-estacoes-ate-segundo-trimestre-de-2016-17193769#ixzz3itXfSdPv 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ampliação do Galeão para Olimpíada está na metade

12/08/2015 - Valor Econômico

Quase uma centena de caminhões e tratores circulam em um terreno de cem mil metros quadrados ao lado do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro. No local, cerca de cinco mil operários trabalham para que a ampliação do terminal carioca, que irá receber a maior parte dos turistas durante a Olimpíada no ano que vem, fique pronto até abril - mês estabelecido de entrega.

O Consórcio Rio Galeão, formado pela Odebrecht TransPort, a Changi Airports e a Infraero, ainda precisa concluir cerca de 40% do projeto. O investimento de R$ 2 bilhões até 2016 inclui a construção de uma extensão do terminal 2 que terá 26 novas portas de embarque e uma área de Duty Free duplicada para 8 mil metros quadrados, além de quatro novos andares de estacionamento, entre outras reformas.

O presidente da concessionária, Luiz Rocha, nega qualquer tipo de atraso e afirma que as obras serão entregues antes dos Jogos Olímpicos. "Vamos cumprir os prazos", garantiu. A estrutura do novo estacionamento, com dois mil lugares e mais quatro andares, já está concluída, mas ainda faltam acabamentos como pintura, sinalização e instalação de equipamentos de iluminação e segurança.

Do lado de fora, no que será a pista de taxiamento das aeronaves, tratores ainda trabalham na parte de fundação. Segundo o gerente de produção da Odebrecht TransPort, Pedro Buonsanti, apenas 45% desse novo terminal, batizado de Píer Sul, está pronto. Quando concluído, o projeto dará mais velocidade no embarque e desembarque dos passageiros. "A maior preocupação é logística", afirmou ontem Buonsanti, durante uma visita organizada pela empreiteira ao canteiro. "Fazer essa obra sem atrapalhar o entra e sai de passageiros é um desafio", acrescentou.

Rocha também negou que a operação Lava-Jato, que investiga contratos principalmente entre a Odebrecht e a Petrobras, vem afetando os trabalhos no aeroporto do Rio. "A Odebrecht TransPort é independente, tem capital próprio e não sofre nenhuma influência da Lava-Jato", afirmou. "Os recursos estão garantidos", completou.

O Rio Galeão estima que 1,5 milhão de pessoas passem pelo aeroporto internacional durante o período olímpico. O projeto prevê ainda a compra de novos elevadores, escadas e esteiras rolantes - três das principais reclamações dos usuários - e a abertura de mais de 60 novas lojas. O plano de investimento até 2039 é de R$ 5,2 bilhões.

Rocha disse ainda que avalia a participação em licitações de novos aeroportos e citou terminais no Nordeste - como os de Salvador (BA) e Fortaleza (CE) - entre os alvos de interesse.

O presidente do Rio Galeão informou que houve um crescimento de 3% no número de passageiros nos primeiros sete meses do ano, na comparação com 2014 - apesar de esse período, no ano passado, contar com a realização da Copa do Mundo. Rocha atribuiu às promoções das companhias aéreas o aumento no movimento dos terminais, a despeito da atual crise econômica.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Duplicação da Contorno alivia o trânsito da Ponte Rio-Niterói

07/08/2015 - O Globo

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, vai pedir hoje ao diretorgeral da Agência Nacional de Transportes Terrestres ( ANTT), Jorge Luiz Bastos, que acelere o processo para início da construção de uma variante de seis quilômetros, em Itaboraí, que vai acabar com o gargalo no Trevo de Manilha. Incluída no Programa de Investimento em Logística ( PIL) da presidência da República, a obra será feita pela concessionária Autopista Fluminense. Em troca, ela será beneficiada com a prorrogação do contrato de concessão da BR- 101 Norte por um prazo que ainda não foi fixado.

O pedido será feito durante a inauguração das obras de duplicação da Avenida do Contorno, de 2,2 quilômetros, que liga a Ponte Rio- Niterói à rodovia Niterói- Manilha. As obras, que custaram R$ 90 milhões, acabam com o afunilamento do tráfego na saída da ponte. A rodovia ganhou uma terceira pista e acostamento, que poderá ser usado em dias de grande movimento como quarta pista. A avenida ganhou iluminação em LED.

Osório destacou a importância da obra, lembrando que a duplicação acabou com um gargalo responsável por engarrafamentos que chegavam ao Rio. Disse a Região dos Lagos está comemorando porque vai ficar mais rápido chegar lá. A prioridade agora é acabar com o gargalo do Trevo de Manilha, que recebe o tráfego de três rodovias.

— As obras já estão autorizadas, só falta assinar um termo aditivo ao contrato de concessão, como previsto no PIL. O Trevo de Manilha agora é prioridade máxima.

Na inauguração, Osório também vai pedir a ANTT que solicite à Autopista Fluminense maior rapidez nas obras de troca do piso do trecho ManilhaDuques da BR- 101. A obra ( que vai até outubro) interdita trechos da faixa da direta provoca longos engarrafamentos:

-- Estamos recebendo muitas reclamações sobre a lentidão destas obras. Vamos pedir a ANTT que peça o plano de obras e acelere o cronograma — concluiu Osório.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Osorio é vaiado por passageiros após fazer a travessia Rio-Niterói no catamarã Pão de Açúcar

Secretário de Transportes também anunciou que a barca Corcovado deve entrar em operação a partir de semana que vem

POR TAÍS MENDES

06/08/2015 - O Globo


Osório é vaiado na chegada à estação da Praça Arariboia, em Niterói - Gabriel de Paiva / Agência O Globo

RIO - O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, fez a travessia Rio-Niterói, na manhã desta quinta-feira, na embarcação Pão de Açúcar, que apresentou problemas nesta quarta-feira e não pôde circular por duas horas, provocando extensas filas na Praça Arariboia. No desembarque em Niterói, a presença de Osorio foi logo percebida. Os passageiros que aguardavam o embarquecomeçaram a vaiá-lo. Muitos faziam sinais negativos e pediam que a CCR fosse retirada da concessão das barcas.

— Tudo isso é mentira. Hoje eles estão aqui com todo cuidado, passando as informações pelo alto-falante e com muitos funcionários para ajudar. Normalmente, não é assim. Foi só porque o secretário estava na barca — criticou a professora Maria de Fátima Braga Leite.

Diante das vaias e dos gritos da população: "Fora CCR", Osorio não se intimidou. Foi em direção aos passageiros na tentativa de explicar que está tentando melhorar o transporte.

— Tenho que falar com as pessoas. Eles não gostam da CCR porque há um histórico de dificuldades. E a população reclama com todo direito. Mas o governo tem que dialogar. O serviço está melhorando, mas ainda é deficitário porque ficou 30 anos sem investimentos — argumentou o secretário.

De acordo com o Osorio, o fabricante da Pão de Açúcar já foi notificado para esclarecer o que provocou o defeito.

— Não queremos e não podemos ter problemas com a barca nova. Os fabricantes estiveram na barca, solucionaram o problema, mas queremos saber o que aconteceu — disse o secretário.

Nesta quinta-feira, ele também terá uma reunião com a Capitania dos Portos para ajustar as vistorias em embarcações e evitar que sejam feitas em horários de rush.

— Vamos falar de tudo, das vistorias que podem ser feitas no meio da tarde ou no fim de semana; do que aconteceu nesta quarta com a Pão de Açúcar; e da Corcovado, que já está em Niterói e deve começar a funcionar na semana que vem. Essa é a boa notícia para o morador de Niterói.

Ainda de acordo com o secretário, as embarcações antigas Vital Brazil e Boa Viagem já foram aposentadas e, até o fim do ano, todas as barcas convencionais deixarão de funcionar

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/osorio-vaiado-por-passageiros-apos-fazer-travessia-rio-niteroi-no-catamara-pao-de-acucar-17101594#ixzz3i2OsZeLB 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Conexão expressa

29/07/2015 - O Globo

Luiz Ernesto MagalhãeS

A pouco mais de um ano das Olimpíadas, a prefeitura entrou em contagem regressiva para concluir as obras do BRT Transolímpico (Deodoro- Recreio dos Bandeirantes), que, além de serviço de ônibus articulados, prevê a implantação da segunda via expressa da cidade em parceria com a iniciativa privada e com cobrança de pedágio, como acontece na Linha Amarela. Segundo a Secretaria municipal de Obras, 65% dos serviços já foram executados ao longo de 25 quilômetros. A escavação de dois novos túneis da via expressa, que serão paralelos à Estrada do Catonho (ligando Taquara a Sulacap), está em fase final, e a expectativa é concluir os serviços até o fim do mês que vem. A prefeitura trabalha com o prazo de 30 de junho de 2016 para a entrega de todo o projeto.

As intervenções incluem também a duplicação da Avenida Salvador Allende, entre a Avenida das Américas e a Estrada dos Bandeirantes (Curicica), onde tem início o trecho com pedágio. Nessa etapa, 55% dos trabalhos já terminaram, e já é possível visualizar o traçado do corredor de BRT. Os operários trabalham ainda na construção de quatro novos retornos com sinal de trânsito, para veículos de passeio, nas proximidades da Avenida das Américas, do 31 º BPM (Recreio), do Riocentro e da comunidade Asa Branca (Curicica). Ao todo, o projeto prevê a construção de 31 viadutos e pontes. A maioria das obras dessas estruturas ainda está em andamento, como as dos viadutos sobre a Estrada Outeiro Santos (Taquara) e sobre a Avenida Duque de Caxias (Deodoro).

VIA TERÁ DOIS PONTOS DE PEDÁGIO

O Transolímpico vai conectar dois polos importantes dos Jogos de 2016: a Barra (onde ficarão o Parque dos Atletas e a Vila dos Atletas) e Deodoro (onde vão ser disputadas 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas). O corredor contará com quatro terminais: Recreio, Parque Olímpico da Barra, Sulacap e Deodoro, este compartilhado com o BRT Transbrasil, que está em construção e fará conexão com o Centro. Também haverá 18 estações ao longo do trajeto, que cruza os bairros de Jacarepaguá, Sulacap e Magalhães Bastos. Entre as estações em construção, estão pontos nas proximidades da Vila Olímpica e da Vila Militar. O projeto prevê que o Transolímpico tenha integrações com os trens da SuperVia e com os demais corredores de BRTs - além do Transbrasil, o Transoeste (no Recreio) e o Transcarioca (na Barra, com a implantação de um transporte especial até o Terminal Alvorada).

O Consórcio Via Rio (Invepar, Odebrecht Transport e CCR), que venceu a concessão para explorar o serviço por 35 anos, divulgou ontem alguns detalhes da operação para veículos comuns. Em valores atuais, o pedágio deve ficar em R$ 5,90 (o mesmo da Linha Amarela). A via terá quatro saídas: avenidas Brasil e Marechal Fontenelle, Estrada do Rio Grande e Avenida Salvador Allende. Os motoristas que circularem entre a Marechal Fontenelle e Deodoro não vão pagar pedágio. Serão dois pontos de cobrança. A praça principal, com 12 cabines, ficará em Sulacap. Ali, motoristas que trafegarem nos dois sentidos precisarão pagar a tarifa. No trecho expresso entre Curicica e Taquara, haverá pedágio na Estrada do Rio Grande, mas apenas no sentido Recreio.

Ao longo dos três últimos anos, o projeto - hoje orçado em quase R$ 2,2 bilhões, incluindo a criação de uma alça de ligação com o BRT Transbrasil e a duplicação da Avenida Salvador Allende - passou por uma série de modificações. As mudanças elevaram os custos em R$ 130 milhões, sem contar gastos com desapropriações, que passaram de R$ 40 milhões. O Consórcio Via Rio entrou com R$ 520 milhões.

Segundo o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, muitas mudanças ocorreram para reduzir os custos com desapropriações e também para criar um novo acesso em Sulacap, não previsto no projeto inicial. Em Curicica, um viaduto foi construído para reduzir de 876 para 300 o número de famílias da Favela Vila União a serem reassentadas.

- Nós também alteramos o traçado da via em Magalhães Bastos e nas imediações da Colônia Juliano Moreira - detalhou Alexandre Pinto.

A exemplo do Transcarioca (que liga a Barra ao Aeroporto Tom Jobim), inaugurado às vésperas da Copa do Mundo de 2014, o BRT Transolímpico também não estará plenamente operacional para as Olimpíadas. O plano da Secretaria municipal de Transportes é abrir as estações de forma gradual, mas esse cronograma ainda está em estudos.