sexta-feira, 29 de maio de 2015

Projeto de reformulação do Moinho Fluminense sai do papel

28/05/2015 - O Dia

Com a presença do prefeito Eduardo Paes, foi lançado ontem o projeto de reformulação do Moinho Fluminense, um conjunto de prédios históricos, tombados pelo município, na Região do Porto. Com o investimento de R$ 1 bilhão, o empreendimento terá mais de 100 mil m² de área disponível e visa a colaborar com a reurbanização da Região Portuária. O novo complexo vai contar com um hotel design com mais de 200 quartos, um centro de lojas de aproximadamente 17 mil m², com cinemas e praça de alimentação.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Abandono ameaça raridade da arquitetura dos tempos coloniais Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/abandono-ameaca-raridade-da-arquitetura-dos-tempos-coloniais-16283471.html#ixzz3bTsMWVyc

28/05/2015 - Extra

Mato alto cerca o entorno do casarão, que espera por obras

RIO — Último exemplar da arquitetura rural colonial ainda de pé na cidade, a Casa da Fazenda do Capão do Bispo, em Del Castilho, corre o risco de desaparecer da paisagem carioca. Tombada em 1947 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a construção, que pertence ao governo do estado, está sem reboco nas paredes, com telhado destruído e portas e janelas de madeira desgastadas. Segundo moradores do entorno, o local está completamente abandonado, e os cupins já atacaram as estruturas de madeira. Do lado de fora, o capim alto completa o cenário de esquecimento.
A casa pertenceu ao primeiro bispo do Rio de Janeiro, dom José Joaquim Justiniano Castelo Branco. Ela foi erguida no final do século XVIII em um capão — a parte mais alta de um terreno. Daí vem a origem do nome pelo qual a propriedade ficou conhecida. O terreno, que tem cerca de 250 metros quadrados, integrou no passado uma das primeiras fazendas disseminadoras de mudas de café para o interior. Com varanda na fachada e um pátio central — ambos com colunas toscanas de alvenaria —, o casarão reúne características típicas das edificações rurais setecentistas do entorno da Baía de Guanabara.

Segundo a historiadora Sheila Castello, do grupo SOS Patrimônio, trata-se de uma joia da arquitetura colonial. Mas sua situação é preocupante. Ela recorda que há cerca de quatro anos o governo estadual, com a promessa de restaurar o imóvel, retomou o casarão do Instituto de Arqueologia do Brasil, que havia instalado ali um centro de pesquisas.

'MILAGRE DO BISPO'

Desde então, reclama a historiadora, nada foi feito. O endereço foi incluído numa lista do SOS Patrimônio de cerca de 40 bens tombados do estado que sofrem com problemas de segurança, falta de manutenção ou mesmo total abandono.

— O estado retomou o edifício dizendo que iria restaurá-lo e dar novo uso ao casarão. Eles alegam que o local tem um vigilante, mas um só vigia naquele terreno imenso não vai impedir invasões — alerta.

Ondemar Dias, presidente do Instituto de Arqueologia, diz que o fato de o edifício estar fechado desde a saída do órgão deve ter agravado a situação:

— Mesmo com pouco dinheiro, fizemos algumas obras lá. Mas agora, com ele vazio, se não caiu, deve ser por milagre do bispo.

Em nota, a Secretaria estadual de Cultura voltou a afirmar que vai restaurar o "único exemplar remanescente na cidade da arquitetura rural colonial." A licitação, de acordo com o órgão, está sendo elaborada pela Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop). A data de começo da reforma não foi informada. De acordo com a secretaria, a intenção é transformar o lugar num espaço para residências artísticas e de fomento à economia criativa na região.



Ministro das Cidades vem a Niterói e afirma que Linha 3 ainda está na pauta

26/05/2015 - Niterói Mais

A implantação da linha 3 do metrô, que ligará Itaboraí, São Gonçalo e Niterói é uma prioridade para o governo federal. O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira (25/5) pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, durante reunião com o prefeito de Niterói, no Solar do Jambeiro.

Ele afirmou que haverá um esforço da pasta para que haja viabilidade econômica para a realização da obra. As parcerias do ministério com a prefeitura nas áreas de habitação e mobilidade também foram avaliadas no encontro, assim como o projeto do município para obras de contenção de encostas em 15 novas áreas da cidade, que representará um INVESTIMENTO de R$ 103 milhões e está sendo analisado pelo governo federal.

"Dei uma boa notícia para o prefeito. O ministério não abandonou o projeto da linha 3 do metrô, nós continuamos trabalhando com a hipótese de financiar e apoiar a construção dessa linha, o que mudaria de maneira muito expressiva a qualidade da mobilidade e do transporte na cidade de Niterói", afirmou Kassab.

O prefeito afirmou que defende o projeto da linha 3 do metrô. "Do nosso ponto de vista, recuar da proposta da linha 3 do metrô seria um equívoco. Caso seja implementado o BRT, o projeto do metrô estará definitivamente arquivado", disse.

O deputado federal Sergio Zveiter (PSD), que também participou da reunião, disse que em fevereiro, durante audiência com o ministro, a preocupação com relação à não implantação da linha 3 do metrô foi apresentada pelo prefeito Rodrigo Neves. "Além dos projetos nas áreas de habitação, mobilidade e contenção de encostas, o prefeito Rodrigo falou sobre a importância da linha 3 do metrô. Nós somos favoráveis ao metrô e o ministro anunciou que vai se empenhar para que o projeto saia do papel", explicou Zveiter.

Gilberto Kassab estava acompanhado de vários técnicos do ministério. Também participaram da reunião o vice-prefeito Axel Grael, secretários municipais e o presidente da Câmara Municipal, Paulo Bagueira.

Contenção de encostas

Sobre a liberação dos recursos para as obras de contenção de encostas, o ministro Gilberto Kassab explicou que o projeto tem todo o apoio do ministério. "Vamos dar atenção especial ao pedido em relação à ampliação da ação do governo federal junto a Niterói nas áreas de encostas. Esperamos em agosto fazer uma reunião com toda a equipe do ministério e da prefeitura para a última etapa de avaliação por parte do governo federal. Esse é um projeto muito importante e da nossa parte pensamos que é fundamental para a cidade a conclusão dessas obras para que Niterói definitivamente vire a página de tragédias que se abateram na cidade", disse o ministro.

O prefeito disse que disse que o diálogo entre as equipes da prefeitura e do ministério fortalecem a parceria com o governo federal.

"Agradeci os INVESTIMENTOS que o Ministério das Cidades está realizando em parceria com a prefeitura. Se somarmos as obras de mobilidade urbana, com a TransOceânica; as obras do Minha Casa, Minha Vida, com mais de 3,5 mil unidades habitacionais já contratadas; a urbanização de comunidades e a contenção de encostas, seguramente chegamos a mais de R$ 600 milhões de INVESTIMENTOS do ministério em Niterói", afirmou Neves.

Os 15 pontos que serão beneficiados com as obras de contenção de encostas são:Travessa Beltrão (Santa Rosa); Rua Moacir Padilha (Morro do Estado); Morro da Biquinha (Jurujuba); Rua Gustavo Moreira (Morro do Céu); Alameda Custódio Esteves (Santa Bárbaba); Rua 22 de Novembro e Travessa Nossa Senhora de Lourdes (Cubango); Morro Boa Vista (São Lourenço); Rua do Bonfim (Fonseca); Ponte de Pedra (Grota do Surucucu); Estrada da Cachoeira, Campo da Barreira, Estrada Nossa Senhora de Lourdes, Rua Ludovico José da Rocha (Maceió) e Travessa Mioti (Santa Rosa).

A Prefeitura de Niterói já realizou mais de 40 obras de contenção em diversas áreas da cidade. Já foram beneficiados três ruas no Bairro de Fátima (Av. princesa Isabel, 49; Rua Manoel Correa e Rua Ponte Ribeiro); Caramujo (Rua Machado), Morro do Palácio I e II(Ingá), Grota do Surucuru (19 pontos), Morro do Holofote, Igrejinha (Largo da Batalha), Mirante da Boa Viagem, Estrada Francisco da Cruz Nunes; no quebra-mar de Jurujuba; no Fonseca (Travessa Aires Lemos) e no Viradouro (Rua Nossa Senhora das Graças). Essas intervenções tiveram investimentos superiores a R$ 40 milhões.

Em andamento estão obras no Morro do Bonfim (Fonseca), Rua Bombeiro Américo (Caramujo), Estrada Francisco da Cruz Nunes (Monan Grande) e PACs Capim Melado, Vila Ipiranga e Morro da Cocada.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ciclovia em Laranjeiras: colocação de placas pela prefeitura gera polêmica e dúvidas

24/05/2015 - Jornal do Brasil

Após uma longa batalha de moradores, malha cicloviária que atravessa o bairro é prometida para julho

Reivindicada durante anos pelos moradores do Cosme Velho e Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a malha cicloviária que vai ligar os bairros ao Centro, fazendo conexão com estações de metrô e outros modais, começa a ser construída em meio a muitos questionamentos e polêmicas. Placas de sinalização colocadas pela prefeitura no mês passado, alertando os motoristas na Rua das Laranjeiras da faixa compartilhada com as bicicletas, geraram uma acirrada discussão entre a população, que divide opiniões sobre a questão. Somente em dois pontos todo mundo concorda: que as obras da ciclovia devem chegar ao final e que a situação do ciclista no estado é de total precariedade.    

O projeto adaptado e aprovado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, apresentado por um grupo de moradores, prevê uma estrutura de 10,4 quilômetros de ciclovias, cortando os bairros de Cosme Velho, Laranjeiras, Largo do Machado, Botafogo e Flamengo. O trecho que mais gera dúvidas da população e ciclistas é o movimentado trajeto na Rua das Laranjeiras, que tem um trânsito confuso pela quantidade enorme de linhas de ônibus, comércio, nove escolas e hospital. Prevista para final de julho, a malha foi orçada em R$ 1,7 milhão. 

A ciclovia é um sonho antigo dos moradores de Laranjeiras, especialmente para aqueles que aderiram ao transporte sustentável. Em duas rodas, as pessoas se arriscam entre carros, ônibus, pedestres e muitos obstáculos pelo caminho. Às vezes sozinhas, mas outras acompanhadas dos seus filhos menores, acomodados em cadeirinhas. E de geração em geração, o hábito das bicicletas vai ganhando espaço nas ruas cariocas, mas sem qualquer segurança ou sinalização padronizada. 


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O projeto original da ciclovia de Laranjeiras surgiu em uma sala de aula, mas precisamente do Liceu Franco-Brasileiro, localizado na Rua das Laranjeiras, via principal do bairro. Uma turma de Robótica precisava apresentar um trabalho sobre mobilidade e soluções para o trânsito na região, no ano de 2010. E assim surgiu a ideia da malha cicloviária, que priorizava o deslocamento dos alunos de casa para a escola em bicicletas, como meio de "transporte inteligente".     

Em 2011, o projeto tomou outros rumos e foi parar nas mãos de um grupo de moradores, defensores do ciclismo como meio sustentável de transporte na região. Através de mobilizações usando as redes sociais e as próprias vias do bairro, nos dois anos seguintes a ciclovia foi reivindicada em pedaladas, panfletos distribuídos nas ruas mais movimentadas, campanhas de incentivo ao morador a usar bicicleta e até através de ações culturais. Sem muito resultado, o grupo procurou a prefeitura para solicitar oficialmente a malha. 

"Várias reuniões foram realizadas com o pessoal da prefeitura. Eles visitaram todas as áreas de trânsito para bicicletas na busca de soluções", conta a administradora de um perfil no Facebook - Ciclovia Já Laranjeiras Cosme Velho -, Maysa Blay Roizman. Segundo Maysa, o grupo recebeu no ano passado a informação de que a Secretaria de Meio Ambiente havia recebido a verba para construção da malha cicloviária na região. "Acompanhamos o processo pelos trâmites da prefeitura e quando percebemos que era viável economicamente, voltamos a procurar o poder público. Enquanto isso, aqui no bairro mantivemos o diálogo com os moradores e comerciantes para operar os ajustes no projeto, com o objetivo de todos ficarem seguros quanto à estrutura da ciclovia", ressalta. 

Em alguns trechos, a via passa por calçadas e, especialmente, donos de estabelecimentos de ensino estão preocupados com a segurança dos estudantes. "O ciclista, nestas áreas de maior movimentação de pedestre, ele instintivamente diminui a velocidade e não há relatos de acidentes desta natureza. Aos poucos as pessoas foram constatando isso e se acalmando, mas ainda há dúvidas e polêmicas, que serão esclarecidas com o funcionamento do projeto", aposta a administradora.

Para Maysa, a colocação de placas de sinalização na Rua das Laranjeiras é algo positivo, pois aquece a discussão em torno do problema e todos se mobilizam para uma solução final. No entanto, ela salienta que este deve ser um primeiro passo para a implantação do projeto integral. "Seria irresponsável por parte da prefeitura apenas colocar placas. O motorista brasileiro nem tem o hábito de olhar placa de trânsito e não respeito hoje o ciclista. Então, há necessidade da ciclovia ou ciclofaixa, dependendo da área", comenta ela. 

O economista e morador do Largo do Machado, Daniel Pecorreli, de 29 anos, acredita que a precariedade na mobilidade do ciclista no Rio de Janeiro leva a esta classe a se contentar com qualquer medida mínima do governo, mas as políticas voltadas para a questão deveriam ser mais eficientes. "Em primeiro lugar, tinha que vir a ciclovia, depois o ciclista, por um ordem lógica de segurança", esclarece. Participante assíduo do perfil administrado por Maysa, Pecorreli diverge em algumas estratégias adotadas pelo movimento. "Eu não acho que tenha que aumentar o número de ciclista nas ruas para chamar a atenção das autoridades e eles tomarem uma providência, mas o contrário que deveria acontecer", salienta. 

O economista também considera positiva a colocação das placas pela prefeitura, porém, tem uma opinião sobre a condição do usuário de bicicleta na cidade. "É deprimente a situação do ciclista no Rio, a ponto de uma medida como esta da placa, mínima, a pessoa fica contente. Este é o grande problema, a gente se conformar com tão pouco e sempre aceitar este pouquinho, enquanto o governo deveria INVESTIR na segurança do cidadão", acrescentou.

Rua das Laranjeiras, Zona Sul do Rio
Rua das Laranjeiras, Zona Sul do Rio
Esta também é a visão da moradora Rosa Maria Mattos, que todos os dias atravessa a Rua das Laranjeiras para levar e buscar a sua filha de sete anos na escola. "Eu estou me sentindo mais segura com as placas colocadas, mas claro que elas não são suficientes", disse ela, acrescentando que tem aguardado ansiosamente pela ciclovia. Rosa faz este trajeto há quatro anos, usando nela e na filha os equipamentos de segurança recomendados para este tipo de transporte. No entanto, ela acredita que a prefeitura deveria INVESTIR em campanhas de educação no trânsito. "A gente comemora uma placa colocada porque a nossa situação é deplorável, de abandono total", critica a ciclista.

Com a maior malha cicloviária do país, moradores do Rio ainda reclamam de ter que andar de bicicleta usando uma estrutura precária e sem segurança. Em Laranjeiras e Cosme Velho, por exemplo, as ruas são estreitas e a falta de educação no trânsito complica ainda mais a vida dos ciclistas. Carros estacionados irregularmente, veículos em alta velocidade, tudo leva às novas infrações pelos usuários de bike, que passam a ocupar as calçadas como rota alternativa e mais segura.  

O jurista Armando da Silva Souza, da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), reforça que "qualquer ação do poder público relacionada à mobilidade deve levar a uma absoluta segurança do cidadão, sem o mínimo risco para a uma criança, por exemplo, assim como o seu responsável, visando preservar o maior patrimônio do ser humano, a sua vida". Silva Souza avalia que somente colocação de placas é uma medida ineficiente para garantir a segurança do ciclista e deve ser revista para que caminhos mais prudentes sejam alcançados o mais rápido possível. 

Prefeitura garante ciclovia até julho

O diretor de Planejamento e Projetos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Altamirando Fernandes Noraes, explicou que a colocação das placas faz parte de uma das etapas de construção da malha cicloviária da região, o que tecnicamente é chamado de rotas cicláveis. Ele disse que a sinalização é para alertar os motoristas que em determinados trechos a prioridade na via é do ciclista e, desta forma, é obrigatório reduzir a velocidade e manter a distância legal da bicicleta, como recomenda o Código de Trânsito. "É o que denominamos de sinalização vertical, se o motorista não respeitar, com certeza gera multas", destacou.  

Altamirando afirmou que uma nova etapa das obras teve início esta semana, com a pintura de sinalização no asfalto, no trecho próximo ao acesso ao Túnel Santa Bárbara. Uma solução encontrada pela secretaria e adaptada ao projeto da ciclovia, visando a circulação amigável e segura de veículos e bicicletas no bairro, foi a redistribuição das faixas de sinalização no asfalto na Rua das Laranjeiras. Com a mudança, os ônibus terão três metros de faixa, ficando 2,6 metros para carros de passeio e 1,7 ou 1,8 metros para as bicicletas. "Com este padrão, vamos conseguir mais espaço para todos os meios de transporte na via", disse o diretor, estimando um prazo até julho para entrega das obras à população. 

Ciclista na Rua das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro
Ciclista na Rua das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro
O projeto de R$ 1,7 milhão inclui, entre outros INVESTIMENTOS, o recapeamento da Rua das Laranjeiras, a sinalização vertical e horizontal da via e uma campanha de divulgação e educação em torno das modificações. "Esta demanda foi da população da região, que procurou a prefeitura com um projeto para apresentar. Percebemos que os mais jovens querem aderir a este transporte sustentável, o que será muito saudável para o bairro e para desafogar o trânsito, especialmente nas zonas com colégios. Vai melhorar a qualidade de vida da população", destacou Altamirando. O diretor não descarta a possibilidade de estender o modelo para outros bairros.   

Em outras regiões da "Cidade da Bicicleta", as reclamações são as mesmas

O presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Santos, esclarece que o usuário de bicicleta transita na cidade dividindo espaço com os outros meios de transporte, por isso, deve sempre procurar respeitar a legislação. Ele reforça a análise de que o estado é carente de campanhas de educação no trânsito, o que poderia reduzir muito os acidentes, além de criar um ambiente urbano amistoso entre os meios de transporte. "Deveria valer em todo o estado a Zona 30, que limita a velocidade do motorista em 30 km, como acontece em ruas de Copacabana. Mas o poder público não tem dado a mínima atenção para esta questão", critica.

Mesmo distante de Laranjeiras e fora da Zona Sul, a malha cicloviária do Rio, considerado a "Cidade da Bicicleta", sofre os reflexos da falta do descaso público. "Quer emoção de verdade? Eu venho da Ilha do Governador [na Zona Norte da cidade] até Vila Isabel [também na Zona Norte] todos os dias, passando pela Avenida Brasil. Saio às sete horas da manhã", conta o ciclista Jair Martins, um dos adeptos da bicicleta como meio de transporte. Para fazer este trajeto, Jair percorre cerca de 18 quilômetros, passando por vias expressas e de trânsito intenso e pesado. 

"Eu tomo fechada toda hora, mesmo pedalando na mesma direção dos carros. Mas mesmo assim, eu acho que o espaço do ciclista não deve ser segregado. O que deve haver é respeito às leis de trânsito por todos os usuários de meios de transporte, uma sinalização eficiente e que ofereça segurança. Mas a prefeitura não investe em campanha educativa", opina o ciclista. 

Favelização inviabiliza planejamento urbano

24/05/2015 - O Globo


Leia: Prefeitura criará novo canal para denúncias de expansão de favelas - O Globo

Especulação sem freio na Rocinha - O Globo

'É um péssimo exemplo', diz Paes sobre concessão de uso em favela - O Globo

Uma favela no 'quintal' dos jogos - O Globo

Expansão fora do mapa - O Globo

Favelização exige pulso firme do poder público - O Globo

Da janela, o 'espetáculo' do crescimento - O Globo

Programa para conter favelas está abandonado - O Globo

Casas avançam em direção à mata em 2 favelas - O Globo

 

Não há planejamento que dê conta. Por mais que se faça um cronograma de extensão de infraestrutura a áreas sem água, energia, rede de esgoto e pavimentação etc., ele nunca acompanhará o processo de favelização no Rio. Barracos de madeira ou casebres de alvenaria surgem da noite para o dia, em espaços sem a menor condição de habitabilidade. Basta que não haja fiscalização, o que — diga-se —é a regra. Assim, o INVESTIMENTO em projetos de saneamento, por exemplo, fica inviável diante das necessidades imprevistas de comunidades informais, portanto impossíveis de serem atendidas.

O controle da prefeitura sobre a favelização é tão precário quanto as moradias. Reportagem do GLOBO mostrou que há dois anos não são feitas fotos aéreas para monitorar a expansão de comunidades. É assim que proliferam favelas como a Cláudio Franco, em Sepetiba, que cresceu 246% entre 2009 e 2013.

Mais do que permitir, o poder público estimula invasões ao dar a concessão de uso aos moradores da Vila Autódromo, erguida em terreno público em Jacarepaguá. O então governador Leonel Brizola — protótipo do populismo e da cumplicidade com a desordem que assolam o Rio há mais de 30 anos em sucessivos governos — foi o primeiro a tomar tal decisão, no início da década de 1990. A conta, altíssima, chega agora, quando a cidade se prepara para os Jogos Olímpicos. A prefeitura teve que gastar R$ 95 milhões em indenizações aos moradores, sendo que 33 deles receberam valores acima de R$ 1 milhão — típico caso de imoralidade com amparo legal. O prefeito Eduardo Paes achou injusto, mas necessário, porque a favela é ao lado do Parque Olímpico.

Tamanho populismo só cria problemas. Inclusive — e principalmente — para quem acha que é beneficiado. Se nas favelas o custo de vida é mais baixo por causa dos gatos de energia elétrica, TV a cabo e água; por outro lado, seus moradores estão condenados a sofrer com a infraestrutura precária, a violência — que encontra em espaços marginalizados e de difícil acesso as condições para se instalar —e o isolamento da cidade legal. Não é solução para quem sofre o drama da falta de habitação.

A questão exige integração dos governos federal, estadual e municipal, porque é preciso ir muito além de projetos meramente habitacionais. São necessários INVESTIMENTOS pesados e obras de grande porte. Como a expansão do transporte de massa, permitindo o deslocamento rápido de áreas periféricas — preferidas pelos construtores por causa do baixo custo dos terrenos — ao local de trabalho. Criar um canal de WhatsApp para denúncias e derrubar construções irregulares oito meses depois de descoberta por fiscais — ações recentes da prefeitura — é muito pouco.

É preciso que invasores acreditem que a informalidade não compensa. Até porque, só favorece políticos que dela se aproveitam.

Ataque faz ciclistas até desistirem das bikes no Rio de Janeiro

24/05/2015 -  O Estado de SP

RIO - Quatro cicatrizes de facadas pelo corpo, um pulmão perfurado e um trauma indelével. Atacado cruelmente por cinco jovens no Aterro do Flamengo (zona sul) há sete meses, em uma noite de sexta-feira, o auxiliar de serviços gerais Jorge Felippe Mendonça Leão, de 20 anos, funcionário de uma loja especializada em equipamento para a prática de triatlo, perdeu muito mais do que a bicicleta, que comprara dois dias antes.

"Agora só ando de metrô. Eles queriam me matar por nada. Foram três facadas, eu caí e eles fugiram com a minha bicicleta. Quando levantei para pedir ajuda, em estado de choque, um deles viu, já longe, saltou da bicicleta e veio correndo atrás de mim, dizendo: 'eu não acredito que você levantou, agora você vai aprender'. Fisicamente, me recuperei e voltei a trabalhar, mas psicologicamente, não", contou Leão, que usava a bicicleta como meio de transporte entre a casa, no Santo Cristo, centro do Rio, e o trabalho, em Ipanema, trajeto de 14 quilômetros.

O jovem reviveu o drama ao saber do assassinato do médico Jaime GOLD, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na terça. Gold era cliente da Barcellos Sports, loja em que Leão trabalha há um ano, referência na zona sul por ter sido fundada pelo ex-atleta olímpico Armando Barcellos, considerado uma lenda do triatlo."Até pensei em comprar uma bicicleta nova, mas depois do que aconteceu com o Jaime,desisti."

O modelo de Leão, para passeio, era dos mais baratos disponíveis na loja, focada em material trazido dos Estados Unidos. Custou R$ 1.400. Os mais caros, de fibra de carbono, que podem ter 4,5 quilos – enquanto as de alumínio pesam o triplo –, com design para alta performance, chegam a R$ 80 mil.

Os assaltos constantes têm levado os ciclistas a procurar cada vez mais os seguros especializados. "Não temos a cultura do seguro no Brasil, mas ainda assim o número é crescente. Quanto mais casos, mais nos procuram", disse Luiz Fernando Giovannini, ele próprio dono de 13 bicicletas, sócio da corretora Estar Seguro, que cobre principalmente modelos que custam de R$ 5 mil a R$ 10 mil – no caso das mais simples, o segurado paga 10% do valor da bicicleta.

Segundo ciclistas ouvidos pelo Estado, os assaltantes de oportunidade, que procuram qualquer modelo, para revenda rápida no mercado negro, atuam em áreas de lazer populares na cidade, como o Aterro e a Lagoa. Já aqueles com olhar treinado, cuja preferência são as bicicletas para competição, preferem os pontos frequentados por atletas, caso de estradas e da Vista Chinesa, mirante no Parque Nacional da Tijuca – áreas em que o policiamento é pouco ou nenhum.

André Melo, de 40 anos, vendedor da Barcellos Sports, reconheceu o corpo ensanguentado de Jaime GOLD nas imagens de TV, pelos acessórios e pela roupa: o boné, a viseira e o conjunto esportivo de compressão para triatlo haviam sido comprados lá, por R$ 1 mil. "A roupa custava mais do que a bicicleta, que não deve valer mais do que R$ 500", afirmou.

Pesar. Morador de Ipanema, Jaime era conhecido na loja por ser bem - humorado e agitado, e por gostar de pedalar a caráter. O clima na Barcellos é de pesar pelo assassinato do médico. Gerente da loja, Cesar Sardenberg Junior, de 38 anos, lembra que só existe o mercado paralelo porque há ciclistas que preferem comprar produtos mais baratos, sem certeza da procedência."Tenho me manifestado contra classificados na internet e grupos de compra e venda. Quem compra tem de exigir nota fiscal. O que aconteceu com o Jaime é diário, o diferente foi matarem. A gente não anda na ciclovia, prefere estar no meio dos carros e ser atropelado a ser assaltado. Isso é uma máxima do ciclista do Rio."

Sem negociação. Dono de uma mountain bike de R$ 4 mil, seu meio de transporte diário, Kiko Limmah, ator e cinologista, foi assaltado em 1996 e lembra que conseguiu negociar com o assaltante a entrega do relógio e dos documentos. "Hoje não é mais assim. Fiquei 17 anos sem comprar uma bike, mas perdi o medo, mesmo tendo um amigo que foi esfaqueado há seis meses. Agora, não sei mais."

O Globo

A pé ou de bicicleta, um 'não' à violência

Corrida, missa campal e bicicleata marcam protestos contra morte de médico na orla da Lagoa

Cerca de 200 participantes da Corrida da Paz se concentram na Lagoa, em um dos protestos que os cariocas fizeram ontem contra a morte do médico Jaime GOLD, esfaqueado terça-feira quando pedalava. As manifestações prosseguiram com missa campal, perto do Corte do Cantagalo, e uma "bicicleata" pela cidade. Para especialistas, por trás dos ataques com facas, há psicopatas e uma banalização do mal. Primeiro veio a violência. Depois, os pedidos de paz. Após uma série de oito ataques a faca que culminaram com a morte do cardiologista Jamie GOLD, quarta-feira, moradores e ciclistas realizaram ontem homenagens às vítimas e protestaram contra a violência no Rio. As manifestações, que começaram na Lagoa Rodrigo de Freitas — local da morte do médico —, se estenderam até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, e à Prefeitura do Rio, no Centro.

Pela manhã, cerca de 200 pessoas se reuniram na Lagoa para participar de uma corrida pela paz. Vestidas de preto, fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Jaime Gold.

Em seguida, mais de 100 ciclistas se reuniram em missa campal, na altura do Corte do Cantagalo. O grupo seguiu nas 'magrelas' até o Palácio Guanabara. Lá, encontrou-se com familiares de Gilson da Costa Silva, de 13 anos, e Wanderson Jesus Martins, de 24, mortos terça- feira durante operação policial no Morro do Dendê, na Ilha do Governador.

Os manifestantes chegaram a fechar, por cerca de 10 minutos, o trânsito da Rua Pinheiro Machado, onde deitaram as bicicletas e pintaram o chão com tinta vermelha, referência ao sangue das vítimas da violência. Em seguida, parte dos ciclistas repetiu o mesmo ato em frente à sede da prefeitura do Rio, na Cidade Nova.

VÍTIMA PARTICIPA DE ATO

Entre os manifestantes, na Lagoa, estava o franco-brasileiro Victor Didier, de 19 anos, que voltou à região pela primeira vez após ser esfaqueado no dia 19 de abril. Victor teve os dois pulmões perfurados e chegou a ficar 15 dias internado no CTI do Hospital Copa D'Or. O estudante de engenharia afirmou estar chocado com a morte do médico.

— Imaginava que o meu caso serviria de exemplo para o reforço do policiamento. A sensação é de que nada foi feito para mudar essa situação — observou.

Os protestos surtiram efeito na Lagoa. Duplas de policiais em bicicletas reforçaram desde a manhã a segurança no bairro. Carros da PM também faziam patrulhamento ao longo das avenidas Epitácio Pessoa e Borges de Medeiros. Uma das viaturas estava baseada a poucos metros da Curva do Calombo, onde o médico foi atacado.

Apesar de negar participação no assassinato do cardiologista Jaime GOLD, o adolescente de 16 anos suspeito do crime foi reconhecido por uma testemunha como o responsável por um ataque a faca no dia 30 de abril, na Zona Sul. Para a polícia, o reconhecimento mostra que o jovem mentiu ao afirmar que havia parado de praticar crimes há dois meses.

Na noite de sexta-feira, policiais civis apreenderam 34 facas, escondidas em diferentes pontos na Praça Nossa Senhora do Amparo, em Cascadura, na Zona Norte. Policiais levaram 49 pessoas que estavam no local para averiguação. Um homem, Marcos Santos Moreira, era foragido e foi preso.

Transcarioca completa 1 ano com altos e baixos, transportando 230 mil passageiros por dia

Para alguns, tempo de viagem foi reduzido no horário de pico. E há quem fique mais de uma hora na fila para ir sentado

POR RENAN FRANÇA

24/05/2015 - O Globo



Na Estação Alvorada, passageiros se espremem para conseguir um lugar num dos veículos do BRT - Marcelo Carnaval / Agência O Globo


RIO - O auxiliar administrativo Thiago Bastos recebeu cotoveladas para conseguir um lugarzinho em pé. A secretária Marisa da Conceição preferiu aguardar 1h20m na fila para garantir um assento. O professor Luiz Ricardo Pessoa diz que passageiros até brigam por espaço. Os personagens mudam, mas o tema dos relatos se repete: a superlotação do BRT Transcarioca em horários de pico.

O problema pode ser constatado facilmente na fila do Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, a partir das 17h. É dali que partem os ônibus do corredor exclusivo prestes a completar um ano em funcionamento, elogiado e, ao mesmo tempo, criticado pelos passageiros. O impasse é o seguinte: o tempo gasto na viagem diminuiu, mas o sufoco aumentou.

VEJA O INFOGRÁFICO SOBRE O BRT

Nos dias úteis, 145 ônibus transportam, em média, 230 mil passageiros diariamente num trajeto de 45 estações entre a Barra e o Aeroporto Internacional Tom Jobim. A demanda alta se comprova quando comparada à de outro corredor. O Transcarioca carrega 50 mil passageiros a mais por dia do que o Transoeste - inaugurado em 2012 -, que liga a Barra a Santa Cruz. No BRT mais novo, a procura vem crescendo porque 86 linhas de ônibus foram extintas. No lugar delas, 46 linhas, batizadas de alimentadoras, foram criadas para percorrer novos itinerários, a fim de levar passageiros de bairros no entorno até as estações. Os usuários, no entanto, dizem que o número de veículos não é suficiente.

— Quem mora próximo às estações sofre com a superlotação do BRT. Para quem ainda precisa pegar uma linha alimentadora, o problema se agrava — explica Paulo Cesar Ribeiro, engenheiro de transporte da Coppe/UFRJ. — O sistema virou refém do próprio sucesso, porque não consegue oferecer um transporte com qualidade na hora em que o trabalhador necessita. Para um ano de funcionamento (o BRT foi inaugurado em 2 de junho de 2014), o sistema foi subestimado.

ESPECIALISTA: DEMANDA ALTA DEMAIS

A Secretaria municipal de Transportes informa que o Transcarioca carrega cerca de 11 mil passageiros por hora em cada sentido durante o rush. Segundo Eduardo Ratton, doutor em planejamento de transportes e professor da Universidade Federal do Paraná, primeiro estado do país a implantar um BRT, a demanda se mostra muito alta para um sistema inaugurado no ano passado:

— O BRT é tolerado para demandas de até 15 mil passageiros por hora em cada sentido. Quando essa marca é atingida, isso indica que o sistema está saturado. No Paraná, estamos nessa média, mas demoramos quase três décadas para atingir esse patamar. O ideal é que o Rio continue investindo na construção de linhas de metrô e que o BRT seja uma alternativa. Se isso não ocorrer, o sistema vai ficar saturado rapidamente.

Para percorrer os 39 quilômetros que ligam a Barra ao Galeão, existem hoje oito tipos de serviço. O mais rápido deles é o semidireto, que percorre toda a linha em cerca de 52 minutos, parando apenas em quatro estações.

Diferentemente do Transoeste, onde o horário de pico se divide em duas horas pela manhã (das 4h30m às 6h30m) e duas à noite (das 17h30m às 19h30m), no Transcarioca os períodos de maior movimento são mais longos. De manhã, os BRTs que saem da Ilha do Governador começam a ficar a abarrotados a partir de Vicente de Carvalho e assim permanecem, entre 6h e 10h, até o ponto final. À noite, no sentido inverso, das 17h às 20h, os coletivos saem cheios do Terminal Alvorada e, a partir de Madureira, começam a se esvaziar.

Entre as 45 estações, há quatro que funcionam como eixos, onde a superlotação fica mais evidente. Uma delas é a de Vicente de Carvalho, a única que faz conexão com o metrô (Linha 2). Entre 17h e 20h, o movimento de passageiros que vão para o metrô ou saem desse meio de transporte em busca de ônibus é intenso. Na estação do BRT, os coletivos param a intervalos de quatro a dez minutos e já chegam lotados. Com isso, muita gente não consegue embarcar, e o problema vira uma bola de neve, pois o próximo ônibus também não conseguirá absorver todos os passageiros que aguardam condução - e a fila só fará aumentar.

O panorama é o mesmo em Madureira, onde há ligação com os trens urbanos. Nas estações de Tanque e Taquara, a dificuldade é que os dois lugares também funcionam como terminal de embarque e desembarque de usuários das linhas alimentadoras.

Os passageiros do BRT embarcam através de quatro portas automáticas que se abrem assim que o ônibus encosta na plataforma. As filas, porém, são desorganizadas, e os fiscais não ordenam os passageiros. Quem deseja embarcar pode levar tempo procurando o fim da fila. Soma-se a isso o descaso com os painéis dentro das estações - eles ficam ligados "uma vez na vida, outra na morte", como resumiu um passageiro. Os dispositivos deveriam informar o tempo de espera pela chegada do próximo ônibus, mas as previsões muitas vezes não se concretizam.

CONSÓRCIO PROMETE MELHORIAS

De acordo com o diretor do Consórcio BRT, Jorge Dias, nos próximos meses haverá mais fiscais para ordenar as filas. Além disso, informa, um novo software deverá diminuir as imprecisões nas previsões de chegada dos ônibus. Ele também ressalta que as estimativas de capacidade do sistema podem ser feitas de várias formas. Segundo Jorge, um sistema de BRT pode variar de acordo com alguns fatores, como o tamanho dos ônibus e o número de faixas usadas pelos veículos.

— Na Colômbia temos um BRT capaz de levar 42 mil passageiros por hora em cada sentido. O BRT é um sistema modular e, de acordo com a demanda, investiremos na inteligência do transporte para ganhar produtividade. Estamos em fase de reavaliação do formato para novas implementações — diz Jorge.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, admite que o sistema precisa de ajustes, mas ressalta que o balanço de um ano é positivo.

— As linhas alimentadoras estão aquém do serviço. O consórcio já foi notificado e multado por isso. A cobrança é permanente - diz Picciani. — Vamos aumentar a frota. Já há 31 ônibus encomendados. É bom lembrar também que o sistema de BRT ganhará no ano que vem o Transbrasil (Deodoro-Centro) e o Transolímpico (Deodoro-Recreio). Isso vai permitir uma migração de passageiros para os dois novos corredores. Os usuários estão felizes de chegar mais cedo em casa depois que começaram a usar o BRT. O ajuste que estamos providenciando é para melhorar o conforto do sistema.
 
SISTEMA RECEBE APROVAÇÃO DE 82%

Prestes a completar um ano de funcionamento, o BRT Transcarioca tem a aprovação de 82% dos usuários, segundo pesquisa feita pelo Datafolha, a pedido do Consórcio do BRT. A aprovação é calculada com base no número de notas 9 e 10 (muito satisfeito), 6 a 8 (satisfeito) e 0 a 5 (insatisfeito). No Transcarioca, 30% dos usuários mostraram-se muito satisfeitos, 52% satisfeitos e 18% insatisfeitos. Para 90% dos entrevistados, a maior vantagem do BRT é o tempo de viagem. Já o principal entrave é a falta de comodidade, citada por 65% dos usuários.

A pesquisa também revela a frequência com que passageiros usam o Transcarioca: 69% dos entrevistados disseram pegar os ônibus do sistema cinco dias ou mais por semana, sobretudo para trabalho (68%). Foram feitas 3.621 entrevistas com usuários.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/transcarioca-completa-1-ano-com-altos-baixos-transportando-230-mil-passageiros-por-dia-16247236#ixzz3b9uo2mGR 
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Revitalização do Moinho Fluminense custará R$ 1 bilhão

Complexo comercial e residencial deverá ser concluído em 2018

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

25/05/2015 - O Globo

Projeto prevê a transformação dos imóveis do Moinho Fluminense num espaço com residências, shopping, cinemas e HOTEL - Divulgação

RIO - Primeira fábrica de moagem de trigo do Brasil, o Moinho Fluminense, na Zona Portuária da cidade, será transformado num complexo empresarial, residencial e hoteleiro que será uma das âncoras do projeto Porto Maravilha. O conjunto de prédios tombados e o terreno, que ocupam uma área de 100 mil metros quadrados, passarão por obras de R$ 1 bilhão, conforme antecipou ontem o colunista Ancelmo Gois. A previsão é que o espaço seja inaugurado ao público em 2018. Um dos destaques do projeto prevê que os silos do moinho, hoje usados para o armazenamento de trigo, sejam transformados num HOTEL COM aproximadamente 200 quartos.

O projeto, que será lançado oficialmente quarta-feira, também contará com centro médico, salas comerciais para aluguel, além de quatro a cinco salas de cinema e praça de alimentação. No complexo, que terá uma estação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), serão implantadas ainda mil vagas de estacionamento. O imóvel ocupa quatro quadras: três com prédios históricos que serão preservados. Em um terreno vazio, será construído um novo prédio com mais de 20 andares, com salas comerciais.

NOVA FÁBRICA NA BAIXADA FLUMINENSE

O projeto é desenvolvido pelas empresas Carioca Engenharia e Vinci Partners, que compraram a área da Bunge do Brasil, a atual controladora do Moinho Fluminense.

— Estamos na fase final da obtenção das licenças. O projeto segue algumas premissas porque consideramos o imóvel um dos ícones da cidade. Nos silos, queremos implantar um "hotel de design" e já começamos a conversar com algumas redes. Parte das obras contará com recursos próprios e o restante, com FINANCIAMENTOS. A expectativa é inaugurar o complexo por etapas: em meados de 2016, queremos entregar os empreendimentos que ocuparão os imóveis existentes; no fim do ano, será a vez da nova torre — disse Leandro Busquet, diretor para a área imobiliária da Vinci Partners.

Em 2011, a Bunge chegou a reformar o imóvel. Mas decidiu negociar a área em 2013 porque planeja transferir as operações do Moinho Fluminense para a Baixada Fluminense, no fim de 2016, quando as reformas de adaptação vão começar. A nova fábrica está sendo construída em Duque de Caxias e terá capacidade para processar 600 mil toneladas de cereal por ano — o dobro do que é fabricado hoje.

Inaugurado em 1887, o prédio do Moinho serviu de cenário para fatos históricos. Em 1893, o então ministro da Fazenda Ruy Barbosa se escondeu no local para evitar a fúria de marinheiros que aderiram à Revolta da Armada, contra o governo do presidente Floriano Peixoto. Em 1904, a população montou barricadas em frente ao prédio, no episódio que ficou conhecido como a "Revolta da vacina". A inauguração do Moinho também é considerada um marco da fabricação do pão no país, que até então importava toda a matéria-prima. Quando foi aberto, o Rio tinha apenas três padeiros.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/revitalizacao-do-moinho-fluminense-custara-1-bilhao-16251903#ixzz3b9uA1MXJ 
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A nova era dos ônibus

25/05/2015 - O Globo

LUIS ANTONIO LINDAU

Há décadas as cidades entregaram suas ruas aos automóveis. Hoje sofrem com o congestionamento crônico, fruto desse grande equívoco no planejamento urbano. Agora, as cidades estão revendo o modelo e transferindo o protagonismo para o transporte coletivo, já que uma faixa dedicada ao ônibus pode transportar até dez vezes mais pessoas que uma faixa utilizada pelo automóvel.

Medidas prioritárias para o ônibus aumentam a produtividade do sistema, baixam os custos operacionais, reduzem os tempos de deslocamento e trazem maior pontualidade, além de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e diminuir a poluição local.

O site BRTdata.org revela esta nova tendência ao mapear cerca de cinco mil quilômetros de corredores prioritários ao ônibus em 190 cidades do mundo. A plataforma indica um aumento exponencial a partir da virada do milênio, quando Bogotá inaugurou uma nova era dos BRTs, ao possibilitar a operação de serviços convencionais e expressos e reduzir pela metade o tempo de viagem. A capital colombiana investe em BRT desde 2000; hoje, são 11 corredores, que levam mais de 2,2 milhões de passageiros todos os dias. O transporte de alta qualidade e desempenho, que inclui sistemas BRT (Bus Rapid Transit) e BHLS (Bus with High Level of Service), como são chamados na Europa, proporciona uma alternativa rápida, segura, confiável e acessível para a mobilidade urbana.

O Brasil é o país com a maior extensão de corredores de ônibus. São mais de 840 quilômetros, em 34 cidades, que atendem a 12 milhões de usuários por dia. A cidade de Curitiba foi a pioneira no Brasil, iniciou a implantação de corredores de ônibus em 1974 e agora conta com seis corredores BRT, que totalizam 81,5 quilômetros.

A inauguração de sistemas BRT no Rio, Belo Horizonte, Brasília e os mais de 200 projetos de sistemas prioritários ao ônibus em andamento apontam para uma novo momento do transporte coletivo sobre pneus.

Na China, o crescimento na última década foi o mais acelerado, o número de corredores passou de dois para 33. Paris, Madri e Amsterdã estão entre as 56 cidades da Europa com sistemas prioritários ao ônibus. Desde 2005, a Cidade do México vem investindo em BRT; hoje, conta com cinco corredores, que somam 105 quilômetros e levam 900 mil passageiros por dia. Mesmo nos Estados Unidos, onde 95% do deslocamento motorizado urbano é por automóvel, a extensão de corredores ultrapassa 550 quilômetros.

Uma cidade com um sistema multimodal de transporte urbano bem concebido, implantado, operado e controlado é capaz de diminuir a dependência de seus habitantes dos veículos motorizados privados. Importante destacar que uma rede eficiente de BRT, composta de vários corredores em plena operação, enfrenta, durante o processo de implantação, barreiras impostas por inúmeros atores e seus interesses conflitantes. Porém, o transporte coletivo sobre pneus, com sua inerente flexibilidade e a alta competitividade proporcionada pelas faixas exclusivas, apresenta-se como um componente essencial do sistema de mobilidade.

Luis Antonio Lindau é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

domingo, 24 de maio de 2015

VLT: obras provocam novas mudanças viárias na Zona Portuária do Rio

Trecho da Sacadura Cabral vira mão dupla e só pedestres podem circular na Rua da Gamboa

23/05/2015 - O Globo



RIO - No primeiro dia útil após as novas mudanças viárias para a execução de obras do Porto Maravilha, motoristas e passageiros terão que redobrar os cuidados ao circular amanhã pela Região Portuária. As alterações, implantadas na madrugada deste sábado, incluem a interdição total da Rua da Gamboa e de trecho da Rua União (entre Gamboa e Cardoso Marinho), onde é permitida apenas a circulação de pedestres. Já Sacadura Cabral, entre as ruas do Propósito e do Livramento, passou a ser mão dupla. Outras sete vias foram afetadas. Os itinerários dos ônibus que passam pelo local também foram modificados.

As intervenções são para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e de novas redes de água, saneamento, drenagem, telecomunicações, gás natural e iluminação pública. A previsão de conclusão dessas obras é o primeiro semestre de 2016.


VLT Região Portuária - Reprodução/Divulgação
A prefeitura e as concessionárias Porto Novo e VLT Carioca desenvolveram um plano para o gerenciamento do tráfego, a fim de reduzir os impactos dessas intervenções. Entre as medidas adotadas, estão o aumento do número de profissionais para coordenar as mudanças, nova sinalização de orientação e monitoramento de tráfego permanente. Há 75 agentes da Guarda Municipal, controladores da CET-Rio e equipes operacionais da Porto Novo. Sete painéis de mensagens variáveis passaram a orientar os motoristas sobre as alterações implantadas e as novas rotas.

ESTACIONAMENTO PROIBIDO

A Rua Barão da Gamboa foi fechada, passando a ter mão dupla entre as ruas da Gamboa e Cardoso Marinho, somente para acesso de moradores e comerciantes. A Rua Cardoso Marinho teve o sentido do trânsito invertido, passando a ser proibido o estacionamento de veículos ao longo da via.

A Rua Comendador Évora passou a ser o único acesso à Rua Comendador Leonardo. A via opera em mão dupla, e o estacionamento de veículos passou a ser proibido. A entrada para a Rua Comendador Leonardo pela Rua da União foi fechada. Na rotatória do Santo Cristo, a pista ao lado do quartel (à esquerda de quem vem pela Rua Santo Cristo) teve o sentido invertido. A Professor Pereira Reis passou a ter sentido único, entre a rotatória do Santo Cristo e a Avenida Cidade de Lima. Na Cidade de Lima, a conversão à esquerda para quem vem da Professor Pereira Reis passou a ser proibida.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/rio-2016/vlt-obras-provocam-novas-mudancas-viarias-na-zona-portuaria-do-rio-16245724#ixzz3b4l6yknF 
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Inter Rio construirá hotel de R$ 30 mi

22/05/2015 - Brasil Econômico

A Prumo firmou com a incorporadora carioca Inter Rio contrato para a instalação de um hotel no Complexo Industrial do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). O empreendimento terá 200 quartos e demandará INVESTIMENTOS de cerca de R$ 30 milhões. A bandeira que fará a gestão do hotel será escolhida nos próximos meses. Pelo acordo, a Prumo será a proprietária de 22 quartos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Trem terá padrão de metrô este ano no ramal de Deodoro, promete secretário

19/05/2015 - O Dia

Linha do metrô entre Estácio e Praça XV é a próxima meta

CAIO BARBOSA

Rio - O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, prometeu nesta segunda-feira, durante uma palestra na Associação Comercial, que até o fim deste ano os passageiros da SuperVia, do ramal Deodoro, terão um serviço no mesmo nível da linha 2 do metrô, com 100% dos trens com ar-condicionado.

"Faltam apenas a chegada de alguns trens e ajustes na sinalização para que a gente comece a operar deste forma, em padrão metrô, no segundo semestre deste ano. Não quero ainda precisar um mês, mas creio que no terceiro trimestre (de julho a setembro)", disse Carlos Roberto Osorio.

O secretário informou que a melhoria não será apenas na qualidade do trem, como também no intervalo entre as composições, que passarão a ter um tempo médio de quatro minutos e 30 segundos, com um mínimo de três minutos e um máximo de seis.


Além de ar-condicionado em todas as composições, intervalo entre trens será de no máximo seis minutos
Foto:  Fabio Gonçalves / Agência O Dia

"Estamos trabalhando com esta previsão. Primeiro para Deodoro, depois estendendo para os ramais de Saracuruna, Santa Cruz e Japeri. Ainda este ano, o governador Luiz Fernando Pezão vai vender como sucata o último trem sem ar-condicionado", prometeu Osorio.

Durante a palestra, onde mostrou seus projetos para a área de mobilidade urbana, Osório garantiu que a prioridade, além dos trens da SuperVia, é a expansão do metrô. O secretário informou que a ligação entre Ipanema e a Barra da Tijuca já está 70% concluída e que o próximo passo será fazer uma linha entre o Estácio e a Praça XV, com a construção de estações no Catumbi, na Praça da Cruz Vermelha e conexão com a que existe na Carioca.

"Esta expansão se tornou prioridade devido à relação custo/benefício, pois é uma linha de apenas 3,7 quilômetros de extensão, poucas estações e uma previsão de 444 mil passageiros por dia, o que torna mais fácil a captação de recursos junto aos investidores, na iniciativa privada. Então, podemos dizer que, hoje, esta é a grande prioridade do governo estadual" concluiu o secretário de Transportes.

Linha 3 está cada vez mais distante

A tarde de Carlos Osorio foi de muitas promessas e de uma garantia: a tão sonhada Linha 3 do metrô, ligando Niterói a Itaboraí, passando por São Gonçalo, não vai mais sair do papel. A confissão foi feita antes de o secretário ser informado da presença do DIA  na plateia.

"A Linha 3 foi abolida. Seriam cerca de R$ 3 bilhões do governo federal, R$ 1,5 bilhão do governo estadual e outro R$ 1 bilhão através de licitação pública. Estes recursos do governo federal não existem mais e o estado também não tem mais capacidade de captar este dinheiro. A verdade é essa", reconheceu Osorio.

No fim da palestra, questionado pelo DIA , o secretário mudou o tom. "Na verdade, o projeto não morreu. Vamos ter mais dificuldades na captação de recursos e estamos buscando outras alternativas", despistou o secretário.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sem fiscalização, favelas avançam em áreas nobres de Niterói

Em Itaipu, barracos invadem reserva e, em Santa Rosa, multiplicam-se no Morro do Beltrão

POR RENAN ALMEIDA / LEONARDO SODRÉ

18/05/2015 8:00 / ATUALIZADO 18/05/2015 10:56

Barraco da Favela do Rato Molhado encosta em muro de condomínio em Itaipu:Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Barraco da Favela do Rato Molhado encosta em muro de condomínio em Itaipu:
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo


NITERÓI — Morador de Santa Rosa há mais de três décadas, o administrador que pediu para ser identificado apenas como Bruno vive num prédio com vista plena para o Morro do Beltrão e pôde acompanhar todas as etapas de expansão da favela sobre a área verde do morro. Viu também o tráfico ganhar força na região e aprendeu a conviver com algumas políticas de boa vizinhança impostas pelos criminosos:
 
VEJA: Imagens de satélite mostram o crescimento de favelas de Niterói

— Não posso deixar vocês subirem no térreo para fotografar. Do alto vocês vão notar o crescimento da favela, mas ao mesmo tempo vão estar de frente para a boca de fumo. Aí, se alguém de lá perceber, pode dar algum problema para o condomínio — pondera Bruno, que acrescenta: — Os próprios moradores são orientados a não ficarem na janela do prédio com o celular na mão.

Embora seja uma favela antiga, quem mora ali se queixa que as construções continuam ocupando novas áreas do morro, na parte da comunidade virada para a Rua Mário Viana. No encosta, muito íngreme, a prefeitura planeja executar uma obra de contenção, mas ainda aguarda a liberação de verba. Comparando imagens aéreas de 2005 e 2015 é possível notar a diferença. E a insegurança de Bruno em permitir fotografar o lugar se explica: na última terça-feira houve intensa troca de tiros na área do Beltrão durante a manhã e à noite.

Longe dali, num condomínio em Itaipu, na Região Oceânica, a imagem da desigualdade social é mais escandalosa. A partir dos anos 90, a comunidade do Rato Molhado começou a ocupar o morro aos fundos do Vale de Itaipu. Hoje, casas de luxo e barracos são separados por uma parede.

O condomínio faz fronteira com A RESERVA Darcy Ribeiro e com um loteamento que dá na Avenida Central. O empresário José Eduardo mora ali, numa casa próxima à favela e lamenta ter visto árvores sendo postas abaixo no morro em frente à sua casa:

— Fiz denúncias quando derrubaram árvores para construir no morro e não deu em nada. É o absurdo do absurdo.

O síndico do condomínio, Wilson José, acompanhou a aparição dos primeiros barracos ali. Segundo ele, no início dos anos 90 o condomínio tentou em vão murar a área antes de a favelização ocupar os dois lados do morro. Embora o canto dos pássaros às vezes seja interrompido pelo barulho de tiros, Wilson diz que os traficantes vizinhos não levam problemas ao condomínio.

— A gente sabe que 90% dos moradores são de bem. Nunca tivemos problemas por conta disso, cada um vive no seu canto.


Moradores vizinhos ao Morro do Beltrão, em Santa Rosa, dizem que, a cada dia, barracos ocupam áreas desabitadas - Pedro Teixeira / Agência O Globo

O Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF monitorou durante dez anos, de 2000 a 2011, o crescimento das favelas em Niterói. De acordo com o estudo, a área ocupada por assentamentos precários aumentou 11,30% no período. Em 2000, eram 30.957 domicílios em favelas. Mais de uma década depois já eram 40.655. Já um relatório da Ampla enviado à Aneel para discutir revisão tarifária de 2014 mostra que, em 2008, a empresa tinha 33.386 clientes em áreas de risco. Em 2013, esse número mais do que dobrou, saltou para 71.438, apresentando um crescimento de 113,9%.

— Isso aconteceu porque a ideia que o gestor público tinha era de que não criando moradias de interesse social na cidade não atrairia pobre, mas é uma ideia errada. Para combater a pobreza são necessárias políticas de inclusão e igualdade de renda — destaca a coordenadora do Nephu, Regina Bienenstein.

A prefeitura informou, através de nota, que acaba de concluir um estudo com base em levantamento fotográfico aéreo digital da cidade "que permitirá o monitoramento e controle adequados da expansão demográfica em todo o município". Ainda de acordo com a nota, o mapeamento das áreas com crescimento desordenado em todas as regiões e bairros está sendo finalizado para a elaboração do novo Plano Diretor de Niterói. Somente após a conclusão desse diagnóstico será possível intensificar as fiscalizações e implementar as ações específicas que visem ao ordenamento desses territórios.

IMAGENS DE SATÉLITE MOSTRAM O CRESCIMENTO DE FAVELAS

O crescimento de algumas favelas em Niterói pode ser constatado através da comparação de imagens por satélite. Num intervalo de dez anos, é possível ver novas construções avançando sobre a mata e encostas em assentamentos precários em diferentes regiões da cidade. Na localidade do Caniçal, no Cafubá, a área verde entre as ruas 415 e Deputado José Luís Erthal foi bastante ocupada e quase desapareceu na última década. No Morro do Cavalão, entre Icaraí e São Francisco, percebe-se aumento do número de casas sobretudo nas partes altas da favela. E no Morro do Beltrão, em Santa Rosa, trechos de áreas verdes não existem mais.


Imagem de satélite da comunidade do Caniçal, no Cafubá, captada em 2005 e em 2015: áreas verdes dão lugar a construções - Google Earth / Reprodução

— O Caniçal é uma favela antiga. Se houve o crescimento foi porque o governo não fez a regularização fundiária e urbanística nem construiu moradias populares. As pessoas precisam morar. Assim como a propriedade é um direito, garantido pela constituição, morar também é — destaca Daniel Souza, presidente do núcleo Niterói do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

No período monitorado pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF, de 2000 a 2011, o número de domicílios em assentamentos precários no Caniçal cresceu 47,47%: eram 297, em 2000 e passaram para 438, em 2011. No Beltrão, aumentou 8,23%, saltando de 620 para 271 casas no período. O Nephu apurou um crescimento de 35,20% na área que inclui Cavalão, Vital Brazil e Souza Soares. Entre os bairros de Icaraí e São Francisco, em 2000, havia 1.128 residências em assentamentos precários; em 2011 eram 1.525.

De acordo com o estudo, os assentamentos precários em áreas menores e de formação mais recente tiveram um crescimento percentual maior, mas a expansão foi mais significativa em favelas já consolidadas. A comunidade Cacilda Ouro, no Engenho do Mato, por exemplo, aumentou 241,67%: eram 12 casas, no ano 2000, e passou a ser 41, em 2011. Apesar de um percentual de crescimento menor no Morro do Preventório (29,67%), o aumento no número de residências foi mais considerável: de 1.028 para 1.333. Foram mais 305 casas em dez anos.

— Os assentamentos precários de Niterói ainda não chegaram na situação de descontrole como no Rio. Ainda é possível conter o crescimento e melhorar a vida de quem vive nesses locais. Para isso, é preciso urbanizá-los e fazer a regularização fundiária — alerta a coordenadora do Nephu Regina Bienenstein.

Na área de habitação, a prefeitura informa que desenvolve o programa Morar Melhor, em que 2.774 unidades estão contratadas e/ou em obras. Através de nota, acrescenta que prepara o Plano Municipal de Regularização Fundiária "que vai reverter as irregularidades fundiárias propondo melhorias habitacionais em situação ambientalmente adequada e socialmente justa, ora em fase de licitação"

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/sem-fiscalizacao-favelas-avancam-em-areas-nobres-de-niteroi-16178556#ixzz3aYJa5Kbf 
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A moderna 'torre' da UNE no Rio de Janeiro

17/05/2015 - O Estado de São Paulo

O sangue do PC do B ainda corre nas veias dos dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), mas a oportunidade de lucrar com a propriedade privada - no caso, um terreno em ponto privilegiado da zona sul do Rio - não foi desprezada. Depois de muitos atrasos, avança rapidamente a construção do edifício comercial de 12 pavimentos (térreo mais 11 andares) Torre Flamengo, no histórico terreno da UNE, no número 132 da Praia do Flamengo.

Em vez de aplicar recursos próprios, já que, entre 2011 e 2012, a UNE recebeu R$ 44,6 milhões em indenização da União pelos danos sofridos na ditadura militar, os estudantes se associaram a uma investidora suíço-brasileira, que vai bancar a obra e explorar o empreendimento, alugando as salas. As informações obtidas pelo Estado são de que a obra custará R$ 65 milhões. A área construída é de 10.360 metros quadrados.

Os estudantes ficarão com o bloco de dois pavimentos e 1.680 metros quadrados, onde haverá, além de auditório para 200 pessoas, duas salas de exposição, duas salas multimídia e café. Os espaços poderão ser usados pela UNE e alugados.Também será dos estudantes a área aberta de convivência entre o prédio principal e o anexo. A obra deverá ficar pronta antes dos Jogos Olímpicos de 2016.

Haverá entradas separadas para a área da UNE e para o edifício comercial, onde cada andar terá de 400 a 500 metros quadrados. A garagem ocupará dois subsolos. Tudo isso em local perto do centro, a poucos metros do metrô e com a bela vista da Baía de Guanabara.

Doação. O projeto do moderno prédio com fachada de vidro e certificado de boas práticas ambientais foi doado à UNE pelo arquiteto Oscar Niemeyer - célebre comunista morto em 2012, aos 104 anos - e desenvolvido pelo escritório de João Niemeyer, neto do arquiteto.

Nesta fase empreendedora, a UNE, que desde 1991 é presidida por militantes do PC do B, escolheu empresas de ponta. A construtora é a WTorre, gigante do setor responsável por obras como o shopping JK Iguatemi e o novo estádio do Palmeiras, em São Paulo, e a nova sede da Petrobrás, no Rio.

A multinacional CBRE será encarregada do aluguel das salas. A consultoria Balbi & Associados é intermediária entre a UNE e as empresas. A Control Tec gerencia a obra. Uma animação encomendada pela UNE, divulgada no YouTube, detalha o projeto e sugere que o terraço na cobertura seja ocupado por um restaurante.

Sigilo. Como grandes empreendimentos em andamento, o Torre Flamengo está cercado de sigilo. Nenhuma empresa atendeu aos pedidos de entrevista do Estado. 

Procurada várias vezes, a UNE não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem. Não esclareceu, por exemplo, como será sua participação no lucro do empreendimento e por quanto tempo a investidora explorará o aluguel das salas. Contratos do tipo duram em geral entre 20 e 35 anos, com opção de renovação. A UNE também não informou como aplica os R$ 44,6 milhões recebidos da União.

O terreno da União Nacional dos Estudantes se confunde com a história da militância estudantil.Lá funcionava a Sociedade Germânia, ocupada pelos jovens em 1942. O prédio virou sede da entidade e acabou incendiado após o golpe de 1964.

O que restou foi demolido em 1980. A polícia reprimiu com violência um protesto contra a derrubada. Durante 20 anos, a UNE travou uma batalha judicial com a família que passou a explorar uma garagem no terreno. Conseguiu reaver a propriedade em 2007.

O prédio está em construção em hora de forte retração do mercado imobiliário carioca. Dados da Secovi Rio, sindicato de administradoras e imobiliárias, apontam que o valor médio do metro quadrado de salas no Flamengo chegou, em abril, a R$ 120,73, 14% a menos do que os R$ 140,80 do mesmo mês de 2014.

No caso do Torre Flamengo, profissionais ouvidos pelo Estado calcularam que, se o edifício estivesse pronto, pela localização privilegiada e características do prédio, o aluguel do metro quadrado poderia ficar entre R$ 140 e R$ 150 mensais.