quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Para estimular moradias na região, prefeitura acena com isenção de impostos e perdão de dívidas

31/10/13 - O Globo

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 

RIO - O prefeito Eduardo Paes encaminhou nesta quarta-feira à Câmara dos Vereadores do Rio dois projetos para tentar incentivar a construção de habitações na Zona Portuária, em troca de incentivos fiscais para os investidores. O objetivo é construir até 28 mil unidades habitacionais tanto na região revitalizada pelo Porto Maravilha quanto em imóveis antigos de diversos bairros que formam a Área de Preservação do Ambiente Cultural (Apac) Sagas — que inclui Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

Pela proposta, a prefeitura perdoará dívidas de IPTU e da taxa de coleta de lixo até a data em que a lei entrar em vigor, como estímulo para a construção de empreendimentos residenciais. As isenções também serão válidas durante as obras, até a concessão do habite-se. Os construtores ficarão ainda isentos de recolher o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e de pagar o ISS das obras. Mas, para ter direito aos benefícios, os investidores terão de obedecer a algumas regras. Os projetos habitacionais na área do Porto Maravilha terão de ficar prontos em no máximo 48 meses após a concessão da licença de obras pela Secretaria de Urbanismo. Se o imóvel ficar na área da Apac Sagas, o prazo cai para 24 meses.

No caso da isenção do ISS, o investidor perde a isenção, tendo de pagar o imposto com juros à prefeitura, se o empreendimento residencial for convertido para qualquer outra atividade num prazo de 20 anos após o habite-se.
Até julho, só um projeto residencial

O plano para a Zona Portuária tem algumas particularidades. As unidades habitacionais serão bem mais simples, com menos exigências do que para um imóvel na Zona Sul do Rio, por exemplo. Os condomínios podem ser construídos sem garagem, ou com no máximo uma vaga por apartamento. Além disso, os empreendimentos estão dispensados de ter apartamento para porteiro. No caso de imóveis comerciais convertidos em residências pelos investidores, eles poderão ser conjugados simples, com um compartimento habitável, cozinha e banheiro.

A proposta de conceder incentivos para projetos residenciais é uma tentativa de evitar que a Zona Portuária repita um modelo de ocupação parecido com o resto da região central do Rio. Hoje, o número de pessoas que reside no Centro é reduzido. Com isso, a área conta com um grande movimento durante a semana nos escritórios, mas fica deserta durante o fim de semana.
Em julho, uma reportagem do GLOBO mostrou que, até aquele momento, apenas um empreendimento residencial havia sido licenciado na região do Porto Maravilha. Mesmo assim, tratava-se de uma iniciativa com o apoio da prefeitura: um conjunto que está sendo construído para hospedar parte das comitivas que virão para os Jogos Olímpicos de 2016. São mais de mil apartamentos, que, terminados os jogos, serão convertidos em moradias para servidores públicos, que estão comprando as unidades com cartas de crédito concedidas pela Previdência do Município (Previ-Rio).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/casas-no-porto-terao-incentivos-fiscais-10611319#ixzz2jJ8czFrd 
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Rio inicia teste das rotas alternativas para fechamento da Avenida Perimetral

30/10/2013 - Agência Rio

Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), da CET-Rio, da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) e da Concessionária Porto Novo, deu início nesta quarta-feira (30), aos testes operacionais das rotas alternativas nos bairros de São Cristóvão e Benfica, na Zona Norte da cidade. A iniciativa faz parte do plano de mitigação para fechamento do Elevado da Perimetral, que vai acontecer no próximo dia 2.

O trabalho conta com a participação de 96 agentes de trânsito, 25 faixas com mensagens indicativas e painéis de mensagens variáveis ao longo dos trajetos, que indicarão as alternativas para ligar Avenida Brasil ao Centro da cidade, Linha Vermelha à Tijuca, Avenida Brasil ao Túnel Rebouças, Centro à Linha Vermelha e Centro à Avenida Brasil.

A prefeitura está solicitando que os motoristas e pedestres tenham redobrada atenção às mensagens veiculadas nos painéis, à sinalização e às orientações dos agentes de trânsito. Além disso, serão feitas recomendações para que os cariocas utilizem o transporte público e, quando possível, evitem a região do Centro, sem transitar na área mais impactada pelas alterações. Veja o detalhamento abaixo:

Avenida Brasil – Centro e Tijuca

Avenida Brasil, Rua Célio Nascimento (acesso ao bairro de Benfica), Rua Couto de Magalhães, Rua Senador Bernardo Monteiro, Rua Visconde de Niterói, Viaduto Agenor de Oliveira (Viaduto da Mangueira), Radial Oeste, Praça da Bandeira.

Linha Vermelha – Tijuca

Linha Vermelha, Campo de São Cristóvão, Rua São Luiz Gonzaga, Rua Chaves Faria, Rua Catalão, Rotary Internacional, General Herculano Gomes, Viaduto Oduvaldo Cozzi, Avenida Maracanã.

Avenida Brasil – Rebouças

Avenida Brasil, Rua Bela, Campo de São Cristóvão, Viaduto Professor Rufino de Almeida Pizarro, Elevado Engenheiro Freyssinet (Elevado Paulo de Frontin), Túnel Rebouças.

Centro – Linha Vermelha

Presidente Vargas, Praça da Bandeira, Rua Ceará, Rua Francisco Eugênio, Rua José Eugênio, Rua Almirante Balthazar, Avenida Rotary Internacional, Avenida do Exercito, Campo de São Cristóvão.

Centro – Avenida Brasil

Presidente Vargas, Praça da Bandeira, Rua Ceará, Rua Francisco Eugênio, Rua José Eugênio, Rua Almirante Balthazar, Avenida Rotary Internacional, Rua Dom Meinrado, Rua São Luiz Gonzaga, Prefeito Olympio de Melo, Viaduto Ataulfo Alves, Avenida Brasil pista lateral sentido Zona Oeste.

CRONOGRAMA DE AÇÕES

30 e 31/10 (quarta e quinta-feira)

- Das 6h às 21h – Intensificação da operação nas rotas alternativas São Cristóvão e Benfica

2/11 (sábado)

- A partir das 19h – Fechamento definitivo da Perimetral e operação contínua da Via Binário

17/11 (domingo)

- Início da implosão da Perimetral

MS

Guaratiba entra no mapa da gentrificação

30/10/2013 - O Globo

Os conturbados dias da Jornada Mundial da Juventude, com o cancelamento da missa do Papa Francisco, representam, talvez, o grande momento histórico de Guaratiba. Há três meses, os bairros da região entraram no mapa imaginário de cariocas e visitantes, que não reparavam na existência de uma área tão grande, verde e distante do centro urbano. Um ano antes, outro fato histórico: luz no fim do túnel, e o tempo gasto no trânsito da Serra da Grota Funda desaparece na via aberta dentro da rocha, por onde carros e ônibus BRT passam a 80 km/h.

Assim, mais perto de tudo e conhecida, Guaratiba e seus bairros adjacentes já apresentam sinais de gentrificação ali e em áreas próximas, como a Freguesia. Entre 2000 e 2010, segundo o Censo do IBGE, subiu em 167% a proporção de moradores com ensino superior na região, quando a variação média do Rio foi de 121%. Ainda é baixa, 3% do total, mas sinaliza que o caminho mudou. O fenômeno é diferente do crescimento desordenado, marca da Zona Oeste.

Bairros vizinhos, como Recreio e Barra, se valorizaram mais rapidamente, e o caminho do Túnel da Grota Funda é cada vez mais um destino de pessoas da velha ou nova classe média atingidas pela maré cheia, e salgada, do mercado imobiliário.

Perda de casas

A francesa Gwenaelle Neveu, de 28 anos é uma das representantes do novo perfil de morador que chega espontaneamente. Ela queria viver no Brasil e conseguiu emprego numa pousada de luxo com spa em Barra de Guaratiba. As diárias vão de R$ 396 a R$ 671.

Formada em Marketing, Comercialização e Gestão em seu país, Gwenaelle, há dois anos no bairro, percebe as mudanças:

- Percebo os preços dos imóveis mais caros. Conheço outros europeus que estão comprando casas por aqui. Acho que isso aconteceu graças ao túnel.Enquanto Guaratiba, o maior bairro, viu o número de casas subir 36% (fruto, em parte, de construções irregulares), Barra e Pedra de Guaratiba, menores, registram queda desse tipo de imóvel (-17% e -3,5% respectivamente).

E os apartamentos dobraram ou mais que dobraram nos três locais em dez anos. Ainda são poucos, mas a vida no sítio ganhou um forte concorrente. Áreas de Pedra de Guaratiba, que ainda abrigam sítios bem ajardinados, recebem visitas de britadeiras, caminhões com material de construção e emissários de empreiteiras com ofertas tentadoras.

É o caso da Estrada do Catruz, com condomínios de centenas de apartamentos em obras e com recursos do Minha Casa Minha Vida, do governo federal.- Moro nesse sítio da Estrada do Catruz há 30 anos e agora apareceram as ofertas. Já recebi quatro.

Mas espero valorizar mais - conta o artista plástico Túlio Corrêa, de 59 anos, que vive num sítio de 4 mil metros quadrados.

Estudos para novo peuA população explodiu: apenas em Guaratiba, chegaram novos 22.917 moradores em dez anos. Já são mais de 110 mil pessoas. Tanto que, depois do fiasco do encharcado Campus Fidei, a prefeitura decidiu, em agosto, congelar por seis meses todas as licenças de obras em análise ou já concedidas para os bairros.

Será feito um estudo urbanístico, com o auxílio do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), para a elaboração de um Plano de Estrutura Urbana (PEU).

Foi nesse contexto que o pizzaiolo Francisco Cunha Matias, de 23 anos, chegou ao bairro. Ele mora, desde 2012, num condomínio de seis prédios de cinco andares. O empreendimento chama a atenção na Estrada da Matriz.

Enquanto cavalos ainda passam por lá, o terreno com grama aparada, piscina e portão eletrônico atrai olhares. Matias morava na Rocinha e trabalhava num restaurante do Fashion Mall. Depois decidiu se mudar, com a mulher e um filho, para a Ilha da Gigoia, na Barra. Mas os ares da gentrificação chegaram por lá:

- Pagava R$ 450 por um quarto e sala na Gigoia. Quando saí, a proprietária já queria R$ 850. Assim que abriram o túnel, pensei: a Pedra vai valorizar para caramba, e a parcela do Minha Casa Minha Vida era a mesma do aluguel. Em 15 dias, valorizou R$ 15 mil. Comprei meu apartamento dois quartos por R$ 90 mil - conta Matias.

Ele abriu uma pizzaria n bairro, a Matias Mix, e sabe que apartamentos no prédio em que mora já são vendidos a R$ 120 mil.Por outro lado, o presidente do IAB, Sérgio Magalhães, critica a forma como o Minha Casa Minha Vida induz mudanças entre bairros, como é o caso do pizzaiolo:

- Nessa associação entre governo e empreiteira, a pessoa só pode aderir, não optar. Não vão obrigados, mas induzidos. Não acho isso razoável. As pessoas é que devem ser protagonistas. A vitalidade urbana está sendo conduzida, não estimulada.Consequências ambientais da chegada de tanta gente nova, porém, assustam pescadores da área.

Armando Daltro, de 46 anos, explica:

- Sem vínculo, sem raiz, vão preservar o quê? Quando dão descarga no condomínio novo, o esgoto sai direto aqui e prejudica quem sobrevive do pescado. Estamos perdendo nossa identidade.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

BRT Jardim Oceânico-Alvorada é adiado pelo TC

29/10/2013 - Jornal do Brasil

Tribunal de Contas indagou Secretaria Municipal de Obras sobre o projeto
Gabriella Azevedo*, Jornal do Brasil
Hoje às 17h52 - Atualizada hoje às 18h29
A licitação da extensão do BRT, que ligaria a linha 4 do Metrô até o Terminal Alvorada, foi adiada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e não tem data definida para ser realizada. O Tribunal apontou irregularidades à SMO referentes ao projeto, incluindo a ausência de estudo prévio de impacto ambiental, falta de audiência pública para debater o plano com a população e a inexistência de especificações orçamentárias e técnicas de partes do projeto. O adiamento representa uma vitória parcial na briga para garantir que a linha 4 do Metrô, que hoje tem estação terminal localizada no Jardim Oceânico, seja estendida até o Terminal Alvorada.

A ação do Tribunal de Contas foi em resposta ao apelo do vereador Carlo Caiado, do DEM, que enviou ofício para o órgão na tentativa de inviabilizar a extensão do BRT–Transoeste, com custo estimado em R$ 92,4 milhões de reais. O vereador, envolvido na luta pela ampliação da linha, também apelou ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), que analisa o projeto.

De acordo com o vereador, o Tribunal de Contas enviou alguns questionamentos sobre o projeto, que apresentava algumas irregularidades, e que esse seria o quarto adiamento da licitação. "O Tribunal de Contas indagou informação à SMO, dentro deles, o que mais me chamou atenção, é a ausência de estudo de impacto ambiental. Em qualquer obra de grande porte, se faz necessário um estudo prévio de impacto ambiental. Outra questão é sobre não ter sido feita audiência pública. A gente acredita que não foi feito justamente porque a população não aceita, e o prefeito quer passar por cima disso", critica Caiado.

Além destes problemas apontados pelo Tribunal de Contas, o projeto apresenta falta de transparência em relação à detalhes técnicos e orçamentários, segundo o vereador. "Eles [a Prefeitura] não estão detalhando a construção de uma ponte, não está sendo especificado não apenas na parte técnica, mas também na orçamentária. Eles apresentam o custo de R$ 92 milhões de reais para construir as sete estações, mas não explica o valor de cada uma delas. A ponte também não tem prévia de gasto, porque tem que ter especificação técnica, e é isso que o Tribunal de Contas está indagando sobre essa nova ponte, é esse detalhamento orçamentário."

Ainda de acordo com o vereador Carlo Caiado, a licitação também não inclui no seu orçamento a construção da estação de BRT mais importante no trajeto, a que estaria localizada no Jardim Oceânico. Isto significa que a construção desta estação representa mais um gasto para os cofres públicos.

Segundo Caiado, a construção do BRT–Transoeste ligando a estação Jardim Oceânico ao Terminal Alvorada sentenciará de vez a ampliação da linha 4 e que o seu adiamento representa uma injeção de ânimo para os envolvidos na causa. "Representa um ganho, um oxigênio para continuar essa luta, agora no MP-RJ, para que não seja feito o projeto. Nós queremos a extensão [do metrô] até a Alvorada. Esse projeto [do BRT] sendo feito, é o sepultamento dessa extensão. O próprio governo, em documento oficial, afirmou que se o BRT for construído, o Metrô poderia ser projetado apenas em 2021. Além disso, é um desperdício enorme de dinheiro", explica o vereador.

Técnicos do Estado afirmam que a melhor opção é extensão da linha

No mês passado, o Jornal do Brasil publicou matéria sobre a elaboração de um documento por técnicos do próprio estado, que fazem parte da equipe de revisão do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), no qual afirmam que a extensão da linha até o terminal é a opção de mobilidade ideal. No documento, os técnicos afirmam que "é unânime, entre os técnicos (...) a opinião de que a melhor solução de transporte é o prolongamento da linha 4 do Metrô até o terminal Alvorada".

>>Obras do metrô na Barra da Tijuca: uma novela sem estação final

O documento afirma que a ampliação do BRT até o Jardim Oceânico se tornaria dispensável, já que será um recurso temporário, e os R$ 92,4 milhões da obra seriam desperdiçados. No documento emitido, os técnicos ressaltam que efetuar a extensão da linha 4 após a obra do BRT faz com que a estação construída perca sua utilidade. Além disso, os impactos no trânsito, com a sobrecarga do entorno do Jardim Oceânico, são questionados pelos moradores da Barra da Tijuca, que também se posicionam de maneira contrária à manutenção do projeto.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Porto, o destino de quem aposta no futuro

29/10/2013 - O Globo, Fábio Vasconcellos, Flávio Tabak, Natanael Damasceno e Paulo Thiago de Mello

Patrick Fontaine conhece bem os efeitos da gentrificação. Ex-morador de Botafogo, saiu do bairro fugindo do aumento do preço dos aluguéis. Antes disso, durante uma temporada de estudos em Paris, viu como o fenômeno modificou em pouco tempo o bairro onde morou, ocupado originalmente por descendentes de imigrantes judeus e árabes.

Atento às mudanças, resolveu, ao menos uma vez, se beneficiar do processo e, há um ano, se instalou na Zona Portuária, que segundo estimativa da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp), deve receber R$ 8 bilhões em obras e serviços ao longo de 15 anos.

- Com a valorização do mercado imobiliário em Botafogo, não ia conseguir sobreviver ali. Como já tinha um grande interesse no Porto, cheguei ao Morro da Conceição - diz Patrick, que se estabeleceu em um apartamento num sobrado de três andares, construído na década de 50. -

Optei pelo que me parece lógico. Embora o mercado valorize mais os bairros da Zona Sul, como o Leblon, na minha opinião, aquela é a franja da cidade e não o seu centro.A poucos metros do apartamento de Fontaine, a Rua Camerino, esquecida durante muito tempo, apresenta sinais de que está sendo modificada pelo processo.

Assim como a primeira fase de obras do Porto Maravilha, em que se reformaram calçadas e mobiliário urbano de trechos da via, a presença de empresários como o carioca Ronnie Arosa é parte importante do processo. Ele deixou a Espanha, onde trabalhava como consultor de projetos de desenvolvimento, para ajudar o pai, Manolo Arosa, de 69 anos, na reconstrução de antigos motéis.

Eles têm benefícios fiscais do Comitê de Acomodações da prefeitura para os Jogos Olímpicos de 2016.- Percebemos o potencial dessa região, que tem poucos hotéis, apesar da procura. Na Espanha e Itália, por exemplo, centros de grandes cidades são cheios de opções de hospedagem. Aqui no Rio é o contrário - conta Arosa, que nota as mudanças na Camerino desde 2011.

- Vi surgirem um restaurante de comida asiática, lanchonete, salão de beleza e uma loja que emoldura quadros.Patrick Fontaine, por sua vez, se mostra preocupado com o destino dos moradores antigos, que compõem a identidade local. Em sua opinião, o poder público deveria investir em políticas inclusivas que garantissem o direito à moradia dos trabalhadores de baixa renda que já ocupavam a região antes do anúncio do projeto.

- Tem gente comprando imóveis, deixando fechado à espera da valorização. O poder público deveria garantir moradias de interesse social, evitando os efeitos negativos da gentrificação.O sociólogo Alberto Gomes, presidente da Cdurp, diz que já localizou 500 famílias em cortiços e imóveis abandonados. E que tem em seus planos a construção de 2.200 habitações de interesse social na região para absorver esses e outros moradores de baixa renda que desejarem continuar no local:

- Isso não evitará a saída de moradores antigos. As pessoas não moram onde querem, moram onde podem. O problema maior não é a questão da valorização do imóvel. A maior parte da população aqui é de proprietários. Mas, da mesma forma que o poder público não pode obrigar ninguém a sair de onde está, a não ser por motivos de segurança, também não pode obrigar a ficar. As pessoas vão fazer suas escolhas.Para ele, é preciso preservar a identidade do local.

Alberto diz que tem trabalhado na discussão de políticas fiscais, como desconto do IPTU, para quem permanecer nos morros da Conceição e Providência, e o aumento do ITBI para quem comprar.

Prefeito proíbe construções no Chapéu Mangueira

29/10/2013 - O Globo, Catharina Wrede

A comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, teve o uso do solo regulamentado pela prefeitura. O decreto, publicado no Diário Oficial na última sexta-feira, proíbe novas construções na região, mas permite a verticalização das já existentes de acordo com a nova lei. Além disso, o documento dá um prazo de 180 dias para que uma área não edificante - com vegetação ou objeto de recuperação ambiental - seja delimitada fisicamente.

Restrições para área de risco

No decreto, a comunidade tem seu terreno dividido em quatro setores: um setor considerado de alto risco e de grande vulnerabilidade, suscetível a deslizamentos em que é permitida a construção de apenas um pavimento; um segundo residencial e comercial, cuja permissão é para edificações de até dois andares; e outros dois setores em que construções de até três pavimentos são legalizadas. Coberturas são permitidas, mas apenas como áreas de lazer e serviço.

Apesar da verticalização e de reformas serem autorizadas, de acordo com o documento, ficam vedadas quaisquer novas construções a partir da data da publicação. Exceções valem apenas para as edificações "de iniciativa do poder público".

- Essa nova lei ainda não foi passada para os moradores - diz Arlete Ludovice, presidente da associação de moradores da comunidade Chapéu Mangueira. - Quero que tragam o estudo do solo por escrito, além da lei. Aqui só contam história, mas documento que é bom, nunca deram.

Todos os caminhos levam ao bairro

27/10/2013 - O Globo, Especial Cidade Barra

A área de quase 5 km², ou 10% da Barra, destinada por Lúcio Costa a ser o Centro Metropolitano é, hoje, um grande canteiro de obras, onde se erguem shoppings, hotéis, prédios comerciais e residenciais e corporativos, inspirados em grande modelos internacionais, e se multiplicam construções destinadas aos Jogos Olímpicos de 2016.

Próximo ao Riocentro, está sendo construída a Vila Olímpica e, no antigo Autódromo da Barra, o Parque Olímpico. Outros projetos de urbanização do Centro Metropolitano também pavimentaram o caminho do sucesso do plano, a exemplo da construção do Anel Viário Chico Anysio, rótula que, ao custo de pouco mais de R$ 13 milhões, interligou as avenidas Ayrton Senna e Abelardo Bueno. Recentemente, a prefeitura confirmou, para este ano, o início das obras de ampliação de toda a extensão da Avenida Salvador Allende. As obras na Abelardo Bueno já começaram.

O projeto prevê a implantação de pistas laterais, que passarão a ser dez - cinco em cada sentido. Outras obras de urbanização estão programadas, como as de melhorias na rede de drenagem, aplicação de 306.630 m³ de pavimentação em asfalto e 44.400 m³ em concreto, construção de 50.200 m³ de calçadas, de 21.200 m² de ciclovia, além da despoluição da Lagoa de Jacarepaguá.

A região da Barra da Tijuca também ganhará novos corredores expressos, os BRTs. Além da Transoeste, já em operação, terá a Transcarioca, em construção, e a Transolímpica. A Traftscarioca, com 39 km de extensão, vai ligar a Barra ao Aeroporto Internacional Tom Jobim e transportará 440 mil passageiros por dia. A ponte estaiada da via ex-pressa incorpora à região um novo marco arquitetônico e tem previsão de conclusão ainda em 2013.

Já a Transolímpica, com 23 km de extensão, ligará a Barra da Tijuca a Deodoro e servirá também de via expressa para veículos. O projeto prevê 16 pontes e viadutos, 18 estações e dois terminais, beneficiando 100 mil pessoas por dia e reduzindo o tempo de percurso de quase duas horas para apenas 40 minutos. "O terminal da Transolímpica ficará na junção das avenidas Salvador Allende e das Américas. Já a Transcarioca atravessará todo o trecho da Abelardo Bueno até a altura da Rua Pedro Correia. Mas haverá um grande terminal de integração entre os dois corredores, a Estação Parque Olímpico, exatamente na junção da Abelardo Bueno com a Salvador Allende", explica o secretário Municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório.

Com 56 km, o BRT Transoeste liga a Barra da Tijuca a Campo Grande e Santa Cruz, atravessando os bairros do Recreio dos Bandeirantes, Paciência, Sepetiba, Inhoaíba, Cosmos e Guaratiba. Ele vai ligar também o Terminal Alvorada ao Jardim Oceânico, na Barra, e integrar o sistema à Linha 4 do Metrô. A capacidade de atendimento da Transoeste, com as expansões, passará a 220 mil pessoas por dia.

O secretário Municipal de Transportes observa, ainda, que por estar no epicentro dos Jogos Olímpicos de 2016, a Abelardo Bueno é uma das maiores regiões de crescimento da cidade. "Hoje, apenas 20% da população utilizam transporte público de massa. Queremos mudar essa realidade até 2016, passando a atender, de maneira integrada, 63% da população com transporte público de alto desempenho. Mais da metade dos investimentos em infraestrutura estão sendo feitos em mobilidade", finaliza Osório.

Abelardo Bueno tem crescimento acelerado

27/10/2013 - O Globo, Especial Cidade Barra

O The City Business District será construído em frente ao Shopping Metropolitano, que terá 230 lojas. O hotel cinco estrelas com bandeira Hilton, que vai oferecer hospedagem de luxo para turistas durante os Jogos Olímpicos de 2016, também ficará em frente ao empreendimento da PDG/AGER. Na avenida do empreendimento serão plantadas 1.500 árvores e 133 mil m² de grama. A área a ser beneficiada com os serviços de urbanização nos próximos dois anos é de cerca de 640 mil m².

O aquecimento do mercado imobiliário e os incentivos da prefeitura estão promovendo um crescimento acelerado da Abelardo Bueno. Além dos empreendimentos privados, a prefeitura constrói, nas margens da Lagoa de Jacarepaguá, que está sendo despoluída, o Parque Olímpico, conjunto de instalações para expandir o Complexo Esportivo da Cidade dos Esportes, que vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Em área de 1,18 milhão de m2, onde antes funcionava o Autódromo da Barra, o Parque Olímpico sediará competições de judô, basquete, tênis e ciclismo, entre outras modalidades.

O presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, lembra que a Barra nasceu para ser um corredor de ligação para Santos (SP), mas ganhou vida própria, virou bairro e, hoje, é uma cidade com seus próprios filhos/A Abelardo Bueno é o seu coroamento, o destino dos mais valiosos patrimônios imobiliários da cidade. O Shopping Metropolitano vai polarizar em sua volta empreendimentos residenciais, corporativos e comerciais, que tornarão â região o grande destino das melhores empresas de serviços. Você reconhece um patrimônio imobiliário valorizado para toda a vida pela sua arquitetura exuberante e belas fachadas. É para a Abelardo Bueno que todos eles, inclusive o The City, estão se dirigindo", afirma.

Reforma leva vida nova à zona portuária

28/10/2013 - Valor Econômico, Carlos Vasconcellos

A queda do Elevado da Perimetral, no Centro do Rio, está próxima. A implosão de parte do viaduto está marcada para o próximo dia 17 de novembro e representa mais um passo na construção do Porto Maravilha, o ambicioso projeto de reforma urbana da Zona Portuária do Rio de Janeiro. As obras recuperam uma área de 5,5 milhões de metros quadrados, com a implantação de infraestrutura de água, saneamento, iluminação, urbanização e obras viárias que poderão desafogar o trânsito do Centro da cidade.

O investimento total é de R$ 8 bilhões, ao longo de 15 anos, incluindo execução da obra e gastos de manutenção. O projeto foi viabilizado por meio de uma parceria público privada entre a Prefeitura do Rio e a concessionária Porto Novo, formada por OAS, Odebrecht Infraestrutura e Carioca Engenharia. A concessionária recebe as contrapartidas da Prefeitura para executar o serviço, mas o dinheiro não sai dos cofres do município, e sim da venda, a empresas que querem investir na região, de títulos emitidos pela Prefeitura para financiar o projeto, os chamados Cepacs, Certificados de Potencial Adicional de Construção. O pacote de títulos foi comprado pela Caixa Econômica Federal, que revende os papéis ao mercado.

Do estoque de 6,4 milhões de títulos emitidos, já foram vendidos 2,3 milhões, dos quais 800 mil já convertidos em empreendimentos imobiliários. Além disso, 3% do valor arrecadado com a venda dos Cepacs é usado na recuperação e preservação do patrimônio histórico e cultural da região.

"O Porto Maravilha já está financiado e o cronograma está sendo seguido dentro do previsto", diz Alberto Gomes da Silva, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), gestora da Prefeitura no projeto de reurbanização da Zona Portuária.

Uma das joias do processo de reurbanização será o Museu do Amanhã, que junto com o já inaugurado Museu de Arte do Rio formará o eixo cultural do Porto Maravilha. Orçado em R$ 215 milhões, e com projeto do premiado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o Museu do Amanhã será uma das principais atrações de cultura e lazer do Porto Maravilha. "A obra estará concluída em meados de 2014, e a abertura ao público deve acontecer a partir de 2015", diz Silva.

Para que o projeto do Porto Maravilha seja viável, vem sendo necessário um grande esforço na área de mobilidade urbana, com a construção de novas vias para substituir a Perimetral, e de sistemas integrados de transportes que retirem parte do tráfego de ônibus do Centro da Cidade.

O principal eixo viário será a Via Expressa, com 5.050 metros, que ligará o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil e à Ponte Rio-Niterói. Parte do trajeto será subterrâneo. "É uma das obras mais importantes. O túnel permitirá a construção de um boulevard para pedestres com 55 mil metros quadrados e terá um grande impacto ambiental, com a redução do tráfego no Centro", diz Silva.

O diretor da Cdurp destaca a importância de algumas obras invisíveis aos olhos, mas que podem melhorar muito a qualidade de vida da população. "Trocamos todo o sistema de drenagem da região, que já tinha mais de 100 anos, e era insuficiente para conter os alagamentos. Também implantamos um sistema de abastecimento de água para atender a uma população de 500 mil pessoas, muito superior ao projetado entre moradores e trabalhadores que frequentarão o Porto Maravilha".

Segundo João Paulo Matos, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), tem havido um grande interesse do mercado na região portuária. "Os primeiros projetos são corporativos, porque nesse segmento os preços são melhores e as Cepacs estão um pouco caras", observa. Matos acredita que o Porto Maravilha pode reduzir a demanda - especialmente por imóveis corporativos - em outras regiões da cidade, como a Barra e o Recreio, na Zona Oeste, ao tornar o Centro novamente um local atrativo.

De fato, os primeiros projetos imobiliários da região já começam a ser finalizados. Um deles é o Port Corporate, um investimento de R$ 300 milhões administrado pela Tishman Speyer, que será concluído em 2014. O projeto está localizado no primeiro terreno vendido na reforma da Zona Portuária, junto à Avenida Rodrigues Alves.

"Enquanto todo mundo apostava na Praça Mauá, nós olhamos para a demanda daqui a 15 anos, e apostamos na outra extremidade, próximo à Rodrigues Alves, que deve se tornar um polo imobiliário de destaque, como a Faria Lima, em São Paulo", diz Ana Carmem Alvarenga, diretora de Desenvolvimento da Tishman Speyer. "E ainda estamos de frente pro mar".

A participação dos imóveis residenciais é uma das preocupações de Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. Para ele, o Porto Maravilha é um projeto positivo para a cidade, mas é preciso ter equilíbrio na ocupação do solo. "Precisamos evitar que haja apenas prédios de escritórios, ou teremos uma região deserta e abandonada de noite, como acontece hoje no Centro da cidade", diz.

Silva afirma que a Prefeitura fará de tudo para evitar esse problema. "Queremos chegar a 50% de ocupação com projetos residenciais". Para isso, o valor dos títulos para imóveis com finalidade residencial é 40% mais baixo do que o cobrado pelos Cepacs usados em construções corporativas. "Também estamos finalizando dois projetos que serão encaminhados à Câmara dos Vereadores para dar mais incentivos aos projetos residenciais", afirma. Ele conta que a Prefeitura vai destinar parte dos terrenos disponíveis para a construção de habitações populares.

Shoppings valorizam os imóveis do entorno

27/10/2013 - Extra, Lara Mizoguchi

Um estudo divulgado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em julho deste ano, mostra que imóveis localizados no entorno desses centros comerciais se valorizam cerca de 46% mais do que no restante do mesmo bairro. Nas proximidades de três shoppings pesquisados pelo EXTRA (Via Shopping, em Irajá; NorteShopping, no Cachambi; e Center Shopping Rio, em Jacarepaguá), a diferença, de acordo com dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio (Creci-RJ), fica próxima à do levantamento nacional: 30%.

Embora a distância não seja determinada pelo estudo, especialistas alegam que o raio de valorização deve englobar um percurso que possa ser feito a pé.

- As pessoas buscam cada vez mais facilidades na mobilidade. Então, o mais importante é morar, trabalhar e usar os serviços o mais próximo possível de casa - justifica Claudio Hermolin, diretor regional da PDG e vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas de Mercado Imobiliário (Ademi).

Para Paulo Marques, diretor da construtora Leduca, nota-se a valorização pela facilidade da venda:

- Terrenos e imóveis, quando há shopping implantado, são mais caros e têm velocidade de venda maior.

'Estimula o comércio de rua a melhorar'

Luiz Fernando Veiga, Presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers

Existem vários motivos que podemos elencar. Um bairro onde se inaugura um shopping acarreta uma valorização imobiliária do entorno, estimula o comércio de rua a melhorar os padrões de atendimento, para competir com o shopping. A instalação representa um fator de alavancagem econômica da cidade. Por isso, funciona como um indutor de progresso.

sábado, 26 de outubro de 2013

Porto Maravilha corre o risco de ficar deserto à noite e nos finais de semana

26/10/2013 - Jornal do Brasil

Região promete ser uma extensão do Centro da Cidade

Gabriella Azevedo*
 
Apesar de supostos projetos de incentivo realizados pela Prefeitura, que prometem garantir mais atratividade para construções habitacionais na Zona Portuária do Rio, o número de empreendimentos comerciais já se mostra claramente esmagador em comparação ao número de residências que serão construídas. De acordo com documento do Porto Maravilha, apenas sete "lotes" estão destinados à construção de novos complexos residenciais em toda a região do Porto. Em comparação, o número de terrenos onde serão construídos edifícios e conglomerados comerciais ou institucionais já supera 20, mais que o triplo. Além disso, a área destinada para esse tipo de edificação é visivelmente superior. Quanto às edificações de uso cultural, apenas o Museu do Amanhã, além do Museu de Arte do Rio - já funcionando - está previsto para ser inaugurado na região.

Zona Portuária: empreendimentos "loteados" já são, na maioria esmagadora, comerciais e institucionais. 
Zona Portuária: empreendimentos "loteados" já são, na maioria esmagadora, comerciais e institucionais. 
 
Os outros trechos grifados em vermelho no documento, destinados ao uso residencial, são reformas que serão realizadas pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH). O mesmo se dá com as edificações voltadas para utilização cultural. Os espaços grifados em verde também se resumem a restaurações. De todos os novos empreendimentos voltados para o setor residencial, apenas um foi comprado por imobiliária. As seis novas construções também são da SMH, parte para a realocação dos moradores desapropriados para a realização das obras. Isso apenas ressalta o pouco compromisso com a população, que continuará sem atrativos para frequentar a região Portuária.

Na gestão imobiliária da região, a Prefeitura faz uso dos Cepac (Certificados de Potencial Adicional de Construção) na região portuária, que são títulos usados para financiar Operações Urbanas Consorciadas, ações de recuperação de áreas degradadas nas cidades. Os Cepacs são um instrumento de captação de recursos dos imóveis que utilizam o potencial adicional de construção, isto é, que construam andares além da área original concedida em determinado terreno. Para a construção de imóveis residenciais, são necessários menos Cepacs, ou seja, seu custo é menor.

Em visita aos túneis do Porto Maravilha aberta à imprensa realizada nesta sexta-feira (25), o presidente da concessionária Porto Novo, responsável pela realização das obras e pela gestão da região portuária nos próximos 15 anos, José Renato Pontes respondeu não acreditar que os empreendimentos que serão construídos na área serão majoritariamente comerciais ou institucionais.

"Não será pelo seguinte motivo: se só houvesse empreendimentos comerciais, a equação não ia bater, não sobrariam Cepacs. O prefeito lançou uma lei complementar para incentivar a compra de imóveis na região", afirmou o presidente da concessionária Porto Novo.

Apesar da declaração de José Renato Pontes e das ações de incentivo, as críticas ao projeto continuam e o documento corrobora as condenações. A confirmação dessa tendência transformará a Região Portuária em uma extensão do centro da cidade: funcionamento intenso em horário comercial, mas local de abandono à noite e nos fins de semana. A presença massiva desse tipo de complexo, que prioriza a presença de empresas e instituições à população e com retorno financeiro mais atraente, vai de encontro com o próprio conceito de revitalização e põe em xeque o projeto da Prefeitura. Especialistas, moradores e políticos reprimem esse modelo de edificação.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), Agostinho Guerreiro, critica a postura da Prefeitura e não acredita em uma verdadeira revitalização que desconsidera a construção de moradias. "Não é o ideal porque quando se falou em revitalização, a ideia é revitalizar o porto e com isso, incluir a população. Qual o conceito de revitalização? É não ter uma cidade morta em nenhum momento do dia. E o que acontece com a cidade do Rio na parte da noite é que uma grande parte da cidade é morta, exatamente pela prioridade que foi se dando à parte de edificações institucionais, voltadas para serviços e comércio. São atividades que transcorrem fundamentalmente durante o dia", explica Agostinho.

A única forma de humanizar aquilo é com políticas habitacionais
O deputado estadual Luiz Paulo do PSDB concorda com o presidente do CREA, apontando que o foco tem sido a construção de edifícios comerciais e que esse movimento vai afastar, ao invés de atrair, o restante da população. "A questão das construções do projeto imobiliário do Porto está débil no sentido de importar moradias. É um projeto frágil no tocante de implantação de projetos residenciais, mas forte em empreendimentos comerciais. O que está faltando naquele projeto é habitação. Se você andar na rua à noite em local só com empreendimento comercial vai ver que é uma área deserta, de passeios estreitos, o que não é convidativo para a frequência popular. A única forma de humanizar aquilo é com políticas habitacionais", explica.

O engenheiro Agostinho Guerreiro ainda comenta sobre o modelo de gestão urbana adotado em outras grandes cidades, que incentivaram a união entre complexos comerciais e residenciais. "As grandes metrópoles do mundo, quando fizeram projeto de revitalização, trataram exatamente de mesclar áreas mortas, por esse tipo de situação, com habitação. Mesmo em áreas que já eram destinadas a instituições, eles incluíram edifícios habitacionais. E nos próprios edifícios institucionais foram mesclados andares voltados para o trabalho [comercial e de serviço], com residências. Isso proporciona um bairro com vida 24 h por dia. Com esse projeto, vamos ficar com a região do porto sem ser revitalizada e o Centro permanece esvaziado", alerta.

Os impactos no trânsito também são debatidos. Apesar da melhoria de mobilidade, que também tem sido questionada, os especialistas comentam que unir muitos complexos empresariais na região trará consequências negativas no tráfego do local, que ficará mais intenso. "Empreendimentos são fortes geradores de tráfego e se continuar nessa 'batida', estará incentivando a saturação do entorno, com uma via binária de duas faixas, com passeio estreitíssimo e rampas descendentes", explica Luiz Paulo.

Não conversaram [a Prefeitura] nada, não falaram nada com ninguém, simplesmente avisaram que vai ser prédio comercial e ponto
Os moradores da região reclamam que o governo impôs um projeto de edificação na região portuária, sem incluir um debate com a população. Um morador, que não quis ser identificado, critica, junto com os demais moradores, a postura da Prefeitura. "Não conversaram [a Prefeitura] nada, não falaram nada com ninguém, simplesmente avisaram que vai ser prédio comercial e ponto. Está todo mundo reclamando, queremos chamar o Prefeito pra abordar a situação e ver se conseguimos conversar sobre o assunto", reprova.

A presidente da Associação dos Moradores do Morro da Conceição, Márcia Regina, afirma que nenhum tipo de investimento foi realizado na localidade e que a chegada de empreendimentos comerciais tem sido intensa. "Aqui no Morro da Conceição nada foi feito, a Prefeitura deixou muito a desejar aqui. Fizeram uma obra 'para gringo ver', abriram a rua toda porque iam fazer fiação subterrânea e a obra não foi finalizada. Tem uns postes aqui no meio da calçada, e as pessoas são obrigadas a andar no meio da rua. Tem dez dias que uma criança foi atropelada", reclama Márcia.

A moradora ainda reclama do processo de desapropriação realizado no local, que retirou alguns dos moradores antigos para criação de estabelecimentos de comércio. Segundo Márcia, nenhum dos moradores retirados recebeu qualquer tipo de indenização ou realocação. Denúncias como essa já haviam sido feitas por outros moradores. A ação do governo municipal, que desapropriou mais de cem mil pessoas, teria violado o direito à posse, feito propostas inadequadas de reassentamento e/ou de indenização, ignorado realização de aviso prévio adequado, e ainda feito intimidação e ameaças. 

No mês passado, a Prefeitura criou um projeto de lei que promete estimular a construção de imóveis residenciais na região portuária do Rio. A prefeitura pretende incentivar a construção de imóveis residenciais na região que compreende os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

De acordo com o prefeito Eduardo Paes, o objetivo seria garantir a permanência dos moradores atuais da área e incentivar a vinda de novos residentes. A prefeitura anunciou a construção de, pelo menos, 2.200 imóveis do programa Minha casa Minha Vida.

O prefeito também afirmou que metade da área do Porto estaria voltada para construção de habitações. Apesar disso, os trechos edificáveis da região já estão sendo direcionados para abrigar salas comerciais, empresas e instituições, e a tendência parece se manter. Com isso, moradores e especialistas seguem com motivos para reclamar, questionar e colocar em dúvida a real revitalização do entorno da Zona Portuária.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Novo teste de interdição da Perimetral acontece neste sábado

26/10/2013 - O Globo

Operação deve durar das 14h às 17h

Apenas o sentido Aterro permanecerá aberto ao tráfego e será interrompido amanhã, no mesmo horário

A interdição definitiva do Elevado está programada para o dia 2 de novembro
 Elevado da Perimetral passará por mais um dia de testes. Foto: Custódio Coimbra
Elevado da Perimetral passará por mais um dia de testes.
Foto: Custódio Coimbra

Elevado da Perimetral passará por mais um dia de testes. Custódio Coimbra

RIO — Está programado para 14h deste sábado mais um teste de interdição do Elevado da Perimetral e a abertura da Via Binário sentido Gasômetro. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a operação acontecerá até 17h. O sentido Aterro permanecerá aberto ao tráfego de veículos e será interrompido neste domingo, no mesmo horário, quando novo teste vai bloquear ambos os sentidos da Perimetral e abrir as duas pistas da Via Binário.
Para realizar o teste, 340 agentes estarão na região para controlar o tráfego.

Especialistas divergem sobre fechamento da Perimetral

Elevado da Perimetral será fechado definitivamente em 2 de novembro

Perimetral: ônibus intermunicipais têm novos pontos finais

A interdição definitiva do Elevado, parte importante para o andamento das obras do Porto Novo, está prevista para o dia 2 de novembro. O trecho entre o Viaduto do Gasômetro e a Praça Mauá já começa a ser demolido no próximo dia 17.

A Via Binário do Porto é paralela à Avenida Rodrigues Alves e tem 3,5km de extensão, três faixas por sentido e várias saídas para a distribuição interna do trânsito e acessos ao Centro. Em um dos sentidos, fará a ligação da Rodoviária Novo Rio à Avenida Rio Branco. No outro, o trajeto parte da Rua Primeiro de Março em direção às alças do Viaduto do Gasômetro.

Nova estação das barcas em Niterói

A CCR Barcas inaugurou, também neste sábado, a primeira etapa da nova estação Praça Arariboia, em Niterói. Segundo a concessionária, o espaço tem o dobro da capacidade atual e abriga 4 mil passageiros, em ambiente refrigerado e monitorado por 18 câmeras conectadas ao Centro de Controle Operacional da instituição.

Serão 24 roletas, mais modernas, instaladas no local. Esses equipamentos funcionam com cartão magnético e têm sinalização eletrônica.

Com a inauguração das novas instalações, o atual salão será fechado para a segunda etapa das obras, que promete elevar a capacidade para 8 mil pessoas e terá 48 roletas de acesso. Segundo o presidente da CCR Barcas, Marcio Roberto, a estação completa ficará pronta no primeiro semestre de 2014.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/novo-teste-de-interdicao-da-perimetral-acontece-neste-sabado-1-10549764#ixzz2ipx4tbPF 

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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Parlamentares criticam projeto de edificação da Zona Portuária

25/10/2013 - Jornal do Brasil

Luiz Paulo e Cesar Maia pedem que a prioridade seja para habitação

Com projeto de revitalização da região portuária, a Prefeitura promete melhorias de mobilidade e infraestrutura no local, incluindo revitalização das moradias já existentes na região e a criação de novos blocos habitacionais. Apesar das promessas, as reclamações que partem de moradores e de especialistas em planejamento urbano apontam para a preferência por construções de complexos empresariais. Se isso se concretizar, a região portuária será uma extensão da rotina do Centro da cidade, movimentada apenas em horário comercial, reservando para o período noturno e os fins de semana apenas o abandono. A escolha por esses complexos, cujo retorno financeiro é mais atraente, vai de encontro com o próprio conceito de revitalização e põe em xeque o projeto da Prefeitura.

Agora, além dos especialistas e dos moradores, quem também se posiciona de maneira contrária às medidas do governo são alguns parlamentares. O deputado estadual Luiz Paulo, líder do PSDB na Alerj aponta para a fragilidade do projeto em incentivos habitacionais, e que o foco é, de fato, construções comerciais. O deputado ainda ressalta que a manutenção do projeto vai repelir o restante da população.

"A questão das construções do projeto imobiliário do Porto está débil no sentido de importar moradias. É um projeto frágil no tocante de implantação de projetos residenciais, mas forte em empreendimentos comerciais. O que está faltando naquele projeto é habitação. Se você andar na rua à noite em local só com empreendimento comercial vai ver que é uma área deserta, de passeios estreitos, o que não é convidativo para a frequência popular. A única forma de humanizar aquilo é com políticas habitacionais", explica Luiz Paulo.

O deputado ainda ressalta os impactos negativos no trânsito da região. "Empreendimentos são fortes geradores de tráfego e se continuar nessa 'batida', estará incentivando a saturação do entorno, com uma via binária de duas faixas, com passeio estreitíssimo e rampas descendentes".

O ex-prefeito e atual vereador pelo DEM, Cesar Maia, concorda com o deputado Luiz Paulo e explica de que forma o trânsito será afetado. Para ele, além de não contribuir para a revitalização da região, transformar a área portuária em um complexo empresarial resultará no intenso deslocamento da população que trabalhará na região. "Com um bairro de escritórios, se amplia os deslocamentos radiais para lá. Ou seja, o trânsito se torna ainda mais caótico", explica.

O vereador ainda afirma que o projeto com base residencial já existe há mais de 20 anos, e visava "a qualificação dos bairros da região". Porém, o foco foi alterado e que agora a Prefeitura está tomando as medidas exatas para transformar o Porto no que ele classificou como "bairro de escritórios".

Luiz Paulo cobra responsabilidade do prefeito, além de uma postura que favoreça a população, ao invés de interesses econômicos. "O prefeito tem que ter autoridade para definir isso. Ele tem que aumentar as vantagens para empreendimentos residenciais e penalizar os comerciais", exige.

A Prefeitura criou, no mês passado, um projeto de lei para estimular a construção de imóveis residenciais na região portuária do Rio. A prefeitura pretende incentivar a construção de imóveis residenciais na região que compreende os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

De acordo com o prefeito Eduardo Paes, o objetivo seria garantir a permanência dos moradores atuais da área e incentivar a vinda de novos residentes. A prefeitura anunciou a construção de, pelo menos, 2.200 imóveis do programa Minha casa Minha Vida.

O prefeito também teria afirmado que metade da área do Porto estaria voltada para construção de habitações. Apesar disso, moradores e especialistas seguem reclamando que a prioridade está sendo dos empreendimentos voltados para complexos comerciais, questionando e colocando em dúvida a real revitalização do entorno da região portuária.

Prefeitura divulga resultado do primeiro dia de funcionamento do novo BRS Estácio-Carioca

25/10/2013 - Agência Rio


 
A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) e da CET-Rio, apresentou o resultado do primeiro dia de operação do novo corredor BRS Estácio-Carioca, implantado nesta quinta-feira (24). De acordo com a prefeitura, a implantação do corredor, que faz parte do plano de mitigação de impactos sobre o trânsito para o fechamento do Elevado da Perimetral, houve redução de 21% no tempo de viagem por ônibus. Além disso, o novo BRS permitiu a redistribuição operacional de 15% das linhas intermunicipais que vêm de Niterói e São Gonçalo, promovendo a integração com o metrô, na estação Estácio.

O corredor tem 4,2 quilômetros de extensão e vai da Rua Haddock Lobo (Largo da Segunda-Feira), passando no pelo Largo do Estácio e Rua Estácio de Sá, Rua Frei Caneca, Túnel Martins Sá, Avenida Henrique Valadares, Rua da Relação, Avenida Chile até a Avenida Almirante Barroso. para a implantação do novo BRS também foi realizada inversão de mão na Rua do Matoso, trecho entre a Rua Santa Amélia e a Praça da Bandeira.

Atualmente, a cidade do Rio possui 30 quilômetros de faixas preferenciais de ônibus já em funcionamento. O trabalho é feito em parceira com a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, que realiza a sinalização horizontal, correção e nivelamento de calçadas e meio-fio e recapeamento das vias que não receberam o programa Asfalto Liso.

Bike Rio vai para a Zona Norte

25/10/2013 -  Itaú Unibanco

Nova licitação confirmou Sertter e Itaú Unibanco na operação do sistema carioca de bicicletas públicas. Operação vai chegar a todas as regiões da cidade

Bike Rio será ampliado
Bike Rio será ampliado
Estação do Bike Rio: contrato prevê mais 200 delas
créditos: RioMania
 
Aconteceu ontem (24) a abertura dos envelopes da licitação do sistema de bicicletas compartilhadas na cidade do Rio de Janeiro. A empresa Serttel, com apoio do Itaú Unibanco, foi declarada vencedora da licitação.
 
Na próxima segunda-feira (28) o projeto completa dois anos de funcionamento, e entra em nova fase, afirma o patrocinador em nota divulgada à imprensa. Agora, as estações do Bike Rio ocuparão todas as regiões da cidade, incluindo a Zona Sul, Centro, Cidade Olímpica, Barra da Tijuca e Recreio, entre outras áreas. 

Hoje o sistema funciona com 60 estações e o novo contrato prevê mais 200 pontos. Sessenta dessas estações serão instaladas em até 120 dias após a homologação do contrato. Com a ampliação, 2.600 "laranjinhas" estarão à disposição dos usuários, agora em novo horário, até a meia-noite, informou o Itaú Unibanco.

 
Mapa atual de estações: com expansão, rede chega aos bairros da zona norte e oeste
 
O período gratuito de utilização que, no Rio é hoje de 60 minutos, será alterado para 45 minutos, possibilitando que mais pessoas utilizem a bike. No entanto, permanece a regra que, após intervalo de 15 minutos, é possível utilizar a bike novamente sem custo. Em São Paulo, o usuário do Bike Sampa pode usar a bicicleta gratuitamente por 30 minutos.
 
A integração do sistema com o cartão eletrônico de transporte público também está nos planos da Serttel, como já foi feito em Recife e, experimentalmente, em São Paulo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Rodrigues Alves será fechada no dia 14 para implosão da Perimetral

24/10/2013 - O Globo

Nesta quinta-feira, Perimetral ficou fechada por três horas como teste
Via Binário, que será alternativa à Perimetral, apresentou retenções
Elevado da Perimetral será fechado definitivamente em 2 de novembro

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 
PRISCILLA AGUIAR 
RODRIGO BERTHONE 

Via Binário engarrafada durante o teste que fechou o Elevado da Perimetral Pablo Jacob / Agência O Globo
Via Binário engarrafada durante o teste que fechou o Elevado da Perimetral Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

RIO — O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, confirmou que a Avenida Rodrigues Alves, na Zona Portuária, será interditada em ambos os sentidos a partir das 23h do dia 14 de novembro, como parte dos preparativos para a implosão do Elevado da Perimetral, marcada para o dia 17. O prazo total de interdição ainda não será definido com o Consórcio Porto Novo. A Perimetral ficou fechada para testes de 12h às 15h desta quinta-feira, quando foi liberada. Neste período, a Via Binário do Porto, que será a alternativa à Perimetral, ficou aberta. Apesar da retenções na região no início da operação, Osorio classificou o teste como positivo. Foi a primeira vez que a simulação foi realizada num dia útil. Osorio destacou, no entanto, que ainda serão feitos ajustes para melhorar a circulação na região. Entre as mudanças, estão o reforço na sinalização para os motoristas e uma melhor divulgação de orientações para os motoristas de ônibus.

Osorio comentou ainda a decisão de impedir que os ônibus que circulavam pela Binário seguissem para a Rua Sousa e Silva. Os coletivos eram obrigados a seguir até a Avenida Rio Branco. Segundo o secretário, na tarde desta quarta-feira, houve uma reunião na Fetranspor em que ficou decidido que os ônibus que deixavam o Terminal Américo Fontenelle, em vez de retornarem pela Souza e Silva, seguissem até a Rua Edgard Gordilho, na Praça Mauá, para deixar o Centro, o que dificultou os primeiros minutos da operação. Os motoristas levavam 11 minutos para percorrer a Via Binário por volta de 12h30m, trinta minutos depois do início do teste. Já por volta de 13h20m, a mesma viagem era feita em oito minutos, conforme foi constatado pela reportagem do GLOBO.

O Elevado da Perimetral ficou fechado no trecho entre o Gasômetro e a Praça Mauá para novos testes no trânsito do Centro e da Zona Portuária antes do fechamento definitivo do viaduto. Os motoristas encontraram dificuldades na Via Binário do Porto até por volta de 13h30m, quando o trânsito já era melhor. O trecho mais prejudicado ficava entre as ruas Souza e Silva e Rivadávia Corrêa. Em outros vias da Zona Portuária, o trânsito também ficou complicado. A maioria dos motoristas reclamava das mudanças e diziam que os operadores de trânsito não estavam preparados para dar informações.

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Por volta de 14h, o trânsito na Via Binário, altura da Rua da Gamboa, tinha boas condições, assim como no acesso da via, na altura do Gasômetro. No mesmo horário, o trânsito também era bom na Rua Equador. Já na Avenida Venezuela, havia lentidão a partir da Barão de Tefé até a Rua Sacadura Cabral. Ainda na Zona Portuária, a Rua Comandante Garcia Pires foi interditada por volta de 14h30 após uma escavadeira usada nas obras do Porto Novo atingir uma tubulação de gás da CEG, próximo à Rodoviaria. A via foi liberada por volta de 16h. A opção para o motorista que vinha da Avenida Francisco Bicalho era seguir pela Avenida Rodrigues Alves, que apresentava trânsito lento no sentido Centro, e retornar na Rua Equador. Havia lentidão também na Francisco Bicalho, sentido Centro, assim como no Elevado do Gasômetro, na altura do Into. No acesso à Via Binário, o trânsito seguia bom.

Mais cedo, uma queda de carga na rotatória da Rua Santo Cristo, na altura da Praça do Santo Cristo, também complicou a vida do motorista, deixando o tráfego em meia-pista. O acidente foi desfeito por volta de 13h45m. Perto dali, na Avenida Rodrigues Alves, um acidente envolvendo um motociclista provocou lentidão no sentido Praça Mauá, altura da Rodoviária Novo Rio. Até por volta de 14h15m, os reflexos chegavam até a Avenida Brasil.

No início da tarde, a CET-Rio instalou mais dois painéis informativos para os motoristas se orientarem sobre a circulação na Via Binário. Com isso, os painéis passaram de 30 para 32. O diretor de operações da CET-Rio, Joaquim Dinis, rebateu as críticas feitas por motoristas de que os operadores não estão preparados para informar os usuários. Segundo ele, o papel dos operadores é garantir o fluxo do trânsito.

O acesso para a Via Binário foi feito pela faixa da esquerda do Viaduto do Gasômetro (sentido Centro), logo após a entrada para a Perimetral. Motoristas que seguiam pela Via Binário podiam optar por acessar a Perimetral, logo após a Praça Mauá, e seguir até a Avenida General Justo. Outra opção era continuar até o final da Via Binário e acessar a Avenida Venezuela, para chegar ao Centro.

A operação contou com a participação de 340 homens, entre guardas municipais, controladores da CET-Rio e da Concessionária Porto Novo, com 25 veículos operacionais e 30 motocicletas. As equipes trabalharam para manter a fluidez do trânsito, coibir o estacionamento irregular, ordenar os cruzamentos, orientar motoristas e pedestres e efetuar os bloqueios necessários.

Inaugurado novo BRS no Centro

Também nesta quinta foi inaugurado o corredor BRS Estácio-Carioca, que vai dar mais fluidez ao trânsito, com uma faixa exclusiva para ônibus. O BRS vai fazer o caminho de volta do BRS Carioca-Tijuca, inaugurado em setembro. O BRS Estácio-Carioca faz parte do plano para minimizar os impactos no trânsito com o fechamento da Perimetral, marcado para as 19h do dia 2 de novembro. O novo corredor permitirá redistribuição operacional de 15% das linhas intermunicipais que vêm de Niterói e São Gonçalo, promovendo a integração com o Metrô, na estação Estácio.

O corredor tem 4,2 quilômetros de extensão e começa na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, passa pelo Largo do Estácio, segue pela Rua Estácio de Sá, Rua Frei Caneca, Túnel Martins Sá, Avenida Henrique Valadares, Rua da Relação, Avenida Chile e Largo da Carioca, até a Avenida Almirante Barroso. Com a implantação, vai haver inversão de mão na Rua do Matoso, trecho entre a Rua Santa Amélia e a Praça da Bandeira.

A Perimetral também será fechada para testes no fim de semana. No sábado, o elevado fecha no sentido Gasômetro das 14h às 17h. A Via Binário abre no mesmo horário e sentido. Segundo o prefeito, esse teste não será feito mais cedo para não prejudicar os estudantes que farão o Enem. Também no sábado, a CCR Barcas vai inaugurar a nova estação na Praça Arariboia, em Niterói, com o objetivo de atender o aumento da demanda de passageiros na ligação entre a cidade e o Centro do Rio. Já no domingo, os dois sentidos da Perimetral ficarão fechados entre 14h e 17h, no mesmo período em que a Via Binário do Porto estará aberta.

A Via Binário do Porto será aberta de vez ao trânsito de veículos no mesmo dia em que a Perimetral for fechada. A implosão do elevado, no trecho entre o Gasômetro e Armazém 6, na Praça Mauá, será iniciada duas semanas depois, no dia 17.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/rodrigues-alves-sera-fechada-no-dia-14-para-implosao-da-perimetral-1-10523928#ixzz2igbndhRD 
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Engenheiro que construiu a Perimetral lamenta a demolição

24/10/2013 - O Globo

Emílio Ibrahim acredita que construção de mais de 30 anos poderia ser somada à revitalização da Zona Portuária

PAULO ROBERTO ARAÚJO 

O engenheiro Emílio Ibrahim foi secretário de Obras do antigo Estado da Guanabara, no governo Chagas Freitas
Foto: Pablo Jacob / O Globo
 O engenheiro Emílio Ibrahim foi secretário de Obras do antigo Estado da Guanabara, no governo Chagas Freitas Foto: Pablo Jacob / O Globo
O engenheiro Emílio Ibrahim foi secretário de Obras do antigo Estado da Guanabara, no governo Chagas Freitas Pablo Jacob / O Globo

RIO - Ele se emociona quando fala da demolição da Perimetral. Aos 88 anos, mas com a saúde em dia, o engenheiro Emílio Ibrahim conta com detalhes as dificuldades e as vitórias que teve para construir o elevado entre a Praça Quinze e o Gasômetro. Secretário de Obras do antigo Estado da Guanabara no governo Chagas Freitas (1971-1975), Ibrahim começou e deixou prontas 80% das obras do elevado, que foram concluídas e inauguradas pelo governador do novo Estado do Rio, Faria Lima, em 1978, após a fusão dos dois estados.

— Sou a favor da revitalização da Zona Portuária, só tenho aplausos, mas não concordo com a demolição da Perimetral. Tenho certeza de que a obra só poderia somar no projeto de revitalização, porque liga dois eixos importantes da cidade e fica no coração urbano do Rio — diz.

Quando foi nomeado secretário de Obras, Ibrahim abraçou o antigo projeto de ligação da Zona Sul do Rio com a Avenida Brasil e com a futura Ponte Rio-Niterói. Até então, existia apenas um viaduto — hoje trecho da Perimetral — entre o Aeroporto Santos Dumont e a Praça Quinze, com alças de entrada e saída próximo à Candelária.

— O projeto começou no antigo Distrito Federal e estava parado havia 20 anos porque o Ministério da Marinha não admitia que o elevado passasse sobre as instalações do Primeiro Distrito Naval. Eu tinha uma boa relação com o então ministro dos Transportes, Mário Andreazza, que ajudou na busca do financiamento para a obra. Escolhi, então, um bom técnico, o engenheiro Renato da Silva Almeida, para comandar o Departamento de Estradas de Rodagem e executar a obra — recorda.

Ibrahim lembra que naquela época havia a preocupação de se construir um elevado para tirar do Centro o tráfego pesado entre a Zona Sul e a Avenida Brasil:

— Havia uma preocupação com o caos após a inauguração da Ponte Rio-Niterói. Por isso se projetou a Perimetral. O projeto era muito ousado para a época. As vigas de aço foram encomendadas à Companhia Siderúrgica Nacional. Fui a Volta Redonda várias vezes para negociar a compra das vigas. Era uma tecnologia única na época. Foi uma obra muito bonita e muito bem.
Morador do Leblon, Ibrahim trabalhou na conclusão das obras do Maracanã. Mas guarda em casa fotografias e documentos da construção da Perimetral, que usa quando viaja para o interior.

— Como a maioria do povo, acho um absurdo a demolição da Perimetral. As outras opções não vão funcionar porque o tráfego não vai fluir livremente como flui no elevado. Fico triste com essa coisa absurda que é a derrubada da obra — conclui.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/engenheiro-que-construiu-perimetral-lamenta-demolicao-10525276#ixzz2igayUtOP 
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Prefeitura do Rio interdita Elevado da Perimetral para testes

24/10/2013 - Agência Brasil

Rio de Janeiro – A interdição do Elevado da Perimetral deu hoje (24) aos motoristas uma ideia dos impactos que o fim do viaduto terá no trânsito da zona portuária. A prefeitura fez nesta quinta-feira a primeira avaliação da medida em dia útil, ao fechar o trecho entre o Viaduto do Gasômetro e a Praça Mauá, e usar a Via Binário como rota alternativa. Durante o teste, alguns motoristas reclamaram do congestionamento que se formou nas proximidades da via.

O secretário municipal de Transportes, Carlos Osório, já havia admitido que o trânsito na região central da cidade piorará com o fechamento da Perimetral, no próximo dia 2, mas disse que as mudanças são necessárias para melhorar a locomoção geral na cidade. De acordo com Osório, toda a operação ocorreu dentro do previsto em relação ao impacto no trânsito, mas houve falha de comunicação nas empresas de ônibus, já que muitos motoristas não sabiam das mudanças de itinerário.

"A avaliação foi positiva, e o teste nos deu a oportunidade de fazer alguns ajustes durante a operação para ver como funcionará [o trânsito] quando a Perimetral for fechada", disse o secretário. Segundo ele, houve falhas, como a desinformação dos motoristas de ônibus, que desconheciam as mudanças de itinerário, o que prejudicou o tráfego.

Osório ressaltou que, até a interdição do elevado, haverá reuniões para avaliação dos testes – inclusive os do próximo fim de semana – e será possível diminuir os impactos no trânsito.

O esquema para orientar motoristas contou com 340 homens, entre guardas municipais, controladores da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) e da concessionária Porto Novo. Mesmo assim, alguns motoristas reclamaram de informações confusas dadas por operadores sobre o acesso à Via Binário. Parte do projeto de revitalização da zona portuária, a nova via deverá amenizar os impactos causados pelo fim do Elevado da Perimetral, que será demolido no dia 17 de novembro.

O motorista de táxi Ricardo Coutinho, de 50 anos, disse que ficou confuso no acesso à Via Binário e que alguns operadores não conseguiam explicar as mudanças de trajeto. "Queria entrar em uma rua, perguntava para algum operador, que não conseguia me responder e pedia para que perguntasse a outro. Recebi um folheto que ajuda, mas não foi o suficiente."

Leonardo Silva, de 28 anos, operário que trabalha na construção da Binário, espera que o trânsito melhore com a inauguração da via, pela qual passou nas três horas em que ficou aberta. "A via, em si, está muito boa, com bastante sinalização. Estou na esperança de que o trânsito da região melhore, e muito orgulhoso de fazer parte disso."

Edição: Nádia Franco

Bom senso no fechamento da Perimetral

24/10/2013 - O Globo

Leia: Interdição da Perimetral vai afetar dois milhões de usuários de ônibus

EDITORIAL

Prevaleceu a sensatez na decisão da prefeitura do Rio de adiar, do fim de semana passado para o próximo dia 2, a interdição definitiva do Elevado da Perimetral — com o consequente alargamento do prazo, até 17 de novembro, para a demolição do viaduto. Intervenção incluída no projeto Porto Maravilha, de resgate da Zona Portuária de sua longa trajetória de degradação, essa obra, para além de suas preocupações paisagísticas, tem papel inestimável nos planos viários para racionalizar o trânsito naquela região do Rio, com reflexos amplos na cidade.

Afeta, por sua dimensão e pela área a ser beneficiada, boa parcela da população carioca e do fluxo de pessoas que, vindas da Baixada e da Zona Oeste, se movimentam diariamente por ali. É sensato, portanto, que as grandes modificações previstas para aquele trecho da cidade, que fazem parte de um programa mais abrangente de mudanças urbanísticas em curso no município, sejam antecedidas de testes, estudos e, sobretudo, muita informação para orientar motoristas e usuários do serviço de transportes coletivos.

Este intervalo para testes será importante para a prefeitura corrigir eventuais falhas antes de submeter o novo desenho viário da região — com a abertura da Via Binário, a alternativa para o fluxo de veículos do Elevado — à prova do fechamento de uma via por onde passam, por hora, cerca de 2.500 veículos. A importância de algumas medidas já em curso é expressa em números. Por exemplo, a transferência, para as imediações do Into, do ponto final de 20% da frota de ônibus oriunda da Baixada e da Zona Oeste representa, de imediato, a supressão de 360 viagens desses veículos para o Centro, só na parte da manhã. Sem dúvida, um impacto positivo no trânsito.

O prazo para a implementação definitiva das mudanças viárias na Zona Portuária, em razão do necessário ajuste entre o cronograma das obras e os inevitáveis transtornos delas decorrentes, é ponto essencial na discussão sobre as mudanças previstas para a região. Fora de questão, a opção pela demolição do Elevado se impôs como a solução urbanística mais de acordo com a necessidade de o Rio se redesenhar para o futuro. O prefeito Eduardo Paes reconhece que transformações tão radicais como as que estão sendo introduzidas no plano urbanístico da cidade, aí incluída uma revisão profunda no sistema viário, exige algum grau de sacrifício num primeiro momento. E que se deve medir os benefícios a serem colhidos, a longo prazo, pela população.

Neste momento em que toda a cidade passa por um processo de intervenções urbanísticas, não se pode fugir dos transtornos. Em decisões já tomadas, eles são inevitáveis. Mas podem ser mais bem dimensionados em projetos em estudo — caso, por exemplo, do fechamento ao trânsito da Avenida Rio Branco, uma proposta ainda em aberto

Prefeitura do Rio fecha Elevado da Perimetral para testes no trânsito

24/10/2013 - O Globo

Motoristas enfrentam retenções em vias da Zona Portuária

Perimetral será fechada definitivamente em 2 de novembro

PRISCILLA AGUIAR
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES
RODRIGO BERTHONE

Fechamento do Elevado da perimetral para testes Foto: Pablo Jacob / O Globo
Fechamento do Elevado da perimetral para testes Foto: Pablo Jacob / O Globo

RIO — A prefeitura do Rio fechou o Elevado da Perimetral, no trecho entre o Gasômetro e a Praça Mauá, ao meio-dia desta quinta-feira para novos testes no trânsito do Centro e da Zona Portuária antes do fechamento definitivo do viaduto. Este é o primeiro teste em um dia últil. Os motoristas encontraram dificuldades na Via Binário do Porto, que serve de alterantiva à Perimetral, até por volta de 13h30m, quando o trânsito já era melhor. O trecho mais prejudicado ficava entre as ruas Souza e Silva e Rivadávia Corrêa. Em outros vias da Zona Portuária, o trânsito também ficou complicado. Para tentar reduzir o congestionamento, a Secretaria municipal de Transportes já improvisou: os ônibus que saíam da Binário foram proibidos de seguir pela Rua Souza e Silva. Dessa forma, os coletivos são obrigados a seguir até a Avenida Rio Branco. A maioria dos motoristas reclama das mudanças e dizem que os operadores de trânsito não estão preparados para dar informações.

Por volta de 14h, o trânsito na Via Binário, altura da Rua da Gamboa, tinha boas condições, assim como no acesso da via, na altura do Gasômetro. No mesmo horário, o trânsito também era bom na Rua Ecuador. Já na Avenida Venezuela, havia lentidão a partir da Barão de Tefé até a Rua Sacadura Cabral. Já as avenidas Rodrigues Alves e Francisco Bicalho apresentam lentidão para quem segue em direção ao Centro. O tráfego está lento no Elevado do Gasômetro, em direção ao Centro, na altura do Into. Uma queda de carga na rotatória da Rua Santo Cristo, na altura da Praça do Santo Cristo, deixa o tráfego em meia-pista. Ainda na Zona Portuária, um acidente envolvendo um motociclista ocupa uma faixa da via, sentido Centro, altura da Rodoviária Novo Rio.

No início da tarde, a CET-Rio instalou mais dois painéis informativos para os motoristas se orientarem sobre a circulação na Via Binário. Com isso, os painéis passaram de 30 para 32. O diretor de operações da CET-Rio, Joaquim Dinis, rebateu as críticas feitas por motoristas de que os operadores não estão preparados para informar os usuários. Segundo ele, o papel dos operadores é garantir o fluxo do trânsito.

O acesso para a Via Binário é feito pela faixa da esquerda do Viaduto do Gasômetro (sentido Centro), logo após a entrada para a Perimetral. Motoristas que seguem pela Via Binário podem optar por acessar a Perimetral, logo após a Praça Mauá, e seguir até a Avenida General Justo. Outra opção é continuar até o final da Via Binário e acessar a Avenida Venezuela, para chegar ao Centro.

A operação conta com a participação de 340 homens, entre guardas municipais, controladores da CET-Rio e da Concessionária Porto Novo, com 25 veículos operacionais e 30 motocicletas. As equipes trabalham para manter a fluidez do trânsito, coibir o estacionamento irregular, ordenar os cruzamentos, orientar motoristas e pedestres e efetuar os bloqueios necessários.
Inaugurado novo BRS no Centro

Também nesta quinta foi inaugurado o corredor BRS Estácio-Carioca, que vai dar mais fluidez ao trânsito, com uma faixa exclusiva para ônibus. O BRS vai fazer o caminho de volta do BRS Carioca-Tijuca, inaugurado em setembro. O BRS Estácio-Carioca faz parte do plano para minimizar os impactos no trânsito com o fechamento da Perimetral, marcado para as 19h do dia 2 de novembro. O novo corredor permitirá redistribuição operacional de 15% das linhas intermunicipais que vêm de Niterói e São Gonçalo, promovendo a integração com o Metrô, na estação Estácio.

O corredor tem 4,2 quilômetros de extensão e começa na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, passa pelo Largo do Estácio, segue pela Rua Estácio de Sá, Rua Frei Caneca, Túnel Martins Sá, Avenida Henrique Valadares, Rua da Relação, Avenida Chile e Largo da Carioca, até a Avenida Almirante Barroso. Com a implantação, vai haver inversão de mão na Rua do Matoso, trecho entre a Rua Santa Amélia e a Praça da Bandeira.

A Perimetral também será fechada para testes no fim de semana. No sábado, o elevado fecha no sentido Gasômetro das 14h às 17h. A Via Binário abre no mesmo horário e sentido. Segundo o prefeito, esse teste não será feito mais cedo para não prejudicar os estudantes que farão o Enem. Também no sábado, a CCR Barcas vai inaugurar a nova estação na Praça Arariboia, em Niterói, com o objetivo de atender o aumento da demanda de passageiros na ligação entre a cidade e o Centro do Rio. Já no domingo, os dois sentidos da Perimetral ficarão fechados entre 14h e 17h, no mesmo período em que a Via Binário do Porto estará aberta.

A Via Binário do Porto será aberta de vez ao trânsito de veículos no mesmo dia em que a Perimetral for fechada. A implosão do elevado, no trecho entre o Gasômetro e Armazém 6, na Praça Mauá, será iniciada duas semanas depois, no dia 17.

Paes pede compreensão à população do Rio

Por conta de possíveis transtornos no trânsito do Centro e da Zona Portuária, o prefeito Eduardo Paes pediu, nesta quarta-feira, compreensão à população e incentivou a carona solidária:

— Estamos fazendo melhorias viárias e implantando VLT e BRT. E é necessário que o sofrimento vivido desde sempre seja ampliado para que a gente deixe de sofrer de vez. Precisamos de compreensão da população e compreensão significa também mudança de rotina. É preciso fazer um esforço. Um morador da Barra, por exemplo, que segue acessa a Avenida Brasil e o Centro pela Linha Amarela pe combinar com o vizinho de ir junto no mesmo carro.

Segundo o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, medições da CET-Rio mostraram que em uma hora, no horário de pico, a média de passageiros por carro que passa na Perimetral é de 1,4.

A interdição definitiva da Perimetral havia sido adiada na quinta-feira passada. O fechamento estava inicialmente marcado para o dia 19. Na ocasião, o prefeito definiu que o trânsito passaria testes antes da interdição. No domingo, foi realizado o primeiro teste: a Perimetral ficou fechada e a Via Binário do Porto foi aberta. A estratégia foi definida como "soft-opening" para a população ir se habituando. Segundo ele, vários fatores colaboraram para o adiamento da interdição definitiva.

O prefeito citou os questionamentos do Ministério Público sobre os planos de mitigação de impactos no trânsito, o fato de as obras nas estação Arariboia das Barcas só ficarem prontas neste sábado e o leilão do pré-sal que foi realizado na segunda, em um hotel na Barra da Tijuca.

Na terça-feira da semana passada, a prefeitura do Rio e e a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (CDURP) já haviam sido notificadas pelo MP para que a interdição não ocorresse sem que as medidas para minimizar impactos no trânsito fossem totalmente colocadas em prática.

Mudanças nos itinerários dos ônibus

Como medida para adaptar o trânsito na cidade para a mudança, desde segunda-feira, os itinerários de algumas linhas de ônibus sofreram alterações. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, foi feita uma racionalização para reduzir o fluxo no Centro. Vinte por cento da frota de ônibus paradores provenientes da Baixada e da Zona Oeste pela Avenida Brasil passaram a ter como ponto final um terminal ao lado do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Caju, Zona Portuária.
Nesta terça-feira, o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, afirmou que pelo menos 360 ônibus provenientes da Baixada não entraram no Centro do Rio, entre 6h30m e 9h30m. O número equivale a 20% dos coletivos paradores que vêm da região em direção ao Centro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-do-rio-fecha-elevado-da-perimetral-para-testes-no-transito-10523928#ixzz2ieohTgCk 
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Prefeitura não prioriza projetos habitacionais no Porto

24/10/2013 - Jornal do Brasil

Governo municipal privilegia complexos empresarias à construção de residências
 
O projeto inicial de revitalização da região portuária incluía, além das alterações em mobilidade urbana e na infraestrutura, a revitalização das moradias já existentes na região e a criação de novos complexos habitacionais, cujo resultado seria o repovoamento da região. Apesar do projeto, moradores afirmam que o local está sendo utilizado para a construção massiva de complexos empresariais, por seu caráter econômico mais vantajoso. Isso tornaria a região portuária uma extensão do Centro da cidade, com rotina movimentada e ativa apenas em horário comercial. A derrubada da Perimetral é o marco principal desse processo de suposta revitalização, mas não livra a região do seu futuro iminente: abandono e esvaziamento.

>>Paes confirma implosão do Elevado da Perimetral para 17 de novembro

>>Perimetral: polêmica muito além do caos no trânsito

O período noturno e os fins de semana deixariam a região portuária tão deserta quanto atualmente, se transformando em um reduto para casos de violência e a instalação de moradores de rua. Isso resultaria em um afastamento ainda mais intenso do resto da população, o que vai de encontro com o próprio conceito de revitalização. Além da melhoria de mobilidade questionável, o projeto agora revela a falta de compromisso do poder público com a população local, totalmente ignorada no projeto. O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), Agostinho Guerreiro, critica a postura da Prefeitura e não acredita em uma revitalização que desconsidera a construção de moradias.

"Não é o ideal porque quando se falou em revitalização, a ideia é revitalizar o porto e com isso, incluir a população. Qual o conceito de revitalização? É não ter uma cidade morta em nenhum momento do dia. E o que acontece com a cidade do Rio na parte da noite é que uma grande parte da cidade é morta, exatamente pela prioridade que foi se dando à parte de edificações institucionais, voltadas para serviços e comércio. São atividades que transcorrem fundamentalmente durante o dia", explica Agostinho.

O engenheiro ainda comenta sobre o modelo adotado em outras grandes cidades, que garantiram a união entre complexos comerciais e residenciais. "As grandes metrópoles do mundo, quando fizeram projeto de revitalização, trataram exatamente de mesclar áreas mortas, por esse tipo de situação, com habitação. Mesmo em áreas que já eram destinadas a instituições, eles incluíram edifícios habitacionais. E nos próprios edifícios institucionais foram mesclados andares voltados para o trabalho [comercial e de serviço], com residências. Isso proporciona um bairro com vida 24 h por dia. Com esse projeto, vamos ficar com a região do porto sem ser revitalizada e o Centro permanece esvaziado", alerta.

Agostinho ainda ressalta que o projeto inicial apresentado pela Prefeitura incluía a recuperação dos bairros antigos, como a Saúde e o Santo Cristo, revigorando suas partes residenciais já existentes, expandindo e mesclando com o setor de serviços. Também previa a criação de moradias de diversos padrões, envolvendo classes altas e baixas e que a mudança no projeto, priorizando edifícios não residenciais, significa "uma perda de oportunidade para a cidade".

Os moradores da região reclamam que o governo impôs um projeto de edificação na região portuária, sem incluir um debate com a população. Um critica, junto com os demais moradores, a postura da Prefeitura. "Não conversaram nada, não falaram nada com ninguém, simplesmente avisaram que vai ser prédio comercial e ponto. Está todo mundo reclamando, queremos chamar o Prefeito pra abordar a situação e ver se conseguimos conversar sobre o assunto", reprova.

A presidente da Associação dos Moradores do Morro da Conceição, Márcia Regina, afirma que nenhum tipo de investimento foi realizado na localidade e que a chegada de empreendimentos comerciais tem sido intensa. "Aqui no Morro da Conceição nada foi feito, a Prefeitura deixou muito a desejar aqui. Fizeram uma obra 'para gringo ver', abriram a rua toda porque iam fazer fiação subterrânea e a obra não foi finalizada. Tem uns postes aqui no meio da calçada, e as pessoas são obrigadas a andar no meio da rua. Tem dez dias que uma criança foi atropelada", reclama Márcia.

A moradora ainda reclama do processo de desapropriação realizado no local, que retirou alguns dos moradores antigos para criação de estabelecimentos de comércio. Segundo Márcia, nenhum dos moradores retirados recebeu qualquer tipo de indenização ou realocação. Denúncias como essa já haviam sido feitas por outros moradores. A ação do governo municipal, que desapropriou mais de cem mil pessoas, teria violado o direito à posse, feito propostas inadequadas de reassentamento e/ou de indenização, ignorado realização de aviso prévio adequado, e ainda feito intimidação e ameaças.