segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Porto Maravilha: Programa de reformas

30/09/2013 - Valor Econômico 

O adensamento da ocupação e a valorização da região do porto do Rio de Janeiro devem proporcionar um considerável ganho de receita para a cidade. Só no ano passado, a região da intervenção urbana batizada como Porto Maravilha obteve arrecadação extra de IPTU de R$ 9,6 milhões, de acordo com Jean Caris, subsecretário de Planejamento e Modernização da Gestão da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro. Para 2019, a estimativa de receita com Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na região é de R$ 230 milhões, apesar das várias isenções fiscais que o projeto prevê para as unidades habitacionais. O valor corresponde a 15% dos cerca de R$ 1,5 bilhão que a prefeitura carioca arrecada por ano com o tributo.

O aumento de receita é um dos vários efeitos multiplicadores que o programa de revitalização da zona portuária carioca deve proporcionar, disse Caris durante o seminário "Porto Maravilha - Benefícios e Oportunidades", realizado pelo Valor na última quinta-feira, em São Paulo. A prefeitura projeta uma nova dinâmica econômica, urbana e social para essa área de 5 milhões de m2 - hoje considerada uma das mais degradadas do centro. O projeto prevê a recuperação e revitalização urbana em 15 anos - prazo do contrato de Parceria Público Privada firmado entre o município e a concessionária Porto Novo, união das construtoras Odebrecht Realizações Imobiliárias, OAS e Carioca Engenharia. Os investimentos previstos são de R$ 8 bilhões sem a participação de recursos municipais. A intervenção está sendo financiada pela venda de certificados de potencial adicional de construção (Cepacs). O título permite a construção, em áreas específicas e previamente autorizadas, de edificações maiores que o previsto na lei de zoneamento da cidade.

De acordo com Caris, a área licenciada para construção na região, que foi de apenas 17 mil m2 em 2008, um ano antes do primeiro mandato do prefeito Eduardo Paes (PMDB), cresceu gradativamente e multiplicou-se por dez no ano passado, chegando a 172,7 mil m2 licenciados. Com a evolução do programa, o crescimento tem sido ainda maior: chegou a 454 mil m2 licenciados de janeiro a agosto deste ano, mais de duas vezes e meia o total do ano passado.

"Estimamos que o valor geral de vendas de imóveis da região em 15 anos será de R$ 70 bilhões", afirmou Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), a companhia de economia mista criada pela prefeitura para acompanhar a intervenção. A julgar pela amostragem da primeira obra residencial lançada, a posição estratégica da região vai despertar o interesse do público. O edifício residencial lançado - juntamente com três hotéis que somam mil quartos e três torres comerciais - vai disponibilizar 1.333 apartamentos. A prefeitura reservou mil unidades para os servidores municipais. Na abertura das inscrições dessas mil unidades apareceram dez candidatos por apartamento.

O interesse pelos empreendimentos de cunho comercial também se mostrou aquecido nessa primeira fase. De acordo com Daniel Villar, superintendente da Odebrecht, o primeiro lançamento comercial, com 330 salas de escritório, 350 quartos de hotel e 50 lojas foi inteiramente vendido em 48 horas. O executivo acredita que a região será valorizada por conta da perspectiva de crescimento da economia do Rio de Janeiro acima da média nacional nos próximos anos. O motivo são os grandes eventos - sobretudo esportivos, como a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos - e pela nova onda de desenvolvimento da indústria de óleo e gás a partir da exploração do pré-sal. A própria Odebrecht está prestes a oficializar a transferência de todas as suas unidades no Rio para a área do porto. Hoje a construtora mantém escritórios espalhados por dez diferentes endereços na cidade.

A intervenção prevista na região segue a linha adotada em outras grandes cidades do mundo de voltar-se para as zonas portuárias e de valorização do centro. No caso do Rio, o projeto ajuda a resgatar uma área de valor histórico e cultural. A região tem vários edifícios tombados pelo patrimônio histórico e abriga aparelhos culturais importantes, como o Museu de Arte e o Teatro Municipal. Além disso, a região está estrategicamente a uma curta distância da zona sul, da rodoviária, da Linha Vermelha e dos aeroportos.

O presidente da Cdurp classifica a operação urbana Porto Maravilha como "um laboratório para o espaço urbano de uma cidade saudável". Segundo Gomes Silva, a revitalização vai interromper a tendência de o Rio fugir de sua área central.

O gerente nacional da Caixa Econômica Federal, Vitor Hugo dos Santos Pinto, responsável pela gestão do fundo de investimento que arca com os custos da operação revelou no encontro que até o ano passado 53% dos lançamentos imobiliários da cidade ocorreram no eixo Barra da Tijuca-Jacarepaguá, na zona oeste da cidade. Segundo o executivo, existe demanda para 8 milhões de m² de habitações populares na cidade. A região do Porto poderia responder por 2,5 milhões de m².

Para atrair esse público, a prefeitura oferece uma série de isenções, enquanto o consórcio responsável investe na implantação, revitalização e substituição da infraestrutura existente. A concessionária Novo Porto também responde pela manutenção da área - inclusive com a coleta de lixo - durante os 15 anos da concessão. A estrutura viária contará com 70 quilômetros novos, incluindo uma via expressa de 3,4 quilômetros, dos quais 2,8 quilômetros de túnel. Essa via está praticamente pronta e vai substituir o viaduto que hoje corta a área e que foi um dos responsáveis pela degradação ambiental e urbana.

A ideia é que a região priorize os pedestres e seja um espaço de convívio. Os projetos preveem a construção de ciclovias e bulevares. Segundo Ponte, haverá 44 mil m de passeio público. Para baratear as obras e desestimular o uso de veículos particulares, os novos edifícios estão dispensados da exigência de garagem.

A promessa é de que toda a área seja integrada ao sistema de transporte da cidade. Nas vias que já estão sendo entregues pela concessionária, por exemplo, um espaço já foi reservado par a circulação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a ser construído posteriormente e entregue até 2016. A região do porto está próxima a duas estações de metrô e da principal estação de trens metropolitanos do Rio, a Central do Brasil. Também está próxima do terminal de barcas que liga a capital a Niterói. O projeto do trem de alta velocidade (TAV), que ligaria o Rio a São Paulo, também prevê uma gare nas imediações. As interligações poderão ser feitas por VLT.

Também está prevista a instalação de uma rede de fibra ótica para 100% da área. O aluguel da rede para tráfego será oferecido a todas as operadoras de telecomunicações, disse José Renato Ponte, presidente da concessionária Porto Novo. A ideia é baratear o acesso a serviços como telefonia, internet e TV por assinatura, já que a intenção é ter na área do porto um amplo convívio entre diferentes segmentos sociais. Além da rede de fibra, toda a infraestrutura será aterrada: cabos de energia, redes de água e esgoto, gás etc. A concessionária vai usar uma tecnologia que permite mapear o subsolo por intermédio de tablets. Para saber por onde passa uma determinada rede, basta acionar o sistema e ele mostra, no local, onde se encontra o que se procura. Ponte garante que essa técnica porá fim à quebradeira desnecessária das ruas.

Desafio é conjugar habitação e atividade econômica

Transformar a região do porto carioca de um lugar de passagem em um ponto de encontro, em que as pessoas possam morar, trabalhar, conviver, realizar suas compras, ir ao cinema, ao teatro e restaurantes. A tarefa de revitalizar a região passa necessariamente pelo desafio de encontrar um equilíbrio que dê atratividade a ela, disseram participantes do seminário Porto Maravilha, promovido pelo Valor. Uma das formas de assegurar o sucesso da intervenção é promover uma mescla de finalidades para a região. Além de escritórios, existe a preocupação de atrair moradores. Hoje, a região conta com 32 mil moradores, mas poderia receber mais de 100 mil, estima a prefeitura da cidade.

O porto é, hoje, uma área degradada, violenta e sem atividade comercial relevante. Está repleta de galpões antigos, quase todos invadidos. Encontra-se ocupada por moradores de rua - grande parte vinculada ao consumo de crack. Permitir que a população circule em segurança depois das 19h e se disponha a viver e conviver na área requerer uma transformação capaz de torná-la dinâmica o bastante para atrair os novos empreendimentos com esse perfil.

Vitor Hugo dos Santos Pinto, gerente nacional da Caixa Econômica Federal e responsável pelo fundo de investimentos que custeia a intervenção urbana Porto Maravilha disse que será necessário atrair projetos que sirvam como âncora para o público. Não basta ter moradores, se eles tiverem de sair de lá para fazer suas compras, argumentou. A ideia, portanto é ter equipamentos como shoppings centers. Segundo ele, mobilidade e infraestrutura são importantes, mas centros de compra asseguram o fluxo de pessoas.

Daniel Villar, superintendente da Odebrecht Realizações Imobiliárias, também acha que a região precisa de um shopping, mas defendeu a instalação de outros equipamentos urbanos "menos óbvios", como na área de saúde - hospitais e centros de diagnóstico, por exemplo - e de educação: escolas, creches e universidades. Para ele, a diversificação das atividades vai permitir que a região não funcione apenas "de segunda a sexta-feira em horário comercial".

A intervenção terá, porém, que enfrentar o grande gargalo de tráfego que a região do porto representa, disse Luiz Carlos de Souza Lobo, diretor de operações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). Segundo ele, a área fica na confluência de tráfego de quem chega e sai da cidade por rodovia, pela Ponte Rio-Niterói e pelos aeroportos e linhas férreas. Ele acha que o investimento em mobilidade terá de ser ampliado.

Para Jean Caris, subsecretário de Planejamento e Modernização da Gestão da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro, o programa representa "uma nova visão de desenvolvimento urbano e nova visão de desenvolvimento imobiliário". Caris elogiou o modelo de financiamento da intervenção, realizado por meio de Parceria Público Privada (PPP) em que todo o investimento é feito pela receita da venda de Cepacs (certificados de potencial adicional de construção), sem comprometer a capacidade de investimento do poder público municipal.

Leiloados pela primeira vez em 2011, os Cepacs adquiridos pelo fundo que administra a intervenção já se valorizaram. O fundo adquiriu os direitos por R$ 545 cada. Hoje cada um vale R$ 1.280, afirma o presidente da Cdurp, Alberto Gomes Silva. Só a valorização já alcançada seria suficiente para cobrir os custos de R$ 8 bilhões da intervenção e ainda remunerar as cotas do fundo, afirma o presidente da Cdurp. Do estoque de 6,4 milhões de Cepacs colocados pela prefeitura do Rio, um terço já foi negociado e convertido em obras.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cidade da Polícia Civil é inaugurada no Rio com três anos de atraso

29/09/2013 - Estado de São Paulo

Projeto orçado em R$ 170 mi foi erguido em terreno doado em 2009 ao governo do Estado por uma fábrica de cigarro

Com três anos de atraso em relação ao cronograma original, foi inaugurada neste domingo (29) a Cidade da Polícia, no bairro do Jacaré, zona norte do Rio de Janeiro, moderno complexo que vai abrigar 14 delegacias especializadas e 3 mil agentes da Polícia Civil fluminense. O projeto, orçado em R$ 170 milhões, foi erguido no terreno doado em 2009 ao governo do Estado por uma fábrica de cigarros. A área é considerada estratégica, por ficar próxima de vias expressas e das favelas de Manguinhos e do Jacarezinho - duas das mais violentas da cidade no passado, mas que atualmente possuem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

O espaço possui nove blocos. A área de treinamento dos policiais terá favela cenográfica, estande e casa de tiros. O estande foi projetado pela mesma empresa que construiu o utilizado por agentes do FBI, a Polícia Federal americana. Na casa de tiros, os agentes poderão treinar com armas letais. O ambiente conta com revestimentos nas paredes que absorvem os disparos. E a favela cenográfica possui barracos, lajes e becos, projetada para simular esconderijos e confrontos com traficantes de drogas.

"Temos hoje o melhor centro de treinamento de policiais da América Latina. Este prédio era sinônimo do momento de decadência econômica que o Rio de Janeiro passava no início do meu governo. A Souza Cruz encerrou as atividades aqui e o seu então presidente me procurou, oferecendo o terreno ao Estado. Sabíamos que essa região estava decadente por causa da violência, com várias empresas saindo daqui, mas que poderia voltar a ser uma área nobre com investimentos em infraestrutura e segurança", afirmou, em tom de campanha, o governador Sérgio Cabral (PMDB) ao discursar para uma plateia formada por centenas de policiais civis e autoridades.

Além dele, discursaram com elogios à atual administração o vice-governador Luiz Fernando Pezão, pré-candidato do PMDB à sucessão de Cabral, o secretário Estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Paulo Melo (PMDB).

A Cidade da Polícia possui nove blocos. As delegacias especializadas ficarão concentradas no maior dos prédios, de cerca de 9 mil metros quadrados. O projeto contempla ainda área de convivência com lanchonetes e restaurante, auditório, estacionamento e heliponto suspenso.

A mudança das delegacias especializadas para a Cidade da Polícia será feita de forma gradativa. Atualmente a maioria delas funciona num prédio alugado no bairro do Andaraí, zona norte da cidade.

O novo complexo deverá estar em pleno funcionamento em novembro. Atualmente já foram transferidos o Esquadrão Anti-Bombas, a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil fluminense.

Também funcionarão na Cidade da Polícia a Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter), Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), Delegacia de Defraudações (DDEF), Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), Delegacia do Consumidor (Decon), Delegacia Fazendária (Delfaz), Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (DFAE), Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), e Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC). 

Peu das Vargens, uma feroz especulação imobiliária

29/09/2013 - O Globo

RIO - Em 47 anos, a doméstica aposentada Joana D'Arc Cremonez, de 66 anos, nunca mudou de endereço, na Estrada do Pontal. Mas é como se morasse em outro lugar, bem diferente do meio do mato em que foi viver aos 19 anos, cercada de plantações de legumes, verduras e frutas por todos os lados, acompanhando a família vinda de Porciúncula, no Norte do estado. E ela não gosta nada do que vê atrás do muro dos fundos de casa: o terreno está pronto para a expansão de mais um dos condomínios que hoje "dão mais do que chuchu na serra" em Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e parte de Recreio, Jacarepaguá e Barra, a área de 52 Km² incluída no Projeto de Estruturação Urbana que ficou conhecido como PEU das Vargens, de 2009. Trata-se de uma região maior que a Barra, que tem 48 Km2.

— Tudo piorou. Antes não precisávamos comprar nada. Vagem, feijão, cebolinha, nabo, beterraba... Até arroz se colhia no brejo. Na encosta, era cheio de bananas. A Estrada do Pontal era de barro. Não tinha restaurante, posto de gasolina, nem a comunidade do Morrinho, que já tem umas 50 casas. Hoje, chove e alaga tudo, pois está tudo entupido — conta Joana, cuja casa passou a fazer parte do Morrinho, que cresceu ao redor dela. — Aqui agora é assim: se alguém tem um pouco de dinheiro, compra um terreno, espera valorizar e vende para um condomínio.

Assim na favelinha, como nas áreas de classe média. Que o diga a geógrafa Ana Hardman de Castro, de 27 anos, 22 deles vivendo na chácara dos pais, casa comprada pelo avô na década de 1980, também na Estrada do Pontal, uma área com vocação para moradias de alta renda, por ser perto da praia e do acesso da Grota Funda:

— Vários sítios têm sido vendidos para virar condomínios. Agora estão chamando a região de "Pontal Oceânico", por causa de um condomínio. Até nosso CEP já mudou, como acontece quando se cria um bairro. Meus pais estão se sentindo motivados a vender o nosso. Já tentaram comprar para fazer um albergue aqui.

O que Ana e Joana veem de camarote, pesquisadores da UFRJ, UFF, PUC-Rio e PUC-Campinas observam com olhar acadêmico desde o ano passado, num estudo multidisciplinar - com apoio da Faperj, da Fapesp e do CNPq - previsto para ser concluído em dezembro. Arquitetos, geógrafos e biólogos se debruçam sobre as mudanças climáticas e de ocupação urbana, fazendo estudos comparativos de tipos de ocupação e indicadores socioambientais para adaptação de situações de vulnerabilidade e risco da região, de áreas inundáveis, às quais o Plano Lúcio Costa previa o uso agrícola. Eles elaboram cenários comparativos entre a realidade atual e o que está por vir, em vários aspectos: vegetação, volume de chuvas, temperatura, umidade, paisagem sonora, cheiros, mercado imobiliário... Tudo em busca de argumentos sobre como planejar se não essa parte da cidade, onde a lei já vigora e as mudanças acontecem rapidamente, outras, para as quais dá tempo de estudar melhores formas de expansão urbana.

— O que está acontecendo em Vargem Grande e arredores é irreversível. Este PEU já está ai. Mas há cerca de 20 outros em discussão, como Guaratiba. Estamos acumulando argumentos suficientes para mostrar que esse ritmo pode ser catastrófico. É uma forma de medirmos as consequências e pensarmos outras formas de edificar a cidade de forma mais consequente e adequada às características dos terrenos. Vamos continuar repetindo erros do passado, depois de tanta evolução técnica, científica e social? A gente não quer que aconteça ali o que aconteceu com a Zona Norte. Veja o custo que vai ser resolver o problema da Praça da Bandeira — diz Vera Tângari, doutora em Arquitetura e Urbanismo que coordena a Pós-graduação em Arquitetura da UFRJ e é uma das supervisoras da pesquisa, que envolve cerca de 20 professores, mestrandos, doutorandos e bolsistas. — A cidade é multidisciplinar. Não dá para pensar só na arquitetura e no urbanismo. Tem gente que quer resolver tudo com os chamados tetos verdes. Mas o problema é maior. Vendemos um Rio valorizado pela paisagem que estamos destruindo. E a paisagem cumpre funções importantes.

Nos anos 1970, todo o Rio passou a ser considerado área urbana. E a cidade logo passou a crescer na direção das Vargens. O grande boom imobiliário da região começou em 2000, e em 2009 entrou em vigor o PEU, que criou parâmetros urbanísticos capazes de turbinar ainda mais esse boom. Ao estabelecer o gabarito máximo de cada um dos 11 setores em que a região foi dividida, variando entre dois e 18 andares, o projeto instituiu o mecanismo da outorga onerosa: com o pagamento de uma contrapartida à prefeitura, o construtor tem a opção de erguer prédios com mais pavimentos. No setor A, entre a Avenida das Américas e o Canal do Cortado, por exemplo, o gabarito de três andares se transforma em seis com o pagamento da taxa.

O arquiteto com mestrado e doutorado em geografia Leonardo Name, da PUC-Rio, usou os dados de potencial construtivo previsto no PEU para fazer um cálculo simplificado de quantas pessoas a região pode ganhar se as taxas de ocupação forem levadas ao máximo permitido. A perspectiva é assustadora: Vargens e arredores podem receber mais de um milhão de pessoas. Em 2010, de acordo com o Censo, viviam 43.259 pessoas no Camorim, em Vargem Grande e Vargem Pequena. Na Barra, que tem só uma pequena parte no PEU, a população era de 135.924 moradores.

— Claro que o potencial máximo nunca é atingido. Sabemos que isso (chegar a um milhão de moradores) não vai acontecer e muito menos de forma rápida. As condições ambientais da região atrapalham também. Com os solos moles não dá para ter garagem no subsolo, por exemplo, e é preciso usar a superfície para estacionamentos. Mas é importante mostrar esse número de um milhão para pensarmos na magnitude do impacto que a lei permite — avalia Name. — O PEU aumenta muito o número de unidades em terrenos que, em sua maioria, eram vazios. Isso gera problemas de impermeabilização, numa área de baixada que fica junto à montanha, como acontece em Jacarepaguá. E, mais importante do que o possível aumento de população é a repetição do modelo de ocupação da Barra. É preciso lembrar que nos anos 70 a Barra era uma restinga, de lagoas limpas, e hoje tem uma deficiência sanitária enorme, que já se nota nas Vargens.

Ironicamente, segundo Name, a palavra saneamento não é citada uma única vez no texto do PEU. Quando o assunto são os transportes, há uma única menção, que determina que se faça a "complementação e implementação do sistema viário projetado para a região, prevendo a implantação de sistema de transporte de massa e sistema cicloviário". E é só. Detalhes da execução dessas vias ou dos trajetos das ciclovias, no entanto, não existem.

- Na maioria das vezes em que se menciona a infraestrutura no PEU, diz-se que deverá haver compatibilização entre a infraestrutura instalada e o adensamento das áreas. O problema é o abismo que há entre a letra da lei e sua execução - lamenta o pesquisador.

A bióloga Rita Montezuma, professora da UFF que se dedica à ecologia urbana, lembra que o principal problema do Rio é a chuva, principalmente no verão:

- E há relatos disso na região desde o século XVII, pelos beneditinos. No entanto, nosso planejamento é totalmente alheio a isso. Não faltam instrumentos de conhecimento, mas sim políticas públicas. É preciso ter em mente que os espaços não são nem física em socialmente iguais. E essa visão homogeneizadora provoca a descaracterização do que é ser carioca: com condomínios que tentam se bastar, cria-se ruas desertas, fragmentação, isolamento, até em termos políticos.

- Nossa crítica principal é que quem define a forma que a cidade toma é o mercado, que faz o que é mais barato para construir e o mais caro para vender. Construir edifícios de centro de terreno forma uma cidade de torres e tira a vitalidade das ruas, como na Barra. Seria possível construir a mesma quantidade de unidades de outra forma - acrescenta Name, para quem a maior contribuição que as simulações em curso podem dar é mostrar que a legislação não desenha a cidade, não a projeta. - Ela trata o mercado urbano como se fosse geométrico, considerando apenas taxa de ocupação, gabarito e índice de aproveitamento do terreno, como uma maquete eletrônica.

Para o estudo, a região das Vargens foi dividida em quatro unidades de paisagem: floresta (mais preservada), encosta, planície (onde o solo precisa ser impermeabilizado) e orla (já consolidada). Os pesquisadores estão priorizando a planície — como as estradas dos Bandeirantes, do Rio Morto e do Sacarrão, filés mignons do mercado, porque são eixos importantes —, onde há áreas em que até 25 metros de profundidade o que se tem é lama. Fazer a fundação de edifícios nesses terrenos requer muitos aterros e investimento. Segundo Vera, o fato de trocar gramados por pavimentação vai impactar a drenagem dos terrenos. Alagamentos são inevitáveis.

Uma outra frente de trabalho do grupo é o registro do atual panorama sonoro e olfativo da região. Segundo a arquiteta e urbanista Andréa Queiroz Rego, com mestrado e doutorado em acústica, com o fim das chácaras, os sons produzidos por animais domésticos, pela fauna silvestre e pelo baixo tráfego de veículos estão sendo substituídos por sons de condomínio, latidos, música e gritos. O material vem sendo gravado com equipamento especial e anotado em fichas. Um dos itens detalha o fundo sonoro (como o de um rio, por exemplo), eventos sonoros (como a passagem de uma moto), sinais sonoros (buzinas, campainhas) e marcos sonoros patrimoniais (sino de igreja, campainha de recreio de escola). Mas também há registros de clima (temperatura, umidade, direção e velocidade do vento, insolação) e vegetação (para ajudar a documentar a fauna), além da síntese da paisagem urbana (se o espaço é pavimentado, como é o mobiliário urbano, e os odores que se destacam, como cocô de cavalo, jaca podre e abricó do mato). Odores como o de cocô de cavalo e jaca podre tendem a desaparecer. Também será analisada a valorização dos imóveis, a partir da comparação de preços atuais com os de anúncios de venda publicados em classificados de jornais ao longo de 2010.

- Mesmo sem o aumento do fluxo de veículos, só com os novos prédios já aumenta o ruído. Os edifícios mais altos em frente às vias provocam espelhos de som - explica a arquiteta Maria Lygia Niemeyer, que faz as simulações a partir do ruído urbano a ser gerado com a ocupação prevista. - Hoje é região praticamente deserta. As pessoas usam muito bicicleta. As mudanças vão descaracterizar a paisagem sonora.

Outro ponto a ser analisado será a valorização dos imóveis, detectada a partir da comparação de preços atuais com os de anúncios de venda publicados em classificados de jornais ao longo de todos os domingos de 2010, que foram guardados por Rita Montezuma.

- Na Barra, o processo de ocupação levou 30 anos. Nas Vargens, será muito mais rápido. A área está crescendo muito de 2008 para cá. Principalmente, por causa das Olimpíadas. Mas, com a valorização imobiliária e os novos moradores de classe média alta, vem também as favelas, já que a vizinhança demanda mão de obra que não terá onde morar. Já são cerca de 15 delas na região - observa Vera.

A Secretaria municipal de Urbanismo informa que monitora os impactos da lei na região e que vem estudando mudanças, considerando a relação adequada entre a ocupação, o meio ambiente e os impactos viários decorrentes do adensamento. Mas não detalha que mudanças são, nem quando serão apresentadas.

sábado, 28 de setembro de 2013

Corporate no Porto Maravilha

26/09/2013 - Isto É Dinheiro, Clayton Netz

A João Fortes Engenharia vai implantar um empreendimento comercial de alto padrão, no Porto Maravilha, o gigantesco programa de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro. Com um valor geral de vendas de R$ 230 milhões, o Porto 1 Rio Corporate tem como alvo principal as pequenas e grandes empresas, ligadas à exploração do petróleo na área do pré-sal.

Obras avançam na Barra

26/09/2013 - Site Governo do Estado

A etapa principal das obras de esgotamento sanitário do Eixo Olímpico, na Barra da Tijuca, começaram a ser executadas nesta quarta-feira (25/09). Os trabalhos, realizados pela Cedae e Secretaria do Ambiente, entraram na fase "jet grouding", onde a máquina abre um túnel e faz a concretagem simultaneamente.

Orçadas em R$ 70 milhões, as obras já têm 40% do andamento concluído. As novas tubulações ligarão a rede de esgotos da região à nova Elevatória Olimpíada, localizada na Rua Imperatriz Leopoldina. Elas terão capacidade para bombear até 1.100 litros de esgoto por segundo para a Estação de Tratamento da Barra.

- Já estamos finalizando o poço de 14 metros de profundidade onde instalaremos o sistema de bombeamento. Isso permite que nós nos antecipemos aos problemas. No passado, os empreendimentos surgiam e tínhamos que correr atrás de infraestrutura. Essa é uma obra projetada para o crescimento da região nos próximos 25 anos. As construções que chegarem já estarão conectadas - afirmou o presidente da Cedae, Wagner Victer.

Para o secretário do Ambiente, Carlos Minc, as obras na Estação Olimpíada representam uma peça estratégica do que falta executar para o saneamento nas áreas onde ocorrerão as competições de 2016. Ele destacou ainda que o Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam) já investiu cerca de R$ 700 milhões no tratamento de esgoto de toda bacia do sistema lagunar da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá.

- Do ponto de vista do saneamento formal da Barra, Recreio e Jacarepaguá, passamos de zero para 60% de esgoto tratado nos últimos seis anos. Temos estações de tratamento, emissário submarino de cinco quilômetros e 22 elevatórias. Já temos mais R$ 500 milhões do Fecam para fazer mais redes, conexões e elevatórias que faltam nos próximos dois anos e concluirmos nosso compromisso em setembro de 2015, antes do previsto - disse Minc.

O secretário afirmou ainda que o Governo do Estado vai iniciar, em outubro, as obras de dragagem nas lagoas da região. Segundo ele, estão previstos a construção de uma ilha ecológica, ampliação do Quebra Mar em mais 180 metros e de cinco estações de barcas - que serão operadas pela prefeitura.

- O conjunto de todas essas obras vai melhorar as condições de saúde dos moradores e balneabilidade das praias da região - finalizou Minc. .

Bairro Maravilha beneficia 836 mil pessoas na Zona Norte

25/09/2013 - O Dia, Christina Nascimento

Um pacote de obras vai mudar o visual de 22 bairros da Zona Norte do Rio. As melhorias na área de infraestrutura serão no valor de R$ 657,4 milhões e beneficiarão aproximadamente 836 mil moradores, através do Programa Bairro Maravilha. A reurbanização inclui obras em 975 ruas - o que totaliza 326 quilômetros de vias restauradas -, e mudança em toda a rede de drenagem. As calçadas serão adaptadas para pessoas com necessidades especiais e haverá plantação de mudas de árvores em vários pontos.

As obras, que prometem repaginar as áreas, serão iniciadas em Anchieta e Ricardo de Albuquerque. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, as licitações para contratar a empresa responsável pelos serviços serão feitas na semana que vem. Estão na lista também Madureira, Bento Ribeiro, Marechal Hermes, Guadalupe (1 e 2), Rocha Miranda, Honório Gurgel, Colégio, Coelho Neto, Bonsucesso, Ramos, Olaria, Engenho de Dentro, Méier, Engenho Novo/Sampaio, Cachambi, Maria da Graça e Del Castilho. Localidades do Centro, como Cidade Nova, Benfica, Rio Comprido também serão revitalizadas.

A informação agradou a moradores de bairros que serão contemplados "Tudo aqui está largado, com aspecto de que foi esquecido no tempo. A sensação que eu tenho é que paramos no passado. Espero realmente que isso saia do papel, pode haver até valorização dos imóveis", afirmou a auxiliar adminstrativa, Joseane Santos, 36 anos, de Bento Ribeiro.

Para a o vendedor Nilson Moreira da Silva, 54, que mora há 12 anos em Madureira, não bastam as obras. "Espero que esse projeto traga uma melhoria até na qualidade de vida das pessoas que moram no bairro. Isso signfica que a revitalização pode ser tão maior que englobe inclusive a retirada de usuários de crack nas ruas. Não adianta apenas melhora o bairro na questão de infraestrutura".

A dona de casa Maria das Graças de Souza, 55, de Marechal Hermes, reclamou que no bairro a situação das ruas provoca acidentes. "Os idosos ficam à mercê dos buracos. Seria muito bom que consertassem", disse.

Toda rede de drenagem deve ser trocada até 2016

A previsão é de que, no máximo, até 2016, toda a rede de drenagem já existente nesses 22 bairros tenha sido trocada, o que vai melhorar o escoamento de águas da chuva, evitando inundações. Por onde as obras vão sendo feitas, há um trabalho paralelo de paisagismo.

"Estas obras resgatam a autoestima do subúrbio carioca. Já levamos melhorias a outros pontos da Zona Norte e agora vamos entrar nestes bairros", afirmou o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto. A secretária Claudia Santos, 26 anos, acredita que em Rocha Miranda o visual do bairro seja prioridade: "Precisamos de árvores, flores, de uma praça melhor para crianças. Vamos ver se isso sai do papel, porque a situação está bem caótica. Um local bem cuidado muda até o astral dos moradores".

Essa será a segunda etapa do projeto na Zona Norte. Na primeira, que começou em 2009, o foco foram 17 bairros -Pavuna, Costa Barros, Barros Filho, Cascadura, Quintino, Turiaçu, Parada de Lucas, Vila dos Ferroviários, Oswaldo Cruz, Engenho Novo, Jardim América, Anchieta, Parque Anchieta, Jacaré, Mariópolis, Parque Esperança e Rua Coronel Josué e entorno. Nesta etapa, estima-se que o programa tenha beneficiado 318.219 cariocas.

Moradores denunciam invasão de unidades vazias por traficantes

Enquanto isso, em outra área da Zona Norte, o Bairro Carioca, em Triagem, a situação é pouco animadora. Muitos moradores reclamam que apartamentos vazios do condomínio, que faz parte do Programa Minha Casa, Minha Vida, estão sendo invadidos por traficantes.

Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, todas as unidades serão entregues até o fim do ano a seus donos.

De acordo com moradores, devido à demora na entrega dos imóveis, bandidos foram atraídos pela falta de segurança e facilidade em entrar nas unidades. Aparelhos de ar-condicionado do Centro Esportivo foram furtados e os banheiros estão quebrados.

Janelas dos lotes a serem entregues foram danificadas. "Há venda de drogas em alguns apartamentos vazios e até na quadra de esportes. A criançada joga bola enquanto o tráfico age nas proximidades, especialmente onde eram os banheiros", conta uma moradora. Moradores que já receberam apartamentos pedem solução para problemas que apareceram após a conclusão das obras, mas estão mais preocupados com a falta de segurança.

Plano para tratar areia de praias da Ilha

Ainda na Zona Norte, na Ilha do Governador, haverá obras no valor de R$ 18 milhões. Na Praia da Guanabara, na Freguesia,serão implantados novos decks e 20 modernos quiosques com banheiros.

As intervenções serão também para construir uma rede de drenagem no local em complemento à existente, eliminando línguas negras ao longo da faixa de areia. O investimento é de R$ 9 milhões, tendo prazo previsto de execução, segundo a Rio Águas, seis meses. Já na Praia da Bica, a areia vai passar por um tratamento para melhorar sua qualidade. Também está sendo construída uma galeria no entorno da orla, a fim de eliminar deságues de águas das chuvas. O prazo de conclusão é julho de 2014.

Dentro do mesmo programa, já foram feitos 700 metros de novas galerias pluviais para eliminar pontos de alagamentos na Ilha do Governador, um das principais reclamações de infraestrutura dos moradores da região.

Novos shoppings vão abrir 18.450 empregos no estado

26/09/2013 - O Dia, Osni Alves

Rio - O mercado de trabalho fluminense será beneficiado com sete novos shoppings em construção no Grande Rio e na Baixada Fluminense. As incorporadoras estimam que serão criados 18.450 mil empregos diretos até 2016. Os interessados devem estar cadastrados nas principais agências de empregos, gratuitas, do estado, já que a contratação é feita diretamente com as lojas.

No próximo dia 22 será inaugurado o Pátio Alcântara, em São Gonçalo. Foram investidos R$ 82 milhões e as 81 lojas empregaram 950 trabalhadores. Vagas remanescentes podem ser acessadas no local.

Duque de Caxias, na Baixada, também ganhará outro centro comercial. Em 2015, será aberto o Central Park Caxias, que terá cinco mil empregos diretos. Orçado em R$ 217 milhões, o lançamento está pré-agendado para novembro.

Os dois novos empreendimentos são da carioca ABL Shoppings. O grupo pretende construir também um em Jacarepaguá, outro em Santa Cruz, ambos na Zona Oeste do Rio, além do Alcântara Plaza, em São Gonçalo. Nenhum deles têm previsão de lançamento. Outra empresa, a General Shopping Brasil, constrói o Parque Shopping Sulacap, também na Zona Oeste.

DEMANDA REPRIMIDA

Sócio-diretor da GS&BW Consultoria, especializada em shoppings, Luiz Alberto Marinho afirma que a expansão dos centros comerciais se dá, principalmente, em novos mercados. Porém, no Rio, a ascensão da população de baixa renda cria demanda que, até então, estava reprimida.
"Há cinco, sete anos, os moradores do subúrbio carioca e da Baixada, por exemplo, não tinham acesso a este tipo de empreendimento, e precisavam se deslocar para desfrutar dos shoppings e até para trabalhar", frisou Marinho.

Mercado é destinado à nova classe média
Diretor da ABL Shoppings, Vicente Pierotti também enfatiza que estes empreendimentos segmentados são alavancados pela nova classe média no estado. "Com a queda da inflação, o aumento da renda e a estabilidade do poder de compra, uma parte considerável da população começou a consumir", disse, acrescentando que, com isto, foi percebido que os shoppings não estavam ao alcance desta camada social.

"Nosso primeiro shopping, o Boulevard São Gonçalo, mostrou o potencial de negócios que o mercado C e D representa", frisa.

Segundo ele, o Pátio Alcântara, a ser entregue em outubro, foi construído em cima de um terminal rodoviário, que será repassado à prefeitura. "Embora destinado às classes C e D, os produtos e serviços oferecidos nestes shoppings precisam ter a qualidade como diferencial."

DEMOCRATIZAR
Luiz Alberto Marinho, da GS&BW Consultoria, afirma que para crescer nos mercados já consolidados, é preciso democratizar o acesso aos produtos e serviços. "Trata-se de uma conjunção entre conveniência e conforto. Ou seja, estacionamento, ar-condicionado e concentração de lojas são o que atrai esta parcela da população que, com mais dinheiro no bolso, está ávida por consumo", disse.

PÁTIO ALCÂNTARA

O empreendimento terá 81 lojas. Entre as âncoras, a incorporadora destacou a Leader e Casa & Vídeo, além de Di Santinni, Sonobello, Taco, Bagaggio, Oi, South, Sonho dos Pés, Bob's, Burger King, Subway, Spoleto e Batata Inglesa. A ABL Shoppings já informou que pretende expandir o empreendimento, cuja meta é investir R$ 1 bilhão em cinco anos.

COMÉRCIO DE RUA

Para o especialista, o comércio de rua não vai diminuir com a instalação de diversos empreendimentos deste porte em municípios fluminenses, e os centros de comércio não se opõem aos atrativos naturais do Rio de Janeiro. São os shoppings que deverão se adequar. "Fui gerente de marketing do Barra Shopping por quatro anos. Constatamos que nosso público acordava mais tarde ou passava muito tempo na praia. Optamos por abrir mais tarde", lembrou.

DADOS

Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers, o faturamento do setor representa 19% de todas as vendas do varejo nacional. O Rio de Janeiro tem, atualmente, 58 shoppings em operaç

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uso do carro aumenta e o de transportes coletivos cai no Rio

27/09/2013 - O Globo

Em dez anos, percentual de deslocamento individual motorizado no estado subiu de 25,8% para 28,5%. Enquanto isso, uso de transporte de massa caiu de 74,2% para 71,5%
 

Autor: Gustavo Goulart e Luiz Ernesto Magalhães  |  Postado em: 27 de setembro de 2013  |  Fonte: O Globo
Linha Vermelha engarrafada
Linha Vermelha engarrafada
créditos: Agência O Globo
 
A sensação de estar numa lata de sardinhas, toda vez que embarcava no ônibus em São Cristóvão para ir ao trabalho, no Centro do Rio, fez com que o garçom Márcio Duarte decidisse, há quatro anos, comprar uma moto para driblar o trânsito cada vez pior da cidade.
 
Além da superlotação, o aumento no tempo de deslocamento também pesou muito. Ele calcula que, em uma década, a curta distância entre um bairro e outro, que são quase vizinhos, foi estendida em pelo menos 20 minutos.
 
A mudança na rotina de Márcio é consequência dos problemas enfrentados diariamente por milhares de moradores do Rio, agora traduzidos em números no diagnóstico feito pelo Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU).
 
Entre outras coisas, o documento revela que, em dez anos, a população do estado segue na direção contrária da tendência mundial, que é a de apostar no transporte coletivo: entre 2002 e 2012, a proporção de usuários a optarem pelo deslocamento individual motorizado (táxis, motocicletas e carros particulares) aumentou de 25,8% para 28,5%, e a dos que usam o coletivo caiu de 74,2% para 71,5%.
 
— Comprei a moto devido ao trânsito e ao desconforto dos ônibus lotados. Durante um período de seis a sete anos, o trânsito ficou mais complicado para mim, muito em razão de obras. Antigamente, levava uns 15 minutos de viagem de ônibus até o trabalho. Hoje, levaria de 40 a 45 minutos, ou até mais, dependendo do que aconteça. Um acidente pode parar a cidade. De moto, levo dez minutos até chegar ao meu trabalho. Não vou mais em pé no ônibus — diz Márcio.
 
O sufoco de usuários dos serviços de transporte coletivo foi discutido, na quarta-feira, na primeira reunião do Conselho Municipal de Transporte, recém-criado pela prefeitura para buscar melhorias para a mobilidade urbana, após a onda de protestos iniciada em junho.
 
Os dados preliminares foram apresentados por técnicos do estado com base em dados de 19 cidades da Região Metropolitana (capital, Niterói e Baixada). O relatório final do PDTU só deve estar pronto em novembro.
 
O conselho tem 24 integrantes — metade são representantes do governo, e os demais, da sociedade civil. Mas, em suas cadeiras, não há sequer um representante de concessionárias responsáveis por serviços, como metrô e trens, exceto do Rio Ônibus.
 
A curva crescente de uso do transporte individual está enchendo as ruas de carros: em dez anos, são mais 660 mil viagens diárias em transporte individual. Destas, são 550 mil de carro e 110 mil em motocicletas — que parecem ter se consagrado como alternativa dos usuários para escapar dos engarrafamentos. No mesmo período, a população cresceu 9,3%.
 
Nem mesmo o acesso ao metrô, sempre considerado uma das melhores opções de transporte, tem sido capaz de garantir uma rotina menos desgastante. Com o passar dos anos e a falta de investimento em outros modais que complementassem o metrô, a qualidade do serviço também se deteriorou.
 
O advogado Victor Moura, de 44 anos, também comprou uma moto para ir de casa, na Tijuca, para o trabalho, no Centro, depois de anos usando o metrô. Agora que se mudou para a Barra é que não pensa mesmo em voltar a usar o transporte público. Quando chove ou precisa fazer compras, ele vai de carro.
 
— Antes eu usava o metrô, mas ele passou a ficar absurdamente lotado. Os furtos se tornaram frequentes. E a coisa só a piorou com a junção da Linha 2 — afirma o advogado.
 
Mais pobres perdem mais tempo no trânsito
A perda de tempo no trânsito é ainda maior entre os que têm menor poder aquisitivo. A população que ganha até dois salários mínimos reúne o maior percentual dos que perdem duas horas ou mais cada vez que saem de casa para ir ao trabalho, por exemplo.
 
Para os conselheiros, o crescimento maior do transporte individual foi favorecido pelo aumento do poder aquisitivo da população, aliado a políticas públicas, como a concessão de incentivos fiscais para montadoras de automóveis e o preço defasado da gasolina.
 
Em números absolutos, houve um aumento no total de passageiros que usa transportes coletivos. Os deslocamentos diários aumentaram de 9,3 milhões para 11 milhões. Juntos, metrô e trem representaram 87% desse aumento. A participação das vans caiu.
 
Os trabalhos do PDTU ainda não entraram na fase de propostas de indicadores a serem alcançados de metas de qualidade — consideradas fundamentais para mudar o quadro atual — e de iniciativas que estimulem o uso do transporte de massa:
 
— Medir a qualidade seria fundamental. O estudo não pode se limitar a dados matemáticos — disse o vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Pedro da Luz Moreira, que participou da reunião do conselho como representante da entidade.
 
Para a diretora do movimento Rio Como Vamos (RCV), Thereza Lobo, que também é conselheira, o estudo deveria propor parâmetros para melhorar a acessibilidade das estações de metrô e trens, levando em conta o fato de que a população está envelhecendo:
 
— O conjunto de informações é enorme. E exigirá reflexões sobre a melhoria do padrão de qualidade do transporte de massa.
 
Conselheiro, o engenheiro Fernando Mac Dowell observa que o conselho deve estar atento às diferenças na demanda pelos serviços:
 
— Outro grande problema é que o aumento da procura se dá de forma proporcional. No ramal de trens de Deodoro, houve um crescimento de 94% em detrimento das demais linhas.
 
Os técnicos do estado não quiseram comentar os dados do PDTU. O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, disse que a prefeitura já está investindo para estimular o uso do transporte público, com o BRT e o BRS, que, em 2016, passarão a responder por metade das quatro milhões de viagens diárias de ônibus na cidade do Rio.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Casas no subúrbio

21/09/2013 - O Dia, Informe do Dia

A Prefeitura decidiu estimular a construção de residências no entorno de ferrovias e de novas vias expressas como a Transcarioca. As propostas que serão enviadas pela Secretaria de Urbanismo à Câmara Municipal querem facilitar, entre outros pontos, a criação de novas vilas de casas no subúrbio. Não haverá mudanças no gabarito dos prédios.

Os técnicos ressaltam que bairros e regiões como Madureira, Grande Irajá e Grande Méier contam com boa infraestrutura urbana (redes de água, luz e esgoto), o que facilita sua ocupação.

Prefeitura vai assentar 2.200 famílias no Porto

20/09/2013 - O Dia, Alessandra Horta e Sthefanie Tondo

A Prefeitura do Rio anunciou ontem a construção de pelo menos 2.200 unidades de Habitação de Interesse Social financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, na Região do Porto Maravilha. Parte dos imóveis é destinada a moradores da área que vivem em local de risco e que serão removidos por questões de segurança.
As demais unidades poderão ser compradas preferencialmente por habitantes da região. É necessário que as famílias tenham renda composta de até três salários mínimos ou de três a seis mínimos.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, foram identificados 42 terrenos possíveis para a implementação das novas residências nos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

"Vamos desapropriar esses terrenos. A prefeitura vai comprar essas propriedades para fazer 2.200 unidades. Em média, nós vamos ter espalhados pela região empreendimentos com 200 unidades cada do Minha Casa, Minha Vida", explicou Paes.

Para isso, serão desapropriados imóveis em situação fundiária irregular, degradados ou abandonados, e unidades públicas da região.

"Vamos permitir uma habitação de interesse social, uma habitação mais qualificada, área residencial e área comercial. São imóveis privados a serem desapropriados, e também vamos reutilizar imóveis públicos da União, do estado e do município", afirmou o prefeito do Rio.

Morador da Lapa, Cosme Nascimento, 39 anos, afirma que gostaria de viver na Região Portuária com a mulher Rose Araújo, 29, e o filho Matheus, 8. "Ter uma casa própria já seria ótimo. E o Porto está melhorando muito, e é perto de tudo. Achei bom unir estabelecimentos comerciais com residências, assim tem mais movimento", disse.

Saiba como participar do programa de habitação

Podem participar do Minha Casa, Minha Vida maiores de 18 anos, que não possuam casa própria e tenham sido beneficiados por programas de habitação do governo. Para famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 2.034), a seleção será por sorteio e a preferência é de famílias com idosos e pessoas com deficiência. O financiamento é em até dez anos e as parcelas mínimas são de R$ 25. O valor do imóvel é de R$ 75 mil.

Para as famílias com renda de três a seis salários (R$ 4.068), as inscrições estão sujeitas a análise cadastral. Não há sorteios. O prazo para pagamento é de até 30 anos e as parcelas são calculadas conforme a renda. O valor do imóvel é de R$ 190 mil. O prefeito Eduardo Paes anunciou isenção de IPTU e ITBI para os compradores de casas na região.

Interessados devem ir aos postos da Secretaria Municipal de Habitação na Praça Pio X 119, Centro, ou no Shopping Bangu, na Rua Fonseca 240, 2º andar. As inscrições podem ser feitas pelo site www.rio.rj.gov.br/web/smh. Mais informações em 2976-7434 ou 2976-7446.

PORTO MARAVILHA

REURBANIZAÇÃO
O projeto tem como objetivo reintegrar a Região Portuária ao processo de desenvolvimento da cidade, por meio da construção de novas redes de água, esgoto e drenagem, além de mudanças viárias, implantação de ciclovias, plantio de 15 mil árvores e reurbanização de vias e calçadas.

NOVOS SERVIÇOS

Fazem parte do projeto a implantação de coleta seletiva de lixo e a instalação de bicicletários, entre outros. Além disso, estão previstas as instalações de creches, UPAs, escolas, integração entre diversos modais de transporte e geração de empregos, políticas voltadas para população que deve mudar para a região.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Também haverá implantação de projetos culturais, como o Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, e Museu do Amanhã, no Píer Mauá. Serão preservados ainda pontos históricos, como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso e o Centro Cultural José Bonifácio, entre outros.

SERVIDORES APRESENTAM DOCUMENTOS

Os primeiros 500 servidores classificados no sorteio promovido pelo Previ-Rio, para definição da ordem de preferência na escolha dos apartamentos do Porto Vida Residencial, devem entregar, entre os próximos dias 23 e 25, os documentos para análise de crédito do financiamento. A etapa será das 9h às 18h, no Clube do Servidor, na Cidade Nova.

A lista dos funcionários que precisam se apresentar está no site www.rio.rj.gov.br/web/previrio. Conforme a Coluna do Servidor do DIA antecipou, os imóveis serão financiados 100% pela Caixa Econômica Federal, com valores entre R$ 420 mil a R$ 590 mil. A prestação ficará entre R$3.712,89 e R$ 5.891,71. Será necessário levar identidade, CPF, comprovante de renda, residência e demais documentos de todos os compradores. Veja lista no site do Previ-Rio.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

COI volta a cobrar transporte e infraestrutura para Rio 2016

09/09/2013 - O Globo

Nuzman afirma: Maioria dos taxistas está em condições de receber visitantes

Nuzman fala ao COI em Buenos Aires: O Rio estará pronto Fabrice Coffrini / AFP
BUENOS AIRES Membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) se mostraram ontem preocupados com problemas enfrentados pelo Rio, como protestos, transportes e hospedagem, em reunião na capital argentina na qual autoridades da Rio 2016 fizeram uma apresentação sobre os Jogos. No evento, fechado para a imprensa mas transmitido por telões, o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, afirmou que o Rio estará pronto, apesar do trabalho que ainda falta.

Mas as declarações de Nuzman e do diretor-executivo de Esportes do comitê, Alberto Guimarães, não tranquilizaram alguns integrantes do COI, que pediram explicações sobre as manifestações na cidade e no resto do Brasil.

Temos uma democracia, e todos podem expressar sua opinião. Mas é importante considerar que a população ama os esportes, 72% da população respaldam os Jogos disse Nuzman. Essas coisas acontecem em vários países.

Com relação aos transportes, quando membros do COI lembraram problemas com taxistas cariocas, principalmente a dificuldade com outros idiomas, nos Jogos Pan-Americanos de 2007 (um deles afirmou, em tom irônico, que por essa limitação alguns visitantes acabaram em Buenos Aires), Nuzman respondeu:

Tem razão, naquele momento tínhamos problemas com o idioma. Não posso dizer que todos, mas a grande maioria dos taxistas, hoje, está em condições de receber os visitantes.

Também foram apontados problemas nas obras de infraestrutura e de instalações para os Jogos, como o Parque Olímpico de Deodoro algo já reclamado pelo COI uma semana antes, no Rio. O representante de Santa Lúcia no COI, Richard Peterkin, disse que o comitê carioca talvez tenha de aceitar que a situação é crítica em algumas áreas e fazer mudanças para garantir o êxito dos Jogos.

Guimarães afirmou que os projetos estão dentro dos prazos previstos, ressaltando que as obras em Deodoro começarão este mês.

Também começaremos a trabalhar no velódromo e no centro de esportes aquáticos. O campo de golpe olímpico será o primeiro concluído, em julho do ano que vem ampliou.

Nuzman prometeu que as opções de transporte de alta velocidade beneficiarão 60% da população em 2016.

Censo feito em 1906 é relançado nesta quinta-feira com curiosidades sobre a história carioca

29/08/2013 - O Globo

Publicação do IPP mostra um Rio de diferenças e semelhanças em relação à cidade atual.

RIO - Tão longe e tão perto. Uma população carioca com os nervos à flor da pele protestos de rua refletiam a insatisfação com as políticas públicas (soa familiar?) foi surpreendida com um decreto, em 13 de junho de 1906, do prefeito Pereira Passos, anunciando a realização de um censo demográfico. Os moradores da capital estavam obrigados a prestar todas as informações, sob pena de multas pesadas. Com a cidade tomada por obras grandiosas (o que provocara uma avalanche de desapropriações) e ainda com a Revolta da Vacina na memória, os habitantes ficaram desconfiadíssimos sobre como as informações pessoais seriam usadas no futuro. Houve quem apostasse em aumento de tributação, convocação para o serviço militar, contestações sobre títulos de propriedade

Mas, alheio às desconfianças, o Censo de 1906 foi concluído na metrópole de 811.443 habitantes. Polêmico na época, é tido hoje como um trabalho inovador e uma obra rara e histórica sobre o Rio. Afinal, ele foi o primeiro realizado exclusivamente para a cidade, que até então, participara apenas de censos nacionais. E revelou dados, por exemplo, pouco dignos de uma capital federal: 37% dos habitantes acima de 15 anos eram analfabetos... Bem diferente de hoje, em que o analfabetismo não chega a 3%. A população era jovem (média de 40 anos) e, em sua maioria, masculina (57%). Hoje, as mulheres já somam 53%. Ah, sim, estamos mais velhos: média de idade de 73 anos.

Essa preciosidade, que tem apenas poucos exemplares originais preservados, está ao alcance agora do público curioso sobre o passado da antiga capital federal. Técnicos do Instituto Pereira Passos (IPP) passaram os últimos meses debruçados sobre a tarefa de reeditar o Censo de 1906, agora transformado em livro (R$ 55), que será lançado nesta quinta-feira na livraria do próprio IPP. Em breve, estará nas grandes livrarias.

A missão do IPP é recolher dados de diferentes fontes. Embora o país tenha tido censos anteriores, esse é o primeiro dedicado à cidade. Era nossa obrigação resgatá-lo. Encontramos um exemplar no IBGE. Trata-se de um trabalho técnico da melhor qualidade. Por isso, tão inovador elogia Fernando Cavallieri, um dos gerentes da diretoria de Informação da Cidade do IPP.

Ricos e pobres já dividiam o espaço

Longe de ser um amontoado de números e tabelas, esse trabalho, feito por pesquisadores renomados da época, é um relato aprofundado sobre o Rio, com fotografias, mapas, informações históricas (desde a fundação da cidade) e análises sobre os dados coletados. E traz deliciosas curiosidades, principalmente para um censo, no qual o sigilo das informações deveria ser prioridade: a obra reúne um capítulo dedicado aos moradores mais velhos da cidade, com direito a fotos e detalhes sobre a saúde física de cada um. Chamam a atenção os personagens centenários: Josepha Cherubina Macabri, com 106 anos. A sua prole é representada actualmente por 2 filhos, e 13 netos. Tem uma só vista e, apezar disto, vê bem. Ouve e anda bem. Goza boa saúde, descreve um capítulo da pesquisa.

Se no Censo de 1900 os dados sobre o Rio ficaram incompletos (a cidade passava por problemas de saúde pública), o recenseamento de 1906 foi não apenas decretado como acompanhado de perto por Pereira Passos, que aproveitou a pesquisa para incluir fotos de suas obras pela cidade.

Entre as peculiaridades estava o método de coleta dos dados: os moradores receberam as fichas em casa para que as preenchessem. Mas, como boa parte da população era analfabeta, a ajuda dos recenseadores era requisitada com frequência.

Cavallieri diz que há, sim, semelhanças entre as duas cidades a do passado e a de hoje , como a mistura de ricos e pobres dividindo os mesmos bairros, por exemplo. Porém, ressalta, as diferenças são mais evidentes. Uma delas é a movimentação de crescimento da capital em direção à Zona Norte, em decorrência do esvaziamento do Centro após a abertura das grandes avenidas. Essa migração ocorreu, principalmente, em direção a Inhaúma, Engenho Novo e Engenho Velho. Bem diferente de hoje, em que o Rio cresce para a Zona Oeste. E, falando em densidade populacional, o Rio de 1906 era a maior cidade do país. Perdeu o posto para São Paulo.

Não por acaso, o lançamento nesta quinta-feira do Censo de 1906 do Rio de Janeiro coincide com o 177º aniversário de nascimento de Pereira Passos. Este ano também acontece o centenário de morte do ex-prefeito da antiga capital federal.

Prefeitura vai assentar 2.200 famílias no Porto

20/09/2013 - O Dia, Alessandra Horta e Sthefanie Tondo

A Prefeitura do Rio anunciou ontem a construção de pelo menos 2.200 unidades de Habitação de Interesse Social financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, na Região do Porto Maravilha. Parte dos imóveis é destinada a moradores da área que vivem em local de risco e que serão removidos por questões de segurança. 

As demais unidades poderão ser compradas preferencialmente por habitantes da região. É necessário que as famílias tenham renda composta de até três salários mínimos ou de três a seis mínimos.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, foram identificados 42 terrenos possíveis para a implementação das novas residências nos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

"Vamos desapropriar esses terrenos. A prefeitura vai comprar essas propriedades para fazer 2.200 unidades. Em média, nós vamos ter espalhados pela região empreendimentos com 200 unidades cada do Minha Casa, Minha Vida", explicou Paes.

Para isso, serão desapropriados imóveis em situação fundiária irregular, degradados ou abandonados, e unidades públicas da região.

"Vamos permitir uma habitação de interesse social, uma habitação mais qualificada, área residencial e área comercial. São imóveis privados a serem desapropriados, e também vamos reutilizar imóveis públicos da União, do estado e do município", afirmou o prefeito do Rio. 

Morador da Lapa, Cosme Nascimento, 39 anos, afirma que gostaria de viver na Região Portuária com a mulher Rose Araújo, 29, e o filho Matheus, 8. "Ter uma casa própria já seria ótimo. E o Porto está melhorando muito, e é perto de tudo. Achei bom unir estabelecimentos comerciais com residências, assim tem mais movimento", disse.

Saiba como participar do programa de habitação

Podem participar do Minha Casa, Minha Vida maiores de 18 anos, que não possuam casa própria e tenham sido beneficiados por programas de habitação do governo. Para famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 2.034), a seleção será por sorteio e a preferência é de famílias com idosos e pessoas com deficiência. O financiamento é em até dez anos e as parcelas mínimas são de R$ 25. O valor do imóvel é de R$ 75 mil.

Para as famílias com renda de três a seis salários (R$ 4.068), as inscrições estão sujeitas a análise cadastral. Não há sorteios. O prazo para pagamento é de até 30 anos e as parcelas são calculadas conforme a renda. O valor do imóvel é de R$ 190 mil. O prefeito Eduardo Paes anunciou isenção de IPTU e ITBI para os compradores de casas na região.

Interessados devem ir aos postos da Secretaria Municipal de Habitação na Praça Pio X 119, Centro, ou no Shopping Bangu, na Rua Fonseca 240, 2º andar. As inscrições podem ser feitas pelo site www.rio.rj.gov.br/web/smh. Mais informações em 2976-7434 ou 2976-7446.

PORTO MARAVILHA

REURBANIZAÇÃO 
O projeto tem como objetivo reintegrar a Região Portuária ao processo de desenvolvimento da cidade, por meio da construção de novas redes de água, esgoto e drenagem, além de mudanças viárias, implantação de ciclovias, plantio de 15 mil árvores e reurbanização de vias e calçadas. 

NOVOS SERVIÇOS 

Fazem parte do projeto a implantação de coleta seletiva de lixo e a instalação de bicicletários, entre outros. Além disso, estão previstas as instalações de creches, UPAs, escolas, integração entre diversos modais de transporte e geração de empregos, políticas voltadas para população que deve mudar para a região. 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO 

Também haverá implantação de projetos culturais, como o Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, e Museu do Amanhã, no Píer Mauá. Serão preservados ainda pontos históricos, como o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso e o Centro Cultural José Bonifácio, entre outros. 

SERVIDORES APRESENTAM DOCUMENTOS 

Os primeiros 500 servidores classificados no sorteio promovido pelo Previ-Rio, para definição da ordem de preferência na escolha dos apartamentos do Porto Vida Residencial, devem entregar, entre os próximos dias 23 e 25, os documentos para análise de crédito do financiamento. A etapa será das 9h às 18h, no Clube do Servidor, na Cidade Nova.

A lista dos funcionários que precisam se apresentar está no site www.rio.rj.gov.br/web/previrio. Conforme a Coluna do Servidor do DIA antecipou, os imóveis serão financiados 100% pela Caixa Econômica Federal, com valores entre R$ 420 mil a R$ 590 mil. A prestação ficará entre R$3.712,89 e R$ 5.891,71. Será necessário levar identidade, CPF, comprovante de renda, residência e demais documentos de todos os compradores. Veja lista no site do Previ-Rio.

Residencial é lançado na Zona Portuária

20/09/2013 - Monitor Mercantil

O prefeito Eduardo Paes participou nesta quinta-feira, no Clube do Servidor Municipal, do lançamento do Porto Vida, primeiro complexo residencial construído após o início da revitalização da Região Portuária. O prefeito anunciou ainda que encaminhará à Câmara Municipal projeto de lei que prevê isenções e anistia de impostos para empresas que investirem na construção de unidades habitacionais na área do Porto Maravilha. 

- Vamos consolidar o uso residencial nessa área do Sagas (que abrange os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo) e garantir que a gente possa ter dois milhões de metros quadrados de imóveis residenciais. São 26 mil residências que a gente quer construir na Região Portuária, o que significa que vamos trazer mais 100 mil moradores, criando um centro diferenciado para a cidade - explicou Paes. 

Os incentivos fiscais para a área do Sagas serão para imóveis residenciais e comerciais que sejam convertidos em residenciais nessa região. Eles terão a remissão de dívidas municipais, isenção de IPTU e de taxa de coleta de lixo e de Outorga Onerosa por acréscimo da área. Para imóveis residenciais na área com aumento de potencial de construção (Cepacs), incluindo a parte residencial de imóveis de uso misto, haverá isenção de IPTU, ITBI, e de taxa de lixo para os compradores de novos imóveis. 

Além da criação de incentivos na área do Sagas e das Cepacs, serão produzidas na região 2.200 unidades de Habitação de Interesse Social, com o programa Minha Casa, Minha Vida. Para isso, serão desapropriados imóveis em situação fundiária irregular, degradados ou abandonados, e imóveis públicos. 

- Esse é um momento de grande alegria porque percebemos que há sim um interesse em morar nessa região da cidade. Defendemos um Centro vivo com gente morando nele - disse o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), Alberto Gomes Silva. 

Porto Vida Residencial

Do total de 1.333 apartamentos do Porto Vida, 1.000 foram ofertados com prioridade aos servidores municipais. Eles foram selecionados em sorteio realizado pelo Previ-Rio na última segunda-feira. O interesse por esse empreendimento fez com 10.979 funcionários públicos da prefeitura se inscrevessem para a aquisição do imóvel. 

A relação dos candidatos está publicada no site do Previ-Rio .
Durante a cerimônia, três servidores municipais assinaram o termo de reserva de aquisição de imóvel no condomínio. A servidora pública Adriana Cupertino, da Secretaria Municipal de Fazenda, foi uma das sorteadas para a compra do imóvel e está muito confiante com o investimento:

- Quando vi como está a nova Região Portuária, decidi apostar nesse empreendimento. Achei muito bacana, sempre gostei de morar perto do trabalho.
Os primeiros 500 sorteados deverão entregar para análise a documentação exigida no estande montado no Clube do Servidor Municipal. Os documentos serão recebidos do dia 23 a 25 do setembro, das 10h às 18h.

O valor dos apartamentos de dois e três quartos varia de R$ 420 mil a R$ 590 mil. O conjunto de prédios vai abrigar a Vila de Mídia e a Vila dos Árbitros durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e depois das competições os imóveis serão entregues aos proprietários.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os túneis subterrâneos da Região Portuária

19/07/2013 - O Dia

Já dá para atravessar 1.480 metros do túnel entre a Praça Mauá e a Rua Primeiro de Março que fará parte da Avenida Binário, na Região Portuária. Outro túnel, com 2.570 metros de extensão e três pistas em cada sentido, ligará o Mergulhão da Praça 15 à Gamboa e integrará a Via Expressa, que receberá os carros que hoje usam a Perimetral. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Projeto prevê maravilha de cenário para a Barra da Tijuca

18/09/2013 - O Globo online, Maísa Capobiango

A dragagem e revitalização de todo o complexo lagunar da Barra e de Jacarepaguá; uma ilha-parque com trilhas, quadra de esportes e jardins; e o aumento do quebra-mar em 180 metros, com direito à construção de um restaurante panorâmico. A primeira ideia parece um sonho distante e as duas últimas, mirabolantes? Pois, segundo a Secretaria estadual do Ambiente (SEA), tudo isso está prestes a sair do papel.

- Após dois anos preparando o projeto e três audiências públicas em que foram apresentadas sugestões interessantes, como a mudança de localização da ilha-parque para uma área que tinha mais necessidade de ser recuperada, as obras começarão, finalmente, em meados de outubro - garante o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

De acordo com ele, os trabalhos de dragagem, a construção da ilha-parque e o aumento do quebra-mar serão realizados simultaneamente. O ponto de partida será a dragagem da embocadura do Canal da Joatinga. Dos sedimentos retirados, parte - cerca de um terço - irá para a área onde será construída a ilha-parque, entre as lagoas do Camorim e Tijuca. O restante será levado, temporariamente, para o Parque de Marapendi e para a área destinada ao Centro Metropolitano, antes de ser transportado para um aterro sanitário.

A previsão é que aproximadamente 5,7 milhões de metros cúbicos de sedimentos poluídos sejam retirados do fundo das lagoas, volume que daria para encher o equivalente a sete Maracanãs. O material a ser dragado é composto por argila, areia e silte (substância cuja partícula é maior que a argila e menor que a areia), além de material orgânico proveniente de esgoto lançados direta ou indiretamente no sistema lagunar. Com a conclusão da dragagem, a profundidade das lagoas vai variar de 1,5m a 3,5 m.

- Um dos pontos levantados durante as audiências públicas foi o mau cheiro (que poderia advir da dragagem). Mas as pessoas não precisam se preocupar. Como vamos usar um tubo direto de sucção e desidratar o material, o impacto neste sentido será mínimo - diz o secretário.

A ilha que será transformada em parque já existe, mas com tamanho bem menor. Após as obras, sua extensão será de 444.700 metros quadrados. 

Atividades de lazer e educativas estão previstas para o local. Haverá trilhas, ciclovias e um centro de referência ambiental que funcionará como um núcleo de estudos avançados dedicado a ações de manejo da natureza da região. Este será integrado por especialistas de universidades, da SEA e do Inea.

- Nossa intenção é criar um espaço de interação entre a comunidade e o meio ambiente. Haverá atividades para todas as idades - diz Minc.

O acesso à ilha-parque, conforme Minc, será feito por meio de balsas. O projeto de recuperação do complexo lagunar, que engloba a construção da ilha-parque e a expansão do quebra-mar, está orçado em R$ 602 milhões e faz parte das obrigações do Caderno de Encargos das Olimpíadas de 2016.

A pedidos, 5 estações hidroviárias

Durante as audiências públicas realizadas para discussão sobre a recuperação do complexo lagunar da Barra e de Jacarepaguá, um pedido antigo dos moradores acabou entrando para o projeto: a construção de cinco estações hidroviárias ao longo das quatro lagoas da região 
- Marapendi, Tijuca, Camorim e Jacarepaguá.

- Já que vamos fazer a dragagem, o que vai estimular a navegabilidade nas lagoas, realmente é um bom momento para aproveitar e pensar nas linhas hidroviárias - afirma o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc.

O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, garante que há vários anos a população da região cobra a criação destas linhas Para ele, é um sonho que se torna realidade.

- Esta é uma reivindicação antiga da Câmara. Aproveitamos as audiências públicas para mostrar que, já que seria feita a drenagem, o ideal seria aproveitar e fazer tudo de uma vez. O objetivo é que a pessoa possa sair da Península, por exemplo, e ir até a Alvorada pelas lagoas. Nós pedimos isso para evitar que, no futuro, aconteça a mesma desorganização que ocorreu com as vans. Daqui a pouco teremos um monte de barcos irregulares nas lagoas da Barra. O melhor é ordenar logo - opina Dumbrosck.

O projeto das estações hidroviárias está sob responsabilidade da Secretaria municipal de Transportes. Segundo o órgão, os estudos técnicos na região já estão sendo realizados, para, em seguida, ocorrer a apresentação do projeto que será licitado.

Píer com restaurante e Pepê limpa

Na embocadura do Canal da Joatinga, o projeto de recuperação do sistema lagunar vai prolongar o quebra-mar (hoje com 50 metros) em 180 metros, com a utilização de pedras das obras de construção da Linha 4 do metrô. Está prevista, ainda, a construção de um restaurante panorâmico no local, a cargo da iniciativa privada.

O aposentado João Alves Torres, morador de Rio das Pedras, pesca diariamente no quebra-mar. Ele acredita que o projeto vai trazer resultados positivos:

- É importante dragar este ponto e tirar as pedras que atrapalham a entrada e a saída da água. Acho que, com o aumento do quebra-mar, vai ficar melhor para pescar.

O comerciante Antônio Ferreira Cardoso, dono do quiosque Dona Augusta, está receoso, mas torce para que as obras melhorem a região:

- Tenho medo de que a faixa de areia aumente, com o quebra-mar maior, já que a tendência é o acúmulo mudar de lugar. Mas torço para que façam o melhor. Este restaurante que pensam em construir seria uma forma de atrair mais pessoas para cá.

De acordo com o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, Cardoso não tem o que temer: o objetivo da extensão do quebra-mar é potencializar a circulação da água entre o mar e a lagoa, o que evitará o assoreamento no local. 

Além disso, o trecho entre o quebra-mar e a Praia do Papê será contemplado pelo projeto Sena Limpa 2, o que também melhorará a balneabilidade.