domingo, 25 de junho de 2017

Chegada do metrô na Barra expõe o problema da falta de vagas

24/062017 - Veja

Aumento no fluxo de carros e escassez de estacionamento causa transtornos a moradores e comerciantes após abertura da estação no Jardim Oceânico

Por Luna Vale

Por três décadas, os moradores da Barra aguardaram ansiosos a chegada do metrô. A criação de uma linha conectada ao bairro, durante muito tempo, foi apontada como solução para os problemas de mobilidade na região. De fato, quem se desloca por ali já percebeu uma melhora considerável no tempo gasto no trânsito. O problema agora é outro. Para usarem a estação, perto do Elevado do Joá, muitos passageiros chegam de carro de pontos mais distantes da Zona Oeste e passaram a disputar as poucas vagas de estacionamento disponíveis no Jardim Oceânico. 

Bem cedo já está tudo lotado. Um considerável aumento no fluxo de veículos nas ruas internas e até pequenos engarrafamentos são outros transtornos mais recentes. Presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Oceânico e Tijucamar (Amar), Luiz Igrejas foi se queixar à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) e ao secretário de Transportes, Fernando Mac Dowell. Ele também entrou com um pedido de regulamentação das vagas, mas até agora nada foi feito. “Briguei tanto para o metrô chegar aqui e me arrependo disso, porque provocou essa bagunça. Se o poder público não ajuda, a gente pede que pelo menos não atrapalhe”, reclama.

(Reprodução/Veja Rio)

As alterações na rotina da área também estão atingindo diretamente os comerciantes locais. Se antes os clientes estacionavam em frente às lojas, muitos não têm mais onde parar. As vagas que eram utilizadas, em geral por curtos períodos, pelos frequentadores das galerias agora passam grande parte do dia ocupadas por quem deixa o carro por lá até a volta do trabalho. 

As consequências dessa mudança de comportamento já são sentidas por alguns lojistas, que viram o faturamento cair. “Meus clientes se queixam de que não têm onde estacionar e de que tiveram de dar três ou quatro voltas até encontrar uma vaga”, explica Riva Mandel, dona de uma loja de conserto de roupas no Shopping Armando Lombardi, a menos de 300 metros da estação. Procurada pela reportagem de VEJA RIO, a CET-Rio informou que estuda a possibilidade de implantação do sistema rotativo em algumas vias internas do bairro, apesar de já existirem cerca de 800 vagas públicas em um raio de 200 metros da estação. 

Outra reclamação comum de quem frequenta aquela parte do bairro diz respeito ao aumento da violência, especialmente de pequenos delitos. “A suspeita das autoridades é que a chegada do metrô tenha atraído mais criminosos devido ao crescimento da circulação por ruas menores e mais pacatas”, explica o delegado Marcus Neves, o novo titular da 16ª DP. Dados do Instituto de Segurança Pública sobre a área (Itanhangá, Barra da Tijuca e Joá) indicam um aumento de 129% nos casos de roubo de celular entre os meses de janeiro e abril, em comparação com o mesmo período de 2016.

Melhora de vida: Romario Melo passou a levar metade do tempo para chegar ao trabalho (Felipe Fitipaldi/Veja Rio)

Quem madruga para buscar uma vaga, no entanto, garante que o esforço vale a pena. Acostumado a gastar até duas horas por dia para chegar ao escritório, o gerente de produto Romario Melo passou a economizar tempo e dinheiro ao trocar o ônibus executivo pelo metrô. 

Diariamente, ele deixa sua casa, no Recreio, em direção a Ipanema. Todo o percurso agora leva quarenta minutos. “Tento vir antes das 9 horas, porque é mais fácil encontrar onde parar. Depois desse horário a situação fica bem mais complicada. Mesmo assim, se fosse de carro direto, gastaria mais tempo no trânsito e mais dinheiro com estacionamento e combustível”, comenta.

De olho nessa demanda, há um projeto em curso para a criação de um estacionamento privado subterrâneo na Praça do Ó. O grupo Autoparker também está levantando um estacionamento vertical com espaço para 85 carros, a cerca de 100 metros da estação, que abre as portas no fim do mês. A empresa já tem mais de 400 interessados, dispostos a pagar diária de 25 reais ou mensalidade entre 650 e 900 reais. 

“A chegada do metrô abriu novas oportunidades de negócio na região. No pior cenário, estimamos um retorno do investimento em até três anos”, projeta o empresário Andres Romero, um dos sócios do empreendimento.

Oportunidade: um novo estacionamento vai oferecer mais 85 vagas (Felipe Fitipaldi/Veja Rio)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Após fim dos Jogos Olímpicos no Rio, Vila dos Atletas não decolou

17/06/2017 - O Globo

Só 204 dos 3.604 imóveis de condomínio ocupado durante a Rio 2016 foram vendidos
   
POR RENAN RODRIGUES

O condomínio onde foi instalada a Vila dos Atletas durante a Olimpíada, na Barra: vendas serão feitas em etapas, diz administradora - Antonio Scorza / Agência O Globo

RIO - Após o sucesso de público durante a Olimpíada, o comerciante José Felipe de Araújo, que administra o bar do Bin Laden, instalado próximo ao condomínio Ilha Pura, erguido para sediar a Vila dos Atletas durante o torneio, sonha com o dia em que os novos moradores chegarão à região. Os bons ventos, porém, ainda vão demorar a soprar. Um dos legados olímpicos, o Ilha Pura, na Barra, permanece fechado. Dos 3.604 apartamentos, apenas 600 foram colocados à venda. Desses, apenas 240 foram comprados, ou seja, 40% das unidades anunciadas. Quase um ano após o fim da competição, a empresa homônima ao condomínio, formada pela CarvalhoHosken e Odebrecht Realizações Imobiliárias, não possui um calendário para a venda dos demais três mil imóveis.

Sem prazos concretos, o condomínio é um mistério no mercado imobiliário. Representantes do setor não sabem estimar o tempo necessário para que as vendas emplaquem. Na opinião do presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, dois fatores justificam o número inexpressivo de vendas. A crise econômica é uma das vilãs, mas uma particularidade do condomínio, que teve que ser erguido de uma vez só para atender aos atletas, pode ter atrapalhado as negociações. O padrão do mercado, diz Hermolin, é que empreendimentos de grande porte sejam construídos e vendidos em fases distintas para evitar uma enxurrada de imóveis com as mesmas características no mercado.

— Você tem, infelizmente, a conjugação de dois fatores: havia a necessidade de entregar todas as unidades ao mesmo tempo, uma particularidade que impede a entrega em fases; e a crise (econômica). Cada um desses eventos isoladamente já seria motivo suficiente para ter estoque — avalia.

Hermolin diz não ser possível estimar o tempo necessário para que as unidades remanescentes sejam comercializadas.

— A gente acredita que esse estoque será absorvido pelo mercado porque a Barra é vetor de crescimento da cidade, mas não sabemos o tempo.

A empresa Ilha Pura, que administra o condomínio, minimiza o quadro. Em nota, afirmou que “o volume comercializado certamente foi afetado pelo momento econômico do país”. A Ilha Pura diz ainda o que o planejamento era que a venda fosse realizada a longo prazo, de forma “coerente com o elevado número de unidades e com a capacidade de absorção do mercado imobiliário local”.

Presidente da Ilha Pura, Cláudio Zafiro diz que não está assustado com a demora:

— O projeto sempre foi muito a longo prazo. Esse tempo que a gente está tendo com o mercado (para a venda dos apartamentos) não assusta. O empreendimento já nasceu com essa curva de vendas a longo prazo. Seria (um elefante branco) se tivéssemos previsto vendas rápidas.

MORADOR, SÓ EM DEZEMBRO

Segundo a própria Ilha Pura, está prevista a abertura de uma nova etapa de vendas no segundo semestre, mas a empresa afirma que “os detalhes da estratégia de comercialização das próximas fases estão em definição”. Enquanto isso, a cerca de 800 metros do empreendimento, Araújo lamenta a queda no movimento de seu bar após a Olimpíada:

— Fico triste vendo aquela cidade (a Ilha Pura) vazia. Se tivesse morador, seria ótimo pra gente. Fico pedindo a Deus para que ele volte a funcionar.

Os moradores dos 240 imóveis vendidos — os valores de apartamentos no condomínio variam entre R$ 750 mil e R$ 3 milhões — ainda devem demorar. O retrofit iniciado em janeiro, depois da utilização do empreendimento pelos atletas olímpicos e paralímpicos, deveria ficar pronto em setembro. Mas os proprietários só poderão fazer a mudança a partir de dezembro deste ano. Em nota, a Ilha Pura diz que não há atraso, pois o contrato previa um prazo de carência.

https://oglobo.globo.com/rio/apos-fim-dos-jogos-olimpicos-no-rio-vila-dos-atletas-nao-decolou-21487148




Empresários ainda apostam no Porto

18/06/2017 - O Globo

Selma Schmidt

Desde julho de 2014, as sete torres que abrigariam a Vila de Mídia da Olimpíada e se tornariam o primeiro empreendimento residencial do Porto Maravilha estão com obras paradas. Não há previsão de quando serão retomadas. A informação do grupo Odebrecht, OAS e Carioca é que o projeto passa por uma revisão.

O Lumina, outro projeto residencial para a região, elaborado pela Tishman Speyer, está em fase de aprovação pela prefeitura. Serão duas torres, mas o número exato de apartamentos e o prazo para início das obras seguem indefinidos. Mesmo assim, Ana Carmen Alvarenga, diretora da empresa no Rio, manifesta otimismo:

- Independentemente do momento econômico do país, a Tishman Speyer mantém uma visão de longo prazo, adotada em seus mais de 20 anos de atuação no mercado brasileiro.

Uma faixa em frente a um galpão na esquina da Avenida Professor Pereira Reis com a Rua Equador informa que ali será erguido o Residencial Dockland. No entanto, Marcelo Conde, da empresa STX, aguarda um entendimento entre a Caixa Econômica Federal e a prefeitura "para fechar a operação e lançar o empreendimento até o início do ano que vem".

- É preciso buscar uma solução negociada - defende ele.

Para o presidente regional da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, a solução passa pela revisão do preço das Cepacs da região e pela quantidade de certificados exigida pela prefeitura:

- Torcemos para que tudo dê certo.

Diferentemente dos prédios residenciais que não decolaram, dez grandes empreendimentos comerciais foram construídos ou estão em fase final, embora com pouca ocupação. E o Hotel Ibis, inaugurado em outubro de 2016, acabou fechando temporariamente por falta de demanda. Segundo o grupo Accor, os hóspedes estão sendo direcionados para o vizinho Novotel. No mesmo complexo, duas torres do Porto Atlântico estão com poucas salas ocupadas.

- Tem proprietário dando carência de aluguel de dez meses, para receber o condomínio e o IPTU - conta o administrador Fábio Merodio.

O Porto Atlântico alega que "a vacância é alta no Rio, com alta concentração no Porto Maravilha, dado o grande número de empreendimentos recentemente entregues".

O presidente da Cdurp, Antonio Carlos Mendes Barbosa, diz que, além de novas habitações, negocia a abertura de três museus, um supermercado e um hospital. Um projeto de instalação de 26 quiosques está sendo revisado depois de críticas contra o número, considerado alto.

domingo, 18 de junho de 2017

Sem repasses desde janeiro, concessionária suspende obras na Zona Portuária

18/06/2017 - O Globo

Na região, sobram buracos nas ruas, calçadas sem manutenção e obras inacabadas


No Santo Cristo, imóveis malconservados têm como vizinhos prédios novos que estão com baixa ocupação
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
No Santo Cristo, imóveis malconservados têm como vizinhos prédios novos que estão com baixa ocupação - Márcia Foletto / Agência O Globo
   
POR SELMA SCHMIDT 

RIO — Buracos nas ruas, calçadas sem manutenção, obras inacabadas. Depois de protagonizar uma das mais importantes transformações urbanísticas da cidade, o Porto, que ganhou a alcunha de Maravilha e passou a disputar com a orla da Zona Sul a atenção dos turistas, vive dias de incertezas. Todas as mudanças que deram novo colorido a uma das regiões mais antigas do Rio estão ameaçadas pela crise econômica. Desde o início, em 2011, a “plástica” que devolveu a cariocas e turistas a visão da Baía de Guanabara em pleno Centro — além de gerar atividades de lazer e cultura — já consumiu R$ 5 bilhões. Parte do dinheiro brotou como mágica de uma ideia que parecia inovadora: empresas comprariam da Caixa Econômica certificados para construir na área, e o banco, por sua vez, reverteria parte dos recursos para revitalizar cinco milhões de metros quadrados nos bairros do Santo Cristo, da Gamboa e da Saúde. Mas, desde janeiro, a fonte secou.

Empreendimentos imobiliários do Porto seguem com salas e lojas vazias

Como os ventos econômicos mudaram de direção, caiu consideravelmente a venda desses papéis milagrosos, que têm nome pomposo: Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). O problema é que, para manter todas as “maravilhas”, a concessionária Porto Novo — que firmou com a prefeitura uma parceria público-privada (PPP) para fazer obras, a manutenção e a operação da Zona Portuária — vai precisar de mais R$ 5 bilhões nos próximos oito anos e meio. Quem acreditou no projeto já vê sinais de que as coisas não são mais como antes.

— Perguntei a um engenheiro da concessionária quando iriam concluir o Largo José Francisco Fraga, no Santo Cristo, e ele me disse que não sabia, porque o dinheiro acabou — conta Denísio Santos, que há 15 anos é dono de um bar na esquina da Rua Equador, bem perto da garagem do VLT.

A REALIDADE DA ZONA PORTUÁRIA

O largo está abandonado: a calçada e o pavimento não foram concluídos. Em vez de área de convivência, só lhe restou ser usado, precariamente, como estacionamento. Improvisos que vão comprometendo as belezas. Afinal, com os tais certificados, seriam pagas as despesas com obras e a manutenção de áreas verdes e praças, de iluminação, de sinalização de trânsito e até mesmo de limpeza. As calçadas também dependem desses recursos. Intervenções grandes, como a revitalização da Avenida Francisco Bicalho, estão adiadas até segunda ordem.

Desde o dia 10 de janeiro, a Porto Novo, formada pelas construtoras Odebrecht, OAS e Carioca, está sem receber e tem se limitado a realizar serviços de manutenção e operação. O fundo da Caixa Econômica que adquiriu, em leilão, todos os Cepacs emitidos pelo município para revendê-los a interessados em construir acima da metragem quadrada de seus terrenos, se declarou sem liquidez, devido à falta de compradores. Com isso, o fundo não leva adiante a obrigatoriedade de fazer os repasses mensais para as obras e a manutenção da infraestrutura.

Buracos próximo à linha do VLT na Zona Portuária - Márcia Foletto / Agência O Globo

Prefeitura não assumirá gastos

Diante do impasse, o atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (da prefeitura), Antonio Carlos Mendes Barbosa, deixa claro: o órgão não irá recomprar Cepacs para assegurar recursos para a concessionária. Ele alega que a medida não foi incluída no orçamento da prefeitura de 2017 e que, caso fizesse isso, poderia responder criminalmente. Barbosa diz que os preços dos certificados passaram de R$ 545 (no momento do leilão) para R$ 1.706. Se fosse aplicado o IPCA de 2011 a 2017 (51,55%), os Cepacs valeriam hoje R$ 825,96. Entretanto, tiveram uma valorização de 313%. O reajuste acima da inflação só contribuiu para aprofundar o desinteresse pelo produto.

Dos 6,4 milhões de certificados adquiridos pelo fundo da Caixa, apenas 8,79% foram vendidos até hoje. Ou seja, ainda há um estoque de 5,87 milhões (91,2%) para serem comprados.

— Já existe uma dívida de R$ 80 milhões este ano com a Porto Novo. Se a Caixa não pagar, a concessionária vai acabar parando. Pode suspender a varredura de ruas, a coleta de lixo, o controle do tráfego e dos túneis. Por enquanto, a Porto Novo está fazendo a manutenção e a operação. Eles têm interesse em fazer. É a maior PPP do Brasil. Mas até quando vão suportar? O Porto está ameaçado. Essa Praça Mauá, que está bonita e tem âncoras (o Museu do Amanhã e o Museu e Arte do Rio) pode se deteriorar. A Caixa quer que eu pague, mas não posso assumir — defende o presidente da Cdurp.

A recompra de Cepacs chegou a ser proposta pelo ex-prefeito Eduardo Paes, por meio de uma emenda modificativa ao projeto orçamentário, em 2 de dezembro de 2016, no valor de R$ 189 milhões apenas para 2017. No entanto, a operação não foi aprovada pela Câmara. Mesmo sem o aval do Legislativo, foi assinado em 28 de dezembro o 12º aditivo ao contrato da operação urbana, assegurando um aporte financeiro que totaliza R$ 219 milhões até julho de 2018.

— Para viabilizar a liquidez do fundo da Caixa, a solução encontrada foi recomprar os Cepacs. Outro interesse nosso foi garantir um estoque para a construção de habitações populares. Mandamos a proposta para a Câmara. Se o Legislativo não aprovou, não podemos fazer nada — alega Alberto Silva, ex-presidente da Cdurp. — O fato é que o país está passando por uma crise. Não tem nada acontecendo neste momento econômico. Mas não tenho dúvida de que o mercado vai reaquecer, o Porto Maravilha tem um futuro promissor.

O ex-prefeito Eduardo Paes, procurado desde terça-feira da semana passada por meio de sua assessoria, optou pelo silêncio.

Os problemas vêm se arrastando. Em maio do ano passado, o fundo da Caixa decretou falta de liquidez até julho de 2018. Ao mesmo tempo, foi acertado que a Porto Novo suspenderia as obras, se limitando a fazer a manutenção e a operação da área. Naquele mês, a Cdurp assinou o 11º termo aditivo para a recompra de Cepacs, o que só acabou se concretizando em 10 de janeiro deste ano com um repasse de R$ 62,5 milhões para a concessionária. O aporte quitou débitos do segundo semestre de 2016. Foi a última parcela paga.

— Hoje, a manutenção não é feita direito. Basta olhar os buracos nas ruas e as calçadas que não foram refeitas — reclama a moradora Maria de Jesus Soares.

Placas de “aluga-se” e “vende-se”

Falta de financiamento e a crise econômica prejudicam a revitalização do Porto do Rio - Márcia Foletto / Agência O Globo

Dono há um ano do restaurante Sabor Brasil, na esquina das ruas Comendador Évora e Santo Cristo, José Roberto Rufino de Abreu engrossa a lista dos descontentes. Ele reclama que não concluíram a pavimentação da Comendador Évora nem colocaram um ralo no cruzamento com a Equador.

Sem perspectivas, placas de “aluga-se” e “vende-se” são cada vez mais comuns. Só no trecho entre o Largo José Francisco Fraga e a Rua Equador havia oito delas, na última quarta-feira.

— Estamos tentando alugar o galpão, com 2.500 metros quadrados, há um ano. Baixamos o preço, de R$ 20 mil para R$ 12 mil, mas não encontramos interessados. Fizemos uma reforma e nada — diz Washington Luiz Brito, administrador do imóvel.

Dono de um outro galpão, Paulo Roberto Mattos está tentando vender o imóvel há dois anos:

— Não aparece comprador. Agora, então, que suspenderam as obras...

Em nota, a Porto Novo se limita a dizer que “cumpre rigorosamente todas suas obrigações contratuais e reconhece que “a situação, hoje, é bastante complicada; desta forma, não pode seguir sem solução”. O prefeito Marcelo Crivella e o presidente da Cdurp estiveram na semana retrasada na presidência da Caixa. Por e-mail, o banco informa somente que “mantém agendas constantes com os participantes do projeto Porto Maravilha, investimento de impacto relevante na cidade do Rio e, naturalmente, de desafios constantes”. Além disso, afirma ter uma estrutura dedicada integralmente ao projeto, no Rio, e que as obrigações assumidas em decorrência de leilão (de Cepacs) foram cumpridas e podem ser objeto de novos acordos.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/sem-repasses-desde-janeiro-concessionaria-suspende-obras-na-zona-portuaria-21489095#ixzz4kMZ6tRbnstest 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Crise causa fechamento de 26 lojas em shopping do Rio

11/06/2017 - Economia ao Minuto
  

A crise no Rio de Janeiro já atingiu diversas lojas de rua e agora também os shoppings. Na zona sul, diversos estabelecimentos fecharam as portas. Como exemplos, as duas lojas da Nike, que ocupavam espaços enormes em Ipanema e Copacabana. 

E é em Copacabana que um dos centros comerciais mais tradicionais do bairro está praticamente às moscas. De acordo com a coluna de Ancelmo Góis, o Cassino Atlântico tem 26 lojas fechadas. 

Na parte virada para a rua, onde a visibilidade é maior, 10 lojas fecharam. No térreo, oito. As outras ficam distribuídas pelos outros pisos. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Avenida Lucio Costa sofrerá intervenções em retornos e pontos de ônibus para aliviar o trânsito

01/06/2017 - O Globo

Medidas serão quase todas financiadas pela Rede Windsor, como contrapartida obrigatória
   
POR LUCAS ALTINO 

Retorno na pista sentido Pepê ficará na reta da Afonso Arinos; nos dois lados, haverá saída de vagas de estacionamento para novas faixas de rolamento - Fernando Lemos / Agência O Globo

RIO - Boas notícias para quem enfrenta rotineiramente congestionamentos na Barra. Um dos pontos mais problemáticos do bairro sofrerá intervenções, com o objetivo de garantir maior fluidez ao trânsito. Na Avenida Lucio Costa, baias recuadas para ônibus serão feitas, na altura dos hotéis Windsor e Sheraton. A área em frente ao condomínio Atlântico Sul, no número 3.600 da via, terá alterações ainda maiores: naquele trecho, as vagas de estacionamento serão extintas, nas duas pistas, para a implantação de novas faixas de rolamento, e o retorno para acesso à Ponte Lucio Costa mudará de lugar, ficando em frente à Avenida Afonso Arinos de Melo Franco.

As obras serão financiadas quase que totalmente pela iniciativa privada. O projeto é contrapartida obrigatória que o Hotel Windsor Barra precisa pagar. As intervenções na Avenida Lucio Costa devem começar já este mês. Os estudos foram realizados pela CET-Rio, que detectou os principais gargalos daquela área.

Historicamente, o trecho entre a Praça do Ó e a Avenida Afonso Arinos é o mais congestionado da praia. Têm sido muitas as propostas, feitas principalmente por moradores de condomínios da orla, para sanar o problema. A CET-Rio estudou as possibilidades de mudança, e chegou a cinco medidas.


Em frente ao condomínio Atlântico Sul, será criada uma nova faixa de rolamento onde hoje há vagas
O retorno para acesso à Av. Afonso Arinos muda de lugar, e serão criadas duas faixas no lugar das vagas do canteiro central
Fonte: Prefeitura do Rio de Janeiro

Primeiro, o retorno da pista sentido Pepê, na altura do Atlântico Sul, será reconfigurado, ficando na reta da Avenida Afonso Arinos, ou seja, alguns metros antes do ponto onde fica atualmente. Além disso, as cerca de 25 vagas de estacionamento naquele trecho serão substituídas por duas faixas de rolamento. Assim, a capacidade de acumulação de carros, que hoje é de oito, segundo os estudos, passará para 48. No mesmo ponto, mas na pista no sentido oposto, as intervenções facilitarão o acesso de veículos que vão da Ponte Lucio Costa para a orla, pela Avenida Evandro Lins e Silva. As vagas de estacionamento em frente ao Atlântico Sul também serão retiradas, para a criação de uma nova faixa, e o canteiro central, no fim da da Evandro Lins, será encurtado.

O outro problema a ser corrigido serão as paradas de ônibus nos pontos em frente aos hotéis Sheraton e Windsor Barra. Hoje, quando um coletivo freia para embarque ou desembarque de passageiros, ocupa uma das duas faixas da pista, atrapalhando o trânsito. Agora, serão feitas duas baias recuadas nos pontos, para que o trânsito não seja interrompido. Por último, também serão eliminadas vagas da Rua Prudêncio do Amaral, perpendicular à praia, para a criação de mais uma faixa de rolamento.

O superintendente da Barra, Thiago Barcelos, justifica as intervenções na região:

— Eu mesmo sofro muito com esse trânsito. São alguns gargalos que precisamos superar. O tempo que hoje as pessoas perdem no tráfego gera impacto até na saúde. Às vezes leva-se meia hora para ir da Lagoa até o Pepê, e depois mais 20 minutos até o Barramares (na altura do número 3.300 da Lucio Costa), um trecho muito menor.

Na pista, não. Os ônibus passarão a parar em uma baia recuada próximo ao Hotel Windsor - Fernando Lemos / fOTOS de Fernando Lemos

Segundo ele, as maiores intervenções na orla serão financiadas pelo Windsor, devido à contrapartida obrigatória, e a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) fará as obras menores, como as baias para os ônibus e a retirada de paralelepípedos para calçamento.

O projeto, que ainda não foi anunciado oficialmente, já repercute entre moradores da Barra. Ainda que muitos tenham outras sugestões, a expectativa é que essas intervenções sejam mesmo capazes de desafogar o trânsito. Síndico do Atlântico Sul, Ronaldo Carvalho lembra que o condomínio foi o primeiro da orla a fazer uma baia recuada para ônibus.

— Há quatro anos, levamos o projeto à prefeitura. Os ônibus antes paravam em uma das faixas e ficava tudo engarrafado bem na entrada do condomínio. Fizemos uma única baia, que custou cerca de R$ 70 mil e resolveu muito a nossa vida. Depois, muita gente quis fazer também, mas esbarrou na falta de verba — conta Carvalho, que foi avisado do novo projeto pela prefeitura, já que a área em frente ao condomínio terá obras. — É inteligente, o trânsito deve melhorar bastante.

O diretor da Câmara Comunitária da Barra, Cleo Pagliosa, acha que as mudanças vão facilitar o trânsito da orla. Ele ainda lembra de um projeto da entidade que prevê a construção de uma ponte na Avenida General Felicíssimo Cardoso, ligando a Lucio Costa à Américas.

— É um projeto antigo, parte de um pacote de obras que incluiria a abertura total da Avenida Dulcídio Cardoso e os mergulhões do BarraShopping e da ABM. Continuamos cobrando, mas sabemos que a situação está difícil, não há dinheiro. Enquanto isso, essas mudanças propostas vão ajudar — diz.

Na opinião de Ricardo Magalhães, diretor da ABM, a ponte na Felicíssimo Cardoso seria a principal solução, pois hoje não há acesso da praia para a Américas entre o Cebolão e a Avenida Afonso Arinos, um longo trecho. Ele diz que diariamente, a partir das 17h, há engarrafamento:

— O trecho em frente ao Atlântico Sul é muito ruim, o que inclusive favorece a ação de pivetes. De manhã, o fluxo também é grande, principalmente da Lucio Costa para a Américas, tanto no sentido Centro como no sentido Recreio. Sempre fica uma muvuca em frente ao Eurobarra.

Aprovado. Ronaldo Carvalho, síndico do Atlântico Sul, na baia paga pelo próprío condomínio - Fernando Lemos / Agência O Globo

Já o administrador do Barramares, Sergio Trindade, faz uma ressalva à proposta da CET-Rio. Para ele, as baias de ônibus não serão muito efetivas, porque os motoristas não costumam parar no recuo mesmo quando o espaço existe. E menciona uma sugestão feita por síndicos dos condomínios da orla ao poder público, há cerca de dois anos: a construção de mais uma pista para os carros, usando uma parte do canteiro central.

— Em frente ao Sheraton e ao Windsor, há espaço para isso. A obra seria de uma nova faixa, à esquerda, para passagem de carros, e os ônibus continuariam parando no mesmo lugar — explica Trindade.

Isso porque, para o administrador do Barramares, as baias recuadas só cumprirão sua função se houver orientadores de trânsito no trecho:

— Nós sempre vemos ônibus parando no meio da rua, mesmo onde há recuo. Os motoristas são apressados. Ano passado, na época da Olimpíada, colocaram vários agentes na orla, e aí o tráfego melhorou bastante.

Os investimentos da rede Windsor nas obras da Avenida Lucio Costa estão sendo feitos como contrapartida pela construção dos hotéis Windsor Oceânico e Windsor Marapendi, além de um centro de convenções. Em nota, a rede afirma que considera as alterações viárias essenciais e acrescenta que está investindo também em projetos de melhoria dos acessos aos seus empreendimentos e da sinalização do entorno.

Novo trecho da Via 4 pode ser aberto

As mudanças têm recebido muitos elogios, mas há também quem as veja com desconfiança ou, até, desagrado. Comerciantes que trabalham em quiosques no calçadão, em frente ao condomínio Atlântico Sul, por exemplo, reclamam da eliminação de vagas de estacionamento.

— Moro aqui há 40 anos e posso afirmar que o problema no trânsito da orla ocorre por causa dos pontos de ônibus do Sheraton e do Windsor. O acesso da Evandro Lins e Silva para a Lucio Costa também é ruim, mas o retorno do outro lado da pista (no sentido Pepê) nunca tem congestionamento — afirma Amilton Macedo, dono do quiosque Pescado.

Roberto Souza, dono do quiosque ao lado, o Leal, também critica o fim das vagas:

— É isso o que paga nossas contas no inverno. Além disso, onde os caminhões vão parar para fazer descarga?

Cliente do quiosque Leal, o advogado Early Besse compreende a preocupação com o trânsito, mas acha que é preciso pensar em alternativas para quem vai de carro à praia.

— Melhorar a fluidez do trânsito é sempre positivo. Mas no bairro há déficit de vagas. Existem terrenos baldios na Avenida Afonso Arinos que poderiam ser transformados em estacionamentos — sugere.

Mudanças à vista. Os pontos de ônibus em frente aos hotéis Sheraton e Windsor na orla serão deslocados - Fernando Lemos / fotos de fernando lemos

Questionado sobre o assunto, o superintendente Thiago Barcelos diz que não há previsão para criação de vagas no momento, mas que se pode pensar em alternativas:

— O projeto trará um ganho. É normal ganhar de um lado e perder um pouco do outro. Mas o trânsito é um problema grave, e, se for solucionado, isso será positivo para os quiosques.

Em relação à sugestão de criar uma faixa de rolamento no canteiro central, em vez de criar recuos para os ônibus, Barcelos diz que as duas medidas teriam resultados semelhantes.

— A solução é a mesma: ganhar uma faixa — observa o superintendente, admitindo a necessidade de haver operadores de tráfego no local. — Vamos reforçar a fiscalização, sim, para que os ônibus respeitem os novos locais de parada.

Se na praia a solução é fazer mudanças pontuais para melhorar a fluidez, o caso de um outro ponto-chave para o trânsito, a Via 4 requer mais esforço.

Uma das causas dos congestionamentos da Barra é o descumprimento do Plano Lucio Costa. Pelo projeto original, outras vias expressas cortariam a Barra, como a Via 4 e a Dulcídio Cardoso. O problema é que essas avenidas são, em muitos casos, bloqueadas por condomínios e outros empreendimentos.

Interrompido. Ponto onde a Avenida Jorge Cury acaba atualmente - Fernando Lemos / Agência O Globo

A Superintendência da Barra está em negociações com a diretoria da Amil, responsável pelo Americas Medical City, localizado na Avenida Jorge Cury, para tentar viabilizar a abertura de um trecho de 300 metros da Via 4, que iria até a Avenida Rachel de Queiroz. Com isso, a Jorge Cury seria ligada à Avenida Celia Ribeiro Mendes, em mão dupla, tornando-se um caminho alternativo para se chegar à Avenida das Américas.

Segundo Thiago Barcelos, as outras medidas necessárias para o projeto sair do papel são uma licença da Seconserma, que deve ser concedida esta semana; e a assinatura de um termo entre a prefeitura e a Aeronáutica, já que a área margeia o Aeroporto de Jacarepaguá. Este vizinho, inclusive, foi um dos motivos de atraso da obra, devido a questões técnicas. Outro motivo de cautela são as capivaras.

— Tivemos que fazer um projeto bem detalhado, para não interferir na operação do aeroporto e proteger as capivaras. Com a abertura desse trecho da via, seria feito um corredor para os animais — afirma. — Essa medida reduziria 15% do tráfego entre o Terminal Alvorada e o condomínio Rio Mar.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/avenida-lucio-costa-sofrera-intervencoes-em-retornos-pontos-de-onibus-para-aliviar-transito-21418729#ixzz4iqsnWV59 
stest