segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Prefeitura começa a tirar do papel projeto de um grande parque na APA de Marapendi, na Barra

29/12/2014 - O Globo

Espaço de lazer terá 846 mil metros quadrados, um dos maiores da cidade. Implantação deverá ser feita em três etapas

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES


Trecho da APA que será parte do Parque Nelson Mandela: criação de área de lazer de 846 mil metros quadrados impedirá construção de empreendimentos - Ana Branco / Agência O Globo
 
RIO — Anunciado há dois anos, o plano da prefeitura para transformar a Área de Preservação Ambiental (APA) de Marapendi num dos maiores parques públicos do Rio começa a tomar forma. As secretarias municipais de Urbanismo e Meio Ambiente concluíram este mês o projeto do espaço de lazer — localizado entre a Praia da Reserva e a Avenida das Américas —, que terá 846 mil metros quadrados, o equivalente a dois terços do tamanho do Parque do Flamengo.

A implantação deverá ser feita em três etapas. A primeira fase, que abrangerá intervenções num trecho de 430 mil metros quadrados na Barra, estará concluída até o fim de 2016, promete o prefeito Eduardo Paes. O parque será chamado de Nelson Mandela.

VEJA COMO SERÁ O PARQUE NA APA DE MARAPENDI

O projeto começará a sair do papel em um pedaço da APA conhecido como Setor Capivara. Paes prevê a construção de quadras poliesportivas, um campo de futebol soçaite, estruturas para a prática de arvorismo, torres de observação de pássaros, ciclovias, deques para contemplação da Lagoa de Marapendi e quiosques. Passarelas suspensas de madeira permitirão uma circulação segura de pedestres entre as avenidas das Américas e Lúcio Costa. A Secretaria de Meio Ambiente está levantando os custos das intervenções e contratará uma empresa para criar o plano de manejo do parque, que estabelecerá sua lotação máxima, seu horário de funcionamento e suas regras de manutenção e visitação.

— O ex-governador Carlos Lacerda criou o Parque do Flamengo. Vamos implantar o Parque Nelson Mandela para preservar e valorizar a reserva — diz o prefeito.

CONTRAPARTIDA POR CAMPO DE GOLFE

O plano de criação do Parque Nelson Mandela surgiu como uma contrapartida pela exclusão de uma área de 58 mil metros quadrados da APA de Marapendi, que, até 2012, era considerada uma Zona de Conservação de Vida Silvestre, o que impedia a realização de obras no local. A mudança, aprovada pela Câmara Municipal, teve como objetivo permitir a construção de um campo de golfe para as Olimpíadas de 2016. O projeto também abre caminho para parcerias com a iniciativa privada.

— A prefeitura negociou com donos de terrenos que ficam na APA a adoção de um recurso urbanístico conhecido como Transferência do Potencial Construtivo. Esse potencial, que equivale à área edificável antes de sua transformação em parque, será transferida para outras regiões da Barra. E os atuais proprietários se comprometem a replantar trechos degradados da vegetação de restinga — informa a secretária municipal de Urbanismo, Maria Madalena Saint-Martin.

Hoje, vários terrenos do trecho da APA que abrigará o Parque Nelson Mandela estão alugados e viraram estacionamentos. O município espera chegar a acordos com todos os proprietários até o fim de 2016. Se houver casos de negociações fracassadas, a prefeitura fará desapropriações. As intervenções no Setor Capivara já estão acertadas porque foram bem-sucedidas as conversas com os donos de seis lotes, e os contratos deverão ser fechados nas próximas semanas.

O subsecretário municipal de Meio Ambiente, Altamirando de Moraes, informa que o conceito desenvolvido para o Nelson Mandela é de um parque urbano, mas com foco na preservação.

— O parque preservará uma área da cidade que está bastante urbanizada. A proposta é cuidar melhor dela. Não vamos, por exemplo, abrir novas trilhas — explica Altamirando, acrescentando que o projeto poderá ajudar a desenvolver o turismo náutico nas lagoas da Barra.

O projeto da prefeitura divide opiniões. O presidente da Associação de Moradores do Recreio, Dair José Zanotelli, é uma das vozes favoráveis à criação do parque:

— Se dependesse apenas da prefeitura, seria muito difícil tirar o parque do papel. Mas, se vai haver contrapartida do setor privado, acredito na proposta. Vamos fiscalizar e cobrar a execução do projeto.

O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, defende que os imóveis privados localizados na APA permaneçam como estão. Ele diz não haver garantias de que o projeto será implantado na íntegra:

— A legislação da área não permite prédios grandes. É melhor ficar como está. O que a prefeitura quer investir ali poderia ser gasto em saúde e educação.

Morador do Recreio, o professor Welton Conceição aprova o projeto:

— A proposta vale a pena porque preservará uma grande área da região da Barra. Evitará construções e uma maior degradação da vegetação de restinga.

Por sua vez, Ricardo Herdy, sócio da empresa Ecobalsas, que presta serviços de transportes para condomínios da região, é contra o plano:

— Até hoje a prefeitura não conseguiu concluir a implantação plena da APA de Marapendi, que já tem mais de 20 anos. A proposta do parque pode até acelerar a degradação da área. Além disso, o município ainda não procurou os prestadores de serviços da região para detalhar seus planos. Essa conversa é necessária, pois o projeto poderá causar prejuízos ou mesmo o encerramento de algumas atividades.

Sônia Rabello de Castro, presidente da Federação das Associações de Moradores do Rio e professora da ONG americana Lincoln Institute of Land Policy, considera positiva a iniciativa da prefeitura. Porém, ela afirma que o parque não pode ser considerado uma compensação pela construção do campo de golfe:

— São ecossistemas distintos. O que será feito no parque não compensará a perda da vegetação na área esportiva.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/verao/prefeitura-comeca-tirar-do-papel-projeto-de-um-grande-parque-na-apa-de-marapendi-na-barra-14925846#ixzz3NHwCS0c3 
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Imóvel vazio vai custar caro

28/12/2014 - O Globo

De seu comércio de malas na Avenida Marechal Floriano, o vice-presidente do Clube de Diretores Lojistas (CDL) do Rio, Roberto Cury, observa o entorno e constata: cada vez mais estabelecimentos tradicionais do Centro Histórico fecham as portas, deixando para trás prédios centenários com risco de degradação. A dois quilômetros dali, no Santo Cristo, o aposentado Roberto Schmidt de Almeida conta que o prédio de um antigo hotel vizinho à sua casa, na Rua Pedro Alves, quase em frente a um terreno que abrigará uma das futuras estações do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), foi invadido duas vezes. As duas regiões têm algo em comum: seus imóveis ficam na área de influência do Porto Maravilha. Numa tentativa de incentivar a ocupação de ambas, o prefeito Eduardo Paes enviará nos próximos dias à Câmara Municipal um projeto para instituir a cobrança de IPTU progressivo a imóveis desocupados. Ou seja: quem mantém propriedade sem uso paga mais imposto.

PROJETOS RESIDENCIAIS NÃO SAEM DO PAPEL

Os detalhes da proposta estão sendo elaborados pelo presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo. Um dos objetivos do IPTU progressivo é criar condições para ampliar a oferta de moradias nos arredores do Porto por meio da construção de novas residências ou pela conversão de imóveis comerciais pouco valorizados em habitações. Como O GLOBO mostrou na última quarta-feira, a Companhia de Desenvolvimento Urbano (Cdurp) mapeou 65 projetos de moradia licenciados para a região. Desses, 64 são de interesse social, com financiamento do projeto Minha Casa Minha Vida. O condomínio Porto Vida, único tocado pela iniciativa privada, está parado.

Regulamentado pela legislação federal conhecida como Estatuto das Cidades, o IPTU progressivo é um recurso para acabar com a subutilização de imóveis ou desestimular a especulação imobiliária com construções ou terrenos cujos proprietários esperam sua valorização para negociá-los. Com a medida, o dono do imóvel paga um IPTU maior que o restante da cidade caso não dê uso adequado ao patrimônio num prazo de cinco anos.

A cobrança é cumulativa: a alíquota aumenta ano a ano e pode chegar a 15% do valor venal do imóvel (usado para o cálculo do imposto). Hoje, no município do Rio, a alíquota é de 1,2% para todos. Se mesmo com o IPTU progressivo nada for feito, a prefeitura terá o direito de exigir uma desapropriação, indenizando o proprietário com títulos da dívida pública.

— O conceito do IPTU progressivo é dar uma função social às propriedades desocupadas. Vamos propor essa cobrança no Porto Maravilha e no Centro Histórico porque são áreas com grande potencial de revitalização e cheias de imóveis ociosos, incluindo terrenos sem edificações, alguns andares de prédios e até mesmo sobrados inteiros — explica Washington Fajardo.

A prefeitura ainda não tem um levantamento do número de imóveis fechados no Porto e no Centro Histórico. O presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade informou que uma equipe de trabalho planeja identificálos por meio de uma checagem em cadastro de diversos órgãos da prefeitura, como os da Secretaria de Ordem Pública e da Fazenda. Ele não descarta a realização de uma espécie de censo imobiliário na região.

O vice-presidente do CDL, Roberto Cury, estima que existam pelo menos 600 imóveis ociosos no Centro Histórico, na Gamboa, na Saúde e no Santo Cristo, a maioria sobrados ou casarões que já abrigaram lojas. Segundo ele, esse cenário se formou por diversos motivos.

— Há fatores históricos, que vão da perda da importância econômica do Centro do Rio com a transferência da capital federal para Brasília à alta generalizada de aluguéis na cidade, que inviabilizam a manutenção do comércio — opina o lojista.

Cury aprova a iniciativa da prefeitura, mas acredita que sejam necessários mais estímulos para que o objetivo final seja alcançado. Ele disse que o CDL discutirá o assunto com vereadores quando o projeto da prefeitura for apresentado à Câmara Municipal.

Imóveis vazios também são vistos como um problema por Petrúcio Guimarães dos Anjos, que mora na Saúde há 60 anos. Ele vive na Rua Pedro Ernesto, num misto de residência e museu, do qual ele é diretor. Parte da propriedade virou um espaço dedicado à cultura negra após a descoberta que o imóvel fica em cima de um antigo cemitério de escravos. Apesar de a via ter essa importância histórica e fazer parte do projeto do VLT, vários de suas construções estão desocupadas. E segundo Petrúcio, a tendência é aumentar.

Ele conta que uma empresa de refrigeração se mudará para a Rodovia Washington Luís devido às dificuldades que clientes e fornecedores encontram para estacionar nas imediações. Muitos imóveis da área têm mais de cem anos e não dispõem de garagens.

— A Rua do Livramento também tem muitos imóveis desocupados. O IPTU progressivo pode colaborar. Mas a falta de garagens deve dificultar a revitalização — alerta Petrúcio.

A proposta da prefeitura é vista com simpatia pelo Secovi-Rio, o sindicato da habitação da cidade. O vice-presidente da entidade, Leonardo Schneider, acredita que a medida possa fazer com que casarões históricos se valorizem como moradias, a exemplo do que ocorre na Europa:

— Muitos desses imóveis estão degradados porque os proprietários não têm recursos ou interesse em reformá-los. A possibilidade de pagarem IPTU progressivo pode acelerar a venda das construções.

A medida, porém, não provocaria mudanças a curto prazo. Isso porque, mesmo que a Câmara aprove o projeto em 2015, o IPTU progressivo só poderá ser aplicado a partir de 2016, por se tratar de matéria tributária. Com a entrada do dispositivo em vigor, donos de imóveis ainda teriam um ano para atender às exigências.

TENTATIVAS DE MUDAR UM CENÁRIO RESISTENTE

O IPTU progressivo não é a primeira medida adotada pelo município para tentar levar mais moradores à região do Centro. Na década passada, o então secretário de Urbanismo, Alfredo Sirkis, autorizou a conversão de imóveis industriais e comerciais em residenciais. No entanto, a iniciativa não teve grande impacto. Alguns empreendimentos, porém, acabaram sendo um sucesso de vendas, como o condomínio Cores da Lapa.

Recentemente, a Câmara Municipal aprovou um pacote de medidas para estimular a construção de moradias na Zona Portuária. Além de incentivos fiscais e tributários, a obrigatoriedade de algumas obras, como a construção de apartamentos para zeladores e estacionamentos, foi derrubada.

Há dois anos, o prefeito Eduardo Paes chegou a estudar mudanças no sistema de cobrança de IPTU. A ideia era fazer uma revisão da chamada planta genérica de valores (que reúne informações sobre o preço de mercado do metro quadrado em toda a cidade), utilizada para o cálculo do imposto. A atual não é corrigida desde a década de 90. Caso o projeto tivesse ido adiante, muitos contribuintes que hoje são isentos de IPTU, principalmente nas zonas Norte e Oeste, voltariam a pagar o imposto. Porém, a Câmara Municipal sequer chegou a debater a matéria. O prefeito acabou desistindo de emplacar o projeto após as manifestações populares de junho de 2013.

Emendas parlamentares destinam R$ 219 milhões à cidade de Niterói

28/12/2014 - O Globo

Parlamentares da bancada do Rio destinaram à cidade R$ 219 milhões em emendas ao orçamento da União para o ano que vem. Segundo levantamento feito pelo GLOBO-Niterói, os recursos mais expressivos foram para a construção da Linha 3 do metrô, que vai ligar Niterói a São Gonçalo: R$ 200 milhões, do Ministério das Cidades. Mas Saúde, Educação, Segurança, Turismo, Direito das Mulheres, Infraestrutura e Economia Solidária também foram áreas contempladas pelas emendas. Para a Saúde, por exemplo, foram destinados R$ 18 milhões, sendo R$ 7 milhões para a "consolidação da rede municipal de atenção psicossocial". Já ações relacionadas à Segurança Pública foram contempladas com R$ 946 mil. E a UFF seria atendida com R$ 2,3 milhões, para ações que incluem a reforma do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do laboratório de enfermagem e verbas para o programa de pós-graduação em Sociologia e Direito. Em fevereiro, após o início do ano legislativo, uma votação no plenário da Câmara dos Deputados deve referendar o destino dos recursos. O texto depende também de sanção presidencial. Deputados federais e senadores da bancada do Rio destinaram a Niterói um pacote de R$ 219 milhões em emendas parlamentares ao orçamento da União para 2015, mostra levantamento feito pelo GLOBO- Niterói. O montante equivale a 10% do orçamento aprovado para o município no ano que vem, estimado em R$ 2,2 bilhões.

Os recursos mais expressivos foram direcionados para a construção da Linha 3 do metrô, que vai ligar Niterói a São Gonçalo: R$ 200 milhões, oriundos do Ministério das Cidades. O governador Luiz Fernando Pezão, reeleito, prometeu começar as obras em 2015.

Saúde, Educação, Segurança, Turismo, Direito das Mulheres, Infraestrutura e Economia Solidária foram as outras áreas contempladas pelas emendas dos parlamentares. Elas foram aprovadas na segunda-feira, último dia antes do recesso, pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Após a Mobilidade Urbana, que tem previsão de recursos para a Linha 3 do metrô, a Saúde foi a área que mais recebeu atenção dos parlamentares. Ao todo, deputados e senadores do Rio, em sua maioria aliados do prefeito, destinaram R$ 18 milhões para a área. Uma emenda do deputado Edson Santos ( PT- RJ) prevê R$ 7 milhões, da dotação orçamentária do Fundo Nacional de Saúde, para a "consolidação da rede municipal de atenção psicossocial".

— Tive uma conversa com o prefeito (Rodrigo Neves) e com o deputado Chico D'Angelo (eleito este ano) e foi colocada a necessidade de reforço na área de saúde mental — afirma Santos.

O município conta com quatro unidades do Centro de Atenção Psicossocial ( Caps), que prestam atendimento terapêutico diário. O funcionamento dos Caps é preconizado pela reforma psiquiátrica desde 2001. O objetivo é promover a inserção social dos pacientes. A saúde mental atravessa uma crise de desabastecimento de remédios, falta de profissionais e insumos básicos, conforme consta em sete inquéritos do Ministério Público estadual, que investigam irregularidades na rede.

Na Educação, os deputados Chico Alencar (PSOL), Jorge Bittar (PT) e Miro Teixeira (PROS) designaram R$ 2,3 milhões para a UFF. As ações incluem a reforma do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do laboratório de enfermagem e verbas para o programa de pós-graduação em Sociologia e Direito.

Atividades de fomento à cultura foram beneficiadas com R$ 876 mil pelos deputados Edson Santos e Sérgio Zveiter (PSD) — que destinou, no total, R$ 9 milhões em emendas para a cidade. Zveiter, que foi candidato a prefeito de Niterói em 2012 e tem uma base eleitoral significativa na cidade, propôs também uma verba de R$ 1 milhão para a recuperação de infraestrutura em áreas urbanas.

TEXTO DEPENDE DE SANÇÃO PRESIDENCIAL

Ações relacionadas à Segurança Pública foram contempladas com R$ 946 mil em emendas, propostas por Zveiter e Jorge Bittar (PT).

Zveiter conseguiu a liberação neste ano de R$ 4 milhões para a construção do Centro Integrado de Segurança Pública, em Piratininga, e de mais R$ 2 milhões para a revitalização da Rua Moreira César, em Icaraí.

Já o deputado Luiz Sérgio (PT) direcionou R$ 400 mil para a "promoção de políticas de igualdade e de direitos das mulheres". A deputada Benedita da Silva (PT) designou R$ 400 mil para a assessoria e fortalecimento de empreendimentos relacionados à rede de economia solidária.

Em fevereiro, após o início do ano legislativo, uma votação no plenário da Câmara dos Deputados deve referendar o destino dos recursos. Apesar disso, não há garantia de que todo o dinheiro previsto será aplicado em Niterói, já que o texto depende de sanção presidencial, e a presidente Dilma Rousseff pode vetar a liberação integral das verbas.

Cada parlamentar apresentou R$ 16,3 milhões em emendas ao orçamento de 2015. Ao todo, foram apresentados R$ 9,7 bilhões em emendas individuais, que terão execução em 2015, como determina o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O texto recebeu um total de 9.644 emendas.

AJUSTE FISCAL PODE DIFICULTAR LIBERAÇÃO

A execução das emendas, no entanto, será submetida ao ajuste fiscal que o governo federal vai implementar no ano que vem, com o objetivo de reequilibrar as contas públicas. O pacote de medidas é estudado pela equipe de transição da área econômica. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai dar lugar ao economista Joaquim Levy, conhecido pelo rigor na liberação de recursos. Já no Planejamento, a ministra Miriam Belchior sairá para a entrada do economista Nelson Barbosa, que foi secretário-executivo da Fazenda entre 2011 e 2013. Ao longo do mês, fontes do governo estimaram em R$ 100 bilhões o tamanho do ajuste nas contas.

Professor de direito financeiro e tributário da faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo Corval acredita que o cenário de ajuste fiscal dificultará a liberação dos recursos de emendas parlamentares:

— Tradicionalmente, o governo federal faz contingenciamento do orçamento em janeiro. Diante da conjuntura de corte de gastos com a chegada do Joaquim Levy, há uma sinalização de que haverá forte contração dos gastos públicos em 2015. Isso deve afetar a liberação das emendas, embora não seja possível ainda dimensionar o tamanho desse impacto. Entretanto, como Niterói hoje é governada pelo PT, pode ser que haja uma sensibilidade maior do governo Dilma (PT) em liberar recursos para o município.

Em 2015, a Tijuca vai entrar na rota das ciclovias cariocas

29/12/2014 - O Globo

No ano em que o Rio chega aos 450 anos, a prefeitura promete presentear a cidade com a marca de 450 quilômetros de malha cicloviária. No começo de 2015, a Tijuca será um dos primeiros bairros a receber parte dos 70 quilômetros que faltam ser construídos para atingir a meta. Com 7,5 quilômetros, a nova via fará a ligação entre a Praça Saens Peña e a Praça Quinze, no Centro, permitindo que o ciclista saia da Zona Norte e chegue à Zona Sul pedalando. Hoje, a cidade tem 380 quilômetros de ciclovias.

— Como a ciclovia vai cruzar com a ciclofaixa da Avenida Graça Aranha, quem quiser poderá partir do Centro rumo à Zona Sul, via Aterro do Flamengo — explica o subsecretário municipal de Meio Ambiente, Altamirando Moraes.

TRAÇADO ESTÁ QUASE PRONTO

Alguns detalhes do traçado ainda estão sendo finalizados pela Secretaria municipal de Meio Ambiente, mas o projeto básico prevê que a nova ciclovia passe pela Mariz e Barros, siga por ruas do Estácio, incluindo a Frei Caneca e as que existem na área do Sambódromo, até alcançar a Praça Quinze.

— Sabemos que na Tijuca há muitos funcionários da prefeitura que poderiam usar a bicicleta para ir ao trabalho. Uma das alternativas que estamos estudando é que, ao passar pela Frei Caneca, a ciclovia entre pelo Túnel Martim de Sá, que faz ligação com a Praça da Cruz Vermelha. Dali, o ciclista poderia chegar até as Avenida Chile e Almirante Barroso, seguindo até a Praça Quinze — completa Altamirando Moraes.

Com um investimento previsto de R$ 5,625 milhões, a ciclovia da Tijuca foi uma das ideias propostas pela sociedade no Desafio Ágora Rio, plataforma colaborativa promovida pela prefeitura para discussão de políticas públicas.

— Como houve esse pedido no Desafio Ágora, a prefeitura escolheu incluílo no planejamento de 2015. Foi ótimo, porque na secretaria já havia um projeto básico de ciclovia para a região, e agora estamos fazendo os estudos junto à CET-Rio. Esta ciclovia fará uma importante ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul — diz o subsecretário.

Moradores e comerciantes do bairro vêm participando de reuniões com técnicos da Secretaria de Meio Ambiente para escolher o melhor traçado. Segundo o subsecretário, a proposta é que o percurso incentive os moradores da Grande Tijuca a irem ao Centro pedalando, além de possibilitar que também façam uma integração com as estações de trem (no Maracanã) e do metrô.

Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial da Tijuca, Jaime Miranda, moradores e comerciantes acham importante que a ciclovia facilite o trânsito entre Tijuca, Vila Isabel, Grajaú e Andaraí. Por isso, sugere, o traçado deveria incluir pequenas ciclofaixas, com no máximo três quilômetros, para estes deslocamentos.

— A ciclovia será importante inclusive para os comerciantes da Grande Tijuca, já que muitas entregas são feitas por meio de bicicletas. Ela vai trazer mais segurança para os entregadores e para quem circula pelas calçadas.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Túneis do Rio vão ganhar sistema de bloqueio; parece coisa de filme

27/12/2014 - O Globo

FERNANDA PONTES



Uma porta que se fecha

Parece coisa de filme: quando houver carros acidentados dentro de um túnel da cidade, uma engenhoca instalada na sua entrada vai tocar uma sirene e acionar um toldo vermelho, que vai quase até o chão, impedindo a entrada de outros carros. Esta e outras novidades estão previstas no edital de licitação que será lançado em breve pela prefeitura. 

Segue a história...

O edital inclui ainda a instalação de bases de manutenção nos túneis Rebouças, Zuzu Angel e Santa Bárbara. Em todos os túneis estão previstas iluminação em LED, sistema de combate a incêndios e monitoramento da qualidade do ar.

Crédito: Reprodução

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Alphaville Urbanismo termina 2014 com investimentos expressivos na região Sudeste

26/12/2014 - Investimento e Notícias

Somente neste ano, a empresa lançou os empreendimentos Terras Alphaville Rio Doce e Alphaville Uberlândia, em Minas Gerais, e Terras Alphaville Cabo Frio e Alphaville Campos, no estado do Rio de Janeiro.

Todos os lançamentos foram um sucesso de vendas. A empresa também entregou a quarta fase do empreendimento Alphaville Nova Esplanada, na região de Sorocaba, em São Paulo. Agora, a marca se prepara para novidades em 2015.

Nova etapa no alargamento da Rua Benjamin Constant

25/12/2014 - O Fluminense

David Tavares e Poliana Couto

Para a nova etapa, restam seis imóveis, onde  três já estão sendo demolidos para finalização do recuo. Foto: Maurício Gil
As obras de alargamento da via vão entrar em sua segunda fase, com quase 60% do serviço já concluído, de acordo com informações da Prefeitura de Niterói

As obras de alargamento da Rua Doutor Benjamin Constant, no Barreto, Zona Norte de Niterói, entraram em nova etapa. Segundo a Prefeitura de Niterói, cerca de 60% das obras já estão concluídas. Ainda de acordo com o Executivo, para a nova etapa, restam seis imóveis, onde  três já estão sendo demolidos para finalização do recuo. A previsão para o término das obras é o primeiro semestre de 2015.

No trecho que vai do supermercado Assaí até a Rua Carlos Gomes, já houve remoção de imóveis desapropriados, postes, além de drenagem, troca do solo, substituição da base, frenagem e recapeamento da via. A Prefeitura, através da Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), segue com a missão de tentar desafogar o trânsito da Zona Norte até o Centro da cidade, no trecho de aproximadamente 800 metros.

As obras da via são realizadas apenas durante o dia e para garantir a segurança de motoristas e pedestres foram colocados cones de sinalização para orientar a passagem de pedestres.

Em relação aos postes de energia elétrica que deverão ser remanejados, a Ampla, concessionária responsável pelo fornecimento de energia na cidade informa que executou em fevereiro deste ano a realocação de postes e da rede elétrica da primeira parte da obra de alargamento. A empresa esclarece que ainda não recebeu solicitação formal do governo municipal para a execução da segunda etapa do serviço.

Segundo comerciantes do local, a Prefeitura entrou em acordo com donos de estabelecimentos e moradores dos imóveis que precisam ser removidos. Eles serão indenizados para que a expansão da via seja realizada.

"Espero que funcione mesmo tudo isso que está sendo feito. O trânsito é complicado demais aqui na região e obras assim podem ajudar a desafogar. Esperamos que dê certo", disse o veterinário Marcos Rodrigues, morador da região.

O objetivo do alargamento é garantir a fluidez do trânsito no Barreto, por meio da ampliação da via e da reforma urbana. Com isso, motoristas terão mais facilidade para realizarem o trajeto entre a Zona Norte e o Centro da cidade, facilitando também a rotina dos motoristas que trafegarem pela área do Barreto e nas pistas da Avenida do Contorno, como alternativa. Além disso, também estão previstos no projeto um novo tratamento paisagístico.


O Fluminense

Previstas para este ano, obras do bondinho de Santa Teresa só ficarão prontas no fim de 2015

26/12/2014 - O Globo

Até agora, 4,2 quilômetros de trilhos foram instalados. Para completar o sistema, faltam mais 10,9 quilômetros

POR RODRIGO BERTOLUCCI

Num trecho do bairro próximo ao Largo do Guimarães, a instalação ainda incompleta dos novos trilhos do bonde: moradores se queixam da demora das obras - Gustavo Stephan / Agência O Globo

RIO — Apaixonada por Santa Teresa, Cristiane Matos, que há três anos mora em Nova York, onde trabalha como guia de turismo, levou, na última terça-feira, o amigo mineiro Fábio Lopes para conhecer, pela primeira vez, as belezas do bairro carioca. O que ela não esperava era ter que subir as ladeiras a pé. Prometida inicialmente para junho deste ano, a conclusão das obras do bonde de Santa Teresa, após sucessivos adiamentos, está prevista para o fim de 2015, de acordo com a Secretaria estadual da Casa Civil. Os trabalhos, que já custaram ao estado R$ 110 milhões, incluem o trecho até o Silvestre, desativado há cinco anos. Até agora, 4,2 quilômetros de trilhos foram instalados e 1,3 quilômetro ainda está em implantação. Para completar o sistema, faltam mais 10,9 quilômetros. Ou seja, a obra não chegou à metade.

— Amo Santa Teresa, principalmente a gastronomia da região, isso sem falar da parte cultural e da vista linda que temos da cidade. Mas sem o bondinho não é a mesma coisa. Quero de volta esse patrimônio carioca — lamenta Cristiane, acrescentando que visita o bairro sempre que volta de Nova York.

— Queria muito ter usado o bondinho. É cansativo subir Santa Teresa a pé — completa o amigo mineiro, deslumbrado com a vista.

TESTES COMEÇARAM EM MAIO

O atraso na entrega do novo sistema de bondes é atribuído pelo governo do estado às obras de concessionárias, como CEG e Cedae, ao longo do percurso, e à execução de reformas que precisavam de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — como as dos Arcos da Lapa. Os primeiros testes do bonde começaram em maio, na sede da empresa T'Trans, em Três Rios. O primeiro dos 14 bondes passou a circular pelas ruas do bairro, em caráter experimental, em agosto.

Na avaliação do presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Jacques Schwarzstein, o ritmo anda lento demais. Segundo ele, os trabalhos na Rua Joaquim Murtinho, que corta o Largo do Curvelo — onde fica o primeiro segmento das obras — estão aparentemente prontos. Porém, os trechos que se estendem para o Largo do Guimarães, e, em seguida para o Silvestre e o Largo das Neves ainda estão longe do fim:

— Somando os trechos que faltam e comparando ao que está pronto, ainda falta muito. Se levaram um ano para fazer um quinto do trabalho, para concluir todo o serviço pode levar mais, pelo menos, quatro anos, se continuar nesse ritmo. Isso significa que o acesso ao bairro está prejudicado, o que é lamentável, já que vivemos num bom momento turístico para o Rio.

Schwarzstein acredita que, mesmo com o término do primeiro trecho, o bairro vai continuar sem o tradicional sistema de transporte.

— Santa Teresa continuará com obras e sem o nosso bonde. Quem sofre com isso? Nós, a comunidade, pois estamos sem transporte público e com a mobilidade prejudicada — reclama ele, afirmando que os moradores não têm o que comemorar, apesar de o Rio estar na pauta de eventos internacionais, como as Olimpíadas.

Outra preocupação do presidente da Amast é a Rua Joaquim Murtinho, onde os trilhos foram trocados, e a via ficou sem o meio-fio.

— Os paralelepípedos estão no mesmo nível da calçada. No período de chuva, é impossível dizer o que vai acontecer. Tememos um desastre — reclama ele, destacando que as obras têm problemas de qualidade.

A cidade, vista de cima do morro de Santa Teresa, para a argentina Júlia Tesaro, de 25 anos, é um espetáculo. Porém, subir o bairro a pé não foi uma missão fácil para a turista, que tirou a última terça-feira para conhecer o lugar.

— Confesso que fiquei cansada — conta Júlia, que está no Rio pela terceira vez e nunca conseguiu andar de bondinho.

'NÃO AGUENTO MAIS POEIRA'

Desde quarta-feira, segundo a Casa Civil, foi liberada a circulação de veículos nas ruas Francisco Muratori e Joaquim Murtinho, normalizando o itinerário dos ônibus. Mesmo assim, Marly Soares dos Santos, moradora do bairro há quase 40 anos, lamenta o caos na região.

— Não aguento mais poeira. Qualquer hora vou ficar doente. Em breve teremos que andar a cavalo. Só assim conseguiremos nos locomover sem prejudicar nossos carros — ironiza ela.

O sistema está parado desde 27 de agosto de 2011, quando seis pessoas morreram e 57 ficaram feridas num descarrilamento na Rua Joaquim Murtinho. Foi o pior acidente com o bonde de Santa Teresa — um dos símbolos do turismo no Rio. O veículo saiu dos trilhos, derrubou um poste e tombou numa curva. Antes disso, ele teria perdido os freios. Quatro passageiros morreram na hora. Algumas vítimas foram jogadas para fora e esmagadas pelo próprio bonde. O condutor Nelson Correia da Silva chegou a ser socorrido, mas acabou morrendo. O bondinho ficou completamente destruído. O laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) detectou 23 problemas no veículo.

ENQUANTO O VERDADEIRO NÃO VEM

Um bondinho cenográfico, criado pelo artista plástico Getúlio Damado, chamava a atenção de quem passava por Santa Teresa na última terça-feira. Há mais de uma década, ele, que é morador do bairro há quase 30 anos, se veste de Papai Noel e distribui doces para as crianças. O veículo, com três metros de comprimento e um de largura, com capacidade para cinco lugares, faz o mesmo trajeto do verdadeiro bondinho. Damado trabalha com produto reutilizado, que se transforma em arte.

— A intenção é passar uma mensagem natalina. Eu faço brinquedos artesanais e não quero deixar morrer esse espírito. O bondinho foi a forma que encontrei de retribuir o carinho que as crianças têm por mim. Fiz especialmente para os pequenos — explica o artista plástico.

Há anos, Damado circula com seu bonde cenográfico - Rodrigo Bertolucci / O Globo

O bondinho cenográfico que desfila pelas ruas do bairro foi confeccionado há quatro anos. Mas, antes, Damado já havia feito outro, um pouco menor. Sobre o bonde do bairro, Damado lamenta a falta do sistema.

— O bonde faz muita falta, não apenas como meio de transporte para nós moradores, mas também para trazer os clientes até o meu ateliê. A comunidade toda perde com isso. Meu movimento, por exemplo, caiu 50%, o que lamento muito. Para mim, é como perder um parente — compara ele, cujo ateliê fica instalado na Rua Almirante Alexandrino, em frente à 7ª DP.

Para o presidente da Amast, Jacques Schwarzstein, o trabalho de Damado é de extrema importância para o bairro.

— Ele faz a festa da garotada de Santa Teresa e isso é muito gratificante.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Porto Maravilha ainda não atrai empreendimentos residenciais

A Cdurp informa que há 65 projetos para moradia licenciados, mas apenas um foi entregue e outro está com as obras paradas

POR LUDMILLA DE LIMA

25/12/2014 - O Globo

Empreendimentos residenciais no Porto não saíram do papel. Na foto, obras do Porto Vida paradas - O Globo / Ana Branco

RIO - O vaivém de operários é intenso no Porto Maravilha, onde os primeiros arranha-céus começam a transformar a paisagem. Ali, o futuro parece já dar as caras para os mercados comercial e corporativo, porém, no que diz respeito a empreendimentos residenciais, a região ainda é um deserto. A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) informa que há 65 projetos para moradia licenciados. Desses, um é o Porto Vida, cujas obras estão paradas. Os 64 restantes são de interesse social, inseridos no programa Minha Casa Minha Vida, mas apenas um conjunto, na Rua Nabuco de Freitas, foi entregue. A Cdurp destaca que outros dois estão em fase de contratação pela prefeitura. No entanto, não há, além do Porto Vida, nenhum empreendimento residencial da iniciativa privada com licença da Secretaria municipal de Urbanismo. Diante da quantidade de grandes obras que seguem a pleno vapor no Porto (são pelo menos oito em andamento), resta a espera pela guinada de construções habitacionais, já que a essência da requalificação do Porto Maravilha está justamente na mistura de gente morando com empresas e serviços funcionando.

No mercado de construtoras e incorporadoras, a avaliação é de que será preciso aguardar as intervenções de infraestrutura avançarem para projetos saírem do papel. Em outubro, o prefeito Eduardo Paes conseguiu a aprovação, na Câmara Municipal, de um pacote de incentivos para o setor, numa tentativa de dar velocidade à transformação do Porto. A nova legislação reduz exigências para a construção de moradias, como a retirada do cálculo da Área Total Edificável (ATE) de varandas e espaços de uso comum. A medida ainda desobriga a construção de estacionamentos, de apartamentos para zeladores e de alojamentos e vestiários para funcionários. Além disso, os empreendimentos da área já contavam com incentivos fiscais e tributários.

Gerente nacional de fundos para o setor imobiliário da Caixa Econômica Federal (CEF), Vitor Hugo dos Santos Pinto prevê um cenário melhor no ano que vem. Ele diz que há Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) — cuja compra permite a construção de edifícios com maior gabarito — emitidos para dois grande projetos residenciais (um é o Porto Vida) na região, que somam 2.800 apartamentos. Mais 6.400 unidades, de três empreendimentos, estão em negociação avançada. Segundo Vitor Hugo, em 2015 terá início uma segunda onda de empreendimentos no Porto.

— Como o mercado imobiliário está mais fraco neste momento, sobretudo na dimensão dos imóveis comerciais, os incorporadores vão buscar o que sabem que vende logo. No campo residencial, as coisas vão melhorar — afirma Vitor Hugo, dizendo que, dos 9.200 apartamentos previstos para o Porto, cerca de dois mil deverão ser lançados em 2015. — Essa segunda onda vai ser maior que a primeira, que foi basicamente comercial.

Projetos privados negociados com o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, gerido pela CEF, ainda serão submetidos à Secretaria municipal de Urbanismo. Na conta referente às Cepacs, os residenciais saem ganhando porque um título corresponde a um metro quadrado para moradias, enquanto no corporativo a regra é de dois para um.

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mercado em clima de espera

O presidente da Cdurp, Alberto Gomes Silva, diz que faltou impulso no segmento residencial porque existia um clima de espera no mercado:

— Em setembro de 2013, o prefeito anunciou que criaria esses incentivos. O mercado imobiliário ficou aguardando a aprovação dessas novas regras para apresentar seus planos. Com a confirmação das medidas do município, no primeiro trimestre de 2015 haverá uma nova leva de projetos imobiliários para o Porto, cujo perfil ficará mais equilibrado com o surgimento de empreendimentos habitacionais.

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Hoje, há cerca de 30 mil pessoas morando na região, sendo que a estimativa da Cdurp é atrair mais 70 mil (de diferentes classes sociais) de 2020 a 2022.

— O mercado está esperando que as obras se tornem realidade. Ninguém pensa em morar na Zona Portuária ainda — avalia o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), João Paulo Matos, acrescentando que aguarda os primeiros lançamentos para 2015.

De acordo com Matos, num primeiro momento, o metro quadrado residencial na Zona Portuária deverá ficar em torno de R$ 10 mil, valor da Tijuca, embora nos próximos anos o preço possa aumentar devido a uma vantagem da região: sua boa acessibilidade, que permite fáceis deslocamentos para zonas Norte e Sul e o Centro e ainda ganhará o sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O gerente nacional de fundos para o setor imobiliário da CEF, Vitor Hugo dos Santos, diz que, numa primeira fase, os apartamentos do Porto serão mais compactos, porque grandes famílias só deverão ir para a região quando a infraestrutura de serviços — que inclui escolas, supermercados e shopping — estiver consolidada. Os primeiros compradores devem ser jovens e casais sem filhos. Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, aposta nesse filão:

— O Porto vai começar com os apartamentos pequenos, de cerca de 40 metros quadrados. Não tem como fazermos hoje unidades para famílias porque o Porto ainda não começou, não está pronto.

APOSTA NA CLASSE MÉDIA

A construtora Concal já anunciou que, num terreno de 23 mil metros quadrados, vai erguer o empreendimento misto Quadra Carioca. Originalmente, o projeto contava com um edifício residencial (com 32 andares), dois comerciais e um corporativo. Mas está em avaliação a troca de um comercial por um outro residencial, devido à expectativa de demanda. O empreendimento deverá ser lançado no ano que vem. Rodrigo Caldas, vice-presidente da Concal, prevê a compra dos imóveis por executivos que trabalham na região, mas não descarta a chegada de famílias.

— Não gosto de taxar o Porto como lugar de apartamento pequeno. Se todo mundo lançar a mesma coisa, não adianta — afirma Rodrigo, explicando que o Quadra Carioca tem como alvo a classe média alta. — Vamos fazer um prédio com fachada de pele de vidro, com sofisticação, porque há um mercado interessante para isso. A boa notícia do Porto é que, diferentemente da Barra, onde o mercado imobiliário começou a construir em ruas ainda de terra, a infraestrutura chegou na frente. Só falta ainda um pouco de vida. Mas, daqui a três anos, os serviços já estarão instalados.

A empresa Tishman Speyer — que inaugurou o primeiro arranha-céu do Porto Maravilha (o Port Corporate, onde a companhia passou a funcionar) e iniciou a obra de uma torre comercial projetada pelo inglês Norman Foster — tem planos de construir apartamentos na região. Os detalhes ainda são mantidos em sigilo.

— O zoneamento do Porto tem cinco milhões de metros quadrados, e a Tishman acredita que metade disso será de imóveis residenciais. A grande vocação do Porto Maravilha vai ser o residencial. É natural vir primeiro o desenvolvimento do corporativo, depois o do comércio e, na fase seguinte, o da moradia — analisa Ana Carmen Alvarenga, diretora de desenvolvimento da empresa no Rio de Janeiro, dizendo que o Porto será atraente para as pessoas que trabalham nas proximidades e querem fugir do trânsito. — As famílias virão quando a região começar a ter escolas e vida de bairro, mas com modernidade nos serviços e mobilidade urbana.

As expectativas são grandes em relação a empreendimentos residenciais, mas os de interesse social ainda patinam. O presidente da Cdurp, Alberto Gomes Silva, conta que um projeto de 260 apartamentos na Rua do Livramento, agora em fase de contratação, passou por convocações da prefeitura (que chama oficialmente as empresas interessadas em construir), mas não houve procura. Para ele, as regras do programa Minha Casa Minha Vida na região afasta empreendedores: o valor do financiamento, de R$ 75 mil por unidade, estaria muito aquém do preço de mercado de um imóvel na região, mesmo com a prefeitura oferecendo o terreno.

— Seria preciso elevar esse valor e flexibilizar normas. A gente queria que os imóveis pudessem ter uma padrão bacana, com arquitetura mais interessante que a dos conjuntos tradicionais. Mas as regras são muito duras. Não pode, por exemplo, ter loja embaixo — diz Gomes Silva.

Em relação ao empreendimento Porto Vida, que foi paralisado depois que a prefeitura decidiu levar a Vila de Mídia e Árbitros das Olimpíadas para Jacarepaguá, o Porto 2016 Empreendimentos Imobiliários, responsável pela construção, afirma, em nota, "que o projeto e o cronograma de obras estão sendo readequados". Serão cerca de 1.300 apartamentos, sendo que menos de 40% das obras andaram, revela a Cdurp. A empresa promete retomar a construção no começo de 2015.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/porto-maravilha-ainda-nao-atrai-empreendimentos-residenciais-14909397#ixzz3MuhbmvFI 
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Prefeitura do Rio retoma demolições de casas na Vila Autódromo

22/12/2014 - Agência Brasil
 
A prefeitura do Rio de Janeiro retomou nesta segunda-feira (22) a demolição de casas desapropriadas na comunidade Vila Autódromo, na Barra da Tijuca. O trabalho foi reiniciado após o município derrubar liminar deferida ontem (21), proibindo as demolições. No local, será construída parte de um parque destinado a cmpetições pelos Jogos Olímpicos de 2016.

A assessoria da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas do município informou quinta-feira (18) que uma liminar havia proibido as demolições. Na sexta-feira (19), a prefeitura conseguiu autorização para derrubar imóveis que optaram por indenização. No sábado (20), as demolições recomeçaram e ontem nova liminar voltou a proibir.

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelas ações, acusa o Poder Público e a concessionária de agirem ilegalmente. De acordo com o Núcleo de Terras da Defensoria, que presta assistência aos moradores, uma liminar de março proibia a prefeitura de prosseguir com os trabalhos, pelo menos até que a Jusiça decida um processo de legalidade da licença de demolição e que a prefeitura divulgue o planejamento urbanístico para as famílias que quiserem permanecer  no local.

As remoções começaram em abril. Parte dos moradores da vila aceitou deixar a comunidade em troca de imóveis populares do Programa Minha Casa, Minha Vida, com dois e três quartos. Aproximadamente 200 famílias decidiram permanecer na comunidade. Em setembro, moradores fizeram um protesto para reivindicar um plano de urbanização para a comunidade. Em 2010, a defensoria emitiu certidões de posse para tentar impedir as remoções.

Localizada em uma das regiões que mais sofrem com especulação imobiliária na capital, a comunidade tem 40 anos e é motivo de disputa entre moradores e Poder Público há mais de uma década. Antes do anúncio das Olimpíadas, a prefeitura alegava que as casas estavam em área de preservação ambiental.

Com a escolha do Rio para sede do Jogos Olímpicos, ficou estabelecido que a área teria de ser desapropriada para viabilizar a criação de um parque. As principais instalações das Olimpíadas estão sendo construídas na Barra.

Terminal Erasmo Braga em 1955


O Terminal antes de se transformar no ponto inicial das linhas de ônibus elétricos da CTC em 1962.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Olimpíada ganha forma na Barra da Tijuca

22/12/2014 - Metro Rio

Das nove construções do Parque Olímpico para 2016, duas já serão entregues no terceiro trimestre de 2015: as Arenas Cariocas, que vão receber as lutas e o basquete, e o Centro de Tênis. A última obra a ser entregue será o Centro Aquático, no primeiro trimestre de 2016, por ser uma construção temporária.

Shoppings crescem no interior

23/12/2014 - O Dia

A vida de uma cidade pode mudar completamente a partir da chegada de um shopping center, principalmente no interior, cada vez mais procurado pelo segmento. No momento, há pelo menos 14 shoppings sendo erguidos no Estado do Rio, sendo nove fora da capital, em municípios de médio porte como São Gonçalo, Nova Iguaçu, Itaboraí, Volta Redonda, Macaé, Campos dos Goytacazes, Cabo Frio, Araruama e Maricá. Somados estes empreendimentos, serão mais de 3 mil lojas.

O Maricá Plaza Shopping será o primeiro do gênero na cidade e está sendo construído na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106). A previsão é que comece a funcionar em setembro de 2016, gerando mil empregos. Ao lado do condomínio Landscape RJZ Cyrella, o shopping terá 100 lojas, um hipermercado, cinema multiplex, praça de alimentação, dois restaurantes e estacionamento com 1.300 vagas.

"A chegada de um shopping traz progresso para a região. A economia do local agradece, pois o cidadão não precisa se deslocar para trabalhar ou comprar fora do seu município", explicou o diretor da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva.

De acordo com o executivo, a tendência é de que cada vez mais esse tipo de empreendimento deixe de se expandir nas capitais e migre para os menores centros. "Os municípios do interior têm uma demanda maior de shoppings, já que o poder aquisitivo do público consumidor nessas cidades aumentou e todos querem comprar marcas de qualidade. O custo mais alto do metro quadrado na capital também ajuda nessa diversificação", frisou.

Mais receita e empregos para cidades

Volta Redonda, no Sul Fluminense, está recebendo seu s e gundo shopping center. O Park Sul vai funcionar a partir de 2016 às margens da Rodovia dos Metalúrgicos, em área de mais de 100 mil m². Serão 200 lojas, cinco salas de cinema, praça de alimentação e estacionamento com capacidade para 1.700 mil veículos.

"É um shopping horizontal e trará novas marcas para a cidade. São dois mil postos de trabalho. Será de suma importância para reforçar a centralidade econômica do município", ressaltou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jessé de Hollanda Cordeiro Júnior. Segundo ele, Volta Redonda necessitava de outro shopping. "A população da cidade está crescendo. Para o município, as principais consequências positivas são a geração de empregos e a arrecadação de impostos, que também aumenta muito", concluiu.

O diretor do Alshop disse que, além de aumentar a receita dos municípios, os shoppings elevam a oferta de empregos e, em sua maioria, as oportunidades não necessitam de mão de obra qualificada. "Assim, o dinheiro circula mais pelo município", afirmou.

Outra vantagem, segundo ele, é que a chegada de um shopping center traz uma melhora na mobilidade urbana e ajuda a valorizar o mercado imobiliário. "É um atrativo para outras empresas que procuram se instalar no entorno. A criação de residências e condomínios aumenta", afirmou.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Inseguranca na linha vermelha esta alarmante diz testemunha de arrastão

22/12/2014 - O Dia

Rio - A presença do Exército no conjunto de favelas no entorno da Linha Vermelha desde abril, reforço do patrulhamento do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), além de cabines blindadas para PMs ao longo da via expressa. Nada disso, no entanto, evitou que o crime organizado, numa afronta ao Estado, às forças de segurança e à população, promovesse, nesta sexta, em plena luz do dia, mais um ataque a motoristas, o terceiro da semana, numa das principais portas de entrada da cidade da Olimpíada de 2016. Apesar do pânico, nenhum motorista fez registro de ocorrência na 21ª DP (Bonsucesso).
Com pistolas, criminosos aproveitaram o engarrafamento diário na região para praticar assaltos pouco antes da Ponte do Saber, por volta das 6h. Apesar disso, o comando do BPVE informou que o policiamento do trecho está reforçado desde quinta-feira, com motopatrulhamento e viaturas.

PM reforça policiamento após arrastão na Linha Vermelha. Proteção que impede passagem para via expressa está aberta
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
"Vi um grupo de quatro menores de idade. Eles acertaram o para-brisa de um carro e tentaram forçar a saída do motorista para roubá-lo. Só que ele arrancou com o veículo e conseguiu fugir", disse Lucio Antoniolo, de 36 anos, que seguia de carona com mais dois amigos para o trabalho. O analista de tecnologia de informação disse ainda que o quarteto continuou abordando motoristas no congestionamento. A ação, segundo Antoniolo, ocorreu 500 metros depois de ponto onde estavam PMs.

"Havia dois policiais com motos 500 m antes do local da ação dos bandidos". Assustados, motoristas abandonaram seus carros e motociclistas voltaram na contramão. Além da Maré, os outros dois arrastões teriam ocorrido na altura do Galeão. Graziela Medeiros também foi testemunha da violência. "É vergonhoso, a via tem um batalhão (o 22º BPM) e ainda somos reféns de bandidos. Agora, anunciam reforço, como toda vez que os crimes se repetem. Os bandidos atacam sempre no mesmo local", criticou a estudante, de 25..

GALERIA: PM reforça policiamento na Linha Vermelha após arrastão

PM reforça policiamento na Linha Vermelha após arrastão
Foto: Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Na quinta-feira, leitores do DIA também relataram um arrastão na Linha Vermelha pela manhã, na hora do rush. Entretanto, o comando do BPVE informou que equipes fizeram patrulhamento na via expressa mas não encontraram ninguém. Como ontem, equipes também foram deslocadas para a 17ª DP (São Cristóvão) e a 21ª DP (Bonsucesso) para verificar se alguém fez registro de roubo, mas nenhuma vítima prestou queixa.
Pelo Twitter, pessoas que passavam pela Linha Vermelha ontem de manhã alertaram motoristas a evitar a via. O internauta Fred Lemos escreveu: 'Atenção no local. Arrastões já em dois dias seguidos na Linha Vermelha, uma das portas de entrada do Rio. Lamentável. Com tudo parado, fica fácil fazer arrastão. Triste e vergonhoso'. Outro chamou atenção para o acesso dos bandidos à via: 'Chato é que é previsível. Eles abrem buracos nos painéis de proteção já com essas intenções. A PM não faz nada'.

LEIA MAIS: Motoristas enfrentam triste rotina de violência na Linha Vermelha.

Motoristas deixam veículos após novo arrastão na Linha Vermelha
Foto: Reprodução TV Globo
Nas redes sociais, houve relatos de tiros e de vidros de carros atingidos por pedras e barras de ferro. Assustados, alguns motoristas abandonaram seus automóveis e outros voltaram na contramão. Além da Maré, outros dois arrastões teriam ocorrido na altura do Galeão.

Procurada, a Polícia Militar ainda não se pronunciou sobre o fato. A Polícia Civil informou que até as 9h40 não havia registro de ocorrência nas delegacias da região envolvendo roubos, nesta manhã, na Linha Vermelha.

Ontem, leitores de O DIA também relataram um arrastão na Linha Vermelha pela manhã, na hora do rush. Entretanto, o comando do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais informou que equipes fizeram patrulhamento na via expressa a procura dos criminosos ou de vítimas do ataque, mas não encontrou nenhum dos dois. Equipes também foram deslocadas para as 17ª DP e 21ª DP para verificar se alguém fez registro de roubo, mas ninguém teria sido encontrado.


Nesta quinta-feira, arrastão também assustou motoristas na Linha Vermelha
Foto: Leitor Felipe Simão / WhatsApp O DIA (98762-8248)
Rotina de arrastões e tiroteios

Assaltos, tiroteios e apedrejamentos tornam os engarrafamentos no local cada vez mais perigosos. Por volta das 8h de segunda-feira, bandidos de comunidades do Complexo da Maré entraram em confronto com militares do Exército e as pistas da Linha Vermelha estavam lotadas de carros no congestionamento. O tumulto aumentou quando os motoristas começaram a parar os carros para tentar voltar na contramão, com medo dos tiros.

Agentes do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE) usaram duas viaturas e duas motocicletas para circular pelo local, na tentativa de acalmar os motoristas. Na sequência, um homem foi preso em flagrante por trocar tiros com militares que ocupam a Maré. Segundo o Exército, os disparos foram feitos com armas curtas na comunidade da Vila do João, nas proximidades do Centro de Transporte e Logística da Aeronáutica. O Exército reforçou o patrulhamento na região para evitar mais problemas.

"Outro dia, durante uma operação policial, ouvi a bala comendo solta. E o pior é que não tem pra onde escapar. É só acelerar e rezar", contou o estudante Tiago Lima, de 24 anos.

Segundo o comandante do BPVE, tenente-coronel Welste Medeiros, o patrulhamento da via foi reforçado desde sexta-feira para coibir assaltos. Por medida de segurança, o comandante não revelou o efetivo. Para tentar coibir os assaltos durante períodos de maior movimento na Linha Vermelha, quatro duplas de policiais com motos, além das viaturas que já policiam o local, vão circular entre os veículos no horário de congestionamento.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Locomotiva da Madeira-Mamoré é restaurada em Guajará-Mirim, RO

19/12/2014 - O Nortão

Peça é do acervo do Museu Municipal e deve ficar pronta nesta sexta-feira, 19. Iniciativa privada e secretaria firmaram parceria para revitalização.

A locomotiva número 20 exposta na praça do Museu de Guajará-Mirim (RO), distante cerca de 330 quilômetros de Porto Velho, está sendo restaurada até esta sexta-feira (19) os trabalhos serão concluídas. A Maria Fumaça faz parte do acervo do museu que comemora 34 anos no próximo dia 22 de dezembro.

De acordo com a direção do museu, a peça foi recuperada pela última vez quando participou da minissérie da Rede Globo Mad Maria, em 2005, representando a locomotiva número 5. Depois disso, ela sofreu com os efeitos climáticos, a enchente do Rio Mamoré e o descaso. Para a restauração, a Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo (Semcet) buscou parcerias com empresários locais que doaram toda a tinta para a pintura e funcionários da prefeitura compõem a mão de obra.

O diretor do museu, Fredson Martins, afirma que a parceria foi fundamental para o resgate do passado da ferrovia e espera que a população cuide do patrimônio. "Estamos revitalizando, com lavagem da peça, raspamos o ferrugem e aplicamos produto antiferrugem. Estamos terminando a pintura, graças a parceria com empresários. A maior preocupação é manter para resgatar nossos valores culturais", alega o diretor .

Quem sabe da importância da locomotiva na história do município e vê a restauração se emociona, é o caso de João Ferreira, de 77 anos, que andou na estrada de ferro com a número 20 e relembra como funcionava. "É importante ser reformada. Ela faz parte da minha história", diz o aposentado.

Também parte do acervo do museu, a Locomotiva 17, que fica exposta no centro da Praça dos Pioneiros será reformada em outra data, após análise de engenheiros. "Precisamos saber se temos o material local para estrutura-la, sem risco de tombar, para poder pintar", afirma Fredson.

A Locomotiva 20 é de 1909 e com base em fotos antigas, ela será restaurada nas mesmas cores como antigamente. No dia do aniversário do museu (22), a Maria Fumaça restaurada será reapresentada para a comunidade.

Fonte: G1 RO/O Nortão Jornal

Pezão entrega obras de rodovia que liga Região Serrana à Costa do Sol

19/12/2014 - O Globo

Com seis quilômetros de extensão, a estrada estava praticamente destruída por causa do tráfego pesado de caminhões de areia

POR PAULO ROBERTO ARAÚJO

A RJ-162 liga a BR-101 à RJ-106 e melhora a ligação entre o Centro de Casimiro de Abreu e Barra de São João - Divulgação

RIO - A ligação rodoviária da Região Serrana com a Costa do Sol será complementada, nesta sexta-feira, com as obras da RJ-162, a rodovia estadual que liga a BR-101 às RJ-106, no município de Casimiro de Abreu. Com seis quilômetros de extensão, a estrada, que também é uma das principais vias de acesso a Rio das Ostras, estava praticamente destruída por causa do tráfego pesado de caminhões de areia. A obra será inaugurada pelo governador Luiz Fenando Pezão.

Além do novo asfaltamento, a rodovia ganhou acostamento e sinalização horizontal e vertical. A obra custou R$ 2,5 milhões. O prefeito de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos, disse que a obra vai beneficiar milhares de moradores de Barra de São João, no litoral do município, que tinham dificuldade de chegar ao Centro de Casimiro.

O presidente do DER, Henrique Ribeiro, disse que a obra foi feita por administração direta, o que diminui muito os custos.

-- Esta rodovia é de grande importância para a malha rodoviária estadual porque liga a Rodovia Serra-Mar (Casimiro-Friburgo) e a BR-101 à RJ-106, a rodovia litorânea da Costa do Sol. Na verdade construímos uma nova rodovia porque o quadro da estrada era muito ruim. Agora o usuário terá segurança e o trânsito vai fluir com maior fluidez – disse Ribeiro, acrescentando que o DER encontrou obstáculos, por parte de órgãos ambientais e da concessionária Autopista Fluminense, para fazer um novo traçado e tirar o tráfego da área urbana de Rio Dourado.

Também em Casimiro de Abreu, o governo do Estado entregará 77 unidades habitacionais, de 31 metros quadrados, com sala, quarto, cozinha, banheiro e área para futura ampliação de mais um cômodo, e outras duas de 41 metros quadrados adaptadas para portadores de necessidades especiais. De acordo com a Companhia Estadual de Habitação (Cehab), responsável pelo projeto, as casas atendem a demanda da prefeitura da cidade e estão em condomínio com infraestrutura, calçadas, ruas e urbanização, incluindo áreas de lazer e convivência. O investimento total na obra é de R$ 4.814.610,66.

Uso de carros aumenta em dez anos e Região Metropolitana passa a ter três horários de rush

15/12/2014 - O Globo

Plano estadual de mobilidade detecta piora no trânsito. Tempo médio de viagens cresceu 32%

EMANUEL ALENCAR

Motoristas enfrentam rush na hora do almoço na Lagoa: número maior de veículos particulares ajuda a deixar trânsito complicado - Marcelo Carnaval / Agência O Globo

RIO — Funcionária da prefeitura de Duque de Caxias, Vanessa Arduina, de 34 anos, mora no Catete e todos os dias perde pelo menos 90 minutos no trajeto de casa para o trabalho. Mesmo enfrentando o risco de pegar um enorme congestionamento, ela continua apostando no carro, diante da ineficiência e da falta de pontualidade do transporte público. Ainda longe dos preceitos sustentáveis, a dinâmica dos deslocamentos da Região Metropolitana do Rio continua bastante focada no transporte individual, em detrimento do coletivo. É o que mostram dados recentes do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), apresentados nesta segunda-feira pela Secretaria estadual de Transportes. Em 2003, o transporte individual era utilizado por 25,8% da população diariamente. Em 2012, 28,5% passaram a fazer uso dessa alternativa. Por outro lado, 74,2% usavam o transporte coletivo em 2003, fatia que encolheu para 71,5% em 2012.

Isso significa que o número de viagens de carro, táxi e motocicleta aumentou cerca de 3 pontos percentuais no período — mesmo índice de revés nas viagens de trem, metrô, ônibus e barcas. Em números absolutos, porém, todos os modais ganharam passageiros, algo esperado em função do crescimento da cidade: as viagens em coletivos subiram em 1,8 milhão por dia, totalizando 11 milhões. Enquanto isso, as viagens em transporte individual aumentaram 1,1 milhão por dia, chegando a 4,4 milhões. Também em função disso, o tempo médio diário gasto pelos motoristas de carro subiu 32%.

TENDÊNCIA É CENÁRIO MUDAR

Na avaliação do engenheiro Willian Aquino, especialista em transportes e coordenador do estudo, a política adotada pelo governo estimulou o uso de veículos de passeio — expressa no represamento dos preços da gasolina e nas facilidades de crédito. Embora reconheça que o retrato não foi positivo, Aquino lembra que a tendência para os próximos anos pode se inverter.

— A tendência do período estudado foi de maior utilização dos automóveis. Gasolina barata, estacionamentos sem controle, facilidade para comprar carro e aumento da renda média ajudam a explicar esse crescimento da maior utilização percentual dos automóveis — avalia Aquino. — Fica o alerta, mas essa não é uma situação inexorável. É claro que a pesquisa mostra uma situação preocupante. Mas acredito que o cenário possa mudar nos próximos anos. O Rio tem investido no transporte de massa, em BRT, VLT, nos bloqueios de acesso aos veículos de passeios em algumas regiões.

TRÊS HORÁRIOS DE RUSH

Em entrevista nesta segunda-feira ao programa "Bom dia, Brasil", na TV Globo, a secretária estadual de Transportes, Tatiana Carius, reconheceu que ainda há muito a ser feito para melhorar o transporte de alta capacidade na Região Metropolitana. Mas destacou os avanços conquistados desde 2007.

— Mobilidade urbana é o desafio de todas as grandes cidades. Temos que levar mais qualidade, conforto e pontualidade aos usuários. Não temos a utopia de ter resolvido os problemas. Mas o governo do estado vem investindo maciçamente, desde 2007, em transporte de massa. Ninguém constrói metrô de um dia para o outro — disse Tatiana, lembrando que o número de passageiros nos trens passou de 325 mil por dia, em 2007, para 680 mil, em 2014.

Vanessa Arduina, que abre mão do deslocamento sobre trilhos diariamente, preferindo seu carro para percorrer 57 quilômetros (viagens de ida e volta somadas), atribui os principais gargalos à falta de pontualidade e à integração deficiente entre os modais.

— Não vale a pena eu pegar ônibus e trem se não terei qualquer garantia de chegar na hora. Quem mora na Zona Sul e trabalha no Centro ainda se beneficia pegando apenas o metrô. No meu caso, teria que depender da pontualidade do trem e do ônibus, o que complica demais. Demoro muito para me deslocar de carro, mas ainda é a melhor opção — argumenta.

Quem também sente na pele as dificuldades de locomoção é Liliane Martins, de 36 anos, moradora de Itaboraí.

— Trabalho na Tijuca. O trânsito está cada vez mais complicado. Desde que comecei a trabalhar no Rio, há uns 18 anos, eu vejo mais carros nas ruas, o que piora o trânsito. Sem contar com as obras. Hoje tenho que sair de casa às 5h15m para estar no serviço às 8h. Pego um ônibus e um metrô para chegar — diz a cuidadora de idosos.

O PDTU mostrou que Liliane não está sozinha em seu sacrifício diário: quem usa transporte público sai mais cedo de casa, a maioria pouco antes da 6h. Ainda segundo a pesquisa, a hora do rush também acontece atualmente ao meio-dia — horário de almoço e de saída e entrada das escolas — e não apenas mais no começo da manhã e no fim da tarde.

MENOS PASSAGEIROS DE VANS

Outra constatação do estudo é que houve significativa redução do número de passageiros do transporte alternativo de 2003 para 2012. As viagens de vans e Kombis sofreram revés de 59,65% no período, caindo de 1,6 milhão/dia para apenas 658 mil.

Os deslocamentos a pé ou de bicicleta também caíram cinco pontos percentuais — de 37% para 31,8%.

— Com a implementação do bilhete único, pessoas que faziam viagens a pé ou de bicicleta para economizar dinheiro passaram a utilizar o transporte público. Uma parcela mais significativa de moradores do subúrbio — avalia Willian Aquino.

O economista Marcos Poggi, especialista em planejamento de transportes, também acredita em uma mudança de tendência na próxima década. Ele defende a implementação de políticas que tornem o uso do carro menos atraente:

— O aumento do uso do carro é inegável, mas essa tendência deve ser revertida. Infelizmente, as autoridades brasileiras ainda consideram pouco as alternativas de desestimular o uso do transporte individual colocando imposto na gasolina, ou induzindo o condutor particular a pagar mais por esse privilégio.

QUASE 300 MIL QUESTIONÁRIOS

Com o objetivo de traçar o segundo Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) do estado, que servirá de base para as políticas públicas no setor para os próximos anos, quase 300 mil questionários foram aplicados ao longo de 2012 e nos primeiros meses de 2013. Com recursos do tesouro estadual e do Banco Mundial (Bird), foram ouvidas pessoas em todas as estações de metrô, trens, barcas, postos de vistoria do Detran, rodoviárias de Rio, Niterói, Caxias e Campo Grande, além de aeroportos, todas as grandes rodovias de entrada da Região Metropolitana e portos. O primeiro PDTU foi feito em 2003, ainda no governo Rosinha Garotinho.

O estudo mapeia viagens de pessoas que moram há mais de cinco anos na Região Metropolitana do Rio. No transporte individual (veículos de passeio e motos), 43% dos entrevistados no último PDTU disseram se deslocar de casa para o trabalho, 34% de casa para compras, médicos e lazer e 11% de casa para o local de estudo. Já 52% dos que usam o transporte coletivo ou de massa fazem o percurso casa-trabalho e 20% vão de suas residências para locais de estudo. Em 2012, houve em média 1,8 milhão de viagens integradas — em diferentes modais — por dia.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Em 10 anos, uso de carros aumenta e o de ônibus cai

16/12/2014 - O Globo

Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano, entre 2003 e 2012, o uso de carro aumentou de 25,8% para 28,5% no Rio e agora a Região Metropolitana tem 3 horários de rush. Funcionária da prefeitura de Duque de Caxias, Vanessa Arduina, de 34 anos, mora no Catete e todos os dias perde pelo menos 90 minutos no trajeto de casa para o trabalho. Mesmo enfrentando o risco de pegar um enorme congestionamento, ela continua apostando no carro, diante da ineficiência e da falta de pontualidade do transporte público. Ainda longe dos preceitos sustentáveis, a dinâmica dos deslocamentos da Região Metropolitana do Rio continua bastante focada no transporte individual, em detrimento do coletivo. É o que mostram dados recentes do Plano Diretor de Transporte Urbano ( PDTU), apresentados ontem pela Secretaria estadual de Transportes. Em 2003, o transporte individual era utilizado por 25,8% da população diariamente. Em 2012, 28,5% passaram a fazer uso dessa alternativa. Por outro lado, 74,2% usavam o transporte coletivo em 2003, fatia que encolheu para 71,5% em 2012.

Isso significa que o número de viagens de carro, táxi e motocicleta aumentou cerca de 3 pontos percentuais no período — mesmo índice de revés nas viagens de trem, metrô, ônibus e barcas. Em números absolutos, porém, todos os modais ganharam passageiros, algo esperado em função do crescimento da cidade: as viagens em coletivos subiram em 1,8 milhão por dia, totalizando 11 milhões. Enquanto isso, as viagens em transporte individual aumentaram 1,1 milhão por dia, chegando a 4,4 milhões. Também em função disso, o tempo médio diário gasto pelos motoristas de carro subiu 32%.

TENDÊNCIA É CENÁRIO MUDAR

Na avaliação do engenheiro Willian Aquino, especialista em transportes e coordenador do estudo, a política adotada pelo governo estimulou o uso de veículos de passeio — expressa no represamento dos preços da gasolina e nas facilidades de crédito. Embora reconheça que o retrato não foi positivo, Aquino lembra que a tendência para os próximos anos pode se inverter.
— A tendência do período estudado foi de maior utilização dos automóveis. Gasolina barata, estacionamentos sem controle, facilidade para comprar carro e aumento da renda média ajudam a explicar esse crescimento da maior utilização percentual dos automóveis — avalia Aquino. — Fica o alerta, mas essa não é uma situação inexorável. É claro que a pesquisa mostra uma situação preocupante. Mas acredito que o cenário possa mudar nos próximos anos. O Rio tem investido no transporte de massa, em BRT, VLT, nos bloqueios de acesso aos veículos de passeios em algumas regiões.

TRÊS HORÁRIOS DE RUSH

Em entrevista ontem ao programa "Bom dia, Brasil", na TV Globo, a secretária estadual de Transportes, Tatiana Carius, reconheceu que ainda há muito a ser feito para melhorar o transporte de alta capacidade na Região Metropolitana. Mas destacou os avanços conquistados desde 2007.

— Mobilidade urbana é o desafio de todas as grandes cidades. Temos que levar mais qualidade, conforto e pontualidade aos usuários. Não temos a utopia de ter resolvido os problemas. Mas o governo do estado vem investindo maciçamente, desde 2007, em transporte de massa. Ninguém constrói metrô de um dia para o outro — disse Tatiana, lembrando que o número de passageiros nos trens passou de 325 mil por dia, em 2007, para 680 mil, em 2014.

Vanessa Arduina, que abre mão do deslocamento sobre trilhos diariamente, preferindo seu carro para percorrer 57 quilômetros (viagens de ida e volta somadas), atribui os principais gargalos à falta de pontualidade e à integração deficiente entre os modais.

— Não vale a pena eu pegar ônibus e trem se não terei qualquer garantia de chegar na hora. Quem mora na Zona Sul e trabalha no Centro ainda se beneficia pegando apenas o metrô. No meu caso, teria que depender da pontualidade do trem e do ônibus, o que complica demais. Demoro muito para me deslocar de carro, mas ainda é a melhor opção — argumenta.

Quem também sente na pele as dificuldades de locomoção é Liliane Martins, de 36 anos, moradora de Itaboraí.

— Trabalho na Tijuca. O trânsito está cada vez mais complicado. Desde que comecei a trabalhar no Rio, há uns 18 anos, eu vejo mais carros nas ruas, o que piora o trânsito. Sem contar com as obras. Hoje tenho que sair de casa às 5h15m para estar no serviço às 8h. Pego um ônibus e um metrô para chegar — diz a cuidadora de idosos.

O PDTU mostrou que Liliane não está sozinha em seu sacrifício diário: quem usa transporte público sai mais cedo de casa, a maioria pouco antes da 6h. Ainda segundo a pesquisa, a hora do rush também acontece atualmente ao meio- dia — horário de almoço e de saída e entrada das escolas — e não apenas mais no começo da manhã e no fim da tarde.

MENOS PASSAGEIROS DE VANS

Outra constatação do estudo é que houve significativa redução do número de passageiros do transporte alternativo de 2003 para 2012. As viagens de vans e Kombis sofreram revés de 59,65% no período, caindo de 1,6 milhão/dia para apenas 658 mil.
Os deslocamentos a pé ou de bicicleta também caíram cinco pontos percentuais — de 37% para 31,8%.

— Com a implementação do bilhete único, pessoas que faziam viagens a pé ou de bicicleta para economizar dinheiro passaram a utilizar o transporte público. Uma parcela mais significativa de moradores do subúrbio — avalia Willian Aquino.
O economista Marcos Poggi, especialista em planejamento de transportes, também acredita em uma mudança de tendência na próxima década. Ele defende a implementação de políticas que tornem o uso do carro menos atraente:

— O aumento do uso do carro é inegável, mas essa tendência deve ser revertida. Infelizmente, as autoridades brasileiras ainda consideram pouco as alternativas de desestimular o uso do transporte individual colocando imposto na gasolina, ou induzindo o condutor particular a pagar mais por esse privilégio.

Uso de carros aumenta em dez anos e Região Metropolitana passa a ter três horários de rush

15/12/2014 - O Globo

Plano estadual de mobilidade detecta piora no trânsito. Tempo médio de viagens cresceu 32%

EMANUEL ALENCAR

Motoristas enfrentam rush na hora do almoço na Lagoa: número maior de veículos particulares ajuda a deixar trânsito complicado - Marcelo Carnaval / Agência O Globo

RIO — Funcionária da prefeitura de Duque de Caxias, Vanessa Arduina, de 34 anos, mora no Catete e todos os dias perde pelo menos 90 minutos no trajeto de casa para o trabalho. Mesmo enfrentando o risco de pegar um enorme congestionamento, ela continua apostando no carro, diante da ineficiência e da falta de pontualidade do transporte público. Ainda longe dos preceitos sustentáveis, a dinâmica dos deslocamentos da Região Metropolitana do Rio continua bastante focada no transporte individual, em detrimento do coletivo. É o que mostram dados recentes do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), apresentados nesta segunda-feira pela Secretaria estadual de Transportes. Em 2003, o transporte individual era utilizado por 25,8% da população diariamente. Em 2012, 28,5% passaram a fazer uso dessa alternativa. Por outro lado, 74,2% usavam o transporte coletivo em 2003, fatia que encolheu para 71,5% em 2012.

Isso significa que o número de viagens de carro, táxi e motocicleta aumentou cerca de 3 pontos percentuais no período — mesmo índice de revés nas viagens de trem, metrô, ônibus e barcas. Em números absolutos, porém, todos os modais ganharam passageiros, algo esperado em função do crescimento da cidade: as viagens em coletivos subiram em 1,8 milhão por dia, totalizando 11 milhões. Enquanto isso, as viagens em transporte individual aumentaram 1,1 milhão por dia, chegando a 4,4 milhões. Também em função disso, o tempo médio diário gasto pelos motoristas de carro subiu 32%.

TENDÊNCIA É CENÁRIO MUDAR

Na avaliação do engenheiro Willian Aquino, especialista em transportes e coordenador do estudo, a política adotada pelo governo estimulou o uso de veículos de passeio — expressa no represamento dos preços da gasolina e nas facilidades de crédito. Embora reconheça que o retrato não foi positivo, Aquino lembra que a tendência para os próximos anos pode se inverter.

— A tendência do período estudado foi de maior utilização dos automóveis. Gasolina barata, estacionamentos sem controle, facilidade para comprar carro e aumento da renda média ajudam a explicar esse crescimento da maior utilização percentual dos automóveis — avalia Aquino. — Fica o alerta, mas essa não é uma situação inexorável. É claro que a pesquisa mostra uma situação preocupante. Mas acredito que o cenário possa mudar nos próximos anos. O Rio tem investido no transporte de massa, em BRT, VLT, nos bloqueios de acesso aos veículos de passeios em algumas regiões.

TRÊS HORÁRIOS DE RUSH

Em entrevista nesta segunda-feira ao programa "Bom dia, Brasil", na TV Globo, a secretária estadual de Transportes, Tatiana Carius, reconheceu que ainda há muito a ser feito para melhorar o transporte de alta capacidade na Região Metropolitana. Mas destacou os avanços conquistados desde 2007.

— Mobilidade urbana é o desafio de todas as grandes cidades. Temos que levar mais qualidade, conforto e pontualidade aos usuários. Não temos a utopia de ter resolvido os problemas. Mas o governo do estado vem investindo maciçamente, desde 2007, em transporte de massa. Ninguém constrói metrô de um dia para o outro — disse Tatiana, lembrando que o número de passageiros nos trens passou de 325 mil por dia, em 2007, para 680 mil, em 2014.

Vanessa Arduina, que abre mão do deslocamento sobre trilhos diariamente, preferindo seu carro para percorrer 57 quilômetros (viagens de ida e volta somadas), atribui os principais gargalos à falta de pontualidade e à integração deficiente entre os modais.

— Não vale a pena eu pegar ônibus e trem se não terei qualquer garantia de chegar na hora. Quem mora na Zona Sul e trabalha no Centro ainda se beneficia pegando apenas o metrô. No meu caso, teria que depender da pontualidade do trem e do ônibus, o que complica demais. Demoro muito para me deslocar de carro, mas ainda é a melhor opção — argumenta.

Quem também sente na pele as dificuldades de locomoção é Liliane Martins, de 36 anos, moradora de Itaboraí.

— Trabalho na Tijuca. O trânsito está cada vez mais complicado. Desde que comecei a trabalhar no Rio, há uns 18 anos, eu vejo mais carros nas ruas, o que piora o trânsito. Sem contar com as obras. Hoje tenho que sair de casa às 5h15m para estar no serviço às 8h. Pego um ônibus e um metrô para chegar — diz a cuidadora de idosos.

O PDTU mostrou que Liliane não está sozinha em seu sacrifício diário: quem usa transporte público sai mais cedo de casa, a maioria pouco antes da 6h. Ainda segundo a pesquisa, a hora do rush também acontece atualmente ao meio-dia — horário de almoço e de saída e entrada das escolas — e não apenas mais no começo da manhã e no fim da tarde.

MENOS PASSAGEIROS DE VANS

Outra constatação do estudo é que houve significativa redução do número de passageiros do transporte alternativo de 2003 para 2012. As viagens de vans e Kombis sofreram revés de 59,65% no período, caindo de 1,6 milhão/dia para apenas 658 mil.

Os deslocamentos a pé ou de bicicleta também caíram cinco pontos percentuais — de 37% para 31,8%.

— Com a implementação do bilhete único, pessoas que faziam viagens a pé ou de bicicleta para economizar dinheiro passaram a utilizar o transporte público. Uma parcela mais significativa de moradores do subúrbio — avalia Willian Aquino.

O economista Marcos Poggi, especialista em planejamento de transportes, também acredita em uma mudança de tendência na próxima década. Ele defende a implementação de políticas que tornem o uso do carro menos atraente:

— O aumento do uso do carro é inegável, mas essa tendência deve ser revertida. Infelizmente, as autoridades brasileiras ainda consideram pouco as alternativas de desestimular o uso do transporte individual colocando imposto na gasolina, ou induzindo o condutor particular a pagar mais por esse privilégio.

QUASE 300 MIL QUESTIONÁRIOS

Com o objetivo de traçar o segundo Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) do estado, que servirá de base para as políticas públicas no setor para os próximos anos, quase 300 mil questionários foram aplicados ao longo de 2012 e nos primeiros meses de 2013. Com recursos do tesouro estadual e do Banco Mundial (Bird), foram ouvidas pessoas em todas as estações de metrô, trens, barcas, postos de vistoria do Detran, rodoviárias de Rio, Niterói, Caxias e Campo Grande, além de aeroportos, todas as grandes rodovias de entrada da Região Metropolitana e portos. O primeiro PDTU foi feito em 2003, ainda no governo Rosinha Garotinho.

O estudo mapeia viagens de pessoas que moram há mais de cinco anos na Região Metropolitana do Rio. No transporte individual (veículos de passeio e motos), 43% dos entrevistados no último PDTU disseram se deslocar de casa para o trabalho, 34% de casa para compras, médicos e lazer e 11% de casa para o local de estudo. Já 52% dos que usam o transporte coletivo ou de massa fazem o percurso casa-trabalho e 20% vão de suas residências para locais de estudo. Em 2012, houve em média 1,8 milhão de viagens integradas — em diferentes modais — por dia.