sexta-feira, 31 de julho de 2015

Velho Bragança ressurge no coração da Lapa

31/07/2015 - O Globo, Luiz Gustavo Schmitt

Após décadas de abandono, a arquitetura eclética do prédio do antigo Grande Hotel Bragança ressurge imponente no Largo da Lapa. O imóvel teve a fachada restaurada e as duas cúpulas reconstruídas. O edifício original, de quatro andares, foi preservado e terá 14 quartos. Nos fundos do terreno, foi erguido um anexo, onde funcionará um hotel três estrelas que espera atrair jovens executivos que usam o Santos Dumont.

Segundo o coordenador do projeto Manuel Fiaschi, da a+ Arquitetura, a obra será concluída em outubro. A previsão é que o hotel seja aberto ao público em janeiro de 2016, mas a bandeira que irá administrá- lo permanece em sigilo. Ele explica que o trabalho de restauração foi acompanhado por órgãos de patrimônio, como Inepac e Iphan:

- Esse prédio é uma joia, mas estava muito deteriorado. Quem ficar hospedado no Bragança, um exemplo marcante do ecletismo, terá contato com uma arquitetura do Rio Antigo.

Responsável pelo projeto de engenharia, Vanessa Pontes explica que 90% da obra já estão concluídos.

- Do prédio antigo, mantivemos só as fachadas e fizemos um reforço estrutural. O interior passou por um retrofit - disse.

Erguido em 1906, o Grande Hotel Bragança hospedou artistas como Noel Rosa e Di Cavalcanti. Fechado desde os anos 1940, foi invadido na década de 1990 e chegou a ser habitado por 70 famílias. A desocupação veio em 2010, junto com a interdição feita pela Defesa Civil. Com uma dívida de IPTU de R$ 2,5 milhões, foi leiloado pela prefeitura.

Para Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, a restauração é um sinal de que o Rio, aos poucos, se reencontra com sua história:

- Esperamos que surjam mais exemplos como esse.

O historiador e arquiteto Nireu Cavalcanti elogia a iniciativa, mas cobra mais ações da prefeitura na região.

- É preciso criar condições para que essa região seja revitalizada - diz.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Encerradas audiências públicas para projeto da nova ferrovia

30/07/2015 - Jornal Ururau

Foi encerrada nesta terça-feira (28/07), em Brasília, a última etapa de audiências públicas da nova ferrovia Rio-Vitória (EF-118). Com potencial de carga de 100 milhões de toneladas por ano, a EF-118 interligará a Região Metropolitana do Rio com Vila Velha, em Vitória. Em Campos, no dia 17 deste mês, uma audiência foi realizada para apresentar as modificações no projeto que serão feitas no trecho entre Campos e o Açu, em São João da Barra.

Em todos os encontros, que aconteceram em Campos, Brasília, Rio de Janeiro e Vitória, foram apresentados em detalhes o projeto de engenharia de implantação da nova ferrovia, incluindo traçado detalhado, infraestrutura da obra, potencial logístico, integração com a malha ferroviária nacional e com os portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, e o potencial de geração de negócios.

Agora, todas as sugestões recebidas durante os encontros serão encaminhadas para discussões técnicas e, caso seja necessário, ajustes no planejamento da nova ferrovia serão implantados. A próxima fase é encaminhar o projeto da EF-118 para apreciação do Tribunal de Contas da União (TCU) e, posteriormente, colocar em licitação pública pelo Governo Federal para concessão por meio de Parceria Público Privada (PPP).

Com orçamento de R$ 7,6 bilhões, a EF-118 terá 577,8 km de extensão, sendo 169,2 Km no Espírito Santo e 404,6 Km no Rio de Janeiro, e interligará os complexos portuários dos dois estados. O projeto prevê a implantação de seis túneis, 171 viadutos rodoviários, 130 pontes ferroviárias, 117 passagens inferiores e 60 passagens de pedestres.

Com potencial de carga de 100 milhões de toneladas por ano, a EF-118 interligará a Região Metropolitana do Rio com Vila Velha, Vitória. A ferrovia se articulará com a futura EF-354 (Estrada de Ferro Transcontinental - ligação ao Peru), a partir de Campos, atravessando as regiões minerais e agrícolas de Minas Gerais e do Centro Oeste brasileiro, e possibilitando a conexão com os mercados europeu e asiático. Além disso, a nova ferrovia estará interligada com a rede da concessionária MRS, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo e Minas Gerais. E, no Espírito Santo, com a estrada de ferro Vitória-Minas.

A EF-118 atenderá a demanda da rede portuária dos dois estados, incluindo os portos de Sepetiba, Itaguaí, Macaé, Barra do Furado e Açu, no Rio de Janeiro, e os portos Central, Ubu, Tubarão e Vitória, no Espírito Santo e posicionará o Rio de Janeiro como a plataforma logística de classe mundial. A província portuária do Rio de Janeiro e do Espírito Santo será a maior do país, estando ancorada pelos superportos do Açu, do Rio de Janeiro e Central, no Espírito Santo. Esses são dois portos de grande capacidade, calado profundo acima de 20 metros, capazes de receber navios graneleiros de última geração. Essa nova infraestrutura logística, que integra portos e ferrovias de grande capacidade, possibilitará a atração para o Rio de Janeiro de novos empreendimentos industriais e logísticos, fazendo do estado uma grande plataforma de entrada e saída de produtos de todo o Brasil, com geração de emprego e renda de forma sustentável e por longo prazo.

A nova ferrovia Rio-Vitória faz parte do Programa de Infraestrutura e Logística (PIL), lançado pela presidente Dilma Rousseff no mês passado, que prevê a concessão, por parte da União, de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos em todo o país.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Com 5,45 quilômetros de extensão, nova ciclovia vai ligar o Pontal, no Recreio, a Vargem Pequena

Obras iniciadas esta semana devem ser concluídas dentro de um ano. Pista fará parte do sistema batizado de Corredor Verde

POR SELMA SCHMIDT

29/07/2015 - O Globo


Perspectiva de como ficará a nova ciclovia, num trecho de calçada que será requalificada - Prefeitura do Rio / Divulgação

RIO — Prática comum na região, pedalar do Recreio dos Bandeirantes até Vargem Grande ou Vargem Pequena, e vice-versa, vai se tornar uma atividade mais segura para ciclistas, que não precisarão disputar espaço com carros, caminhões e ônibus durante o trajeto. Esta semana, a Secretaria municipal de Meio Ambiente deu a largada nas obras de construção de uma ciclovia que terá 5,45 quilômetros de extensão e deverá ficar pronta em um ano. Segundo o secretário Carlos Alberto Muniz, a futura pista fará parte do sistema cicloviário batizado de Corredor Verde.

— Estamos implantando esse corredor, que tem como objetivo interligar unidades de conservação municipais como Prainha, Grumari, Reserva de Marapendi e Parque Chico Mendes. O ciclista poderá ir, com segurança, até os equipamentos olímpicos, na Barra da Tijuca — explica Muniz.

INTEGRAÇÃO COM ESTAÇÃO DO BRT

O traçado da nova ciclovia na Zona Oeste começa na Estrada do Pontal, próximo à ponte sobre o Canal do Rio Morto, que leva à Praia do Pontal, e segue o caminho do Canal do Rio Morto. Na altura do Recreio Shopping, passa sob a Avenida das Américas, em direção à Estrada dos Bandeirantes.

Quem quiser, poderá deixar sua "magrela" num bicicletário e embarcar num ônibus do BRT. Para isso, terá de sair da ciclovia e pedalar 200 metros até uma estação no Recreio Shopping.

O projeto, que terá investimento de R$ 5,3 milhões, prevê intervenções de urbanização e requalificação da região. Serão feitas obras de terraplanagem e drenagem, além de plantio de árvores e redesenho de calçadas e meio-fio. Os recursos para as intervenções não sairão dos cofres públicos. As obras serão custeadas por empresas, por meio de medidas de compensação ambiental.

Atualmente, o Rio conta com 380 quilômetros de ciclovias. Uma rede que, de acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, é a maior da América Latina. Muniz garante que, até o fim de 2016, a cidade chegará a pelo menos 450 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e faixas compartilhadas:

— Lembra da música "Do Leme ao Pontal", cantada por Tim Maia? No ano que vem, o ciclista vai poder sair da Praça Mauá (Porto Maravilha) e pedalar até lá, sem sair de uma pista exclusiva.

Hoje, 80 quilômetros de pistas para bicicletas, exclusivas ou compartilhadas, estão sendo instalados, incluindo a ciclovia que vai do Pontal à Estrada dos Bandeirantes.

Somente na Zona Portuária, são 17 quilômetros de vias para bicicletas em fase de execução. No interior das favelas que compõem o Complexo da Maré, o plano de mobilidade em implantação contempla 22,30 quilômetros de ciclofaixas e faixas compartilhadas em pistas e calçadas.

Também em implantação, a rota cicloviária que passa por Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo e Botafogo terá 10,40 quilômetros de extensão. Ainda estão em andamento a pista para que vai Parque Madureira à Avenida Brasil, na altura de Guadalupe (3,5 quilômetros) e a que margeia a Avenida Niemeyer, do Leblon a São Conrado (3,72 quilômetros).



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/com-545-quilometros-de-extensao-nova-ciclovia-vai-ligar-pontal-no-recreio-vargem-pequena-16998970#ixzz3hJ42mNgM 
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domingo, 26 de julho de 2015

Itinerários do VLT levarão passageiros a conhecer prédios e lugares do Rio de outros tempos

Antigas linhas são desenterradas no Centro durante obras para o VLT

Trilhos dos antigos bondes ressurgem com as obras

POR RAFAEL GALDO / SIMONE CANDIDA

26/07/2015 - O Globo



Rede de transporte. Mapa de itinerários de bondes que cortavam a cidade - Reprodução

RIO - Nas escavações do VLT, também se encontrou o passado do Rio. Os trilhos dos antigos bondes que cruzavam a cidade estão ressurgindo com as obras para implantação do novo sistema. À medida que é retirado o asfalto, eles reaparecem em ruas como a da Constituição e as do entorno da Praça Tiradentes, revelando um tempo em que os velhos veículos verdes-escuros eram o principal meio de transporte público da cidade - da segunda metade do século XIX a meados do século XX.

Foi justo nessa região, aliás, que surgiu uma das primeiras linhas de bonde do Rio, ligando a Praça Tiradentes à Usina, ressalta o pesquisador Paulo Clarindo, coordenador do grupo Amigos do Patrimônio Cultural. Na época, o inglês Thomas Cochrane conseguiu a concessão do governo imperial para, em 1859, inaugurar as viagens em veículos então puxados por burros e apelidados de "maxambombas". Era o início de uma era na cidade, que chegou ao começo do século XX com uma rede que cortava quase todas as principais ruas do Centro.

- Os trilhos encontrados agora não deixam de ser uma arqueologia dessa época. Por isso, defendemos que todo esse material seja documentado, com acompanhamento de arqueólogos - diz Clarindo.



VÍDEO Um passeio de VLT pela história do Rio


INFOGRÁFICO Um passeio pela história do Rio
Rio Branco, uma avenida novamente em transformação

Foi um meio de transporte, lembra o historiador Nireu Cavalcanti, que resistiu até a década de 1960, quando foi paulatinamente substituído pelos ônibus. Antes disso, porém, era quase impossível imaginar o Rio sem ele.

- Ao se fundar um bairro na cidade, a primeira coisa que se fazia era criar uma linha de bonde, como aconteceu com Vila Isabel e Copacabana. Já o Centro era totalmente cortado pelas linhas. Em praticamente todas as principais ruas da região, vão se encontrar vestígios dos trilhos - diz ele.

Agora, com o VLT, a opção do transporte sobre trilhos volta ao Centro. Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Pedro da Luz Moreira, isso representa uma mudança na mobilidade da região, abrindo a possibilidade de integração com outros meios, como as barcas, na Praça Quinze, o metrô, na Cinelândia, e os trens, na Central do Brasil. O bonde moderno permitirá também uma conexão mais eficiente entre o Santos Dumont e a rodoviária.

- Além disso, o VLT tem uma interface com pedestres e moradores muito mais amigável do que o ônibus. É mais silencioso, tem maior capacidade de transporte e, portanto, oferece mais qualidade. O que precisamos estar atentos agora é para que esses meios de transporte não sejam concorrentes, mas complementares - diz.

COMO SERÁ O VLT

BONDE MODERNO: As composições do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) comportarão, em média, 420 passageiros. Elas terão 3,77 metros de altura, 44 de comprimento e 2,65 de largura, com um padrão de sete módulos integrados (correspondentes a três vagões). O sistema terá capacidade para transportar cerca de 300 mil passageiros por dia. A proposta é que, com os VLTs, seja reduzido o número de linhas de ônibus que passam pelo Centro.

FROTA: Ao todo, o sistema terá 32 trens. O primeiro deles chegou da França no início deste mês e, na semana passada, permanecia no canteiro de obras próximo à Rodoviária Novo Rio. Outros quatro também virão da Europa, enquanto os demais serão montados na fábrica da Alstom em Taubaté, São Paulo. O segundo trem deverá chegar daqui a duas semanas. A previsão é que a frota esteja completa no fim do ano. Os trens serão equipados com ar-condicionado e terão piso rebaixado, facilitando a acessibilidade.

ESTAÇÕES: Quando todo o sistema estiver pronto, com seus 28 quilômetros, serão 32 paradas. Haverá quatro estações principais (Rodoviária Novo Rio, Santos Dumont, Praça Quinze e Central), e outras menores. Os protótipos já foram aprovados, e as primeiras estações deverão começar a ser instaladas ao longo deste segundo semestre, provavelmente a partir de setembro.

FUNCIONAMENTO: O VLT vai operar 24 horas por dia, sete dias por semana. Os intervalos deverão variar entre três e 15 minutos, dependendo da linha e do horário. De madrugada, os veículos circularão a cada meia hora. O sistema de pagamento prevê a utilização do Bilhete Único e a validação voluntária, sem roletas.

ENERGIA:. Os veículos serão movidos por um sistema chamado de APS (sigla para ''alimentação pelo solo''), que consiste em um condutor que, entre os trilhos, fornece energia para o VLT. Com isso, não será necessária a instalação de redes áreas de eletricidade.

VELOCIDADE: A velocidade média dos trens será de 17 km/h.

CUSTO: O custo da implantação do sistema está previsto em R$ 1,157 bilhão. Desse total, R$ 532 milhões são recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, e R$ 625 milhões foram viabilizados por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/antigas-linhas-sao-desenterradas-no-centro-durante-obras-para-vlt-16967424#ixzz3h1ZYjccR 
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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Em dia de protesto, motoristas do Uber trabalham descaracterizados para evitar conflitos com taxistas

Companhia oferece viagens gratuitas no valor de até R$ 50 aos seus usuários nesta sexta-feira

POR DARLAN AZEVEDO

24/07/2015 - O Globo

RIO - Para evitar conflitos com taxistas que promovem uma mega manifestação desde o início da manhã desta sexta-feira no Rio, os motoristas do aplicativo Uber estavam trabalhando descaracterizados. Segundo um dos funcionários da empresa, a orientação era para manter o serviço ativo, apesar dos protestos dos taxistas:

— Nos pediram apenas para não usarmos o uniforme, nem o boné, pois os taxistas estão nos hostilizando. Todos os motoristas estão descaracterizados — contou o motorista, que afirma ainda que a demanda nesta sexta-feira está alta.

Pela manhã, quem tentava pedir um carro do serviço no Centro do Rio encontrava dificuldades. Um dos motivos para a grande procura, além da manifestação dos taxistas, era a promoção que foi anunciada pela empresa, que oferecia corridas gratuitas. O usuário que digitasse o código "RIONAOPARA" ganhava duas viagens de R$ 50 para usar entre 7h e 19h.

De acordo com Fabio Sabba, porta-voz do Uber no Brasil, a empresa também suspendeu nesta sexta-feira o chamado "preço dinâmico" que a empresa institui em ocasiões em que a demanda por seus motoristas é maior que a oferta — nessas situações, o valor das suas corridas sofre um aumento até que a oferta se normalize.

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Em nota, a Uber afirma que "defende que os usuários têm o direito de escolher o modo que desejam se movimentar pela cidade". A nota acrescenta que no Rio, "que tem uma população que precisa de opções de transporte e que recebe milhares de turistas de todo o mundo anualmente, a inovação é crucial para que a cidade fique cada vez mais conectada, transparente e inteligente". A Uber encerra a nota dizendo que "acredita que é possível trazer uma série de melhorias para a sociedade, gerando novas oportunidades de negócio para milhares de motoristas parceiros e ao mesmo tempo oferecer novas opções de mobilidade urbana".

Um motorista, que preferiu não se identificar, contou que em alguns lugares onde foram registradas confusões os carros não pararam. Além disso, a orientação da empresa era não revidar.

— Certos lugares que estão com confusões a gente não está parando. A orientação é para não revidar. Caso sejam hostilizados, os motoristas devem se reportar aos advogados da empresa — disse.

Ainda de acordo com o motorista, que trabalhou durante 14 anos como condutor de ônibus, a Uber estaria pagado um bônus para quem está trabalhando nesta sexta-feira:

— Estou precisando de dinheiro. Eestou me arriscando para trabalhar hoje só pela necessidade. O dia está muito bom para nosso trabalho. Os descontos de hoje só funcionam para os clientes. Na prática, nós continuamos recebendo o valor da corrida. Além disso, hoje não estamos sendo descontados os 20% que a empresa cobra, como também ganhamos uma bonificação de 30% a mais por cada corrida — afirmou um motorista do Uber, que preferiu não se identificar.


Manifestação de taxistas no Aterro do Flamengo contra o aplicativo Uber - Pablo Jacob / Agência O Globo

Segundo o motorista, a empresa entrou no mercado pela qualidade. Um dos motivos, por exemplo, seria de que taxistas negam corridas curtas, e o aplicativo não permite fazer isso. Além disso, o motorista afirma que a empresa paga todo tipo de reparo nos veículos em caso de batidas ou mesmo ações de vandalismo provocadas por taxistas, subsidiam as multas por eventual fiscalização dos órgãos públicos. Mas o padrão de exigência de alto:

— Se eu perder uma estrela do meu padrão de qualidade (são 5 no máximo), eu preciso dar explicações aos superiores. Se não for muito convincente, volto para o curso de reciclagem — afirma.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dia-de-protesto-motoristas-do-uber-trabalham-descaracterizados-para-evitar-conflitos-com-taxistas-16933138#ixzz3gqM47VHx 
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quinta-feira, 23 de julho de 2015

O inferno astral de Santa Teresa

23/07/2015 - O Globo

Presidente da Amast, Jacques Schwarzstein - "A esta altura do campeonato, estamos lutando para que a obra seja concluída. Não é nem mais para reduzir o tempo"

Sentado num banquinho na calçada, Arnaudo Gomes de Souza observava, próximo ao Largo dos Guimarães, a rua tomada por obras. Era quase meio- dia de ontem, hora do almoço. Sem clientes para recepcionar, o dono de um dos restaurantes mais tradicionais de Santa Teresa, o Bar do Arnaudo, era o retrato fiel de um bairro tomado pela melancolia. Mês que vem, fará quatro anos que os bondes deixaram de circular, após um acidente com seis mortos. Nesse período, as obras para colocá- los de volta nos trilhos se arrastaram, espalhando descrença e prejuízos. O novo prazo para concluí- las escapou do governador Luiz Fernando Pezão anteontem: devem ficar prontas, agora, somente no primeiro semestre de 2017. O que só prolonga o inferno astral do tradicional bairro, que se ressente ainda da escalada da violência.

Todos sofrem: moradores, comerciantes, artistas e também quem visita suas ladeiras. Só nos setores de comércio e serviços, aponta Natacha Fink, integrante da Associação de Amigos e Empreendedores do bairro ( Ame Santa, que reúne 25 empresários), as perdas no faturamento se mantêm perto dos 40%, com o fundo do poço registrado em maio passado, quando chegaram a 60%. Em relação ao período anterior às obras, no caso do Bar do Arnaudo, a queda no movimento chega a pelo menos 60%.

— Os clientes foram embora. Ficaram as pedras e a poeira. Só há movimento nos fins de semana e um pouco na sextafeira. Ainda tenho o privilégio de ter um imóvel próprio. Mas quem paga aluguel não vai aguentar. A incerteza é geral — diz Arnaudo.

O acidente com o bonde — na Rua Joaquim Murtinho, em 27 de agosto de 2011 — desatou um período de turbulências em Santa Teresa. Na época, o então governador Sérgio Cabral admitiu que o sistema estava sucateado e mal gerido, interrompendoo. Dois anos depois, em novembro de 2013, o governo anunciou o início de obras para recuperá- lo. Na ocasião, prometeu que, ao longo de 2014, os bondes estariam de volta.

SUCESSÃO DE FALHAS DE PLANEJAMENTO

Depois de erros e imprevistos, como um problema no rejunte dos trilhos com os paralelepípedos, apenas cerca de 33% das obras ( ou 3,5 quilômetros) foram concluídos pelo consórcio Elmo- Azvi. Os testes operacionais com os primeiros bondes só começaram no último dia 7. O governo vinha evitando falar num novo prazo para o término das obras, embora os custos estimados das intervenções já sejam 49% mais altos que o valor inicial — eram R$ 58,6 milhões, em junho de 2013, e passaram para R$ 87,1 milhões.

Até que, num descuido, durante uma visita ao canteiro de obras da Linha 4 do metrô, o governador Pezão falou anteontem sobre o novo prazo para o término dos trabalhos. Ele chegou a dizer que tudo ficaria pronto em meados de 2016, para depois, após uma troca de olhares com o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, retificar:

— Queremos estar com toda a obra pronta lá para o o primeiro semestre de 2017. Estou priorizando recursos para não ter descontinuidade. Mas não é um lugar fácil de trabalhar. Já tivemos muitos problemas — disse ele, que chegou a fazer um mea culpa. — Acho que houve falhas do governo do estado na interlocução com os moradores. Mas isso foi retomado com a gestão do Osorio. Acredito que a obra vai tomar ritmo.

O novo prazo foi mais um balde de água fria para os moradores, que já não suportam a espera.

— A esta altura do campeonato, estamos lutando para que a obra seja concluída. Não é nem mais para reduzir o tempo. Mas para garantir que termine com qualidade e segurança — diz Jacques Schwarzstein, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa ( Amast).

Pedro da Luz Moreira, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil ( IAB) e morador do bairro, afirma que uma sucessão de fatos evidencia que a falta de planejamento da obra — que sequer teve projeto executivo, por exemplo — contribuiu para os atrasos.

— O que está sendo realizado não corresponde a um terço das obras. Se a gente olha para trás e vê a quantidade de imprevistos, não acredita até que o novo prazo dado pelo governo seja cumprido — diz ele, embora continue otimista em relação a uma melhora do bairro.

A esperança de que a vida volte ao normal é compartilhada pelo artista plástico Luiz de França Zod — autor da logomarca do bonde "chorando", que virou febre nas ruas do bairro após o acidente de 2011. Ontem, ele colava no Largo dos Guimarães um pôster declarando seu amor por Santa, numa forma também de protesto:

— Recentemente, as obras até parecem andar com mais velocidade. Santa Teresa sem o bonde fica sem sua alma, sem sua poesia.

TRECHO EM PRÉ- OPERAÇÃO ESTE MÊS

Pelo menos um gostinho da Santa Teresa dos veículos amarelinhos poderá ser revivido até o fim deste mês, garante Osorio. Segundo ele, em breve entrará em pré- operação, das 11h às 16h e sem cobrança de passagens, o trecho do Largo da Carioca até o Curvelo, único com obras finalizadas. O secretário diz ainda que o prazo de 2017 anunciado por Pezão representa um cenário mais pessimista. De acordo com ele, o cronograma está sendo reavaliado e o término pode ser antecipado.

No momento, segundo a Secretaria estadual de Transportes, são realizados trabalhos de instalação de trilhos, concretagem e asfaltamento num trecho da Rua Paschoal Carlos Magno. Também são feitos escavações, instalação de trilhos, concretagem e asfaltamento na Rua Almirante Alexandrino, entre o Largo dos Guimarães e a esquina da Rua Cândido Mendes. Esses serviços devem estar prontos até o final de agosto.

Em seguida, serão executadas obras do Largo dos Guimarães até o pátio de oficinas dos bondes, na Rua Carlos Brant, com prazo de conclusão para o final do mês de setembro. Caso as metas estabelecidas não sejam cumpridas, o governo do estado poderá cancelar o contrato com o consórcio construtor.

— Em setembro, devemos apresentar um cronograma oficial e definitivo das obras — afirma Osorio.

Enquanto isso, numa tentativa de continuar atraindo os olhares para o bairro, os eventos em Santa Teresa driblam os transtornos das obras. No próximo fim de semana, por exemplo, acontece a 25 ª edição do Arte de Portas Abertas. De acordo com Regina Marconi, da Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa, a expectativa é que os ateliês participantes recebam até 30 mil pessoas. Se o bonde estivesse operando, diz ela, o número poderia ser muito maior:

— Era comum que as famílias aproveitassem a festa para andar de bonde. Estamos com saudade da alegria dos bondinhos.

TÁXIS SE NEGAM A IR AO BAIRRO

Outros meios de transporte no bairro também são motivos de queixas. No Bar do Mineiro, o gerente Alexandre Tulio Paixão diz que o faturamento caiu 30% desde janeiro deste ano, o que atribui também a outro empecilho:

— Os frequentadores reclamam muito mesmo é dos táxis, que não querem subir até o bairro por causa das obras. Um cliente tentou parar cinco táxis e só o último aceitou subir. Isso tudo por causa dessas obras, porque o trânsito fica uma loucura. Os ônibus substituem os bondes, mas não são nem um pouco eficientes.

No setor hoteleiro, a diretora- geral do Hotel Santa Teresa, Mônica Paixão, reclama do fato de seus clientes terem de conviver com o caos:

— O hotel ficou desde março de 2014 sem a portaria principal. Só foi liberada há duas semanas. O bondinho é a principal atração para os estrangeiros e faz falta.

O aumento da violência também preocupa. Em maio, a guerra pelo controle do tráfico no Morro da Coroa, que tem uma Unidade de Polícia Pacificadora ( UPP) desde fevereiro de 2011, deixou oito mortos. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, os registros na delegacia do bairro, a 7 ª DP, também apontaram uma piora na situação: foram 81 assaltos a transeuntes, contra 63 no mesmo período do ano passado ( um aumento de 28,5%).

No último domingo à noite, um bandido com uma pistola e outro com uma granada assaltaram a Santa Quitanda, no Largo dos Guimarães. A poucos metros da 7 ª DP, eles fizeram funcionários e clientes reféns e fugiram levando celulares, dinheiro e produtos como uísque, vinho e cigarros.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Primeiro parklet da Zona Sul ficará em Ipanema

22/07/2015 - O Globo

POR FERNANDA PONTES


Parklet da Rua Barão da Torre
Parklet da Rua Barão da Torre | Divulgação

Vai ficar em Ipanema o primeiro parklet da Zona Sul. O espaço, que funciona como extensão da calçada e ocupa vagas de estacionamento, terá lounge e jardineiras, e será instalado em frente ao Delirium Café, na Rua Barão da Torre. A proposta da Parada Carioca, como o parklet é chamdo pela subprefeitura, é criar um lugar de confraternização (veja a foto). 

A floresta de Alphaville

22/07/2015 - IstoÉ Dinheiro, Sustentabilidade

Maricá é um dos municípios da região dos Lagos, no Rio de Janeiro, que mais sofreu com a degradação ambiental. Esse quadro tende a mudar, graças à ação da Fundação Alphaville, comandada por Giovanna Kill, que está trabalhando para implantar uma reserva ambiental, de 55 hectares, nas cercanias do condomínio que a Alphaville está implantando na cidade. 

Tatuzão supera ponto crítico e chega ao Leblon

22/07/2015 -  O Globo


 
Uma solução complexa de engenharia abriu as portas do Leblon para o tatuzão das obras do metrô. Para passar sob o canal do Jardim de Alah — um dos trechos críticos da Linha 4 —, a gigantesca máquina literalmente navegou.

A área da futura estação Jardim de Alah foi inundada com dez mil metros cúbicos de água, o equivalente a quatro piscinas olímpicas. A medida foi tomada para compensar diferenças de pressão durante a perfuração do túnel sob o canal, algo que, segundo o Clube de Engenharia, poderia provocar o desvio de rota do tatuzão ou mesmo um acidente.

A etapa cumprida no cronograma previsto foi comemorada ontem pelo governador Luiz Fernando Pezão, durante uma visita ao canteiro de obras.

Pezão voltou a criticar o relatório do Tribunal de Contas do Estado ( TCE) que apontou o risco de atraso da entrega do metrô antes das Olimpíadas. No documento, que reúne dados coletados até dezembro passado, a estação do Jardim de Alah é apontada como um dos trechos críticos, devido à proximidade com o canal.

— O relatório do TCE é antigo. Estamos dentro do cronograma. O tatuzão atravessou o canal, o que era uma dúvida para todos nós. Vencemos um dos momentos mais difíceis. É impressionante ver o tatuzão chegando aqui por dentro da água — disse o governador.

TRAVESSIA FOI COMEMORADA COM ALÍVIO

Somente a estação Gávea ( perto da PUC) não será concluída antes das Olimpíadas, segundo o governo. No fim de 2013, ela foi excluída definitivamente do projeto para os Jogos.

Na semana retrasada, o TCE iniciou uma nova auditoria sobre as obras, que só será encerrada em dezembro. O presidente do tribunal, Jonas Lopes, não comentou as declarações de Pezão.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, também se disse aliviado com a travessia do equipamento submerso. Ele comparou a tensão vivida com o "mergulho" do tatuzão aos problemas nas escavações em maio do ano passado, quando crateras se abriram na Rua Barão da Torre, no trecho entre Farme de Amoedo e Teixeira de Melo:

— Já tivemos dois momentos desafiadores na obra. O primeiro foi a saída do tatuzão da estação General Osório, quando houve aquele problema na Rua Barão da Torre. Ali havia uma transição de solo rochoso para um solo de rocha e areia. O segundo momento, sob o Jardim de Alah, foi tão ou mais complicado, já que o tatuzão passou por uma área alagada.

Presidente do Clube de Engenharia e especialista em solos, Francis Bogossian disse que o consórcio utilizou uma estratégia de compensação de pressão para evitar o desvio de rota do equipamento.

— Essa técnica é moderna. Ao passar sob o canal, o tatuzão enfrentou muita pressão até chegar à parede da estação. Se a estação não tivesse sido inundada, o tatuzão encontraria um espaço vazio, onde a pressão seria muito menor e haveria risco da perda de controle. Por isso eles encheram a estação com água do próprio canal do Jardim de Alah. Chamado de compensação hidrostática, o método foi usado recentemente em Düsseldorf ( na Alemanha), em Nanjing ( na China) e em Nova York.

Após escavar dois quilômetros desde a estação General Osório, o tatuzão está adiantado 40 dias no prazo, de acordo com o governo, e deve concluir o túnel da Linha 4 até dezembro. Segundo o consórcio responsável pelas obras, faltam quatro quilômetros de túneis para que o traçado do metrô esteja completamente escavado. Quatro estações já estão 100% escavadas ( Antero de Quental, Nossa Senhora da Paz, São Conrado e Jardim Oceânico).

O equipamento deve chegar à garagem da Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon, em dezembro. Lá, será feita a junção com o túnel que vem da Barra — e que está completamente escavado — com o túnel da General Osório.

— A partir daí, a linha que será inaugurada para as Olimpíadas estará completa, e a obra entrará em fase de acabamento — disse o secretário.

O tatuzão agora vai parar por 40 dias para manutenção, conforme previsto no cronograma. A Linha 4 do metrô entrará em operação em junho de 2016, quando os trens circularão experimentalmente, fora do horário do rush.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Governador visita as obras da Estação Jardim de Alah da Linha 4

20/07/2015 - Governo do Rio de Janeiro

O governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Transportes, Carlos Osorio, realizam visita técnica, na manhã desta terça-feira (21/07), às obras da Estação Jardim de Alah da Linha 4 do Metrô, onde o Tunnel Boring Machine (TBM), conhecido como Tatuzão, chegou numa solução inédita da engenharia brasileira. Parte da estação foi preenchida com água e o 'Tatuzão" entrou submerso, no último dia 10 de julho. A técnica - breakthrough submerso - foi utilizada para equilibrar a pressão do terreno e permitir que o equipamento continuasse operando em ambiente similar ao que estava sob o canal. Durante a visita serão apresentadas as próximas etapas da obra.

Linha 4 do Metrô vai transportar mais de 300 mil pessoas 

A Linha 4 do Metrô é uma obra do Governo do Estado do Rio de Janeiro e vai transportar, a partir de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia, retirando das ruas cerca de 2 mil veículos por hora/pico. Serão seis estações e aproximadamente 16 quilômetros de extensão.

A ligação metroviária entre Ipanema e Barra da Tijuca estará à disposição dos passageiros em junho de 2016, com o início da operação assistida, fora do horário de pico e com intervalos maiores no fluxo dos trens, para que os últimos ajustes operacionais sejam feitos. A operação comercial nos mesmos horários das demais linhas do metrô será iniciada em julho de 2016. A partir do ano que vem, será possível ir da Barra a Ipanema em 13 minutos e, da Barra ao Centro, em 34 minutos.
 
SERVIÇO:

Data: 21 de julho de 2015 (terça-feira)
 
Horário de chegada da imprensa: 9h30
 
Local: Canteiro de obras da Estação Jardim de Alah - Entrada pelo portão 7: Avenida Borges de Medeiros (em frente ao número 179), esquina com a Avenida General San Martin, no Jardim de Alah

ATENÇÃO! A imprensa deve chegar ao local às 9h30, para que possa fazer imagens da estação e ser acomodada na área destinada aos jornalistas. É imprescindível que as equipes estejam de calça comprida e tênis ou bota, sem salto, para ter acesso ao canteiro de obras.


** Não há área para estacionamento no canteiro de obras da Estação Jardim de Alah.

Quase cem vagões de trens fabricados na década de 1960 serão vendidos para siderúrgicas

Encostadas em garagem no Centro há meses, composições serão leiloadas mês que vem. Venda deve render R$ 1,5 milhão

POR EMANUEL ALENCAR

21/07/2015 - O Globo



Trens que serão vendidos em leilão: ideia é INVESTIR recursos no sistema - Marcelo Piu / Agência O Globo

RIO — Durante cinco décadas, eles transportaram milhares de pessoas e cortaram quilômetros de estradas de ferro subúrbio adentro. Também foram alvo de duras críticas, por não oferecerem o conforto necessário aos usuários. Encostados numa garagem no Centro há alguns meses, 97 vagões da SuperVia, fabricados na década de 1960, serão leiloados no mês que vem. Depois que eles forem recortados, suas partes serão transformadas em insumos para siderúrgicas. De acordo com estimativas do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), a venda do material deve render cerca de R$ 1,5 milhão ao Tesouro estadual.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, garante que todos os recursos provenientes da venda da sucata serão destinados a melhorias no sistema ferroviário. Com o leilão, o secretário afirma que serão liquidados de vez os trens cinquentenários que ainda circulavam nos ramais de Japeri, Gramacho e Belford Roxo.

— Autorizamos a SuperVia a leiloar, e os recursos serão todos revertidos para o estado, que vai reinvestir o valor no sistema ferroviário. Até o fim do ano, esperamos tirar de circulação as composições da década de 1970. Superamos a casa dos 80% de VIAGENS em trens com ar-condicionado, e os ramais de Deodoro e Santa Cruz já têm todos os trens climatizados — diz Osorio.

De acordo com a SuperVia, cada um dos vagões que vão virar sucata pesa entre 40 e 50 toneladas. Todos são de aço-carbono, e 100% do material pode ser reaproveitado, ressalta o presidente do Inesfa, Marcos Fonseca:

— Acredito que cada vagão possa ser vendido por aproximadamente R$ 15 mil. O mercado da reciclagem de aço está vivendo um de seus piores momentos na história recente, mas certamente haverá empresas interessadas nesse material. Vai depender do valor mínimo estabelecido.

Com FINANCIAMENTO de R$ 1 bilhão do Banco Mundial, o governo do estado comprou 112 novos trens — cem são chineses e 12 da francesa Alston —, dos quais 67 já estão em circulação. A SuperVia, por sua vez, adquiriu 20 e reformou outros 32. Até o ano que vem, a concessionária espera que a idade média da frota, que já foi de 30 anos, caia para 15. A SuperVia transporta atualmente 680 mil passageiros por dia. A meta do governo do estado é chegar aos 700 mil ao final deste ano e atingir a marca de um milhão, já conseguida no passado, em 2018.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/quase-cem-vagoes-de-trens-fabricados-na-decada-de-1960-serao-vendidos-para-siderurgicas-16861098#ixzz3gX1rmrjm 
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Criado para ser solução temporária de moradia, aluguel social se estende por anos

20/07/2015 - O Globo

No estado, cerca de 16 mil famílias recebem o benefício, que varia de R$ 400 a R$ 500. Tempo máximo é de 12 meses

POR CAIO BARRETTO BRISO E LUIZ GUSTAVO SCHMITT

RIO — Antes de o portão ser aberto, um par de OLHOS surgiu por trás da persiana.


— Estão comigo — disse Rony, do lado de fora. A porta rangeu ao correr, e um senhor magro, sem camisa, olhou desconfiado.

Parecia um acampamento de refugiados: famílias inteiras vivendo em salas de escritório com 10m². O edifício comercial na Zona Portuária virou moradia após ser abandonado. Para não chamar a atenção das autoridades, as janelas foram vedadas.

É nesse ambiente escuro que, desde o ano passado, vive o transexual Rony Clay Silva, de 47 anos. Com o dinheiro público do ALUGUEL social, ele paga R$ 400 mensais aos que chegaram primeiro. Sua casa cheira a mofo. No lugar do vaso sanitário, um balde. A história de Rony, desapropriado do Morro da Providência, no Centro, é uma entre as de cerca de 16 mil famílias que recebem o benefício no Rio — mais de 12 mil estão no cadastrado do governo estadual e o restante, no do município.


Despejado pelas obras de urbanização da Providência, Rony hoje usa seu ALUGUEL social num espaço de 10m² sem banheiro - Antonio Scorza / Agência O Globo
— Eu não vivo, eu sobrevivo. Já peguei tuberculose três vezes, não dá para descrever os lugares onde tive que morar desde a desapropriação. Estou há oito anos aguardando minha casa. Prometeram que seria em um conjunto habitacional aqui perto, na Rua Nabuco de Freitas, mas a obra parou na metade — afirma Rony.

Pago mensalmente a pessoas que foram removidas de suas casas, o valor, que varia de R$ 400 a R$ 500, tem sido usado de maneira questionável pelo governo estadual e pela prefeitura (são cadastros distintos). Segundo decretos de 2010 e 2013, o tempo de inclusão no programa não deve ultrapassar os 12 meses. Mas quem foi expulso da residência por desastre natural, por viver em área de risco ou porque estava no caminho de alguma obra pública tem esperado muito mais tempo pelo apartamento prometido.

TRAGÉDIA NA SERRA: QUATRO ANOS DE ESPERA

Nem tragédias aceleram a entrega de novas moradias. Até hoje, 180 famílias atingidas pelos deslizamentos em Angra dos Reis, no réveillon de 2010, recebem ALUGUELsocial. Sobreviventes do Morro do Bumba, em Niterói, que deslizou em abril do mesmo ano, também estão incluídos no programa, com dois mil beneficiários.

O quadro é pior na Região Serrana: 3.579 famílias vivem do benefício até hoje, mais de quatro anos após o maior desastre climático da história do país, que deixou 918 mortos e 215 desaparecidos.

Todo mês, estado e município gastam R$ 6,6 milhões com ALUGUEL social. Valor suficiente para construir, anualmente, um conjunto habitacional como o Frei Caneca, onde vivem quatro mil pessoas em 998 apartamentos.
 
O problema não é o pagamento em si, mas o fato de o ALUGUEL social, originalmente provisório, ter se tornado uma política de habitação permanente em um estado com déficit habitacional de aproximadamente 400 mil residências, segundo estudo da Fundação João Pinheiro (FJP). O levantamento mostra que o déficit aumentou 8% na capital entre 2011 e 2012 (números mais recentes divulgados).

Longe de uma solução, 583 famílias desapropriadas pelo estado há cinco anos na Favelinha da Skol, em Inhaúma, lutam para encontrar um imóvel que caiba no bolso.

— Até em favela é difícil de achar uma casa por R$ 400. Consegui por R$ 550 um quarto, sala e banheiro numa comunidade no Engenho da Rainha. É precário, mas é o que dá pra pagar. Muitos foram para área de risco novamente — conta a desempregada Talita Ximena, que mora com os dois filhos.

Talita e outros moradores da Favelinha da Skol deveriam ter recebido apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida. Contudo, o terreno onde seria construído o condomínio virou um lixão, sem SINAL de obras.

Muitos dos removidos encontraram abrigo em barracos à beira de um córrego, onde o esgoto é a céu aberto, na perigosa Fazendinha. ALUGAR um apartamento conjugado no Complexo do Alemão hoje custa R$ 700 por mês.

De acordo com a Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, 70% das famílias cadastradas recebem R$ 400 mensais, valor que não sobe há pelo menos cinco anos. No mesmo período, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 41,68% no Rio. O cálculo foi feito pelo economista Mauro Osório a pedido do GLOBO.

— O ALUGUEL social deveria, pelo menos acompanhar, a inflação. É preciso priorizar a política habitacional, caso contrário essas pessoas darão o seu jeito. Assim nascem ocupações precárias e crescem as favelas — afirma Osório.

A Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro (Emop) informou que as famílias desapropriadas na Skol serão contempladas com moradias em um condomínio com 1.140 apartamentos, a ser construído no Complexo do Alemão, como parte do programa Minha Casa Minha Vida.

A Emop não informou os prazos de início e conclusão da obra, mas explicou que o projeto do empreendimento está em fase de aprovação junto aos órgãos municipais — o que deve levar cerca de seis meses. Até que as obras fiquem prontas, pelo menos mais um ano deve se passar.

'ESTAMOS TENTANDO LOCALIZAR RONY'

A Secretaria estadual de Obras afirma que estão em construção 3.245 moradias para famílias que recebem ALUGUEL social. Segundo a pasta, 6.523 imóveis foram entregues desde 2007.

Já a Secretaria municipal de Habitação afirma que reassentou, entre 2009 e 2015, 22.059 famílias. Desse total, 15.937, o equivalente a 72,2%, haviam sido retiradas de casa por viver em áreas de risco.

Sobre o caso de Rony, citado no início desta reportagem, a secretaria informa, em nota, que seu nome consta no cadastro da prefeitura há quatro anos. E o texto dá uma notícia surpreendente: já há uma casa disponível para ele. "Rony será beneficiado com uma moradia no Programa Morar Carioca, na Rua do MONTE, no Centro. No momento, estamos tentando localizá-lo", diz a nota.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/criado-para-ser-solucao-temporaria-de-moradia-aluguel-social-se-estende-por-anos-16861178#ixzz3gX0qQl1o 
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Mercado imobiliário na área se valorizou

19/07/2015 - O Dia, Observatório da Mobilidade

"Minha Praia Barra da Tijuca, apartamento com dois quartos, andar alto, vaga na garagem, 50 metros quadrados. O Condomínio Minha Praia fica na Região Olímpica. Terá em frente uma estação do BRT Transolímpica."

Uma enxurrada de anúncios como esse domina os sites de corretoras de imóveis da Zona Oeste. De julho de 2012, quando as obras da Transolímpica começaram, até julho deste ano, os corretores da região foram os primeiros a sentir os impactos do corredor.

Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-Rio), na maioria dos bairros por onde o BRT vai passar, o valor médio do metro quadrado para venda subiu muito além da variação geral na cidade, no mesmo período, que foi de 23,12% (passou de R$ 7.603 para R$9.361, levando em conta imóveis de 1 a 4 QUARTOS, do tipo "apartamento-padrão" usados).

Em Sulacap, onde haverá um terminal do BRT, a valorização do metro quadrado chegou a 51,98% (pulando de R$ 2.897, em 2012, para R$ 4.403, em 2015). Em Curicica, , o preço médio subiu 40,97 % (de R$ 4.210 para R$ 5.935). Na Barra da Tijuca, houve variação de 30,27 % (de R$ 7.967 para R$ 10.379).

"Quando o corredor estiver pronto, a estimativa é que os imóveis próximos a locais com estações do BRT valorizem ainda mais, de 15% a 20%", aponta o vicepresidente do Secovi-Rio, Leonardo Schneider. Segundo ele, a variação acima da média da cidade indica o efeito do novo corredor sobre o mercado imobiliário.

O autor do anúncio do início do texto é o consultor imobiliário Marcelo Goering. Ele aproveitou o momento em que se iniciavam as especulações sobre o Transolímpica, antes do início das obras, para arrebentar nas vendas. Chegou a vender nove apartamentos só para uma pessoa interessada em COMPRAR barato para revender mais caro alguns anos depois. Devido à crise no mercado, no entanto, muitos investidores estão se dando mal agora.

"Tem muita oferta para pouco cliente. Muitos estão desistindo de vender e colocando para ALUGAR", conta.

Transolímpica deve desafogar estações do BRT Transoeste

19/07/2015 - O Dia, Observátorio da Mobilidade

Primeira via expressa em construção no Rio depois da Linha Amarela - inaugurada há 18 anos -, a Transolímpica não vai só beneficiar os bairros cortados por ela. É também esperança para desafogar o BRT Transoeste, que recebe 184 mil passageiros por dia. Com uma faixa exclusiva para ônibus articulados e duas para carros entre o Recreio e Deodoro, em cada sentido, o corredor atingiu a marca de 65% das obras executadas esta semana.

Para a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), os moradores de bairros entre Bangu e Campo Grande, que trabalham no Recreio e na Barra, deverão utilizar o novo BRT, tirando a sobrecarga existente hoje na Estação Mato Alto, do Transoeste. Para isso, eles poderão fazer conexão entre as linhas de ônibus comuns e os serviços da Transolímpica nos futuros terminais de Sulacap ou de Deodoro.

O presidente do CONSÓRCIO operador do BRT, Jorge Dias, também acredita que o ajuste de demandas será uma consequência positiva da Transolímpica. Ainda não há uma estimativa precisa de quanto poderá ser a redução do fluxo no Mato Alto, que recebe 14 mil passageiros por dia.

Inauguração está prevista para maio

Com início das operações previsto para maio do ano que vem, o Transolímpica vai interligar nove bairros: Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Camorim, Curicica, Taquara, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Vila Militar e Deodoro, sendo uma alternativa à Linha Amarela para quem vive na Baixada Fluminense e nas regiões próximas à Avenida Brasil. O novo BRT fará conexão com o Transcarioca, em Curicica, com o Transoeste, no Recreio, e com a SuperVia, em Deodoro. Segundo a SMTR, passageiros dos ramais Santa Cruz e Japeri, que fazem conexão com o BRT em Madureira, poderão passar a fazer essa integração em Magalhães Bastos ou Deodoro e seguir para a Baixada de Jacarepaguá via Transolímpica. Segundo a prefeitura, o Terminal Recreio será concluído daqui a cinco meses e servirá de integração para toda a malha de BRTs.

Passageiros terão ligação expressa Recreio-Madureira

Quando o Lote Zero do Transoeste (trecho entre a Alvorada e o Jardim Oceânico) e o Transolímpica estiverem prontos, serão criados dez serviços novos de transporte, segundo a SMTR. Haverá ligações diretas, sem baldeação, por exemplo, entre Madureira e o Recreio, já que os ônibus poderão sair de um corredor de alta capacidade e entrar em outro.

Em 2016, será possível fazer VIAGENS expressas nas seguintes rotas: Recreio - Jardim Oceânico, Tanque - Jardim Oceânico, Centro Olímpico - Jardim Oceânico, Alvorada - Sulacap, Recreio - Deodoro e Madureira - Recreio. Serão também criadas as linhas paradoras Recreio - Jardim Oceânico, Alvorada - Jardim Oceânico, Centro Olímpico - Jardim Oceânico e Recreio - Sulacap. Ao todo, 214 veículos articulados com 180 lugares serão incorporados ao sistema.

Os especialistas em Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, da Uerj, e Eva Vider, da UFRJ, concordam que a via expressa vai melhorar o desenvolvimento urbano, além de permitir a ligação da rede de transporte público, mas desconfiam se a obra desafogará o Transoeste. "O Transoeste atende mais a região de Santa Cruz e Campo Grande. O Transolímpica fica em outra direção", diz Rojas.

"Esse corredor tem um caráter estratégico muito importante, porque vai ser o primeiro a integrar com os dois já existentes (Transoeste e Transcarioca), aumentando as opções dos passageiros seja nos transbordos ou até mesmo para se criar serviços que saiam de um corredor e entrem em outro", afirma.

O BRT Transolímpica terá mais dois terminais (um nas Avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno e outro na Avenida das Américas - Recreio) e 18 estações. A prefeitura estima que o tempo de VIAGEM entre Deodoro e Recreio será reduzido de 1h30 para 40 minutos, beneficiando 70 mil passageiros por dia. Serão 25 km de extensão. Como o projeto é feito em Parceria PúblicoPrivada, haverá pedágio para carros, que deve ter como parâmetro o da Linha Amarela.

A Av. Atlântica da Barra

20/07/2016 - O Globo, Ancelmo Gois

A Sernambetiba contará, em breve, com mais hotéis que a Atlântica, segundo a ABIH- RJ. Na avenida da Barra, são 18 apart-hotéis e HOTÉIS EM operação (como o recém-inaugurado Novotel, com 234 quartos), e outros quatro sendo construídos (o Grand Hyatt Rio deve ser inaugurado até o fim do ano). Já a mais conhecida avenida de Copacabana conta com 19 hotéis, mais um no Leme. É claro que nenhum desses hotéis da Sernambetiba tem o charme de um Copacabana Palace. Mas os emergentes chegaram para ficar 

sábado, 18 de julho de 2015

Técnica inédita no Brasil: Tatuzão trabalha submerso em estação da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro

13/07/2015 - Infraestrutura Urbana Online

Após bater recorde de escavação, o Tunnel Boring Machine (TBM), conhecido como Tatuzão, chegou na última sexta-feira (10) à Estação Jardim de Alah da Linha 4 do Metrô, localizada no Leblon, Rio de Janeiro. A operação do Consórcio Rio Sul utilizou, no entanto, uma técnica inédita no Brasil: o breakthrough submerso, na qual um quarto da estação foi preenchido com água para receber a tuneladora, que vinha escavando por baixo do canal do Jardim de Alah.

Assim, foi equilibrada a pressão do terreno e permitiu-se que o equipamento continuasse operando em ambiente similar ao que estava sob o canal. A técnica já foi utilizada, segundo o grupo construtor, em obras de metrô da Alemanha, China, Itália, Argentina e Estados Unidos

O Tatuzão trabalha agora na finalização da escavação e vedação do túnel nesse trecho. Posteriormente, o terreno começará a ser esvaziado para que o equipamento possa ser arrastado pelo corpo da estação, permitindo a execução de uma manutenção programada durante cerca de 40 dias. A máquina ainda será usada até outubro para escavar o trecho entre o leito da Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, até a Estação Antero de Quental, e em dezembro trabalhará até a região do Alto Leblon, onde irá se conectar ao túnel escavado da Barra da Tijuca em direção à Zona Sul.

A tuneladora tem 2,7 mil toneladas e 120 metros de comprimento por 11,5 metros de diâmetro. Ao mesmo tempo em que escava, a máquina instala as aduelas, anéis de concreto que formam os túneis. Todas as 2.754 aduelas necessárias para a construção do túnel entre Ipanema e Gávea já foram produzidas e estão estocadas na Leopoldina.

A Estação Jardim de Alah vai beneficiar cerca de 20 mil passageiros por dia a partir de 2016, quando deve ser entregue a Linha 4. As obras no sistema metroviário de 16 km de extensão incluem ainda as estações Antero de Quental, São Conrado, Jardim Oceânico e Gávea. Segundo o consórcio, 12 km de túneis e quatro das seis estações estão 100% escavados e em fase de acabamentos. Entre a Barra da Tijuca e Ipanema, já há, inclusive, mais de 14,5 km metros de trilhos instalados.

O projeto do Governo do Estado está orçado em R$ 8,7 bilhões.

Rio reativa ramais de trens e coloca o turismo nos trilhos

14/07/2015 - O Dia

O turismo ferroviário está perto de andar nos trilhos no Rio. O apito de partida para a exploração de ramais desativados da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) para este fim já ecoa em Miguel Pereira, no Sul Fluminense. O município ganhou da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem uma luxuosa e reformada Litorina (vagão ferroviário dotado de motor próprio), fabricada nos Estados Unidos há 57 anos. Deve estar pronta para entrar em operação em outubro, num trecho inicial de 4,5 quilômetros. A cidade será a primeira do interior a ter novamente composição para turistas. Hoje, só o Trem do Corcovado é usado para passeios no estado. 

Na sexta-feira, o secretário estadual de Transportes, Carlos Osorio, revelou que o governador Luiz Fernando Pezão autorizou estudos para a reativação de mais dois circuitos ferroviários destinados a viagens de lazer. O primeiro liga Miguel Pereira, Vassouras, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, no Centro-Sul Fluminense. O outro fica entre Lídice (distrito de Rio Claro) e Angra dos Reis, no Sul do estado. Os dois percursos mantinham locomotivas turísticas no passado. 

"Estamos entrando em acordo com a União, para utilizar parte de uma multa, estimada em R$ 900 milhões, que será aplicada à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), uma vez que a empresa desativou e devolverá determinados trechos ferroviários que ela não utilizou e acabaram se deteriorando. O principal é que os trilhos ainda existem em mais de 80% desses trechos", afirma Osório. 

Em Miguel Pereira, a prefeitura fez licitação para obras de recuperação e readaptação da bitola de um metro para 1,60 metro, em um trecho que estava abandonado. Ele pertence à primeira etapa do projeto, ligando o Centro ao distrito de Governador Portela. Do total de R$ 2,5 milhões orçados para reativação da linha, o governo municipal arcará com R$ 750 mil. O restante será bancado pela União e a Oscip Amigos do Trem. 

"A médio prazo, vamos estender a recuperação de trilhos até o distrito de Vera Cruz. Mais 9 km, com direito a vista paradisíaca de nossas montanhas", propagandeia o secretário municipal de Turismo, Marco Aurélio Casa Nova. Ele sonha com postos de trabalho para boa parte dos 26 mil moradores, que tem o comércio como principal fonte de renda. A Litorina poderá acelerar a abertura de lojas de artesanato e restaurantes e dobrar os 2 mil leitos de hotéis. "Nossas expectativas são as melhores possíveis. Dobrando a quantidade de leitos, dobra-se a de funcionários", diz Armando Ribeiro Júnior, dono de pousada. 

Antigo Trem de Prata também está sendo recuperado por ONG 

Depois de uma viagem de 300 quilômetros por rodovias numa carreta, em 27 dias, entre Barbacena (MG) e Miguel Pereira, envolvendo 500 técnicos e guindastes, a Litorina foi posta para visitação na estação ferroviária da cidade do Sul do estado, onde há um museu dedicado ao cantor Francisco Alves. O início da circulação está previsto para outubro, mês de aniversário miguelense. 

Presidente da Oscip Amigos do Trem, Paulo Henrique Nascimento está eufórico. "Vamos provar que assim como em algumas cidades paulistas, do Paraná e Minas Gerais, trens turísticos são autossustentáveis. No Sul Fluminense, as belezas ecológicas, o casario herdado do ciclo do café e a riqueza da cultura regional são fontes de atrações naturais de turistas", justifica. 

Nascimento revela que outra Litorina passa por reforma, em parceria com a Inventariança da RFFSA e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e poderá ser acoplada à de Miguel Pereira. "Outra novidade é que oito vagões do antigo Santa Cruz, o Trem de Prata, que ligou São Paulo ao Rio até 1991, estão sendo restaurados e poderão ser usados no circuito Miguel Pereira-Paty-Vassouras-Paraíba do Sul", adianta. 

Gente que viveu da ferrovia se emociona. É o caso de Adail Rodrigues, 70, o "Xerife dos Trilhos". Ex-maquinista de Maria Fumaça aposentado, ele está há 23 anos, com apoio de um amigo, tomando conta, por iniciativa própria, de 400 metros de trilhos no Centro, a bordo de um antigo auto de linha, engenhoca movida a gasolina, que ele garimpa no comércio. Graças a ele, o trecho não sofreu invasões imobiliárias e nem furtos. "Isso aqui é minha vida, minha paixão", resume. 

"É muita felicidade. Oitenta por cento das famílias de Governador Portela são de ferroviários", diz Geraldino Fraga, 57, que, assim como o pai e o avô, trabalhou por 30 anos na RFFSA. "Visitantes já estão vindo a Miguel Pereira para tirar fotos ao lado da Litorina", atesta Luiz Alberto Amaro, 59, neto de maquinista. 

Matéria publicada em 11/07/2015

Fonte: O Dia
Publicada em:: 14/07/2015

Jardim Botânico do Rio muda seu acesso principal

18/07/2015 - Jornal do Brasil

Como parte do programa para melhorar  a mobilidade e a acessibilidade para os visitantes, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) passa a ter seu acesso principal pela rua Jardim Botânico, 1008, onde ficava o antigo estacionamento. A partir de 23 de julho, o acesso pelo portão de número 920, em frente à aleia das Palmeiras, será desativado. Já o acesso que fica na rua Pacheco Leão, 101, continua funcionando normalmente, para atender principalmente aos moradores do bairro e a quem chega nos ônibus do Metrô.

Direcionar o fluxo maior de visitantes para o acesso de nº 1008 é uma maneira de proporcionar a eles um melhor atendimento. É nesta entrada que se localiza o Centro de Visitantes, com os guias e os carrinhos elétricos. Ali também está o chamado Corredor Cultural do Jardim, do qual fazem parte, além do Centro, o Museu do Meio Ambiente, o Ateliê de Mestre Valentim, o Espaço Tom Jobim, o bistrô La Bicyclette e a Associação de Amigos (AAJB).

O Centro de Visitantes é o lugar de acolhimento das pessoas que chegam ao Jardim Botânico. Ali elas são atendidas pela equipe de guias e têm à disposição todas as informações para aproveitar ao máximo o seu passeio, por meio de mapas e de uma exposição permanente que apresenta o Jardim. Além disso, todos os roteiros de visitação partem desse local.

O fechamento do acesso da rua Jardim Botânico, 920, visa também reduzir os riscos de acidentes no local, uma vez que ali não há recuo - os táxis, carros de passeio, vans e até ônibus de turismo param na pista e os visitantes têm que atravessar a ciclovia. Já o acesso do nº 1008 tem um recuo e ganhará agentes de portaria para orientar o embarque e o desembarque de passageiros.

Para atender a um maior número de visitantes, a bilheteria do acesso 1008 terá sua equipe ampliada e passará a contar com papa-filas. Eles organizarão o fluxo, de forma que os visitantes não pagantes - em sua maior parte maiores de 60 anos - não precisem entrar na fila para pegar o ticket de gratuidade.

"A entrada pelas Torres é histórica, mas os tempos são outros. Os problemas relacionados à mobilidade urbana estão entre os que mais prejudicam a vida dos moradores das grandes cidades. Se cada instituição, cada indivíduo não se posicionar como um agente colaborador, a qualidade de vida nas cidades vai se deteriorar progressivamente", alerta Claudison Rodrigues, diretor de Ambiente e Tecnologia do JBRJ.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Projeto para transformar prédio do Automóvel Clube em museu é entregue à prefeitura

Ideia é fazer de edifício em ruínas na Rua do Passeio um espaço dedicado à história do automobilismo e do rodoviarismo no país

POR RENAN FRANÇA

14/07/2015 - O Globo


O salão do antigo Automóvel Clube do Brasil mostra a decadência do prédio na Rua do Passeio - Marconi Andrade
 
RIO — Restaurada há três anos, a fachada neoclássica pintada de lilás, não traduz o atual estado do prédio do antigo Automóvel Clube do Brasil (ACB), na Rua do Passeio. Por dentro, o espaço é uma ruína. Parte do assoalho do salão principal foi arrancado e o que sobrou do piso está desgastado; as paredes estão sem o reboco e vidros estão quebrados. O glamour do palco de festas do Império sucumbiu. E os encontros políticos do século passado fazem parte de uma história quase esquecida. Em 2004, a prefeitura comprou o imóvel e prometeu reformá-lo. Em um década, com exceção da fachada, nada foi feito.

Agora, a prefeitura tem sobre a mesa uma proposta para para transformar o prédio no Museu do Automóvel Clube do Brasil, dedicado à história do automobilismo e do rodoviarismo no país.

— Meu medo é que o prédio desabe. Quero logo recuperar sua estrutura para, depois, pensar no museu. — conta a arquiteta Maria Parkinson, uma das idealizadoras projeto.

Para pôr o plano em prática, a arquiteta (que é neta de João Parkinson, um dos diretores do ACB nos anos 1920) fechou parceria com bancos e fabricantes de automóveis. O custo da restauração foi estimado em R$ 20 milhões. Segundo Maria, a operação também terá recursos do Governo Federal do PAC Cidades Históricas. O projeto foi mostrado à prefeitura e a expectativa é de que o pacto de salvação seja fechado nos próximos dias.

— Vamos apresentar a carta de intenções nesta semana para concretizar o acordo com a prefeitura — diz Ariel Gusmão, presidente do atual ACB (com sede em São Paulo), e um dos apoiadores do projeto. — O Brasil terá um museu tecnológico.

Procurada, a prefeitura disse que aprovou projeto para a restauração do imóvel por meio do PAC Cidades Históricas e, no momento, aguarda a liberação da verba do Governo Federal, mas ainda não há decisão sobre o uso final do o prédio.

DOS BAILES DO IMPÉRIO AO HISTÓRICO DISCURSO DE JANGO

O Automóvel Clube do Brasil foi fundado no Rio em 1908 por pioneiros do mundo motorizado. Como na época não existia Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), foi o ACB quem criou as primeiras leis e regras de trânsito no país.

Em um tempo sem estradas, o clube reunia os abastados automobilistas da época e promovia longas excursões de carro para desbravar rotas e estimular a construção das primeiras rodovias.

O ACB também teve um papel importante na promoção de competições, a começar pelo Circuito de São Gonçalo, em 1909 — primeira corrida de carros em terras fluminenses. Até a década de 60, era o clube que organizava o automobilismo esportivo no país.

Aos poucos veio a decadência. A pá de cal foi quando os cartões de crédito e seguradoras passaram a oferecer serviços de reboque a seus clientes. Acabava, assim, um dos maiores estímulos para a adesão de sócios ao clube. Na década de 1990, o ACB entrou em insolvência. Anos depois, foi "refundado" em São Paulo. Essa nova associação promove encontros de carros antigos, entre outros serviços

CASSINO FLUMINENSE

Tombado desde 1965, o imóvel foi projetado no século XIX pelo arquiteto Manuel de Araújo Porto-Alegre, o barão de Santo Ângelo. No Segundo Império abrigou um importante salão de baile da capital, o Cassino Fluminense. Inaugurada em 1860, a casa era frequentada pela alta sociedade e pela família imperial. Em 1900, o imóvel passou a ser a sede do Clube dos Diários.

— O momento histórico mais importante do prédio ocorreu em 30 de março de 1964. Neste dia, o presidente João Goulart fez seu último discurso. No pronunciamento ele reafirmou que estava comprometido com as reformas de base — diz Marcus Dezemone — historiador da Uerj e da UFF.

Nos anos 1990, a construção sediou o Bingo Imperial. Quando o imóvel passou às mãos da prefeitura em 2004, o então prefeito Cesar Maia anunciou que o casarão abrigaria um centro de memória da cidade, mas o projeto foi engavetado.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/projeto-para-transformar-predio-do-automovel-clube-em-museu-entregue-prefeitura-16754194#ixzz3ftRWEVZO 
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sábado, 11 de julho de 2015

Dos seis maiores gargalos do trânsito de Niterói, apenas um tem solução prevista

Tempo gasto com locomoção na cidade é cada vez maior

POR LEONARDO SODRÉ

11/07/2015 - O Globo



NITERÓI - Morador de Icaraí, o representante comercial Jorge Valadão trabalha no Centro do Rio há mais de dez anos. Durante esse tempo, ele acompanhou algumas mudanças importantes no transporte público, como a modernização dos ônibus e a substituição das barcas tradicionais por catamarãs sociais, que reduziram a travessia da Baía de Guanabara de 25 para 12 minutos. Mas, segundo ele, as melhorias não tiveram efeito porque, a cada dia, demora mais tempo na viagem de casa ao trabalho.

— Há uns três anos, eu levava uma hora, tanto de manhã quanto no fim da tarde. Hoje levo mais de duas horas — conta Valadão, para quem a situação piorou ainda mais nos últimos dois anos, depois da inauguração do mergulhão da Avenida Marquês de Paraná. — Quando não venho de ônibus, venho de barca e depois pego um ônibus no Centro para Icaraí. Naquele afunilamento na Rua Doutor Celestino, eu perco mais de meia hora — enfatiza.

Ele se refere à sinalização que transforma as três faixas de rolamento em apenas uma, ao fim da Rua Doutor Celestino, para que os veículos que seguem até a Rua Marquês de Paraná não invadam as pistas de saída do mergulhão. Nos horários de rush, o esquema provoca um grande congestionamento na Rua Doutor Celestino, que se estende pela Rua da Conceição até a Avenida Visconde de Rio Branco.

A Rua Doutor Celestino é um dos seis maiores gargalos no trânsito de Niterói, citados por motoristas. Os outros são a Praça Renascença, Praça do Barreto, Rua Mário Viana, Avenida Presidente Roosevelt e Estrada Francisco da Cruz Nunes. Desses, apenas o cruzamento da Praça Renascença, no Centro, tem previsão de obras para melhorar o tráfego.

TESTE DE PERCURSO E DE PACIÊNCIA

Numa quarta-feira, O GLOBO-Niterói fez a viagem do Centro até Icaraí para testar a diferença de tempo no trajeto de ônibus e de carro. A equipe se dividiu, às 18h, na Praça renascença: o motorista seguiu de carro e os repórteres embarcaram no ônibus da linha 61. Como no mergulhão só passam carros, os ônibus que acessam a Avenida Marquês de Paraná, sentido Icaraí, precisam fazer a volta pela Avenida Amaral Peixoto. A viagem de carro até a Rua Miguel de Frias, em frente a reitoria da UFF, em Icaraí, é quase vinte minutos menor. O motorista chegou às 18h12m e os repórteres, às 18h30m.

— É a prova de que o mergulhão só beneficiou quem vem de carro da Ponte — diz o motorista de ônibus José Vicente Souza.

De acordo com a prefeitura, há um estudo para fazer a desapropriação do prédio na esquina das ruas Doutor Celestino e Marquês do Paraná e alargar o trecho, mas não há recursos disponíveis para a iniciativa, nem previsão para a intervenção.

O problema no local é parecido com o de outras regiões da cidade. Enquanto a infraestrutura viária pouco cresceu nos últimos dez anos em Niterói, o número de veículos aumentou 49% — eram 188.382, em 2005; hoje são 282.098, de acordo com o Detran. Para identificar os pontos críticos, O GLOBO-Niterói perguntou a taxistas e rodoviários quais são os maiores gargalos que enfrentam no trânsito. A Rua Doutor Mário Viana, em Santa Rosa, foi uma das citadas. A via, de mão dupla, possui apenas uma faixa para cada sentido, e o trânsito é interrompido quando os ônibus param nos pontos. O taxista Josias Gonçalves passa frequentemente pela rua e se queixa da quantidade de sinais e pontos de ônibus.

— Isso tem que ser sincronizado. Se o ônibus para no ponto não tem porque parar, de novo, poucos metros depois, no sinal. Ou diminui o número de pontos, ou coloca o ponto longe dos sinais, porque do jeito que está, atravanca tudo — reclama.

O prefeito Rodrigo Neves diz que a solução para o local seria construir baias para os ônibus pararem. Mas, de acordo com a própria prefeitura, as baias ainda estão em fase de estudos e só serão construídas onde houver espaço suficiente.


A reversível da Estrada Francisco da Cruz Nunes aumenta a capacidade do tráfego no sentido Largo da Batalha nos horários de rush. - Pedro Teixeira / Agência O Globo

O taxista Carlos Felício é outro que sofre com os congestionamentos. Morador de Itaipu, ele enfrenta dois gargalos no trânsito para chegar ao ponto em que trabalha, no Centro: a Estrada Francisco da Cruz Nunes, na altura do Cemitério Parque da Colina, e a Avenida Presidente Roosevelt, na chegada a Praia de São Francisco.

— A reversível, em Pendotiba, deu uma melhorada, mas aquele sinal da Presidente Roosevelt abre e fecha muito rápido. Passam poucos carros. O engarrafamento vai até a Grota — reclama.

Mesmo a pista reversível tendo melhorado o tráfego em Pendotiba nos horários de rush, o trecho final da mão única, na altura da concessionária de veículos Hayasa, tornou-se um ponto perigoso. Há um mês, a equipe do GLOBO-Niterói flagrou um acidente no local. Um motorista tentou voltar pela pista no sentido Largo da Batalha e, durante a manobra, bateu em outro carro. Ninguém se feriu.

— Isso é a toda hora. Acontece, mesmo com guarda orientando — conta o frentista Rogério Lima, que trabalha perto do local.

No Plano Urbanístico Regional (PUR) de Pendotiba, está prevista a construção de um túnel cortando o Cantagalo para a criação de uma via binária, tornando o esquema da reversível fixo. Mas, segundo a prefeitura, ainda não há previsão para a obra ser realizada. Em São Francisco, o congestionamento da Avenida Presidente Roosevelt vem sendo contornado, de acordo com a NitTrans, com a presença de agentes de trânsito, das 6h às 10h, na esquina com a Avenida Quintino Bocaiúva.

Na Zona Norte, o ponto de maior retenção é na Praça do Barreto. O motorista de ônibus Otávio Paes diz que o cruzamento das ruas João de Deus Freitas, General Castrioto e Doutor March é o mais crítico no percurso da linha em que opera.

— Pela manhã, com o grande fluxo que vem de São Gonçalo e a demora de quatro minutos do sinal para liberar o trânsito, engarrafa tudo. Às vezes, demoro mais tempo para passar naquele trecho do que no restante da viagem — afirma.


O trecho do cruzamento Praça do Barreto é o maior entrave para os veículos que seguem para o Centro - Pedro Teixeira / Agência O Globo

O gargalo da Praça Renascença, formado pelo cruzamento das avenidas Jansen de Mello e Feliciano Sodré, que recebe veículos que vêm da Avenida do Contorno e da Alameda São Boaventura para o Centro e dos que seguem em direção a São Gonçalo e à Ponte Rio-Niterói, também foi lembrado.

— Já demore meia hora ali em dia de chuva. É horrível, pois são várias pistas que desembocam em um lugar só, não tem jeito — diz o motorista de ônibus Cláudio Pereira.

ENGENHEIRO DIZ O QUE RESOLVE

Para o local, está prevista a construção de um mergulhão. A obra, que será executada pela EcoPonte, nova concessionária da Ponte Rio-Niterói, deve começar no meio do ano que vem e durar 18 messes. Na avaliação do engenheiro Gilberto Gomes Gonçalves, especialista em trânsito e professor da Uerj e da UFF, a medida pode resolver definitivamente os engarrafamentos no local:



— A solução mais eficiente para cruzamentos de grande fluxo como esse, o da Praça do Barreto e o de São Francisco, é a separação de planos, através de túneis ou viadutos. No caso da Praça Renascença, se a passagem subterrânea tiver o mesmo número de faixas da pista de origem, vai resolver.

Para o engenheiro, a construção do túnel cortando o Cantagalo, em Pendotiba, também pode solucionar o problema de engarrafamentos no local, já que vai aumentar a capacidade viária no trecho, criando mais faixas. Já a solução de criar baias para os ônibus na Rua Mário Viana, em Santa Rosa, não aumenta a capacidade da via. Nesse caso, segundo ele, o ideal é criar uma via alternativa e, se possível, segregar pistas de carros e ônibus. O alargamento do trecho final da Rua Doutor Celestino, apontado pela prefeitura como a solução das retenções no Centro, mas que ainda não saiu do papel, não é considerado eficaz pelo especialista:

— Liberar o fluxo naquele cruzamento, aumentando o número de faixas através do alargamento, pode levar a retenção para o próximo cruzamento (na esquina com a Miguel de Frias.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/dos-seis-maiores-gargalos-do-transito-de-niteroi-apenas-um-tem-solucao-prevista-16731140#ixzz3farOqJik 
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