terça-feira, 30 de maio de 2017

Crise e criminalidade fecham quase 4 mil estabelecimentos no Rio em 2017

30/05/2017 - Agência Brasil

A crise econômica e a violência responderam pelo fechamento de 3.950 estabelecimentos comerciais no estado do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre deste ano, que representa alta de 31,8% em relação ao mesmo período de 2016, quando 2.996 estabelecimentos fecharam as portas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio).

Na capital fluminense, foram 1.693 estabelecimentos comerciais fechados de janeiro a março de 2017, contra 1.263, no mesmo período do ano passado, o que representa alta de 34%. O local onde foi observada a maior variação (45,3%) no número de lojas fechadas foi a região central do Rio, passando de 190, em 2016, para 276, este ano.

O presidente do CDL Rio, Aldo Gonçalves, mostrou preocupação com a insegurança no Rio: "Está havendo também assaltos a shoppings centers, o que não ocorria antes”.

A pesquisa Gastos com Segurança em Estabelecimentos Comerciais, elaborada pela entidade, revela que o comércio varejista do Rio de Janeiro gastou R$ 1,2 bilhão com segurança, entre abril de 2016 a abril deste ano. 

O gasto extra envolveu compra de equipamentos, alarmes, contratação de seguro e seguranças, colocação de grades, blindagem de portas e reforço de vitrines. Foram ouvidos 750 lojistas, dos quais 150 já tiveram seus estabelecimentos furtados, assaltados ou roubados. Crescimento de 20% na comparação com o ano passado.

Economia

Segundo Aldo Gonçalves, o dinheiro gasto com segurança pelos lojistas poderia estar gerando empregos: “Se esses recursos fossem aplicados para abrir novas lojas, isso geraria empregos, geraria novos impostos, ajudaria a economia. Ou, então, em treinamento de pessoal, capacitação, seria bom para os comerciários. Mas é um dinheiro que está sendo investido para conter violência e é uma soma importante”, lamentou.

Para o presidente do CDL-Rio, fica evidente que o problema da insegurança afeta muito a economia, porque além dos assaltos a lojas e arrombamentos, o assalto ao consumidor também afasta as pessoas das ruas. “Diminui o faturamento, as vendas das lojas. Isso tem prejudicado muito o comércio e, consequentemente, a economia como um todo”. 

Além da crise econômica que persiste no país e do desemprego, Aldo Gonçalves indicou que a falta de segurança também provoca queda nas vendas, contribuindo para o fechamento de muitas lojas.

O CDL Rio informa que tem enviado ofícios e reclamado junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública e ao governo fluminense pedindo que providências sejam tomadas no sentido de melhorar a proteção tanto das lojas, como do consumidor. Para Gonçalves, porém, a resposta do governo até o momento tem sido “inócua”.

De acordo com a pesquisa, do total de R$ 1,2 bilhão investidos na segurança dos estabelecimentos comerciais, 62% (R$ 744 milhões) foram aplicados na contratação de segurança privada e vigilantes.

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública para comentar os dados da pesquisa, mas até o momento da publicação da matéria não obteve resposta.

sábado, 27 de maio de 2017

Ficou combinado com os russos

26/05/2017 - O Globo

Guilherme Ramalho

Após O GLOBO revelar detalhes da viagem do prefeito à Rússia, Marcelo Crivella convocou uma coletiva de imprensa, ontem, seis horas depois de desembarcar no Rio para falar sobre a visita a Moscou. O prefeito anunciou que pretende fazer uma operação urbana consorciada para revitalizar o entorno da linha férrea no Rio. Ele mostrou um carta de intenção, assinada pelo empresário Alexey Semenyachenko, presidente do Olympic City Group, em que o russo diz ter interesse em participar das obras.

A ideia, segundo o prefeito, é construir, em parceria com a iniciativa privada, uma passagem de concreto por cima dos trens, onde seriam instalados praças, restaurantes, lojas, centros de exposições, habitações e prédios comerciais. De acordo com ele, inicialmente, a região que receberia o investimento ficaria entre o Maracanã e a Central do Brasil. Depois, o projeto poderia seguir por sete bairros, numa área de 850 mil quadrados entre Méier e Santa Cruz. A receita para o empreendimento viria da arrecadação com a venda dos Certificados do Potencial Adicional de Construção (Cepacs), estimada em R$ 10 bilhões pelo prefeito. 

PROJETO TERIA APOIO DE PEZÃO

Crivella disse que pretende lançar o mais rápido possível um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), chamamento público para que as empresas interessadas formalizem propostas para integrar a iniciativa. Antes da licitação, serão realizados estudos de viabilidade, que devem durar seis meses. Já as obras só começariam em 2018, segundo estimativas de Crivella. A proposta também vai precisar de aval da Câmara de Vereadores, que teria que mudar as condições do uso do solo e do gabarito das edificações.

O prefeito explicou que a ideia de viajar para Moscou começou quando o governador Luiz Fernando Pezão o chamou no Palácio Guanabara para informar que havia sido procurado por investidores russos. Crivella, no entanto, não comentou sobre os gastos com a viagem. Mostrou fotos de sua estada em Moscou e disse que já tem o apoio do governador. Segundo ele, os terrenos que serão revitalizados são do estado e foram cedidos à SuperVia.

- O Pezão está conosco nesse projeto. Há hoje uma cessão à SuperVia, que também estará conosco nesse projeto. E a prefeitura é dona do espaço aéreo, que ela venderia ou abriria mão por meio de Cepacs - afirmou Crivella, que viajou sábado para a Rússia e voltou ontem.

A SuperVia informou, por nota, que não foi comunicada pelo estado sobre o projeto. A concessionária disse que está aberta a conhecer a proposta.

De acordo com o prefeito, a visita teve o objetivo de atrair investimentos para a cidade. Ontem, em vídeo postado em sua página oficial no Facebook, Crivella disse que "o Rio tem muito a aprender com Moscou". O prefeito contou que assinou um acordo de cooperação entre as duas cidades e firmou o compromisso de receber a delegação russa no Rio para apresentar a cidade. Ele acrescentou que Moscou está "verticalizando áreas de comunidades pobres" - projeto que a prefeitura pretende desenvolver em Rio das Pedras - e fez uma grande renovação nas escolas e área de saúde.

Conforme O GLOBO mostrou ontem, a viagem do prefeito virou tema de discussão dentro da Câmara de Vereadores. Como o município arcou com as despesas do deslocamento de Crivella, a notícia não caiu bem no Legislativo carioca. Os gastos para os cofres públicos chegaram a R$ 40 mil, entre bilhetes aéreos, diárias e serviços de tradução.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Accor troca bandeira do Sofitel Copacabana

09/05/2017 - Valor Econômico, Juliana Schincariol

A Accor vai transformar o Sofitel Copacabana, um de seus quatro hotéis de luxo no Rio de Janeiro, em um empreendimento da bandeira Fairmont, o primeiro da América do Sul. O hotel, de 400 quartos, ficará fechado por 14 meses até a sua inauguração. A intenção da companhia é ter de três a quatro unidades da marca na região e já há conversas para abertura em São Paulo, Buenos Aires, Bogotá e talvez Santiago, diz o presidente da AccorHotels no Brasil, Patrick Mendes.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

MORADORES SE MUDAM DE FAVELAS CONFLAGRADAS, EM ÊXODO QUE CRESCE NO RIO

15/05/2017 - O Globo

Segundo a Anistia Internacional, Região Metropolitana teve 87 confrontos só na primeira semana de maio

Antes do pior. Mãe dá a mão a filho na Cruzada: família deixou o Pavão-Pavãozinho fugindo dos tiroteios e do tráfico na porta de casa Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Antes do pior. Mãe dá a mão a filho na Cruzada: família deixou o Pavão-Pavãozinho fugindo dos tiroteios e do tráfico na porta de casa - Custódio Coimbra / Agência O Globo

POR CAIO BARRETTO BRISO

RIO - Uma cama desmontada, uma geladeira velha, uma televisão com prestações atrasadas. Em cima do sofá de dois lugares, desfiado por um gato de estimação, uma cômoda e um colchão de viúvo. Tudo empilhado na caçamba de um caminhão, junto as caixas que guardam roupas, livros e coisas difíceis de abandonar, como um vestido com o cheiro da mulher falecida e fotografias da vida toda. O homem de cabelos brancos vai embora da Cidade Alta, sem intenção de voltar.

A cena é de um êxodo silencioso que se pôs em marcha na cidade. São pessoas que estão deixando suas casas, muitas vezes na favela onde nasceram, para fugir da violência. Em cada beco onde o terror virou rotina, postes e paredes estão tomados de anúncios de “vende-se” e “aluga-se”, com uma observação recorrente: “aceito proposta”.

Menos de sete anos após ocupação, nova guerra no Alemão põe em xeque projeto das UPPsGuerra entre polícia e traficantes no Complexo do Alemão põe projeto de pacificação em xeque
Na Cidade Alta, foi na semana passada que o aposentado empacotou tudo que tinha e se mudou para o interior do estado. Deixou para trás um apartamento de dois quartos na Rua Ponto Chique, comprado há quase dez anos, em um prédio de cinco andares cravejado de balas. Nas paredes do edifício, leem-se pichações religiosas com dizeres como “até aqui nos ajudou o Senhor”, feitas a mando da facção dominante, bandidos que se dizem “o exército do Deus vivo”. No último episódio da guerra entre traficantes no conjunto habitacional de Cordovil, dois tiros entraram na sala do aposentado, um deles na altura de sua cabeça.

— Quando seus vizinhos começam a se trancar em casa, é hora de partir — diz o senhor, que não pode se identificar por ainda ter parentes na região. —Minha casa valia R$ 120 mil há poucos anos. Hoje, as pessoas querem pagar R$ 40 mil. Minha vontade era continuar, mas estou ficando deprimido. Meu filho me implorou para sair.

CASAS VAZIAS

O medo que o tirou de casa se espalha. Segundo dados do Fogo Cruzado, aplicativo da Anistia Internacional que contabiliza confrontos, foram notificados 87 na Região Metropolitana do Rio apenas na primeira semana de maio, uma média de 12 por dia. Nesse período, 25 pessoas morreram baleadas — 3,5 por dia — e 18 ficaram feridas. Entre janeiro e abril, a Anistia informou 1.493 tiroteios e uma média diária de quatro mortos (488 no total).

Quem sai de casa alega que a causa principal é a falta de segurança. Mas não é o único motivo: o desemprego também castiga a capital do estado, que perdeu sozinha 80% dos 64 mil postos de trabalho fechados no Brasil no primeiro trimestre deste ano. Ainda não existem dados ou pesquisas sobre quantas pessoas se mudaram e para que lugar foram, mas basta entrar numa favela em que os tiros sejam frequentes para ver o sobe e desce de caminhões, especialmente nos fins de semana.

Com braços largos e tatuados que saltam para fora da camisa regata, o caminhoneiro Maurilan Cordeiro olha desconfiado para um de seus três ajudantes. Pergunta se há “algum problema”. O outro resmunga que torceu o pé. “Se quiser pode ir embora, te pago metade do combinado”, responde, sem olhar para o funcionário. Era o primeiro serviço naquele dia e, depois, eles teriam mais um. Há 20 anos no mundo dos fretes, Maurilan anota quantas mudanças faz na Cidade Alta. Nos últimos três meses, foram 96. Algumas famílias foram para bairros próximos e não precisaram trocar as crianças de escola. Outras se mudaram para São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Corumbá... Todas saíram em busca de paz.

— O que mais tem aqui é casa vazia. Tenho feito de cinco a dez mudanças por semana. O movimento aumentou uns 200% este ano — conta Maurilan, chamado por muitos de Murilão.

Ele cobra R$ 300 por um frete até o Centro. Até Jacarepaguá, são R$ 800 e, para São Paulo, R$ 1.600.

— Trabalho muito, mas com tristeza. Cada mudança tem uma história. Às vezes, a pessoa acaba num lugar pior, depois volta. Esta semana mesmo vou trazer uma moça que saiu daqui para a Ilha do Governador e foi assaltada quatro vezes em dois meses. Mas, a cada um que volta, dez vão embora.

E se cada mudança tem uma história, cada história, um drama. O de uma secretária de 30 anos nascida e criada no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, narra a esperança de quem acreditava na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Mas ela viu uma boca de fumo ser instalada na porta de sua casa, com sessões de tortura em ladrões no meio da noite. Há pouco tempo, quando voltava para casa com seu filho de 8 anos, um dos bandidos cismou que ela estava filmando a boca. Os traficantes olharam todas as fotos e vídeos do celular.

— Tem criança de 9 anos entre os bandidos. Meu filho já estava sabendo o calibre das armas pelo som do tiro. Fiquei com medo do que poderia acontecer com ele, já perdi um irmão que virou traficante — conta a secretária, que trabalha no Leblon e conseguiu alugar um conjugado na Cruzada São Sebastião por cerca de mil reais. — Aqui tem tráfico também, mas nem parece: em um mês, ainda não ouvimos tiro algum.

ROTINA ALTERADA

Mudar não é fácil. O filho da secretária ainda não contou aos amigos do morro o motivo que o levou a sair: tem vergonha de dizer que foi por causa da violência, afinal de contas, os colegas continuam lá. Quando soube do conjugado na Cruzada, no fim de março, a mãe pensou que havia elevador no prédio. Mas são apenas escadas nos dez blocos de 945 apartamentos, com edifícios de seis andares. Eles moram no último.

O comportamento das pessoas também é diferente daquele que a pequena família de duas pessoas estava acostumada. No morro, uma única bola de futebol faz a alegria de 50 crianças. No asfalto, o menino só conseguiu jogar depois que a mãe comprou uma redonda para ele. Apaixonado por futebol, em breve o garoto começará a treinar na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), clube na Lagoa que tem a saída dos fundos voltada para a Cruzada São Sebastião.

— Eu descia o morro com medo, tinha que ser muito rápido, porque o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) entrava na favela quando estávamos indo para a escola. Chorei quando minha mãe falou que íamos sair. Tenho sete amigos no morro. Aqui, por enquanto, só tenho um — conta o menino, antes de dizer que está de castigo por ter jogado bola até a noite na semana passada.

Em estado de guerra desde fevereiro — quando teve início a polêmica instalação de uma torre blindada na Praça do Samba, região da Alvorada, que terminou com dez mortos em uma semana —, o Complexo do Alemão certamente é uma das regiões da cidade de onde mais pessoas foram embora. A vendedora X. morava na Rua 2, onde os tiros são tão intensos que o dono de uma padaria construiu um bloco de concreto na porta, espécie de bunker improvisado que as balas já destruíram.

— Minha casa era a mais perfurada da rua. Eu não tinha a opção de morar fora da favela. Depois que me casei, meu marido e eu viemos para a Estrada Velha da Pavuna. Quando tem tiroteio no Alemão, escuto de longe. Minha mãe me liga sempre que os tiros começam. Ela tem vontade de sair também, mas mora junto com meus três irmãos. Seria impossível pagar uma casa no asfalto — afirma X., que não visita a mãe há aproximadamente um mês por causa dos confrontos quase diários entre policiais e traficantes.

A gota d’água que a fez procurar outro lugar foi a última festa de réveillon, quando todos no Alemão estavam na rua e um intenso tiroteio começou. Os transformadores de luz explodiram com os tiros, e as pessoas ficaram no escuro, com as ruas cheias do óleo escuro que escorria dos equipamentos. Um vizinho de X. tinha acabado de reformar a casa.

— Deu pena. A casa virou uma peneira, toda cheia de furos. Naquele dia, ele perdeu micro-ondas, geladeira... Até a cama ficou repleta de buracos. Foi quando decidi ir embora — recorda.

Todos que se mudaram têm medo. Além de parentes, amigos continuam morando nas favelas, e muitos são proprietários de imóveis nos locais. Uma ex-moradora da Cidade de Deus saiu desesperada ao descobrir que o próprio filho estava começando a se envolver com o tráfico. O menino de 15 anos parou de estudar em dezembro, após repetir de ano pela segunda vez em um colégio particular de Jacarepaguá que a mãe pagava com esforço — metade de todas as faxinas do mês iam para a mensalidade escolar.

— Em casa, ficava mais na cozinha do que na sala, onde os tiros batem. Só relaxava quando meu filho chegava. Ele estava começando a se envolver, tinha virado olheiro. Tem três meses que a gente saiu, pela graça de Deus — afirma a mãe, que se mudou para uma rua de acesso a uma favela de Ricardo de Albuquerque, onde o tráfico também dá as cartas.

Até no Santa Marta, primeira favela com uma UPP instalada, em 2008, há pessoas indo embora, apesar de ainda ser grande a procura por casas na favela, no coração de Botafogo. Um produtor cultural se mudou há poucos dias por vários motivos. Entre eles, a volta do tráfico ostensivo.

— É triste ver de novo uma criança olhando os traficantes e querendo ser igual a eles. Pensei que isso iria acabar, mas me enganei — lamenta.

DE VOLTA PARA O NORDESTE

No Complexo do Alemão, ao se apresentar, Seu Elias entrega um cartão de visitas: “De volta para minha terra — mudanças interestaduais”. Nascido na Grota, uma das comunidades do conjunto de favelas, ele tem 60 anos de experiência com frete. Começou ajudando o pai, aos 10, subindo material para a construção de novas residências.

— Havia 40 casas de estuque na Grota quando eu era criança — lembra.

Nos pontos extremos do complexo, nas partes mais perigosas e de difícil acesso, só ele encara o serviço com sua carreta preta que “parece o caveirão”. Enquanto Elias dirige sem pressa pelos becos, um ajudante vai no alto do caminhão com um cabo de vassoura, erguendo o emaranhado de fios que, às vezes, acabam se rompendo no trajeto.

— Apesar de parecer o caveirão, todos me respeitam. Só trabalha aqui quem é conhecido da comunidade. Tem muita gente saindo, principalmente as pessoas que moram lá em cima. Muitos voltam para o Nordeste. Este ano já fui para Bahia e Pernambuco. Na semana que vem, vou para o Maranhão. Um pedreiro desistiu de tudo aqui, já mandou a família e só está terminando um serviço para ir embora — conta ele, que cobrou R$ 6 mil pelo percurso de 3 mil quilômetros. — É triste ver as pessoas partindo. A gente branqueia os cabelos e não consegue alcançar nossos objetivos nessa vida.

Ao se preparar para ir embora no caminhão de Elias, uma manicure de mudança para Rio das Ostras pede ao caminhoneiro que a espere um instante na Estrada do Itararé, onde há um bar na esquina. É hora do almoço, o lugar está cheio. Ela vai até o banheiro e para na porta, onde um amigo do morro escreveu a seguinte poesia: “A noite chegou... / Sair pra brincar / Na chuva / Sonhar em descer / A ladeira / Num barco de papel”. Ela tira uma foto do poema, se emociona e vai embora. Diz que não volta mais.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/moradores-se-mudam-de-favelas-conflagradas-em-exodo-que-cresce-no-rio-21340415#ixzz4h8tBkmOx 
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casarão no Leblon

11/05/2017 - O Globo

O casarão onde funcionava a churrascaria Plataforma, no Leblon, vai virar uma filial do hotel Mama Shelter, com cerca de cem apartamentos, piscina e restaurante badalado. O Mama Shelter é o braço mais moderninho da rede francesa Accor, e já tem uma unidade aberta em Santa Teresa.

domingo, 7 de maio de 2017

Túnel Charitas-Cafubá é aberto ao tráfego

06/05/2017 - O Globo

Moradores de Charitas se organizam para avaliar impactos
   

Veículos trafegam no Túnel Charitas-Cafubá - Divulgação/Leonardo Simplicio


NITERÓI - O túnel Charitas-Cafubá foi aberto ao tráfego na tarde deste sábado. A cerimônia de inauguração contou com a presença do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, que percorreu as duas galerias. Dirigindo o primeiro carro que passou pela pista sentido Charitas, o prefeito fez o percurso de volta a Cafubá de bicicleta.

NI - 26/10/2016 - Estado reduz número de viagens de barcas na Estação hidroviária de CharitasCharitas-Praça Quinze: projeto de lei prevê tarifa intermediária

A nova ligação entre a Zona Sul e a Região Oceânica era esperada há mais de 70 anos pelos niteroienses. São duas galerias (uma em cada sentido), cada uma com aproximadamente 1,3 quilômetros de extensão e três pistas (duas para carros, uma para ônibus do sistema BHS), além de uma ciclovia. Não haverá cobrança de pedágio.

— O túnel é muito mais que uma obra viária, é um conceito de sustentabilidade, que terá moderno sistema de transporte público, além das ciclovias, encurtando distâncias e trazendo mais qualidade de vida para as pessoas — disse Rodrigo Neves.

O Charitas-Cafubá conta com Centro de Controle Operacional (CCO), que utilizará sistema inteligente de monitoramento com equipamentos que vão informar, em tempo real, tudo que acontece nas galerias. São 40 câmeras, seis painéis de mensagens, 80 interfones de emergência e 200 sinalizadores de evacuação de área.

Para a iluminação estão sendo usadas 1.100 lâmpadas de LED. O túnel tem ainda sistema de exaustão com 16 ventiladores e sistema de sonorização para emergências com 252 megafones, sendo 120 em cada galeria e mais quatro em cada porta de saída de emergência, com seis conjuntos de amplificadores.

ESQUEMA ESPECIAL

Com a abertura do túnel a partir de hoje, a NitTrans coloca em operação um esquema especial com a presença de agentes e supervisores de trânsito atuando nos acessos na Região Oceânica e em Charitas. Para quem usa o transporte coletivo, é preciso ficar atento ao trajeto das linhas que passarão pelo túnel: os itinerários dos ônibus 38B (Itaipu-Charitas), 39B (Piratininga-Charitas) e 1001 (integração Charitas-Itaipu) vão mudar. Haverá alteração também no horário permitido para o estacionamento nas Avenidas Silvio Picanço, em Charitas, e Quintino Bocaiuva, em São Francisco.

Os ônibus das linhas 38B e 1001 (integração Charitas-Itaipu) seguem com trajeto normal até o DPO do Cafubá, e, a partir deste ponto, o 38B acessa a pista do futuro BHS, e o 1001 trafega pelas pistas laterais. Já a linha 39B mantém o percurso atual pela Avenida Sete e acessa o corredor do BHS na Avenida Paulo de Mello Kale, na altura do Cabufá.

Essas três linhas de ônibus terão ponto de embarque e desembarque na Praça do Cafubá e outro em frente à estação hidroviária de Charitas, de onde os usuários poderão pegar o catamarã para a Praça Quinze ou fazer a baldeação para o Rio e para o Centro de Niterói. Já o ponto final das linhas intermunicipais, com seis vagas, será em frente ao hotel Solar do Amanhecer.

Ao longo da orla de São Francisco e Charitas, o horário permitido para estacionamento será alterado. Em São Francisco, na Avenida Quintino Bocaiuva, no sentido Icaraí não será permitido o estacionamento de segunda a sexta-feira, das 5h às 10h, do lado direito e no canteiro central. No sentido Jurujuba, junto ao canteiro central, fica proibido das 16h às 20h, nos dias úteis.

Em Charitas, na Avenida Silvio Picanço, sentido Icaraí, será permitido estacionar do lado direito da via no trecho entre a Maison Cascade e o cemitério São Francisco Xavier. Também será possível parar do lado esquerdo da via, no trecho entre o restaurante Verdana e o posto BR. Já no sentido Jurujuba será permitido estacionar no lado esquerdo da via (canteiro central), e, no lado direito da via, será permitido parar somente nas baias de estacionamento.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/tunel-charitas-cafuba-aberto-ao-trafego-21305377#ixzz4gOuC7CZp 
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Hilton assume gestão do Windsor Atlântica e planeja expansão na cidade do Rio

04/05/2017 - O Globo

Glauce Cavalcanti

O Grupo Hilton fincou bandeira na praia de Copacabana ontem. A marca assumiu as operações do antigo Windsor Atlântica, onde funcionou anteriormente o Le Méridien. É o segundo hotel carioca da rede americana, que já havia aberto o Hilton Barra há um ano e meio. Ao todo, o grupo tem quatro hotéis no país. Negociações em curso podem ampliar o portfólio no Brasil e no Rio, adianta Tom Potter, vice-presidente sênior de Operações da Hilton para a América Latina.

- O mercado hoteleiro do Brasil cresceu, sobretudo após os incentivos para Copa do Mundo e Olimpíadas - diz o executivo, acrescentando que a crise atual traz também oportunidades. - Conversamos com fundos de investimento e incorporadoras e há oportunidade para desenvolver marcas da Hilton no Rio e em outras cidades.

PREVISÃO DE 56% DE OCUPAÇÃO

O Windsor Copacabana nasceu de uma dessas oportunidades, numa negociação iniciada seis meses atrás e concluída em março deste ano com a compra do prédio da Rede Windsor - que trabalha para equilibrar as finanças - pela Blackstone, gestora de investimento americana e dona da Hilton Hotels & Resorts.

- Há pelo menos 17 anos a Hilton buscava uma oportunidade para operar um hotel na Zona Sul do Rio - destaca Laura Castagini, que deixou o comando do Hilton Barra para assumir o novo endereço do grupo na Zona Sul.

Também a Hilton é alvo de negociações. Em outubro de 2016, o grupo chinês HNA - o mesmo que investiu na Azul e é sócio do RIOgaleão - comprou uma fatia de 25% da rede hoteleira da Blackstone por US$ 6,25 bilhões.

Os 500 funcionários da unidade passam por treinamento e o hotel já está no sistema de reservas do grupo. A meta é encerrar 2017 com 56% de ocupação média, abaixo dos 62% registrados nos hotéis de Copacabana e Leme em 2016, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIHRJ), mas em linha com os 58% médios da cidade no mesmo período.

Para José Ernesto Marino Neto, da BSH Consultoria, a estimativa conservadora está em linha com a atual realidade do mercado carioca:

- Antes, a ocupação média no Rio beirava 80%. Agora, chegar a um resultado de 56% é de lamber os beiços. A ocupação e o valor da diária média recuaram na Zona Sul.

O Rio de Janeiro passado a limpo

04/05/2017 - O Globo 

Simone Candida

Se uma ideia do "tempo do Onça" tivesse vingado, o Centro do Rio de Janeiro poderia hoje ser uma região cortada por vários canais navegáveis, semelhante à cidade de Veneza, na Itália. É que durante seu mandato, o governador-geral Luís Vahia Monteiro (1725 a 1732), conhecido como Onça, sugeriu a construção de um grande canal interligando o Saco de São Diogo (hoje Canal do Mangue, na Avenida Presidente Vargas) à Lagoa do Boqueirão (onde está o Passeio Público) como uma solução urbanística para tornar a mobilidade mais eficiente no século XVIII.

A preocupação com os mosquitos e a aversão ao mau cheiro de águas paradas fizeram o projeto ser rejeitado pela população. A solução foi a canalização e a drenagem de rios e mangues, além do aterro de áreas alagadiças. Essa é uma das histórias que o arquiteto Washington Fajardo e a pesquisadora Patrícia Pamplona contam no livro "Transformações Urbanísticas", da ID Cultural, que será lançado hoje, às 19h, na livraria Argumento, no Leblon. Com mais de 200 imagens, entre fotos, mapas e gravuras históricas, a publicação se propõe a traçar um panorama ilustrado da evolução da cidade, a partir de marcos arquitetônicos e das mudanças urbanísticas ocorridas em quase 500 anos.

- São muitos os atores que determinam a linguagem histórica do desenvolvimento de uma cidade, e o planejamento urbano tem a função de ordenar algumas dessas forças. O livro quer mostrar isso - explica Washington Fajardo.

Do período colonial - em que o primeiro núcleo de ocupação da cidade orbitava em torno do Morro do Castelo - até os dias atuais, em que o município passa por uma fase de revalorização do Centro, fruto da recente revitalização da Zona Portuária, o Rio conviveu com diversos movimentos de expansão, que culminaram com a abertura de bairros e a criação de novas regiões urbanísticas. Foram aterros, derrubadas de morros, alargamentos de vias, construções de prédios públicos e criações de praças e parques que ajudaram - e ainda hoje ajudam - a formar a identidade urbana carioca.

- O livro é uma espécia de álbum de fotografias e iconografias que mostram as transformações pelas quais a cidade passou, com destaque para os principais planos urbanos apresentados até hoje - diz Patrícia Pamplona.

Entre os planos relembrados, está o Beaurepaire, primeiro projeto urbano apresentado para a cidade, em 1843, pelo engenheiro militar Henrique Pedro Beaurepaire-Rohan, diretor de obras do Rio. O programa, que não chegou a ser aprovado, apresentava soluções para a "salubridade pública e o aformoseamento do município e dos cômodos de seus habitantes". Entre as medidas de saneamento, constava o fim do despejo de dejetos nas praias e o "arrasamento do Morro do Castelo" como soluções para salubridade e embelezamento da cidade, ideia que seria ressuscitada e efetivamente executada em 1922, com a derrubada total do morro.

Viver no Rio de Janeiro foi vencer o desafio de conviver com a natureza.

- A dificuldade de enfrentar a topografia marcou esses movimentos espasmódicos que o Rio de Janeiro fez. Ele vai primeiro numa direção da Zona Norte. Depois, gira e vai para a faixa litorânea, de Copacabana partir do século XX. Quando chega à Barra, já venceu o Maciço da Tijuca e chegou a outra região. É uma reflexão importante porque, hoje, do ponto de vista viário, de mobilidade, é relativamente mais fácil contornar esses maciços de montanhas. Mas isso não quer dizer que a gente deva promover essa expansão, porque a reflexão final do livro é que esse modelo leva a um esgotamento - ensina Fajardo.

As histórias de quatro bairros contextualizam os movimentos de expansão do Rio: Centro, São Cristóvão, Barra da Tijuca e Copacabana.

- A ocupação do Centro é o ato original de formação do Rio. Depois, temos a ocupação de São Cristóvão: com a mudança da família real para a Quinta da Boa Vista acelerando a expansão rumo à Zona Norte. Já Copacabana simboliza a mudança radical dessa lógica de crescimento, a partir da inauguração do Copacabana Palace e da abertura do Túnel Alaor Prata. E a Barra é o momento de expansão para a Zona Oeste - resume Fajardo.

O arquiteto que sonhou com uma cidade sem favelas

04/05/2017 - O Globo

Caio Barretto Briso

Arquiteto da Cidade Alta, área dos recentes confrontos entre bandidos, Giuseppe Badolato diz que seu projeto se desvirtuou, e que não imaginava a favelização do lugar. Caem lágrimas dos olhos azuis do arquiteto italiano Giuseppe Badolato quando ele pensa na Cidade Alta, no bairro de Cordovil, palco do último capítulo da guerra entre traficantes no Rio. Ele se emociona porque 50 dos seus 83 anos foram dedicados à habitação popular, e por ter sonhado com uma realidade diferente quando projetou, com uma equipe de oito arquitetos, o condomínio de 2.597 apartamentos espalhados por 64 edifícios de cinco andares, desde o ano passado no centro da disputa por território entre duas facções rivais.

- Éramos jovens, projetamos esses lugares com objetivo nobre, a gente vibrava. Com o tempo, o projeto se desvirtuou, os núcleos foram invadidos por pessoas irregulares e dominados por politicagem. O resultado é o que vemos hoje - diz Giuseppe, na casa onde vive com sua mulher, no Grajaú. - A Cidade Alta foi um marco por ficar a menos de 20 km do Centro, com estação de trem, escolas e centro comercial, e por ser um projeto vertical de habitação de interesse social. Cada prédio tinha um jardim em volta, as mulheres cuidavam, plantavam flores. Ontem (terça-feira), vi na televisão que os espaços de lazer foram ocupados por barracos. É triste.

O italiano, que começou a trabalhar no Brasil como alfaiate, antes de se formar arquiteto, foi contratado pela Companhia de Habitação (Cohab), fundada em 1963 pelo então governador, Carlos Lacerda. Pouco a pouco, chegou ao cargo de diretor da empresa, que mudou de nome e passou a se chamar Companhia Estadual de Habitação (Cehab) após a fusão dos estados do Rio e da Guanabara, em 1975.

A Cidade Alta surgiu depois da Cidade de Deus, também desenhada por Giuseppe. Foi inaugurada com festa no dia 28 de março de 1969. Embora ficasse bem mais perto do Centro do que outros conjuntos habitacionais feitos naquela década, como por exemplo o da Vila Kennedy - localizada no fim da Avenida Brasil, a quase 60km do Centro -, a mudança para o conjunto sofreu resistência dos moradores da favela Praia do Pinto, que tinha 18 mil habitantes e cresceu ao longo de quatro décadas à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas. Para convencer os futuros moradores, o governo levou um grupo de 300 deles para conhecer as instalações. Segundo Giuseppe, "eles voltaram encantados e correram para fazer o cadastro, eram 200 inscritos por dia". O encantamento se explica: a maioria jamais tinha morado em edifício. Menos ainda com jardins, praças e quadras de esportes ao redor.

- Tinha água, luz, esgoto, ônibus, tudo. Havia três escolas para as crianças, e os prédios eram todos coloridos - lembra o arquiteto.

MORADORES VIERAM DE FAVELA NA LAGOA

Os apartamentos foram financiados pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), que parcelava o pagamento em 20 anos. O índice de adimplência era superior a 80%. Quase todas as unidades, de um e dois quartos, foram compradas por moradores da Praia do Pinto, removidos definitivamente após um incêndio, nunca esclarecido, fazer arder a favela. Feita por 5.920 operários, a remoção durou 74 dias - em um único dia de trabalho, eles derrubaram 710 barracos de madeira, ao ritmo impressionante de um por minuto. Em um antigo relatório da Cohab, guardado por Giuseppe, a inauguração de Cidade Alta é definida como "o maior êxito da companhia no ano de 1969".

Construído em terreno plano em Cordovil, na Zona Norte, o conjunto habitacional fica no entrocamento da rodovia Washington Luís com a Avenida Brasil. Pela localização estratégica, a comunidade passou a ser alvo constante de duas facções de traficantes de drogas e roubos de cargas. Segundo a TV Globo, 130 traficantes invadiram a Cidade Alta na madrugada de terça-feira tentando recuperar a área que eles controlavam antes da invasão de rivais. O confronto entre eles durou das 2h às 7h, quando a Polícia Militar interveio, prendendo mais de 40 criminosos e recolhendo 32 fuzis. Uma das facções ordenou que a população ateasse fogo em ônibus: foram nove incendiados, além de dois caminhões. O trânsito da cidade parou enquanto o medo se espalhava.

Segundo Giuseppe, um dos fatores que não deram certo na criação de condomínios como o Cidade Alta, feitos numa época em que se pretendia erradicar as favelas de uma vez por todas, é o fato de o conceito de "autogestão" não ter sido entendido pelos moradores.

- É como se eles não se sentissem donos do lugar. Sempre que tinha algum problema chamavam a Cohab. Não entendiam que a responsabilidade pela manutenção dos prédios era deles - afirma o arquiteto. - No início, todos gostavam de morar lá, era uma novidade. Depois, começou a mudar, tinha gente que não se acostumava a viver em prédio, com regras e obrigações comunitárias. Sempre fui a favor da remoção quando era cabível. O que não pode é abandonar as pessoas no novo local, e a gente via isso acontecer. Aí, aparecia um vereador, depois outro, fazendo promessas. Até hoje é assim - conta Giuseppe.

No mesmo ano em que foi inaugurado o condomínio da Cidade Alta, o governador Negrão de Lima removeu favelas inteiras, como Marquês de São Vicente (onde fica o Planetário), Morro da Guarda, Piraquê, Parque da Alegria, Ilha das Dragas e Pedra do Baiano. Previa-se a remoção da Rocinha, com 80 mil moradores à época, e de outras comunidades como Cantagalo, Babilônia e Dona Marta. Com o dinheiro arrecadado após o leilão das terras da Praia do Pinto, o governo conseguiu mais verba para financiar novos conjuntos habitacionais e, ao mesmo tempo, atendeu à principal reivindicação dos moradores da Lagoa, Leblon e Ipanema. No lugar da favela, nasceu o condomínio Selva de Pedra.

- Foi das maiores pressões que o governo sofreu da população, principalmente desses bairros, que queria acabar com as favelas - recorda-se Giuseppe. - Morei dez anos em uma garagem com minha família. Sei o que é passar dificuldade. Como arquiteto, eu via uma oportunidade única do ponto de vista urbanístico, além da chance de elevar o nível social de pessoas que viviam em condições subumanas. Era o que sonhávamos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

CRT alega desequilíbrio

20/03/2017 - Valor Econômico

A Concessionária Rio Teresópolis (CRT) informou na sexta-feira que protocolou, no dia 14, uma ação de obrigação de fazer, com pedido alternativo condenatório e pedido de tutela de urgência contra a União e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), "em razão de grave desequilíbrio econômico-financeiro existente no contrato de concessão firmado com a CRT, que persiste desde 2013". A CRT, que tem como sócios Construtora OAS, Carioca Christiani-Nielsen Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Empresa Industrial Técnica (EIT), administra os 142,5 quilômetros da Rodovia Santos Dumont (BR-116/RJ), no Estado do Rio de Janeiro. Segundo a CRT, o desequilíbrio foi provocado, principalmente, pelas retiradas das praças de pedágio localizadas nos quilômetros 14 e 71. A empresa afirma que, desde 2013, tem tentado junto a ANTT uma forma de reequilibrar o contrato.