quinta-feira, 30 de abril de 2015

SUÉCIA RECUSA SEDIAR OLIMPÍADAS E OPTA POR INVESTIR DINHEIRO PÚBLICO EM MORADIAS

01/04/2014 - The Greenest Post

Ah, se o governo brasileiro também pensasse assim… Depois de apresentar sua candidatura em novembro de 2013, a cidade de Estocolmo, na Suécia, decidiu voltar atrás e não concorrer à disputa de sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

Por quê? Em entrevista ao jornal local Dagens Nyheter, a prefeitura do município alegou que, ao colocar no papel os gastos que o evento esportivo traria para a cidade, concluiu que a conta para organizar os Jogos seria alta demais e um eventual prejuízo teria de ser coberto com dinheiro público.

Talvez, em outros países (para não dizer "no nosso país"), usar dinheiro do contribuinte para realizar grandes eventos esportivos não fosse problema. Mas não na Suécia. "Não posso recomendar à Assembleia Municipal que dê prioridade à realização de um evento olímpico, se temos outras necessidades na cidade, como a construção de mais moradias", declarou o prefeito Sten Nordin.

Não quer se candidatar a presidente do Brasil, Sten ?

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Invasores do prédio no Flamengo tentam ocupar outro imóvel abandonado

Edifício, localizado no Centro, já abrigou órgão federal

POR DAYANA RESENDE

24/04/2015 - O Globo

Invasores ficaram sentados na calçada, após serem retirados de prédio abandonado, no Centro - 

Fernando Quevedo / Agência O Globo

RIO - Os invasores que foram retirados do Edifício Hilton Santos, no Flamengo, tentaram ocupar outro prédio, na madrugada desta sexta-feira, no Centro da cidade. O grupo, com cerca de 50 pessoas, saiu da Cinelândia, onde estava acampado, e seguiu em direção a um imóvel abandonado na Avenida Venezuela 53, onde funcionava o Iapetec (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Eles foram retirados pela Polícia Militar e não houve tumulto.

Segundo a PM, os invasores quebraram o cadeado do portão e montaram barricadas com madeira para dificultar a entrada da equipe. Depois de longa negociação, o grupo aceitou deixar o imóvel.

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COM MEDO, VIGIA SE ESCONDEU

Ainda de acordo com os militares, havia um vigia no edifício no momento da invasão, mas, ao perceber que o portão estava sendo arrombado, ele se escondeu com medo de ser agredido.

O grupo permaneceu na calçada do prédio após a desocupação, mas a polícia acredita que eles voltem para a Cinelândia, onde ocupa as calçadas desde o último dia 14, quando a PM cumpriu um mandado de reintegração de posse e retirou cerca de 350 pessoas que haviam invadido o edifício do Flamengo no Morro da Viúva, arrendado pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista.

Na tarde desta quinta-feira, dezenas de pessoas dormiam sob marquises ao redor da Praça Marechal Floriano Peixoto. Pela manhã, funcionários da Comlurb e guardas municipais haviam pedido aos moradores de rua que não colocassem mais colchões, cadeiras e sofás nas calçadas, mas o apelo foi ignorado, para desespero de comerciantes da região. Eles reclamam que, além dos transtornos causados pela ocupação dos espaços destinados a pedestres, aumentou o número de roubos, assim como o consumo de drogas.

AÇÕES NÃO DÃO RESULTADO

A Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) informa que vem trabalhando diariamente para evitar que a Cinelândia vire um grande acampamento. Entretanto, o órgão destaca que não pode impedir a permanência de moradores de rua em áreas públicas - eles têm o direito de se recusar a ir para abrigos.

A Guarda Municipal também informa que, desde a desocupação do prédio do Flamengo, atua todos os dias na Cinelândia e nos arredores para garantir o ordenamento urbano e o cumprimento do código de posturas da cidade, que proíbe a montagem de acampamentos ou ocupações irregulares. Ainda segundo a corporação, três homens que seriam integrantes do grupo de moradores de rua foram detidos na noite de segunda-feira por assalto e depredação. O caso está registrado na 5ª DP (Mem de Sá).

Nos últimos dois dias, cerca de 300 pessoas procuraram o Núcleo de Terras e Habitação (Nuth) da Defensoria Pública do estado, em busca de apoio para o recebimento de benefícios sociais. Todas foram direcionadas para entrevistas individuais, durante as quais assistentes sociais fizeram um cadastro, que será entregue às secretarias estadual de Assistência Social e Direitos Humanos e municipal de Desenvolvimento Social. Apesar do esforço, o defensor público João Helvécio de Carvalho, coordenador do Nuth, admite que não há qualquer previsão de uma solução para o caso.
 
PARTE DO GRUPO JÁ OCUPOU OUTROS IMÓVEIS

Famílias que hoje estão na Cinelândia participaram de algumas invasões a imóveis vazios na cidade. Antes de ocuparem a antiga sede do Flamengo, elas montaram acampamento em um terreno da Cedae na Via Binário, de onde foram expulsas por policiais militares e guardas municipais em março. Cerca de 60 pessoas desse grupo também ocuparam, no mesmo mês, a escadaria da Câmara Municipal.

No ano passado, centenas de famílias invadiram um galpão no qual funcionava uma fábrica no Complexo do Alemão. Aproximadamente 400 pessoas permaneceram no local por nove meses. A desocupação aconteceu em dezembro.

Houve ainda, em abril de 2014, uma invasão a um terreno da Oi no Engenho Novo. Mais de 5 mil pessoas tomaram os galpões do local. Na desocupação, 27 pessoas foram detidas.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/invasores-do-predio-no-flamengo-tentam-ocupar-outro-imovel-abandonado-15961680#ixzz3YE4Pn1Y2 
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Grandes redes abrem hotéis no Rio de olho na Olimpíada

16/04/2015 - Folha de São Paulo

A pouco mais de um ano da Olimpíada, o Rio ganhou, nos últimos dias, dois hotéis de redes internacionais.

Ambos ficam na Barra da Tijuca, perto de um dos principais centros de disputas, o Parque Olímpico, que vai receber 16 modalidades.

Na última quinta- feira (9), abriu as portas o Hilton Barra - o segundo endereço da rede americana no Brasil, depois da unidade paulistana.

O empreendimento tem 298 quartos e, como destaque, "amenities" exclusivos da marca de cosméticos Malin + Goetz. Até julho, está com diárias promocionais - a partir de US$ 159 ( R$ 490).

Na terça ( 14), foi a vez de ser inaugurado o Grand Mercure Riocentro, distante cerca de 10 km do Hilton, do outro lado da lagoa de Jacarepaguá.

O estabelecimento já teve 90% dos leitos reservados pelo COB ( Comitê Olímpico Brasileiro) para os jogos.

Com 306 quartos e diárias a partir de R$ 400, será o 45 º hotel da bandeira, uma das mais luxuosas da rede francesa Accor, no mundo - e o terceiro no Brasil, depois de São Paulo e Recife.

Segundo a Riotur, até o fim do ano 15 mil quartos ficarão prontos ( 10,5 mil na Barra); a título de comparação, o Rio tem, hoje, 34 mil unidades.

Rio vai ganhar ciclovia de 10,4 km entre Cosme Velho e Botafogo após pedido de estudantes

Secretaria municipal de Meio Ambiente já começou a construção da malha cicloviária, que está orçada em R$ 1,4 milhão

POR NATASHA MAZZACARO

15/04/2015 - O Globo

RIO — Albert Einstein — que, volta e meia, era flagrado no topo de uma "magrela" — dizia que viver é como andar de bicicleta: "É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio". O que o alemão não contava, no entanto, era com a bagunça generalizada dos ônibus, caminhões e carros do Rio de Janeiro. Problema que, pelo menos em Laranjeiras, pode estar próximo de ser parcialmente solucionado.

A despeito das críticas feitas pelos especialistas da PUC, a Secretaria municipal de Meio Ambiente começou a construir 10,4 quilômetros de ciclovias, que cortarão até meados de agosto as ruas de Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo e Botafogo. A malha, cuja implantação está orçada em R$ 1,4 milhão, deve legar estes bairros ao Aterro, permitindo que ciclistas trafeguem da Zona Sul até o Centro da cidade. O projeto prevê ainda conexão com as estações de metrô e com o Botafogo Praia Shopping.

VEJA: Estudo conclui que ciclovia carioca é pior que as de Nova York, Londres, Copenhague e Bogotá

Necessidade iminente de qualquer cidade do porte do Rio, a ciclovia é um pedido antigo dos moradores da região e nasceu, em 2008, dentro de uma sala de aula do Liceu Franco-Brasileiro. Convidados a pensar numa solução para um problema diário, seis estudantes bolaram um plano cicloviário, apresentado no programa internacional americano First Lego League. O tema era "transporte inteligente".

— Uso a bicicleta para me locomover desde os 10 anos e, desde então, já sofri uma porção de pequenos acidentes. A falta de uma pista exclusiva acaba criando ciclovias invisíveis. Você começa a andar na rua por falta de opção — conta o estudante Philipe Moura.

O projeto foi apresentado para a prefeitura, que, em 2010, procurou o grupo de estudantes. Nesse mesmo ano, um levantamento mostrou que cerca de 800 ciclistas trafegavam por Laranjeiras todos os dias.

— As pessoas deveriam ser estimuladas a percorrer trajetos intermediários de bicicleta. A Colômbia melhorou seu problema viário assim — lembra o estudante Victor Pimenta.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/rio-vai-ganhar-ciclovia-de-104-km-entre-cosme-velho-botafogo-apos-pedido-de-estudantes-15877924#ixzz3XTOF2x8V 
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Estudo conclui que ciclovia carioca é pior que as de Nova York, Londres, Copenhague e Bogotá

15/04/2015 - O Globo

RIO — Corroborando o senso comum de muitos cariocas que pedalam pelas ruas, a Cidade Maravilhosa ficou na lanterninha de um estudo que comparou as malhas cicloviárias de Nova York, Londres, Copenhague, Bogotá e Rio de Janeiro. A conclusão é do arquiteto Alziro Neto, que fez a pesquisa para o mestrado profissional em Engenharia Urbana e Ambiental da PUC-Rio. Os aspectos levados em conta na análise foram clima; relevo do lugar; segurança; o papel do carro no meio urbano; e infraestrutura. Entre esses, apenas o clima do Rio é favorável para os ciclistas. Sem a chuva recorrente de Londres ou Copenhague, por exemplo, os que andam de bicicleta por aqui têm mais conforto e praticidade. Em todos os outros quesitos, porém, a cidade dificulta a vida dos amantes das "magrelas".

— O espaço para os carros no Rio é bem maior do que o destinado ao ciclista. E a malha cicloviária foi construída de forma descontinuada: ela começa numa rua e logo é interrompida, depois continua na calçada, de repente muda de lado da via. É confuso e perigoso. A isso, somam-se a falta de infraestrutura para interligar as bicicletas a outros meios de transporte, o relevo que espreme a cidade entre o mar e muitas montanhas, e a falta de segurança pública. Isso explica porque o Rio tem a pior ciclovia entre essas cinco cidades — diz Neto.

TRANSPORTE OU AMBIENTE: QUAL É IDEAL?

Segundo o arquiteto, uma lei de 2007 que institui a política de incentivo ao uso da bicicletas no Rio compila uma série de boas ideias, mas com poucas diretrizes. Neto afirma, ainda, que é um erro a Prefeitura do Rio colocar a ciclovia a cargo da Secretaria de Meio Ambiente, em vez da pasta de Transporte. Isso, de acordo com ele, confirma que o governo vê a bicicleta apenas como opção de lazer, e não como veículo.

Para a Secretaria de Meio Ambiente, entretanto, a decisão sobre qual pasta é responsável pelo tema tem a ver com especificidades culturais do Rio.

— Aqui, os carros sempre imperaram, então o modo que encontramos para enfrentar isso foi não vincular as ciclovias à Secretaria de Transporte, que tem uma visão voltada apenas para veículos motorizados. Nós conseguimos, nos últimos seis anos, quase extinguir os estacionamentos para carros no Centro, dando mais espaço para bicicletas. Seria muito difícil fazer isso, por exemplo, dentro da Secretaria de Transporte, que cuida dos estacionamentos. Temos planos, também, de permitir que ciclistas entrem nos ônibus com suas bicicletas, mas não dá para fazer tudo correndo. A academia faz teses sem considerar as dificuldades práticas — alfineta o secretário de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz.

No estudo comparativo de Neto, é mostrado como Londres conseguiu, entre 2000 e 2012, duplicar o número de viagens diárias de bicicleta entre a periferia e o centro da cidade, chegando a mais de 540 mil. Isso foi graças à criação das Barclays Cycle Superhighways, as superciclovias que conectam a periferia ao centro e ajudaram a reduzir os congestionamentos e a aliviar a superlotação no transporte público.

Um exemplo parecido vem de Bogotá, na Colômbia, onde o sistema integrado de ciclovias, chamado CicloRuta, conecta os cidadãos às principais vias de BRT, parques e centros comunitários. Quando o projeto começou, em 1998, apenas 0,2% da população se locomovia por meio de bicicletas. Esse número passou para 4% em 2007.

— Ao escolher as cidades que eu estudaria, não quis me restringir a capitais de países desenvolvidos. Por isso, incluí Bogotá, que começou a pensar na bicicleta como meio de transporte nos anos 90 e já alcançou uma infraestrutura razoável — conta Neto.

Ao construir mais ciclovias e destinar praças para pedestres, algumas dessas cidades conseguiram, ainda, diminuir drasticamente o número de casos de morte de ciclistas. Nova York, por exemplo, reduziu o número de acidentes em 73% entre 2000 e 2011. Ao mesmo tempo, o número de pessoas que trocaram o carro pelas bicicletas subiu 183%. Já no Rio, mais de 15 mil ciclistas morreram entre 2000 e 2010, vítimas de colisões com carros e ônibus.

Pedido de estudantes impulsiona criação de ciclovia de 10,4 km entre Cosme Velho, e Botafogo

Secretaria municipal de Meio Ambiente já começou a construção da malha cicloviária, que está orçada em R$ 1,4 milhão

RIO — Albert Einstein — que, volta e meia, era flagrado no topo de uma "magrela" — dizia que viver é como andar de bicicleta: "É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio". O que o alemão não contava, no entanto, era com a bagunça generalizada dos ônibus, caminhões e carros do Rio de Janeiro. Problema que, pelo menos em Laranjeiras, pode estar próximo de ser parcialmente solucionado.

A despeito das críticas feitas pelos especialistas da PUC, a Secretaria municipal de Meio Ambiente começou a construir 10,4 quilômetros de ciclovias, que cortarão até meados de agosto as ruas de Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo e Botafogo. A malha, cuja implantação está orçada em R$ 1,4 milhão, deve legar estes bairros ao Aterro, permitindo que ciclistas trafeguem da Zona Sul até o Centro da cidade. O projeto prevê ainda conexão com as estações de metrô e com o Botafogo Praia Shopping.

Necessidade iminente de qualquer cidade do porte do Rio, a ciclovia é um pedido antigo dos moradores da região e nasceu, em 2008, dentro de uma sala de aula do Liceu Franco-Brasileiro. Convidados a pensar numa solução para um problema diário, seis estudantes bolaram um plano cicloviário, apresentado no programa internacional americano First Lego League. O tema era "transporte inteligente".

— Uso a bicicleta para me locomover desde os 10 anos e, desde então, já sofri uma porção de pequenos acidentes. A falta de uma pista exclusiva acaba criando ciclovias invisíveis. Você começa a andar na rua por falta de opção — conta o estudante Philipe Moura.

O projeto foi apresentado para a prefeitura, que, em 2010, procurou o grupo de estudantes. Nesse mesmo ano, um levantamento mostrou que cerca de 800 ciclistas trafegavam por Laranjeiras todos os dias.

— As pessoas deveriam ser estimuladas a percorrer trajetos intermediários de bicicleta. A Colômbia melhorou seu problema viário assim — lembra o estudante Victor Pimenta.

Assim nasce uma favela

16/04/2015 - O Globo


Diz Osvaldo Chagas que há 19 anos encontrou um terreno para criar seus cavalos e ter condições de trabalhar como carroceiro. A terra fica na Estrada Comandante Guaranys 538, atrás da Cidade de Deus. O problema é que não é dele. Mesmo assim, conta, levantou barraco, fez aterros, plantou uma pequena roça e foi vivendo. Há cerca de quatro anos, seu Osvaldo recebeu uma vizinha. Laís Conceição morava com o marido, Marcos Júnior, numa comunidade da Cidade de Deus. Afirma que pagava R$ 480 de aluguel com o único salário-mínimo que a família tinha como renda.

— Eu vi que tinha uma casa aqui e me mudei — explica.

Depois de Laís, há cerca de dois anos, vieram Ondina Oliveira, José Nilton e muitos outros que repetem a mesma história: "Ninguém aqui tinha casa. Todos moravam de aluguel". É assim, e geralmente com essa história, que nasce uma favela. E com ela uma infinidade de problemas.

Para os moradores, a principal dificuldade é a condição precária na qual vivem. Habitam barracos feitos com madeira achada em construções, não têm saneamento básico nem instalações elétricas regulares. Para o poder público, fica o trabalho de proteger o terreno e promover a retirada ou, caso a ocupação tenha êxito, regularizar a situação. Para os vizinhos, resta o incômdo de conviver com o desconhecido: a Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá (Acija) está se mobilizando contra as novas comunidades, temendo que, a reboque delas, venha o aumento da violência. — A segurança nessa região é um fator que nos preocupa. Estamos fazendo parceria com o poder público e em contato direto com os batalhões e delegacias, para elaborarmos planos contra essas invasões — diz Aluízio Cunha, dretor-executivo da entidade.

Há também compaixão.

— Sinto tristeza pela condição dessas pessoas — diz a professora Alice Giannini, moradora da Freguesia.

O GLOBO-Barra teve acesso a dois embriões de favelas na Comandante Guaranys, que juntas contam 60 moradias. Na Vila da Amizade, o nome foi definido enquanto a reportagem estava no local. Não sem uma discussão entre católicos, que queriam batizá-la de Vila São Jorge, e evangélicos, que não queriam homenagear um santo. Prevaleceu um nome neutro.

Na Vila da Amizade, os moradores construíram uma "rua" principal, "asfaltada" com uma fina camada de concreto. Uma fossa séptica, que recebe o esgoto dos barracos, é tapada com um disco de ferro igual aos usados em outras ruas do Rio.

Os barracos são pequenos. A maioria tem uma cozinha, que funciona como sala; um quarto, que também funciona como sala; e um banheiro, que desemboca no esgoto improvisado.

Todos têm energia elétrica, puxada ilegalmente dos postes públicos, o que garante aos moradores um pouco de conforto, como TV por assinatura, telefone e internet. É na conta da TV que eles se apegam para tentar comprovar a posse do terreno. Quem não tem o papel da operadora ( a conta da Claro chega com endereço) vai ao cartório e assina documento de fé pública declarando a residência, como fez Lais.

Perguntada sobre o fato de haver assinaturas em área ilegal, a Claro diz, em nota, que exige de todos os clientes documentos pessoais e comprovante de residência "para posterior instalação do serviço contratado". Muitos moradores são instruídos. José Nilton, que acompanhou a equipe do GLOBO-Barra o tempo todo, acha que a reportagem pode ajudá- los a provar que eles residem lá, e pede apoio.

— Eles acham que a maioria dos moradores está aqui para ganhar outra casa, mas todos moravam de aluguel — garante. — Queremos que nos tragam uma solução. Que regularizem os terrenos para melhorarmos nossa condição ou que nos deem uma casa em outro lugar.

Ondina Oliveira não sabe a quem pertence o terreno, mas acha que é da prefeitura. E tem a seguinte convicção:

— Se é do povo, é nosso também.

Ao lado da Vila da Amizade fica a Vila da Conquista, que tem infraestrutura pior. Principalmente depois do dia 1º de abril, quando agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar derrubaram barracos amparados por uma ação que garantia a reintegração de posse ao município.

Ainda abatido, Benedito dos Santos batia martelo para reconstruir a casa destruída na ocasião e trazer de volta a mulher e o filho, que estavam com parentes:

— Parece mentira, mas vieram aqui no dia 1º de abril e derrubaram tudo.

O bota-abaixo é novidade para Benedito, mas não para Osvaldo, o primeiro morador. Ele já passou por três demolições e uma tentativa, a do dia 1º. Só não precisou refazer a casa novamente porque, com apoio da Defensoria Pública, conseguiu uma liminar para se manter no terreno.

— Se eles derrubarem, eu construo de novo — avisa.

O subprefeito da Barra e de Jacarepaguá, Alex Costa, não acredita na história dos moradores. Ele confirma que o terreno é da prefeitura e que há uma ação de despejo contra os ocupantes, motivada por uma denúncia anônima formalizada no fim de março:

— Todo mundo pode contar uma história, mas não tem sentido as pessoas invadirem uma área pública e a gente ficar assistindo a isso.

Costa garante ter informações de que os moradores residem em outros pontos da cidade, e os classificou como invasores profissionais:

— Eles têm moradia e tentam aquela velha história da grilagem. Se colar, colou. Isso é malandragem, e malandragem a gente vai tratar dessa forma. Ninguém mora em um ambiente insalubre como o que vimos ao chegamos para fazer a reintegração.

O subprefeito diz que não há plano de transferir os moradores para outro lugar:

— Se em todo lugar público que invadirem e marcarem as terras fizermos isso, vamos estimular essa prática.

A advogada da Câmara Comunitária de Jacarepaguá, Andressa Gama, explica que costuma haver três tipos de invasões no Rio:

— Tem os grileiros, que ocupam a terra para comercializar terrenos; o invasor que busca uma moradia tentando comprovar o usucapião; e a invasão em massa, geralmente feita por pessoas inscritas em programas sociais como forma de pressionar o Estado.

Para Christiane Romeo, cientista política e professora do Ibmec, o problema é histórico, deve-se à falta de planejamento urbano e se agravou nos últimos tempos:

— É uma questão de Estado. Com toda essa crise, as pessoas vão buscar alternativas para não ficar na rua.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Prefeitura autoriza a criação de ‘Paradas Cariocas’ na cidade

Decreto municipal permite a instalação de espaços de convivência ao longo do meio-fio

POR ANA BEATRIZ MARIN / LAURO NETO

13/04/2015 - O Globo

Parklet em frente a bar na Rua Harmonia, em São Paulo. Onde antes cabiam dois carros, ao menos doze pessoas têm acesso à estrutura. - Michel Filho / michel filho



RIO - Em vez de vagas de estacionamento, pequenas estruturas de madeira com mesas, cadeiras e plantas. Os parklets, como são conhecidos esses espaços, existem há um ano em São Paulo e, agora, podem ganhar, literalmente, as ruas do Rio. Um decreto do prefeito Eduardo Paes publicado hoje no Diário Oficial do município permite e regulariza a instalação das plataformas, batizadas de Paradas Cariocas. Qualquer pessoa poderá apresentar uma proposta de construção à subprefeitura de sua região.

O projeto será avaliado e, se for aceito, terá concessão por um ano, renovável por mais um. Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo diz que a criação dos parklets será uma forma de aumentar a qualidade de vida e a interação entre cariocas em áreas públicas. Ele espera ideias criativas por parte da população.

— Tradicionalmente, o carioca gosta do encontro na rua. As Paradas Cariocas poderão abrigar bicicletários ou pequenas hortas. Também poderão servir para a apresentação de pocket shows — explica Fajardo.

A instalação de parklets estará liberada para toda a cidade, mas só poderão ser construídos em ruas cuja velocidade máxima é de 50 km/h. O responsável por cada espaço terá de arcar com os custos da obra e da manutenção. Se houver algum estabelecimento comercial em frente, haverá a necessidade de uma autorização do proprietário, caso ele não seja o autor do pedido de concessão.

— A Parada Carioca não será a extensão comercial de um bar. O proprietário poderá pedir para instalar mesas em frente ao seu estabelecimento, mas não terá direito de comercializar nada ali. Não vai ter garçom servindo na rua. Também não poderá adotar a mesma padronização da casa — diz Fajardo. — Ninguém poderá ser impedido de se sentar, não se tratará de um espaço para clientes. A prefeitura vai fiscalizar.

TAMANHO É CALCULADO COM A CET-RIO

Em cada rua, será concedido uma área correspondente a 15% do total das vagas existentes para a instalação dos parklets. Segundo Fajardo, o percentual foi decidido com a CET-Rio:

— O coeficiente é razoável. Ainda temos o hábito de pensar que a cidade foi feita para os carros. É uma demanda real, mas entregamos muito espaço para eles ao longo do nosso desenvolvimento. O Rio é para o pedestre. Isso não é radicalismo. Queremos apenas conquistar um novo espaço, esteticamente charmoso, seguro e com um bom design.

Independentemente do que for instalado, os parklets precisarão seguir normas. Todos deverão ter uma placa com a inscrição "espaço público" e estar, no mínimo, a 40 centímetros de distância das vagas de estacionamento mais próximas. Não poderá haver Paradas Cariocas em esquinas, locais de travessias de pedestres, pontos de táxi ou de ônibus nem em frente a rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, como proteção, as estruturas deverão ter guarda-corpos com pelo menos 80 centímetros de altura no lado que dá para a rua.

INICIATIVA PROVOCA POLÊMICA

Para a presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, a criação das Paradas Cariocas é positiva. Quanto menos carro nas ruas, melhor, ela diz, "desde que o poder público ofereça transporte de qualidade".

— Acho bárbaro. O carioca é muito espaçoso, gosta da rua. Mas será necessária a fiscalização da prefeitura para coibir os excessos — diz Evelyn. — Quanto mais a gente ocupa uma área pública, mais segura ela fica. O comerciante pode até alegar que menos vagas prejudicarão as vendas, mas não acredito nisso, pois haverá mais clientes caminhando em frente aos seus estabelecimentos.

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O presidente da Associação de Moradores de Copacabana, Horácio Magalhães, é contra a proposta.

— A troco de quê um bar vai colocar mesas e cadeiras rente à calçada se não for para vender? Mesmo sem licença para plataformas, muitos comerciantes já fazem isso. A prefeitura não tem gente suficiente para fiscalizar — reclama Magalhães, acrescentando que a atual oferta de vagas já é insuficiente no bairro.

O arquiteto e urbanista Luiz Fernando Janot considera o projeto da prefeitura uma boa ideia:

— Trocar uma vaga de carro por um projeto que favorece o convívio social é sempre bem-vindo.

Para Janot, os parklets poderão ajudar a revitalizar áreas degradadas. Mas ele diz que é preciso cuidado para que não haja concentração das plataformas nos mesmos lugares.

— Em bairros como Ipanema, Leblon e Copacabana, já há muita gente nas ruas. Existem áreas em que esse tipo de intervenção pode agregar mais força e revitalização — diz Janot, que defende uma fiscalização rigorosa do uso desse tipo de espaço. — Falta planejamento no Rio. É preciso tomar cuidado com uma possível aglomeração de parklets.

INSPIRAÇÃO NOS PARKETS DE SÃO PAULO

Pioneira no país em instituir os parklets como política pública, a cidade de São Paulo completa um ano, nesta quinta-feira, da implementação da "extensão temporária de passeio público", como foi denominada no decreto do prefeito Fernando Haddad. Responsável pela instalação da primeira estrutura no município, na Avenida Paulista, a ONG Instituto Mobilidade Verde já é responsável por 18 plataformas instaladas em bairros como Pinheiros, Vila Madalena, Jardins e Vila Mariana, nas zona Oeste e Sul. Há mais dez em processo de aprovação na prefeitura e outros 30 em planejamento, diz o presidente da organização, Lincoln Paiva.

— Fizemos uma viagem ao Rio em setembro do ano passado para planejar o primeiro parklet da cidade, em parceria com a Publica Arquitetos. Recebemos um e-mail da prefeitura na sexta-feira dizendo que o projeto se chamará Paradas Cariocas. Somos a organização que mais implantou parklets no mundo. Um dos mais legais que estão para ser inaugurados ficará em Pinheiros e terá uma biblioteca. Haverá uma arquibancada e uma estante com livros. Se chover, serão retirados pelo dono do bar da frente — conta Paiva.

O Instituto Mobilidade Verde apresentou a ideia em São Paulo durante a Design Weekend, em abril de 2013, quando montou três estruturas que foram aproveitadas no evento durante quatro dias, período autorizado pela prefeitura. Seis meses depois, a ONG instalou um outro parklet, na 10ª Bienal de Arquitetura. A instituição construiu dois com verbas de uma cervejaria.

Pelo decreto de Haddad, os parklets são espaços públicos que não podem ter uso restrito. Em São Paulo, o espaço é do tamanho de duas vagas para carros, mas não fica necessariamente em uma área de estacionamento. O projeto precisa da aprovação Secretaria municipal de Transportes e da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana.

 
Paiva conta que, na capital paulista, sua ONG realizou duas pesquisas sobre o projeto : uma após a primeira semana de implantação dos parklets da Avenida Paulista e a outra, recentemente, às vésperas do aniversário de um ano do projeto. Cada uma abordou um universo de mil entrevistados, e foi constatado um aumento na frequência dos espaços.

— Perguntamos, em 2014, de quem eram os parklets: 80% disseram que eram da prefeitura ou de ninguém. Este ano, mais de 70% responderam que são do cidadão. Na Avenida Paulista, a maioria dos frequentadores é formada por trabalhadores locais, de baixa renda, que moram na periferia. Colocamos os espaços de convivência no caminho das pessoas. O fluxo de pedestres aumentou, e a rota se tornou mais segura — afirma Paiva.

Outras cidades que assinaram decretos instituindo os parklets foram Belo Horizonte, há exatamente um mês, e Goiânia, 15 dias atrás. De acordo com Paiva, a prefeitura da capital mineira fez uma consulta pública sobre o nome da estrutura, que será chamada de Parkin.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-autoriza-criacao-de-paradas-cariocas-na-cidade-15854680#ixzz3XDOOWqZB 
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Obra devolve imponência a um ícone do modernismo

12/04/2015 - O Globo

O barulho dos martelos é constante, e os tapumes ainda podem ser vistos ao longo dos grandes corredores. Mas, aos poucos, a fachada renovada do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Morais — Pedregulho, para os íntimos —, com suas linhas sinuosas, reaparece com toda a sua imponência na paisagem de Benfica. As janelas, que no projeto original de Affonso Eduardo Reidy eram de madeira, e há muito estavam destruídas, foram substituídas por estruturas de alumínio pintadas de azul. Os cobogós e brise-soleil foram restaurados, e os pisos e os azulejos, trocados. Foram quatro anos de obra para recuperar a estrutura e a aparência de um dos maiores exemplos da arquitetura moderna no país.

— A previsão é entregar a obra, que faz parte do programa De cara nova, agora em abril. A primeira parte do trabalho foi para corrigir um problema estrutural do prédio. Nesta fase, fizemos a recuperação visual do Pedregulho. Ainda queremos fazer uma terceira etapa, na qual vamos recuperar outras partes do projeto, como o posto de saúde, os jardins de Burle Marx e as áreas de lazer. Mas, para isso, precisamos fazer uma licitação — explica o secretário estadual de Habitação, Bernardo Rossi.

SOB ANÁLISE DO IPHAN

Realizada pela Companhia Estadual de Habitação ( Cehab), a obra custou R$ 46 milhões. A recuperação do Pedregulho é uma das condições do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o tombamento federal. O prédio de 328 apartamentos, projetado por Reidy nos anos 1940 para receber funcionários públicos do antigo Distrito Federal, é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e pela prefeitura. No Iphan, o processo de preservação está em análise desde 1997.

Construídos na década de 50, imóveis custam até R$ 300 mil

Com unidades de 1 a 4 quartos, conjunto era ocupado por servidores

Quando foi construído pelo Departamento de Habitação Popular da prefeitura do Distrito Federal, na década de 1950, a ideia era que os imóveis — há unidades de quarto e sala e apartamentos dúplex de até quatro quartos — fossem ocupados por funcionários federais de diferentes classes sociais. Com o tempo, porém, essas unidades foram transferidas para outros moradores, por meio de contratos de gaveta (sem escritura), o que transformou o prédio numa espécie de Torre de Babel contemporânea.

— Em novembro de 2010, um quarto e sala era vendido por R$ 8 mil. Hoje chega a R$ 70 mil. Os apartamentos de quatro quartos estão saindo por R$ 300 mil. Muita gente veio procurar apartamento depois da obra, mas poucos querem vender — diz Hamilton Ildefonso Marinho, presidente da associação de moradores.

Entre os que não pretendem vender o imóvel está Miguel Dias de Alcântara, de 93 anos. Antigo funcionário do Departamento de Habitação Popular do Distrito Federal, ele testemunhou a construção dos prédios.

— Eu era motorista da Carmem Portinho (engenheira responsável pela construção e mulher de Reidy). Aqui é muito bom para morar. No começo, pagava aluguel, mas hoje só pago à associação. Tenho o direito de posse — conta ele, que mora sozinho num dúplex de dois quartos.

Convencer os moradores, um dos desafios encontrados

Operários tiveram de entrar nos apartamentos para trocar esquadrias

Recuperar o projeto original criado por Affonso Eduardo Reidy em 1946 não foi tarefa simples. Uma marcenaria foi montada dentro do conjunto residencial. O maior desafio, no entanto, foi convencer os moradores sobre a necessidade de intervenções dentro dos 328 apartamentos.

— Ninguém saiu de casa. Tínhamos que interditar um trecho de cerca de um metro dentro dos apartamentos para que os operários pudessem trocar as janelas pelas esquadrias de alumínio. Por isso, foi uma obra demorada. Nem sempre as pessoas querem que o serviço seja feito naquele momento, nem sempre querem sujeira. Apenas cinco moradores não permitiram a entrada dos operários no apartamento. Vamos esperar o fim da obra para saber como isso será resolvido — explica o engenheiro Roberto Nicaretta, da empresa Concrejato, responsável pela intervenção.

Apesar da reforma, um dos entraves para o tombamento do Pedregulho pelo Iphan são as invasões no entorno do complexo. O terreno onde funcionava a lavanderia, por exemplo, hoje serve como estacionamento. Segundo moradores, o local está sendo usado por caminhões da Comlurb, informação contestada pela companhia. Para o superintendente do Iphan no Rio, Ivo Barreto, no entanto, essa questão não influenciará a decisão:

— Esse projeto é um ícone da arquitetura moderna, e a sua manutenção é importante. Foi um processo que ficou parado muito tempo por causa do estado de conservação do prédio.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Trecho da Av. Brasil fechado para obras

09/04/2015 - Extra

A partir das 5h de sábado, um trecho de 1,6 quilômetro da pista central da Avenida Brasil, sentido Zona Oeste, será interditado para obras de pavimentação para implantação do BRT Transbrasil. A interdição será entre as proximidades da Avenida Paris, em Bonsucesso, na Zona Norte, até a passarela 3, na altura do Cemitério do Caju, Zona Portuária.

Com a nova interdição, o trecho total em obra passará para 3.750 metros. Serão ocupadas duas faixas de circulação na pista central sentido Zona Oeste, e meia faixa no sentido Centro. As faixas exclusivas para ônibus continuarão em funcionamento na Avenida Brasil, contornando a área do canteiro da obra. Segundo a prefeitura, será priorizado o transporte público.

Também haverá interrupção do tráfego próximo ao acesso à Ilha do Governador, para obras de drenagem. Serão interditados 500 metros no sentido Centro para reforço do solo, e 300 metros da faixa lateral, logo após a Avenida Brigadeiro Trompowski, sentido Zona Oeste.

Haverá reforço na operação especial de trânsito que passará a contar com 65 operadores de tráfego por turno, 45 painéis de mensagens variáveis, 52 câmeras de monitoramento e 14 reboques na Brasil, na Linha vermelha e nas rotas alternativas

Um Hilton na Barra

09/04/2015 - O Globo

Fundada por Conrad Hilton, bisavô da socialite Paris Hilton, a famosa cadeia Hilton, que tem uns 2.500 hotéis em mais de 80 países, inaugura, hoje, seu primeiro no Rio.
Fica na Av. Abelardo Bueno, na Barra.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ingleses vão usar enxaguante bucal e vitaminas contra sujeira na Baía de Guanabara

Já australianos recomendam uso de chuveiros portáteis após as provas. Objetivo é 'minimizar danos' durante os Jogos

POR MARCO GRILLO

09/04/2015 - O Globo


Lixo flutuante toma conta de um trecho da Baía de Guanabara, cartão-postal que receberá provas de vela durante as Olimpíadas de 2016 - Marcelo Carnaval / Agência O Globo (02/04/2015)

RIO — Polêmica à vista: a preocupação com a poluição da Baía de Guanabara levou velejadores britânicos a adotarem medidas para evitar o risco de doenças provocadas pela contaminação da água. Em entrevista à "BBC", o responsável pela equipe de vela, Stephen Park, afirmou que os atletas estão ingerindo vitaminas para "minimizar os danos da poluição". O evento-teste do iatismo será em agosto deste ano.

Os atletas também foram orientados a carregar embalagens com enxaguante bucal enquanto estiverem treinando ou competindo na Baía. Segundo a reportagem, o velejador Nick Thompson ficou doente durante o evento-teste realizado em 2014.

— Estou tomando óleo de peixe para fortalecer o intestino — disse o atleta.

Já entre os dirigentes australianos, o incômodo se estende para além da Baía. De acordo com o jornal "The Sydney Morning Herald", a chefe da delegação do país, Kitty Chiller, se disse preocupada com os atletas que vão disputar as competições na Praia de Copacabana — triatlo e maratona aquática — e na Lagoa, que vai receber remo e canoagem. Uma das alternativas em estudo pela delegação é um chuveiro portátil para os atletas do triatlo e da maratona aquática usarem assim que saírem do mar.

EFEITOS DUVIDOSOS

Além de controversa, a decisão dos ingleses pode não ter efeito prático. O médico Alberto Chebabo, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que a única ação eficaz é a "vacinação contra hepatite A".

— A exposição à água contaminada traz também risco de diarreia, pela presença de bactérias, e de doenças de pele, por causa da presença de compostos químicos.

Para o médico Celso Ramos, coordenador da câmara técnica de infectologia do Cremerj, ingerir vitaminas com antecedência não vai trazer o efeito esperado:

— Nenhum suplemento é capaz de evitar uma infecção por bactéria — afirma.

A chance de contaminação também é minimizada pela Confederação Brasileira de Vela. Segundo o secretário-executivo da entidade, Ricardo Lobato, os procedimentos adotados serão iguais aos previstos em qualquer competição de alto nível.

— Quem vai às praias de Flamengo e Botafogo sabe que a água não é a do Caribe, mas, em termos de condições de regata, a Baía está pronta — afirmou.

O governador Luiz Fernando Pezão já reconheceu que a Baía não deverá alcançar os 80% de coleta e tratamento de esgoto prometidos quando o Rio se candidatou. Os barcos que atuavam na coleta de lixo flutuante estão parados há um mês por falta de pagamento do estado. A Secretaria estadual do Ambiente estuda uma maneira de criar novas ecobarreiras para impedir a entrada de detritos na Baía, depois que o instituto gerido pela família Grael recusou a contratação, sem licitação, para operar as estruturas.

Entre os velejadores brasileiros, a preocupação com a contaminação é pequena. Sobram, no entanto, críticas à situação em que a Baía se encontra.

— Velejo há 20 anos e nunca tive nada, mas já aconteceu muitas vezes de não conseguir treinar por causa do lixo. A última foi em fevereiro — reclamou Ricardo Winicki, o Bimba.

Bruno Prada, prata em Pequim e bronze em Londres, em 2012, disse que a situação é "muito ruim" e que "saneamento não dá voto".

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/ingleses-vao-usar-enxaguante-bucal-vitaminas-contra-sujeira-na-baia-de-guanabara-15819976#ixzz3WqTP8Bpu 
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Justiça determina reintegração de posse do prédio do Flamengo, arrendado por Eike Batista

Edifício, na Avenida Rui Barbosa, foi invadido por cerca de 100 pessoas na madrugada de terça-feira

POR GISELLE OUCHANA

09/04/2015 - o Globo

RIO - O juiz Leonardo Alves Barroso, da 36ª Vara Cível, concedeu, na tarde desta quinta-feira, liminar de reintegração de posse do Edifício Hilton Santos, localizado na Avenida Rui Barbosa 170, atendendo a uma solicitação do Clube de Regatas do Flamengo. O prédio foi invadido por cerca de 100 pessoas na madrugada da última terça-feira. No local funcionava a antiga sede do instituição.

De acordo com a direção jurídica do clube, o Flamengo se antecipou e ajuizou a ação para resguardar seu patrimônio, diante da inércia do Grupo EBX, que arrendou o edifício em 2013.

— O que o Flamengo fez foi se antecipar, porque a propriedade é o nosso maior patrimônio material. Não podíamos aguardar a tomada de decisão do locatário — explicou o diretor jurídico do clube, Bernardo Accioly.

De acordo com decisão judicial, além da Polícia Militar, a reintegração de posse será realizada com o apoio de agentes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Assistência Social. Médicos e ambulâncias também estarão a disposição dos invasores, para evitar. Toda mobilização foi exigida para evitar qualquer tipo de confusão entre os envolvidos.

"Oficie-se, com urgência, a Prefeitura do Rio de Janeiro comunicando o deferimento da liminar de reintegração, para viabilizar, por conseguinte, eventual auxílio de médicos e assistentes sociais para a realização do ato. Expeçam-se mandados, devendo o Sr. Oficial de Justiça, caso necessário, solicitar apoio policial, bem como acompanhamento da Prefeitura do Rio de Janeiro", escreveu o magistrado.

Segundo Bernardo Accioly, o Clube de Regatas do Flamengo quer que tudo seja feito com o máximo de cuidado, evitando confusão e confrontos na frente do edifício.

— Não queremos confusão por uma questão humana e até de imagem. Esse prédio é um marco do Flamengo. É importante que tudo seja feito com cuidado — disse o diretor jurídico do Flamengo.

A maioria dos invasores faz parte do mesmo grupo que ocupou o terreno da Cedae, na Via Binário, na semana passada. Na ocasião, eles foram retirados por policiais militares e guardas municipais. Cerca de 60 pessoas desse grupo também ocuparam a escadaria da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, mês passado. Em 2014, centenas de famílias invadiram o galpão onde funcionou a fábrica de plástico Tuffy Habib, no Complexo do Alemão. Em abril do mesmo anp, o grupo também participou da invasão ao terreno da Oi, no Engenho Novo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/justica-determina-reintegracao-de-posse-do-predio-do-flamengo-arrendado-por-eike-batista-15825517#ixzz3WqS0rBPn 
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Vizinhos do Edifício Hilton Santos afirmam que número de invasores está aumentando

Grupo que ocupou imóvel morava nas ruas e já participou de outras ocupações

POR BRUNO AMORIM

08/04/2015 - o Globo


Prédio do Flamengo na Avenida Ruy Barbosa é invadido por moradores de rua - Pablo Jacob / Agência O Globo

RIO — Vizinhos do Edifício Hilton Santos, na Avenida Rui Barbosa 170, no Flamengo, afirmam que um grupo de cerca de 40 pessoas conseguiu entrar no prédio na noite de terça-feira, durante a troca de plantão da Polícia Militar. O local foi invadido na madrugada desta segunda-feira por cerca de 90 pessoas. Desde a ocupação irregular, policiais do 2º BPM (Botafogo) estão no local para impedir que mais pessoas entrem no local.

Ao longo da terça-feira, alguns ocupantes deixaram o imóvel alegando que iriam trabalhar ou ao médico. Outros saíram para comprar comida para quem ficou do prédio. No início da noite, o grupo se reuniu à porta do prédio, mas, impedido de entrar pela polícia, seguiu para uma praça próxima. Aproveitando uma distração dos policiais, eles conseguiram depois entrar no Hilton Santos.

— Tem alguém que articula tudo. Ele falava no celular e dava ordens ao grupo. Por volta das 21h, durante a troca de guarda da PM, ele saiu correndo para chamar o grupo que estava do lado de fora, na praça — afirmou a aposentada Marina Johnson, de 63 anos, que mora na região e tem acompanhado a movimentação no Edifício Hilton Santos.

GRUPO JÁ PARTICIPOU DE OUTRAS INVASÕES

Segundo os próprios invasores, a maior parte deles já participou de outras ocupações e morou em ruas da cidade. Alguns estavam presentes nas invasões de um terreno da Cedae na Via Binário 2, na Zona Portuária, no mês passado; da fábrica de plástico Tuffy Habib, no Complexo do Alemão; e na Favela da Oi, no Engenho Novo, ambas no ano passado.

Um dos líderes da invasão, o camelô Alexandre Silva, de 37 anos, disse que trabalha em Copacabana e mora na rua. Ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Silva já viajou para outras cidades para participar de ocupações.

— Há dois anos luto com meus amigos para conseguir uma casa. Vou aonde for preciso para vencer — afirmou o ambulante.

Flávia Pereira, de 38 anos, outra líder do movimento, contou que nasceu no Santo Cristo, mas cresceu nas ruas de Copacabana.

— Há três anos, depois de conhecer muitas pessoas que moravam em ocupações, decidi que ocupar era a melhor solução para não dormir nas ruas — disse Flávia.


O servente Fábio Júlio já participou de outras ocupações - Pablo Jacob / Agência O Globo

O servente Fábio Júlio, de 32 anos, disse que, até ir para o terreno da Cedae, morava de favor na casa da ex-sogra, mas também já passou por diversas ocupações. Segundo ele, muitos desses locais são controlados pelo tráfico de drogas:

— Minha primeira ocupação foi em um hotel abandonado na Rua Lobo Júnior, no Estácio, durante os anos 1990. Ficamos um ano lá. Também morei no "casarão amarelo", na Lapa, onde quem manda são os traficantes.

HOTEL 4 ESTRELAS TERIA 454 QUARTOS

O empresário Eike Batista pretendia transformar o prédio do Morro da Viúva em hotel quatro estrelas para os Jogos de 2016. O Edifício Hilton Santos abrigaria o Hotel Parque do Flamengo, com 454 quartos. A reforma do imóvel, construído nos anos 1950, era estimada em R$ 100 milhões. O investimento era visto com bons olhos pela prefeitura, que chegou a anunciar que perdoaria a dívida de IPTU do clube, de R$ 17 milhões. A medida se justificaria pelo fato de a construção do hotel, que receberia turistas em 2016, atender ao pacote olímpico. Porém, desde a crise que atingiu o império de Eike, o local sofre com o abandono.

Recentemente, a rede de hotéis Bourbon confirmou que está em fase de negociação com o Grupo EBX para assumir o empreendimento. A rede, no entanto, não informou um prazo para concretizar o projeto.

O Flamengo afirmou que já notificou o grupo EBX, mas ainda não obteve resposta.

— Desde ontem (anteontem), estamos estudando uma estratégia judicial. Não vamos esperar a EBX se movimentar. Não podemos deixar esse patrimônio se deteriorar — disse Bernando Accioly, diretor jurídico do Flamengo.

O Tribunal de Justiça do Rio afirmou que, até esta quarta-feira, não recebeu nenhum pedido de reintegração de posse para o Edifício Hilton Santos. Procurado por O GLOBO, o grupo EBX não se pronunciou.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/vizinhos-do-edificio-hilton-santos-afirmam-que-numero-de-invasores-esta-aumentando-15812448#ixzz3Wlh3VEAy 
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terça-feira, 7 de abril de 2015

Paes afirma que repasse para verba do VLT está atrasado

03/04/2015 - O Dia

Empreiteira do Complexo de Deodoro demite operários, alegando falta de pagamento

ANGÉLICA FERNANDES

Rio - Durante a entrevista sobre o Complexo de Deodoro, nesta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes voltou a falar que o repasse de verba federal para a construção do VLT está atrasado. Segundo ele, mais de R$ 200 milhões já saíram do caixa da prefeitura para bancar a obra.

"O governo federal optou pelo que é prioritário para a Olimpíada, que é o complexo esportivo. Eu é que não vou fazer uma Olimpíada sem o VLT. E como sou organizado, já consegui colocar verba municipal. Não sei quando vou receber, mas a presidenta Dilma já me ajudou tanto que eu entendo os problemas que passa hoje", declarou Paes. O VLT está orçado em R$ 1,1 bilhão.

O Complexo de Deodoro vai abrigar 11 modalidades olímpicas e terá seu primeiro evento teste em setembro. A área de responsabilidade da empreiteira Queiroz Galvão compreende um espaço de 500 mil metros metros quadrados, onde serão construídos, principalmente, o Parque Radical, com circuito de canoagem e pista de ciclismo.

Prefeito garante estar em dia com obra olímpica

Durante visita às obras do Complexo Esportivo de Deodoro nesta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes garantiu que não há atrasos nos pagamentos à construtora Queiroz Galvão, responsável pelo empreendimento. Desde quarta-feira, a empreiteira está demitindo funcionários sob alegação de não ter recebido verba do município. Paes afirmou que não vai ceder à pressão da construtora e classificou a postura da empresa como "estratégia burra". O prefeito também reafirmou que as obras estão no prazo e o cronograma está mantido. 
 
A área do Parque Radical, que terá provas de canoagem e ciclismo: construtora diz que está dentro do prazo

Foto:  Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Desde o início da construção, em agosto de 2014, a Prefeitura do Rio já repassou R$ 110 milhões, do total de R$ 640 milhões, ao consórcio Construtor — formado pela Queiroz Galvão (99%) e pela OAS (1%). Segundo Paes, os prazos de pagamento estão sendo rigorosamente cumpridos: "Todos os recursos do governo federal já estão liberados e disponíveis para a prefeitura, mas não vamos deixar de cumprir prazos e de fiscalizar. O que a empreiteira quer é fazer pressão, receber mais rápido. Mas não vai conseguir." 

A Queiroz Galvão informou através de nota, que "as obras encontram-se rigorosamente dentro do cronograma e que o consórcio acredita na regularização dos pagamentos das etapas já concluídas de forma a garantir o entrega do projeto no prazo estipulado em contrato". A construtora é uma das empresas investigadas pela Lava Jato, que apura irregularidades em contratos de construtoras com a Petrobras. 

A empresa admitiu que está colocando funcionários em aviso prévio como uma "medida preventiva que certamente será revertida com a regularização dos pagamentos relativos às etapas construtivas executadas". A empreiteira não se pronunciou sobre a quantidade de demissões, mas o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada acredita que foram mais de 70 pessoas.

Governo do RJ sugere privatização do Arco Metropolitano e outras duas rodovias

07/04/2015 - O Globo

RIO — O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, vai entregar ao governo federal, nesta quarta-feira, um pacote de sugestões prevendo a concessão à iniciativa privada de três rodovias: Arco Metropolitano (que liga Manilha ao Porto de Itaguaí), BR-101 Sul (no trecho Itacuruçá-Angra), e BR-456 (antiga Rio-São Paulo), que passariam a ter pedágio.

O objetivo é desatar antigos gargalos e garantir a aplicação de mais investimentos nessas vias, hoje administradas pela União. Osorio acredita que, caso a proposta seja levada adiante, há possibilidade de inserir os trechos num pacote único de exploração e concluir o processo ainda este ano.

— Queremos sair na frente com essas concessões. A julgar pela situação econômica do país, não vamos conseguir tirar do papel investimentos importantes sem a iniciativa privada. Mesmo sem o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio, em Itaboraí) a pleno vapor, temos uma demanda pesada no trecho Magé-Manilha do Arco Metropolitano. Outros gargalos são a antiga Rio-São Paulo, que pode ser uma alternativa importante para quem vai da Zona Oeste do Rio para cidades do Médio Paraíba, e os túneis de Mangaratiba da Rio-Santos, que estão totalmente saturados — detalhou o secretário.

Osorio vai se reunir com o ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e do Planejamento, Nelson Barbosa. No encontro, ele pedirá a inclusão dos trechos no Programa de Concessão de Rodovias Federais, coordenado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

DUPLICAÇÃO PARADA

Embora tenha sido construído em parte com recursos estaduais, o Arco Metropolitano, de 145 km, é uma rodovia federal. A duplicação do trecho Magé-Manilha, de cerca de 30km, não caminhou desde a sua inclusão no PAC 2, de 2008.

— Essa questão ainda está no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e há inegáveis dificuldade de aporte de dinheiro e velocidade nas obras. A ideia é que uma concessionária cuide não apenas desse importante trecho, mas do Arco como um todo — disse Osorio.

Ainda segundo o secretário, o Arco Metropolitano acabou provocando um trânsito muito mais intenso na Rio-Santos, que agora precisa ser redimensionada.

— Moradores de municípios da Baixada Fluminense, como Queimados e Japeri, passaram a frequentar mais praias de Muriqui e Mangaratiba. Com isso, tivemos um fluxo muito maior de carros em direção à Costa Verde. A duplicação é importante — destaca.

Osorio defende que as concessões possam ocorrer de uma só vez, acelerando processos:

— (As obras) Podem ser licitadas em bloco ou individualmente. Em bloco, teríamos uma alternativa inteligente, já que não há competição entre as estradas. O operador seria responsável pelo sistema. Os pedágios serão detalhados no projeto. A nossa ideia é tentar concluir o processo ainda em 2014, pra que a assinatura de contrato seja em 2016.

Sobre a Linha 3 do metrô, entre Niterói a São Gonçalo, o secretário disse que duas propostas serão analisadas pelo governo Dilma: a instalação de um monotrilho que acompanhará o traçado da Niterói-Manilha, a um custo de R$ 3,9 bilhões, ou um sistema duplo de BRTs, pela mesma rodovia e também pela RJ-104, a um custo de R$ 1,7 bilhão.

Na Zona Portuária, paisagem resgatada com a demolição da Perimetral já atrai turistas

07/04/2015 - O Globo

RIO — Novos horizontes, novos visitantes. A reboque das profundas plásticas da orla do Centro, turistas que debutam na Cidade Maravilhosa apontam suas bússolas para uma pedaço de terra negligenciado há décadas. Até cariocas passaram a estabelecer uma ligação mais íntima com uma Praça Mauá já livre do enorme bloco de concreto e ferro que impedia a vista do mar. A saída da Perimetral renovou os ares também na Praça Quinze. No sábado pré-Páscoa, a sul-coreana Ji Hyeon Kim, de 19 anos, visitava barraquinhas da feira de antiguidades nas proximidades da estação das barcas:

— Na Coreia, o Rio tem o estereótipo de ser uma cidade muito violenta. Eu cheguei há pouco tempo e tenho observado que não é bem assim. As ruas são largas, espaçosas. E os cenários, muito bonitos.

O carioca aposentado Carlos Eduardo Palmer foi ver de perto a transformação nos arredores do Museu do Amanhã. Ao lado do monumento ao Barão de Mauá, ele tentava traçar, com as mãos, uma linha imaginária por onde passava o elevado. Em vez de penumbra, a praça estava iluminada — até demais. O aposentado buscou guarida num trecho de sombra, com a amiga Regina Raso.

— Eu sempre fui favorável à demolição desse monstrengo. De fato, pude ver que ficou bem melhor — diz ele, que volta ao Rio depois de uma temporada de dez anos em Nova Friburgo. — Só achei que um trecho maior da orla já estivesse liberado à visitação. Infelizmente, ainda não conseguimos acesso a alguns locais.

Regina, que sempre teve um pé atrás com a derrubada da Perimetral, reconhecia que o aspecto mudou para melhor:

— Sempre fui contra (a demolição), porque toda transformação gera custos. Gasta-se muito dinheiro para construir e outros milhões para desconstruir. Acaba ficando uma coisa ao gosto do prefeito em exercício. Mas realmente ficou melhor, isso é inegável. Se um dia eu conseguir saber onde estão as vigas da Perimetral que desapareceram, gostarei ainda mais.

Nem a falta de policiamento e de informações turísticas tirava o ânimo da estoniana Evelin Tomsom, de 40 anos. Funcionária de uma ONG de Direitos Humanos, a moradora de Londres desembarcou no Museu Naval em busca de novidades. Queria conhecer um pouco mais a história das invasões do Rio por corsários.

— Na verdade, eu cheguei aqui por acaso: desci no ônibus e acompanhei o fluxo de pessoas — divertia-se. — Disseram-me para ter cuidado, mas estou achando tudo incrível. Fui à Lapa sozinha e não tive qualquer problema. O povo é simpático e está sempre disposto a ajudar.

Apesar das declarações empolgadas, durante a apuração dessa reportagem, a equipe do GLOBO não registrou policiamento nas imediações da Zona Portuária, com exceção de uma patrulha a cerca de cem metros da Praça Mauá. A PM não informou o número de policiais destacados para patrulhar a região.

O diretor do Rio Convention & Visitors Bureau, Cláudio Magnavita, acredita que em menos de dois anos o tempo de permanência dos turistas estrangeiros e os gastos na cidade devem subir 25%. Para 2016, ele prevê que a Zona Portuária atrairá o dobro dos visitantes.

— A região passa por grandes transformações. O Museu de Arte do Rio (MAR) vem batendo recordes de visitação e seu restaurante é referência. E o Museu do Amanhã (espaço dedicado às ciências) já faz parte da silhueta da cidade — analisa Magnavita. — Uma das formas de aumentar a receita com o turista é criar um cinturão de atrações para aumentar a permanência dos visitantes na cidade.

Grupo que invadiu terreno da Cedae agora ocupa prédio da antiga sede do Flamengo

Cerca de 80 pessoas ocupam o Edifício Hilton Santos, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, desde domingo

POR BRUNO AMORIM

07/04/2015 - O Globo



Invasores colocam placa no prédio da Avenida Rui Barbosa em que explicam que seus barracos foram derrubados em área da Cedae - Gabriel de Paiva / O Globo

RIO - Um grupo de 80 pessoas ocupa o Edifício Hilton Santos, onde funcionava a antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo. Segundo um dos invasores, que se identificou como Júnior Dias, de 26 anos, há no grupo 19 crianças e seis grávidas. Segundo ele, o prédio tem luz, mas está sem água.

— Quando ocupamos o prédio, no domingo, os seguranças estavam dormindo e não houve confronto — disse Júnior.

Eles fazem parte do mesmo grupo que foi retirado pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal de um terreno da Cedae na Via Binário, na semana passada. Desde então, vinham dormindo na Cinelândia. O grupo fez uma carta aberta explicando que o objetivo da ocupação é chamar a atenção das autoridades para a falta de moradia.

— Não é justo um local como este abandonado e a gente dormindo na rua. Não invadimos e nem arrombamos. Estamos ocupando — disse Júnior, que conta ter crescido nas ruas e consegue sobreviver fazendo pequenos serviços.

Policiais do 2º BPM (Botafogo) estão em frente ao prédio. Dois representanates da EBX, empresa empresário Eike Batista que chegou a anunciar que transformaria o prédio em um hote, estiveram na manhã desta terça-feira no local para tentar negociar a saída dos invasores.

Pedestres que passam pelo edifício param para olhar o que promete ser um novo problema para uma área que, segundo os moradores, tem pouca segurança. O fisioterapeuta Flávio Coelho, de 39 anos, não conteve a indignação:

- Todos na rua sabiam que isso ia acontecer. É uma grande falta de cuidado.


Fachada do prédio da antiga sede do Flamengo, na Avenida Rui Barbosa - Gabriel de Paiva / Agência O Globo

A aposentada Carmem Milem avalia que a invasão era uma tragédia anunciada.

- Lastimamos muito, pois são 17 andares, e a polícia vai ter muito trabalho para resolver. Será um caos. Esse pedaço da Rui Barbosa já é perigoso, agora com essa invasão vai piorar muito - disse.

Para a Associação de Condomínios do Morro da Viúva (AMOV), a invasão do prédio já era esperada. A entidade afirma que desde o segundo semestre do ano passado vem alertando as autoridades sobre o abandono e a degradação do edifício.

- Em junho de 2014, levamos a situação do local ao responsável pelo clube. Contudo, não obtivemos nenhuma resposta. Com isso, tentamos contato com o Vice-presidente de Patrimônio do Clube e mais uma vez nenhuma atitude concreta foi tomada - disse.

A presidente da associação disse, ainda, que em outubro do mesmo ano procurou o comando do 2º BPM (Botafogo) e uma opreração para vistoriar o prédio foi organizada:

- Durante a vistoria, constatamos o total abandono do edifício e muito lixo. Além disso, no local havia apenas dois porteiros e nenhuma segurança", afirma Maria Thereza, acrescentando que, a associação rambém solicitou uma audiência com o Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, em novemro de 2014, e não obteve resposta.

Maria Thereza lembra que somente em dezembro a prefeitura fez uma operaçaão no prédio. Agentes da Secretaria de Ordem Pública, da Guarda Municipal, da Vigilância Sanitária, da Defesa Civil e da Comlurb fizeram uma inspeção para averiguar a denúncia da associação, que realizou ainda na época um abraço simbólico ao prédio para chamar atenção das autoridades para a gravidade da situação.

- A situação é crítica. Não há qualquer tipo de segurança, apenas quatro porteiros que se revezam em dois turnos, facilitando assim os roubos e as depredações, e também se torna alvo fácil para invasões, como estamos vendo - afirma Maria Thereza.


PRÉDIO PODE SER TRANSFORMADO EM HOTEL

O empresário Eike Batista pretendia transformar o prédio em um hotel quatro estrelas para as Olimpíadas de 2016. Na semana passada, a rede de hotéis Bourbon confirmou que está em fase de negociação com o Grupo EBX do empresário para operar o edifício. A rede Bourbon, no entanto, não informou um prazo para concretizar o possível acordo.

Em janeiro de 2012, o Conselho Deliberativo do Flamengo tinha aprovado a proposta de assinar um contrato de concessão do prédio à empresa REX, braço imobiliário do grupo, por 25 anos. Os planos de Eike eram abrir ali o Hotel Parque do Flamengo, com investimentos de R$ 100 milhões em reformas. Moradores que viviam nos apartamentos, no entanto, se recusavam a deixá-los. E, após brigas que chegaram ao Ministério Público ao longo de 2012, o Hilton Santos foi desocupado.

O prédio, construído nos anos 1950, vem sofrendo com o abandono desde a crise que atingiu o empresário, o que impediu que o projeto de transformá-lo num hotel, com 454 quartos, saísse do papel.

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