domingo, 25 de outubro de 2015

Frente marítima do Centro terá nove praças às margens da Baía

25/10/2015 - O Globo

RIO — Saiu o cinza da Perimetral. Surgirão o verde das árvores e o colorido dos jardins. No caminho do elevado posto abaixo, a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde integrará nove praças no Centro, das imediações do Museu Histórico Nacional até o Armazém 8 do Porto. Algumas são velhas conhecidas, como a reformulada Praça Mauá e a histórica Praça Quinze. Outras cinco são novidades que estimularão a redescoberta da frente marítima às margens da Baía de Guanabara. Um caminho que, quando a poeira das obras assentar, vai revelar ângulos antes escondidos da cidade. E que incluirá o acesso a um trecho, no contorno do Morro de São Bento, que ficou 252 anos restrito à Marinha, na área do I Distrito Naval.

Ao longo de 3,5 quilômetros, serão mais de 600 árvores plantadas. Para cada praça, afirma José Renato Pontes, presidente da concessionária Porto Novo, haverá um tratamento urbanístico e paisagístico específico, formando um corredor que se ligará também, por calçadas, à Praça Salgado Filho, em frente ao Aeroporto Santos Dumont, e ao Parque do Flamengo.

— Esse é o grande movimento: tiramos a Perimetral, os carros e o mergulhão, substituímos pelos espaços de convivência para o pedestre. A ideia é incentivar as pessoas a ocupá-los, como já ocorre de forma surpreendente na Praça Mauá, lotada nos dias úteis e também nos fins de semana — afirma José Renato, ressaltando que as novas praças ainda devem ganhar nomes oficiais.

Partindo do Porto, a primeira área de lazer será o boulevard sobre o traçado da Avenida Rodrigues Alves, numa grande praça longitudinal entre os armazéns 1 e 8. O VLT também passará por ali. E o público poderá ter acesso à beira da baía quando ao menos quatro dos galpões (1, 2, 3 e 6) perderem o status de área de alfândega, o que já está acertado entre a prefeitura e a União. O Armazém 1, por exemplo, receberá o YouTube Space, com estúdios, cenários, cursos e workshops da empresa. Quanto ao 2 e ao 3, a ideia da concessionária Pier Mauá é transformá-los em polos de cultura, lazer e gastronomia, num projeto em fase de finalização.

UMA ÁREA PARA EXPOSIÇÕES

O corredor segue pela Praça Mauá e continua por um calçadão que cruzará a área da Marinha até a Praça da Candelária, uma esplanada com jardins que surgirá entre a igreja e o mar. Adiante, virá uma sequência de três áreas com propostas diferentes. A que tem sido chamada de Praça dos Museus ficará próxima à Casa França-Brasil, ao CCBB, ao Centro Cultural dos Correios e ao Museu da Marinha. O espaço deve ser transformado numa espécie de extensão desse circuito de arte.

— O lugar poderá receber exposições e instalações artísticas, além de servir de acesso aos museus — diz José Renato.

Nas imediações das ruas do Ouvidor e do Mercado, ficará a Praça do Povo, destinada a eventos culturais, perto de onde acontece atualmente o concorrido Samba da Ouvidor. Colada a ela, próximo ao prédio da antiga Bolsa de Valores, haverá a Praça Corporativa: as pessoas que trabalham no Centro serão incentivadas a frequentá-la, na hora do almoço ou na happy hour. Já a Praça Quinze, com lajes sobre as antigas entradas do mergulhão, voltará a ter seu tamanho e concepção originais. Monumentos históricos como o Paço Imperial e o chafariz do Mestre Valentim vão manter o devido destaque na paisagem. Haverá também uma estação do VLT, para integração com as barcas.

O caminho se completará com outras duas áreas próximas ao Museu Histórico Nacional. Nesse trecho, a via expressa que ligará o Aterro ao Porto passará pela superfície, antes de entrar pelo maior túnel em área urbana do país, com três quilômetros de extensão. De um lado das pistas, junto à baía, a Praça Marechal Âncora, onde fica o restaurante Albamar, está sendo totalmente revitalizada e rearborizada. Do outro, o antigo terminal de ônibus da Misericórdia se transformará, de novo, na Praça da Misericórdia. Dois espaços que serão interligados por uma passagem por baixo da via expressa.

— A ideia é tornar essas áreas agradáveis e iluminadas, confortáveis e com sombra para as pessoas caminharem. Haverá também bancas de jornais, bancos no padrão dos da Praça Mauá e outros equipamentos — diz José Renato, lembrando que os projetos de paisagismo e urbanismo foram feitos pelos escritórios B+ABR Backheuser e Riera Arquitetura e Raiar Engenharia.

O conceito, para o arquiteto e urbanista Luiz Eduardo Índio da Costa, torna a cidade mais humana, priorizando o pedestre em relação ao urbanismo viário, voltado para os carros.

— Meu sonho seria estender esse conceito do Parque do Flamengo até o Galeão. Pode parecer utópico, como pareceu, a princípio, a retirada da Perimetral, mas não é impossível — diz ele.

OBRAS PRONTAS ATÉ OS JOGOS DE 2016

Já Pedro da Luz, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Rio, destaca outro aspecto: a possibilidade de a nova orla mudar a relação da cidade com a Baía de Guanabara, que ganhará mais visibilidade. Ele aponta, contudo, um senão: o fato de as pistas de carros virem à superfície antes do Museu Histórico Nacional:

— Esse prédio é uma joia no trajeto. A travessia da beira da baía até o museu, na minha opinião, está mal costurada. As pistas no meio continuarão subdividindo esse trecho.

São essas praças que têm as obras mais adiantadas, assim como o boulevard do Porto. A inauguração deve acontecer nos primeiros meses de 2016. Nos trechos próximos à Candelária, ainda são realizadas obras de escavação do túnel da via expressa. A construção das praças começará à medida que essas intervenções forem finalizadas. A previsão é que todas fiquem prontas entre maio e junho, antes das Olimpíadas.

PASSEIO QUE CRUZARÁ ÁREA DA MARINHA JÁ ESTÁ 65% PRONTO

O cenário no qual o carioca vai se reencontrar com o pedaço da orla que, desde 1763, estava restrito à Marinha já ganha formas, aos pés do Mosteiro de São Bento. Em torno de 65% das obras do passeio que ligará as imediações da Candelária à Praça Mauá estão prontas. Já se pode ver como ficarão o calçadão e os jardins no trecho de cerca de 600 metros. E, nos próximos dias, deve começar a construção que unirá os dois lados da frente marítima: um deque que avançará sobre a Baía de Guanabara, por baixo da Ponte Arnaldo Luz, que dá acesso à Ilha das Cobras.

Será um deque metálico de 70 metros de extensão, com acabamento de madeira, em formato de ‘‘V’’ ou de bumerangue, sustentado por estacas na rocha no leito da baía. Dali em direção ao Museu do Amanhã, está praticamente pronto o futuro calçadão com piso de granito e canteiros com jardins. Entre o passeio e a beira da baía, já pode ser vista também a faixa de areia, com vegetação de restinga, que caracterizará o trecho.

Para o outro lado do deque, no sentido Candelária, no entanto, será mantida a estrutura conhecida como Cais do Almirante, com escadas que dão acesso do calçadão à baía.

— Todos os elementos apontados como importantes pela Marinha serão mantidos. Esse é um deles, um cais usado em cerimônias oficiais — explica Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio (Cdurp).

Segundo ele, em toda a sua extensão, o caminho terá entre sete e 12 metros de largura. Grades, no entanto, vão separar a área aberta ao público (na borda da baía) da que continuará sob o comando do I Distrito Naval. Mesmo assim, poderão ser vistos novos ângulos do Mosteiro de São Bento, uma das mais antigas construções do Rio (do século XVII), assim como os prédios da Marinha.

São edificações como a da sede do Comando do I Distrito Naval, construída pelos beneditinos no século XVIII, ou o austero Edifício Almirante Tamandaré, de 1935, em estilo art déco. Estarão à vista também os prédios geminados de 1828, onde hoje funcionam os setores de Seleção e de Identificação da Marinha, e o Edifício Almirante Júlio de Noronha, em estilo colonial, de 1819, ocupado atualmente pelo Estado-Maior da Armada e pela Diretória Geral de Navegação (DGN). Os pedestres poderão ainda observar prédios mais novos. Os antigos refeitórios dos marinheiros, que funcionavam em trapiches bem abaixo do Mosteiro de São Bento, foram demolidos e darão lugar a novos ranchos, que deverão ficar prontos em abril do ano que vem.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Calçamento em pedras irregulares: descoberto durante obra do VLT

19/10/2015 - O Globo

A prefeitura enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan) um projeto para a manutenção de parte do piso em estilo pé de moleque da Rua da Constituição, revelado durante as obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos ( VLT). O município aguarda apenas a aprovação do órgão, para que possa alterar o projeto inicial de pavimentação previsto para o local. A mesma medida foi adotada na Avenida Rio Branco, depois da descoberta do calçamento antigo.

A preservação mobiliza historiadores, restauradores, museólogos e entusiastas de diversos segmentos. Eles pedem a preservação de parte do piso, como legado de referência do processo de urbanização pelo qual a cidade passou em seus 450 anos. O piso de pedras irregulares no chão batido foi revelado há cerca de três meses, quando as obras do VLT chegaram ao trecho da Rua da Constituição, entre a Praça Tiradentes e o Campo de Santana. Muito comum no período colonial, atualmente o pé de moleque é conservado em poucos locais da cidade, como a Ladeira da Misericórdia, no Centro, e em algumas ruas do Cosme Velho e de Santa Teresa.

— Foi um grande achado para a cidade. As obras preveem encobri- lo, mas queremos deixá- lo à mostra para servir de referência para as futuras gerações. A nossa proposta é que a nova pavimentação seja feita deixando quadrados com cobertura de placas de vidro, para que o pé de moleque possa ser visto — explica o restaurador Marconi Marques de Andrade, um dos profissionais à frente da mobilização.

Dono de uma livraria no trecho em obras, Renato Eduardo Pereira é um entusiasta da iniciativa. Ele acredita que a medida poderá contribuir para aumentar o movimento de visitantes no local:

— Acho que deixar partes do antigo piso aparentes pode ficar bom. Em Portugal, eu vi uma rua exatamente assim: asfaltada, mas com placas de vidro que permitem ver o antigo pavimento.

Supervisora de uma loja de móveis na rua, Liliana Vila Nova concorda:

— Acho que a manutenção será mais difícil. Mas, se fizerem, a rua vai ficar mais bonita, com clima de interior.

Também envolvida na mobilização para manter o calçamento, a historiadora Sheila Castelo está esperançosa:

— Já estamos em contato com alguns vereadores e vamos ao prefeito. Nosso objetivo é convencer todos da importância de mantermos a história ao alcance das pessoas. Isso é muito significativo para a memória da cidade e o sentimento de pertencimento dos cariocas.

PROPOSTA ENVIADA AO IPHAN

Em nota, a prefeitura informa que a proposta encaminhada ao Iphan prevê a adequação de projeto em trecho da obra na Rua da Constituição "de modo a preservar uma porção do piso pé de moleque, que será elevado e ficará exposto”.

Com 28 quilômetros de trilhos, o VLT vai ligar diferentes pontos do Centro e da Região Portuária. Serão 32 paradas. Com funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, o sistema terá capacidade para transportar 300 mil passageiros diariamente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Depois do Porto, prefeitura quer fazer a 'Vargens Maravilha'

15/10/2015 - O Globo

RIO - Depois de estabelecer uma parceria público-privada (PPP) para promover a expansão da Zona Portuária, a prefeitura pretende aplicar o mesmo modelo de operação para ordenar o crescimento e melhorar a infraesturura das Vargens. Desde agosto, um consórcio formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura e Queiroz Galvão Construtora realiza estudos técnicos a fim de viabilizar um projeto de urbanização na região, que sofre com a precariedade dos serviços públicos. No dia 23 deste mês, a primeira fase do diagnóstico será avaliada por uma comissão interna da prefeitura. O trabalho será encerrado em dezembro, e a expectativa é que no primeiro semestre de 2016 comece o processo licitatório.

Em julho, o município publicou um Procedimento de Manifestação de Interesse, convocando empresas candidatas a participar do projeto a elaborar uma análise do que seria necessário fazer na região. No mês seguinte, a Secretaria Especial de Concessões e Parceiras Público-Privadas (Secpar) aprovou a proposta de Odebrecht e Queiroz Galvão. Quando o estudo estiver concluído, audiências públicas deverão ser realizadas. O projeto faz parte do programa Em Frente Rio, que reúne dez propostas de obras de mobilidade, infraestrutura, saneamento e logística na cidade, como o VLT da Zona Sul e o corredor expresso Transbrasil, que ligará Marechal Deodoro ao Centro do Rio.

Os estudos técnicos, com limite de gastos de R$ 12 milhões (que só serão ressarcidos pela prefeitura se o consórcio ganhar a licitação), servirão para avaliar a viabilidade de implementação ou melhoria de uma série de 31 itens, divididos em cinco temas: mobilidade, sustentabilidade, infraestrutura, segurança e espaços públicos. A intenção da prefeitura com a parceria é alcançar a universalização do saneamento básico, realizar a macrodrenagem de 40 quilômetros de canais e construir 2,4 quilômetros de rede elétrica subterrânea, além de investir em iluminação pública e na oferta de Wi-Fi gratuito nas áreas públicas. O consórcio ainda deverá analisar propostas mais arrojadas, como implantação de transporte aquaviário e BRT, criação de um circuito cicloviário e de parques ecológicos e instalação de câmeras de segurança.

O melhor modelo de concessão também será definido pelo estudo, mas o secretário executivo de Coordenação de Governo da prefeitura, Pedro Paulo Carvalho, afirma que o mais provável é que seja via Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), como no Porto Maravilha. Nesse caso, uma lei municipal específica, que precisaria ser aprovada, autorizaria o aumento do potencial construtivo na região. Em contrapartida, as construtoras que adquirissem os Cepacs seriam obrigadas a executar investimentos em infraestrutura. As semelhanças entre os dois projetos, porém, restringem-se ao modelo escolhido, explica o secretário:

— A operação não será parecida com o Porto Maravilha do ponto de vista de ocupação. A necessidade das Vargens é de sustentar o crescimento, hoje desordenado; investir no saneamento básico; e racionalizar a densidade hoje prevista para o PEU. Ou seja, não é adensar mais uma área da cidade, como será na Zona Portuária, mas sim ordenar a região, que está em crescimento.

Desde a aprovação, pela Câmara dos Vereadores, do Projeto de Estruturação Urbana (PEU) das Vargens, em 2009, moradores aguardam a melhoria urbana da área, que abrange Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e pequenos trechos da Barra e do Recreio. Mas o PEU jamais saiu do papel. Depois de o próprio prefeito admitir que havia falhas no plano de elevar o gabarito em vários pontos dos bairros, o que preocupava ambientalistas, a Secretaria municipal de Urbanismo propôs alterações, nunca votadas. Em 2013, o PEU foi suspenso, e continuará assim até o fim dos estudos do consórcio.

Segundo a prefeitura, a proteção ambiental é a prioridade, e por isso a operação consorciada terá parâmetros urbanísticos mais restritivos que o PEU. Para Pedro Paulo, conciliar esse viés com o aumento do potencial construtivo, a fim de atrair incorporadoras, é viável.

— Não estamos tratando de uma reserva ambiental. É um bairro que pode receber construções, mas vamos definir parâmetros moderados, para que o crescimento seja ordenado e não afete a natureza — diz o secretário, acrescentando que os estudos embasarão também mudanças no PEU. — Ano que vem vamos enviar um novo texto à Câmara. Uma das etapas do projeto do consórcio é justamente o estudo jurídico, que trata não só da mudança dos parâmetros urbanísticos, mas de toda a regularização fundiária. Agora tudo vai aguardar a conclusão dos estudos.

ENTRE A ESPERANÇA E A CAUTELA

O anúncio do projeto consorciado divide opiniões entre moradores das Vargens. Enquanto muitos reclamam da falta de divulgação, há quem já projete o futuro. Para o empresário Rogério Appelt, presidente da comissão de acompanhamento do PEU, a operação pode ser interessante, "se feita de maneira correta”.

— Precisamos de investimento em infraestrutura. Hoje, os serviços públicos não funcionam. Aqui claramente será um bairro novo — diz Appelt, que, por outro lado, lança desconfiança sobre o processo de escolha do consórcio. — Em apenas 120 dias é praticamente impossível realizar um estudo dessa magnitude numa área tão grande. Acredito que o acordo já havia sido costurado antes, ainda mais com um investimento tão alto, que teoricamente seria de risco.

Procurado, o consórcio formado por Odebrecht e Queiroz Galvão respondeu que somente a prefeitura poderia falar sobre a parceria.

Para o arquiteta e urbanista Canagé Vilhena, morador de Vargem Grande, falta transparência por parte da prefeitura. Ele acredita que a operação deveria ser precedida de planejamento mais detalhado e profundo.

— Mais uma vez passam por cima das premissas do urbanismo e dos princípios da política urbana aprovados na Constituição. Nosso Plano Diretor de 2001 indica a necessidade de aprovar um plano de desenvolvimento urbano local, denominado Plano Regional, cuja finalidade é preparar urbanisticamente a região para receber novas construções. Depois é preciso definir o uso do solo. O código de obras, que é a parte do gabarito, deveria ser a última fase. Mas normalmente vemos o interesse imobiliário se sobrepondo ao social.

Vilhena define as Vargens como um retrato da expansão urbana sem planejamento, o que produziu "uma organização caótica em área rural degradada, onde ainda existem ruas e estradas sem registro no cadastro fiscal da prefeitura”. De fato, um passeio por Vargem Grande e Vargem Pequena revela, além do clima bucólico, a carência de serviços públicos. O principal problema, diz Angela Ormond, presidente da associação de moradores, é o saneamento básico.

— Aqui não existem água e tratamento de esgoto. Nossa sede não tem fornecimento regular de água há três meses. Desde o ano passado utilizamos poço, mas só para lavar a casa. Para beber, precisamos comprar garrafas. E o prazo que a Cedae me deu para resolver a situação do bairro é dezembro de 2016. Estou sempre cobrando serviços dos órgãos públicos, mas o que eles fazem aqui é paliativo. A verdade é que não há verba para refazer ruas inteiras, como é preciso — lamenta Angela, que ainda não tem opinião formada a respeito do PPP das Vargens, por saber pouco sobre o projeto.

Questionada, a Cedae respondeu que "todos os moradores formais de Vargem Grande e Vargem Pequena recebem água” e que novos adutora, reservatório e troncos distribuidores estão em construção. Sobre esgoto, o órgão garante que a rede da região é direcionada para as estações de tratamento existentes nos dois bairros.

Para Appelt, os problemas resultam da falta de planejamento a longo prazo e de obras malfeitas. Ele cita os gastos com saneamento realizados no primeiro mandato do prefeito Cesar Maia.

— O bairro foi todo rasgado para a passagem de dutos de esgoto, elevatória etc. Mas, no final, ficamos sem ligações a essa rede, porque as obras não foram aceitas pela Cedae. Em consequência, vemos hoje o esgoto sendo despejado em valas e rios. É só observar a proliferação de gigogas no Rio Morto. Em relação à água, vários locais passam semanas sem uma única gota no verão; a rede é antiga e foi subdimensionada.

Vilhena também se lembra de projetos anteriores malfadados para apontar as falhas no saneamento da região. Para piorar, a formalização dos serviços básicos esbarra no fato de diversos loteamentos das Vargens serem irregulares:

— A Estrada do Morgado, por exemplo, simboliza a falta de desenvolvimento urbano. Ela não está no cadastro da prefeitura. Os moradores pagam imposto rural ao Incra. Isso quer dizer que a posse do terreno é regular, mas a casa, não, o que emperra a execução de serviços de água e esgoto.

Para Angela, a ideia de implantarem transporte aquaviário não inspira confiança entre os moradores, que convivem há anos com canais assoreados, sem solução.

Outra evidência nas vias de Vargens é a presença de lixo nas ruas. Sobre isso, porém, Angela afirma que não pode culpar a Comlurb, e lamenta a falta de conscientização da população.

— Muitos moradores não jogam lixo nas caçambas, como deveriam.

Por outro lado, Vilhena entende que o serviço da Comlurb poderia ser melhor, com a implantação da coleta seletiva.

— No geral, a coleta é eficiente, mas poderia ser melhor. Ainda usam o sistema medieval de separar o lixo no depósito, o que retarda e aumenta o custo do processo. Também deveriam multar quem joga lixo na beira dos rios.

Reformulação das linhas de ônibus recebeu sugestões de moradores - Fabio Rossi / Agência O Globo

A mobilidade, ao menos, recebeu um alento no mês passado. Depois de a prefeitura anunciar o novo sistema de ônibus e receber diversas reclamações, uma reunião foi marcada nas Vargens, com a presença do secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani. Angela diz que várias reivindicações foram atendidas:

— Eles prometeram aumentar as rotas do 613 (Del Castilho-Riocentro), que passará a ir até a Estrada do Pontal; e do 810A (Taquara-Curicica), alimentador que vira linha e também terá ponto final no Pontal. Outro alimentador, o 809 (Pontal-Curicica), foi criado; o 316 e o 361 (ambos Recreio-Centro, via Linha Amarela) iam acabar mas continuaram; e a estação de BRT Praça do Bandolim ganhará serviço expresso.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Recessão acende sinal de alerta para legado olímpico

07/10/2015 - Valor Econômico

A Olimpíada do Rio serviu para alavancar diversos investimentos que estavam engavetados na cidade, mas a crise econômica adiou empreendimentos privados no projeto Porto Maravilha - um dos principais símbolos da revitalização carioca. A recessão também afastou investidores internacionais que planejavam investir na capital fluminense e levou a Prefeitura do Rio a criar um plano para garantir que o legado olímpico não se perca após os jogos de 2016. 

O programa, que ainda será detalhado, prevê investimentos de cerca de R$ 26 bilhões e a ampliação de projetos que constam na matriz de políticas públicas. É uma carteira de obras para depois do período olímpico, justamente para tentar manter aquecida a economia carioca no pós-2016. O atual plano de investimentos para ser entregue até a Olimpíada soma R$ 14,3 bilhões, com projetos de revitalização e mobilidade, e está em fase final de implementação, com orçamentos fechados e obras, em sua maioria, dentro do cronograma. 

Entre as dez propostas do programa que será lançado estão levar o VLT (veículo leve sobre trilhos) para a zona sul da cidade e ampliar os corredores de ônibus BRT. 

A prefeitura acredita que, mesmo com a economia em baixa e as empreiteiras sufocadas financeiramente, haverá interessados para dividir os R$ 22 bilhões do plano destinados à iniciativa privada. 

A administração municipal também quer aprovar um pacote de desburocratização com 12 decretos para reduzir o tempo para abrir e fechar negócios na cidade. 

"Estamos no meio de uma recessão e as obras aqui não pararam, estão completamente em dia", afirmou o secretário municipal de governo, Pedro Paulo Carvalho. "Eu acredito que, ao lançar novos projetos de PPPs [Parcerias Público-Privadas] e concessões, não haverá nenhum problema de falta de mercado. As empresas querem sair da crise e querem arrumar novos negócios", acrescentou. 

Em agosto, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o desemprego caiu na região metropolitana do Rio. Grande parte das vagas geradas foi na construção - 32 mil postos de trabalho em um mês. A taxa de desocupação no Rio ficou em 5,1%, menor que a média das seis maiores regiões metropolitanas pesquisadas, de 7,6%. É nesse setor que a prefeitura vai continuar apostando após a Olimpíada. 

No centro da cidade, é praticamente impossível andar sem esbarrar em um canteiro de obras. Os trilhos do VLT já começaram a ser colocados. O projeto orçado em R$ 1,1 bilhão, com 28 quilômetros de extensão e que interligará a região portuária ao centro, passando pelo aeroporto Santos Dumont, já está 46% pronto. Segundo o consórcio que administra a obra, o cronograma está em dia e tudo será entregue antes dos jogos. 

Na zona portuária, segundo a prefeitura, as obras também seguem dentro do cronograma, com prazos definidos: não podem terminar depois do segundo semestre de 2016. Até junho do ano que vem, todas as novas linhas de BRT na zona oeste, os corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímpica, deverão ter sido entregues e, segundo a secretaria municipal de obras, as etapas da construção estão em dia. 

Economistas, porém, temem que à medida que as obras forem sendo entregues o Rio não tenha capacidade para absorver tantos trabalhadores sem emprego, ainda mais com a economia brasileira patinando. 

"Enquanto não se resolver a questão política, a tendência é a situação econômica se deteriorar", afirma o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mauro Osório. "Na economia há uma coisa chamada expectativa. Enquanto estiver essa confusão, o empresário não investe, o consumidor segura o consumo". Para Osório, falta ao Rio de Janeiro uma política clara para incentivar a indústria cultural, esportiva, de turismo e eventos que poderiam, após a Olimpíada, ajudar a impulsionar a economia carioca. 

O ritmo de vendas dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) do Porto Maravilha é um reflexo de como a crise esfriou a procura pelo projeto. Apenas um terço desses documentos que autorizam a construção na zona portuária foram vendidos e menos de 9% foram efetivamente "consumidos". Isso quer dizer, segundo o gerente nacional de fundos para o setor imobiliário da Caixa, Vitor Hugo dos Santos, que a crise tem adiado o planejamento. 

"Alguns projetos são muito grandes, levam tempo, envolvem vários entes locais e isso leva a modificações. Há outros casos onde os empreendedores, por conta da situação econômica, estão evoluindo de uma forma mais lenta. E há ainda aqueles que compraram as Cepacs e estão aguardando o melhor momento para que sejam consumidas, também por causa do cenário econômico", diz ele. 

Ex-secretário de Urbanismo do Rio, que esteve à frente da pasta quando o primeiro projeto de revitalização da área portuária foi criado, Alfredo Sirkis, elogia a iniciativa de tirar do papel o plano, mas teme que sem atrair moradores o investimento não dê certo. "A revitalização da área portuária não pode ser simplesmente a ampliação do centro da cidade como ele é hoje, ou seja, puramente comercial e de escritório. A revitalização da área portuária tem como elemento fundamental a oferta residencial, para mim isso é condição sine qua non de sucesso", disse. 

O secretário Pedro Paulo Carvalho, porta-voz da prefeitura e pré-candidato ao posto hoje ocupado por Eduardo Paes (PMDB), pede cautela com o Porto Maravilha. "O projeto do porto não é um projeto para quem olha a curto prazo. Claro que vive momentos de crise econômica, mas ali é um investimento para quem olha no longo prazo", acrescenta.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Botafogo ganha projeto do escritório Burle Marx

12/10/2015 - O Globo

Proposta, que será apresentada à prefeitura, prevê revitalização de área verde
  
LUDMILLA DE LIMA 

Projeto para a Enseada de Botofago - Escritório de Paisagismo Burle M / Escritório de Paisagismo Burle Marx

RIO - Nos 50 anos do Parque do Flamengo, quem ganha um presente dos discípulos de Roberto Burle Marx é a Enseada de Botafogo. Considerado “patinho feio” da orla carioca, embora conte com um dos cartões-postais mais famosos do Brasil — a paisagem do Pão de Açúcar —, o lugar ganha um banho de paisagismo num projeto que acaba de sair das pranchetas do Escritório Burle Marx, como informou a coluna Gente Boa.

O trabalho, que propõe um passeio de desenho geométrico junto aos prédios, revitalização da área verde central, nova iluminação e também equipamentos de esporte e lazer no calçadão da praia, será doado à prefeitura, dentro das comemorações dos 450 anos do Rio e também dos 60 anos do escritório.

Calçadas com identidade

Uma das ideias da equipe foi dar uma identidade à enseada, a exemplo da Praia de Copacabana. O projeto acaba com a falta de continuidade e de uma cara própria da principal calçada de Botafogo, com 10.500 metros quadrados, usada nos deslocamentos do dia a dia. No lugar, entra o traço característico do arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono, considerado o herdeiro intelectual de Burle Marx e diretor do escritório, onde entrou como estagiário há 50 anos.

— É um desenho orgânico, feito para o espaço pelo Haru, que trabalhou a quatro mãos com o Roberto no calçadão de Copacabana — afirma o arquiteto paisagista Gustavo Leivas, sócio do escritório. — A proposta é criar uma grande promenade, tendo o pedestre como principal na hierarquia. As vias que cortam o passeio ganhariam passagens em nível: a calçada seria um elemento contínuo, com o carro tendo que subir e descer uma rampa. Além disso, implantamos no projeto uma ciclofaixa, que toma espaço destinado aos veículos.

Enquanto a ciclovia da orla tem hoje uma função mais de lazer e de pista para quem segue de bicicleta para o Centro, a ciclofaixa ao lado do calçadão dos prédios integraria o bairro, ajudando quem precisa se movimentar dentro de Botafogo. O projeto também dá fim ao trechos onde a calçada se torna mínima, quase inviável à circulação, e ordena os equipamentos urbanos, como postes e bancas de jornal.

Recuperação de jardins

Outro ponto sobre o qual a equipe se debruçou foi a área central, cujo paisagismo foi feito por Burle Marx no final dos anos 40, antes mesmo do Parque do Flamengo. Os canteiros verdes acabaram mutilados e transformados ao longo do tempo, principalmente com as mudanças no sistema viário. Agora, o escritório, que tem, entre os projetos mais recentes no Rio, o paisagismo do Museu do Amanhã, do Museu da Imagem e do Som e da Vila dos Atletas, propõe a recuperação dos jardins, tombados em 2009 — ano do centenário do paisagista — pelo prefeito Eduardo Paes junto com outras 83 obras de Burle Marx na cidade.

Ideia é apostar em patrocínio das empresas da região

Na área da praia, o projeto tenta superar falhas na acessibilidade, ausência de mobiliário adequado e pontos de conflito entre pedestres e ciclistas. O projeto ganhou dois deques, que facilitam o acesso e servem como uma extensão do calçadão.

— É uma área com paisagem maravilhosa, mas subutilizada — avalia a arquiteta paisagista Isabela Ono, sócia do escritório.

Estão previstos elementos como bancos com design especial para o local e quiosque na praça junto ao Botafogo:

— É uma interferência criteriosa. Há palmeiras nativas, e incluímos um quiosque que segue o padrão atual. Os bancos têm desenho mais contemporâneo, com linhas mais discretas — detalha Gustavo.

O escritório Burle Marx aposta no patrocínio de empresas instaladas na Praia de Botafogo. No final dos anos 80, uma delas chegou a reformar sua calçada, com desenho de Haruyoshi Ono. A ideia é ampliar a iniciativa, como ocorreu no Biscayne Boulevard, em Miami:

— Lá, coube a cada proprietário executar sua frente.

Além do Biscayne Boulevard, o escritório fez projetos para mais de 34 países, como os jardins da Unesco, em Paris, e o Kuala Lampur City Centre, na Malásia.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/botafogo-ganha-projeto-do-escritorio-burle-marx-17752597#ixzz3oMPWEbBh 
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domingo, 11 de outubro de 2015

Primeiros conjuntos do Minha Casa têm violência e abandono

11/10/2015 - O Globo

Cinco anos após a entrega dos primeiros conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, moradores convivem com violência, problemas estruturais, fraudes e falta de equipamentos públicos e opções de lazer dentro dos condomínios. Ao mesmo tempo em que alguns conjuntos revelam problemas provocados pelo alto índice de inadimplência, em outros o tráfico de drogas estabeleceu a sensação de insegurança. Em algumas das primeiras unidades entregues no país — Feira de Santana (BA), Campinas (SP) e Rio — a conquista da casa própria ainda é uma dor de cabeça para os moradores.

O Minha Casa Minha Vida se tornou uma das principais vitrines do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em meio à crise política, cortes no orçamento e proposta de aumento de impostos. Sem obras importantes a ponto de serem entregues, o governo jogou as fichas no programa habitacional. Desde 31 de agosto, foram 17 inaugurações, com a presença da presidente e de sete ministros. Segundo o governo federal, cerca de 360 mil famílias serão contempladas até o fim do ano.

O primeiro condomínio do país foi inaugurado em 31 de março de 2010 em Feira de Santana. Destinado a 440 famílias de baixa renda, o Residencial Nova Conceição é conhecido na cidade baiana pelo nome de uma facção criminosa local. Embora o grupo tenha perdido a influência no bairro, segundo a polícia, ainda é possível ver a sigla referente a ele pichada nas paredes de quase todos os 22 blocos de apartamentos, ao lado de desenhos de revólveres e de números de artigos do Código Penal, como 157 (roubo). Sete pessoas já foram assassinadas no condomínio.

Dentro dos blocos, todas as portas são protegidas por grades de ferro e cadeados. A estratégia não impediu roubos de eletrodomésticos nem que imóveis que estavam vazios fossem invadidos, segundo moradores. A falta de policiamento é uma das reclamações mais frequentes entre quem vive no Nova Conceição.

— A segurança aqui é péssima. Não deixo meus filhos na rua sozinhos. Em junho, descemos para tomar um ar e um homem apareceu armado para atirar em outro. Tô preferindo voltar para o aluguel — diz a dona de casa L.N., de 51 anos, que pediu para não ser identificada.

Ao longo de cinco anos, duas pessoas tentaram vender serviços de segurança para os moradores, num esquema que se assemelhava ao de milicianos. Quem não pagava, sofria represálias e ficava sem receber correspondências, por exemplo. A maior parte dos moradores recebe o Bolsa Família. Além da falta de policiamento, eles reclamam da ausência de creche nas proximidades e de médicos no bairro. O playground foi destruído, e os refletores da quadra de futebol não funcionam há pelo menos dois anos.

A responsabilidade pelo Minha Casa Minha Vida não é só do governo federal. A segurança deve ser oferecida pelos governos estaduais. Segundo o tenente-coronel Vanderval Ramos, de Feira de Santana, não dá para manter um posto policial no conjunto habitacional, mas "tem como patrulhar constantemente”. Equipamentos de Saúde e Educação ficam na conta das prefeituras. O secretário de Habitação da cidade, Sandro Ricardo, diz que a prefeitura faz um levantamento dos equipamentos públicos necessários na região dos empreendimentos. Segundo o Ministério das Cidades, são reservados 6% dos recursos de cada empreendimento para "contratação de edificação de equipamentos de Educação e Saúde, assim como aqueles destinados à assistência social, segurança e outros considerados complementares à habitação”.

CONTAS DE ÁGUA E LUZ DEIXAM DE SER PAGAS

O Nova Conceição também é palco de fraudes. Em 2011, 50 unidades foram vendidas. Na última semana, O GLOBO entrevistou duas pessoas que pagam R$ 200 de aluguel. A compra e o aluguel de unidades, segundo o Ministério das Cidades, são proibidos enquanto o imóvel não é quitado, o que leva dez anos. Quem descumprir a regra terá que "restituir integralmente os subsídios recebidos e não participará de mais nenhum programa social com recursos federais”.

No Rio, o primeiro conjunto habitacional, Jardim das Acácias, próximo ao Complexo do Alemão, foi entregue em 24 de junho de 2010, com 291 apartamentos. Cinco anos depois, moradores deixaram de pagar taxa de condomínio, serviços de água e luz. Um dos imóveis, que não pode ser utilizado para fins comerciais, virou um salão de beleza. A cabeleireira Jéssica Cunha, que vive no apartamento desde que sua família foi removida do Morro do Adeus, disse que decidiu montar o salão devido ao alto valor do aluguel de salas comerciais.

— A gente nunca usava a sala mesmo. Era um espaço que estava sobrando.

O síndico Pedro Pascoal afirma que a dívida com a Cedae é de cerca de R$ 100 mil. Segundo ele, apenas 120 dos 291 apartamentos pagam em dia a taxa de R$ 92 do condomínio. O dinheiro não cobre as despesas da folha de pagamento de funcionários, o salário de um contador e a manutenção do sistema de câmeras de segurança e portão eletrônico.

— Aqui tudo se paga. No morro, a gente não pagava luz, água, condomínio. E muita gente não entende que precisa pagar essas coisas — diz Pascoal.

Em outro conjunto do Rio, o Jardim das Palmeiras, o apartamento deu lugar a um bar. Embora o dono do estabelecimento tenha recebido o imóvel do governo, não mora mais no local.

Famílias que têm renda mensal bruta de até R$ 1.600 pagam 5% do valor que recebem durante dez anos. Caso não consigam custear o valor combinado, podem perder o benefício. "O objetivo do Minha Casa Minha Vida não é retomar imóveis nos casos de inadimplência, mas, sim, ajudar os beneficiários a superar eventuais dificuldades”, diz, em nota, o Ministério das Cidades.

Em São Paulo, o primeiro conjunto do Minha Casa Minha Vida, o condomínio Campina Verde, em Campinas, enfrenta uma situação diferente. Os moradores pagam vigia, mas reclamam do isolamento. Não há jovens na rua e os moradores praticamente só dormem no local.

TRAFICANTES E MILICIANOS INVADIRAM CONDOMÍNIOS

Em muitos condomínios do Minha Casa Minha Vida, o tráfico tomou conta das casas e expulsou moradores. Foi o caso do condomínio Haroldo de Andrade, em Barros Filho, na Zona Norte do Rio. Em setembro, a Polícia Civil fez operação no local e foi recebida a tiros por traficantes. Um suspeito morreu e três pessoas foram presas. Foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão em apartamentos invadidos por traficantes do Morro da Pedreira, perto do local. Segundo a Polícia Civil, o traficante Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, mandou que 80 famílias oriundas de áreas rivais à facção criminosa a que ele pertence deixassem o condomínio. Na Zona Oeste do Rio, foram milicianos que tomaram unidades do programa. Em agosto, uma ação da Polícia Civil em sete bairros prendeu quatro homens e apreendeu material de contabilidade dos criminosos. Os mandados foram cumpridos em 39 condomínios do Minha Casa Minha Vida. A polícia calcula que cerca de 30 mil moradores, que vivem em dez mil apartamentos, são explorados por milicianos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Parte dos armazéns do Porto será liberada ao acesso público

02/10/2015 - O Globo

Acordo com a União permitirá abertura de galpões e cais à beira da Baía de Guanabara
  
POR RAFAEL GALDO E RENAN FRANÇA 

Armazém 6: galpão será um dos que perderão status de área de alfândega - Márcia Foletto / Agência O Globo (02/09/2015)

RIO — Batido o martelo: um trecho de orla na Zona Portuária será aberto ao público. Num entendimento entre a prefeitura e a Secretaria dos Portos, pelo menos quatro dos 17 armazéns do Porto perderão o status de área de alfândega. Em outras palavras, cariocas e visitantes poderão ter acesso aos galpões e também ao cais à beira da Baía de Guanabara nos armazéns 1, 2, 3 e 6, todos em frente ao futuro boulevard da Orla Conde, entre a Praça Mauá e o AquaRio. O desejo do município é liberar também o Armazém 4. Apesar da proximidade com ícones como o futuro Museu do Amanhã, essas áreas hoje têm circulação restrita.

Conforme mostrou O GLOBO no início do mês, o prefeito Eduardo Paes negociava com o ministro dos Portos, Edinho Araújo, a abertura dos galpões. O acordo foi confirmado nesta quinta-feira por Paes. Com isso, os armazéns “desalfandegados” poderão abrigar restaurantes, livrarias, teatros ou outras atividades comerciais, culturais e de lazer. Já o Terminal Internacional de Cruzeiros, que atualmente funciona entre os armazéns 1 e 5, passaria a funcionar no 5, podendo ocupar também o 4, dependendo da necessidade, segundo explicou Alberto Gomes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp).

— A abertura dos armazéns é mais um passo para aumentar a conexão da cidade com a Baía de Guanabara, proporcionada pela reinauguração da Praça Mauá — afirma Alberto, lembrando que, agora, há um trâmite de regulamentação da decisão por parte da União. — Mas é um prazo relativamente curto. Talvez até o fim do ano.

PLANO DE HABITAÇÃO NA REGIÃO

O que não muda, porém, é a administração dos armazéns que serão abertos. Do 1 ao 5, continuará sob responsabilidade da concessionária Pier Mauá. E o 6 se manterá como o Armazém da Utopia, do Instituto Ensaio Aberto, que tem planos de ampliar as atividades culturais no local, com projetos como a construção de salas de cinema popular no espaço.

Nos planos de revitalização, outro projeto lançado nesta quinta-feira por Paes pretende criar 10 mil moradias de interesse social no Centro até 2026. Com o Plano de Habitação de Interesse Social do Porto do Rio, a expectativa é que, em dez anos, haja 100 mil moradores na região — 70 mil a mais do que hoje.

O município negocia ainda a desapropriação de 25 áreas no Porto, que serão usadas para a construção de residências.

— O grande desafio é essa ocupação que vai se dar na região. Não queremos um gueto só com pessoas pobres e só com pessoas ricas. A gente quer que a população original permaneça ali e que outras pessoas venham, que tenha muita gente morando e trabalhando — disse Paes.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/parte-dos-armazens-do-porto-sera-liberada-ao-acesso-publico-17667430#ixzz3nQ1Ge9Tn 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Cinco hotéis serão construídos em Niterói

30/09/2015 - O Fluminense

Prefeito Rodrigo Neves já assinou a autorização para construção dos novos estabelecimentos

Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinou as autorizações para construção de cinco novos hotéis na cidade.
Foto: Péricles Rodrigues / Ascom Niterói

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinou, na tarde desta quarta-feira (30), as autorizações para a construção de cinco novos hotéis na cidade. Quatro dos empreendimentos foram aprovados e receberam a licença dentro dos parâmetros determinados pela Lei 3148, a Lei dos Hotéis, sancionada em julho passado. Três serão construídos no Centro, um no Ingá e o quinto, na Boa Viagem, que já está em obras e deve ficar pronto no início do segundo semestre de 2016. Os hotéis serão operados pelas bandeiras Soft Inn, Windsor, Bristol e Ramada. 

A solenidade de assinatura foi realizada no auditório da prefeitura, entre os presentes estavam o presidente da TurisRio, Paulo Senise, de representantes das empresas construtoras dos hotéis e entidades que congregam empresas do setor. 

O prefeito Rodrigo Neves disse que a autorização para a construção de hotéis é uma etapa importante de investimentos tão fundamentais para a cidade. 

“Eu quero reiterar o meu entusiasmo, o meu total apoio e acompanhamento desses investimentos., que são importantes para toda a cidade. A UFF fez pesquisas, tanto na Jornada Mundial da Juventude, em 2013, como também na Copa do Mundo, em 2014. Tanto na visita do Papa como na Copa, a cidade mais visitada por aqueles que saíram do Rio para conhecer outras cidades foi Niterói. Isso de fato é algo extraordinário e reflete o trabalho consistente de planejamento, de divulgação e da melhoria da relação da prefeitura com o setor privado”, afirmou Neves.   

O prefeito ressaltou que os cinco hotéis ampliam em cerca de 40% a rede hoteleira da cidade. 

“Eu acredito que esses investimentos são muito positivos para a geração de renda e para o emprego mas, sobretudo, são significativos porque nesse contexto de dificuldades, onde o setor privado ainda esta observando cenários e paralisou investimentos, em Niterói os investimentos não pararam e mostram que, apesar da crise, a cidade está caminhando a passos firmes para o desenvolvimento sustentável”, disse o prefeito. 

O presidente da TurisRio, Paulo Senise, disse que o anúncio de novos hotéis sempre lhe dá um grande prazer porque durante anos ele atuou no setor: “A hotelaria tem a capacidade de valorizar o seu entorno e colocar um destino no mapa. O que acontece em Niterói vem num momento muito importante da relação do governo do Estado com o interior. E Niterói, como está na área metropolitana, certamente vai receber uma atenção muito importante. A atenção ao interior é uma prioridade dos projetos que estamos desenvolvendo. A cidade irá se beneficiar desses programas”. 

Ele destacou, ainda, que Niterói será a primeira cidade a ser estudada dentro do projeto de elaboração do inventário turístico fluminense, que a TurisRio fará em parceria com a UFF. 

A secretária municipal de Urbanismo e Mobilidade, Verena Andreatta, destacou o fato de que 1.167 leitos foram aprovados após a sanção da lei – atualmente Niterói dispõe de 2,5 mil leitos de hospedagem. 

“Esse é um número significativo.  Foi uma grata surpresa de ver num curto espaço de tempo todas essas unidades num curto espaço de tempo. Para nós é uma satisfação porque é uma indústria limpa, que gera empregos e dinamiza a cidade, a cultura e estimula novos investimentos. Espero que nossa rede hoteleira consiga alavancar uma série de outros projetos em prol da nossa cidade”, disse Verena. 

O presidente da Neltur, Paulo Freitas, informou ao prefeito que a Lei dos Hotéis foi apresentada à Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que irá recomendar a todos os municípios fluminenses que tenham uma legislação como a de Niterói para o setor. 

“Agradeço a todas as empresas que estão acreditando em Niterói, que está mostrando que é uma cidade do turismo. A Neltur vem fazendo um trabalho intenso de divulgação da cidade, participando de eventos nacionais e internacionais e em pontos importantes do Rio de Janeiro. Esse trabalho com certeza vai atrair turistas os hotéis de Niterói. Vamos continuar divulgando cada vez mais o município e para alimentar essa indústria limpa e mostrar que Niterói tem vocação para o turismo e é uma cidade do turismo”, afirmou Freitas. 

O representante dos hotéis, Rogério Cortes, parabenizou a prefeitura pela atitude de trazer progresso, eventos e empregos para a cidade, com a Lei de Hotéis.  

"Estamos buscando uma hotelaria que pensa não somente no turismo, mas também em eventos, congressos, por isso parabenizamos o prefeito Rodrigo Neves”, destacou o empresário. 

O presidente da Ademi Niterói, Jean Pierre Biot, ressaltou que a construção de novos hoteis não gerará empregos apenas no setor de turismo, mas também na construção civil. 

“Esses empreendimentos vão movimentar a economia da cidade. Antes os turistas não ficavam em Niterói porque não havia lugar. Agora vão ter”, afirmou Biot. 

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fabiano Gonçalves, a importância dos novos empreendimentos está diretamente ligada ao desenvolvimento da cidade. 

“O turismo é um grande propulsor do comércio e dos restaurantes. Os novos hotéis poderão contar com mão de obra especializada, que foi capacitada nos cursos do Pronatec que a prefeitura ofereceu em parceria com o Senac”, disse Gonçalves. 

Lei dos Hotéis - Sancionada pelo prefeito Rodrigo Neves em julho deste ano, o objetivo central da lei é o estímulo ao desenvolvimento da infraestrutura de turismo, com o fomento à implantação de meios de hospedagem do tipo hotel, resort, albergue/hostel, pousada, pensão e cama e café, visando atender à agenda de desenvolvimento econômico do município e do Estado do Rio, ao potencial turístico e aos megaeventos, como os Jogos Rio 2016. 

Além do estímulo à implantação de meios de hospedagem, a lei estabelece novos parâmetros urbanísticos para a construção de estabelecimentos hoteleiros.

Barra: Condomínios organizam central de monitoramento

01/10/2015 - O Globo

RIO - Certos de que é melhor prevenir do que remediar, associações comerciais e de moradores, empresários da construção civil e a rede hoteleira da Barra e do Recreio decidiram se unir num projeto para coibir a violência. Consequência das reuniões de um grupo de trabalho formado há três meses, na esteira de crimes bárbaros como o assassinato da dona de casa Ana Lúcia Neves quando chegava à sua academia, no Recreio, a ideia é reunir as imagens das câmeras de segurança mantidas pelos condomínios em uma central de monitoramento, que ajudaria os órgãos públicos na vigilância.

Até o momento, cerca de 50 condomínios já se mostraram favoráveis ao projeto, que está sendo finalizado para apresentação à Secretaria estadual de Segurança. Enquanto isso, o governo antecipa a Operação Verão 2016, que começará neste fim de semana. Cerca de 50 policiais devem dar apoio ao efetivo do 31° Batalhão, que é de 578 agentes (contando-se os 48 recém-formados que se somarão aos atuais até a semana que vem). Os recentes arrastões ocorridos na Zona Sul acenderam o alerta, e a expectativa de maior fluxo de pessoas nas praias a partir da inauguração do Lote Zero do BRT Transoeste, prevista para dezembro, também aponta para a necessidade de reforçar o policiamento na orla.

Morador da Barra e ex-comandante do 31º Batalhão (Recreio), do qual esteve à frente em 2010, o coronel aposentado Antônio Couto da Cruz é diretor de segurança da Barralerta, associação que organiza as reuniões do grupo criado por moradores e empresários para planejar o funcionamento da central de monitoramento. Couto explica que o projeto seria uma reedição do Bairro Mais Seguro, que ele idealizou e vigorou em 2006, na Zona Sul. A ideia é manter uma espécie de sala de operações, que armazenaria as imagens das câmeras externas de segurança de diversos condomínios, shoppings e empresas. Após analisados e filtrados, os trechos considerados relevantes seriam disponibilizados ao governo estadual.

— Queremos utilizar as câmeras dos condomínios que estão voltadas para a rua e as das entradas dos estabelecimentos comerciais; por exemplo, as do BarraShopping, já que um criminoso em fuga pode se esconder no estacionamento deles. Precisamos também de aparelhos inteligentes que ajudem na identificação de pessoas e veículos. As câmeras de circuito interno ficam de fora. Mas podem vir a ser solicitadas depois, em casos específicos — detalha Couto.

Para ele, o projeto ganhou força devido aos recentes casos de violência na região e ao forte aporte financeiro garantido pela iniciativa privada, que se somaria ao dos residenciais. A construtora Carvalho Hosken seria o principal financiador privado do projeto, seguido pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). O orçamento geral ainda está sendo definido, assim como a participação dos condomínios.

— O projeto poderá ser concretizado até de forma gratuita (sem taxa para os condomínios), dependendo, claro, de quantas empresas aderirem. Ninguém aqui quer lucro, mas sim mostrar ao poder público que é possível fazer algo funcional com um custo relativamente baixo. Vamos precisar de internet para o sistema de câmeras, por exemplo. Se uma empresa quiser colocar o nome no projeto e, por permuta (em troca de divulgação da marca), prestar o serviço, isso já diminuirá o custo total — ressalta.

Kleber Machado, presidente da Barralerta, endossa:

— A colaboração dos condomínios vem, em primeiro lugar, com as imagens, e, em segundo, com a ajuda financeira, voluntária, para a manutenção da central e da equipe. Quando o projeto estiver pronto, vamos levá-lo ao secretário (José Mariano) Beltrame, para que seja firmado um convênio com a Secretaria de Segurança que autorize o monitoramento e o repasse das informações à polícia.

Comandante do 31° BPM, o coronel Sérgio Schalioni ainda não foi procurado pelo grupo, mas diz que vê com bons olhos o modelo que a comunidade quer implementar:

— Sei de alguma coisa por alto, e acho muito interessante. Eu trabalhei em Volta Redonda, e lá fizeram algo bem parecido, com câmeras inteligentes. O número de casos quase zerou.

A Secretaria de Segurança diz que só se pronunciará sobre o projeto após recebê-lo.

Em Jacarepaguá, a Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá (Acija) cogita implantar um sistema semelhante de monitoramento por câmeras, mas, segundo Edison Parente, presidente da entidade, seus membros não têm demonstrado interesse na iniciativa, devido ao alto custo.

CONDÔMINOS QUEREM SER CONSULTADOS

Entre as lideranças dos condomínios convidadas a participar de uma reunião promovida pela Câmara Comunitária da Barra para discutir o projeto da central de monitoramento integrada, o apoio foi unânime, conta o presidente do órgão, Delair Dumbrosck:

— Tivemos de 40 a 50 condomínios, da Barra e do Recreio, presentes na reunião de semana passada, e todos apoiaram a ideia. Vamos aguardar o projeto ser finalizado para mostrá-lo pronto a eles.

Apesar do quórum, há quem lembre que a aprovação e o desenvolvimento do projeto não serão tão simples. Entre essas pessoas está a presidente da Associação Bosque Marapendi (ABM), Sônia Magalhães, que é a favor da ideia:

— Aqui no bosque da ABM colocamos um sistema de câmeras com uma cabine onde tudo é gravado e já obtivemos resultado, como na fuga de assaltantes que roubavam próximo à Dulcídio Cardoso. Nossas câmeras filmaram os rostos deles durante a ação, e isso ajudou a polícia na sua identificação. Com esse novo sistema integrado ficaria tudo mais fácil, mas só aqui na ABM estamos falando de 23 prédios, e dependemos de que eles se disponham a virar suas câmeras para a rua ou a instalar novas. Já tivemos um projeto parecido por aqui e ninguém se interessou.

Da mesma opinião partilha José Mariel da Cruz, um dos representantes do Barra Sul presente às reuniões.

— Cobrar R$ 10 de cada uma das unidades de cada condomínio, por exemplo, talvez não seja interessante. Tampouco que cada prédio convoque uma assembleia extraordinária só para discutir isso; não vai dar certo. Cada prédio deveria arcar com a cota que achar possível, sem onerar o condômino. Se o processo chegar aos moradores, vai demorar — pondera.

Mas residentes do próprio Barra Sul, como o engenheiro Rodrigo Sampaio, não pretendem deixar que a decisão fique apenas na esfera admnistrativa do condomínio:

— Acho ótima a ideia, mas temos que ser comunicados, primeiro sobre o projeto, o que não foi feito, e depois sobre quando será a reunião conosco, porque tem que haver uma.

SUGESTÃO DE FECHAR O BRT NO DOMINGO

A parceria entre a iniciativa privada e a segurança pública também deve resultar na instalação de uma cabine blindada, de dois andares, no trevo em frente ao condomínio Alfa Barra, próximo à orla, até o início do verão. A área do Posto 8 — que engloba o Alfa Barra — é considerada pelo coronel Schalioni, do 31º BPM, como a maior preocupação de sua inteligência na região.

— Acredito que vamos receber o mesmo número de policiais do último verão, cerca de 50, até porque não tivemos casos graves como esses arrastões na Zona Sul — diz o comandante. — Nossa atenção está voltada para o trecho entre o Terminal Alvorada (na altura do Posto 8) e a orla, próximo ao Alfa Barra. Ali desemboca a maior parte do público que vem de outras regiões, e, com ele, os criminosos.

Schalioni acredita que a torre blindada inibirá os bandidos que aproveitam o grande fluxo para praticar delitos:

— Ela é bem alta e vai intimidar quem vier em direção à praia com essa intenção.

A torre, atualmente no pátio do 31º BPM, ficava no encontro das avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno, e foi retirada por causa das obras do BRT Transolímpico. Segundo Cléo Pagliosa, presidente do 31º Conselho Comunitário de Segurança, responsável por intermediar a negociação com os empresários, falta apenas a licença urbanística para que seja instalada na orla. Ele não revela, porém, que empresa custeará a implantação.

No Posto 12, no Recreio, segundo ponto de maior preocupação de Schalioni dentro da Operação Verão, devido à proximidade com o Terreirão e ao volume de pessoas que chega à região pela Avenida Gilka Machado, a população também se mostra preocupada. Moradores preparam um abaixo-assinado pedindo mudanças no policiamento.

— Dois livros estão correndo, um de assinaturas e um de propostas. Estamos recebendo sugestões de gente que quer fechar o BRT aos domingos, colocar mais câmeras etc. Queremos ouvir todo mundo, mas no mínimo precisamos de um posto avançado de segurança e três cabines entre os postos 9 e 12. Depois do BRT, o número de roubos aumentou — diz o organizador, Evandro Brasil.

Segundo Schalioni, dos criminosos que atuam na área do 31º BPM, 50% são da Cidade de Deus; 7%, do Terreirão e das adjacências; e o restante, de outras áreas, principalmente da Rocinha.

Enquanto a PM cuidará da segurança, a Guarda Municipal e a Secretaria de Ordem Pública farão o ordenamento das praias. O efetivo da guarda, na região, é de 170 agentes, e nos fins de semana haverá reforço, incluindo 13 tendas posicionadas nos pontos de maior concentração.