segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Praça do Lido inaugura nova bilheteria de vans para o Cristo Redentor

27/12/2015 - Jornal do Brasil

Local é principal ponto de venda de tickets e saída de vans para o Cristo

Principal ponto de partida de turistas para o Corcovado, a Praça do Lido, em Copacabana, acaba de receber uma série de melhorias. O Consórcio Paineiras-Corcovado, atendendo a uma solicitação da Riotur, inaugura nesta segunda, dia 28/12, às 9h, uma nova bilheteria no local, que irá atender melhor aos visitantes que embarcam ali em vans para subir o Corcovado e conhecer o Cristo Redentor. A nova estrutura contará com um novo sistema de embarque com senha e sala de espera climatizada para atendimento preferencial (gestantes, pessoas com crianças de colo, idosos e deficientes), além de monitores com informações em tempo real das condições do Cristo Redentor e o tempo de espera de embarque. A empresa também se comprometeu junto aos representantes da comunidade e à Prefeitura do Rio, por meio de contrapartida negociada com a Subprefeitura da Zona Sul, a fazer a manutenção e limpeza diária dos banheiros e cuidar do paisagismo do entorno.

A Praça do Lido foi totalmente reformada pela Prefeitura recentemente, por meio da Secretaria de Conservação, num investimento de R$ 300 mil. Entre as melhorias, destacam-se a construção de uma academia ao ar livre para deficientes e uma quadra infantil de futebol; a instalação de novos brinquedos no parquinho e de grades a seu redor, para maior segurança das crianças; colocação de novo gramado, novas plantas, pedras portuguesas e um novo telhado na parte coberta e a construção de um banheiro para cadeirantes dentro da reforma do banheiro existente no local. Também foi realizada pintura das grades, portão e bancos da praça e o piso ao redor da estátua de São Francisco de Assis foi cimentado. Desde maio de 2015, o Subprefeito da Zona Sul se reúne com os moradores e frequentadores do espaço para entender as necessidades da população e melhorar além do mobiliário urbano, a convivência no ambiente do espaço público.

"A Praça do Lido está linda. A nova bilheteria é mais um passo dado no caminho de oferecer uma infraestrutura mais confortável para o turista pretende visitar o monumento. Ela chega após outras iniciativas como a venda online de entradas, a própria existência deste ponto em Copacabana, bairro que concentra o maior parque hoteleiro da cidade, e também já é um serviço melhor para os visitantes que virão nas Olimpíadas", afirma o secretário de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello.

O Consórcio Paineira-Corcovado, empresa responsável pelo serviço de apoio à visitação do Parque Nacional da Tijuca (venda de ingressos e operação dos acessos das três linhas de vans – Praça do Lido, Largo do Machado e Paineiras) optou por utilizar estrutura modular de aço leve, que permite um baixo impacto construtivo e diminuição dos resíduos da construção civil, além de ser totalmente acessível para pessoas com deficiência.

As vans da Praça do Lido saem diariamente em direção ao Cristo Redentor, de 15 em 15 minutos, das 8h às 17h, horário de funcionamento estendido para alta temporada. Os ingressos são vendidos o site: www.paineirascorcovado.com.br ou no local por R$ 64. Idosos acima de 60 e crianças de 5 a 11 anos pagam apenas o transporte - R$ 40.

SERVIÇO

Inauguração da nova bilheteria de vans para o Cristo Redentor:

Data e horário: 28/12 – segunda-feira, às 9h

Local: Praça do Lido

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Trecho da Rio Branco fechará para carros em 16 de janeiro

 18/12/2015 - O Globo

Medida permitirá implantação de calçadão em área histórica
   
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 

Trecho da Rio Branco fechará para carros em 16 de janeiro - Divulgação


RIO- O ano de 2016 começará com novas mudanças no trânsito do Centro, para permitir que o trecho da Avenida Rio Branco entre a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Santa Luzia seja bloqueado em definitivo ao tráfego de veículos (exceto as composições de VLT e bicicletas). O prefeito Eduardo Paes anunciou nesta quinta-feira no "RJ-TV" que, em janeiro, terá início a implantação do projeto para construir o chamado Boulevard Rio Branco, como parte das mudanças urbanísticas da cidade para as Olimpíadas, em agosto. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), o bloqueio começará no dia 16 de janeiro.

No futuro Boulevard Rio Branco, estão localizados, num trecho de 750 metros, prédios de interesse histórico e cultural, como o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes. Ali, pedestres vão dividir o espaço com as linhas do VLT e bicicletas que circularão numa ciclofaixa próximo ao canteiro central. O lugar terá calçamento de paralelepípedos, passagens de pedestres em granito e trechos gramados.

No dia 16 de janeiro, o projeto prevê mudanças na circulação da Avenida Nilo Peçanha, entre as avenidas Rio Branco e Graça Aranha, que terão o sentido do tráfego invertido para que o trânsito seja direcionado no sentido Avenida Beira-Mar. Ao chegar à Nilo Peçanha, o fluxo desses veículos será dividido entre vias paralelas, como a Avenida Graça Aranha, de onde os motoristas poderão acessar, por exemplo, o Aterro do Flamengo.

Até o dia 30 de abril, outras mudanças no trânsito serão feitas, em data ainda não definida, em mais dez vias da cidade: Rua da Carioca; Rua da Assembleia; Avenida Presidente Antônio Carlos; Rua Araújo Porto Alegre; Rua Senador Dantas; Rua do Passeio; Rua Luis de Vasconcelos; Avenida Mestre Valentim; Avenida Teixeira de Freitas e Avenida República do Paraguai.

As mudanças exigirão a implantação de novas sinalizações, incluindo pintura de faixas, além da instalação de novas placas de orientação e sinais. À medida que cada mudança ocorrer, os motoristas serão informados por painéis de mensagens, operadores de tráfego e faixas afixadas nas proximidades das vias atingidas. Pontos de coletivos também serão alterados. Os ônibus do consórcio Intersul seguirão para os terminais Padre Henrique Otte (próximo à Avenida Rodrigues Alves) e Procópio Ferreira (Central do Brasil). Os do Internorte, para o terminal Misericórdia (na Avenida Churchill). Já os ônibus do consórcio Santa Cruz serão destinados ao terminal Procópio Ferreira, enquanto os do consórcio Transcarioca se dividirão entre os terminais Padre Henrique Otte e Misericórdia. As linhas intermunicipais seguirão para os terminais Menezes Cortes e Américo Fontenelle.

Com as mudanças, a circulação de carros, ônibus e táxis será permitida apenas no trecho da Avenida Rio Branco entre a Praça Mauá e a Nilo Peçanha. Além do VLT (no lado ímpar da via), será criada uma faixa seletiva para os ônibus das linhas troncais da Zona Sul e duas faixas destinadas a carros.

A previsão é que as obras na Rio Branco terminem até abril de 2016, com a implantação de uma primeira linha de VLTs entre a Rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont. A linha Central-Praça Quinze fica para o segundo semestre.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/trecho-da-rio-branco-fechara-para-carros-em-16-de-janeiro-18325069#ixzz3ufeZeR2h 
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Acordo prevê fim de charretes em Paquetá

17/12/2015 - O Globo


As tradicionais charretes de Paquetá podem estar com os dias contados. Ontem, a OAB-RJ assinou um acordo com os membros da Associação de Charreteiros da ilha que visa a acabar com o serviço. O principal objetivo é a substituição do uso de cavalos por carros elétricos.

A proposta é do presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais (CPDA) da OAB-RJ, Reynaldo Velloso, que vai lançar uma campanha de arrecadação de fundos para que a ideia possa ser implementada. Para isso, ele vai buscar o apoio de entidades como Senac, que atuaria na capacitação dos charreteiros para o uso do novo instrumento de trabalho.

— Precisamos acabar com a herança do chicote. Uma nova vida surgiria para esses profissionais caso a medida fosse implementada. A posição unânime dos profissionais da ilha pelo fim das charretes facilitou o entendimento no sentido de construir essa parceria — afirmou Velloso, ressaltando que a arrecadação de fundos será supervisionada pelo Ministério Público estadual.

Atualmente, 17 charreteiros guiam os 35 cavalos chamados de "escravos” na ilha. Com a chegada dos carros elétricos, os animais irão para "santuários” particulares, sítios ou fazendas onde não serão usados em charretes, carroças ou montaria.

— A assinatura do acordo foi o primeiro passo. A partir disso, vamos dar vários outros, inclusive com a criação de um grupo de trabalho dentro da CPDA. É um trabalho para três ou quatro meses — ressaltou Velloso, que também vai conversar com o empresariado para apoiar o projeto.

ACORDO COMO EXEMPLO

Inicialmente, a intenção é conseguir 17 carros elétricos. Com o apoio de empresas e entidades, um documento poderá ser redigido proibindo que, no futuro, novas charretes sejam implantadas na região.

— É algo inédito. O próprio charreteiro diz que não quer mais charrete. Se conseguirmos levar o projeto adiante, vai ser um exemplo para todo o país. É primeira vez que uma cidade que sempre usou charrete quer abrir mão disso.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Construção ameaça desabar na RJ-104

12/12/2015 - O Fluminense

Suzana Moura  

Pedestres e veículos correm risco na altura da comunidade Lagoinha


Construção chama a atenção de quem passa pela Rodovia RJ-104
Julio Silva

Uma construção num morro às margens da Rodovia RJ-104 (Amaral Peixoto), na altura da comunidade da Lagoinha, no Complexo do Caramujo, ameaça desabar sobre a estrada, colocando em risco a segurança de motoristas e pedestres que passam pelo local. A construção, que trata-se de uma garagem, já foi vistoriada pela Defesa Civil de Niterói, que constatou situação de risco. De acordo com o órgão, o responsável pela construção será notificado sobre a interdição e será solicitado, junto à Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), a demolição da construção, que poderá ser feita nos próximos dias. 

Mas enquanto a construção não é colocada a baixo, o risco para quem passa pelo trecho de carro ou a pé é real, reclamam populares, que pedem urgência na demolição.

 O receio de que o barranco com a construção venha abaixo e aconteça alguma tragédia, está mobilizando internautas, que utilizam as redes sociais para denunciar o perigo na rodovia, principalmente porque a cidade está passando por um período de chuvas, que costumam aumentar o risco de deslizamentos.

Fotos da construção estão sendo veiculadas na internet, resultando em diversos compartilhamentos. Moradores e motoristas que passam pela região diariamente, se mostram preocupados com a situação. 

“Passo aqui na calçada embaixo dessa construção todo dia e confesso que morro de medo. A sensação que tenho é que ela vai desabar a qualquer momento. Com esse período de chuvas então, meu medo só aumenta”, conta a estudante Amanda Cordeiro, de 19 anos.

A garagem fica localizada no terreno de uma casa no alto da comunidade. De acordo com a prefeitura de Niterói, somente a garagem será demolida. O morador não precisará sair da sua casa. 

Projeto do Porto Maravilha devolve a prédios históricos a vista do mar

14/12/2015 -  O Globo

RIO — Uma das construções mais emblemáticas do Rio, a Candelária passou meio século de costas para a cidade e com sua visão para o mar comprometida pelo Elevado da Perimetral. Quando a Avenida Presidente Vargas foi aberta, em 1944, até cogitou-se "girar” a orientação da fachada e das torres da igreja, como conta a historiadora Myriam Andrade Ribeiro. Só que agora, como um giro na história, a Candelária se prepara para se reencontrar com a Baía de Guanabara. O motor é a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, entre as imediações do Museu Histórico Nacional e o Porto, que vem "revirando” o Centro da cidade para o mar.

A poucos metros da Candelária, a Casa França-Brasil é um caso emblemático. Lá, será feito mais ou menos o que se pensou para a Candelária décadas atrás: a entrada principal, hoje para a igreja, será voltada para a promenade, espaço destinado a caminhadas. O acesso será feito por um portal que dava diretamente no píer, no século XIX. Na época, o prédio funcionava como alfândega — nome que continua registrado sobre essa entrada, escondida por um muro localizado nos fundos e que será demolido, integrando a construção histórica ao novo percurso.

Marcus Wagner, diretor de projetos da Oca Lage, organização social gestora da Casa França-Brasil, diz que, na prática, o público que visitar a instituição poderá circular entre os dois lados, o que antes era impossível:

— Essa é uma obra que vai modificar a região inteira. E a Casa França-Brasil é um caso particular pela importância histórica. É um prédio de Grandjean de Montigny, que veio com a missão artística francesa. O peso histórico da casa é grande, mas ela acabou sendo a mais prejudicada pela Perimetral. Com o elevado, a construção ficava completamente isolada, e à sua sombra.

Ele adianta que a ideia é abrir ao máximo para a rua a construção, que se destaca pela simetria, com portas nas quatro fachadas.

— O público terá uma percepção singular da casa, já aberta pelos três lados. Faltava a quarta entrada. Essa abertura para a Baía ressignifica toda a história, inclusive a da formação do Centro — comemora Marcus Wagner.

Projetado a pedido de Dom João VI e inaugurado em 1820, o prédio abrigou primeiro a Praça do Comércio, sendo voltado para a Candelária. Em 1924, Dom Pedro I transformou o lugar em alfândega.

— É uma arquitetura neoclássica, que vem no século XIX com força e tem o sentido de recuperar uma simplicidade e uma verdade funcional. É um edifício da estrutura econômica do estado, e essa arquitetura tem toda essa significação cultural, política e econômica — explica a arquiteta Cêça Guimaraens, diretora cultural do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). — O resultado da derrubada da Perimetral é inevitavelmente a valorização desses edifícios, que terão uma frente marítima. Mas é preciso prestar atenção se a orla aberta será para o pedestre passear. O importante é que ela seja uma promenade.

O projeto da esplanada arborizada que será criada desde o mar até a Igreja da Candelária - Divulgação

O arquiteto e urbanista João Pedro Backheuser, um dos autores do projeto da orla, responde que, sim, o espaço será voltado para o pedestre. Ele explica que a Casa França-Brasil, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Centro Cultural dos Correios passarão a ocupar um espaço único, totalmente interligado a uma praça junto à orla. No caso da Candelária, a visão para a Baía será livre de obstáculos:

— Será criada a Esplanada da Candelária, com dois jardins laterais. Esse espaço verde destacará a visão da igreja e, nas duas laterais, teremos bancos para os pedestres — diz o arquiteto, que defende a tese que a nova orla vai virar o Centro "ao contrário”. — A cidade vai recuperar esse contato com a Baía, que foi rompido. E os edifícios voltarão a ter protagonismo no espaço.

Para ele, o percurso de três quilômetros permitirá um passeio por quatro séculos de história, com a integração dos elementos, sendo o mais novo o Museu do Amanhã. O arquiteto ressalta que uma das construções mais antigas do Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento, poderá ser apreciado, já que a fachada ficava escondida pela Perimetral (sendo que nem de costas ele podia ser visto...). No ritmo das mudanças no entorno, a velha construção do século XVII está em obras. Toda a sua fachada passa por um minucioso processo de restauração, acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

RESTAURAÇÃO CUIDADOSA

Claudia Nunes, conservadora e restauradora do Iphan, explica que foi feito um estudo sobre os componentes da argamassa usada nas paredes, para que o material aplicado na reforma fosse o mesmo de quatro séculos atrás. A cantaria também está sendo recuperada. Quando a orla for aberta à população, entre março e abril do ano que vem, o mosteiro já estará todo branquinho.

— As pessoas poderão ter um pouquinho da visão do que era o Rio no século XVII — diz .

A historiadora Myriam Andrade Ribeiro, autora com Fátima Justiniano de "Barroco e rococó nas igrejas do Rio de Janeiro” (Programa Monumenta/Iphan), brinca que, para o mosteiro, também é um presente dos céus:

— Os monges vão poder enxergar das suas celas a Baía. Antes, ficavam vendo a Perimetral. Acho que essa mudança foi de tanto eles rezarem.

O caso da Candelária não é diferente. Igreja de estilo pombalino, ela seguia o padrão dos templos em Lisboa no século XVIII.

— Nas cidades portuguesas, o normal é a igreja olhar em direção ao mar — comenta ela. — Ainda bem que o projeto de fazer o giro da fachada e das torres da Candelária, por causa da Presidente Vargas, não foi adiante. Com essa obra de recuperação da orla, a igreja vai encontrar novamente o mar.

João Pedro Backheuser diz acreditar no processo de valorização de outros edifícios na futura orla. Essa onda, defende, contaminará positivamente também imóveis privados cujas fachadas ainda denunciam os anos de decadência em que estiveram mergulhados:

— O espaço público é um motor para que o espaço privado gere renovação e investimento.

INVESTIMENTOS NA ÁREA SOMAM R$ 8 BILHÕES

Programa de revitalização urbana que soma R$ 8 bilhões em investimentos, o Porto Maravilha começou a ser implementado em 2009, quando foi criada por lei a Operação Urbana Consorciada da Área de Especial Interesse Urbanístico da Região Portuária do Rio de Janeiro. A região de cinco milhões de metros quadrados, que tem como limites as avenidas Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco e Francisco Bicalho, abrange parte dos bairros de Santo Cristo, Caju, Gamboa, Saúde e Centro.

Ícones culturais, como o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã, foram incluídos no projeto. E, entre as iniciativas para modernizar os espaços públicos da região, houve a derrubada do Elevado da Perimetral, que liberou a vista da Baía de Guanabara. Em contrapartida, para garantir a circulação, estão sendo construídos 4,8 quilômetros de túneis.

Antes encoberto pela Perimetral, o trecho da Rodrigues Alves que vai do Armazém 8 do Cais do Porto até o Píer Mauá está sendo transformado em um grande passeio público arborizado, com ciclovia e faixa exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O boulevard terá 44 mil metros quadrados, o correspondente a um terço do espaço do Parque Madureira. O projeto prevê ainda a reurbanização de vias e calçadas, além da reconstrução de redes de infraestrutura urbana (água, esgoto e drenagem).

A prefeitura também aumentou o potencial de construção de imóveis do Porto. Os interessados em erguer prédios com o gabarito acima do permitido conseguem autorização comprando Certificados de Potencial Adicional Construtivo (Cepacs). Todo o valor arrecadado é obrigatoriamente investido na região.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Plano Diretor traz indicações de ampliação do metrô e de BRTs


Segundo estudo, 48,7% das viagens diárias feitas no Rio são em transporte coletivo
   
09/12/2015 - O Globo

RIO — Depois de três anos de estudo para elaboração — de 2012 a 2015 — e financiamento de R$ 5 milhões pelo Banco Mundial, o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) foi apresentado nesta quarta-feira pelo secretário estadual de transportes, Carlos Roberto Osório, no Fórum de Desenvolvimento Urbano da Assembleia Legislativa (Alerj). O Plano traz indicações de expansão do metrô e de BRTs. Além de orientar as políticas públicas estaduais para a área de transporte e mobilidade dos 21 municípios do Grande Rio, o PDTU inclui levantamentos detalhados e pesquisas de campo para identificar todos os deslocamentos na Região Metropolitana. Das cerca de 22,5 milhões de viagens realizadas por dia, 48,7% são feitas por transporte coletivo, 31,8% por meios não motorizados (a pé e de bicicleta) e 19,5% por transporte individual.

São três cenários para orientar o planejamento dos gestores públicos. O primeiro, com a oferta de transportes prevista para 2016, que inclui a entrega de novos projetos como a Linha 4 do metrô, os BRTs TransOlímpico e TransBrasil e o aumento da capacidade do sistema ferroviário com a chegada de novas composições.

O segundo cenário tem como referência o ano de 2021, no qual o PDTU propõe a implantação de novos projetos na área de transportes como a extensão da Linha 2 do metrô no trecho Estácio-Carioca-Praça XV, a implantação da Linha 3 do metrô entre Niterói e São Gonçalo, a implantação do corredor BRT na RJ 104 ligando Niterói a São Gonçalo e Itaboraí, além de um conjunto de corredores de ônibus BRS na Região Metropolitana. Também está previsto nesse cenário o investimento no reforço da integração entre modais em Caxias, Nova Iguaçu, na Pavuna, em Coelho Neto, Deodoro e Alcântara (São Gonçalo).

O terceiro cenário, com uma visão de 30 anos, inclui a expansão da rede metroviária em trechos como as ligações Uruguai-Méier, Gávea-Uruguai, Jardim Oceânico-Terminal Alvorada e Alvorada-Ilha do Governador. Já no sistema ferroviário, está prevista a implantação da expansão Santa Cruz-Itaguaí e a criação de integração entre os ramais Japeri, Belford Roxo e Saracuruna, na Baixada Fluminense. Também está prevista a implantação de corredores BRTs intermunicipais na Baixada Fluminense e no Leste Metropolitano.

— O PDTU será a bússola que vai orientar Estado e municípios da Região Metropolitana no desenvolvimento de suas redes integradas de transportes. Ele será a base comum dos planos municipais de mobilidade e orientará as políticas públicas estaduais. Esse projeto é um documento vivo que será discutido com a sociedade e adaptado às novas realidades ao longo do tempo - afirmou o secretário Osorio.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/plano-diretor-traz-indicacoes-de-ampliacao-do-metro-de-brts-18256584#ixzz3tur3xEtY 
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Plano diretor do Arco Metropolitano do Rio aguarda votação na Alerj

09/12/2015 - O Globo

Diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro afirma que foi só a partir de 2015, com o Estatuto das Metrópoles, estados e municípios passaram a ter a obrigação conjunta de definir o uso do solo. A Câmara é formada pelo governador e prefeitos de 21 municípios fluminenses, inclusive os oito por onde passa o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Segundo Loureiro, um plano de zoneamento do entorno do arco já tinha sido feito em 2008, mas muitas sugestões não foram aceitas pelos municípios.

— Foi feito um plano diretor para o entorno do Arco com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no início do governo (Sérgio) Cabral, mas, até então, o uso do solo era exclusivamente municipal. Fizemos recomendações aos municípios, mas nem todas foram consideradas — explica Loureiro.

PROJETO AGUARDA APROVAÇÃO

Em reportagem publicada na última segunda-feira, O GLOBO mostrou que ainda não há um plano de zoneamento do entorno do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.

Agora, ele está na expectativa da aprovação de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que estabelece a governança e o planejamento da região metropolitana do Rio de Janeiro. Assim, serão criados um Conselho Deliberativo e um Conselho Consultivo, que poderão traçar um plano de zoneamento do entorno do Arco Metropolitano, além de outras estratégias conjuntas para a Região Metropolitana, como em saneamento e mobilidade.

— O projeto está nas comissões da Assembleia e esperamos que possa ser aprovado ainda no primeiro semestre de 2016. Sendo aprovado, poderemos ter essa visão integrada do zoneamento do entorno do Arco e não uma visão partilhada — afirma Loureiro.

DRONES PARA MONITORAR

Ele admite que duas áreas no entorno do Arco apresentam risco de aumento de ocupação irregular: uma delas fica em Nova Iguaçu, na Vila de Cava, e a outra, em Japeri. De acordo com ele, há um acompanhamento por satélite da região do Arco Metropolitano, e a intenção é, assim que a situação financeira do estado permitir, começar um processo rigoroso de monitoramento, com drones.

— Essas duas áreas têm risco de intensificar a ocupação e precisam ser monitoradas — justifica Loureiro.

Para o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, no entanto, essa falta de um zoneamento conjunto não tem impedido a atração de empresas para a região. Ele afirma que 12 companhias já tiveram seus projetos aprovados e outras 34 estão em processo de licenciamento e aprovação. O maior desafio hoje, segundo ele, é a crise econômica:

— Não tivemos nenhuma restrição grave para a instalação de empresas no Arco. A questão é que a crise instalada no país está segurando os investimentos. Não há segurança para investir.

PREVISÃO

A OBRA levou muito tempo para ser executada, foi entregue em 2014, mas até hoje não existe um plano de zoneamento que livre o Arco Metropolitano da praga da favelização.

QUANTO MAIS o tempo passa, mais difícil fica cumprir o projeto original de reservar áreas do Arco para empreendimentos que gerem emprego e renda.

TRATA-SE de mais uma tragédia anunciada.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Rio terá 260 quilômetros de faixas prioritárias para a família olímpica

Plano de mobilidade para os Jogos não prevê rodízio, mas medida não está descartada
   
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 

04/12/2015 - O Globo

Desrepeito à faixa exclusiva era comum nos Jogos Pan-Americanos de 2007 - Marco Antônio Cavalcanti / Agência O Globo (11/07/2007)

RIO — As vias expressas e alguns dos principais corredores de tráfego do Rio terão 260 quilômetros de faixas reservadas para a família olímpica durante os Jogos de 2016. Serão três tipos: exclusivas (ou dedicadas); prioritárias, nas quais os veículos olímpicos vão dividir as pistas com ônibus e táxis (caso dos corredores de BRS e da seletiva da Avenida Brasil), e compartilhadas (onde veículos de passeio também poderão circular). Entre as vias que terão faixas exclusivas 24 horas, estão a Linha Amarela, a Avenida das Américas (entre as avenidas Érico Veríssimo, na Barra, e Salvador Allende, no Recreio), o Túnel do Joá (pista nova) e o Aterro do Flamengo. No caso da Avenida Niemeyer, toda a pista ficará exclusiva para veículos olímpicos e moradores.

As informações constam do recém-concluído Plano Olímpico de Mobilidade, desenvolvido pela prefeitura para o planejamento das operações de trânsito, transporte de massa e logística da cidade. O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, explicou que a chance de se adotar rodízio em algumas vias é remota, mas ainda não está descartada, assim como a decretação de novos feriados além daqueles já programados para os dias 5 (data da cerimônia de abertura dos Jogos) e 18 de agosto.

PLANO AINDA PODE TER AJUSTES

O plano, apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) na semana passada, ainda pode passar por ajustes. A data exata para o esquema entrar em operação ainda não está definida, mas será dias antes da cerimônia de abertura, para facilitar o deslocamento de delegações que chegam à cidade ou se dirigem a locais de treinamento. O projeto foi desenvolvido por especialistas brasileiros e gregos contratados como consultores pela prefeitura. Os técnicos gregos participaram do planejamento de trânsito das Olimpíadas de Pequim (2008) e Londres (2012). As faixas exclusivas serão monitoradas por radares. Segundo a prefeitura, os carros da família olímpica não serão escoltados por batedores, mas a operação de trânsito será reforçada nas vias. Ao todo, haverá 164 quilômetros de faixas dedicadas, 60 quilômetros de prioritárias e 36 quilômetros de compartilhadas. Entre as vias compartilhadas, encontra-se, por exemplo, a Lagoa-Barra, onde, segundo os estudos, seria inviável segregar uma faixa para os “olímpicos”.

‘Faremos avaliações periódicas para verificar se haverá necessidade de rodízio de veículos’

- RAFAEL PICCIANI

Secretário de Transportes do Rio

— A partir desse planejamento, e levando-se em conta os horários das competições esportivas em cada instalação, outras medidas vão começar a ser estudadas. Podem ocorrer alterações em horários de carga e descarga ou nos serviços de coleta de lixo domiciliar, por exemplo — explicou o secretário Rafael Picciani. — Faremos avaliações periódicas para verificar se haverá ou não a necessidade de medidas complementares, como o rodízio de veículos. Mas essa não é a intenção.

Algumas vias serão motivo de atenção especial, como a Autoestrada Lagoa-Barra e a Linha Amarela. Isso porque o plano incluiu o bloqueio da Avenida Niemeyer e a suspensão das faixas reversíveis na Linha Amarela. Algumas medidas já estão sendo adotadas para tentar reduzir o volume de trânsito, como a decretação de recesso escolar.

— Em alguns casos, para garantir a fluidez no trânsito da cidade, vamos precisar que, em alguns corredores, o número de veículos em circulação seja reduzido entre 30 e 40% — explicou o diretor de operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), Joaquim Dinis.

Uma novidade no transporte de massa será a criação do cartão olímpico — uma espécie de passaporte com o qual os usuários poderão circular no transporte público sem número limitado de viagens diárias pela cidade. O cartão será aceito nos ônibus municipais, metrô, vans credenciadas, trens (inclusive fora dos limites da cidade) e na travessia de barcas entre Rio e Niterói. O cartão poderá ser usado entre os dias 1º e 28 de agosto. Serão três opções: um dia (R$ 25), três dias (R$ 70) e sete dias (R$ 160). A prefeitura e a Riocard ainda não definiram quando terá início a venda dos cartões, que poderão ser comprados não apenas pelo público que for assistir aos Jogos, mas também por turistas e pela população em geral. O programa prevê inclusive a possibilidade de compra do cartão pela internet com entrega pelos correios.

O acesso do público, de voluntários e funcionários terceirizados aos locais de competição só poderá se dar pelo transporte de massa ou táxis. Por isso, o estudo levou em conta ainda a estimativa da demanda por ônibus, trens e BRTs até esses locais, bem como a capacidade das concessionárias de atender à demanda. A análise levará a algumas mudanças no calendário. Previstas para dias úteis, as semifinais do futebol feminino no Maracanã serão reprogramadas do fim da tarde para as 13h, para evitar que as competições coincidam com o horário de pico do transporte público. Em alguns dias, a demanda por transporte até os locais de competição será superior a 600 mil pessoas. Na Barra, na maioria das vezes, o total de usuários que irá para as arenas será superior a 150 mil.

NO PAN, EXCLUSIVIDADE NÃO FOI RESPEITADA

Durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, a prefeitura também recorreu às faixas exclusivas (marcadas no asfalto com a cor laranja) para facilitar o deslocamento das delegações. As linhas Vermelha e Amarela, além da Avenida Brasil, ganharam corredores exclusivos, mas os motoristas nem sempre obedeceram às normas, apesar da sinalização. A prefeitura ajustou os radares eletrônicos das vias expressas para flagrar os veículos invasores, mas a iniciativa não impediu as bandalhas.

Um teste feito pela Secretaria de Transportes na Avenida Ayrton Senna, próximo à Vila do Pan, revelou que, em apenas quatro dias, foram registradas 10.977 infrações. Os invasores de faixa foram punidos com multa de R$ 127 e perda de cinco pontos na carteira.

Além das faixas exclusivas, havia também as preferenciais. Linhas tracejadas foram implantadas em algumas das principais vias da cidade, como Túnel Rebouças e Aterro do Flamengo. Qualquer motorista podia usar essas faixas, mas tinha de dar preferência aos veículos que transportavam atletas e demais membros da família do Pan.

Nos primeiros dias de competição, motoristas enfrentaram longos engarrafamentos por causa das faixas exclusivas. Na Linha Amarela e na Autoestrada Lagoa-Barra, o trânsito ficou caótico. O problema atingiu até quem tinha prioridade no trânsito: carros, vans e ônibus que transportavam delegações do Pan também ficaram retidos nos congestionamentos, em parte porque motoristas não respeitavam a sinalização.

Na época, o membro do Comitê Olímpico Uruguaio Gilberto Saens criticou o fato de os motoristas não respeitarem as faixas: “É incrível levar duas horas da Vila do Pan à Lagoa. Talvez seja preciso repensar, para uma Olimpíada, os locais escolhidos para algumas competições e concentrar os eventos na Barra”.

O calendário escolar também foi adaptado para desafogar o trânsito durante os Jogos Pan-Americanos. Escolas públicas e particulares do município remanejaram as férias para coincidir com o período dos Jogos.

Terminada a competição, o então subsecretário municipal de Transportes, Dalny Sucasas, avaliou que, em caso de o Rio sediar as Olimpíadas, seria necessário lançar, com meses de antecedência, uma campanha educativa para os motoristas respeitarem as faixas exclusivas. Até agosto de 2016, ainda tem tempo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/rio-tera-260-quilometros-de-faixas-prioritarias-para-familia-olimpica-18216395#ixzz3tMHe7GAD 
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Shopping com terraço panorâmico tem vista para o Pão de Açúcar

Inaugurado ao lado do Santos Dumont, o Bossa Nova Mall fica às margens da Baía
   
POR SIMONE CANDIDA 

26/11/2015 - O Globo

Novo shopping tem terraço de onde é possível ver a Baía de Guanabara - Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO — Inaugurado há pouco mais de uma semana, o Bossa Nova Mall ainda está taxiando (apenas sete das 50 lojas estão abertas), mas já nasce com um título garantido: o de shopping com a mais bela vista da cidade. Com cerca de 6 mil metros quadrados, às margens da Baía de Guanabara, o novo centro comercial foi instalado no prédio onde funcionou a VarigLog, nos fundos do Aeroporto Santos Dumont. O espaço ganhou terraço com 1.100 metros quadrados, de onde é possível ver o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e a Enseada de Botafogo.

Com projeto de arquitetura de Paulo Baruk — que assina os desenhos de vários shoppings do Brasil, entre eles o Metropolitano, na Barra —, a construção da década de 50 ganhou retrofit e um corredor que faz ligação com as áreas de embarque e desembarque do aeroporto. Ao projeto original, também foi adicionado um subsolo, com dois estúdios de rádio, lojas e um área para exposições. O centro comercial pertence ao grupo Saphyr/HSI, que tem 13 shoppings no país, entre eles o Fashion Mall.

Segundo o coordenador de marketing do Bossa Nova Mall, Leandro Berg, para atrair os cariocas e turistas, o local terá uma programação cultural aberta ao público. Nesta estreia, o shopping haverá shows diários de música ao vivo com quatro artistas tocando MPB, Jazz e Rock, entre 11h30 e 22h; um festival de foodtruck e foodbike, e uma exposição de fotos sobre Bossa Nova, com 32 imagens de nomes como Roberto Menescal, João Donato e Wanda Sá, registrados pela fotógrada Cristina Granato. A mostra fica exposta até o dia 15 de fevereiro.

— A ideia é que nos dias de semana o shopping seja mais usado pelo público corporativo, mas nos finais de semana queremos que ele se transforme numa praça, com eventos nas áreas do shopping — diz Leandro Berg.

PRÉDIO TEM HOTEL

O empreendimento teve investimento de aproximadamente R$ 240 milhões. Além do shopping, o prédio abriga o PRODIGY HOTEL SANTOS DUMONT Airport, um quatro estrelas da rede GJP Hotels & Resorts, um centro de convenções e um business center com mais de 4.000 m².

Próximo ao Centro e à Zona Sul, o empreendimento é o primeiro no país interligado a um aeroporto e a um hotel, e terá como público principal os passageiros do terminal. Para que os viajantes possam fazer compras sem risco de perder o voo, há painéis com os horários de decolagens em pontos estratégicos.

O empreendimento recebeu um investimento de aproximadamente R$ 240 milhões. Até agora, diz o coordenador de marketing, o shopping está em sistema "soft opening”, mas 80% das lojas já foram comercializadas. Ele não desmente, no entanto, que o medo da crise pode ter sido um dos motivos do ritmo lento das inaugurações.

— Temos alguns diferenciais no shopping, que é serviço de concierge, que estará neste primeiro momento disponível para todos os clientes e poderá ajudar no agendamento de táxis e reserva de hotéis, por exemplo, e o estacionamento com manobrista para todos — diz Berg.

O estacionamento do mall é administrado pela mesma empresa que opera a garagem do aeroporto. Por 1 hora de estacionamento, o cliente paga R$ 19.

Entre as lojas âncora do Bossa Nova Mall, está a Forever 21, que será inaugurada no início de dezembro. Na praça de alimentação, haverá fast foods, como Burger King, Subway, Mei Mei e Baked Potato. Na cobertura, será aberto no primeiro trimestre de 2016 um restaurante asiático.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/shopping-com-terraco-panoramico-tem-vista-para-pao-de-acucar-18143944#ixzz3sbPbzWvO 
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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TransOceânica: perfurações no túnel do lado de Charitas começam dia 19 de novembro

10/11/2015 - O Fluminense

Prefeito percorre um dos túneis e anuncia detalhes do cronograma das obras

Rodrigo Neves afirmou que a obra da TransOceânica possibilitará a transformação da Estrada Francisco da Cruz Nunes
Foto: Divulgação/Leonardo Simplício

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, visitou na manhã desta terça-feira (10) as obras da TransOceânica e anunciou que no próximo dia 19 serão iniciadas as perfurações no lado de Charitas do túnel. Ao todo, 300 metros de túnel já foram perfurados (150 de cada lado). Na próxima segunda-feira (16), irão começar as obras do lado esquerdo de quem sobe para a Região Oceânica do trecho 8 da obra (que vai da entrada da Avenida Central até o Engenho do Mato) e o lado direito da obra estará concluído, facilitando assim a vida dos comerciantes tendo em vista a proximidade do período de Natal.

Nesta quarta-feira (11) será iniciado o trecho 4 da obra, entre o DPO do Cafubá e a rótula do bairro, com microdrenagem, sistemas de drenagem e preparação da pavimentação da antiga avenida Raul de Oliveira Rodrigues.

O trecho 3, que vai do canteiro de obras até a rótula do Cafubá, está em andamento, com sistema de drenagem, com previsão de conclusão para março. Já o trecho 5, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, deverá começar em janeiro.

Durante a visita de hoje, o prefeito, acompanhado de secretários municipais, do deputado estadual Waldeck Carneiro, vereadores e lideranças comunitárias da região, percorreu 150 metros de um dos túneis. Segundo ele, a obra segue o seu cronograma

"A obra está caminhando a passos largos. Ela segue um cronograma positivo porque planejávamos para o momento 250 metros de perfuração e já tem 300. Com início da perfuração em Charitas, vamos ter duas frentes de obras no túnel e a previsão é que no segundo semestre de 2016, as duas partes se encontrem. Essa obra é esperada há 40 anos. Fico orgulhoso e feliz por isso porque para chegarmos até aqui vencemos dezenas de etapas de licenciamento ambiental, projeto executivo, obtenção de recursos e financiamento. Isso é resultado de planejamento, dedicação, competência e empenho, não é do acaso. Mais que e uma obra viária, a TransOceânica é uma proposta de mobilidade urbana que, além do túnel sem pedágio, contará também com o BHLS, um sistema de alta performance de transporte coletivo, melhorando a mobilidade de Niterói, criando uma opção de deslocamento e uma perspectiva de desenvolvimento sustentável para Niterói pelos próximos 30 anos. Estamos preocupados com as próximas gerações, preparar a nossa cidade para que o futuro dela seja melhor do que o passado e o recente", declarou.

Rodrigo Neves afirmou que a obra da TransOceânica possibilitará a transformação da Estrada Francisco da Cruz Nunes que vai deixar de ser uma via degradada e depreciada ha muitos anos e ganhará um corredor moderno de transporte, uma nova iluminação e vai se modernizar, se tornando uma rua acolhedora para a população da Região Oceânica.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ritmo de obras na subida da serra de Petrópolis é reduzido em 50%

09/11/2015 - O Globo

Concessionária afirma que intervenções na Rodovia BR-040 só devem acabar em 2017
  
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

Atraso de verbas federais, crise econômica e liminar obtida por moradores em ação do Ministério Público federal seriam causas do ritmo lento - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Os caminhos que ligam o Rio de Janeiro à cidade imperial são cheios de curvas sinuosas e perigosas que exigem atenção dos cerca de 50 mil motoristas que circulam diariamente pela BR-040 entre a capital fluminense e Petrópolis. A esperança para tornar a viagem mais segura é o projeto de construção da nova subida da serra, prometido há uma década, mas que acaba de ter seu cronograma adiado mais uma vez. A Concer, concessionária que administra a BR-040 no trecho entre Rio e Juiz de Fora, informou, no domingo, que não tem como concluir as obras até os Jogos Olímpicos, em agosto de 2016, conforme estava planejado. As intervenções, que incluem a construção do maior túnel rodoviário do país, com cinco quilômetros de extensão, e mais 28 viadutos e pontes, só deverão terminar em 2017, segundo mais uma promessa da concessionária. O novo cronograma, no entanto, não está fechado.

Os sinais de que os trabalhos haviam desacelerado na subida da Serra já eram visíveis nas últimas semanas. O total de operários mobilizados nos canteiros, que chegou a 800 no auge das obras em 2014, está reduzido hoje à metade. Pelo cronograma antigo, as escavações do novo túnel estariam concluídas até o fim deste ano, o que não vai acontecer.

CONCER QUER REPACTUAR CONTRATO

O presidente da Concer, Pedro Johnson, atribuiu o atraso a vários fatores. Segundo a empresa, o rosário de obstáculos incluiu a crise econômica, que dificultou o acesso da Concer a linhas de crédito e impediu que o governo federal cumprisse o prazo das contrapartidas financeiras previstas no projeto. Além disso, há o atraso causado por uma liminar obtida em junho, numa ação movida pelo Ministério Público federal, a pedido de moradores da região. Eles estavam insatisfeitos com o ruído das explosões e a movimentação dos operários inclusive durante à noite. Com isso, os serviços no túnel, que eram executados em três turnos que se revezavam 24 horas, só podem agora acontecer durante o dia.

— Entre 2015 e 2016, a União deveria liberar cerca de R$ 1,1 bilhão (em valores de 2012) em contrapartida ao contrato de concessão. A maior parte dos recursos deveria ser repassada ainda este ano. Há dois meses, o Ministério dos Transportes informou por e-mail que não teria como liberar a verba em 2015. Diante do cenário de dificuldades enfrentado pela União, achamos provável que não haja repasses também em 2016. Só dá para concluir em 2017 — disse Pedro Johnson.

O executivo acrescentou que, diante do impasse, a Concer pretende negociar uma revisão contratual com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que fiscaliza as rodovias operadas em regime de parcerias público-privadas. A proposta da empresa é prorrogar o prazo de concessão de 25 anos (que expira em 1º de março de 2021) por um período de sete a dez anos, ainda a ser negociado com a agência. Em troca, a Concer assumiria as despesas a cargo da União.

— As negociações não podem começar enquanto a ANTT não formalizar em documento que não haverá o repasse prometido — explicou o presidente da Concer.

O trecho em obras na BR-040 - Editoria de Arte

No domingo, o GLOBO não conseguiu localizar representantes da ANTT para comentar a proposta. Segundo Pedro Johnson, desde que as obras na subida da serra começaram, em agosto de 2012, a Concer investiu mais de R$ 700 milhões no empreendimento. Boa parte dessas despesas ocorreu na expectativa de a concessionária ter os gastos amortecidos por um empréstimo de quase R$ 1 bilhão, que vem sendo negociado há alguns anos com o BNDES, para financiar a parte da concessionária na parceria público-privada com a ANTT.

— As negociações com o BNDES prosseguem. A ideia é oferecer como garantia ao financiamento o próprio contrato de concessão. Nós chegamos até a negociar um empréstimo-ponte para que o BNDES antecipasse uma parte dos recursos a partir de maio deste ano. Mas isso exigiria uma espécie de carta de fiança de banco que garantisse o pagamento da dívida. Mas, com a crise, os bancos têm evitado assumir esse tipo de compromisso — explicou o presidente da Concer.

A revisão no cronograma não atinge apenas as obras. A encomenda de muitos equipamentos, inclusive de itens de segurança e câmeras para o túnel, foi adiada para evitar gastos desnecessários com manutenção.

*Colaborou Alessandro Lo-Bianco

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/ritmo-de-obras-na-subida-da-serra-de-petropolis-reduzido-em-50-17998849#ixzz3qzy5P8zq 
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Cronograma original previa abertura da nova subida da serra em 2006

09/11/2015 - O Globo

Obras na BR-040 só começaram há dois anos, e pouco mais de um terço foi concluído
 
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES


Obras na BR-1040: quase 60% delas ainda estão para ser executadas - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Segundo a Concer, o impasse envolvendo a nova subida da serra ocorre quando restam quase 60% das obras para serem executadas. Os trabalhos estão sendo feitos pelas construtoras Triunfo, Construcap, CMSA e C.C.I Concessões, que controlam a Concer. Se o cronograma original previsto no contrato de concessão tivesse sido honrado, as obras deveriam ter sido concluídas em 2006. Mas os prazos foram revistos por aditivos no contrato, depois que o cronograma original se revelou inexequível, por diferentes fatores.

O principal deles foi que, ao prever, no contrato de concessão, a construção do novo acesso, a União tinha apenas um projeto conceitual de como deveria ser o traçado. Coube à concessionária contratar um projeto executivo para a obra. Isso só ocorreu em 2010. Ao longo daquele ano, a Concer deu entrada no licenciamento ambiental no Ibama e submeteu o projeto a audiências públicas em Petrópolis e Caxias.

VEJA MAIS: RITMO DE OBRAS NA SERRA É REDUZIDO EM 50%

A ANTT só deu o sinal verde para o projeto ser desenvolvido em junho de 2011. Em dezembro do mesmo ano, o Ibama concedeu a licença. No entanto, a ANTT só autorizou que as intervenções começassem em abril de 2013. Os serviços só tiveram início efetivamente em agosto do mesmo ano — já com a via operando, desde 2010, acima da capacidade para a qual havia sido projetada em sua inauguração, em 1928, de acordo com estudos da União. Desde 21 de agosto, os motoristas de carros de passeio pagam R$ 11,20 de pedágio. São três postos de cobrança: Caxias, Petrópolis e Simão Pereira (MG).

SÓ 2 KM DE TÚNEIS PRONTOS

O projeto prevê 20,7 quilômetros de novas pistas. Segundo a concessionária, entre as obras que já foram concluídas está a implantação de uma nova praça de pedágio no Km 102, que substituiu a praça de cobrança no Km 104. Dos cinco quilômetros do novo túnel que ligará os bairros do Bingen ao Quitandinha, apenas cerca de dois quilômetros já foram concluídos.

MORADORES LAMENTAM ADIAMENTO

A informação da redução do ritmo dos trabalhos na nova subida da serra foi oficializada numa reunião, há duas semanas, com representantes da sociedade civil que acompanham o projeto. As mudanças no cronograma decepcionaram usuários da via. Diretor de mobilidade da Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica (Novamosanta), o empresário Jorge de Botton diz que a demora para a conclusão da obra é um risco para moradores de Petrópolis e turistas:

— O problema não é só para quem sobre a serra, mas também para quem precisa vir ao Rio. Devido às obras da nova via, vários desvios tiveram que ser implantados, o que torna o percurso mais difícil. Sem contar os transtornos provocados por interrupções diárias por conta da movimentação de operários e máquinas. São pelo menos nove interdições todos os dias — enumerou Botton.

O prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, lamentou o atraso e culpou a União:

—É lamentável que o governo federal esteja deixando, mais uma vez, de cumprir um compromisso firmado. Esse atraso nos preocupa, nos deixa em alerta. Vamos continuar a cobrar para que as intervenções sejam concluídas o mais rapidamente possível — disse.

ENGARRAFAMENTOS ÀS SEXTAS

A presidente da Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico (AMA-Centro Histórico), Myrian Born, reforçou que o atraso é um transtorno para moradores e visitantes:

— Tenho dúvidas sobre se a obra trará os benefícios prometidos. De qualquer forma, é necessário um novo acesso. Principalmente às sextas-feiras, o trânsito de chegada e saída está insuportável — afirmou Myrian.

Morador de Petrópolis, o deputado Bernardo Rossi (PMDB), que fez uma audiência pública na Alerj para discutir a obra, também reclama.

— Nunca os prazos foram cumpridos. Mas o pedágio sempre aumenta — argumentou.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/cronograma-original-previa-abertura-da-nova-subida-da-serra-em-2006-17998988#ixzz3qzxZYZ2e
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Comitê organizador dos Jogos recebe o primeiro equipamento olímpico

08/11/2015 - O Globo

Em dois prédios no Parque Olímpico da Barra, IBC vai abrigar emissoras de TV e de rádio
  
POR MAÍRA RUBIM  

O Centro Internacional de Transmissão: recurso privado - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Acompanhado do governador Luiz Fernando Pezão, de Pedro Paulo Carvalho, secretário-executivo de Coordenação de Governo do Rio, e de Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador dos Jogos, o prefeito Eduardo Paes entregou, na manhã deste domingo, os dois prédios do Centro Internacional de Transmissão (IBC, na sigla em inglês) das Olimpíadas ao Comitê Rio 2016. Cerca de 70 emissoras de televisão e rádio detentoras dos direitos de transmissão do evento devem ocupar o espaço, de 68 mil metros quadrados, com 12 estúdios de 5 mil metros quadrados, no Parque Olímpico, com capacidade para receber mais de 10 mil pessoas.

— Essa construção é oito vezes maior do que o maior estúdio de televisão do Brasil — afirmou o prefeito.

O projeto foi concluído por meio de uma parceria público-privada assinada com a Concessionária Rio Mais, formada por Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken. Na ocasião, Paes afirmou que é a primeira vez, na história das Olimpíadas, em que o IBC foi construído com recursos da iniciativa privada.

— Em Londres, o IBC custou 400 milhões de libras, o que significaria hoje algo em torno de R$ 3 bilhões, valor muito acima do custo de todo o Parque Olímpico. O nosso IBC custou cerca de R$ 400 milhões provenientes do dinheiro privado.

Prédio foi entregue ao Comitê Rio 2016 com sistema elétrico e de ar-condicionado implantados - Renato Sette Camara / Divulgação

Nas mãos do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, o IBC passará ainda por obras na área interna, como forração de paredes e teto e instalação de divisórias. As alterações são necessárias para que o espaço se adapte às exigências da empresa Olympic Broadcasting Services (OBS), produtora oficial da competição esportiva.

— Faremos o cabeamento de telecomunicações no IBC, além da parte elétrica e do sistema de detecção de incêndio. A OBS começará a instalar sua área técnica própria, além dos estúdios das emissoras. A perspectiva é que tudo estará pronto no dia 5 de julho de 2016 — detalhou Leonardo Gryner, vice-diretor-geral do Comitê Rio 2016.

Após o fim dos Jogos de 2016, os prédios serão entregues para a Concessionária Rio Mais, que deverá definir uma função para seu uso.

Paes aproveitou para garantir que serão cumpridos todos os prazos previstos para a conclusão das obras das instalações dos Jogos de 2016. E também adiantou que 92% das obras do Parque Olímpico já estão concluídas.

— Na semana que vem, vamos entregar o campo de golfe, que também foi construído através de uma parceria público-privada — disse o prefeito.

Na ocasião, Paes reafirmou que Pedro Paulo será seu candidato à sucessão municipal.

ENCONTRO COM DILMA

Questionado sobre o gasto com os geradores de energia que serão utilizados no Parque Olímpico e no IBC, o governador Pezão revelou que terá um encontro para discutir o assunto com a presidente Dilma e com Paes, na terça-feira, no Rio.

— Houve um apelo da presidente para que pudéssemos complementar o orçamento através da nossa lei de incentivos. Se estiver dentro da lei que nós criamos para cumprir com as obrigações do estado, vamos ter que abrir mão da receita para manter o compromisso assinado pelo estado. Não pode faltar energia. A parceria foi o segredo dos últimos oito anos do governo do Rio, e juntos conseguiremos superar as dificuldades — avaliou Pezão.

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Prédios subutilizados são pedras no caminho da revitalização do Centro do Rio

08/11/2015 - O Globo

RIO — Às margens da revitalização, gigantes em mau estado, de destino às vezes incerto. Ao longo da futura Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, que ligará as imediações do Museu Histórico Nacional ao Porto com praças e um corredor de lazer à beira da Baía de Guanabara, alguns prédios são pedras no sapato para a nova configuração da região. O Edifício A Noite, por exemplo, ainda é um arranha-céu de 22 andares — o primeiro do país —, subutilizado e com destino indefinido, diante da Praça Mauá. Quase clamando por reforma, a antiga Maternidade da Praça Quinze também destoa do entorno em obras. E, na Gamboa, o prédio que abrigará a Hemeroteca Brasileira (biblioteca de jornais e revistas) continua sendo um galpão cinzento e ríspido.

No A Noite, os andares mais altos, que já foram casa da Rádio Nacional, salas abandonadas nem lembram o auge de décadas atrás. Escadas abaixo, ainda estão guardados arquivos do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), dono do imóvel. Mas pouca gente circula pelos corredores do grandão art déco do fim dos anos 1920, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E, em frente aos museus do Rio (MAR) e do Amanhã, o lugar mantém ares fantasmagóricos.

— Tem gente que jura ter visto fantasmas aqui. Há até quem tenha medo — dizia um segurança na semana passada, um dos poucos que restaram trabalhando no edifício.

PROPOSTAS NÃO VINGAM

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) já apresentou propostas para transformá-lo em prédio residencial ou num hotel. No dia 15 de outubro, uma reunião juntou representantes do INPI e dos ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento para debater o destino do arranha-céu. Mas, segundo o instituto, ainda não há decisão para o caso.

Seguindo em direção às proximidades da Rua do Ouvidor, a Maternidade da Praça Quinze, que já foi referência no Rio, fechou as portas há mais de dois anos. Na época, a Secretaria municipal de Saúde alegou que a unidade precisaria de "reformas estruturais e arquitetônicas, sistêmicas e profundas”. E o prédio, ao lado do Tribunal Marítimo e que já pertencia à Marinha, foi devolvido à força naval.

Perto de obras que criarão na frente do prédio uma praça corporativa e, bem próximo, uma área de lazer destinada a eventos culturais, o lugar não sofreu as tais reformas necessárias e ganhou um uso no mínimo inusitado.

— Virou um alojamento — afirmava um militar que controlava o acesso ao local.

MATERNIDADE PERTENCE À MARINHA

A Marinha, por meio de nota do Comando do 1º Distrito Naval, afirmou que o prédio está parcialmente ocupado pelo Serviço de Inativos e Pensionistas da Marinha (SIPM), mas não confirmou que teria sido transformado em alojamento. Segundo o texto, o lugar vem sendo utilizado para atendimento ao público pela organização militar, responsável pelo gerenciamento de mais de 128 mil inativos e pensionistas. Além disso, afirmou que há um projeto para que a parte não ocupada do edifício seja destinada a duas diretorias, a Geral de Navegação e a de Portos e Costas. Mas não informou sobre reformas ou prazos para que ocorram.

Já a Hemeroteca Brasileira, da Biblioteca Nacional, ficará no edifício da Avenida Rodrigues Alves 509 que, no passado, abrigou a estação de expurgo de grãos do Ministério da Agricultura. Entre a Cidade do Samba e o Aquário Marinho do Rio (em construção), próximo ao trecho final do Boulevard do Porto, a previsão é que o prédio tenha espaço para exposições, livraria, lanchonete e restaurante. Para ele também devem ser transferidos laboratórios de conservação, microfilmagem e digitalização, além de todas as áreas técnicas e administrativas da instituição. O projeto, segundo a Biblioteca, está em fase final de desenvolvimento pelo arquiteto Hector Vigliecca, vencedor de um concurso realizado ano passado pela Fundação Biblioteca Nacional e a Cdurp. Mas o prédio, que já abriga parte dos arquivos da hemeroteca, ainda mantém os ares de abandono da época da Perimetral. A maior parte está às escuras. A Biblioteca Nacional garante que as obras, financiadas pelo BNDES, já iniciaram na parte interna do armazém, com um de seus andares recebendo reforço estrutural e obras civis e de climatização. No entanto, não há prazo para conclusão do projeto.

Mais imprevisível ainda é o futuro de outro prédio nas bordas da frente marítima: o anexo da Assembleia Legislativa. Mês passado, o governador Luiz Fernando Pezão publicou decreto cedendo outro prédio, o do Centro Administrativo do Estado do Rio, conhecido como Banerjão, para a Casa. O edifício, que hoje é sede de secretarias estaduais, deve passar por reformas para, provavelmente a partir de maio de 2017, receber os gabinetes dos 70 deputados estaduais. Também ficou para 2017 a decisão sobre o futuro da caixa envidraçada da Praça Quinze, onde os legisladores trabalham atualmente.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Estado quer conceder à iniciativa privada esgoto no Grande Rio

04/11/2015 - O Globo

Prazo é de seis meses para definir modelo para a Baixada Fluminense e São Gonçalo
  
POR RAFAEL GALDO 

Na Praia das Pedrinhas, em São Gonçalo, esgoto corre para a Baía - Paulo Nicolella / Agência O Globo (17/08/2015)

RIO — Depois de décadas de promessas não cumpridas, o estado deve recorrer mesmo à iniciativa privada para realizar as obras de saneamento em São Gonçalo, Itaboraí, Baixada Fluminense e entorno da Bacia do Rio Guandu — que abastece 8,4 milhões de pessoas. Conforme adiantou, na terça-feira, o presidente da Cedae, Jorge Briard, durante a gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, o governo iniciou este mês os estudos técnicos que vão definir o modelo de parceria público-privada (PPP) para a implementação dos serviços de esgotamento nessas áreas. O prazo, agora, é de seis meses para que os estudos fiquem prontos.

— Depois, então, serão licitadas as obras, que contribuirão para a despoluição da Baía de Guanabara — diz Briard.

Segundo a Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviço, a execução dos estudos ficará a cargo da empresa Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP, mesma que realizou o projeto de viabilidade para a concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim), depois de um chamamento público aberto pelo Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas (Propar).

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A proposta de PPPs para o saneamento dessas regiões já vinha sendo apresentada pelo governador Luiz Fernando Pezão desde a eleição do ano passado. É mais uma tentativa de reverter índices que põem as cidades da Região Metropolitana do Rio entre as piores do país em saneamento. De acordo com o Instituto Trata Brasil, com base em dados de 2013, Nova Iguaçu trata só 0,38% de seu esgoto; em Duque de Caxias, esse percentual não ultrapassa 7,17%; em São Gonçalo é de 9,78% e, em São João de Meriti, é zero. Em todos esses municípios, a Cedae tem contratos para esgotamento sanitário.

MODELOS PARECIDOS

Já cidades como Macaé, no Norte Fluminense, são exemplos de onde a operação do esgoto já é feita por meio de uma PPP. No município, o serviço, assim como a gestão comercial das contas de água e esgoto, é feito pela Odebrecht Ambiental.

A empresa integra ainda a Foz Águas 5, responsável pela coleta e tratamento de esgoto em 21 bairros da Zona Oeste do Rio, como Bangu e Campo Grande, atendendo 1,2 milhão de pessoas. Na região, o modelo é de concessão. Já o abastecimento de água continua sendo feito pela Cedae.

No entanto, a concessionária realiza também a gestão comercial da água e do esgoto, que inclui a leitura e emissão de contas. Com isso, o cliente recebe uma única fatura, com os valores discriminados de água e esgoto. Após o pagamento da conta, a tarifa de água é repassada para a Cedae, enquanto a de esgoto vai para a concessionária, automaticamente através do código de barras da fatura.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/estado-quer-conceder-iniciativa-privada-esgoto-no-grande-rio-17958579#ixzz3qX5uC0Jq 
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domingo, 25 de outubro de 2015

Frente marítima do Centro terá nove praças às margens da Baía

25/10/2015 - O Globo

RIO — Saiu o cinza da Perimetral. Surgirão o verde das árvores e o colorido dos jardins. No caminho do elevado posto abaixo, a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde integrará nove praças no Centro, das imediações do Museu Histórico Nacional até o Armazém 8 do Porto. Algumas são velhas conhecidas, como a reformulada Praça Mauá e a histórica Praça Quinze. Outras cinco são novidades que estimularão a redescoberta da frente marítima às margens da Baía de Guanabara. Um caminho que, quando a poeira das obras assentar, vai revelar ângulos antes escondidos da cidade. E que incluirá o acesso a um trecho, no contorno do Morro de São Bento, que ficou 252 anos restrito à Marinha, na área do I Distrito Naval.

Ao longo de 3,5 quilômetros, serão mais de 600 árvores plantadas. Para cada praça, afirma José Renato Pontes, presidente da concessionária Porto Novo, haverá um tratamento urbanístico e paisagístico específico, formando um corredor que se ligará também, por calçadas, à Praça Salgado Filho, em frente ao Aeroporto Santos Dumont, e ao Parque do Flamengo.

— Esse é o grande movimento: tiramos a Perimetral, os carros e o mergulhão, substituímos pelos espaços de convivência para o pedestre. A ideia é incentivar as pessoas a ocupá-los, como já ocorre de forma surpreendente na Praça Mauá, lotada nos dias úteis e também nos fins de semana — afirma José Renato, ressaltando que as novas praças ainda devem ganhar nomes oficiais.

Partindo do Porto, a primeira área de lazer será o boulevard sobre o traçado da Avenida Rodrigues Alves, numa grande praça longitudinal entre os armazéns 1 e 8. O VLT também passará por ali. E o público poderá ter acesso à beira da baía quando ao menos quatro dos galpões (1, 2, 3 e 6) perderem o status de área de alfândega, o que já está acertado entre a prefeitura e a União. O Armazém 1, por exemplo, receberá o YouTube Space, com estúdios, cenários, cursos e workshops da empresa. Quanto ao 2 e ao 3, a ideia da concessionária Pier Mauá é transformá-los em polos de cultura, lazer e gastronomia, num projeto em fase de finalização.

UMA ÁREA PARA EXPOSIÇÕES

O corredor segue pela Praça Mauá e continua por um calçadão que cruzará a área da Marinha até a Praça da Candelária, uma esplanada com jardins que surgirá entre a igreja e o mar. Adiante, virá uma sequência de três áreas com propostas diferentes. A que tem sido chamada de Praça dos Museus ficará próxima à Casa França-Brasil, ao CCBB, ao Centro Cultural dos Correios e ao Museu da Marinha. O espaço deve ser transformado numa espécie de extensão desse circuito de arte.

— O lugar poderá receber exposições e instalações artísticas, além de servir de acesso aos museus — diz José Renato.

Nas imediações das ruas do Ouvidor e do Mercado, ficará a Praça do Povo, destinada a eventos culturais, perto de onde acontece atualmente o concorrido Samba da Ouvidor. Colada a ela, próximo ao prédio da antiga Bolsa de Valores, haverá a Praça Corporativa: as pessoas que trabalham no Centro serão incentivadas a frequentá-la, na hora do almoço ou na happy hour. Já a Praça Quinze, com lajes sobre as antigas entradas do mergulhão, voltará a ter seu tamanho e concepção originais. Monumentos históricos como o Paço Imperial e o chafariz do Mestre Valentim vão manter o devido destaque na paisagem. Haverá também uma estação do VLT, para integração com as barcas.

O caminho se completará com outras duas áreas próximas ao Museu Histórico Nacional. Nesse trecho, a via expressa que ligará o Aterro ao Porto passará pela superfície, antes de entrar pelo maior túnel em área urbana do país, com três quilômetros de extensão. De um lado das pistas, junto à baía, a Praça Marechal Âncora, onde fica o restaurante Albamar, está sendo totalmente revitalizada e rearborizada. Do outro, o antigo terminal de ônibus da Misericórdia se transformará, de novo, na Praça da Misericórdia. Dois espaços que serão interligados por uma passagem por baixo da via expressa.

— A ideia é tornar essas áreas agradáveis e iluminadas, confortáveis e com sombra para as pessoas caminharem. Haverá também bancas de jornais, bancos no padrão dos da Praça Mauá e outros equipamentos — diz José Renato, lembrando que os projetos de paisagismo e urbanismo foram feitos pelos escritórios B+ABR Backheuser e Riera Arquitetura e Raiar Engenharia.

O conceito, para o arquiteto e urbanista Luiz Eduardo Índio da Costa, torna a cidade mais humana, priorizando o pedestre em relação ao urbanismo viário, voltado para os carros.

— Meu sonho seria estender esse conceito do Parque do Flamengo até o Galeão. Pode parecer utópico, como pareceu, a princípio, a retirada da Perimetral, mas não é impossível — diz ele.

OBRAS PRONTAS ATÉ OS JOGOS DE 2016

Já Pedro da Luz, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Rio, destaca outro aspecto: a possibilidade de a nova orla mudar a relação da cidade com a Baía de Guanabara, que ganhará mais visibilidade. Ele aponta, contudo, um senão: o fato de as pistas de carros virem à superfície antes do Museu Histórico Nacional:

— Esse prédio é uma joia no trajeto. A travessia da beira da baía até o museu, na minha opinião, está mal costurada. As pistas no meio continuarão subdividindo esse trecho.

São essas praças que têm as obras mais adiantadas, assim como o boulevard do Porto. A inauguração deve acontecer nos primeiros meses de 2016. Nos trechos próximos à Candelária, ainda são realizadas obras de escavação do túnel da via expressa. A construção das praças começará à medida que essas intervenções forem finalizadas. A previsão é que todas fiquem prontas entre maio e junho, antes das Olimpíadas.

PASSEIO QUE CRUZARÁ ÁREA DA MARINHA JÁ ESTÁ 65% PRONTO

O cenário no qual o carioca vai se reencontrar com o pedaço da orla que, desde 1763, estava restrito à Marinha já ganha formas, aos pés do Mosteiro de São Bento. Em torno de 65% das obras do passeio que ligará as imediações da Candelária à Praça Mauá estão prontas. Já se pode ver como ficarão o calçadão e os jardins no trecho de cerca de 600 metros. E, nos próximos dias, deve começar a construção que unirá os dois lados da frente marítima: um deque que avançará sobre a Baía de Guanabara, por baixo da Ponte Arnaldo Luz, que dá acesso à Ilha das Cobras.

Será um deque metálico de 70 metros de extensão, com acabamento de madeira, em formato de ‘‘V’’ ou de bumerangue, sustentado por estacas na rocha no leito da baía. Dali em direção ao Museu do Amanhã, está praticamente pronto o futuro calçadão com piso de granito e canteiros com jardins. Entre o passeio e a beira da baía, já pode ser vista também a faixa de areia, com vegetação de restinga, que caracterizará o trecho.

Para o outro lado do deque, no sentido Candelária, no entanto, será mantida a estrutura conhecida como Cais do Almirante, com escadas que dão acesso do calçadão à baía.

— Todos os elementos apontados como importantes pela Marinha serão mantidos. Esse é um deles, um cais usado em cerimônias oficiais — explica Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio (Cdurp).

Segundo ele, em toda a sua extensão, o caminho terá entre sete e 12 metros de largura. Grades, no entanto, vão separar a área aberta ao público (na borda da baía) da que continuará sob o comando do I Distrito Naval. Mesmo assim, poderão ser vistos novos ângulos do Mosteiro de São Bento, uma das mais antigas construções do Rio (do século XVII), assim como os prédios da Marinha.

São edificações como a da sede do Comando do I Distrito Naval, construída pelos beneditinos no século XVIII, ou o austero Edifício Almirante Tamandaré, de 1935, em estilo art déco. Estarão à vista também os prédios geminados de 1828, onde hoje funcionam os setores de Seleção e de Identificação da Marinha, e o Edifício Almirante Júlio de Noronha, em estilo colonial, de 1819, ocupado atualmente pelo Estado-Maior da Armada e pela Diretória Geral de Navegação (DGN). Os pedestres poderão ainda observar prédios mais novos. Os antigos refeitórios dos marinheiros, que funcionavam em trapiches bem abaixo do Mosteiro de São Bento, foram demolidos e darão lugar a novos ranchos, que deverão ficar prontos em abril do ano que vem.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Calçamento em pedras irregulares: descoberto durante obra do VLT

19/10/2015 - O Globo

A prefeitura enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan) um projeto para a manutenção de parte do piso em estilo pé de moleque da Rua da Constituição, revelado durante as obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos ( VLT). O município aguarda apenas a aprovação do órgão, para que possa alterar o projeto inicial de pavimentação previsto para o local. A mesma medida foi adotada na Avenida Rio Branco, depois da descoberta do calçamento antigo.

A preservação mobiliza historiadores, restauradores, museólogos e entusiastas de diversos segmentos. Eles pedem a preservação de parte do piso, como legado de referência do processo de urbanização pelo qual a cidade passou em seus 450 anos. O piso de pedras irregulares no chão batido foi revelado há cerca de três meses, quando as obras do VLT chegaram ao trecho da Rua da Constituição, entre a Praça Tiradentes e o Campo de Santana. Muito comum no período colonial, atualmente o pé de moleque é conservado em poucos locais da cidade, como a Ladeira da Misericórdia, no Centro, e em algumas ruas do Cosme Velho e de Santa Teresa.

— Foi um grande achado para a cidade. As obras preveem encobri- lo, mas queremos deixá- lo à mostra para servir de referência para as futuras gerações. A nossa proposta é que a nova pavimentação seja feita deixando quadrados com cobertura de placas de vidro, para que o pé de moleque possa ser visto — explica o restaurador Marconi Marques de Andrade, um dos profissionais à frente da mobilização.

Dono de uma livraria no trecho em obras, Renato Eduardo Pereira é um entusiasta da iniciativa. Ele acredita que a medida poderá contribuir para aumentar o movimento de visitantes no local:

— Acho que deixar partes do antigo piso aparentes pode ficar bom. Em Portugal, eu vi uma rua exatamente assim: asfaltada, mas com placas de vidro que permitem ver o antigo pavimento.

Supervisora de uma loja de móveis na rua, Liliana Vila Nova concorda:

— Acho que a manutenção será mais difícil. Mas, se fizerem, a rua vai ficar mais bonita, com clima de interior.

Também envolvida na mobilização para manter o calçamento, a historiadora Sheila Castelo está esperançosa:

— Já estamos em contato com alguns vereadores e vamos ao prefeito. Nosso objetivo é convencer todos da importância de mantermos a história ao alcance das pessoas. Isso é muito significativo para a memória da cidade e o sentimento de pertencimento dos cariocas.

PROPOSTA ENVIADA AO IPHAN

Em nota, a prefeitura informa que a proposta encaminhada ao Iphan prevê a adequação de projeto em trecho da obra na Rua da Constituição "de modo a preservar uma porção do piso pé de moleque, que será elevado e ficará exposto”.

Com 28 quilômetros de trilhos, o VLT vai ligar diferentes pontos do Centro e da Região Portuária. Serão 32 paradas. Com funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, o sistema terá capacidade para transportar 300 mil passageiros diariamente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Depois do Porto, prefeitura quer fazer a 'Vargens Maravilha'

15/10/2015 - O Globo

RIO - Depois de estabelecer uma parceria público-privada (PPP) para promover a expansão da Zona Portuária, a prefeitura pretende aplicar o mesmo modelo de operação para ordenar o crescimento e melhorar a infraesturura das Vargens. Desde agosto, um consórcio formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura e Queiroz Galvão Construtora realiza estudos técnicos a fim de viabilizar um projeto de urbanização na região, que sofre com a precariedade dos serviços públicos. No dia 23 deste mês, a primeira fase do diagnóstico será avaliada por uma comissão interna da prefeitura. O trabalho será encerrado em dezembro, e a expectativa é que no primeiro semestre de 2016 comece o processo licitatório.

Em julho, o município publicou um Procedimento de Manifestação de Interesse, convocando empresas candidatas a participar do projeto a elaborar uma análise do que seria necessário fazer na região. No mês seguinte, a Secretaria Especial de Concessões e Parceiras Público-Privadas (Secpar) aprovou a proposta de Odebrecht e Queiroz Galvão. Quando o estudo estiver concluído, audiências públicas deverão ser realizadas. O projeto faz parte do programa Em Frente Rio, que reúne dez propostas de obras de mobilidade, infraestrutura, saneamento e logística na cidade, como o VLT da Zona Sul e o corredor expresso Transbrasil, que ligará Marechal Deodoro ao Centro do Rio.

Os estudos técnicos, com limite de gastos de R$ 12 milhões (que só serão ressarcidos pela prefeitura se o consórcio ganhar a licitação), servirão para avaliar a viabilidade de implementação ou melhoria de uma série de 31 itens, divididos em cinco temas: mobilidade, sustentabilidade, infraestrutura, segurança e espaços públicos. A intenção da prefeitura com a parceria é alcançar a universalização do saneamento básico, realizar a macrodrenagem de 40 quilômetros de canais e construir 2,4 quilômetros de rede elétrica subterrânea, além de investir em iluminação pública e na oferta de Wi-Fi gratuito nas áreas públicas. O consórcio ainda deverá analisar propostas mais arrojadas, como implantação de transporte aquaviário e BRT, criação de um circuito cicloviário e de parques ecológicos e instalação de câmeras de segurança.

O melhor modelo de concessão também será definido pelo estudo, mas o secretário executivo de Coordenação de Governo da prefeitura, Pedro Paulo Carvalho, afirma que o mais provável é que seja via Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), como no Porto Maravilha. Nesse caso, uma lei municipal específica, que precisaria ser aprovada, autorizaria o aumento do potencial construtivo na região. Em contrapartida, as construtoras que adquirissem os Cepacs seriam obrigadas a executar investimentos em infraestrutura. As semelhanças entre os dois projetos, porém, restringem-se ao modelo escolhido, explica o secretário:

— A operação não será parecida com o Porto Maravilha do ponto de vista de ocupação. A necessidade das Vargens é de sustentar o crescimento, hoje desordenado; investir no saneamento básico; e racionalizar a densidade hoje prevista para o PEU. Ou seja, não é adensar mais uma área da cidade, como será na Zona Portuária, mas sim ordenar a região, que está em crescimento.

Desde a aprovação, pela Câmara dos Vereadores, do Projeto de Estruturação Urbana (PEU) das Vargens, em 2009, moradores aguardam a melhoria urbana da área, que abrange Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e pequenos trechos da Barra e do Recreio. Mas o PEU jamais saiu do papel. Depois de o próprio prefeito admitir que havia falhas no plano de elevar o gabarito em vários pontos dos bairros, o que preocupava ambientalistas, a Secretaria municipal de Urbanismo propôs alterações, nunca votadas. Em 2013, o PEU foi suspenso, e continuará assim até o fim dos estudos do consórcio.

Segundo a prefeitura, a proteção ambiental é a prioridade, e por isso a operação consorciada terá parâmetros urbanísticos mais restritivos que o PEU. Para Pedro Paulo, conciliar esse viés com o aumento do potencial construtivo, a fim de atrair incorporadoras, é viável.

— Não estamos tratando de uma reserva ambiental. É um bairro que pode receber construções, mas vamos definir parâmetros moderados, para que o crescimento seja ordenado e não afete a natureza — diz o secretário, acrescentando que os estudos embasarão também mudanças no PEU. — Ano que vem vamos enviar um novo texto à Câmara. Uma das etapas do projeto do consórcio é justamente o estudo jurídico, que trata não só da mudança dos parâmetros urbanísticos, mas de toda a regularização fundiária. Agora tudo vai aguardar a conclusão dos estudos.

ENTRE A ESPERANÇA E A CAUTELA

O anúncio do projeto consorciado divide opiniões entre moradores das Vargens. Enquanto muitos reclamam da falta de divulgação, há quem já projete o futuro. Para o empresário Rogério Appelt, presidente da comissão de acompanhamento do PEU, a operação pode ser interessante, "se feita de maneira correta”.

— Precisamos de investimento em infraestrutura. Hoje, os serviços públicos não funcionam. Aqui claramente será um bairro novo — diz Appelt, que, por outro lado, lança desconfiança sobre o processo de escolha do consórcio. — Em apenas 120 dias é praticamente impossível realizar um estudo dessa magnitude numa área tão grande. Acredito que o acordo já havia sido costurado antes, ainda mais com um investimento tão alto, que teoricamente seria de risco.

Procurado, o consórcio formado por Odebrecht e Queiroz Galvão respondeu que somente a prefeitura poderia falar sobre a parceria.

Para o arquiteta e urbanista Canagé Vilhena, morador de Vargem Grande, falta transparência por parte da prefeitura. Ele acredita que a operação deveria ser precedida de planejamento mais detalhado e profundo.

— Mais uma vez passam por cima das premissas do urbanismo e dos princípios da política urbana aprovados na Constituição. Nosso Plano Diretor de 2001 indica a necessidade de aprovar um plano de desenvolvimento urbano local, denominado Plano Regional, cuja finalidade é preparar urbanisticamente a região para receber novas construções. Depois é preciso definir o uso do solo. O código de obras, que é a parte do gabarito, deveria ser a última fase. Mas normalmente vemos o interesse imobiliário se sobrepondo ao social.

Vilhena define as Vargens como um retrato da expansão urbana sem planejamento, o que produziu "uma organização caótica em área rural degradada, onde ainda existem ruas e estradas sem registro no cadastro fiscal da prefeitura”. De fato, um passeio por Vargem Grande e Vargem Pequena revela, além do clima bucólico, a carência de serviços públicos. O principal problema, diz Angela Ormond, presidente da associação de moradores, é o saneamento básico.

— Aqui não existem água e tratamento de esgoto. Nossa sede não tem fornecimento regular de água há três meses. Desde o ano passado utilizamos poço, mas só para lavar a casa. Para beber, precisamos comprar garrafas. E o prazo que a Cedae me deu para resolver a situação do bairro é dezembro de 2016. Estou sempre cobrando serviços dos órgãos públicos, mas o que eles fazem aqui é paliativo. A verdade é que não há verba para refazer ruas inteiras, como é preciso — lamenta Angela, que ainda não tem opinião formada a respeito do PPP das Vargens, por saber pouco sobre o projeto.

Questionada, a Cedae respondeu que "todos os moradores formais de Vargem Grande e Vargem Pequena recebem água” e que novos adutora, reservatório e troncos distribuidores estão em construção. Sobre esgoto, o órgão garante que a rede da região é direcionada para as estações de tratamento existentes nos dois bairros.

Para Appelt, os problemas resultam da falta de planejamento a longo prazo e de obras malfeitas. Ele cita os gastos com saneamento realizados no primeiro mandato do prefeito Cesar Maia.

— O bairro foi todo rasgado para a passagem de dutos de esgoto, elevatória etc. Mas, no final, ficamos sem ligações a essa rede, porque as obras não foram aceitas pela Cedae. Em consequência, vemos hoje o esgoto sendo despejado em valas e rios. É só observar a proliferação de gigogas no Rio Morto. Em relação à água, vários locais passam semanas sem uma única gota no verão; a rede é antiga e foi subdimensionada.

Vilhena também se lembra de projetos anteriores malfadados para apontar as falhas no saneamento da região. Para piorar, a formalização dos serviços básicos esbarra no fato de diversos loteamentos das Vargens serem irregulares:

— A Estrada do Morgado, por exemplo, simboliza a falta de desenvolvimento urbano. Ela não está no cadastro da prefeitura. Os moradores pagam imposto rural ao Incra. Isso quer dizer que a posse do terreno é regular, mas a casa, não, o que emperra a execução de serviços de água e esgoto.

Para Angela, a ideia de implantarem transporte aquaviário não inspira confiança entre os moradores, que convivem há anos com canais assoreados, sem solução.

Outra evidência nas vias de Vargens é a presença de lixo nas ruas. Sobre isso, porém, Angela afirma que não pode culpar a Comlurb, e lamenta a falta de conscientização da população.

— Muitos moradores não jogam lixo nas caçambas, como deveriam.

Por outro lado, Vilhena entende que o serviço da Comlurb poderia ser melhor, com a implantação da coleta seletiva.

— No geral, a coleta é eficiente, mas poderia ser melhor. Ainda usam o sistema medieval de separar o lixo no depósito, o que retarda e aumenta o custo do processo. Também deveriam multar quem joga lixo na beira dos rios.

Reformulação das linhas de ônibus recebeu sugestões de moradores - Fabio Rossi / Agência O Globo

A mobilidade, ao menos, recebeu um alento no mês passado. Depois de a prefeitura anunciar o novo sistema de ônibus e receber diversas reclamações, uma reunião foi marcada nas Vargens, com a presença do secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani. Angela diz que várias reivindicações foram atendidas:

— Eles prometeram aumentar as rotas do 613 (Del Castilho-Riocentro), que passará a ir até a Estrada do Pontal; e do 810A (Taquara-Curicica), alimentador que vira linha e também terá ponto final no Pontal. Outro alimentador, o 809 (Pontal-Curicica), foi criado; o 316 e o 361 (ambos Recreio-Centro, via Linha Amarela) iam acabar mas continuaram; e a estação de BRT Praça do Bandolim ganhará serviço expresso.