segunda-feira, 24 de julho de 2017

Levantamento mapeia as 15 ruas com mais roubos a motoristas no Rio

24/07/2017 - O Globo

A via recordista é a Avenida Pastor Martin Luther King Junior. Confira o ranking
   
POR RAFAEL SOARES 

Avenida Brasil ficou em segundo lugar no ranking de ruas com mais roubos - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Perigo na via: apenas 15 ruas concentram quase um terço de todos os roubos a motoristas do Rio. Foram analisadas mais de 1,8 mil ocorrências do crime “roubo no interior de veículo”, registradas em todas as 42 delegacias distritais da cidade, para descobrir quais os locais e horários o motorista deve evitar ao se deslocar pelo Rio.

A via recordista em ocorrências do tipo é a Avenida Pastor Martin Luther King Junior — batizada em homenagem a um pacifista —, que registrou 157 roubos a motoristas nos seis primeiros meses do ano, média de quase um caso por dia. Um trecho de apenas 3km, dos 25km da via, entretanto, concentra quase 30% das ocorrências: o que liga a Linha Amarela, na altura de Del Castilho, ao Engenho da Rainha. O horário com mais casos de roubos é o fim da madrugada. Ao todo, 42 das 157 ocorrências aconteceram das 4h às 6h.

Para a moradora de Inhaúma Renata Aguiar, os dados refletem uma realidade que ela enfrenta e é vítima. Há 15 dias, foi assaltada, segundo conta, quando voltava para casa por usuários de crack. Os carros passam por ali em alta velocidade para fugir do perigo eminente.

— Todo fim de semana, por volta das 9h, os carros têm que voltar na contramão na altura da entrada da favela da Galinha (próximo à garagem da empresa de ônibus Braso Lisboa e a cerca de 1, 5km da 44ª DP por causa de arrastão. Uber, à noite, diz que não traz até aqui, pois é perigoso — diz a técnica em enfermagem.

A região, próxima ao shopping Nova América e à 44ª DP (Inhaúma), é umas das preferidas de criminosos para arrastões no trânsito. Os crimes também acontecem na Linha Amarela, quarta colocada no ranking das ruas com mais roubos a motoristas, com 34 ocorrências. O trecho da via expressa com maior casos de crimes do tipo — cerca de um terço do total de registros — foi justamente a saída 5, na altura de Del Castilho, que liga a Linha Amarela à Pastor Martin Luther King Jr.

A Avenida Brasil, com quase 60km de extensão, ficou no segundo lugar do ranking, com 103 ocorrências. As outras duas vias que completam a lista das cinco mais perigosas, entretanto, são bem menos longas. A Av. Ministro Edgard Romero, com 2km, em Madureira, registrou 41 casos. Já a Avenida Francisco Bicalho concentrou 31 casos em pouco mais de 1km de extensão.

Das 15 ruas mais perigosas para motoristas na cidade, 13 se localizam na Zona Norte ou têm parte de sua extensão na região. Somente duas ficam no Centro.

RUAS DO MEDO

Roubos a pedestres - Neste domingo, o levantamento revelou que 50 ruas concentram um quarto de todos os roubos contra pedestres na cidade. No topo do ranking das vias mais perigosas do Rio está a Avenida Brasil, com 683 registros — uma média de quase quatro roubos por dia. Empatadas, na segunda colocação, as avenidas Presidente Vargas, no Centro; e Pastor Martin Luther King Júnior, que corta a Zona Norte, tiveram 307, cada.

Presos - A Operação Centro Presente prendeu, em um ano, 130 pessoas acusadas de roubo e furto só na região da Central do Brasil. Os dados são do capitão Hugo Coque, que comanda a operação. No total, foram 2.500 pessoas detidas pela ação, sendo que 528 na Avenida Presidente Vargas — uma média de quase dois casos por dia. E, dos 412 mandados de prisão, a maior parte também foi realizada na via: 260.

Horários - Tanto nos casos de roubos a pedestres, quanto a motoristas, cerca de 40% das vítimas afirmaram, na delegacia, terem sido assaltadas à noite. O segundo período com mais casos, nas duas modalidades de crimes, é a madrugada. No caso dos pedestres, 22% dos casos aconteceram neste horário. Já nos casos com motoristas, foram 27%. O período da tarde é aquele com menos ocorrências nos dois casos

domingo, 23 de julho de 2017

Imóveis vazios do Rio precisam ter utilização

23/07/2017 - O Globo

Soluções existem, mas demandam vontade política e capacidade de gestão. Recuperar esses imóveis para uso ajudaria a revitalizar regiões que hoje estão degradadas
   
Não deixa de ser contraditório que o Rio tenha tanta gente sem moradia e, ao mesmo tempo, centenas de imóveis fechados, abandonados ou subaproveitados, muitos deles localizados em áreas com boa infraestrutura. Reportagem do GLOBO publicada no último domingo mostrou que, somente no Centro, há pelo menos 600 construções vazias, de um total de 4.400, segundo levantamento feito pela prefeitura numa região compreendida entre a Praça Quinze, o Outeiro da Glória, a Rua Frei Caneca e a Avenida Presidente Vargas. De acordo com a pesquisa, 85% desses imóveis são privados. Alguns estão em ruínas, como o sobrado na esquina da Rua do Riachuelo com Inválidos, um prédio do século XVIII tombado pelo Iphan, onde funciona um estacionamento. As poucas paredes que restaram de pé estão cercadas por andaimes.

Recuperar esses imóveis, dando-lhes destinação adequada, tem sido um desafio para sucessivas administrações. Mas especialistas apontam alternativas que poderiam ser seguidas pelo poder público. O arquiteto e urbanista Washington Fajardo defende a Utilização Compulsória desses imóveis — a que se refere como “o bom IPTU” —, instrumento previsto na Constituição federal, no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor do Município, mas que ainda precisa ser regulamentado. Por esse mecanismo, o IPTU aumenta progressivamente se o imóvel permanecer fechado e, depois de cinco anos, pode ser desapropriado e até leiloado pela prefeitura. “É um mecanismo bom para o mercado imobiliário, para a política habitacional e para o patrimônio cultural. Não é um mecanismo fiscal, mas urbanístico, e também produz receita por causa da cobrança”, afirma Fajardo.

Já o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, sugere a concessão de descontos ou até a isenção de IPTU, por um determinado período, para estimular proprietários a recuperarem os imóveis, muitos severamente degradados.

Convém lembrar que já houve iniciativas bem-sucedidas nessa área. Uma delas foi o Programa de Apoio à Conservação do Patrimônio Cultural (Pró-Apac), da prefeitura, que destinou recursos para restauração de imóveis particulares tombados ou preservados. Outra experiência que não foi adiante é a compra desses imóveis pelo poder público para a realização de projetos habitacionais.

Ou seja, soluções existem, mas demandam vontade política e capacidade de gestão para serem implementadas. E não se trata apenas de uma questão estética. Reformar esses imóveis e dar-lhes uso são medidas importantes para revitalizar determinadas áreas, como a recém-urbanizada Orla Conde, na Zona Portuária, onde vários prédios estão desocupados. Poderiam estar movimentando a economia do mais novo ponto turístico da cidade.

Talvez um primeiro passo seja a recuperação de imóveis que pertencem ao município, ao estado e à União. Podem não ser muitos. Mas já seria um começo. E serviria de exemplo para os demais.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Grajaú-Jacarepaguá teve casos de violência em 14 dias de junho, segundo relatos

19/07/2017 - O Globo

Rotina de assaltos e tiroteios tem assustado motoristas e moradores da região


Território de medo. A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que tem trechos cercados por favelas e outros, por área de mata: riscos de arrastões e tiroteios
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Território de medo. A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que tem trechos cercados por favelas e outros, por área de mata: riscos de arrastões e tiroteios - Custódio Coimbra / Agência O Globo
   
POR ELENILCE BOTTARI 

RIO - Já se foi o tempo em que a professora universitária Inês Meneses se sentia aliviada quando, a caminho de casa, chegava à Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. O frescor da região, cercada pela Mata Atlântica do Parque Nacional da Tijuca, era indicativo de que, depois dali, estaria logo com a família. Mas essa sensação não existe mais. Hoje, atravessar os nove quilômetros de extensão da Avenida Menezes Cortes é, não só para Inês, um momento de muita tensão.

E não é para menos: só em junho, usuários alertaram em redes sociais a ocorrência de tiroteios e arrastões em pelo menos 14 dos 30 dias do mês, numa média de um caso a cada dois dias. A rotina de violência transformou a bucólica estrada na serra - inaugurada em 1950 para aproximar a região de Jacarepaguá do Centro - em mais uma via expressa do medo.

Só na última semana, quatro casos obrigaram a CET-Rio a interditar as pistas por dois dias consecutivos, devido ao risco de balas perdidas. Na quinta-feira passada, bandidos roubaram um caminhão com carga. No dia seguinte, houve um arrastão na via, no mesmo horário em que um policial militar foi morto num assalto no Grajaú.

Entre as principais causas para a mudança de perfil da autoestrada, estão o crescimento desordenado do Complexo do Lins - que fez com que brotassem inúmeros acessos nas margens da via, que facilitam a fuga das quadrilhas - e o alto índice de acidentes que param o trânsito, tornando os motoristas presas fáceis para assaltantes.

- Há 25 anos uso a Grajaú-Jacarepaguá, e, recentemente, a situação piorou muito. Agora em junho presenciei um arrastão. Tinha um carro atravessado na pista. Na hora, enviei uma mensagem para o meu irmão, que costuma passar por ali, alertando para o risco. Aliás, sempre que vou pegar o ônibus, verifico antes os alertas nas redes sociais - contou Inês, que também já foi obrigada a se jogar no piso do ônibus em que viajava durante um tiroteio.

Embora ocorram casos de violência em toda a extensão da via, alguns pontos são considerados mais perigosos por quem passa por lá. Do quilômetro 1 ao 3, trecho onde ficam os morros do Encontro, da Cachoeira Grande, da Cachoeirinha, do Gambá e da Cotia, os tiroteios são mais frequentes e há também registros de ataques a motoristas. Já chegando a Jacarepaguá, na altura do quilômetro 6, trecho cercado de mata e com menos policiamento, são muitos os arrastões.

- Aqui, perto do Hospital Federal Cardoso Fontes, tem um problema sério. As quadrilhas ficam escondidas perto da lixeira, esperando o trânsito ficar mais lento para atacar. Eles descem com fuzis e saem fazendo a limpa em carros e ônibus. Quando tem acidente, então, eles descem logo. E muitos carros tentam fugir na contramão, deixando o trânsito ainda mais caótico - contou uma servidora da unidade de saúde.

Dados do aplicativo de trânsito Waze, analisados pelo Centro de Operações Rio (COR), revelam que engarrafamentos na via podem chegar a atingir seis quilômetros de extensão. Isso representa dois terços da autoestrada, que tem, em média, um fluxo diário de 50 mil veículos em seus dois sentidos. Para o chefe executivo do COR, Marcos Landeira, a fluidez do trânsito tem ligação direta de causa e efeito com a segurança.

- Nossa preocupação ali é manter um fluxo de trânsito que garanta a segurança. Quanto mais engarrafada a via, maior a chance de arrastões e outros crimes - explicou Landeira.

Segundo ele, o alto número de acidentes também preocupa:

- Nosso conselho é que os motoristas procurem respeitar as normas de trânsito, para evitar os acidentes e permitir um fluxo razoável de veículos. Nós trabalhamos junto com a Polícia Militar para tentar desobstruir as pistas o mais rápido possível. Quando tem confrontos, a PM nos alerta e fazemos a interdição parcial ou total das pistas para evitar riscos - afirmou Landeira, acrescentando que em 2017 houve seis interdições por conta de confrontos.

Com nove quilômetros de extensão, a autoestrada está sob a jurisdição de três batalhões da PM e de quatro delegacias. A PM informou que sempre responde prontamente às ações criminosas no local, mas que "o grande trecho margeado por comunidades possibilita a ação desses criminosos que visam interromper o fluxo e cometer assaltos".

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Downtown celebra 20 anos com reforma, expansão e passarela para o metrô

16/07/2017 - O Globo

Espaço no subsolo vai abrigar lojas-âncoras até o fim do próximo ano
   
POR CAROLINA CALLEGARI 

Lojas dos blocos 4, 5 e 6 vão abrigar restaurantes, transformando o espaço num polo - Analice Paron / Agência O Globo

RIO — O Downtown completa 20 anos de funcionamento só no próximo ano. Porém, os preparativos para as comemorações estão em andamento, e a pleno vapor. A promessa é de dar cara nova ao condomínio sem perder a personalidade. Os planos incluem modernização dos 23 blocos, inauguração de uma área subterrânea com cinco lojas-âncoras e de uma passarela ligando o empreendimento diretamente à estação Jardim Oceânico do metrô.


Juliana (de blusa branca), sócia do Sound Club, com integrantes das bandas Drenna, Kapitu e Folks
Artistas da cena alternativa ganham os palcos na Barra e no Recreio

Dois anos depois do food truck, The Burger Experience tem a primeira loja, no shopping Downtown
Hamburguerias carioca e americana apostam em lojas e receitas originais
O projeto inclui, ainda, a criação de um polo gastronômico. Até 12 restaurantes de cozinhas variadas vão ocupar as lojas voltadas para o corredor entre os blocos 4, 5 e 6.

O condomínio tem mais de 200 mil metros quadrados de área construída, e ganhará mais de cinco mil metros quadrados de área locada com o projeto do arquiteto Eduardo Mondolfo. O novo espaço foi projetado especialmente para receber cinco lojas-âncoras, numa tentativa de atrair o público também aos fins de semana e diversificar a gama de ofertas, diz o executivo e fundador da CG Malls, Claudio Guaranys, responsável pela administração do empreendimento.

— A expansão vai mudar o funcionamento. Hoje, recebemos 35 mil pessoas por dia, de segunda a sexta, sendo boa parte funcionários dos espaços abertos no condomínio. As lojas-âncoras vêm para movimentar. Fizemos uma pesquisa sobre os pedidos dos clientes e chegamos aos segmentos de vestuário, eletrônico, livraria. A vinda das Lojas Americanas, primeira confirmada, está em fase final de acordo — conta Guaranys.

Entre os requisitos para a expansão estão não descaracterizar o empreendimento e não isolar o público do ambiente externo, mesmo numa área subterrânea. O acesso para o novo andar, por escadas rolantes, será em meio a uma cobertura verde elevada, como uma rampa, com até oito metros de altura. O arquiteto Eduardo Mondolfo, que assina projetos de prédios conhecidos, como o do Shopping Leblon e o do Hotel Fasano, explica a nova área.

— O que se imaginou é que a cobertura fosse como um prosseguimento da alameda principal, como um jardim longo subindo. As laterais serão de vidro para dar a sensação de mergulhar nesse espaço, aproveitando a luz natural para o ambiente. Quem estiver no Downtown terá a sensação do jardim se levantando. E quem estiver na Avenida das Américas, a impressão de um marco arquitetônico — conta Mondolfo.

A conclusão do novo andar e o funcionamento das lojas- âncoras estão previstos para meados do segundo semestre de 2018. Enquanto isso, o público verá a reforma de 22 blocos. O de número 20 foi o piloto, onde é possível ver as modificações a serem replicadas. Os corredores estão mais iluminados com luz natural, o piso e a pintura internos estão mais claros e as escadas são de mármore com vidro nas laterias.

A reforma de cada bloco dura cerca de quatro meses. A capacidade é de fazer as obras em até três unidades simultaneamente — contando com o desafio de não prejudicar o funcionamento. No quesito segurança, o Downtown está instalando 670 câmeras, monitoradas por uma central. O investimento total das novidades é de R$ 75 milhões, incluindo cerca de R$ 2 milhões para a passarela que ligará o empreendimento até a estação do metrô.

— Queremos comemorar os 20 anos do Downtown dando uma cara mais moderna, elegante e sofisticada. As modificações que estamos fazendo é para mais conforto ao condômino e ao cliente. A passarela será iluminada, coberta e monitorada por câmeras. A prefeitura já aprovou a construção, e vamos arcar com os custos. Faltam documentos para o início da obra, a serem entregues no fim deste ano — adianta Guaranys.

domingo, 16 de julho de 2017

No Centro do Rio, 600 construções estão ociosas

16/07/17 - O Globo 

Selma Schmidt 

RIO — A passagem do VLT, um bonde moderno novinho em folha, pela esquina das ruas da Constituição e República do Líbano, contrasta e faz realçar na paisagem o esqueleto do imóvel onde funcionou, por mais de três décadas, o Rei das Válvulas, uma das maiores lojas de componentes eletrônicos e ferramentas do Brasil, que sofreu um incêndio em 2012. Há sinais de que houve uma tentativa de reerguer a estrutura, numa obra interrompida na primeira laje. E, pelas frestas das tábuas colocadas para inibir invasões, se vê muito lixo, além de tijolos estocados. O lugar, segundo vizinhos, estaria sendo usado como depósito. Virou mais uma entre as tantas construções fechadas, subaproveitadas e abandonadas na cidade. Num levantamento que ainda está sendo concluído, a prefeitura já identificou cerca de 600 delas, entre 4.400 prédios, casas e vilas existentes na área de negócios do Centro. Algumas são parte da história carioca. Outras, até tombadas pelo patrimônio.

No polígono estudado desde novembro do ano passado — que tem como alguns dos limites a Praça Quinze, o Outeiro da Glória, a Rua Frei Caneca e a Avenida Presidente Vargas, do Campo de Santana à Candelária —, mais de 85% das construções sem uso são privadas. Para dar um novo destino a elas, arquitetos e urbanistas apostam em soluções, como o IPTU progressivo em determinados trechos da cidade. Mas há também quem defenda a redução e até a isenção de impostos para estimular proprietários e empreendedores a reerguerem edificações, muitas vezes em ruínas.

Basta dar um passeio pela região para constatar o tamanho do problema. Largado à própria sorte, um pequeno prédio azul na Rua Riachuelo, entre os números 270 e 276, foi invadido há mais de uma década. O térreo virou depósito de carrocinhas de pipoca e, da fachada, às vezes despencam rebocos. Mais adiante, na esquina da Rua dos Inválidos, sobraram as ruínas da entrada do grande solar do século XVIII, pertencente ao Visconde de São Lourenço, e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. A área interna do casarão desabou no início dos anos 1990. Os vãos de portas e janelas foram cobertos grosseiramente com tijolos e cimento para cercar o estacionamento 24 horas, improvisado há 20 anos num terreno de mil metros quadrados. Para conter os pedaços que desgrudam do que restou do palacete, a estrutura foi envelopada por andaimes e telas.

— A dona do estacionamento é uma portuguesa que não permite que eu passe o contato. O que posso dizer é que ela não pretende arrumar a fachada. São muitas exigências, e é muito caro — conta o supervisor Reinaldo Mendes.

CONTRASTES NO BOULEVARD

Chegando à Rua do Mercado, incluída no corredor cultural do município, dois imóveis chamam atenção. Um deles, bem conservado — com térreo, dois andares e com varandinha —, abrigou o extinto Papa Tudo (títulos de capitalização administrados pela Interunion). Ele se estende pela Rua do Rosário e ainda pega um trecho da Mercadores.

— Esse prédio está fechado há nove anos — conta Emanuel Queiroz, zelador de um edifício na vizinhança.

Outro prédio da Rua do Mercado, esquina com a Ouvidor, também está fechado. Da única janela aberta se vê um tapume. É um sinal de reforma interna. A Irmandade da Santa Cruz dos Militares, dona do imóvel, diz que o edifício ficou fechado por dois anos, mas agora está alugado. Por e-mail, afirma que “em breve” no local “será exercida atividade gastronômica”. A irmandade informa ainda que possui 400 imóveis, dos quais 5% estão vagos.

Mais adiante, no badalado Boulevard Olímpico, em frente ao Armazém 2 e entre a Superintendência Regional do Ministério da Agricultura e uma unidade do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o mau estado de conservação de seis prédios, um ao lado do outro, com fachadas descascando e janelas quebradas, destoam no ambiente revitalizado. Em dois deles, placas indicam que os espaços podem ser alugados para eventos: o azul tem três mil metros quadrados, mil por pavimento; e o amarelo, que está sem teto, tem dois mil metros quadrados distribuídos por térreo, jirau e laje.

— Estamos nos preparando para alugar. Na época do viaduto, era tudo degradado. Ninguém queria — conta Alexandre Oliveira, gerente de negócios da Kreimer Engenharia, proprietária dos dois prédios, justificando o atual estado de conservação dos edifícios. — O IPTU é caro, e a turma vai fazendo aos pouquinhos.

UTILIZAÇÃO COMPULSÓRIA

O arquiteto e urbanista Washington Fajardo, que presidiu o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, lembra que a Constituição Federal, de 1988, estabeleceu que a propriedade privada no Brasil precisa ter uso. Já o Estatuto da Cidade, de 2001, criou mecanismos para que esse princípio seja aplicado, sendo um deles o da utilização compulsória. Com o Plano Diretor do município, de 2011, foram estabelecidas as áreas onde esse tipo de situação se encaixa.

— A utilização compulsória é um estímulo para se recuperar áreas e destravar imóveis. É um mecanismo bom para o mercado imobiliário, para a política habitacional e para o patrimônio cultural. Não é um mecanismo fiscal, mas urbanístico, e também produz receita por causa da cobrança — argumenta Fajardo. — Outra vantagem indireta é fazer com que a prefeitura passe a ter a documentação atualizada desses imóveis. Os ociosos são como pessoas sem documentos, que não têm certidão de nascimento, RG nem CPF. São imóveis indigentes, mortos-vivos.

O Estatuto da Cidade fixa as regras para essa cobrança. Após a notificação, o proprietário tem um ano para começar a dar uso ao imóvel. Se não cumprir a exigência, o IPTU vai aumentando progressivamente e, após cinco anos, se continuar fechado, pode ser desapropriado, sendo o pagamento feito em títulos da dívida municipal.

Mas, para aplicar a utilização compulsória, a prefeitura tem que aprovar uma lei regulamentando esse instrumento. E, por enquanto, a Secretaria municipal de Fazenda informa que projetos de lei, como o do IPTU progressivo, estão sendo estudados, “a fim de propor mudanças cabíveis e necessárias”.

Entre os defensores da medida, o arquiteto e urbanista Carlos Fernando de Andrade destaca que a desapropriação e o leilão, previstos no instrumento, poderiam evitar que prédios históricos herdados se transformassem em ruínas:

— O IPTU progressivo seria ainda interessante no caso de imóveis fechados para especulação, esperando valorização.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Jerônimo de Moraes, esse mecanismo é viável. Mas ele diz que deve ser analisado caso a caso:

— É obrigação do dono dar uso a seu imóvel. Além disso, prédios malconservados trazem prejuízos para a cidade. Só que a prefeitura deve cobrar um IPTU pesado de quem não quer recuperar e reduzir impostos de proprietários que pretendem reformar seus imóveis.

Presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolin bate na tecla de que a solução para recuperar construções privadas passa por incentivos:

— É preciso dar descontos e até isenções de impostos por um período, durante e após a obra, para que o mercado se interesse em realizar algumas delas.

O presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), Leonardo Schneider, concorda:

— Muitas famílias que recebem imóveis antigos de herança não têm condições de recuperá-los. E os empreendedores não se interessam em comprá-los.

Arquiteto e urbanista, Luiz Fernando Janot ressalta que aplicar o IPTU progressivo neste momento de crise é maldade:

— A economia está completamente travada, sem vigor.

PROJETO ESTADUAL PARADO

A arquiteta Andréa Redondo, responsável pelo blog Urbe CaRioca, destaca que, na atual situação econômica, o melhor seria os governos usarem os recursos gastos na construção de vários conjuntos do programa Minha Casa Minha Vida, inadequados do ponto de vista urbanístico, segundo ela, para comprar os imóveis ociosos e inseri-los em projetos habitacionais após reformas.

Na Superintendência de Patrimônio Imobiliário do município, constam registros de cerca de cinco mil imóveis da prefeitura, 8% sem ocupação. No primeiro quadrimestre deste ano, foram arrecadados R$ 101 milhões com os aluguéis desses bens.

Há seis anos, o estado anunciou um plano de recuperação de seus imóveis para transformá-los em conjuntos residenciais. O projeto parece não decolar. Na Avenida Modelo, primeira experiência de moradia popular, na Rua Regente Feijó, no Centro, por exemplo, a ação não foi além do escoramento da fachada que restou de um sobrado de 1888. Uma trepadeira reforça a estrutura do arco de entrada da vila de oito casas, em péssimo estado de conservação. Os moradores contam que ocupam o local há décadas, sem pagar aluguel. Os “gatos” garantem a água e a luz. A Secretaria estadual de Obras diz que não apareceram interessados na licitação para a restauração, e um novo edital será lançado.

O presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães, embora veja o IPTU progressivo como “bom instrumento”, prega a atuação efetiva da prefeitura em relação aos bens públicos, sobre os quais não incidem impostos:

— O mínimo que deveria fazer é dar destinação a seus imóveis. Deve ainda ter autoridade sobre os outros imóveis públicos. Os governos federal e estadual não podem ser latifundiários urbanos. A prefeitura tem que reivindicar um poder mais forte de atuação nesse sentido.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Novo shopping vai gerar 15 mil vagas de empregos em Niterói

11/07/2017 - O Dia 

Nas obras serão 6 mil chances diretas e indiretas, além de 9,5 mil ao ficar pronto

Rio - Os niteroienses ganharão mais um shopping, no Centro da cidade. O empreendimento será construído na Avenida Marquês do Paraná e a iniciativa pode gerar mais de 15 mil empregos em Niterói. Durante as obras, serão oferecidas seis mil vagas diretas e indiretas, além de 9,5 mil quando o centro comercial estiver pronto. 

O shopping deverá abrigar mais de 200 lojas. Só com o funcionamento do centro de compras 2,5 mil empregos diretos e mais de mil indiretos devem ser ofertados. Além disso, o empreendimento terá uma torre comercial, com escritórios e consultórios, que poderão contabilizar mais seis mil empregos diretos.

Bicliterário 

De acordo com o grupo de investidores responsável pelo shopping, ainda não existe data para o começo das obras. O espaço será uma opção para quem trabalha e mora na região, principalmente no Centro e Icaraí.

A expectativa é que o empreendimento tenha um público grande que irá a pé para o local. Quem anda de bicicleta também será contemplado.Por isso, dentro do shopping será instalado bicicletário para facilitar a locomoção até o centro comercial. 

A ideia do projeto é elaborar shopping mais luxuoso, seguindo o conceito do Fashion Mall, em São Conrado, no Rio. Para isso, o empreendimento abrigará avanços tecnológicos em todas as etapas da construção. Ainda há proposta específica para a sustentabilidade. O valor deve ficar cerca de R$ 18 milhões.

O shopping faz parte do projeto de revitalização local, já que neste semestre haverá a entrega do mergulhão da Praça Renascença e a obras de alargamento da Marquês do Paraná. A via passará a contar com cinco faixas no sentido Icaraí. Portanto, a construção do empreendimento deve começar depois da conclusão da reurbanização da região.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Demanda fraca por imóvel tira fôlego de PPP no Porto do Rio

10/07/2017 - Valor Econômico

O desaquecimento do mercado imobiliário carioca está asfixiando financeiramente a segunda maior parceria público-privada (PPP) do país. Com um valor estimado em contrato de R$ 8,3 bilhões, a reurbanização e a prestação de serviços públicos numa área de 5 milhões de metros quadrados na Região Portuária do Rio de Janeiro está prevista numa PPP firmada em 2010 entre a Prefeitura e a Concessionária Porto Novo.

Os recursos para custear a revitalização urbana e os serviços de manutenção, controle de tráfego e limpeza viriam do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FII-PM), abastecido com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e gerido pela Caixa Econômica Federal. O problema é que em 13 de maio de 2016 a Caixa comunicou à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp) - gestora da prefeitura dentro da PPP - a "iliquidez" do fundo. A falta de liquidez é recorrente: já havia ocorrido em 2014, tendo sido sanada via um aporte da Caixa.

Uma fonte que participou de uma das reuniões conta que representantes da Caixa têm conversado com "players" do mercado imobiliário para rever os rumos do Porto Maravilha. A reavaliação passa por estudos de viabilidade financeira para obras paralisadas e por pesquisas de mercado para determinar se há demanda pelos projetos ainda não iniciados. Por meio da assessoria de imprensa, a Caixa informou que o FII-PM "mantém agendas constantes com agentes de mercado, incorporadoras, proprietários de imóveis e/ou interessados na transformação e na ocupação da região."

O mais recente informe mensal do FII-PM mostra que, no fim de maio, o fundo possuía R$ 10,55 bilhões em ativos. Só que desse total, mais de 80% (R$ 8,61bilhões) são Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos emitidos pela Prefeitura para custear as obras. Os papéis foram todos adquiridos em 2011 pelo fundo de investimento. Na época, o FII-PM pagou R$ 3,5 bilhões pelos Cepacs (R$ 545 por título) e ficou encarregado de revendê-los a interessadas em construir na região. Cada papel equivale a um total de metros quadrados a ser construídos pelos empreendedores.

Desde então, os títulos mais que triplicaram de preço, chegando ao fim de 2015 cotados a R$ 1.706,03 apesar de a demanda ter despencado. Em 2015, não houve leilões dos títulos e apenas 38 papéis foram vendidos. No ano passado, também não foram comercializados Cepacs e, mesmo assim, os títulos valorizaram 7,10%. Procurada para explicar a alta no preço dos papéis mesmo diante da fraca demanda, a Caixa informou que o Cepac não é um título marcado a mercado, não havendo valor de face determinado. "O preço atual de venda do Cepac é uma função de fatores diversos, em especial, do produto objeto da vinculação, do prazo e condições de desenvolvimento, da região na qual se localiza o projeto e das condições de pagamento propostas", disse o banco.

As variações no preço do Cepac influem diretamente sobre o patrimônio líquido do fundo, que ao fim de maio era positivo em R$ 5,83 bilhões. Como administrador, a Caixa recebe por seus serviços o valor referente a 1% ao ano sobre o patrimônio líquido do FII-PM, conforme indica o regulamento do fundo. A cobrança da taxa de administração como percentual do patrimônio líquido funcionaria, portanto, como estímulo para a Caixa ajustar para cima o preço dos Cepacs, diz uma fonte familiarizada com a PPP. A Caixa afirma que, como os demais fundos de investimento imobiliário, o FII-PM possui regras estipuladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com critérios contábeis aplicáveis a seus ativos e passivos. "De forma a ter transparência e independência, o FII-PM realiza avaliação anual do valor dos seus ativos, tanto os ativos imobiliários em implantação, quanto os Cepacs, por meio de avaliador independente", afirmou a assessoria de imprensa da Caixa.

"Na tentativa de maximizar o investimento, a Caixa trocou Cepacs por cerca de R$ 1 bilhão participações em empreendimentos [do Porto Maravilha] em vez de vendê-los", explica a fonte. O informe mais recente, de maio, indica que o fundo tinha entre seus ativos R$ 985,6 milhões em "direitos reais sobre bens imóveis". Desse montante, quase três quartos (72,78%) se referem a direitos sobre imóveis em construção, seja para venda ou aluguel. "Eles [Caixa] fizeram gestão errada dos recursos", diz Antonio Carlos Mendes Barbosa, presidente da Cdurp.

A desaceleração no desenvolvimento dos projetos previstos para a área do Porto Maravilha é consequência direta não só do esfriamento do mercado imobiliário, mas das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado do Rio. "O projeto do Porto Maravilha foi dimensionado numa época de expectativa extremamente otimista", recorda Marina Cury, presidente no Brasil da consultoria global Newmark Grubb. Na época, estudos indicavam que o valor do aluguel por metro quadrado para imóveis de altíssimo padrão na região ficaria em torno de R$ 140, lembra a executiva. Hoje, o valor fechado para locação oscila entre R$ 90 e R$ 110 por metro quadrado.

A escassez de recursos deu início a uma queda de braço jurídica entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Concessionária Porto Novo que pode paralisar a parceria público-privada, a segunda maior entre as 101 já assinadas no país, de acordo com ranking da consultoria Radar PPP elaborado a partir dos valores estimados em contrato. "Existe esse risco [de paralisação]? Sim", admite o presidente Barbosa, da Cdurp. "Mas não acredito que vá acontecer". Pelo contrato assinado em 2010, a Concessionária Porto Novo - que tem como acionistas OAS, Odebrecht Infraestrutura e Carioca Engenharia - seria remunerada com recursos oriundos do FII-PM.

Sem receber repasses desde janeiro, por causa da falta de liquidez do FII-PM, a concessionária cobra na Justiça R$ 68,69 milhões da Cdurp. A companhia, por sua vez, afirma que a responsabilidade pelos pagamentos mensais à concessionária cabe, por contrato, à Caixa. Por e-mail, a assessoria de imprensa destacou que os pagamentos do FII-PM estão condicionados - entre outros fatores - "à disponibilidade de terrenos em situação que possibilite seu desenvolvimento imobiliário e sejam capazes de consumir grande parte do estoque [de Cepacs] ofertado". Até abril de 2016, quando ocorreu a última movimentação, apenas 8,74% dos Cepacs haviam sido vinculados a projetos imobiliários.

Atualmente em torno de R$ 90 milhões, a dívida com a Porto Novo levou à paralisação dos serviços executados pela concessionária, assumidos temporariamente pela Prefeitura. "Se uma concessionária de PPP enfrenta dificuldades para cumprir suas obrigações e prestar os serviços contratados, o poder concedente pode, cumpridas todas as formalidades legais e tentativas de solução menos litigiosas, iniciar um processo administrativo tendo em vista a extinção do contrato de PPP", diz Bruno Pereira, sócio da Radar PPP.


Projeto de construção de shopping no Centro do Rio trava

10/07/2017 - Veja

Supervia enviou a papelada à Procuradoria-geral do estado há cerca de 90 dias

Por Gabriel Mascarenhas

Central do Brasil, Rio de Janeiro-RJ
Central do Brasil, Rio de Janeiro-RJ
Local onde será erguido o shpping

O comando da Supervia, concessionária de trens do Rio, não quem nem ouvir falar nos responsáveis pela Procuradoria-geral da estado.

A empresa enviou ao braço jurídico de Luiz Fernando Pezão um contrato de concessão para a construção de um shopping sobre a estação Central, no Centro da cidade, há aproximadamente três meses, mas ainda não obteve o “ok” para iniciar as obras.

A Supervia, dragada pela Lava-Jato após a delação da Odebrecht, bate o pé que já tem todas as licenças para tocar o projeto, cujos investimento devem bater os 300 milhões de reais.

Talvez, a concessionário, agora sob nova direção, esteja apenas pagado o preço pelas sujeiras de seu passado.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Petrobras vai concluir construção do Comperj em parceria com chinesa

04/07/2017 - O Globo

Envolvida na Lava-Jato, obra de unidade em Itaboraí está parada desde 2014
   
POR RAMONA ORDOÑEZ 

Obras do Comperj - Fábio Rossi / Arquivo O Globo

RIO - A Petrobras vai concluir a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, no Estado do Rio, em parceria com a gigante chinesa CNPC, revelou ao GLOBO um executivo próximo às negociações. A parceria entre a Petrobras e a chinesa foi anunciada pela estatal na manhã desta terça-feira, mas o comunicado afirma apenas que foi assinado um memorando de entendimentos para iniciar negociações para a realização de uma parceria estratégica.

O Comperj foi uma das obras envolvidas no caso de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato e teve suas obras paradas desde 2014. Já foram gastos no projeto US$ 13 bilhões e nada foi construído até o momento. Segundo uma fonte, a expectativa é que a construção da refinaria no Comperj exija investimentos entre US$ 3,5 bilhões a US$ 4 bilhões.

A construção da refinaria do Comperj não consta do Plano de Negócios da Petrobras 2017/21, para a qual a estatal buscava um parceiro. O único projeto do Comper j neste momento da Petrobras é a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural UUPGN), destinada a receber e processar o gás natural que será produzido no pré-sal, que será feita com investimentos próprios da Petrobras da ordem de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões.

O memorando de entendimentos para a parceria entre as duas empresas foi assinado nesta terça-feira pelo presidente da Petrobras, Sr. Pedro Parente, e o vice-presidente da CNPC e presidente da PetroChina, Wang Dongjin, em Beijing, capital da China.

Segundo uma fonte próxima à estatal a CNPC manifestou maior interesse em fazer parcerias com a Petrobras na área de exploração e produção de petróleo, e aceitou participar da conclusão do Comperj com uma participação que será minoritária. Esse é o primeiro passo da Petrobras rumo a parcerias na área de refino. A parceria com a CNPC vinha sendo negociada há cerca de seis meses pela Petrobras.

No comunicado ao mercado, a Petrobras explica que o Memorando de Entendimento visa a iniciar negociações referentes a uma parceria estratégica:

“A partir desse Memorando de Entendimento, as empresas se comprometem a avaliar, conjuntamente, oportunidades no Brasil e no exterior em áreas-chaves de interesse mútuo, beneficiando-se de suas capacidades e experiências em todos os segmentos da cadeia de óleo e gás, incluindo potencial estruturação de financiamento.”

A Petrobras afirma que essa parceria “é uma estratégia importante do Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. As parcerias estratégicas têm como benefícios potenciais o compartilhamento de riscos, o aumento da capacidade de investimentos na cadeia de óleo e gás, o intercâmbio tecnológico e o fortalecimento da governança corporativa.”

Desde 2013, a Petrobras e a CNPC são parceiras na área de Libra, primeiro contrato pelo regime de partilha de produção, localizada no pré-sal da Bacia de Santos. Sobre a Petrobras.

A CNPC é a maior corporação integrada de Óleo e Gás (O&G) da China, com atividades nos setores de upstream, midstream, downstream, marketing e comercialização, prestação de serviços petrolíferos, engenharia, construção e fabricação de equipamentos. A CNPC tem presença em mais de 70 países.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/petrobras-vai-concluir-construcao-do-comperj-em-parceria-com-chinesa-21551577#ixzz4ltdXZEVc 
stest 

domingo, 25 de junho de 2017

Chegada do metrô na Barra expõe o problema da falta de vagas

24/062017 - Veja

Aumento no fluxo de carros e escassez de estacionamento causa transtornos a moradores e comerciantes após abertura da estação no Jardim Oceânico

Por Luna Vale

Por três décadas, os moradores da Barra aguardaram ansiosos a chegada do metrô. A criação de uma linha conectada ao bairro, durante muito tempo, foi apontada como solução para os problemas de mobilidade na região. De fato, quem se desloca por ali já percebeu uma melhora considerável no tempo gasto no trânsito. O problema agora é outro. Para usarem a estação, perto do Elevado do Joá, muitos passageiros chegam de carro de pontos mais distantes da Zona Oeste e passaram a disputar as poucas vagas de estacionamento disponíveis no Jardim Oceânico. 

Bem cedo já está tudo lotado. Um considerável aumento no fluxo de veículos nas ruas internas e até pequenos engarrafamentos são outros transtornos mais recentes. Presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Oceânico e Tijucamar (Amar), Luiz Igrejas foi se queixar à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) e ao secretário de Transportes, Fernando Mac Dowell. Ele também entrou com um pedido de regulamentação das vagas, mas até agora nada foi feito. “Briguei tanto para o metrô chegar aqui e me arrependo disso, porque provocou essa bagunça. Se o poder público não ajuda, a gente pede que pelo menos não atrapalhe”, reclama.

(Reprodução/Veja Rio)

As alterações na rotina da área também estão atingindo diretamente os comerciantes locais. Se antes os clientes estacionavam em frente às lojas, muitos não têm mais onde parar. As vagas que eram utilizadas, em geral por curtos períodos, pelos frequentadores das galerias agora passam grande parte do dia ocupadas por quem deixa o carro por lá até a volta do trabalho. 

As consequências dessa mudança de comportamento já são sentidas por alguns lojistas, que viram o faturamento cair. “Meus clientes se queixam de que não têm onde estacionar e de que tiveram de dar três ou quatro voltas até encontrar uma vaga”, explica Riva Mandel, dona de uma loja de conserto de roupas no Shopping Armando Lombardi, a menos de 300 metros da estação. Procurada pela reportagem de VEJA RIO, a CET-Rio informou que estuda a possibilidade de implantação do sistema rotativo em algumas vias internas do bairro, apesar de já existirem cerca de 800 vagas públicas em um raio de 200 metros da estação. 

Outra reclamação comum de quem frequenta aquela parte do bairro diz respeito ao aumento da violência, especialmente de pequenos delitos. “A suspeita das autoridades é que a chegada do metrô tenha atraído mais criminosos devido ao crescimento da circulação por ruas menores e mais pacatas”, explica o delegado Marcus Neves, o novo titular da 16ª DP. Dados do Instituto de Segurança Pública sobre a área (Itanhangá, Barra da Tijuca e Joá) indicam um aumento de 129% nos casos de roubo de celular entre os meses de janeiro e abril, em comparação com o mesmo período de 2016.

Melhora de vida: Romario Melo passou a levar metade do tempo para chegar ao trabalho (Felipe Fitipaldi/Veja Rio)

Quem madruga para buscar uma vaga, no entanto, garante que o esforço vale a pena. Acostumado a gastar até duas horas por dia para chegar ao escritório, o gerente de produto Romario Melo passou a economizar tempo e dinheiro ao trocar o ônibus executivo pelo metrô. 

Diariamente, ele deixa sua casa, no Recreio, em direção a Ipanema. Todo o percurso agora leva quarenta minutos. “Tento vir antes das 9 horas, porque é mais fácil encontrar onde parar. Depois desse horário a situação fica bem mais complicada. Mesmo assim, se fosse de carro direto, gastaria mais tempo no trânsito e mais dinheiro com estacionamento e combustível”, comenta.

De olho nessa demanda, há um projeto em curso para a criação de um estacionamento privado subterrâneo na Praça do Ó. O grupo Autoparker também está levantando um estacionamento vertical com espaço para 85 carros, a cerca de 100 metros da estação, que abre as portas no fim do mês. A empresa já tem mais de 400 interessados, dispostos a pagar diária de 25 reais ou mensalidade entre 650 e 900 reais. 

“A chegada do metrô abriu novas oportunidades de negócio na região. No pior cenário, estimamos um retorno do investimento em até três anos”, projeta o empresário Andres Romero, um dos sócios do empreendimento.

Oportunidade: um novo estacionamento vai oferecer mais 85 vagas (Felipe Fitipaldi/Veja Rio)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Após fim dos Jogos Olímpicos no Rio, Vila dos Atletas não decolou

17/06/2017 - O Globo

Só 204 dos 3.604 imóveis de condomínio ocupado durante a Rio 2016 foram vendidos
   
POR RENAN RODRIGUES

O condomínio onde foi instalada a Vila dos Atletas durante a Olimpíada, na Barra: vendas serão feitas em etapas, diz administradora - Antonio Scorza / Agência O Globo

RIO - Após o sucesso de público durante a Olimpíada, o comerciante José Felipe de Araújo, que administra o bar do Bin Laden, instalado próximo ao condomínio Ilha Pura, erguido para sediar a Vila dos Atletas durante o torneio, sonha com o dia em que os novos moradores chegarão à região. Os bons ventos, porém, ainda vão demorar a soprar. Um dos legados olímpicos, o Ilha Pura, na Barra, permanece fechado. Dos 3.604 apartamentos, apenas 600 foram colocados à venda. Desses, apenas 240 foram comprados, ou seja, 40% das unidades anunciadas. Quase um ano após o fim da competição, a empresa homônima ao condomínio, formada pela CarvalhoHosken e Odebrecht Realizações Imobiliárias, não possui um calendário para a venda dos demais três mil imóveis.

Sem prazos concretos, o condomínio é um mistério no mercado imobiliário. Representantes do setor não sabem estimar o tempo necessário para que as vendas emplaquem. Na opinião do presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, dois fatores justificam o número inexpressivo de vendas. A crise econômica é uma das vilãs, mas uma particularidade do condomínio, que teve que ser erguido de uma vez só para atender aos atletas, pode ter atrapalhado as negociações. O padrão do mercado, diz Hermolin, é que empreendimentos de grande porte sejam construídos e vendidos em fases distintas para evitar uma enxurrada de imóveis com as mesmas características no mercado.

— Você tem, infelizmente, a conjugação de dois fatores: havia a necessidade de entregar todas as unidades ao mesmo tempo, uma particularidade que impede a entrega em fases; e a crise (econômica). Cada um desses eventos isoladamente já seria motivo suficiente para ter estoque — avalia.

Hermolin diz não ser possível estimar o tempo necessário para que as unidades remanescentes sejam comercializadas.

— A gente acredita que esse estoque será absorvido pelo mercado porque a Barra é vetor de crescimento da cidade, mas não sabemos o tempo.

A empresa Ilha Pura, que administra o condomínio, minimiza o quadro. Em nota, afirmou que “o volume comercializado certamente foi afetado pelo momento econômico do país”. A Ilha Pura diz ainda o que o planejamento era que a venda fosse realizada a longo prazo, de forma “coerente com o elevado número de unidades e com a capacidade de absorção do mercado imobiliário local”.

Presidente da Ilha Pura, Cláudio Zafiro diz que não está assustado com a demora:

— O projeto sempre foi muito a longo prazo. Esse tempo que a gente está tendo com o mercado (para a venda dos apartamentos) não assusta. O empreendimento já nasceu com essa curva de vendas a longo prazo. Seria (um elefante branco) se tivéssemos previsto vendas rápidas.

MORADOR, SÓ EM DEZEMBRO

Segundo a própria Ilha Pura, está prevista a abertura de uma nova etapa de vendas no segundo semestre, mas a empresa afirma que “os detalhes da estratégia de comercialização das próximas fases estão em definição”. Enquanto isso, a cerca de 800 metros do empreendimento, Araújo lamenta a queda no movimento de seu bar após a Olimpíada:

— Fico triste vendo aquela cidade (a Ilha Pura) vazia. Se tivesse morador, seria ótimo pra gente. Fico pedindo a Deus para que ele volte a funcionar.

Os moradores dos 240 imóveis vendidos — os valores de apartamentos no condomínio variam entre R$ 750 mil e R$ 3 milhões — ainda devem demorar. O retrofit iniciado em janeiro, depois da utilização do empreendimento pelos atletas olímpicos e paralímpicos, deveria ficar pronto em setembro. Mas os proprietários só poderão fazer a mudança a partir de dezembro deste ano. Em nota, a Ilha Pura diz que não há atraso, pois o contrato previa um prazo de carência.

https://oglobo.globo.com/rio/apos-fim-dos-jogos-olimpicos-no-rio-vila-dos-atletas-nao-decolou-21487148




Empresários ainda apostam no Porto

18/06/2017 - O Globo

Selma Schmidt

Desde julho de 2014, as sete torres que abrigariam a Vila de Mídia da Olimpíada e se tornariam o primeiro empreendimento residencial do Porto Maravilha estão com obras paradas. Não há previsão de quando serão retomadas. A informação do grupo Odebrecht, OAS e Carioca é que o projeto passa por uma revisão.

O Lumina, outro projeto residencial para a região, elaborado pela Tishman Speyer, está em fase de aprovação pela prefeitura. Serão duas torres, mas o número exato de apartamentos e o prazo para início das obras seguem indefinidos. Mesmo assim, Ana Carmen Alvarenga, diretora da empresa no Rio, manifesta otimismo:

- Independentemente do momento econômico do país, a Tishman Speyer mantém uma visão de longo prazo, adotada em seus mais de 20 anos de atuação no mercado brasileiro.

Uma faixa em frente a um galpão na esquina da Avenida Professor Pereira Reis com a Rua Equador informa que ali será erguido o Residencial Dockland. No entanto, Marcelo Conde, da empresa STX, aguarda um entendimento entre a Caixa Econômica Federal e a prefeitura "para fechar a operação e lançar o empreendimento até o início do ano que vem".

- É preciso buscar uma solução negociada - defende ele.

Para o presidente regional da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, a solução passa pela revisão do preço das Cepacs da região e pela quantidade de certificados exigida pela prefeitura:

- Torcemos para que tudo dê certo.

Diferentemente dos prédios residenciais que não decolaram, dez grandes empreendimentos comerciais foram construídos ou estão em fase final, embora com pouca ocupação. E o Hotel Ibis, inaugurado em outubro de 2016, acabou fechando temporariamente por falta de demanda. Segundo o grupo Accor, os hóspedes estão sendo direcionados para o vizinho Novotel. No mesmo complexo, duas torres do Porto Atlântico estão com poucas salas ocupadas.

- Tem proprietário dando carência de aluguel de dez meses, para receber o condomínio e o IPTU - conta o administrador Fábio Merodio.

O Porto Atlântico alega que "a vacância é alta no Rio, com alta concentração no Porto Maravilha, dado o grande número de empreendimentos recentemente entregues".

O presidente da Cdurp, Antonio Carlos Mendes Barbosa, diz que, além de novas habitações, negocia a abertura de três museus, um supermercado e um hospital. Um projeto de instalação de 26 quiosques está sendo revisado depois de críticas contra o número, considerado alto.

domingo, 18 de junho de 2017

Sem repasses desde janeiro, concessionária suspende obras na Zona Portuária

18/06/2017 - O Globo

Na região, sobram buracos nas ruas, calçadas sem manutenção e obras inacabadas


No Santo Cristo, imóveis malconservados têm como vizinhos prédios novos que estão com baixa ocupação
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
No Santo Cristo, imóveis malconservados têm como vizinhos prédios novos que estão com baixa ocupação - Márcia Foletto / Agência O Globo
   
POR SELMA SCHMIDT 

RIO — Buracos nas ruas, calçadas sem manutenção, obras inacabadas. Depois de protagonizar uma das mais importantes transformações urbanísticas da cidade, o Porto, que ganhou a alcunha de Maravilha e passou a disputar com a orla da Zona Sul a atenção dos turistas, vive dias de incertezas. Todas as mudanças que deram novo colorido a uma das regiões mais antigas do Rio estão ameaçadas pela crise econômica. Desde o início, em 2011, a “plástica” que devolveu a cariocas e turistas a visão da Baía de Guanabara em pleno Centro — além de gerar atividades de lazer e cultura — já consumiu R$ 5 bilhões. Parte do dinheiro brotou como mágica de uma ideia que parecia inovadora: empresas comprariam da Caixa Econômica certificados para construir na área, e o banco, por sua vez, reverteria parte dos recursos para revitalizar cinco milhões de metros quadrados nos bairros do Santo Cristo, da Gamboa e da Saúde. Mas, desde janeiro, a fonte secou.

Empreendimentos imobiliários do Porto seguem com salas e lojas vazias

Como os ventos econômicos mudaram de direção, caiu consideravelmente a venda desses papéis milagrosos, que têm nome pomposo: Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). O problema é que, para manter todas as “maravilhas”, a concessionária Porto Novo — que firmou com a prefeitura uma parceria público-privada (PPP) para fazer obras, a manutenção e a operação da Zona Portuária — vai precisar de mais R$ 5 bilhões nos próximos oito anos e meio. Quem acreditou no projeto já vê sinais de que as coisas não são mais como antes.

— Perguntei a um engenheiro da concessionária quando iriam concluir o Largo José Francisco Fraga, no Santo Cristo, e ele me disse que não sabia, porque o dinheiro acabou — conta Denísio Santos, que há 15 anos é dono de um bar na esquina da Rua Equador, bem perto da garagem do VLT.

A REALIDADE DA ZONA PORTUÁRIA

O largo está abandonado: a calçada e o pavimento não foram concluídos. Em vez de área de convivência, só lhe restou ser usado, precariamente, como estacionamento. Improvisos que vão comprometendo as belezas. Afinal, com os tais certificados, seriam pagas as despesas com obras e a manutenção de áreas verdes e praças, de iluminação, de sinalização de trânsito e até mesmo de limpeza. As calçadas também dependem desses recursos. Intervenções grandes, como a revitalização da Avenida Francisco Bicalho, estão adiadas até segunda ordem.

Desde o dia 10 de janeiro, a Porto Novo, formada pelas construtoras Odebrecht, OAS e Carioca, está sem receber e tem se limitado a realizar serviços de manutenção e operação. O fundo da Caixa Econômica que adquiriu, em leilão, todos os Cepacs emitidos pelo município para revendê-los a interessados em construir acima da metragem quadrada de seus terrenos, se declarou sem liquidez, devido à falta de compradores. Com isso, o fundo não leva adiante a obrigatoriedade de fazer os repasses mensais para as obras e a manutenção da infraestrutura.

Buracos próximo à linha do VLT na Zona Portuária - Márcia Foletto / Agência O Globo

Prefeitura não assumirá gastos

Diante do impasse, o atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (da prefeitura), Antonio Carlos Mendes Barbosa, deixa claro: o órgão não irá recomprar Cepacs para assegurar recursos para a concessionária. Ele alega que a medida não foi incluída no orçamento da prefeitura de 2017 e que, caso fizesse isso, poderia responder criminalmente. Barbosa diz que os preços dos certificados passaram de R$ 545 (no momento do leilão) para R$ 1.706. Se fosse aplicado o IPCA de 2011 a 2017 (51,55%), os Cepacs valeriam hoje R$ 825,96. Entretanto, tiveram uma valorização de 313%. O reajuste acima da inflação só contribuiu para aprofundar o desinteresse pelo produto.

Dos 6,4 milhões de certificados adquiridos pelo fundo da Caixa, apenas 8,79% foram vendidos até hoje. Ou seja, ainda há um estoque de 5,87 milhões (91,2%) para serem comprados.

— Já existe uma dívida de R$ 80 milhões este ano com a Porto Novo. Se a Caixa não pagar, a concessionária vai acabar parando. Pode suspender a varredura de ruas, a coleta de lixo, o controle do tráfego e dos túneis. Por enquanto, a Porto Novo está fazendo a manutenção e a operação. Eles têm interesse em fazer. É a maior PPP do Brasil. Mas até quando vão suportar? O Porto está ameaçado. Essa Praça Mauá, que está bonita e tem âncoras (o Museu do Amanhã e o Museu e Arte do Rio) pode se deteriorar. A Caixa quer que eu pague, mas não posso assumir — defende o presidente da Cdurp.

A recompra de Cepacs chegou a ser proposta pelo ex-prefeito Eduardo Paes, por meio de uma emenda modificativa ao projeto orçamentário, em 2 de dezembro de 2016, no valor de R$ 189 milhões apenas para 2017. No entanto, a operação não foi aprovada pela Câmara. Mesmo sem o aval do Legislativo, foi assinado em 28 de dezembro o 12º aditivo ao contrato da operação urbana, assegurando um aporte financeiro que totaliza R$ 219 milhões até julho de 2018.

— Para viabilizar a liquidez do fundo da Caixa, a solução encontrada foi recomprar os Cepacs. Outro interesse nosso foi garantir um estoque para a construção de habitações populares. Mandamos a proposta para a Câmara. Se o Legislativo não aprovou, não podemos fazer nada — alega Alberto Silva, ex-presidente da Cdurp. — O fato é que o país está passando por uma crise. Não tem nada acontecendo neste momento econômico. Mas não tenho dúvida de que o mercado vai reaquecer, o Porto Maravilha tem um futuro promissor.

O ex-prefeito Eduardo Paes, procurado desde terça-feira da semana passada por meio de sua assessoria, optou pelo silêncio.

Os problemas vêm se arrastando. Em maio do ano passado, o fundo da Caixa decretou falta de liquidez até julho de 2018. Ao mesmo tempo, foi acertado que a Porto Novo suspenderia as obras, se limitando a fazer a manutenção e a operação da área. Naquele mês, a Cdurp assinou o 11º termo aditivo para a recompra de Cepacs, o que só acabou se concretizando em 10 de janeiro deste ano com um repasse de R$ 62,5 milhões para a concessionária. O aporte quitou débitos do segundo semestre de 2016. Foi a última parcela paga.

— Hoje, a manutenção não é feita direito. Basta olhar os buracos nas ruas e as calçadas que não foram refeitas — reclama a moradora Maria de Jesus Soares.

Placas de “aluga-se” e “vende-se”

Falta de financiamento e a crise econômica prejudicam a revitalização do Porto do Rio - Márcia Foletto / Agência O Globo

Dono há um ano do restaurante Sabor Brasil, na esquina das ruas Comendador Évora e Santo Cristo, José Roberto Rufino de Abreu engrossa a lista dos descontentes. Ele reclama que não concluíram a pavimentação da Comendador Évora nem colocaram um ralo no cruzamento com a Equador.

Sem perspectivas, placas de “aluga-se” e “vende-se” são cada vez mais comuns. Só no trecho entre o Largo José Francisco Fraga e a Rua Equador havia oito delas, na última quarta-feira.

— Estamos tentando alugar o galpão, com 2.500 metros quadrados, há um ano. Baixamos o preço, de R$ 20 mil para R$ 12 mil, mas não encontramos interessados. Fizemos uma reforma e nada — diz Washington Luiz Brito, administrador do imóvel.

Dono de um outro galpão, Paulo Roberto Mattos está tentando vender o imóvel há dois anos:

— Não aparece comprador. Agora, então, que suspenderam as obras...

Em nota, a Porto Novo se limita a dizer que “cumpre rigorosamente todas suas obrigações contratuais e reconhece que “a situação, hoje, é bastante complicada; desta forma, não pode seguir sem solução”. O prefeito Marcelo Crivella e o presidente da Cdurp estiveram na semana retrasada na presidência da Caixa. Por e-mail, o banco informa somente que “mantém agendas constantes com os participantes do projeto Porto Maravilha, investimento de impacto relevante na cidade do Rio e, naturalmente, de desafios constantes”. Além disso, afirma ter uma estrutura dedicada integralmente ao projeto, no Rio, e que as obrigações assumidas em decorrência de leilão (de Cepacs) foram cumpridas e podem ser objeto de novos acordos.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/sem-repasses-desde-janeiro-concessionaria-suspende-obras-na-zona-portuaria-21489095#ixzz4kMZ6tRbnstest 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Crise causa fechamento de 26 lojas em shopping do Rio

11/06/2017 - Economia ao Minuto
  

A crise no Rio de Janeiro já atingiu diversas lojas de rua e agora também os shoppings. Na zona sul, diversos estabelecimentos fecharam as portas. Como exemplos, as duas lojas da Nike, que ocupavam espaços enormes em Ipanema e Copacabana. 

E é em Copacabana que um dos centros comerciais mais tradicionais do bairro está praticamente às moscas. De acordo com a coluna de Ancelmo Góis, o Cassino Atlântico tem 26 lojas fechadas. 

Na parte virada para a rua, onde a visibilidade é maior, 10 lojas fecharam. No térreo, oito. As outras ficam distribuídas pelos outros pisos. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Avenida Lucio Costa sofrerá intervenções em retornos e pontos de ônibus para aliviar o trânsito

01/06/2017 - O Globo

Medidas serão quase todas financiadas pela Rede Windsor, como contrapartida obrigatória
   
POR LUCAS ALTINO 

Retorno na pista sentido Pepê ficará na reta da Afonso Arinos; nos dois lados, haverá saída de vagas de estacionamento para novas faixas de rolamento - Fernando Lemos / Agência O Globo

RIO - Boas notícias para quem enfrenta rotineiramente congestionamentos na Barra. Um dos pontos mais problemáticos do bairro sofrerá intervenções, com o objetivo de garantir maior fluidez ao trânsito. Na Avenida Lucio Costa, baias recuadas para ônibus serão feitas, na altura dos hotéis Windsor e Sheraton. A área em frente ao condomínio Atlântico Sul, no número 3.600 da via, terá alterações ainda maiores: naquele trecho, as vagas de estacionamento serão extintas, nas duas pistas, para a implantação de novas faixas de rolamento, e o retorno para acesso à Ponte Lucio Costa mudará de lugar, ficando em frente à Avenida Afonso Arinos de Melo Franco.

As obras serão financiadas quase que totalmente pela iniciativa privada. O projeto é contrapartida obrigatória que o Hotel Windsor Barra precisa pagar. As intervenções na Avenida Lucio Costa devem começar já este mês. Os estudos foram realizados pela CET-Rio, que detectou os principais gargalos daquela área.

Historicamente, o trecho entre a Praça do Ó e a Avenida Afonso Arinos é o mais congestionado da praia. Têm sido muitas as propostas, feitas principalmente por moradores de condomínios da orla, para sanar o problema. A CET-Rio estudou as possibilidades de mudança, e chegou a cinco medidas.


Em frente ao condomínio Atlântico Sul, será criada uma nova faixa de rolamento onde hoje há vagas
O retorno para acesso à Av. Afonso Arinos muda de lugar, e serão criadas duas faixas no lugar das vagas do canteiro central
Fonte: Prefeitura do Rio de Janeiro

Primeiro, o retorno da pista sentido Pepê, na altura do Atlântico Sul, será reconfigurado, ficando na reta da Avenida Afonso Arinos, ou seja, alguns metros antes do ponto onde fica atualmente. Além disso, as cerca de 25 vagas de estacionamento naquele trecho serão substituídas por duas faixas de rolamento. Assim, a capacidade de acumulação de carros, que hoje é de oito, segundo os estudos, passará para 48. No mesmo ponto, mas na pista no sentido oposto, as intervenções facilitarão o acesso de veículos que vão da Ponte Lucio Costa para a orla, pela Avenida Evandro Lins e Silva. As vagas de estacionamento em frente ao Atlântico Sul também serão retiradas, para a criação de uma nova faixa, e o canteiro central, no fim da da Evandro Lins, será encurtado.

O outro problema a ser corrigido serão as paradas de ônibus nos pontos em frente aos hotéis Sheraton e Windsor Barra. Hoje, quando um coletivo freia para embarque ou desembarque de passageiros, ocupa uma das duas faixas da pista, atrapalhando o trânsito. Agora, serão feitas duas baias recuadas nos pontos, para que o trânsito não seja interrompido. Por último, também serão eliminadas vagas da Rua Prudêncio do Amaral, perpendicular à praia, para a criação de mais uma faixa de rolamento.

O superintendente da Barra, Thiago Barcelos, justifica as intervenções na região:

— Eu mesmo sofro muito com esse trânsito. São alguns gargalos que precisamos superar. O tempo que hoje as pessoas perdem no tráfego gera impacto até na saúde. Às vezes leva-se meia hora para ir da Lagoa até o Pepê, e depois mais 20 minutos até o Barramares (na altura do número 3.300 da Lucio Costa), um trecho muito menor.

Na pista, não. Os ônibus passarão a parar em uma baia recuada próximo ao Hotel Windsor - Fernando Lemos / fOTOS de Fernando Lemos

Segundo ele, as maiores intervenções na orla serão financiadas pelo Windsor, devido à contrapartida obrigatória, e a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) fará as obras menores, como as baias para os ônibus e a retirada de paralelepípedos para calçamento.

O projeto, que ainda não foi anunciado oficialmente, já repercute entre moradores da Barra. Ainda que muitos tenham outras sugestões, a expectativa é que essas intervenções sejam mesmo capazes de desafogar o trânsito. Síndico do Atlântico Sul, Ronaldo Carvalho lembra que o condomínio foi o primeiro da orla a fazer uma baia recuada para ônibus.

— Há quatro anos, levamos o projeto à prefeitura. Os ônibus antes paravam em uma das faixas e ficava tudo engarrafado bem na entrada do condomínio. Fizemos uma única baia, que custou cerca de R$ 70 mil e resolveu muito a nossa vida. Depois, muita gente quis fazer também, mas esbarrou na falta de verba — conta Carvalho, que foi avisado do novo projeto pela prefeitura, já que a área em frente ao condomínio terá obras. — É inteligente, o trânsito deve melhorar bastante.

O diretor da Câmara Comunitária da Barra, Cleo Pagliosa, acha que as mudanças vão facilitar o trânsito da orla. Ele ainda lembra de um projeto da entidade que prevê a construção de uma ponte na Avenida General Felicíssimo Cardoso, ligando a Lucio Costa à Américas.

— É um projeto antigo, parte de um pacote de obras que incluiria a abertura total da Avenida Dulcídio Cardoso e os mergulhões do BarraShopping e da ABM. Continuamos cobrando, mas sabemos que a situação está difícil, não há dinheiro. Enquanto isso, essas mudanças propostas vão ajudar — diz.

Na opinião de Ricardo Magalhães, diretor da ABM, a ponte na Felicíssimo Cardoso seria a principal solução, pois hoje não há acesso da praia para a Américas entre o Cebolão e a Avenida Afonso Arinos, um longo trecho. Ele diz que diariamente, a partir das 17h, há engarrafamento:

— O trecho em frente ao Atlântico Sul é muito ruim, o que inclusive favorece a ação de pivetes. De manhã, o fluxo também é grande, principalmente da Lucio Costa para a Américas, tanto no sentido Centro como no sentido Recreio. Sempre fica uma muvuca em frente ao Eurobarra.

Aprovado. Ronaldo Carvalho, síndico do Atlântico Sul, na baia paga pelo próprío condomínio - Fernando Lemos / Agência O Globo

Já o administrador do Barramares, Sergio Trindade, faz uma ressalva à proposta da CET-Rio. Para ele, as baias de ônibus não serão muito efetivas, porque os motoristas não costumam parar no recuo mesmo quando o espaço existe. E menciona uma sugestão feita por síndicos dos condomínios da orla ao poder público, há cerca de dois anos: a construção de mais uma pista para os carros, usando uma parte do canteiro central.

— Em frente ao Sheraton e ao Windsor, há espaço para isso. A obra seria de uma nova faixa, à esquerda, para passagem de carros, e os ônibus continuariam parando no mesmo lugar — explica Trindade.

Isso porque, para o administrador do Barramares, as baias recuadas só cumprirão sua função se houver orientadores de trânsito no trecho:

— Nós sempre vemos ônibus parando no meio da rua, mesmo onde há recuo. Os motoristas são apressados. Ano passado, na época da Olimpíada, colocaram vários agentes na orla, e aí o tráfego melhorou bastante.

Os investimentos da rede Windsor nas obras da Avenida Lucio Costa estão sendo feitos como contrapartida pela construção dos hotéis Windsor Oceânico e Windsor Marapendi, além de um centro de convenções. Em nota, a rede afirma que considera as alterações viárias essenciais e acrescenta que está investindo também em projetos de melhoria dos acessos aos seus empreendimentos e da sinalização do entorno.

Novo trecho da Via 4 pode ser aberto

As mudanças têm recebido muitos elogios, mas há também quem as veja com desconfiança ou, até, desagrado. Comerciantes que trabalham em quiosques no calçadão, em frente ao condomínio Atlântico Sul, por exemplo, reclamam da eliminação de vagas de estacionamento.

— Moro aqui há 40 anos e posso afirmar que o problema no trânsito da orla ocorre por causa dos pontos de ônibus do Sheraton e do Windsor. O acesso da Evandro Lins e Silva para a Lucio Costa também é ruim, mas o retorno do outro lado da pista (no sentido Pepê) nunca tem congestionamento — afirma Amilton Macedo, dono do quiosque Pescado.

Roberto Souza, dono do quiosque ao lado, o Leal, também critica o fim das vagas:

— É isso o que paga nossas contas no inverno. Além disso, onde os caminhões vão parar para fazer descarga?

Cliente do quiosque Leal, o advogado Early Besse compreende a preocupação com o trânsito, mas acha que é preciso pensar em alternativas para quem vai de carro à praia.

— Melhorar a fluidez do trânsito é sempre positivo. Mas no bairro há déficit de vagas. Existem terrenos baldios na Avenida Afonso Arinos que poderiam ser transformados em estacionamentos — sugere.

Mudanças à vista. Os pontos de ônibus em frente aos hotéis Sheraton e Windsor na orla serão deslocados - Fernando Lemos / fotos de fernando lemos

Questionado sobre o assunto, o superintendente Thiago Barcelos diz que não há previsão para criação de vagas no momento, mas que se pode pensar em alternativas:

— O projeto trará um ganho. É normal ganhar de um lado e perder um pouco do outro. Mas o trânsito é um problema grave, e, se for solucionado, isso será positivo para os quiosques.

Em relação à sugestão de criar uma faixa de rolamento no canteiro central, em vez de criar recuos para os ônibus, Barcelos diz que as duas medidas teriam resultados semelhantes.

— A solução é a mesma: ganhar uma faixa — observa o superintendente, admitindo a necessidade de haver operadores de tráfego no local. — Vamos reforçar a fiscalização, sim, para que os ônibus respeitem os novos locais de parada.

Se na praia a solução é fazer mudanças pontuais para melhorar a fluidez, o caso de um outro ponto-chave para o trânsito, a Via 4 requer mais esforço.

Uma das causas dos congestionamentos da Barra é o descumprimento do Plano Lucio Costa. Pelo projeto original, outras vias expressas cortariam a Barra, como a Via 4 e a Dulcídio Cardoso. O problema é que essas avenidas são, em muitos casos, bloqueadas por condomínios e outros empreendimentos.

Interrompido. Ponto onde a Avenida Jorge Cury acaba atualmente - Fernando Lemos / Agência O Globo

A Superintendência da Barra está em negociações com a diretoria da Amil, responsável pelo Americas Medical City, localizado na Avenida Jorge Cury, para tentar viabilizar a abertura de um trecho de 300 metros da Via 4, que iria até a Avenida Rachel de Queiroz. Com isso, a Jorge Cury seria ligada à Avenida Celia Ribeiro Mendes, em mão dupla, tornando-se um caminho alternativo para se chegar à Avenida das Américas.

Segundo Thiago Barcelos, as outras medidas necessárias para o projeto sair do papel são uma licença da Seconserma, que deve ser concedida esta semana; e a assinatura de um termo entre a prefeitura e a Aeronáutica, já que a área margeia o Aeroporto de Jacarepaguá. Este vizinho, inclusive, foi um dos motivos de atraso da obra, devido a questões técnicas. Outro motivo de cautela são as capivaras.

— Tivemos que fazer um projeto bem detalhado, para não interferir na operação do aeroporto e proteger as capivaras. Com a abertura desse trecho da via, seria feito um corredor para os animais — afirma. — Essa medida reduziria 15% do tráfego entre o Terminal Alvorada e o condomínio Rio Mar.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/avenida-lucio-costa-sofrera-intervencoes-em-retornos-pontos-de-onibus-para-aliviar-transito-21418729#ixzz4iqsnWV59 
stest 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Crise e criminalidade fecham quase 4 mil estabelecimentos no Rio em 2017

30/05/2017 - Agência Brasil

A crise econômica e a violência responderam pelo fechamento de 3.950 estabelecimentos comerciais no estado do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre deste ano, que representa alta de 31,8% em relação ao mesmo período de 2016, quando 2.996 estabelecimentos fecharam as portas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio).

Na capital fluminense, foram 1.693 estabelecimentos comerciais fechados de janeiro a março de 2017, contra 1.263, no mesmo período do ano passado, o que representa alta de 34%. O local onde foi observada a maior variação (45,3%) no número de lojas fechadas foi a região central do Rio, passando de 190, em 2016, para 276, este ano.

O presidente do CDL Rio, Aldo Gonçalves, mostrou preocupação com a insegurança no Rio: "Está havendo também assaltos a shoppings centers, o que não ocorria antes”.

A pesquisa Gastos com Segurança em Estabelecimentos Comerciais, elaborada pela entidade, revela que o comércio varejista do Rio de Janeiro gastou R$ 1,2 bilhão com segurança, entre abril de 2016 a abril deste ano. 

O gasto extra envolveu compra de equipamentos, alarmes, contratação de seguro e seguranças, colocação de grades, blindagem de portas e reforço de vitrines. Foram ouvidos 750 lojistas, dos quais 150 já tiveram seus estabelecimentos furtados, assaltados ou roubados. Crescimento de 20% na comparação com o ano passado.

Economia

Segundo Aldo Gonçalves, o dinheiro gasto com segurança pelos lojistas poderia estar gerando empregos: “Se esses recursos fossem aplicados para abrir novas lojas, isso geraria empregos, geraria novos impostos, ajudaria a economia. Ou, então, em treinamento de pessoal, capacitação, seria bom para os comerciários. Mas é um dinheiro que está sendo investido para conter violência e é uma soma importante”, lamentou.

Para o presidente do CDL-Rio, fica evidente que o problema da insegurança afeta muito a economia, porque além dos assaltos a lojas e arrombamentos, o assalto ao consumidor também afasta as pessoas das ruas. “Diminui o faturamento, as vendas das lojas. Isso tem prejudicado muito o comércio e, consequentemente, a economia como um todo”. 

Além da crise econômica que persiste no país e do desemprego, Aldo Gonçalves indicou que a falta de segurança também provoca queda nas vendas, contribuindo para o fechamento de muitas lojas.

O CDL Rio informa que tem enviado ofícios e reclamado junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública e ao governo fluminense pedindo que providências sejam tomadas no sentido de melhorar a proteção tanto das lojas, como do consumidor. Para Gonçalves, porém, a resposta do governo até o momento tem sido “inócua”.

De acordo com a pesquisa, do total de R$ 1,2 bilhão investidos na segurança dos estabelecimentos comerciais, 62% (R$ 744 milhões) foram aplicados na contratação de segurança privada e vigilantes.

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública para comentar os dados da pesquisa, mas até o momento da publicação da matéria não obteve resposta.