quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O imbróglio do último clube na orla da Barra
O Globo, Carla Rocha, 29/set
A disputa por um terreno à beira-mar do primeiro clube da orla da Barra da Tijuca - hoje o último, quase uma relíquia urbanística ameaçada - vai entrar para a crônica carioca. A história é longa, mas tem o seu charme. Nos anos 60, o húngaro Tibor Turcsany fundou num pedacinho de céu um terreno de 20 mil metros quadrados, o Riviera Country Club, nome pomposo para um empreendimento lá no fim do mundo, como era vista a Barra naqueles anos. O bonitão, louro e de olhos azuis era um louco - e visionário. O sonho de Tibor deu certo, mas durou pouco. Ele, que deixou as terras geladas e se quedou de amores pelo Rio, morreu anos depois.

Sem escritura, o clube ficou apenas com um documento manuscrito por Tibor em 64, quase um papiro, em que ele cede os direitos sobre a posse do terreno. Rico, Tibor deixou bens em seu testamento, menos o clube, talvez por considerá-lo um caso à parte. Então teve início uma grande confusão. O inventário acabou sem uma solução definitiva para o problema.

Filho de fundador transferiu terreno para seu nome

Em 2009, o único filho de Tibor, Michel Turcsany, transferiu o terreno para o seu nome, no 9º Ofício de Registro de Imóveis. Logo depois, vendeu-o. Não sem uma coincidência. O negócio foi fechado por cerca de R$ 4 milhões com a Riviera Empreendimentos e Participações - nome que lembra o clube.

A Riviera - que comprou o terreno, não o clube - tem hoje como sócios a Decta Engenharia e Raimundo Francisco Lobão. Com vários lançamentos de luxo na Zona Sul do Rio, da Lagoa a Botafogo, a Decta já foi alvo de denúncias de mutuários em Teresina e no Maranhão por obras paralisadas ou com atraso. São eles que darão ao roteiro um desfecho inesperado. Representando a Decta, duas SPEs (sociedades de propósito específico), a Poty e a Renno, a Riviera e o próprio Michel, Lobão emitiu notas no valor de R$ 60 milhões para o Petros, fundo de pensão da Petrobras, uma espécie de empréstimo para financiar projetos imobiliários do grupo. Além outras exigências, o Petros aceitou como garantia o terreno do clube, avaliado em quase R$ 100 milhões, caso um eventual leilão se faça necessário por falta de pagamento. Procurados pelo GLOBO, os responsáveis pelo Petros não quiseram comentar o caso.

Clube quer anular atos de herdeiro na Justiça

O diretor comercial da Decta, Jaques Bassan, explica:

- Os recursos vão financiar obras no Rio e em Teresina, que estavam atrasadas por problemas de financiamento bancário. Em 37 anos de existência, nunca deixamos de entregar um empreendimento - garante Jaques, acrescentando que ainda não sabe quais são os planos da empresa para o terreno do clube, agora da Riviera, que é do grupo Decta.

A briga promete no que depender dos sócios-proprietários do Riviera. São 1.200 pessoas, que podem chegar a cinco mil com os parentes. Não se sabe muito bem por que boa parte é de policiais militares. O presidente do Riviera, o coronel da PM Abílio Faria, não quer nem conversa sobre o assunto. Mas o advogado do clube, José Nicodemos, prepara uma ação judicial pedindo a nulidade de todos os atos de Michel, filho do benfeitor. Ele promete levar ao tribunal um documento manuscrito pelo húngaro em 1964 em que ele faz a cessão do terreno ao clube - que tem cópia em cartório, de acordo com ele. O combinado teria sido Tibor receber em troca 60% dos títulos vendidos. E assim foi, alega o clube. Nicodemos vai questionar ainda os últimos passos de Michel.

- No processo do espólio do pai, ele pediu, mas o juiz negou, a posse sobre o terreno do clube, que não está sequer no rol de imóveis do inventário. O pedido também foi negado em segunda instância pelo tribunal. O Michel foi ao Superior Tribunal de Justiça, mas, ao perceber que perderia mais uma vez, desistiu da ação. Curiosamente, meses depois, foi a um cartório e registrou a posse do imóvel - diz o advogado.

Clube tem dívida de IPTU já em R$ 7,6 milhões

Sobre a pendenga Michel não fala. Localizado pela reportagem do GLOBO, seu advogado, Rodrigo Monteiro Melo Silva, diz que ele está fora do Rio e nem arrisca uma previsão de quando voltará. O advogado foi econômico na resposta:

- Se ele não tivesse direito ao terreno, o cartório não teria feito o registro do imóvel.

Moral da história? Só a Justiça poderá dizer. A briga é boa. Só para complicar mais um pouquinho: o terreno do clube acumula um débito de IPTU de R$ 7,6 milhões, e foi para a dívida ativa. E um tantinho mais: o clube é tombado e, no espólio de Tibor, há ainda uma ex-bailarina húngara, muito culta, segunda mulher dele, 20 anos mais jovem, hoje uma senhora. Mas, até agora, há um silêncio total sobre sua parte no latifúndio.

De festas tradicionais a ousadas

Muito pai coruja há de lembrar de jogos de futebol dos filhos no Riviera, que está na Avenida Sernambetiba antes mesmo de a via ter sido batizada. A ousadia de Tibor rendeu. Três mil títulos foram vendidos. Famílias da Zona Sul passavam o fim de semana lá. Ao longo dos anos foram muitos casamentos, bailes de debutantes e até alguns arremedos moderninhos como festas GLBTs, que, a bem da verdade, não vingaram, sob protestos da vizinhança.

- Pena. Lembro que as festas gays provocaram muita reação da vizinhança e não deram certo por isso. Mas, que eu saiba, o clube sempre mostrou-se aberto - recorda-se Cláudio Nascimento, na época presidente do grupo Arco-Íris, hoje superintendente da Secretaria estadual de Direitos Humanos.

O futuro é incerto. Não dá para esquecer um dos últimos clubes a sair de cena, o Nevada, que, já caidinho na década de 90, virou mais um megacondomínio. Sem o Riviera, a faixa litorânea da Barra estará toda dominada por prédios de luxo com serviços, pequenas cidades particulares. O antigos clubes só serão lembrados em teses de arquitetura.

- Não vai sobrar nada. Os outros clubes estão longe da praia - diz Delair Dumbrosck, da Câmara Comunitária da Barra.


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Carvalho Hosken ergue bairro na fronteira do Recreio

29/09/2011 - Jornal do Commercio

No limite entre a Barra da Tijuca e o Recreio, a Carvalho Hosken está investindo em um projeto que poderá ser modelo para futuros bairros autônomos no Recreio. Ao lado do futuro Centro Metropolitano, e na área de influência dos equipamentos e legados que ficarão dos Jogos Olímpicos de 2016, o Cidade Jardim será o primeiro empreendimento intramuros da região. Em 512 mil metros quadrados de área total, terá espaço para moradia de aproximadamente 16 mil pessoas. Cerca de 600 unidades do bairro-condomínio já foram entregues, informa a companhia.

Por meio da Associação dos Moradores do Cidade Jardim (Ascija), administrada pelos moradores, questões básicas como segurança, lazer e serviços serão demandadas e tratadas pela própria comunidade. O local terá coleta seletiva de lixo, reutilização de água, sistema próprio de transporte de apoio e convênio com ONGs para fornecimento de mão de obra qualificada para o bairro.

No interior do bairro, cerca de 7 mil árvores plantadas for¬marão um cinturão verde envolvendo todo o bairro. Cada morador também terá uma árvore privativa. Haverá ainda parques temáticos, e equipa¬mentos de esporte. De acordo com a Carvalho Hosken, serão mais de 60 itens de lazer e facilidades, entre quiosques, bancas de jornal e bancas de flores.

HISTÓRICO. A Cidade Jardim não é o primeiro projeto da Carvalho Hosken do tipo condomínio-bairro. A empresa ergueu dois outros megaem-preendimentos na Barra da Tijuca: o Rio 2 e o Península. O primeiro está próximo de alcançar a marca de 15 mil habitantes e o segundo superou o patamar de 10 mil.

O Rio 2, criado em 1987, foi o primeiro condomínio-bairro planejado na Barra da Tijuca. Nele, apenas 8,5% de uma área de 800 mil metros quadrados foram ocupados por edificações. Segundo a empresa, o objetivo foi criar um novo conceito de qualidade de vida para a região. Hoje, o empreendimento possui 40 mil metros quadra¬dos de parque e áreas livres com projetos de paisagismo de Burle Marx.

Em 2003, a companhia iniciou a construção do primeiro condomínio ecológico da Barra, o Península. Desenvolvido em parceria com a construtora RJZ Cyrela, o empreendimento ajudou a recuperar a vegetação natural da região, segundo a companhia.

A empresa também está investindo na construção de um museu a céu aberto na Península, cujo acervo deverá alcançar o valor de R$ 2,2 milhões. Nele, serão exibidas mais de 100 réplicas de esculturas clás-sicas locadas nos maiores museus do mundo e obras de artistas contemporâneos que moram na cidade do Rio, como Franz Weissman.

Shopping Recreio planeja expansão

29/09/2011 - Jornal do Commercio

Mesmo com uma expansão tendo sido concluída neste semestre, o Recreio Shopping já planeja um terceiro aumento para atender à demanda dos moradores da região. Segundo Isabel Magalhães, diretora da Santa Isabel, empreendedora responsável pelo shopping, o terreno para a construção já foi comprado. "Adquirimos uma área verde contígua ao shopping por R$ 20 milhões." O projeto vai agregar mais 10 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL).

A construção em si deverá custar em torno de R$ 50 milhões, indicam estudos preliminares da Santa Isabel. A obra estaria pronta em 2013. "Com essa expansão, nós vemos a oportunidade de atender pessoas que hoje estão longe, mas que, com as vias, passarão a ficar há dez minutos de distância", afirma a executiva.

Hoje, o shopping recebe, em média, 450 mil pessoas por mês. Com a conclusão das obras da Transoeste, com previsão para o final do primeiro semestre de 2012, Isabel espera que o número de visitantes aumente em 20%. Para atender o novo público, o Recreio Shopping está realizando uma pesquisa de opinião. "Hoje, nós carecemos de alguns serviços, e a pesquisa vai identificar quais lojas procuraremos adicionar ao nosso mix", explica Isabel.

Os resultados do levantamento não podem ser revelados, pois se trata de dados estratégicos, segundo a diretora. Isabel relata, no entanto, que o perfil de clientes do Recreio Shopping se modificou desde que foi inaugurado, em 1997. "Na época era predominante a classe B e um pouco da C." Segundo ela, o nível socioeconômico dos clientes se alterou, sendo hoje formado por classe A e B.

Com a ampliação, o shopping terá mais que dobrado de tamanho desde sua fundação. Originalmente com 13,1 mil metros quadrados de ABL, a primeira expansão acrescentou mais 4,5 mil metros quadrados e revitalizou o empreendimento.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Projeto original do Gávea Tourist previa teleférico e restaurante
O Globo, Rogério Daflon, 28/set
Projetado pelo arquiteto Décio da Silva Pacheco, o Gávea Tourist no desenho seria algo grandioso. Estavam previstos originalmente área de lazer, bosque, piscina, restaurante, boate, transporte gratuito e até um teleférico. Mas, de acordo com advogado dos cotistas, João Frederico Trotta, o sonho acabou devido a um grande golpe imobiliário.

Segundo ele, a massa falida só obteve o direito à propriedade após algumas operações irregulares, como a de transferência de propriedade para duas pessoas físicas.

O empreendimento chegou a ter elevadores suíços e recebeu habite-se parcial, nos dois últimos andares, onde um restaurante e a boate Sky Terrace, chegaram a funcionar. Lá, houve um réveillon para mais de mil pessoas, em 1965.

Mas a construção do Gávea Tourist Hotel acabou sendo interrompida pela Califórnia em 1972. Após 1977, com a falência da Califórnia de Investimentos e depois de enormes batalhas jurídicas, formou-se a massa falida, que não dispunha de recursos para vigiar a obra inacabada. Dessa forma, foram furtados, na década de 80, os seis elevadores suíços, além de inúmeros materiais de construção. Foi aberto, então, inquérito policial pelos cotistas.

Hoje, o lugar está totalmente abandonado. Lá, quatro veículos estão se deteriorando e dois deles apresentam várias perfurações de bala. Os vizinhos temem que o abandono traga doenças, como a dengue. Os pilares corroídos e lixo por todo o canto ajudam a montar um cenário mais apropriado a filmes de terror. 

Após 39 anos, esqueleto na floresta vai virar hotel

28/09/2011 - O Globo, Rogério Daflon

Empresa arremata o Gávea Tourist e prefeitura diz que prédio será usado para reduzir déficit de quartos nos Jogos

Pelo valor de R$ 29,95 milhões, o esqueleto do Gávea Tourist Hotel - um prédio inacabado de 16 pavimentos, 480 apartamentos e área construída de 30 mil metros quadrados encravado na Mata Atlântica de São Conrado - foi arrematado anteontem em leilão na 5ª Vara Cível. O uso do imóvel tem destino certo. De acordo com o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, o empreendimento se transformará num hotel:

- A prefeitura só vai licenciar um projeto hoteleiro, que era o original. O pacote olímpico municipal estimula a construção de hotéis para diminuir o nosso déficit de quartos. E um hotel ali vai valorizar a região e causar menos impacto ao meio ambiente do que um prédio residencial.

Empresa compradora é especializada em eventos

O comprador é a FJ Produções Ltda. Trata-se de uma empresa com sede em Brasília, que, em seu site, se apresenta como uma companhia especializada em eventos, como congressos, feiras, shows, palestras e reuniões corporativas. O GLOBO tentou entrar em contato, por telefone, com a direção da empresa, mas não teve retorno. O megaedifício inacabado está próximo da terceira idade. Começou a ser construído em 1953 pela Companhia Califórnia de Investimentos e teve a obra interrompida em 1972. A Califórnia foi à falência cinco anos depois e mais de mil cotistas passaram a exigir seus direitos.

Dias afirma que hoje um edifício desse porte jamais contaria com aprovação de licença da prefeitura. Isso porque aquela área - na Estrada das Canoas e próxima ao Parque Nacional da Tijuca - integra a Zona Especial 1, com grandes restrições em termos de licença, inclusive a de número de pavimentos - no máximo, dois. Segundo o secretário, a lei municipal 44/2000, conhecida como a "Lei dos Esqueletos", assegura o término de obras não concluídas. Além disso, os cotistas garantiram na Justiça o direito de continuidade da obra.Na licença, a ser concedida pela prefeitura, serão cobradas contrapartidas ambientais. O hotel, por exemplo, terá de contratar mão de obra local, provavelmente da comunidade de Vila Canoas. A FJ Produções terá de apresentar um projeto no qual o conceito de sustentabilidade esteja presente. A empresa também terá de mitigar os impactos viários a serem produzidos pelo hotel. Impactos, aliás, preocupam a população da área. Cerca de 500 moradores enviaram à prefeitura um abaixo-assinado, no qual pedem a demolição da construção.

Ao saber da venda do esqueleto, o jornalista Cláudio 'Chagas Freitas, que assinou o documento, reforçou a apreensão dos moradores da Estrada das Canoas:

- Temos problemas de abastecimento de água, luz e uma precária rede de esgoto. Além disso, o tráfego da região é terrível nos fins de semana, com o movimento de turistas e esportistas de asa-delta. Por isso, na minha opinião, o que caberia aqui seria um prédio com 30 apartamentos, no máximo.

Iphan aprova o novo empreendimento

Em nota, a Associação dos Moradores e Amigos de São Conrado (Amasco) explicou por que não se opôs à venda do esqueleto, acentuando que as autoridades descartaram a demolição do imóvel, para assegurar os direitos dos representantes da massa falida. "Diante disso, não vimos alternativa senão apoiarmos a reativação do local, mediante um novo planejamento de mobilidade urbana, ambiental e de infraestrutura", diz a nota.

A assessoria de imprensa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que a instituição já aprovara a continuidade do empreendimento imobiliário, mas vai fiscalizá-lo no decorrer da obra.

domingo, 25 de setembro de 2011

Bairro da Zona Sul do Rio ganha ciclovia neste domingo

25/09/2011 - Agência Rio

Está confirmada para este domingo (25) a cerimônia de inauguração da Ciclovia Stuart Angel Jones , no bairro da Urca, zona sul do Rio. A ciclovia percorre toda a Av. Pasteur e será interligada à já existente Mané Garrincha (Botafogo) e possibilitará ao ciclista ter acesso e pedalar por quase todas as ciclovias da zona sul da cidade (Copacabana, Leblon, Ipanema, Lagoa).

Com cerca de 1,2 km de extensão, a ciclovia tem início no entroncamento da Av. Vensceslau Brás com a Av. Pasteur até o final da mesma, onde o trecho final foi executado ao longo da via com sinalização no asfalto (pista compartilhada).

Também terá sinalização horizontal (símbolos no piso) e vertical (placas), além da instalação de bicicletários. Uma placa com o nome da ciclovia “Stuart Angel Jones” será descerrada pela irmã Hildegard Angel, informou a Secteria Muncipal de Meio Ambiente, responsável pela obra.

Nascido em 11 de janeiro de 1946, Stuart Angel Jones era filho da estilista e figurinista Zuzu Angel e irmão da jornalista Hildegard Angel. Foi estudante de economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também denominada Universidade do Brasil, na Urca, e morreu dia 14 de junho de 1971, aos 25 anos de idade. Esse ano faz 40 anos de seu falecimento.

"Tuti", apelido de família, foi um integrante da luta armada contra a ditadura militar no Brasil e militante do grupo guerrilheiro revolucionário MR-8. Foi preso, torturado, morto e dado como desaparecido, assim como muitos políticos brasileiros.

MS

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Canal do Fundão voltará a ter peixes; obras de despoluição devem terminar até o fim de 2011
O Globo Online, Ana Cláudia Costa, 23/set
Previstas para serem entregues no fim deste ano, a revitalização, recuperação ambiental e reestruturação do Canal do Fundão vão mudar a paisagem nas proximidades da Cidade Universitária. Com as obras concluídas, a intenção é permitir a passagem das marés pelo canal e a recuperação dos manguezais, garantindo assim a volta de peixes e caranguejos. De acordo com o subsecretário estadual do Ambiente e engenheiro da obra, Antônio da Hora, o projeto, iniciado em 2009, vai recuperar 180 mil metros quadrados de manguezais e plantar mais 140 mil metros quadrados dessa vegetação.

Segundo o engenheiro, o canal ficou assoreado ao longo dos anos com a construção da Cidade Universitária, na década de 40, e com o aterro feito no surgimento das favelas do Complexo da Maré, na década de 60. Nesse período, o canal foi estreitado. A redução da entrada das marés fez com que o lixo se acumulasse, misturado ao lodo. O projeto atual, desenvolvido em conjunto pela Secretaria estadual do Ambiente, pela Petrobrás e pela UFRJ, vai melhorar as condições do canal.

Todo o lixo recolhido do fundo do Canal do Fundão foi levado para um aterro em Nova Iguaçu. O lodo e os sedimentos tóxicos estão sendo acondicionados em grandes cápsulas protegidas, que têm 32 metros de diâmetro e até cem de comprimento. Elas serão recolocadas num terreno próximo à Cidade Universitária. A área está sendo impermeabilizada com um gel sintético, para que não haja vazamento tóxico. Acima das cápsulas também haverá outra camada de impermeabilização.

Faltando pouco para o término da obra, já é possível visualizar a reurbanização no entorno da Ilha do Fundão. De acordo com o subsecretário Antônio da Hora, toda a região será reurbanizada e entregue à UFRJ.

- Eles poderão transformar o local em pista para prática de corridas e de ciclismo. Será um grande parque - disse.

A contrapartida da UFRJ no projeto de despoluição do Canal do Fundão, segundo o engenheiro, é o saneamento da vila universitária e a construção da ponte estaiada que vai ligar a Ilha do Fundão à Linha Vermelha, no sentido São Cristóvão, na altura do Canal do Cunha.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Começa a obra do Binário do Porto

21/09/2011 - Cidade Olímpica

Perfuração do futuro túnel sob o Morro da Saúde é o início da reestruturação viária da porta de entrada do Rio. Intervenções incluem a derrubada do Viaduto da Perimetral e a criação de linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)


Máquina sueca fez primeira perfuração na rocha do Morro da Saúde, por onde passará túnel do Binário
Um jumbo hidráulico sueco deu início aos trabalhos de perfuração do Túnel da Saúde, obra que abre o caminho do Binário do Porto, uma intervenção viária que viabilizará a derrubada do Elevado da Perimetral. A previsão da CDURP é que as escavações durem aproximadamente 40 dias, e a conclusão completa do túnel é estimada em seis meses.

O túnel ficará ao lado do terreno onde está sendo construída a nova sede do Banco Central do Brasil e será responsável por ligar a Avenida Venezuela à Rua da Gamboa, que passa ao lado da Cidade do Samba.

– Depois de passarmos o ano de 2010 em um processo de negociação para realização econômica e financeira da operação, hoje nós iniciamos efetivamente a fase do que nós chamamos de fase 2, relativas às Parcerias Público Privadas (PPP). No mês que vem, nós começamos as obras do Binário na Praça Mauá e, em novembro, o túnel da via expressa – comemora Jorge Arraes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp).

VEJA MAIS: PORTO MARAVILHA TERÁ NOVA CONFIGURAÇÃO VIÁRIA

O prefeito Eduardo Paes se referiu à revitalização do Porto como algo que deixou de ser uma “lenda urbana” do Rio. Segundo ele, a primeira fase das obras mostra que a realidade da região já é outra.

– Quando nós iniciamos esse projeto, tínhamos a previsão de durar 15, 20 anos, para transformar essa região. Os cariocas adoram fazer comparações com Puerto Madero (em Buenos Aires), que é uma área dez vezes menor que o Porto Maravilha. E já tem uns 15 anos que aquela região passa por essa reestruturação – lembrou o prefeito Eduardo Paes, referindo-se à revitalização da zona portuária portenha.

A construção do Binário, que terá 3,5 km de extensão, é financiada com a venda dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção). De acordo com a Cdurp, obras não provocarão mudanças de impacto no trânsito da região.

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Porto digital

O Dia, Luiz Lobo (Opinião), 13/set

A transformação revolucionária do projeto Porto Maravilha vai além do plano visível aos olhos da população. A reorganização do subsolo da cidade vem acompanhada de proposta inovadora que coloca o Rio de Janeiro na vanguarda das telecomunicações. A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pela requalificação da Região Portuária, desenhou novo modelo da prestação de serviços de telefonia fixa e móvel, internet banda larga e conteúdo multimídia. A proposta adota redes subterrâneas de fibra ótica e alça o município à condição de distrito digital de alta conectividade. Status que poucas cidades do mundo têm.

O Rio será o primeiro no País a oferecer conexão de 1 GB, pela solução conhecida como FTTH (Fiber To The Home) ou FTTB (Fiber To The Building). Para se ter ideia do que isso representa em qualidade, a maior capacidade que o mercado oferece hoje é de 100 MB. Está em curso o processo de definição do projeto funcional e da modelagem financeira para a concessão de direito de uso das galerias e dutos com a nova rede de fibras para transporte de dados e voz na Área de Especial Interesse Urbanístico.

O investimento na instalação da rede física será obrigação da concessionária. A conversão integral da rede aérea em subterrânea tem de dar acesso a todas as operadoras e prestadores de serviços já licenciados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Uma das boas notícias é que os custos para todos os operadores serão iguais e transparentes. A situação é inédita. Essas empresas que hoje atuam na região terão as mesmas condições de prestação de serviço ao usuário final, o que significa que teremos concorrência bastante acirrada.

Luiz Lobo é diretor de Operações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp)