domingo, 30 de novembro de 2014

Rio de Janeiro inicia mais um trecho de obra do VLT no centro da cidade

30/11/2014 - Agência Brasil

Por Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil - Edição: Armando de Araújo Cardoso

A prefeitura do Rio de Janeiro iniciou ontem (29) mais um trecho da obra de implantação do bondinho que, a partir de 2016, circulará pelo centro da cidade. O sistema, conhecido como Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é uma das obras de mobilidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O VLT ligará vários pontos da região central. Serão 28 quilômetros, seis linhas e 42 estações. Entre os pontos ligados pelo VLT, destacam-se a Rodoviária Novo Rio (que recebe ônibus intermunicipais e interestaduais), Central do Brasil (principal estação ferroviária do Rio), Estação Praça 15 das Barcas e o Aeroporto Santos Dumont.

"É uma obra central do nosso plano de mobilidade. O que a gente quer é, que no centro do Rio, não haja mais ônibus. O objetivo é que as pessoas cheguem de metrô, BRT [corredor exclusivo de ônibus], trens e barcas. Na sequência, que entrem no VLT e possam circular por todo o centro", salientou o prefeito Eduardo Paes, na solenidade de início da obra.

Para esse novo trecho, três pistas da Avenida Rio de Branco, uma das principais do centro da cidade, serão interditadas, sentido Avenida Presidente Vargas, entre esta avenida e a Cinelândia. Os ônibus que circulam por ali serão desviados para as avenidas Presidente Antônio Carlos e 1º de Março.

Secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão alerta os motoristas de carros particulares para evitarem, a partir de segunda-feira (1º), as proximidades dessas avenidas. "Quem vier da zona sul para o centro na segunda-feira, principalmente para o Aeroporto Santos Dumont, procure sair mais cedo. O desafio será o acesso a essas avenidas, que é o Trevo dos Estudantes, justamente o acesso ao aeroporto. Se não precisar passar por ali, não passe", acrescentou o secretário.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 29 de novembro de 2014

Avenida Rio Branco tem três faixas interditadas para obras do Veículo Leve sobre Trilhos

29/11/2014 - O Globo

Apenas duas faixas no sentido Aterro do Flamengo estão abertas. Somente ônibus de linhas municipais podem circular

Operários trabalham na Avenida Rio Branco - Ivo Gonzalez / Agência O Globo

RIO - A prefeitura interditou neste sábado, às 6h30m, três das cinco faixas da Avenida Rio Branco, entre as Avenidas Presidente Vargas e Beira Mar, para obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), o bloqueio ocorre no sentido Candelária, e apenas duas faixas no sentido Aterro do Flamengo estão abertas. Por volta das 10h, fluxo na via era bom.

VEJA IMAGENS DA OBRA

De segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 5h às 15h, somente ônibus de linhas municipais poderão circular na Rio Branco. Os desvios são realizados pela Avenida Presidente Antônio Carlos e pela Rua Primeiro de Março. Nos demais horários, a circulação é livre, inclusive para táxis e carros de passeio.

Esta é a terceira etapa de fechamentos na Rio Branco. A primeira ocorreu no dia 10 de outubro, da Praça Mauá até a Visconde Inhaúma. E, a segunda, no dia 15 de novembro, no trecho entre a Avenida Presidente Vargas e a Rua Viscode de Inhaúma. No dia 23 de novembro, o terminal da Misericórdia, na Praça Quinze, foi fechado para reurbanização da área.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Niterói de cara nova

27/11/2014 - O Globo

Um novo e funcional Centro da cidade. Esse é o objetivo da Operação Urbana Consorciada (OUC), que resgatará o prestígio de viver, trabalhar e passear nos bairros da região central de Niterói.

O centro da cidade de Niterói perdeu, entre 1970 e 2010, 15% dos seus moradores, segundo dados da Secretaria de Urbanismo e Mobilidade Urbana (SMU). Um dos motivos responsáveis pela migração da população da região central para outros bairros foram os impactos negativos da expansão desordenada. Com a OUC, a Prefeitura, através da Secretaria de Urbanismo e Mobilidade Urbana, pretende resgatar antigos e atrair novos moradores, num projeto audacioso que pretende integrar as duas partes da cidade: a área marítima e o centro histórico.

Ao todo serão 3,2 milhões de m2 de área revitalizada. Entre as intervenções estão a renovação da fiação aérea, a restauração de 190 mil m2 de calçadas e obras de infraestrutura e drenagem. "Todas as intervenções foram pensadas para atender as 30 mil pessoas que vivem nos bairros da região central de Niterói e para as 40 mil que estão previstas para migrar para a cidade nos próximos vinte anos", comenta Verena Andreatta, secretária de Urbanismo e Mobilidade Urbana. "O foco do projeto são os moradores, mas os setores de comércio, serviço e turismo também serão beneficiados", completa Verena.

O projeto contempla, ainda, a mobilidade total. A implantação da Linha 3 do metrô, que ligará Niterói a São Gonçalo, terá 22 km, 14 estações e cerca de 350 mil passageiros por dia, segundo dados da Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro. Na estação de Araribóia, próximo as barcas, será inaugurada a maior integração intermodal do país, onde os passageiros terão acesso a barcas, ônibus municipais e intermunicipais e metrô, gerando um movimento de 600 mil usuários. A obra vai reduzir o tempo de viagem entre Niterói e São Gonçalo de duas horas para 40 minutos.

Uma Parceria Público-Privada (PPP) possibilitará toda essa revitalização. Isso significa que as obras serão realizadas sem onerar os cofres públicos e, o montante arrecadado com a PPP, deverá obrigatoriamente ser investido nas benfeitorias da região central da cidade, dentro da área delimitada pela OUC.

De acordo com a SMU, a previsão é de que as obras da OUC tenham início no segundo semestre de 2015 e durem, aproximadamente, três anos.

UM MAR DE OPORTUNIDADES

Niterói é um importante polo de construção naval que está produzindo navios-petroleiros, rebocadores e porta-contêineres, entre outros equipamentos Ariovaldo Santana da Rocha, presidente do Sinaval O crescimento do turismo da cidade e as perspectivas apontadas no plano estratégico 'Niterói que queremos 2013 – 2033' justificam uma ampliação na oferta de meios de hospedagens, consolidando a cidade como importante destino turístico Paulo Freitas, Presidente da Neltur Niterói é carente de hotéis com bandeiras internacionais para executivos" Bruno Serpa Pinto, diretor superintendente da Brasil Brokers

A retomada da indústria naval transformou Niterói em importante polo da construção naval no país. Em Niterói estão localizados três estaleiros de grande porte em operação Mauá, Brasa e Renave, e outros oito de médio porte. Entre 2000 e 2013, os investimentos no setor naval somaram R$ 149,5 bilhões. Desde 2004, a indústria naval brasileira avançou uma média de 19,5% ao ano, segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). "Hoje Niterói é um importante polo de construção naval, que está produzindo navios-petroleiros, rebocadores e porta-contêineres, entre outros equipamentos", assinala Ariovaldo Santana da Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). No Rio de Janeiro, a indústria naval emprega 35.458 pessoas, segundo dados do Sinaval.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Paes quer inaugurar o Museu do Amanhã no aniversário de 450 anos do Rio

26/11/2014 - O Globo

Prefeito diz que local será um ícone e vai marcar a revitalização da Zona Portuária

POR ISABELA BASTOS

Eduardo Paes durante visita às obras do Museu do Amanhã - Gustavo Miranda / Agência O Globo

RIO - O prefeito Eduardo Paes disse, nesta quarta-feira, que quer inaugurar o Museu do Amanhã, em construção no Píer Mauá, em 1º de março, dia do aniversário da cidade. Paes visitou as obras do museu, que já estão 77% prontas. Durante a visita, o prefeito disse que espera que o prédio - cujo projeto é do arquiteto catalão Santiago Calatrava - vire um ícone da cidade, à altura dos Arcos da Lapa, do Maracanã, do Pão de Açúcar e do Corcovado.

- A gente está correndo para que poder cantar o parabéns para o Rio aqui no museu. Isso aqui é um ícone, uma marca da revitalização da Zona Portuária. O Rio está de novo olhando para o seu Centro, com essa paisagem maravilhosa da Baía de Guanabara e das montanhas. Não tenho dúvidas de que estamos fazendo uma nova marca para a cidade, da dimensão do Maracanã, dos Arcos da Lapa e até do Pão de Açúcar e do Corcovado, coisas que a natureza nos deu - disse Paes, visivelmente satisfeito com o progresso da obra.

Durante o passeio, Paes voltou a pedir a compreensão do carioca para as obras no Centro, que, no sábado, entram em nova fase, com o fechamento de três faixas de rolamento da Avenida Rio Branco. E reforçou a necessidade de que os motoristas deixem o carro em casa, dando prioridade ao transporte público. O fechamento de parte da pista da avenida é para abrir caminho às obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos.

- De novo, é pedir a parceria e compreensão. À medida que a gente vê as coisas se abrindo e se requalificando, as pessoas vão entendendo. São obras de urbanização e mobilidade. O VLT é para melhorar a mobilidade. Só que, para fazer a obra, tem que sofrer um pouco. Certamente, haverá impacto. A gente pede a atenção das pessoas. A gente sabe que elas vêem a informação no jornal, mas sempre tem surpresa. Sabemos que se está estressando a população, mas é para ter um Centro novo - ponderou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Rio: interdição da Avenida Rio Branco começa sábado

24/11/2014 - O Estado de SP

Após demolir o Elevado da Perimetral, viaduto de 5 km que ligava o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil, e fechar acessos ao centro pela Praça 15 e pela região portuária para a reforma urbanística da área, a prefeitura carioca programa para o próximo sábado a interdição definitiva de três das cinco faixas da centenária Avenida Rio Branco.

As obras na principal via do centro começaram em outubro, no trecho mais próximo à Praça Mauá, para a instalação do sistema de bondes que deverá começar a operar em 2016, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Hoje, apenas ônibus podem circular pela Rio Branco, que recebia 40 mil carros diariamente - outros 150 mil trafegavam pela Perimetral e pela Avenida Rodrigues Alves, na zona portuária, em direção à Avenida Brasil e à Ponte Rio-Niterói, diz o engenheiro Fernando Macdowell.

"Em 2015 teremos algo próximo do caos no centro", afirma o doutor em Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No caso da Rio Branco, não se trata apenas de instalar os trilhos, é preciso mudar toda a rede subterrânea, porque o bonde não pode passar sobre redes como a de gás, diz Rojas.

Segundo a prefeitura, o VLT estará funcionando no primeiro semestre de 2016, quando ocorrerá a Olimpíada. Estão previstos 28 km de trilhos e 42 paradas, da rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela estação das barcas Rio-Niterói e pelo terminal ferroviário Central do Brasil.

Mesmo antes da interdição parcial da Rio Branco, o trânsito já está caótico. Ônibus superlotados formam um paredão ao longo da avenida. Saturado, o metrô não atende a demanda adicional. Na semana passada houve mudança em itinerários e pontos de ônibus por causa das obras, o que causou mais confusão. Nas três horas de pico pela manhã, chegam à área central pelo menos 335 mil pessoas só de transporte público.

"A impressão é que tudo está sendo feito de forma empírica. Não foram apresentados estudos bem fundamentados. É uma incógnita o que vai acontecer. Vejo com muita preocupação", diz Paulo Cezar Ribeiro, professor do programa de Engenharia de Transportes da Coppe, instituto de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Que linhas terão o privilégio de passar pela Rio Branco, que ficava tomada de ônibus? Como será a integração no futuro?"

Prefeitura. O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, não concedeu entrevista. Das sete questões encaminhadas à assessoria da pasta, apenas uma foi respondida. A secretaria estima que, com a inauguração do VLT, haverá redução de 50% dos ônibus que circulam pelo centro. 

Niterói: Inaugurada a nova ciclovia da Avenida Roberto Silveira

24/11/2014 - Niteroi Mais


Uma pedalada com a participação do prefeito da cidade, do vice e de representantes de vários grupos que defendem o uso da bicicleta marcou a inauguração da nova ciclovia da Avenida Roberto Silveira na tarde deste sábado (22/11).

O passeio, que inicialmente estava previsto para percorrer apenas os 1,3 quilômetro da ciclovia acabou se estendendo até a Avenida Litorânea, na Boa Viagem, passando pelas ciclovias da Avenida Amaral Peixoto e do circuito universitário. Na metade do percurso os ciclistas fizeram uma parada na Praça Araribóia, no Centro.

O prefeito da cidade desejou a que a mobilização de todos os movimentos de bicicleta de Niterói avance cada vez mais na cidade. "A gente aos poucos está mudando a cabeça das pessoas com relação à bicicleta. Então essa é a consciência que a gente tem e temos que continuar lutando", afirmou o prefeito, que anunciou a criação de um bicicletário público fechado, ideia que foi apresentada por um dos grupos de ciclistas.

O vice-prefeito Axel Grael disse que a ciclovia da Avenida Roberto Silveira ficou muito boa. "Nós ainda temos muito o que fazer pela frente. Nem todo mundo é a favor da bicicleta, ainda há uma resistência grande, mas temos que ir conquistando os espaços. Estamos aos poucos dando passos emblemáticos, como a ciclovia da Amaral Peixoto, que ninguém acreditava que ia dar certo e deu, e já está consolidada assim como ficará a Roberto Silveira. É assim que a gente vai fazendo, temos projetos e vontade política para a implantação do programa Niterói de Bicicleta e o apoio dos movimentos de ciclistas é fundamental", disse o vice-prefeito.

Prefeitura transfere vila de acomodações dos Jogos para conjunto do Minha Casa Minha Vida

24/11/2014 - O Globo

Os prédios estão sendo construídos na Estrada do Engenho d'Água, no Anil

POR ISABELA BASTOS

O terreno no Anil, na Baixada de Jacarepaguá, já transformado num gigantesco canteiro de obras: futura Vila Carioca abrigará 66 prédios destinados a árbitros, jornalistas e outros funcionários da Rio 2016 - Agência O Globo / Pedro Kirilos

RIO - A vila de acomodações das Olimpíadas de 2016, prevista para ser construída na Zona Portuária, atravessou a cidade e está sendo erguida pela prefeitura a 25 quilômetros de distância no bairro do Anil, na Baixada de Jacarepaguá. Batizada de Vila Carioca, o empreendimento terá 66 prédios de cinco andares, num total de 1.320 unidades habitacionais de 45 metros quadrados cada. Com 2.640 quartos, é a maior das cinco vilas que serão usadas durante os Jogos. No total, os cinco complexos terão 8.314 quartos destinados aos árbitros, jornalistas e à força de trabalho da Rio 2016.

Os prédios estão sendo construídos dentro do programa Minha Casa Minha Vida, num terreno de 43 mil metros quadrados na Estrada do Engenho d'Água, desapropriado pela prefeitura por R$ 19 milhões. Na área, funcionava parte de um antigo centro de distribuição de bebidas. Após os Jogos, os apartamentos serão destinados a moradores retirados de áreas de risco e de locais onde obras públicas de infraestrutura exigiram remoções. No Anil, a obra segue em ritmo acelerado: quatro apartamentos são montados diariamente. Enquanto isso, no Santo Cristo, o projeto Porto Vida Residencial entra no sexto mês de obras paradas. Retirado do projeto olímpico, ele segue sem data para ser retomado, transformado num esqueleto de concreto.

Já no terreno no Anil, o entra e sai de caminhões é frenético. Cerca de 200 operários trabalham no local, e a previsão é que sejam 450 em janeiro, quando deverá começar o pico da obra, com oito apartamentos montados por dia. O objetivo é que os prédios, que deverão custar R$ 99 milhões, fiquem prontos até novembro de 2015, para serem entregues ao comitê organizador dos Jogos. Na semana passada, três deles estavam com as estruturas prontas para receber os telhados e acabamentos internos. Um quarto bloco estava no terceiro pavimento.

A imensa área é delimitada pela Estrada do Engenho D'Água, pela Avenida Canal do Anil e pela Estrada de Jacarepaguá. Para chegar à Barra, os caminhos possíveis são, por um lado, a Avenida Geremário Dantas, a Linha Amarela e as avenidas Ayrton Senna e Embaixador Abelardo Bueno. Por outro, as estradas de Jacarepaguá e do Itanhangá, passando por dentro de Rio das Pedras e saindo na Barrinha. A pouco mais de um ano e meio dos Jogos, as ruas e avenidas que contornam a área da vila são estreitas e muito movimentadas. E o Canal do Anil não é uma visão agradável. Ele exala forte odor de esgoto. O assoreamento e a poluição do canal são evidentes.

O prefeito Eduardo Paes argumenta que a troca da Zona Portuária pelo Anil obedeceu a critérios econômicos e urbanísticos. No Porto, diz ele, o comitê Rio 2016 teria que pagar ao consórcio construtor uma taxa de uso pelas instalações, que ficariam reservadas aos Jogos por meses, sendo entregues aos proprietários apenas em 2017. No Anil, esse aluguel não seria necessário, uma vez que o condomínio do Minha Casa Minha Vida já estava nas previsões da prefeitura para receber moradores hoje em regime de aluguel social.

- O terreno já estava desapropriado. A área escolhida está degradada e precisa de investimentos. Ao levar a vila para lá, isso obriga o município a fazer investimentos em acessos, por exemplo. A ideia é trazer melhorias para uma área da cidade que não está resolvida. O Porto já está resolvido urbanisticamente. Não precisa mais de indutor governamental para deslanchar - afirma Paes.

Em 2010, interessado em levar para o Porto um empreendimento que ajudasse, pela envergadura, a ancorar novos empreendimentos para a região, Paes convenceu o Comitê Olímpico Internacional a aprovar a construção de parte das vilas de acomodações num terreno conhecido como Praia Formosa, atrás da Rodoviária Novo Rio. Batizado inicialmente de Porto Olímpico, o residencial foi alvo de um concurso de projetos, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). O projeto vencedor previa sete prédios, com 1.333 apartamentos. Um dos edifícios teria 40 andares e seria o residencial mais alto do Rio. Este ano, já sem a chancela olímpica, as obras foram paralisadas em junho. A construtora Odebrecht informou, por intermédio de sua assessoria, que ainda não tem data para retomar as obras, que passam por readequação financeira.

- Lá atrás, quando decidimos levar a vila para o Porto, ainda não tínhamos viabilizado a operação urbana consorciada que está permitindo a revitalização. A gente precisava de indutores, de projetos catalizadores. Mas hoje, o Porto não precisa mais desse ativismo estatal. Construir no Anil tem mais impacto em termos de legado para a cidade. Já soubemos que uma construtora quer erguer um shopping ao lado da vila no Anil - acrescentou o prefeito.

Segundo o secretário municipal de Habitação, Pierre Batista, embora o projeto da vila tenha sofrido modificações, o cronograma de entrega do conjunto até o fim de 2015 será mantido. Pierre admite que o serviço, que começou em agosto passado, está sendo ligeiramente acelerado para caber no prazo olímpico:

- Está tudo dentro do cronograma. A obra será feita em 14 meses. Normalmente, um conjunto habitacional desse tamanho fica pronto em 16 ou 18 meses. Mas o Parque Carioca, por exemplo, na Estrada dos Bandeirantes, que recebeu o pessoal da Vila Autódromo, entregamos em 12 meses.

Enquanto as melhorias urbanísticas no entorno do terreno do Anil continuam no plano das ideias - segundo a Secretaria municipal de Obras, as intervenções estão sendo planejadas - na área da obra, a Riourbe começa a erguer uma creche, uma escola e uma Clínica da Família. As unidades escolares terão capacidade para 1.140 crianças A previsão é que os equipamentos públicos estejam prontos em dezembro de 2015.

Das outras quatro vilas de acomodações que já estavam previstas, três são empreendimentos de alto padrão, com 4.450 apartamentos de 51 a 157 metros quadrados e clubes de serviços. Elas estão sendo construídas pela iniciativa privada, no Camorim e no Pontal, na Zona Oeste. Em páginas especializadas na corretagem de imóveis na internet, as unidades estão sendo vendidas a partir de R$ 500 mil. A entrega dessas obras está estimada para dezembro de 2015. A quarta será a Vila Verde, com 1.224 quartos, construída para os Jogos Mundiais Militares de 2011, dentro do Complexo Esportivo de Deodoro. Ela será aproveitada nas Olimpíadas.

Das cinco vilas, quatro serão usadas para abrigar parte dos 25 mil jornalistas credenciados, além dos árbitros das competições, o staff da Rio 2016 e funcionários que trabalharão nas instalações olímpicas. Todas as vilas oferecerão serviços de hotéis três estrelas e os valores de hospedagem seguirão esse padrão. Enquanto a pressa dita o ritmo no Anil, no Santo Cristo a única movimentação de obra é ao lado do esqueleto do Porto Vida, no hotel Holiday Inn Porto Maravilha, com 594 quartos. Iniciada em janeiro, a construção está com 40% das estruturas concluídas. Nos Jogos, até 90% dos quartos serão colocados à disposição do Comitê Rio 2016.

NÚMEROS

66 prédios - Total de imóveis residenciais da Vila Carioca, empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida, no Anil.

1.320 unidades - Total de apartamentos que o conjunto terá. Ali, serão hospedados jornalistas, árbitros e outros profissionais que vão atuar durante os Jogos.

R$ 99 milhões - Valor estimado da vila, prevista para ficar pronta em novembro do próximo ano. A prefeitura informa ter pago R$ 19 milhões pelo terreno, onde acontece a obra.

domingo, 23 de novembro de 2014

Aviso de derrubada de árvore em Copacabana mobiliza procurador da República e moradores

23/11/2014 - O Globo

Centenário açacu virou símbolo da preservação das árvores do Rio

POR ELENILCE BOTTARI

O exemplar de açacu: mobilização dos moradores impediu que árvore da Pompeu Loureiro fosse derrubada em 3 de março do ano passado - Agência O Globo / Márcia Foletto
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RIO - Não há nada que ateste seu nascimento. Mas foi seu "renascimento", no dia 3 de março de 2013, que transformou o centenário açacu da Rua Pompeu Loureiro, em Copacabana, em símbolo da preservação das árvores do Rio. A mobilização dos moradores para impedir que a árvore fosse derrubada pela Comlurb chamou a atenção do procurador da República Luiz Cláudio Pereira Leivas, que paralisou o trabalho de corte e registrou ocorrência na 13ª DP ao perceber que a autorização para sua remoção não estava sequer assinada.

E não parou por aí. Em seguida, requisitou ao Tribunal de Contas do Município (TCM) uma auditoria sobre o serviço de podas da prefeitura. Após seis meses de investigações, a 6ª Inspetoria Geral de Controle Externo do TCM apurou diversas irregularidades e recomendou, entre outras coisas, que a prefeitura realize um inventário que, além de identificar as árvores, orientará a criação de um plano diretor que garanta a conservação e o desenvolvimento do patrimônio arbóreo da cidade.

O açacu, ou "Hura crepitans", é originária da Amazônia, onde cresce às margens dos rios. Resistente, mesmo cercada de prédios e semidestruída pela Comlurb, ela se recompõe. Uma das hipóteses de seu nascimento é que sementes tenham sido presenteadas a uma família de nobres por Auguste Glaziou, agrônomo francês contratado por Dom Pedro II em 1858 para cuidar dos jardins da cidade. Coincidentemente, o Horto Botânico do Museu Nacional, onde trabalhou Glaziou, tem dois açacus, que seriam da mesma época.

— São especulações, mas acreditamos que o açacu tenha sido trazido por Glaziou — disse a pesquisadora do horto Ruth Saldanha, membro do movimento "Salve o açacu".

A história do açacu de Copacabana remonta aos anos 1920, quando, ao vender o imóvel 64 da Pompeu Loureiro em que vivia com a família, o representante comercial Otto Schuback fez constar em cartório que a árvore não poderia ser derrubada. O fato explica o recuo do edifício de 15 andares construído no local, deixando espaço de sobra para os 30 metros de altura e 25 de copa. Em 2006, um decreto da prefeitura reforçou a proteção ao declarar a árvore "imune ao corte", e uma placa foi posta junto à sua raiz, homenageando Schuback. Mas isso não impediu que, em 3 de março de 2013, a Comlurb iniciasse a remoção.

— Foi criminoso mutilarem uma árvore centenária e protegida por decreto — disse a professora universitária Débora de Oliveira Pires, que na infância brincava à sombra da árvore.

Após a atitude do procurador da República, os moradores também resolveram agir e deram entrada em uma ação popular, conseguindo liminar para impedir o corte.

— O juiz Afonso Henrique Ferreira Barbosa, da 9ª Vara de Fazenda Pública, determinou ainda que a Defesa Civil e uma Comissão de Notório Saber fizessem um laudo técnico sobre o estado da árvore. Só que nada foi feito — afirmou Hélio Hoyer Lacerda, autor da ação.

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Segundo Hélio, embora o laudo do engenheiro florestal Luiz Guilherme Menescal, da Fundação Parques e Jardins, recomendasse a remoção, o mesmo afirmava que o estado fitossanitário do açacu era "aparentemente bom":

— Queremos saber qual o real estado da árvore, ainda mais depois que deceparam ela toda. Ou seja, nem mesmo depois de tudo isso a árvore caiu. Informalmente, trouxemos o maior especialista do país, e ele disse que aparentemente o açacu está bem. Pensamos em nos cotizar para pagar um laudo técnico, mas não sabemos se a perícia terá validade para a Justiça.

O município do Rio e a Fundação Parques e Jardins recorreram ao Tribunal de Justiça para tentar derrubar a liminar, mas a 3ª Câmara Cível manteve a decisão. Enquanto aguarda o desenlace sobre seu futuro, a açacu ganhou até página na internet e hoje conta com 1.804 membros.

PARA TCM, COMLURB NÃO PODE FAZER PODAS

A auditoria do TCM apurou que a Comlurb sequer tem competência legal para realizar remoções de árvores. A inspeção também verificou que os serviços de poda realizados pela Comlurb e pelas concessionárias é feito de forma errada e sem um tratamento fitossanitário que impeça a invasão de pragas, como previsto em decreto. Segundo o relatório, a prefeitura sequer conhece seu patrimônio arbóreo.

"Verificou-se uma falta de capacidade, por parte das ações governamentais, para agir sobre esse patrimônio natural sob a ótica da proteção efetiva, estando o mesmo exposto a diversas formas de agressões", afirma o laudo.

Entre as determinações do TCM, estão a realização do inventário arbóreo, o desenvolvimento e implantação de programas de proteção, recuperação e valorização do patrimônio natural e do ambiente urbano e o programa integrado de implantação e gestão de áreas verdes urbanas.

— Verificamos que a situação é grave. Não há controle sobre o patrimônio, as medidas compensatórias não são feitas nos locais onde os empreendimentos são realizados, como determina a lei. Recomendamos a realização do inventário, para que seja desenvolvido plano de ação onde fique estipulado um cronograma definindo as ações, os prazos e os responsáveis pela elaboração das etapas de confecção do plano diretor da arborização urbana — afirmou o inspetor Alexandre Tenório, que trabalhou na 6ª Inspetoria Geral do TCM.

FIGUEIRA DA RUA FARO, UM MARCO

A primeira árvore a ser tombada no Rio foi a figueira da Rua Faro, no Jardim Botânico. Situada em frente ao número 51 da via, a figueira seria derrubada para dar lugar à construção de um prédio. Quando souberam, moradores do bairro saíram às ruas em protesto. Na época, a Associação de Moradores assumiu a luta. A pressão foi tanta que a figueira não só escapou do corte como ainda acabou tombada pela prefeitura. Em 24 de setembro de 1980, o prefeito Júlio Coutinho assinou o decreto 2.783 que protege o fícus.

A centenária Figueira da Rua Faro, como ficou conhecida,virou símbolo da luta pela preservação ambiental na cidade. O fícus, com copa de 35 metros de diâmetro, fazia parte de um renque (fileira de árvores) plantado no século XVII.

Segundo Leonel Kaz, presidente da associação de moradores na época, aquela não era uma luta ecológica, "mas um ponto de referência histórica na vida da cidade", já que a árvore testemunhara 300 anos de vida ao seu redor.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Com o bairro na prancheta

20/11/2014 - O Globo


Talvez o morador da Barra da Tijuca não saiba, mas o trabalho de Jozé Cândido Sampaio de Lacerda Jr. ajudou a moldar o cotidiano de toda a região. Após 34 anos como funcionário público municipal, período em que atuou em projetos como a duplicação da Avenida das Américas (em 2000), o arquiteto e urbanista cuida, desde 2009, exclusivamente do escritório ZK Arquitetos Associados. Dali saiu o projeto de um dos novos símbolos da Barra: as estações de BRT. A influência dele não para por aí. O Terminal Alvorada remodelado surgiu de sua prancheta. Lacerda projetou também as novas passarelas da Avenida Ayrton Senna, entregues este ano. E, em breve, virá à luz o desenho do terminal do Parque Olímpico, a tempo dos Jogos de 2016. Ao GLOBOBarra, o arquiteto fala sobre os conceitos que nortearam a criação das estações do BRT e sobre sua visão da Barra.

Na hora de criar o projeto das estações, do BRT, quais foram suas principais preocupações?

Como era a primeira vez de um projeto assim no Brasil desde Curitiba, foi importante ter um protótipo, a estação do Novo Leblon. Ali aplicamos vários conceitos importantes. O primeiro era a refrigeração da estação sem arcondicionado. Todo mundo dizia: tem que ter ar-condicionado. Expliquei que era impossível. Como ter aparelhos de ar-condicionado em mais de 60 estações e que deem conta de portas abrindo e fechando a toda hora? Imagina o custo de manutenção disso. O que fizemos, então, foi usar técnicas de arquitetura para tornar o espaço mais fresco. Pode-se ver que a estação é quase toda feita em vidro, o que teoricamente esquentaria o espaço, mas conseguimos evitar isso com o telhado grande e curvo, que impede que o sol bata. Colocamos paredes de metal perfurado, permitindo, assim, que o ar circule. Também criamos uma separação entre o telhado e o teto da estação, com a mesma função. Por fim, colocamos o que chamamos de captador eólico, um equipamento que fica entre o teto e o telhado. Ele capta vento quando a estação está vazia e tira o ar quente quando ela está muito cheia. E fizemos toda a iluminação com LED. Me disseram que era muito caro, mas sabíamos que valia a pena, porque ela dura mais e gasta menos energia, o que corta o custo de manutenção.

Parece que uma grande preocupação foi com o custo de manutenção.

Sim, foi uma das nossas principais preocupações. Por isso colocamos vidro e aço, que são mais resistentes e duráveis. Não adianta fazer algo lindo e cheio de equipamentos se vai estar tudo quebrado por falta de manutenção. Foi a razão pela qual não colocamos banheiros nas estações. Ficaria um nojo em uma semana e não haveria manutenção no mundo capaz de mantêlos limpos. Argumentei que, se ponto de ônibus não tem banheiro, estação de BRT também não poderia ter.

Qual foi o conceito norteador da reforma do Terminal Alvorada?

Foi outro desafio grande, porque recebemos de saída o número de linhas de ônibus e o número de vagas para BRT que seria preciso ter no projeto. Era muito em um espaço relativamente pequeno. Chegamos ao conceito de uma platafoma central para os BRTs e para os alimentadores e dois subsolos. Um deles não saiu do papel, então ficou um pouco desequilibrado, mas acho que vão consertar isso. O mais importante foi feito, que é ter segurança e conforto no terminal. Por conforto se entende fazer a integração dos dois sistemas, do ônibus com o BRT, da forma mais fácil possível. Não queríamos passarela. Nada que obrigasse o passageiro a subir ou descer escada para mudar de modal.

Com o que vocês estão trabalhando agora?

No sistema modal estamos com a Transolímpica. Especificamente na Barra, temos o projeto do terminal do Parque Olímpico. A Transolímpica, no trecho da Salvador Allende, tem a curiosidade de que talvez tenhamos um "bichoduto", uma espécie de mergulhão para a passagem de animais. Estamos conversando sobre isso ainda. Inicialmente queriam que eu fizesse um mergulhão de dois metros, o que só teria sentido se passassem elefantes ou girafas por ali.

Que detalhes o senhor pode dar do terminal do Parque Olímpico?

Não posso dizer muito porque o projeto ainda não foi apresentado à prefeitura. Será o terminal que atenderá a todo o Parque Olímpico e terá integração com o BRT.

Há quanto tempo o senhor está na Barra e como a vê hoje, urbanisticamente?

O escritório foi criado aqui em 1982. Acho o urbanismo da Barra uma coisa complicada. Meu projeto de conclusão de curso, em 1978, foi uma avaliação do Plano Lucio Costa. Com o passar do tempo, foi-se deturpando muita coisa do plano. A Barra se criou em feudos de condomínios fechados, e isso nunca foi consertado. Perdeu-se a escala humana; só se tem isso no Jardim Oceânico. Muitos planos bons ficaram no papel.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Olha que coisa mais linda!

19/11/2014 - O Globo

Coluna de Ancelmo Góis


A prefeitura do Rio instalou, repare na foto, os quatro primeiros pilares da ciclovia litorânea, que ficará ao lado da Avenida Niemeyer.

Aliás, a nova via, com esta bela vista, já concorre ao posto de mais disputada da Cidade Maravilhosa.

Em dezembro, os funcionários da Fundação Geo-Rio vão instalar o tabuleiro — a pista da ciclovia — sobre os pilares, que têm entre três e sete metros de altura.

A ciclovia terá 3.900 metros de extensão, ligando São Conrado e Leblon, e deve ficar pronta no fim de 2015. Vamos torcer, vamos cobrar

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Cariocas dão adeus à sede do América

15/11/2014 - O Dia

Tradicional área de convívio social será reduzida a um espaço dentro de um shopping

O DIA

Rio - Torcedor do América, Lamartine Babo reservou para o seu time alguns dos versos mais lembrados entre os hinos que compôs para os grandes clubes do Rio. "A cor do pavilhão é a cor do nosso coração", diz a música. De um tempo para cá, porém, a tinta vermelha descascando nas paredes rachadas da tradicional sede, na Tijuca, revela uma situação antiga de abandono. Interditada desde junho pelo Corpo de Bombeiros, a sede centenária dividirá espaço com um shopping a partir do ano que vem. 

 
Interditada desde junho pelo Corpo de Bombeiros, a sede centenária está com as portas cobertas por tapumes. É permitido apenas o acesso dos clientes de uma academia privada
Foto:  Bruno de Lima / Agência O Dia

O movimento repetido de equipamentos de ginástica é só o que ainda parece ter vida na Rua Campos Sales 188, que abriga a sede desde 1911. Com as portas cobertas por tapumes, é permitido apenas o acesso dos clientes de uma academia privada que funciona ao lado da portaria. No entanto, não é preciso estar lá dentro para sentir a situação. Rodeada por pichações, a entrada virou muro de classificados populares. "Vendo rádio portátil e porta de madeira com fechadura", diz um deles.

Logo na esquina, o vermelho que forra as mesas de um bar tradicionalmente frequentado por torcedores do clube guarda a nostalgia de uma época em que batia forte o coração americano, como no último Campeonato Carioca conquistado pelo clube, em 1960.

"Já estou com tanta saudade que aluguei uma casa em Paquetá para ocupar meu tempo agora nos fins de semana. O clube não tinha estrutura há muito tempo, mas não faltava amizade", disse Almir dos Santos, 63 anos. Frequentador desde a infância e conselheiro do clube, ele sugere o motivo da decadência: "Falta de união e famílias que estão há anos no comando."

Moradora de um prédio localizado ao lado da sede, a aposentada Isabel Thomé, de 64 anos, diz que a interdição foi o fim de uma dor de cabeça. "É uma pena perder o patrimônio. Mas há muito tempo não havia mais aquele charme ali", disse. "Todo fim de semana era música no último volume até a madrugada, além da fumaça de churrasco entrando em casa. Espero que passe a ser mais organizado."

Segundo Neil Chaves, presidente do Conselho Deliberativo do América, a medida radical servirá para dar fôlego ao clube. "O objetivo é uma nova sede, a quitação das dívidas e que o América tenha um percentual de lucro do novo empreendimento para que possa se auto-sustentar", disse.

O presidente informou ainda que será feito um arrendamento do espaço e a nova sede dividirá espaço com um centro comercial. A negociação está em fase de avaliação dos melhores projetos e a decisão acontecerá até o fim de deste ano. 

Sócios antigos vivem nostalgia, mas não perdem o amor pelo clube 

Desde a paralisação das atividades, o América fechou convênio com o Club Municipal, que também fica na Tijuca, e está disponibilizando as dependências aos sócios. Mas para quem frequentou o clube quando criança, a memória não muda de local. Enquanto caminhavam pela rua, os cartazes anunciando a interdição chamaram a atenção dos estudantes Nathalia Feijó, 19 anos, e Rodrigo Queiroz, 21. O casal se conheceu nas aulas de natação. "Sempre que passava e via os meninos saindo do futebol com uniforme, lembrava da infância. Há tanto patrimônio construído. Não é possível que não haja uma alternativa", lamentou Rodrigo.

Antes de todos os bailes infantis que aconteciam dentro no clube, o pipoqueiro Alvaro Batista, 56, sabia que teria um longo dia de trabalho pela frente. Há quase dez anos vendendo pipoca na Praça Afonso Pena, para ele a interdição doeu no bolso. "Quando vinha a criançada, eu tirava no mínimo R$ 100 a mais durante o dia", afirmou.

Mas nem tudo é nostalgia. Ainda decepcionado com a eliminação do América da Copa Rio na quarta-feira, o contador Daniel Gomes olha para frente: "O clube era mais querido pelos tijucanos que o frequentavam. Mas a instituição é muito maior que essa sede, que não representa tanta coisa para quem mora longe como eu. Temos que sanar as dívidas." 

Prédio vale R$ 270 milhões 

De acordo com a diretoria, o laudo dos bombeiros apenas antecipou a decisão de fechar o clube. Com área de 27 mil metros quadrados, o espaço está avaliado em cerca de R$ 270 milhões. Além da receita de 260 sócios em dia com a mensalidade, de R$ 70, o clube se sustentava com a concessão de garagem, loja, academia e restaurante.

No espaço há ainda campo de society, sala de sinuca, parque infantil e três piscinas. Segundo o Corpo de Bombeiros, a interdição se deu por "insuficiência de iluminação, sinalização e escape de emergência".

"Quem dera que, do dia para a noite, todos os nossos problemas fossem resolvidos, mas há várias etapas para o América se recuperar. Não podemos vender sonhos, mas sim a realidade", disse Neil Chaves, presidente do conselho deliberativo.

Depois de anunciar que concorreria à presidência do clube, Romário desistiu da candidatura. Ele alegou que um dos motivos era a indefinição quanto à sede do clube.

Um funcionário do clube, que não quis se identificar, disse que a deterioração aumentou depois das gestões passadas. "Querem voltar ao poder para continuar fazendo esquemas ilícitos. A atual diretoria não quer deixar que usem o América para interesses financeiros", disse.

O presidente da antiga gestão não foi encontrado para comentar. Presidente do América de 2001 a 2002 e síndico de um condomínio que fica ao lado da sede, José Roberto Justo impediu que a equipe de reportagem subisse no edifício para registrar imagens aéreas do local.

Reportagem de Lucas Gayoso 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Trecho de 27 quilômetros da Via Lagos recebe divisória metálica

14/11/2014 - Agência Rio


Após determinação do Governo do Estado, a concessionária Via Lagos informou que concluiu a implantação da divisória metálica em um trecho de 27 quilômetros da rodovia, entre Araruama e São Pedro da Aldeia. A instalação do dispositivo de segurança, entre Rio Bonito e Araruama, será implantada ainda em 21 quilômetros.

Para instalar a divisória, as pistas foram alargadas nos dois sentidos e os acostamentos, estruturados e pavimentados. Além disso, todo o sistema de drenagem e sinalização foi adaptado ao novo projeto.

- Trata-se de um empreendimento importante, porque já está proporcionando mais segurança à rodovia. No entanto, a intervenção é complexa pelo tipo e pelo volume de obras.  Nosso compromisso é garantir a fluidez em função das intervenções. Estamos trabalhando para a conclusão até dezembro - afirmou Rodolfo Borrel, gestor de atendimento da CCR ViaLagos.

Projetada para aumentar a segurança na rodovia, a tecnologia da divisória metálica da Via Lagos é uma das mais modernas no mercado de dispositivos de segurança. Segundo Borrel, a finalidade é minimizar o impacto de uma colisão aos ocupantes.

- Este tipo de dispositivo contém o veículo durante o choque, amortece a energia da colisão e o redireciona em ângulo seguro para a pista - explicou o gestor.

MS

Niemeyer será fechada a partir de domingo

14/11/2014 - O Globo


A partir do próximo domingo, a Avenida Niemeyer, entre as praias de São Conrado e do Leblon, será interditada para dar prosseguimento à construção de uma ciclovia. O bloqueio ocorrerá até maio de 2015, sempre das 23h30m às 5h, de domingo a quinta- feira. Segundo a prefeitura, a operação de trânsito contará com controladores de tráfego, faixas e painéis de mensagens variáveis, posicionados em pontos estratégicos para orientar motoristas e pedestres sobre a interdição e rotas alternativas. Além disso, panfletos com as mudanças de tráfego serão distribuídos aos moradores e estabelecimentos comerciais.

Durante a interdição não será possível atravessar a Avenida Niemeyer, em ambos os sentidos. Os moradores só poderão acessar a via pelo Leblon. Esse acesso sofrerá alterações, à medida que a obra avançar. Para os moradores da Avenida Niemeyer e do Vidigal, será disponibilizado um serviço especial de van que sairá da Avenida Visconde de Albuquerque (Praça Atahualpa) e irá até o número 550 da Avenida Niemeyer.

Os 3,9 mil metros de extensão do costão da Niemeyer vão ganhar uma ciclovia litorânea no próximo ano. A pista exclusiva para bicicletas terá 2,5 metros de largura e seu trajeto correrá em paralelo à Avenida Niemeyer. As obras tiveram início no dia 20 de junho, e a previsão é que sejam finalizadas em 12 meses. O investimento é de cerca de R$ 36 milhões. De acordo com a prefeitura, atualmente são registradas mais de 1,5 milhão de viagens por dia nos 371 quilômetros de ciclovias do Rio. A expectativa é que até 2016 a malha cicloviária da cidade chegue aos 450 quilômetros de extensão.

A Niemeyer será bloqueada nos seguintes pontos: Avenida Prefeito Mendes de Morais com Avenida Niemeyer, por onde nenhum veículo entrará; e Avenida Visconde de Albuquerque com Avenida Niemeyer, onde deverá ser permitida a passagem apenas daqueles com destino ao Vidigal, a hotéis, a residências e a condomínios localizados no trecho até o número 550.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Galeão terá novo hotel com 450 quartos

08/11/2014 - O Globo

Grupo francês investirá R$ 100 milhões em complexo com as marcas Novotel e Ibis Style. Prédio com 450 apartamentos ficará entre os terminais 1 e 2 do aeroporto. Galeão receberá novos voos no verão. A Accor vai pousar no Galeão. O grupo francês de gestão hoteleira venceu concorrência aberta pela concessionária Riogaleão - composta por Odebrecht, Changi e Infraero e que assumiu a gestão do aeroporto em agosto - para instalar o terceiro hotel do Tom Jobim. O processo foi encerrado no mês passado, confirmou a Rio galeão.

Com investimento superior a R$ 100 milhões, a unidade irá ocupar um prédio que fica entre os dois terminais de passageiros, explicou Sandro Fernandes, diretor comercial da Riogaleão. As obras ficarão a cargo da Performance, que fará a adaptação do imóvel para o novo uso, construindo ainda um anexo.

Instalar um novo hotel no aeroporto já estava nos planos da Riogaleão, com previsão de sair do papel até 2017, explicou Sandro Fernandes, diretor comercial da empresa. Agora, esta é a previsão de início de operação do hotel.

- Em abril, conduzimos uma grande pesquisa para conhecer em detalhes as necessidades dos passageiros que passam pelo aeroporto. O estudo mostrou que um novo hotel seria prioridade para eles. Então, decidimos antecipar o projeto - explicou Fernandes.

A demanda dos passageiros, continua Fernandes, tem a ver com a expansão das operações do aeroporto e também com a capacidade do Galeão para se consolidar como um hub (centro de distribuição de voos) importante no país. De olho nesse crescimento, a concessionária optou por convidar sete dos principais grupos hoteleiros internacionais para participar da concorrência. Cinco deles enviaram propostas.

- Como o Galeão é um hub internacional, com forte movimento de lazer e também de viagens de negócios, precisamos oferecer serviços alinhados à qualidade de grandes marcas conhecidas globalmente - disse o diretor.

DOIS HOTÉIS EM UM

O complexo terá, no total, 450 apartamentos. Eles serão divididos em duas bandeiras hoteleiras: Novotel , com 280 quartos, e Ibis Style , com 170. Este último terá arquitetura e design interior inspirados no Rio de Janeiro. Haverá ainda restaurantes, centro de convenções, business center e academia de ginástica.

O contrato está em vias de ser assinado, explicou Sandro Fernandes. Procurada, a Accor não confirmou o negócio.

O prédio que será transformado em hotel é usado atualmente pela equipe da administração regional da Infraero, que se muda até o fim deste ano para novo endereço no Centro do Rio. Também estão no edifício funcionários da RioGaleão, que serão realocados para outras instalações no aeroporto.

OCUPAÇÃO DE ATÉ 300%

O Tom Jobim já conta com dois hotéis em operação. O mais novo deles é o Linx Hotel Internatonal Airport Galeão, da GJP Hotels & Resorts - do empresário Guilherme Paulus, fundador da CVC. Projeto de R$ 30 milhões, foi inaugurado pouco mais de um ano atrás.

Com 162 apartamentos, registrou ocupação média de 50% nesses primeiros 12 meses, com pico de 90% no período da Copa do Mundo, entre junho e julho deste ano. A GJP venceu licitações para instalar hotéis também nos aeroportos Santos Dumont, de Confins (MG) e de Vitória (ES). Hoje, tem 14 hotéis no país.

A outra unidade é o tradicional Rio Aeroporto Hotel, há duas décadas em atividade. Dois anos atrás, passou a ser administrado pela Bonotel. A empresa está investindo R$ 2 milhões na ampliação e modernização do empreendimento, informou Renato Oliveira, gerente operacional.

Com 62 quartos, o Rio Aeroporto vai ganhar mais 30, que devem estar concluídos até o fim deste mês. Entre as mudanças em curso, estão a substituição do carpete por piso sintético, além da renovação de todo o sistema de ar-condicionado. De acordo com Oliveira, a ocupação média é de 100%, com potência para crescer. Nas quartas e quintas-feiras, dias em que ocorrem embarques de profissionais que trabalham em plataformas de petróleo em alto-mar, o aproveitamento pode até triplicar. É que um mesmo apartamento pode registrar até 300% de ocupação, com três hóspedes se alternando no quarto num mesmo dia.

- O Rio Aeroporto é um empreendimento diferenciado. Por estar dentro do aeroporto, não recebe o hóspede de turismo habitual. O uso é mais de oportunidade, por pessoas esperando conexões ou que perderam ou tiveram voos cancelados - ressalta o gerente.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Avenida Rio Branco terá três faixas fechadas ao tráfego para obras do VLT

Interdição será entre a Presidente Vargas e a Cinelândia. Terminal Misericórdia será destavido no dia 23 de novembro de 2015

POR CÉLIA COSTA

04/11/2014 - O Globo


Terminal Misericórdia será definitivo fechado para as obras de implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e novas frentes do projeto Porto Maravilha - Marcos Tristao / Agência O Globo
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RIO - O prefeito Eduardo Paes anunciou, nesta terça-feira, intervenções no trânsito do Centro e da Região Portuária para as obras de implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e novas frentes do projeto Porto Maravilha. Entre as alterações anunciadas, está a interdição de três das seis faixas da Avenida Rio Branco entre a Presidente Vargas e a Cinelândia, no dia 29 de novembro. Com isso, a Rio Branco volta a ter sentido único, em direção ao Aterro. A faixa exclusiva para táxis na Avenida Rio Branco será extinta, e duas faixas da Rio Branco serão destinadas aos ônibus municipais.

- Que as pessoas lembrem que as obras são para melhorar. Pedimos a colaboração da população e que todos deem preferência ao transporte público - disse o prefeito Eduardo Paes.


Outra medida que deve causar impacto no trânsito é o fechamento definitivo do Terminal Misericórdia, no dia 23, para as obras do Porto Maravilha. Com a desativação, os coletivos passarão a ter ponto final na Avenida Presidente Vargas. As 27 linhas que faziam ponto final no terminal serão transferidas para a Avenida Churchill, a Rua Santa Luzia e a Praça Marechal Âncora.

Para a Santa Luzia, serão transferidas as linhas 254, 277, 292, 310, 311, 337, 340, 344, 349, 362, 380 e 390. Já para a Churchill, serão as linhas 232, 238, 343, 346, 348, 352, 354, 363, 367, 368, 374, 376 e 377. A Praça Marechal Âncora receberá as linhas 130 e 131.

As linhas que passavam pela Rio Branco no sentido Candelária serão transferidas para a Avenida Primeiro de Março, que terá o BRS ativado.

A área do terminal será transformada em uma grande praça de 21 mil metros quadrados com jardins e projeto arquitetônico que tem o objetivo de valorizar a vista e o contato com a Baía de Guanabara. A nova praça fará parte do passeio público que se estenderá até o Armazém 8 do Cais do Porto em um caminho arborizado com ciclovia, área de convivência e passagem do VLT.

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De acordo com o cronograma, o primeiro veículo chegará ao Rio em junho de 2015. A conclusão das obras está prevista para o segundo semestre do mesmo ano. O início da operação do VLT está previsto para o primeiro semestre de 2016.

MUDANÇAS SÃO ADIADAS POR CAUSA DO ENEM

O prefeito anunciou ainda que as alterações que estavam previstas para o próximo fim de semana só serão realizadas no dia 15 de novembro. A mudança na data foi decidida para não prejudicar os deslocamentos dos estudantes para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A Secretaria municipal de Transportes informou que as linhas executivas com ponto final no Terminal Menezes Cortes e na Avenida Nilo Peçanha não terão alteração no itinerário de chegada ao centro da cidade. A saída, no entanto, deixará de ser pela Rua 1º de Março e passará à Rua da Assembleia e o BRS Carioca, seguindo pela Praça da República, por onde farão o acesso à Avenida Presidente Vargas.

As linhas convencionais que atualmente utilizam o terminal na Avenida Chile e a linha executiva 2310, com destino a Bangu, passam a terminar a viagem na pista lateral da Presidente Vargas, sentido Praça da Bandeira, entre a Rio Branco e Rua dos Andradas. As executivas com destino à Santa Cruz e Campo Grande (2303, 2304, 2307, 2308, 2309 e 2331) permanecerão na Chile e não terão o trajeto alterado.

Já as linhas intermunicipais do terminal Menezes Cortes não terão o trajeto de chegada alterado e passam a sair da cidade pela Avenida Mem de Sá. As que seguem para Petrópolis, Teresópolis e Rio Bonito acessarão a Presidente Vargas pela Rua de Santana. As linhas que trafegam pelo Binário do Porto passam a ter acesso à via, seguindo pela Praça da República/Túnel João Ricardo. As linhas 1906B e 1907B com destino à Paracambi e Japeri, respectivamente, terão parada terminal transferida para a pista lateral da Presidente Vargas.

Na Avenida Luís de Vasconcelos, será mantido o ponto final as linhas com destino à Duque de Caxias, com exceção da linha 2111C, que será remanejada para a Presidente Vargas. Na Avenida Augusto Severo, os passageiros continuam encontrando as linhas 521D e 565D. As demais serão transferidas para os pontos das Ruas Acre e Camerino e para a pista lateral da Presidente Vargas.

Os ônibus que param atualmente na Av. Rio Branco, entre a Av. Presidente Vargas e a Rua Visconde de Inhaúma terão o ponto final transferido para a Rua Visconde de Inhaúma, entre as ruas da Candelária e da Quitanda. Para orientar a população, serão distribuídos 450 mil folhetos em pontos de ônibus e dentro dos coletivos, além da sinalização. A divulgação das mudanças também será feita através de agentes educativos em pontos estratégicos para auxiliar os passageiros.

Ao todo, fizeram parte do estudo 62 linhas intermunicipais e 27 municipais. As linhas serão divididas em pontos finais na Avenida Presidente Vargas, na Rua Acre e na Rua Camerino. Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, a localização,atende o centro da cidade e melhora o trânsito. Ainda de acordo com o secretário, o objetivo dessas mudanças é melhorar o trânsito dessas linhas e dos corredores BRS, e atender, assim, uma medida de racionalização.

CONFIRA AS LINHAS DA LAPA E DA GLÓRIA QUE SERÃO ALTERADAS

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No início deste mês, a prefeitura alterou trajetos e pontos finais de linhas de ônibus municipais e intermunicipais que trafegam pela região. Em outubro, ocorreu a primeira fase da interdição parcial da Avenida Rio Branco, entre a Rua Visconde de Inhaúma e a Praça Mauá, para obras de instalação do VLT. Com a interdição de três faixas da via, os pontos foram deslocados para o meio da pista, com uma pequena área de recuo.

Também no dia 15 de novembro, estão programadas mudanças na Avenida Rio Branco, no trecho entre a Rua Visconde de Inhaúma e a Avenida Presidente Vargas. Para as obras do VLT, três das cinco faixas de rolamento da Rio Branco serão interditadas.

O VLT conectará a Região Portuária ao Aeroporto Santos Dumont. O projeto prevê seis linhas com 42 paradas, quatro delas em estações na Rodoviária Novo Rio, na Central do Brasil, nas barcas e no aeroporto, em 28 quilômetros de vias. O sistema será integrado ao metrô, aos trens, às barcas e aos BRTs, além do teleférico da Providência. Os passageiros poderão utilizar o Bilhete Único Carioca e, quando todas as linhas estiverem em operação, a capacidade do sistema chegará a 285 mil usuários por dia.

 
 
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Avenida Rio Branco terá três faixas fechadas ao tráfego ...
Interdição será entre a Presidente Vargas e a Cinelândia. Terminal Misericórdia será destavido em no dia 23
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Obras do VLT provocam mudanças no trânsito do Centro do Rio

04/11/2014 - Agência Brasil 
 
O prefeito Eduardo Paes anunciou hoje (4) novas mudanças no trânsito do Centro do Rio de Janeiro e da zona portuária, devido às obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e à reurbanização da Praça da Misericórdia. Na Avenida Rio Branco as alterações ocorrerão em duas etapas, dias 15 e 29 deste mês, enquanto o terminal será desativado definitivamente a partir do próximo dia 23 deste.

O reordenamento das linhas de ônibus, anunciado para 8 de novembro, pelo secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, foi adiado para o dia 15, para não atrapalhar os deslocamentos de quem vai fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na cidade, dias 8 e 9. Também no dia 15 ocorrerá a segunda etapa de fechamento da Avenida Rio Branco, que será interditada parcialmente no trecho entre a Avenida Presidente Vargas e a Rua Visconde de Inhaúma.

Segundo Paes, a alteração de maior impacto será no dia 29, quando três faixas da Avenida Rio Branco ficarão fechadas no sentido Candelária, entre as avenidas Presidente Vargas e Beira Mar, e o trânsito terá sentido único para o Aterro do Flamengo. O prefeito informou que várias linhas de ônibus serão desviadas para a Avenida Presidente Antônio Carlos e para a Rua Primeiro de Março.

O Terminal da Misericórdia, na Praça XV, será fechado no próximo dia 23, e o secretário de Transportes disse que os passageiros serão devidamente informados sobre as mudanças planejadas para a área entre Avenida Churchill, Rua Santa Luzia e Praça Marechal Âncora, na região do Castelo.

Em nota, a prefeitura informa que a área do Terminal da Misericórdia será transformada em praça, e fará parte do passeio público que se estenderá até o Armazém 8 do Cais do Porto, em um caminho arborizado com ciclovia, área de convivência e passagem do VLT. O passeio terá 3,5 quilômetros de extensão e 215 mil metros quadrados de área.

A notícia desagradou a alguns cariocas, como a técnica administrativa Cláudia Regina de Assis, que desembarca diariamente no Terminal Misericórdia para ir a um curso no Clube da Aeronáutica. "Serei prejudicada, comecei a fazer o curso há pouco tempo e não sei andar direito por essa parte do centro. Além disso, o terminal fica quase em frente [ao clube], mas depois que ele for desativado vou ter que andar mais", lamentou.

O estudante Luiz Felipe Gonçalves passa todos os dias pela Avenida Rio Branco e ressalta o transtorno para quem pega ônibus nos pontos do local. "Uma hora o ponto é lá, outra hora é aqui, depois volta para lá, uma confusão só. Toda vez que mudam o itinerário, a gente fica perdido, tem que ficar andando e pedindo informação e, nesta época do ano, com o calor forte, vai ser pior ainda", criticou.

O aposentado Paulo Renaldo Cordeiro frequenta o Centro duas vezes por semana e se diz mais otimista com as alterações. "No começo, é difícil mesmo, mas as pessoas se adaptam. Se as mudanças trouxerem melhorias no futuro, vai valer a pena", acredita.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

No Centro, a tradição espera a revitalização da Região Portuária

03/11/2014 - O Globo

Quem caminha pela Avenida Marechal Floriano, no Centro, tem a sensação de voltar ao século passado. Em cada esquina é possível encontrar um estabelecimento bem antigo, que, mesmo com dificuldades, resiste ao tempo. Alguns já acharam alternativas para atrair mais clientes, mas a maioria deposita as esperanças nas obras de revitalização da Região Portuária, que chegarão à avenida no primeiro semestre de 2015.

Ao entrar no Principado das Louças, uma surpresa: o espanhol Aníbal Gonzales Garcia, de 83 anos, que fundou a loja em 1959, continua trabalhando firme e forte. Conta que veio para o Rio por causa de sua paixão pelo futebol. Em 1950, resolveu arrumar as malas depois de ver o Vasco da Gama jogar na Espanha. Após trabalhar numa oficina de lapidação de cristais, em Botafogo, abriu o próprio negócio, que hoje emprega 140 pessoas, além de filhos, genro e netos, e tem 20 mil itens à venda. Ele espera que a reurbanização traga mais clientes. Sua filha Selina também alimenta essa esperança.

- Hoje, os turistas estrangeiros só tiram fotos. A gente quer que eles entrem na loja e passem mais tempo no Centro - diz Selina.

CONTAS DIFÍCEIS DE FECHAR

Inaugurada em 1929, a loja Ao Bandolim de Ouro era muito frequentada por Jacob do Bandolim e pelo mestre do cavaquinho Waldir Azevedo, conta Daniela do Souto, neta do fundador Miguel Jorge do Souto. Com um pequeno ateliê de instrumentos de corda funcionando no imóvel de três andares, ela diz que tem dificuldades para fechar as contas:

- Temos 11 funcionários e gastamos, com aluguel e IPTU, R$ 10 mil por mês. Cada cavaquinho ou violão leva cerca de três meses para ficar pronto. É um processo artesanal que usa uma mão de obra que não se renova. Somos um comércio diferenciado. Espero que a revitalização atraia mais gente.

O português Manuel Pinho Santos, que fundou a Sapataria Sousa há cinco décadas, também luta para manter seu comércio, onde trabalham quatro pessoas com mais de 65 anos.

- Fabricamos os sapatos aqui, mas é uma profissão que está acabando. Muitos deixaram de vir por medo da violência. Quem sabe a reurbanização não trará um pouco daquele antigo Rio de volta? - diz o comerciante.

A Livraria Elizart, inaugurada em 1972, resiste no mercado oferecendo grande variedade de livros e revistas. Arthur Reis, neto do fundador Manuel Mattos, conta, com orgulho, que o ator José Wilker era um dos frequentadores da loja. Hoje, a clientela é formada basicamente por alunos do Colégio Pedro II e da Universidade Estácio de Sá, que buscam mangás e livros técnicos.

- Outro dia, minha irmã foi assaltada quando saía da loja. A violência afasta, sim, as pessoas. As obras poderão ajudar a mudar isso - afirma Reis.