quarta-feira, 16 de abril de 2014

Secretaria descarta risco de acidentes em acesso à Binário

29/10/2013 - O Globo

Teste mostra que 2 ônibus podem fazer curva juntos sem problema

LUDMILLA LIMA

Agentes orientam motoristas, no sábado, para futuro fechamento da Perimetral Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Depois de teste feito no fim de semana, a Secretaria municipal de Transportes negou nessa segunda-feira haver qualquer risco de a curva na saída do Elevado do Gasômetro, na alça de acesso à nova Via Binário do Porto, provocar acidente ou um gargalo no trânsito. O secretário Carlos Roberto Osorio afirmou que dois ônibus, mesmo os frescões, podem passar ao mesmo tempo pelo ponto, que tem duas faixas de 3,5 metros de largura cada.

Segundo Osorio, o teste feito no domingo ou seja, com trânsito reduzido provou não haver possibilidade de o tráfego ficar afunilado no acesso devido à largura da alça. O Elevado da Perimetral será fechado ao trânsito na noite do próximo sábado, com o trânsito desviado para a Binário.

Não temos nenhuma dúvida em relação ao projeto (do acesso) disse o secretário. O local não é apertado e tem uma medida, de 3,5 metros (por faixa), adequada. Fizemos os testes, e os ônibus vão circular pela alça da Binário sem problemas.

Osorio rechaçou também qualquer chance de batidas na curva da alça (não existe nenhum perigo) e afirmou que, durante a semana, nos horários de rush, o risco ainda é menor que aos domingos:

Não faz a menor diferença a passagem pela alça durante a semana. O fluxo faz com que os veículos circulem mais devagar. Não existe a menor preocupação quanto à passagem dos ônibus por ali.

Na segunda de manhã, o trânsito já complicado na Zona Portuária, por causa das obras que vêm sendo feitas na região, ficou ainda pior por causa de duas manifestações. Trabalhadores de um estaleiro saíram do Caju e seguiram até o Centro, ocupando as avenidas Brasil, Francisco Bicalho, Presidente Vargas e Rio Branco. Já em frente à Rodoviária Novo Rio, cerca de 40 pessoas de um grupo autointitulado Frente Independente Popular (FIP), com a presença de alguns professores, fecharam a Avenida Rodrigues Alves por cerca de meia hora.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Barra da Tijuca ganha nova via para desafogar o trânsito

13/04/2014 -O Globo / O Dia - RJ

RIO — O prefeito Eduardo Paes inaugurou, na manhã deste sábado, a Avenida Engenheiro Hermano Cezar Jordão Freire, que faz parte de um trecho de um quilômetro do BRT Transcarioca — corredor expresso que ligará a Barra da Tijuca à Ilha do Governador. De acordo com a prefeitura, a via, que liga a Avenida Ayrton Senna, na altura do shopping Via Parque, até o condomínio Península, deve amenizar os constantes congestionamentos enfrentados por motoristas que saem de Jacarepaguá e da Linha Amarela em direção à Barra.

— Essa via deve desafogar o trânsito desse trecho, eliminando mais um cruzamento da Avenida Ayrton Senna — disse o prefeito.

A CET-Rio estima que cerca de 1.300 veículos cruzam, por hora, a Avenida Ayrton Senna em direção à Península, na altura do Via Parque. A estimativa é que os motoristas passem a utilizar a nova avenida, descongestionando esse trecho.

Em formato de "Y", a via tem um quilômetro, duas faixas e sentido único em direção à Barra, e passa por baixo da ponte estaiada Cardeal Dom Eugenio de Araújo Sales. A obra se estendeu por um ano e custou R$ 20 milhões.

BRT antes da Copa

Durante a solenidade de entrega da obra, Paes prometeu que o BRT Transcarioca estará pronto até o início da Copa do Mundo, em junho:

— É até junho, não é? É o nosso prazo final. Estamos caminhando bem. Nos últimos dez dias, houve um problema de paralisação, de greve de funcionários. Estamos pressionando as empresas, mas a obra está praticamente concluída.

A prefeitura estima que o corredor vai beneficiar 450 mil passageiros por dia, além de tirar 500 ônibus das ruas da região.

Iniciada em março de 2011, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a obra do BRT Transcarioca convive com atrasos e a paralisação de funcionários em algumas frentes.

Da Barra da Tijuca até a Ilha do Governador, o Transcarioca terá 39 quilômetros de extensão e 45 estações, e cortará 14 bairros. A via está sendo construída em dois lotes (da Barra à Penha e da Penha ao Aeroporto Internacional Tom Jobim) e será o primeiro corredor expresso a cortar transversalmente a cidade. Os investimentos somam R$ 1,9 bilhão, entre recursos do BNDES e da prefeitura.

O Dia - RJ

Via é inaugurada para desafogar o trânsito na Avenida Ayrton Senna

Avenida de um quilômetro passa sob a ponte estaiada e segue por trás do Via Parque

Rio - O prefeito Eduardo Paes inaugurou ontem uma via de um quilômetro de extensão, na Barra, planejada para aliviar o tráfego para os veículos que saem de Jacarepaguá e da Linha Amarela. A Avenida Engenheiro Hermado Cezar Jordão Freire conta com duas faixas — ambas no mesmo sentido. O investimento feito na nova avenida, que demorou um ano e meio até ficar pronta, foi de R$ 20 milhões.

Questionado pelo fato de a via ser mão única, Eduardo Paes garantiu: "O cruzamento que fazia com que o trânsito parasse fica justamente na direção de quem vinha da Linha Amarela em direção ao Via Parque e à Península. Esse caminho era a obra possível de se fazer agora e é mais do que suficiente". 

A intervenção faz parte do projeto do BRT Transcarioca, que vai ligar o Aeroporto Tom Jobim à Barra, e que tem um custo total de R$ 1,7 bilhão. São 39 quilômetros e 36 estações. Apesar do atraso nas obras, o prefeito garantiu que o BRT Transcarioca já está praticamente concluído e que, até a Copa, o sistema chega ao aeroporto.

A nova via passa por trás do Shopping Via Parque, em direção à Avenida das Américas, e vai desafogar o trânsito da Ayrton Senna, eliminando mais um dos cruzamentos por onde passavam cerca de 1.300 veículos por hora.

Para auxiliar os motoristas durante estes primeiros dias de funcionamento, foi implantada sinalização nas vias de acesso. A CET-Rio informou que também vai instalar quatro painéis móveis na via.

Segundo Paes, as obras de mobilidade urbana ficarão como legado após o término dos grandes eventos que o Rio irá sediar. "O mais importante é que vai ter um monte de carioca que poderá usar isso aqui antes, durante e depois da Copa".

Segundo Paes, a Transcarioca vai atender 450 mil passageiros por dia e tirar 500 ônibus das ruas. A prefeitura estima que, quando a Transcarioca estiver totalmente concluída, haja redução em mais de 60% do tempo gasto entre Ilha do Governador e a Barra da Tijuca.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hotel Glória terá bandeira de luxo canadense Four Seasons

11/04/2014 - O Globo

O Rio de Janeiro está prestes a ganhar o primeiro hotel da rede canadense Four Seasons, uma das maiores bandeiras de luxo do mundo. De acordo com fontes envolvidas nas negociações, a companhia acerta os detalhes finais para a assinatura do contrato com o fundo suíço Acron, que comprou o Hotel Glória do empresário Eike Batista no início de fevereiro. De acordo com fontes, executivos da Acron e da Four Seasons se reuniram ontem com o prefeito Eduardo Paes para falar sobre a operação, que deve ser anunciada nos próximos dias.
Outra fonte também confirmou o estágio avançado das negociações entre a rede canadense e o fundo suíço. Famosa por administrar hotéis cinco estrelas mundo afora, a Four Seasons na América Latina tem operações apenas na Argentina, no Uruguai e na Costa Rica. Atualmente, a empresa está construindo uma unidade em São Paulo e outra em Pernambuco, com previsão de entrega em 2016.

A Acron já havia informado, no início de fevereiro, que estava negociando com cinco empresas para administrar o empreendimento no Rio.

- Há dez dias, o acordo já estava próximo de fechar. Faltam apenas alguns detalhes finais para a assinatura do contrato - disse essa mesma fonte.

Fundado em 1929, o Hotel Glória foi adquirido em 2008 pela REX, braço imobiliário da holding EBX, de Eike. Desde então, um dos mais tradicionais hotéis do Rio está fechado. Inicialmente, a previsão inicial de inauguração era 2011.

Depois, com os inúmeros problemas financeiros envolvendo a holding EBX e as mudanças no projeto da obra do hotel, a inauguração foi postergada para 2016, ou seja, ele não ficaria pronto para a Copa do Mundo. Atualmente, segundo o Portal Transparência da Copa, apenas 26% das obras físicas do hotel estão concluídas.

Promessa para as Olimpíadas

Ao anunciar a compra do imóvel, o fundo suíço disse que que a inauguração deve ocorrer entre o fim do próximo do ano e o início de 2016, antes, portanto, dos Jogos Olímpicos do Rio. Segundo comunicado divulgado pela Acron na época da aquisição, o Hotel Glória, depois das reformas, terá 352 quartos, além de teatro, lojas, restaurantes e piscina com vista para o Pão de Açúcar.

Procurada, a Four Seasons disse que não iria se pronunciar. A prefeitura não quis comentar o encontro com executivos das duas companhias. O hotel tem hoje financiamento contratado com o BNDES de R$ 190,6 milhões, dos quais foram liberados R$ 50 milhões. O crédito foi aprovado dentro do programa Procopa Turismo, lançado em 2010, que previa fomentar empreendimentos voltados para o turismo.

No ano passado, a Four Seasons havia anunciado a construção de dois hotéis no Brasil. Para a unidade de São Paulo, o investimento é de cerca de R$ 400 milhões. O projeto inicial prevê 240 quartos. A outra unidade será um resort em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Com 160 quartos, estão previstos investimentos de R$ 250 milhões.

Colaborou Ramona Ordoñez

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Reformado, Elevado do Joá volta a ter velocidade máxima de 80 km/h

05/04/2014 - O Globo

O trânsito do Elevado do Joá foi normalizado na madrugada desta sexta-feira, por volta de 4h, depois do local passar por obras de recuperação estrutural de cargas dos apoios por um ano. Com a inauguração do serviço, a velocidade máxima voltará a ser de 80 km/h, já que no período da obras estava em 60 km/h. Também será liberado o tráfego de caminhões com altura de até quatro metros, que estava proibido. A reforma completa custou R$ 66,5 milhões. No início da madrugada, uma comissão da Secretaria municipal de Obras vistoriou o local.

O serviço incluiu a instalação de novas vigas metálicas de sustentação do peso antes suportado por dentes de Gerber que estavam deteriorados. De acordo com o coordenador geral de Projetos da pasta, João Luiz Reis, a tecnologia utilizada no trabalho vai garantir um prazo maior até a próxima recuperação total do Elevado do Joá.

— Foi realizada uma recuperação cuidadosa. A obra passará por manutenção periódica. Porém, com o passar dos anos, toda construção precisa de uma reforma mais elaborada. Com o material utilizado aqui, esse serviço mais detalhado deverá ser necessário depois de mais de 20 anos — explicou João Luiz Reis, contando que a última obra desse porte realizada no local foi no final da década de 1980.

Ainda segundo o coordenador geral de Projetos da Secretaria de Obras, as obras, inciadas em abril de 2013, foram finalizadas em janeiro. Porém, para aproveitar a movimentação, a Prefeitura realizou, através da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, o recapeamento, a fresagem e a sinalização horizontal na pista inferior da via, no sentido São Conrado. Equipes da Coordenadoria Geral de Conservação (CGC) executaram os trabalhos numa extensão de 2km, com área de 16 mil m², com a utilização de 2,100 toneladas de massa asfáltica.

Obras de recuperação

O governo municipal optou por uma reforma completa no Elevado do Joá depois de analisar um estudo da Coppe/UFRJ, encomendado pela própria prefeitura, que apontou um possível colapso, já que a construção estava condenada. Inicialmente, o serviço estava orçado em R$ 7 milhões. A Secretaria de Obras justificou o aumento do orçamento por conta das mudanças no projeto.

O Joá foi erguido em estrutura de concreto armado em forma dentada, na qual se apoiam as pistas e as vigas de sustentação. Mas o projeto do elevado não previu a instalação de uma galeria de serviço que permitisse avaliar o estado de conservação de toda a extensão dos dentes de apoio. Ao todo, eram 1.996 dentes, sendo que a Coppe só conseguiu vistoriar 840 (42,1%). Na inspeção, constatou que cerca de 10% das estruturas observadas estavam comprometidas. Em alguns casos, o concreto rachou e, em outros, era possível ver sinais de corrosão no ferro. A Coppe alertou que a situação poderia ser ainda pior por não ter como vistoriar os dentes restantes por falta de acessos.

A instituição chegou a recomendar que o Elevado, inaugurado em 1971, fosse reconstruído. Porém, a prefeitura contestou o laudo e optou por uma solução alternativa: instalar vigas metálicas que passariam a suportar a estrutura no lugar dos dentes.

sábado, 5 de abril de 2014

Expansão da Via Light deve desafogar tráfego na Dutra


Projeto, orçado em R$ 465 milhões, inclui corredor expresso para ônibus e ciclovias

NATASHA MAZZACARO 

5/04/14 - O Globo

 Placa já anuncia o início das obras de ampliação da Via Light Foto: Divulgação/Eny Miranda
Placa já anuncia o início das obras de ampliação da Via Light Divulgação/Eny Miranda

RIO - O início das obras de ampliação da Via Light — que liga o Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, à Avenida Brasil, na altura do bairro de Guadalupe, na Zona Norte do Rio — foi anunciado neste sábado, pelo governador Luiz Fernando Pezão. A expansão da RJ-081, como foi oficialmente batizada, terá quatro quilômetros. A expectativa é que, depois de pronto, o trecho receba cerca de 22 mil veículos por dia, o que, consequentemente, diminuirá o fluxo de carros na Rodovia Presidente Dutra.

Durante o anúncio das intervenções, Pezão ressaltou que o projeto terá corredores expressos de ônibus, para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida dos trabalhadores. A ampliação, que será executada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, da Secretaria estadual de Obras, deve ser entregue no primeiro semestre de 2016.

— Vamos estudar também a implantação de ciclovias nos fins de semana, para aproveitar esta integração. Tirar este projeto do papel foi muito difícil, porque não é de simples execução. Vamos abrir dois túneis modernos e construir 12 viadutos — explica.

Embora tenha sido projetada para receber 50 mil carros diariamente, circulam hoje pela Via Light apenas 13 mil veículos. Com o projeto de ampliação, espera-se que a rodovia deixe de ser subutilizada. A ampliação, que está orçada em R$ 465 milhões, prevê também uma faixa exclusiva para a passagem de BRT, além dos 12 viadutos localizados em pontos estratégicos de bairros que cortam a RJ-081.
Firjan sugere mais amplianções

Dois estudos realizados pela Firjan apontam que a ampliação deste trecho e a execução de uma segunda obra (que ligaria a Avenida Brasil a Madureira), fariam com que 37 mil veículos deixassem de passar pela Dutra diariamente. A Federação propõe ainda mais duas extensões da Via Light: a primeira, na altura de Nova Iguaçu, ligaria a rodovia à Dutra, e a segunda uniria a RJ-081 à Linha Vermelha, na altura da Pavuna. O objetivo seria aumentar a capacidade da via para 75 mil veículos por dia e absorver 40% do volume diário da Dutra.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/expansao-da-via-light-deve-desafogar-trafego-na-dutra-12106159#ixzz2y3zlyniz 
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Área de telefônica invadida deveria ter virado bairro

Prefeitura e Telemar não chegaram a acordo sobre terreno, que abrigaria um projeto similar ao de Triagem

Moradores da região se queixam de abandono

FERNANDA PONTES

5/04/14 - O Globo

Terreno onde ficava antigo prédio da Telemar foi invadido por cerca de 5 mil   famílias - Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Terreno onde ficava antigo prédio da Telemar foi invadido por cerca de 5 mil famílias - Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

RIO - O terreno da Oi, invadido por centenas de famílias no último domingo, no Engenho Novo, seria vendido para a prefeitura. Um termo de compromisso de compra e venda, firmado entre a Telemar Norte Leste e a prefeitura no dia 6 de julho de 2012, mostrava as intenções do município em destinar o terreno à criação de um empreendimento similar ao do bairro Carioca, em Triagem. O documento, que foi assinado pelo prefeito Eduardo Paes, num evento no Rio que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, considerava também que "o governo federal, através do Ministério das Cidades, financiaria o programa Minha Casa Minha Vida".

Apesar da assinatura do documento, a venda não foi concretizada, pois o prefeito Eduardo Paes alegou que o preço era muito alto. O terreno ainda pertence à Telemar, que entrou na Justiça pedindo a reintegração de posse. A empresa obteve uma liminar na Justiça, que determina também a presença de agentes do estado e da prefeitura, como representantes das secretarias municipais e estaduais de Habitação e Desenvolvimento Social, para "oferecer apoio e orientação aos ocupantes da área", além da Polícia Militar e da Defensoria Pública.

Caso complexo

O despacho emitido pela Justiça determina ainda que seja realizada uma audiência especial no dia 8 de abril, às 13h, no Fórum do Méier, "tendo em vista a complexidade do caso, que envolve ações e responsabilidades de diversos órgãos estatais", e à qual deverão comparecer os responsáveis por órgãos públicos, como o 3º Batalhão da Polícia Militar, as Secretarias Municipais de Habitação e de Desenvolvimento Social, as Secretarias Estaduais de Habitação e Assistência Social e Direitos Humanos, o Corpo de Bombeiros, as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, as Procuradorias do Estado e do Município do Rio de Janeiro e o representante do Conselho Tutelar.

Na sexta-feira, o prefeito Eduardo Paes falou sobre a invasão. Segundo ele, trata-se de uma "ação organizada" e que a prefeitura dispõe de canais para oferta de moradias:

— Tivemos outras tentativas de invasão no Alemão e na Cidade de Deus. A gente viveu isso agora na Região Portuária, no Quilombo das Guerreiras. A gente tinha negociado há seis meses, o pessoal que estava lá saiu e ganhou casas novas, mas foi um tal de família invadindo. Quando nós demos o aluguel social, ninguém apareceu porque todo mundo tinha renda maior — disse. — Para mim, aquilo é uma ação organizada. Não estou dizendo que não tenham pessoas carentes, mas a prefeitura dispõe de canais adequados para a oferta de moradias. A gente não vai ficar passando a mão na cabeça de quem ficar invadindo área da posse.

Na sexta-feira, o camelô André Silva, de 35 anos, tentava retirar a água que invadiu o lote onde está erguendo um barraco na nova Favela da Telerj, como ficou conhecida a invasão dos prédios. Desde segunda-feira, quando soube por parentes que moram em uma favela próxima da invasão, André dorme em cima de uma tábua de madeira. A mulher e o filho de 1 ano estão na casa da família, em Piabetá:

— Eu moro numa área de risco. Minha casa fica no pé do morro, está ameaçada e mesmo assim sou obrigado a pagar aluguel. Toda vez que chove, fico preocupado — diz.

A diarista Jucilene Silva, de 40 anos, também tentava remover a água com uma garrafa plástica e demarcar o lote de 16 metros quadrados em que vai morar com o marido e o filho. Emocionada, ela diz que não pode pagar R$ 500 pelo aluguel de uma casa na "favela atrás de 21ª DP" (Bonsucesso).

— É muita humilhação não ter onde morar, não ter como pagar as contas — diz ela, com os olhos cheios d'água.

Histórias parecidas

As histórias dos novos ocupantes na Favela da Telerj são parecidas. A maioria diz ter onde morar, mas não consegue arcar com o valor do aluguel em favelas como Rato Molhado, Jacaré, Mandela e Pica-pau. São manobristas, diaristas, pedreiros e desempregados que esperam ser beneficiados por programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida.
No labirinto de lotes com 16 metros quadrados cada, os novos ocupantes se viram como podem. Em cada espaço ocupado, eles escrevem seus nomes e alguns isolam a área com madeira, cerca e até cadeado. Nem os banheiros ficaram de fora e estão sendo loteados. A estimativa é que cerca de 8 mil pessoas estejam vivendo ali.

Enquanto a ação tramita na Justiça, as famílias que ocupam o local têm outras preocupações: tetos que ameaçam cair, bueiros abertos, andares altos sem paredes, além da presença de vetores de doenças, como caramujos africanos, lacraias e mosquitos. Para não ficarem no escuro, alguns dos invasores já começam a fazer ligações de luz clandestinas.

Maria José da Silva, conhecida como Zezé, de 54 anos, é uma das líderes da ocupação. Ela, no entanto, não mora ali. É apenas uma porta-voz do grupo e acha que o número de pessoas ocupando o terreno está ficando insustentável:

— Já estou apavorada com a quantidade de gente. E cada dia vai chegando mais. As vendas e o aluguel de lotes estão proibidas. Os governantes não fazem nada. Para não dar problema entre a gente, decidimos que os barracos são de quatro por quatro metros.

Como grande parte dos lotes fica ao ar livre, alguns vão para a casa de parentes. Outros dormem ao relento, se apertam em colchonetes e tábuas. Suzete, de 58 anos, conseguiu arrumar uma lona azul para cobrir as crianças à noite. Mãe de cinco filhos, ela pretende morar ali com os 26 netos e três bisnetos.

— Aqui de noite é um horror. É sapo, caramujo, rato. Aqui está cheio de bicho, mas eu não tenho para onde ir. Estou cada hora numa casa diferente. Vivo de favor — diz ela.

Comércio prospera

Há também casos como o de Letícia Lourenço, de 27 anos, mãe de João Miguel, que tem apenas 3 meses. Desempregada e separada do marido, ela está morando com o filho recém-nascido no loteamento.

Dos prédios, que antes da invasão eram frequentados por usuários de crack, não resta mais uma esquadria de alumínio. Antigos móveis de madeira estão sendo reaproveitados e toda a fiação, inclusive os fios de alta tensão que ficavam numa subestação, também não existe mais.
Como não possuem qualquer infraestrutura básica, como água e banheiro, ambulantes vendem água, refrigerante, sanduíche de queijo e mortadela e até cachaça — a dose custa R$2.

— Para carregar essa quantidade de material, só tomando uma dose de pinga mesmo — disse a vendedora, que tem uma birosca na favela do Rato Molhado.

Eduardo da Silva, de 48 anos, ocupou uma casa onde funcionava a antiga lixeira. Manobrista do Adegão Português, ele conta que vive no Jacarezinho. Ganha R$ 350 por mês, fora a gorjeta, e não consegue mais pagar o aluguel.

— Perdi minha esposa, que trabalhava, e agora sou eu e meus quatro filhos — diz.

Do lado de fora, a movimentação de caminhões carregados de madeira ainda é intensa. Cada tábua sai por R$ 20. Quem não tem dinheiro, arranca galhos de árvores da única área verde que ainda resta por ali. Ricardo Gomes pegou R$ 500 emprestados para comprar madeira, pregos e outros materiais para construir seu barraco. Já Rodrigo Moreira aproveitou para montar uma barraca para vender espetinhos de carne.

— Eu vim porque ninguém tem fogão. O pessoal está montando barraco e vai ficar com fome — disse, acrescentando que, se a polícia for expulsá-los com agressões, os invasores também vão reagir para proteger as crianças e mulheres que moram no local e não têm para onde ir.

Moradores: queixa de abandono

No entorno da nova favela, o clima é de medo e de insatisfação. Usuários de crack que consomem drogas do lado de fora do loteamento a poucos metros do carro da polícia militar contribuem para aumentar a sensação de insegurança. Moradores do Engenho Novo evitavam falar com a imprensa, com medo dos invasores. Alguns no entanto, reclamam do lixo acumulado nas ruas próximas ao terreno invadido.

O engenheiro mecânico Sérgio Grosso, que mora na Rua Vigilante Serafim, diz que está se sentindo refém tanto das pessoas que invadiram o terreno como dos governantes que ainda não os retiraram.
— Nós também fomos invadidos. A rua (Baronesa do Engenho Novo) está tomada de lixo. Tiraram nosso direito de ir e vir. Não conseguimos dormir e estamos muito apreensivos. Eles estão construindo casas, fazendo gatos. Estou com medo de explosões, incêndios, falta de luz e água — reclamou. — É muita gente e o governo não faz nada. A Polícia também diz que não pode fazer nada sem mandado judicial da Oi. Isso vai desvalorizar meu imóvel. Pedimos que o poder público tome uma atitude para evitar essa situação.

Desde segunda-feira, de acordo com a a prefeitura, equipes de garis da Comlurb já retiraram cerca de 25 toneladas de lixo do entorno da área ocupada pelos novos moradores.

Cerca de 5 mil pessoas invadiram um conjunto de prédios e galpões que pertenciam à companhia telefônica Oi na madrugada de segunda -feira.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/area-de-telefonica-invadida-deveria-ter-virado-bairro-12101009#ixzz2y1DKGzOH 

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Nova Estação Uruguai do metrô e pacificação elevam em 30% o preço de imóveis

03/04/2014 - O Globo

Leia: Estação Uruguai não é refrigerada, como havia sido prometido

RIO — São 8h30m e a Estação Uruguai do metrô, na Tijuca, está lotada. Construída no pátio de manobras que ficou conhecido como "rabicho da Tijuca", a nova plataforma realizou um sonho antigo do tijucano. A proximidade do metrô, num momento em que a cidade está repleta de obras por todos os lados, combinada com os efeitos da pacificação das favelas da região, contribuiu para a valorização de imóveis em até 30% naquele trecho da Tijuca. A mudança já foi sentida na rotina do morador, que ganhou mais tempo no seu dia a dia, e do comércio, otimista em relação ao aumento das vendas.

Desde a inauguração da Estação Uruguai, no dia 15 de março, o aposentado Eduardo Rodrigues Silva procura um apartamento nos arredores de uma das cinco saídas do metrô. Morador da Rua Henrique Fleiuss, na Tijuca, ele optou por vender o carro e só utilizar transporte público:

— Era o que faltava no bairro. Eu moro no alto de uma ladeira e tinha que pegar o ônibus de integração até o metrô. Agora que a estação foi inaugurada, quero morar mais perto.

A procura por um apartamento em ruas como Uruguai, Dona Delfina, Itacuruçá, José Higino e Andrade Neves já pode ser sentida no preço do imóvel. Dados do Sindicato de Habitação (Secovi-RJ) mostram que o metro quadrado aumentou de R$ 5.448 para R$ 7.280, uma variação de 33,6%, entre 2012 e 2014.

Apesar de o bairro como um todo ter se valorizado devido à instalação das UPPs, um olhar mais atento mostra que o metro quadrado da Rua Uruguai teve uma variação de 33%. Já a Avenida Maracanã — outro endereço cobiçado, devido à urbanização no entorno do estádio que sediará a final da Copa do Mundo — foi de 30,6%.

— A questão de acesso hoje é um fator crítico. Eu diria que vem logo após a segurança. A proximidade de uma estação do metrô é considerada um atrativo. E isso funciona como efeito cascata. Todos os que estão ao redor são beneficiados de alguma forma, ainda mais nesse momento em que a cidade está cercada por canteiros de obras — diz Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi.

Vice-presidente da Ademi, Rogério Zylbersztajn afirma que a valorização naquele trecho da Tijuca foi de 27%. A UPP, segundo ele, teve um papel fundamental na revitalização da Tijuca, mas a proximidade do metrô também contribuiu:

— As pessoas querem mobilidade urbana, querem poder deixar o carro em casa. Essa é a vantagem de morar próximo do metrô.

Quem tinha planos de se mudar do bairro antes da chegada do metrô acabou desistindo da ideia. Esse é o caso da aposentada Bárbara Domingues, que pretende continuar na Rua Andrade Neves:

— Foi uma notícia maravilhosa. Minha filha mora no Leblon, e a distância até a casa dela encurtou. Vou de metrô até Ipanema e de lá pego um ônibus. Quando inaugurarem a estação do Leblon, vai ser perfeito.

Vinícius Domingues, advogado e aluno da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, no Centro, é outro que se beneficiou do metrô. Ele conta que economiza 40 minutos de seu dia:

— Já tinha tentado ir ao Centro de duas formas: de ônibus ou de metrô, com a integração até a Praça Saens Peña, que estava sempre insuportável de tão cheia. Hoje gasto 20 minutos a menos na ida e na volta.

Ele é um dos 21 mil usuários que utilizam diariamente a Estação Uruguai do metrô. Destes, segundo a concessionária Metrô Rio, 15 mil já usavam o transporte, embarcando na Saens Peña. Outros seis mil foram incorporados ao sistema após a nova estação. Nos arredores, o clima é de otimismo. Maria Luiza Saldanha, gerente de uma loja Kalunga, inaugurada em janeiro, considera a abertura do metrô "um presente":

— Já podemos sentir um aumento das vendas, principalmente no horário de saída do trabalho, quando as pessoas deixam a estação e dão de cara com a loja.

Um dos pioneiros na revitalização daquele trecho da Tijuca, o empresário Ottmar Grunewald, que recentemente abriu o Café Otto ali, acredita que as vendas vão aumentar.

— Sou do tempo em que a área era repleta de moradores de rua. O metrô representa uma mudança de hábito do carioca. Na Tijuca, as ruas estão cheias, e a frequência melhorou. Ele veio nos atender, até com um certo atraso.

Assim como Ottmar, muitos moradores da Tijuca duvidaram que o "rabicho" seria transformado numa estação do metrô. Seu traçado até a Saens Peña, de apenas um quilômetro, já tinha sido parcialmente escavado em 1982. Desde então, apesar de o projeto não ter sido concebido com esta finalidade, não faltaram propostas de ocupação para o lugar.

— Cada hora falavam uma coisa. Ninguém acreditava em mais nada. Já disseram que ali ficaria a conexão com o metrô da Gávea! Quando anunciaram as obras da Uruguai, foi uma surpresa — diz o aposentado Cleider Pinto, de 79 anos