segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Arco Metropolitano do Rio ainda é pouco utilizado

08/10/2016  - O Globo

RIO - Inaugurado em 2014 com a expectativa de incentivar a economia do estado, o trecho do Arco Metropolitano entre Duque de Caxias e Itaguaí, que custou cerca de R$ 2 bilhões, é hoje subutilizado. Com a crise econômica, o movimento de carga caiu, e houve redução no número de carros de passeio. Sem qualquer ponto de apoio para motoristas e até de postos de combustíveis em seus 71 quilômetros, o Arco tornou-se uma via de pouco movimento. Para o presidente da Câmara Metropolitana de Integração Governamental, Vicente Loureiro, a solução para viabilizar a rodovia é a concessão à iniciativa privada, com cobrança de pedágio.

SEM CONTAGEM DE VEÍCULOS

No ano passado, o movimento era de cerca de 15 mil veículos por dia, metade do que havia sido previsto. Estima-se que hoje já estaria na casa dos 6 mil, mas, como o contrato com a empresa que fazia a contagem de tráfego foi suspenso no ano passado, por causa da crise no estado, não existem números atualizados.

— O Arco Metropolitano ficou pronto na hora em que economia começou a estagnar. O movimento de carga reduziu, e a pouca utilização acabou trazendo insegurança. Não há posto de informação nem qualquer apoio aos motoristas. Já nos reunimos com investidores e empreendedores que poderiam se instalar no Arco, mas não houve interesse — disse Vicente Loureiro. — O governador (licenciado) Luiz Fernando Pezão queria estadualizar a rodovia (que é federal, embora seja administrada por meio de convênio pelo estado), mas, com a crise financeira, isso não foi adiante.

A falta de sinalização sobre os acessos ao Arco Metropolitano é outro ponto citado por Vicente Loureiro:

— Nas estradas federais que ele (o Arco) corta, falta sinalização. O usuário não tem a percepção de que pode encurtar caminho.

O projeto teve início em 2008, e o primeiro trecho da rodovia deveria ter ficado pronto em setembro de 2010. Mas, três anos depois, apenas 35% tinham sido executados. As obras só foram aceleradas em 2012 e concluídas em 2014. O Arco foi pensado com uma via alternativa para o escoamento do tráfego pesado da Região Metropolitana, desafogando as esgotadas Avenida Brasil, Rodovia Presidente Dutra e a BR-040 (Rio-Petrópolis). Os cerca de 70 quilômetros ligam Itaguaí a Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde se conecta à BR-116 (Rio-Teresópolis) e à BR-493 (Magé-Manilha). Todo o trecho teria 145 quilômetros de estrada no entorno da Região Metropolitana do Rio, ligando as cidades de Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Queimados, Seropédica e Itaguaí.

No entanto, as obras estão paralisadas no trecho entre Magé e Manilha, sob responsabilidade do governo federal. Os trabalhos de terraplanagem para a duplicação chegaram a ser iniciados, mas, segundo Vicente Loureiro, estão parados e sem prazo para serem retomados. Em uma placa instalada às margens da rodovia, a data de conclusão foi remarcada e agora consta fevereiro de 2018.



Para quem passa pelo Arco, a preocupação é constante. Além de não haver qualquer ponto de apoio ou telefones para os usuários, em vários trechos não há sinal de celular.

— Só passo lá durante o dia e, mesmo assim, raramente. Quando vejo que há congestionamento na Avenida Brasil, vou pelo Arco. Fico com medo de o carro enguiçar e não ter como pedir socorro — disse o comerciante Marcelos dos Santos, que costuma ir para Angra dos Reis de carro.

Na quarta-feira, o motorista de um caminhão de cargas foi rendido e roubado no Arco Metropolitano. Vindo de São Paulo, parou o caminhão depois que um tiro disparado por um dos bandidos atingiu o para-brisa do veículo. Ele foi mantido refém enquanto criminosos retiravam a carga, avaliada em R$ 290 mil. O homem, que tinha sido levado pelos bandidos para um barraco no alto do Morro da Quitanda, em Costas Barros, foi libertado por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) depois de uma intensa troca de tiros entre os agentes e os criminosos.

Não há estáticas específicas sobre o número de assaltos ocorridos no Arco Metropolitano. O Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável pelas estatísticas de violência no estado, não tem um recorte específico da rodovia.

Perguntada sobre o esquema de policiamento, a Polícia Militar apenas enviou uma nota informando que o patrulhamento é realizado pelo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) com carros que fazem rondas durante 24 horas.

A ocupação desordenada e a consequente favelização das margens da rodovia são outra preocupação. Há sete meses, a Câmara Metropolitana de Integração Governamental utiliza drones para fazer o monitoramento com o objetivo de identificar as áreas de risco, de ocupação, de impacto ambiental e as atividades econômicas situadas na faixa de domínio da rodovia.

OCUPAÇÃO DAS MARGENS

O mais recente relatório, segundo a Câmara, identificou dentro da faixa de domínio da rodovia, entre abril de 2015 e setembro deste ano, 42 delimitações de terreno (construções de cercas e muros), sete tentativas de construção, quatro pontos de comércio e três movimentações de terra, todas irregulares. Na rodovia, foram identificados 44 acessos e sete travessias irregulares. Todas as ocorrências foram notificadas ao DER.

O monitoramento mostrou ainda que, no entorno do Arco, foram verificadas cerca de 12 construções durante e após a inauguração da rodovia, sendo nove no município de Nova Iguaçu e três em Japeri. Também foram identificadas movimentações de terra nos municípios de Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. Todas as prefeituras já foram notificadas para que providências sejam tomadas nos casos de irregularidade.

Em Vila de Cava, em Nova Iguaçu, existem várias construções irregulares. Lá, inclusive há um acesso, aberto por moradores, que tem movimento intenso de veículos durante todo o dia.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cinemas que fizeram história no Centro voltam à cena

10/09/2016 - O Globo, Carlos Brito

Uma multidão ocupava os mil assentos do então Palácio Teatro, na Rua do Passeio 38, Centro do Rio. Era 20 de junho de 1929 e todos estavam ansiosos pela estreia de "Melodia da Broadway", de Harry Beaumont, primeiro filme sonoro exibido no Brasil. Na plateia, um espectador ilustre: o presidente Washington Luís, que pouco mais de um ano depois seria destituído do cargo por conta do golpe liderado por Getúlio Vargas, episódio que resultaria no fim da República Velha. Quatorze anos mais tarde, o rebatizado Cine Palácio ainda seria um dos principais representantes de uma época, na qual os grandes cinemas da região, como o Ideal e o Vitória, se destacavam na agenda de diversão do carioca. Mais recentemente, há quase quatro anos, após um período de decadência entre os anos 1990 e a primeira década dos anos 2000, parte dessas salas começaram a ser reinventadas e transformadas em novos espaços culturais. E o exemplo mais atual dessa tendência é o próprio Cine Palácio, que, desde o último dia 26, foi transformado em Teatro Riachuelo.

A obra de recuperação, que custou R$ 42 milhões, durou quase três anos e exigiu muito cuidado. O prédio está tombado desde 2008, quando deixou de funcionar como cinema, ao ser vendido pelo Grupo Severiano Ribeiro. Desde então, o lugar, que tem fachada em estilo neomourisco, concebida no fim do século XIX pelo arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios, permaneceu fechado. O teatro agora faz parte do Passeio Corporate - um empreendimento imobiliário do banco Opportunity formado por três torres que ocuparão 70 mil metros quadrados e prevê a construção de um grande centro comercial na região - e é gerenciado pela Aventura Entretenimento, que ficará à frente da programação pelos próximos 20 anos.

- Queríamos participar do processo de revitalização da região. Soubemos do empreendimento e fizemos a proposta para assumirmos o espaço. A partir daí, entramos em obras, que foram bem mais complexas do que esperávamos - conta a produtora Aniela Jordan, uma das sócias da Aventura, experiente na produção de espetáculos musicais.

REFORÇO NA FUNDAÇÃO

Durante a reforma, por exemplo, foi constatado que a fundação original do Cine Palácio poderia não suportar o peso do novo teatro. Foi necessário instalar 30 estacas ao redor dos seis pilares de sustentação do imóvel. Além disso, com o acompanhamento de técnicos do Patrimônio Histórico Municipal, os administradores incorporaram novos elementos à arquitetura original, como lustres e cadeiras, ambos assinados pelo designer Zanini de Zanine.

- Quando todo o complexo começar a funcionar, pelo menos dez mil pessoas deverão passar por ele todos os dias. Boa parte da estrutura original foi mantida, mas fizemos inovações - diz Aniela.

Outro exemplo de reinvenção dos cinemas do Centro fica no número 62 da Rua da Carioca. Inaugurado em outubro de 1909, o Cine Ideal era um dos locais favoritos de Rui Barbosa, que ia assistir a filmes lançados pela distribuidora francesa Pathé. O espaço, que desde novembro passado funciona como Maison Leffié, ainda guarda seu charme: uma cobertura móvel de vidro projetada pelo engenheiro e arquiteto francês Gustave Eiffel, o mesmo da torre de Paris. Durante muito tempo, essa peça fez com que o Ideal fosse o único cinema ao ar livre à noite. A casa estava fechada desde 2014, após alguns anos abrigando festas para o público LGBT.

- Este prédio é parte da história dos grandes cinemas do Centro, não poderia continuar fechado. Por isso, fizemos tudo com muito cuidado, a cor das paredes respeitou as características da construção original - disse a arquiteta Rita de Cássia da Silva, uma das sócias do empreendimento cultural.

Para o pesquisador e autor do livro "Salas de cinema art déco no Rio de Janeiro", Renato Gama-Rosa, tanto o Ideal quanto o Palácio podem ser classificados no que se chama de escola eclética de arquitetura:

- Já o Cine Vitória é um exemplo perfeito do art déco americano, muito comum nas salas de exibição de Nova York e Los Angeles na década de 1930 e 1940. Foi o último dos grandes cinemas a ser inaugurado no Centro. Depois, esses locais seriam construídos apenas na Zona Norte e no subúrbio.

LIVRARIA BEM-SUCEDIDA

A menção ao Cine Vitória não é aleatória. O espaço erguido em 1942, na Rua Senador Dantas, abriga um dos empreendimentos mais bem-sucedidos entre os recuperados no Centro: a Livraria Cultura Cine Vitória. Inaugurada em dezembro de 2012, recebe cerca de 2.500 pessoas por dia no prédio que, ainda hoje, mantém características da construção original, como o piso de mármore, os lustres do salão de entrada, as sancas e luminárias laterais e a estrutura de madeira utilizada em parte das antigas cadeiras da plateia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Túnel subterrâneo terá primeira galeria inaugurada no dia 19 deste mês

08/06/2016 - O Dia

Eduardo Paes visitou o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar, que faz parte da reestruturação urbana da Região Portuária

Rio - O maior túnel subterrâneo do país, que substituirá o Elevado da Perimetral, terá a primeira galeria inaugurada no próximo dia 19. O prefeito Eduardo Paes visitou ontem o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar, que faz parte da reestruturação urbana da Região Portuária, e apresentou como será a estrutura viária da área a partir deste sábado.

Prefeito Eduardo Paes visitou ontem as obras, que estão em fase final
Foto: Divulgação

Com 3.382 metros, o Túnel Marcello Alencar vai do Armazém 8 do Cais do Porto à Praça XV e faz parte da nova Via Expressa, que substitui a Perimetral e ligará a Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói ao Aterro do Flamengo. Ele é composto por duas galerias: Continente (sentido Aterro do Flamengo) e Mar (sentido Avenida Brasil). A galeria Continente, com 3.370 metros e capacidade para receber até 55 mil veículos por dia, vai ser a primeira a ser inaugurada.

As modificações começam a zero hora de sábado, com novos acessos de veículos ao Aeroporto Santos Dumont. “Essa é uma entrega super importante para a cidade. A ausência desse túnel foi um fator de muito engarrafamento, não só no Centro da cidade, mas também na Zona Sul, no Aterro do Flamengo e na Avenida Brasil. Teremos uma redução de volumes nos túneis Rebouças e Santa Bárbara”, prevê o prefeito.

sábado, 4 de junho de 2016

Ilha Grande ganha obras na Vila do Abraão

03/06/2016 - O Globo, Selma Schmidt

Pousadas, bares e restaurantes não faltam na Vila do Abraão, porta de entrada da Ilha Grande. Tampouco circuitos em trilhas e no mar. Mas a Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio, do governo do estado, entende que é preciso requalificar a infraestrutura básica local, para consolidar o turismo, atrair negócios e gerar empregos. O investimento, que custará R$ 28,3 milhões, será financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), dentro do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), e inclui reurbanização, drenagem e saneamento numa área de 517 mil metros quadrados. Já licitado, o projeto começará a ser executado no início de junho. Serão 16 meses de obras, a cargo da Hécio Gomes Engenharia.

No ano passado, em período de alta temporada, a vila chegou a receber num só dia 5.378 visitantes, segundo estatística do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Ilha Grande (Consig). Presidente da Câmara Metropolitana, o arquiteto Vicente Loureiro diz que, com as intervenções, pretende melhorar o atendimento ao turista, mas ressalta que é preciso limitar o número de visitantes à capacidade do lugar:

- Queremos turismo com responsabilidade, com cuidado. A ideia do projeto é dar qualidade e um tratamento uniforme à vila.

O DOBRO DE VISITANTES

A Câmara Metropolitana estima que, com as melhorias, a vila poderia comportar até 15 mil pessoas, incluindo os quatro mil moradores. Ou seja, conseguiria quase duplicar o número de turistas. Dos 5.378 visitantes/dia contabilizados em 2015, apenas 988 não pernoitaram no local. Entre os 4.390 restantes, 2.392 ficaram em pousadas, 670 em campings e 1.328 em casas. É para a Vila do Abraão que vai a maior parte dos turistas que desembarca na ilha. No seu cais, atracam grandes barcas com passageiros e mercadorias de Angra dos Reis e Mangaratiba.

Como a Ilha Grande é uma unidade de conservação, a proposta de revitalização do Abraão precisou ser submetida e licenciada por órgãos ambientais. A orla terá até um espaço gourmet para festas e eventos. Em um trecho, parte da calçada será alargada para a instalação de mesas e cadeiras.

A reurbanização da orla, da Rua Getulio Vargas e de vias perpendiculares prevê ainda a reforma de pontes, nova sinalização turística e substituição do saibro do pavimento por blocos de concreto. Duas praças também serão remodeladas e, quanto à iluminação, a fiação será embutida.

- Nos pontos que queremos destacar será dado um caráter cenográfico à iluminação, que ficará mais elaborada, com maior potência e foco direcionado - explica Loureiro.

Para a drenagem das águas de chuva, serão implantados 19 mil metros de dutos:

- Atualmente, esgoto e águas pluviais correm na mesma tubulação. Haverá a separação, para garantir mais balneabilidade e sustentabilidade.

O projeto contempla ainda a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) e a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) - com capacidade para 24 litros por segundo - e de seis elevatórias.

A revitalização da Vila do Abraão corre em paralelo ao projeto de privatização da gestão da Ilha Grande, que terá como consequência imediata a cobrança de taxa de acesso - cujo valor ainda não foi estipulado -e a fixação da capacidade de visitantes. Deverão ficar isentos da cobrança moradores da própria ilha, de Angra dos Reis e de Mangaratiba.

Liderado pela Secretaria estadual do Ambiente, o processo de privatização está sendo discutido desde janeiro de 2015. E a intenção do secretário André Corrêa é que o novo modelo esteja funcionando a partir do meio do ano que vem, com a administração a cargo de uma empresa, que também deverá adotar medidas visando a melhorar o saneamento básico e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos da ilha.

NOVA GESTÃO PARA PARQUE

O Parque Estadual da Ilha Grande será a primeira unidade de conservação do estado a ser gerida por meio de Parceria Público-Privada. O formato da PPP e o valor da taxa serão discutidos em audiência pública, ainda sem data marcada. Antes, em até um mês, a Secretaria do Ambiente pretende publicar aviso de consulta pública para que empresas manifestem interesse na parceria.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Prefeitura do Rio inaugura Novo Joá

28/05/2016 - Secretaria Municipal de Transportes

A Prefeitura do Rio entregou o Novo Joá à população no sábado (28/05), a três meses do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Com 5km de extensão, a travessia é um dos principais legados de mobilidade para os cariocas dentro do escopo de obras que preparam a cidade para as Olimpíadas. A estrutura foi construída contígua ao Elevado das Bandeiras e garantirá o aumento de capacidade viária em 30% entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, podendo ser utilizada também em reversível nos horários de pico do tráfego. O Novo Joá conta com duas faixas e dois túneis paralelos ao já existente, sempre no sentido São Conrado-Barra. As pistas em operação, no tablado inferior, permanecem no sentido Barra-São Conrado. O tablado superior, que tem circulação em direção à Barra, passará a operar em mão dupla somente para automóveis. A faixa reversível será desativada.

As intervenções providenciaram a construção do novo Elevado Presidente Itamar Franco, com 1,1 km - cinco metros mais alto que o atual, para permitir que os motoristas continuem tendo a oportunidade de apreciar a vista para o mar; e abriram dois novos túneis, com 650 metros de extensão no total: Túnel Engenheiro Paulo Cezar Marcellino Figueire, com 220m, e Túnel Engenheiro Luiz Jacques de Moraes, com 430m. O escopo incluiu ainda a implantação da nova ponte da Joatinga, com 520 metros, e remodelou as faixas de acesso aos viadutos na altura de São Conrado, reorganizando o trânsito local.  

Iniciada em junho de 2014, com investimento de R$ 457,9 milhões, a concepção do projeto básico foi idealizada pela Fundação Geo-Rio. Toda a obra consumiu 28.000 m³ de concreto, o equivalente ao necessário para construir dois Museus do Amanhã. O volume de material escavado chegou a 92.000 m³, entre rocha e areia, o  que preencheria 25 piscinas olímpicas.

Uma ciclovia de 3,1 km foi construída sobre o elevado existente e será inaugurada após a rechecagem e inspeção dos técnicos da Coppe/UFRJ e INPH, cuja perícia independente foi contratada pela Prefeitura do Rio em abril deste ano. A faixa exclusiva para bicicletas vai contribuir para a ampliação da malha cicloviária da cidade, integrando as ciclovias existentes em São Conrado, na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.

Esquema de trânsito

A nova pista do Joá e o tabuleiro inferior terão velocidade máxima de 80 km/h. Já o tabuleiro superior terá velocidade de 50 km/h. As vias contarão com fiscalização eletrônica. Com a nova configuração do Joá, espera-se uma redução de até 60% no tempo de viagem no sentido Barra no período da manhã. Já no período da tarde, a redução poderá chegar a 20%, em média, no trecho do Joá. No sentido contrário, o tempo de viagem será reduzido em 10%. Pelas pistas em operação do Joá, trafegam 85 mil veículos por dia. Por conta da redução de 85% do volume de tráfego durante a madrugada, a pista em mão dupla do tablado superior será fechada toda noite, das 23h30 às 4h30, exceto quando houver manutenção em outras pistas.

Caso haja necessidade de fechamento do tablado inferior ou da pista nova do Joá para serviços de manutenção ou conservação, o tablado superior funcionará em mão única, substituindo a pista que está fechada. Nesse caso, será permitida a circulação de ônibus, caminhões e motos.

Para os Jogos Olímpicos, no período de 31 de julho a 22 de agosto, haverá duas Faixas Olímpicas dedicadas (exclusivas) no Joá: uma faixa na nova pista sentido Barra e uma faixa no sentido São Conrado, no tablado inferior. As Faixas Olímpicas serão implementadas durante o evento para garantir o tempo de deslocamento da família olímpica aos locais de competição.

Os fechamentos de pista, quando necessários, serão comunicados com antecedência. Painéis de Mensagens Variáveis (PMV) informarão o regime de operação das pistas do Elevado do Joá. No tablado superior, dispositivos luminosos (que indicam a liberação de pista) também servirão de reforço na comunicação aos usuários sobre a operação.

 Com a nova pista, o monitoramento na via será intensificado. Equipes da CET-RIO estarão prontas para atuar em caso de ocorrências, por meio de rondas permanentes com motos, pick-ups e reboques, além de câmeras instaladas ao longo da via ligadas Centro de Operações Rio.

Paes entrega trecho entre a Praça Quinze e Museu Histórico Nacional

30/05/2016  - O Globo

Com um novo Centro à vista, os cariocas puderam redescobrir ontem mais um pedaço do coração da cidade, desta vez em um ponto entre a Praça Quinze e o Museu Histórico Nacional. Menosprezado e cinzento nos tempos da Perimetral e, durante meses, fechado para obras, o trecho de 777 metros de extensão à beira da Baía de Guanabara agora tem áreas verdes, bancos de madeira e caminho livre para pedestres e ciclistas diante de prédios históricos da região.

A área revitalizada, parte da Orla Luiz Paulo Conde, foi inaugurada pelo prefeito Eduardo Paes. Cruza a Praça Marechal Âncora, que abriga o restaurante Ancoramar (antigo Albamar), e vai até a Praça da Misericórdia, com uma passagem subterrânea que integra os dois espaços.

— É uma parte fantástica da cidade. Queremos que os cariocas venham aqui, pois perdemos esse hábito de frequentar o Centro, olhar para sua história — disse Paes, que explicou porque ainda havia alguns tapumes no caminho. — São do Túnel Marcello Alencar, que deve ficar pronto daqui a duas ou três semanas — afirmou o prefeito, que chamou a nova via de um alívio ao trânsito da Avenida Passos e dos túneis Rebouças e Santa Bárbara.

Com o trecho entregue ontem já são 2.677 metros da Orla Conde abertos — de um total de 3,5 quilômetros e nove praças. As próximas áreas a ficarem prontas, afirmou a prefeitura, serão a Praça da Candelária e a parte do boulevard do Porto entre os armazéns 6 e 8. Nos Jogos do Rio, lembrou o prefeito, o lugar vai receber uma pira olímpica.

— Essa orla será um grande espaço olímpico da cidade. Vai ser a primeira vez que a pira (depois de acesa na cerimônia de abertura no Maracanã) não ficará fechada dentro de um estádio — contou Paes. 

TEMOR QUANTO À SEGURANÇA 

Nas praças reabertas ontem, no entanto, os elogios dos visitantes vieram acompanhados de preocupações com a segurança no local. Receio manifestado, por exemplo, pela professora de música Helena Silva:

— Achei o lugar tudo de bom. Mas espero que não fique cheio de camelôs e que deem segurança para as pessoas poderem desfrutá-lo, porque está sem proteção.

Para a administradora de imóveis Mônica Vasconcelos, a falta de policiamento pode prejudicar a proposta da nova orla.

— Vai ser um espaço para marginais se não tiver policiamento — disse ela.

Até Paes ressaltou que a polícia precisa estar mais presente na área perto da estação das barcas:

— A prefeitura está cumprindo sua parte, urbanizando, pondo iluminação... Nós confiamos na polícia para agir e impedir que este seja um espaço que espante as pessoas. Quanto mais gente, menor o problema com a violência.

Conforme O GLOBO adiantou, o governo do estado vai adotar no Centro, a partir do dia 1º de julho, o modelo de policiamento em parceria com a iniciativa privada que já funciona em pontos como o Aterro. A Operação Centro Presente será apresentada hoje pela Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos e pela Fecomércio-RJ. O reforço na segurança da região deve contar com 522 PMs.

domingo, 29 de maio de 2016

Mudanças na Ponte Rio-Niterói: Mais fiscalização e tecnologia

27/05/2016  - O Globo

Na próxima quarta-feira, os 150 mil veículos que passam diariamente pela Ponte Rio-Niterói encontrarão mudanças importantes. A principal delas tem aparência discreta, mas é a que deve gerar mais ruído: a partir do dia 1º de junho, a rodovia passa a ser fiscalizada por radares eletrônicos que vão multar todos os veículos que ultrapassarem o limite de 80km/h. Outras novidades poderão ser notadas pelos usuários, como o sinal para conexão gratuita de internet via wi-fi e gradeamento nos acessos. As alterações estão entre os compromissos estabelecidos em contrato para o primeiro ano de concessão da Ecoponte, prazo que termina no fim do mês.

ANALICE PARON - Radares. O trecho antes da chegada à Ilha do Mocanguê é um dos que terão fiscalização eletrônica de velocidade

A praça do pedágio também será ampliada, com a criação de mais duas cabines com cobrança mista (tanto manual como automática) e uma faixa para motos. Atualmente, segundo a Ecoponte, cerca de 50% dos veículos utilizam as faixas automáticas. Para se ter uma ideia do impacto das cancelas automáticas, há duas semanas um problema durante a mudança do sistema de cobrança eletrônica fez com que a liberação das cancelas ficasse manual. Como resultado, o tempo de travessia chegou a 50 minutos. Outras obras previstas em contrato para execução até o fim do mês são a instalação das duas cabines para a Polícia Rodoviária Federal, uma em cada sentido. Radares, sistema de wi-fi e o posto na saída para Niterói já estão instalados, embora ainda não operem. Já a cabine policial no sentido Rio ainda não é vista na Ponte. Embora o prazo contratual para implantação do conjunto de melhorias esteja apertado — faltam quatro dias —, a concessionária afirma que entregará tudo dentro do limite.

Segundo a Ecoponte, o conjunto de equipamentos de fiscalização tem o objetivo de dar mais segurança e fluidez ao tráfego. É o caso dos radares, que se tornam uma realidade após anos de e boatos. Serão quatro conjuntos em cada sentido da rodovia — o que dá uma média de um aparelho a cada três quilômetros. O atual limite de 80km/h foi mantido, mas agora o abuso de velocidade custará caro ao motorista. O condutor que percorrer toda a extensão da Ponte a 100km/h vai chegar ao outro lado com quatro multas de R$ 127 cada e mais 20 pontos na carteira de motorista, o suficiente para perder a habilitação. Os equipamentos serão instalados nas descidas do vão central, na reta do Cais do Porto, na grande reta e próximos à Ilha do Mocanguê. As autuações ficam a cargo da PRF. A Ecoponte informou que não terá participação na arrecadação da receita com multas.

— Os radares trarão como consequência a diespeculações minuição exponencial no número de acidentes, uma vez que a velocidade é certamente o maior causador de acidentes na Ponte — garante Daniel Cerqueira, chefe da 2ª Delegacia da PRF (Ponte). —Vale lembrar aos motoristas que, na prática, estar a 100km/h ou a 80 km/h, no fim das contas, vai dar uma diferença de apenas dois minutos. Não justifica o risco.

Professor de Transportes da UFF e da Uerj, o engenheiro Gilberto Gonçalves explica que a definição do limite de velocidade leva em consideração as características de cada via. Ele lembra que a Ponte foi inaugurada, em 1974, com velocidade máxima de 120km/h, mas eram apenas três faixas e havia acostamento.

— Hoje são quatro faixas mais estreitas, então, é necessário diminuir o limite. Os automóveis não andam em linha reta. Eles oscilam, e essa movimentação é maior ou menor, dependendo da velocidade — explica o engenheiro, que também fala sobre a disponibilidade de wi-fi na rodovia. — Entendo que é uma tendência. Daqui para frente, cada vez mais carros estarão conectados à internet. Então será um serviço útil. É óbvio que não é algo para o motorista, mas para os passageiros e para o veículo — avalia.

Entre os motoristas, há quem discorde. Morador de Itaipu, o músico Breno Brito defende que a velocidade máxima da via deveria ser maior.

— Na Ponte, a 80km/h você tem a sensação de andar a 50km/h por hora. Imagina de noite. Vai dar sono no motorista — critica.

Para os próximos anos, a concessionária diz que estuda as mudanças no fluxo de veículos após a conclusão das obras na Transoceânica, da Avenida Brasil e na região do Porto Maravilha, que prometem desafogar o trânsito nas saídas da ponte.

— Para melhorar o transito num local, você investe em outro. Com as novas alternativas que diminuem o trânsito interno, como o túnel Charitas-Cafubá, a perspectiva é de melhorar o fluxo — avalia Wilson Castilho, gerente de contratos da Ecoponte.

Nova via do Elevado do Joá é inaugurada neste sábado

28/05/2016  - O Globo / Folha de SP

RIO — A nova via do Elevado do Joá foi inaugurada às 7h45 da manhã deste sábado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. A nova pista do Joá e o tabuleiro inferior terão velocidade máxima permitida de 80km/h. Já no tabuleiro superior, a velocidade máxima será de 50 km/h. As vias contarão com fiscalização eletrônica. A ligação viária promete desafogar o trânsito entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, ampliando em 35% a capacidade de tráfego na via, que hoje é de cem mil veículos por dia.

— Agora vamos ter uma queda permanente de tapumes. Temos que lembrar que essa obra não estava prevista para as Olimpíadas — disse Paes, que falou também sobre a ciclovia do Joá. - Poderíamos tê-la inaugurado junto com o túnel, mas vamos checar um pequeno trecho aqui (São Conrado) que tem mais contato com o mar e fazer todos os estudos.

Segundo o prefeito, nada vai ser aberto "sem ter toda segurança":

- O carioca pode ficar tranquilo, estamos checando e rechecando e o nosso objetivo é ter as duas ciclovias (Joá e Niemeyer) abertas em conjunto. Queremos devolver esse grande presente para a população, que infelizmente causou essa tragedia, a morte de duas pessoas. 

Com a nova configuração do elevado, espera-se uma redução de até 60% no tempo de viagem do sentido Barra, no período da manhã. Já no período da tarde, a redução poderá chegar a 20%, em média, no trecho do Joá. No sentido contrário, o tempo de viagem será reduzido em 10%.

Pelas pistas em operação do Joá trafegam 85 mil veículos por dia. Por conta da redução de 85% do volume de tráfego durante a madrugada, a pista em mão dupla do tablado superior será fechada todas as noites, das 23h30m às 4h30m. Exceto quando ocorrer manutenção em outras pistas.

Caso haja necessidade de fechamento do tablado inferior ou da pista nova do Joá para serviços de manutenção ou conservação, o tablado superior funcionará em mão única. Neste caso, será permitida a circulação de ônibus, caminhões e motos.

Para os jogos olímpicos, haverá duas faixas dedicadas aos jogos: uma na nova pista, sentido Barra; e outra em direção a São Conrado, no tablado inferior.


Folha de SP
Sob o trauma de ciclovia que desabou, Rio inaugura viaduto duplicado no Joá

A Prefeitura do Rio inaugura neste sábado (28) a duplicação do elevado do Joá, na zona sul do Rio, sob trauma do desabamento da ciclovia Tim Maia, que matou duas pessoas.

Enquanto o novo espaço para os carros estará aberto, o caminho para as bicicletas construído no elevado já existente ainda passa por rechecagens e inspeções de auditoria independente contratada pela Prefeitura do Rio.

"O projeto do elevado passou por rechecagem e ensaio de carga dinâmica [com caminhões com carga simulando o peso sobre o viaduto]. Não há risco. A ciclovia, por precaução, decidimos aguardar a auditoria da Coppe/UFRJ, já contratada", disse o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.

A nova ciclovia fica mais perto do mar. Já o novo elevado está localizado entre a via já existente e a encosta, num nível mais elevado.

A construção do novo elevado do Joá foi uma exigência do COI (Comitê Olímpico Internacional), preocupado com o fluxo de veículos entre a zona sul e a Barra durante os Jogos. Temia-se que a configuração anterior, com apenas duas faixas de rolagem, tornaria impossível manter uma faixa exclusiva à família olímpica.

TRÊS FAIXAS

Com a conclusão da obra, haverá três faixas em cada sentido. O secretário municipal de Transporte, Rafael Picciani (PMDB), afirmou que uma de cada direção será exclusiva à família olímpica durante o evento.

"A grande concentração da rede hoteleira está na zona sul, enquanto o coração dos Jogos é na Barra", disse o secretário.

Ao custo de R$ 457,9 milhões, o novo viaduto vai ampliar em 35% a capacidade de tráfego de carros particulares entre Barra e São Conrado, trecho a ser atendido pela linha 4 do metrô em construção.

Especialistas criticam o estímulo ao uso de automóveis particular num trecho em que o transporte público terá a capacidade ampliada.

"É um contrassenso. Só é aceitável do ponto de vista da Olimpíada", disse o engenheiro José Eugênio Leal, especialista em transportes da PUC-Rio.

Picciani afirma que não vê contradição porque já há uma demanda por mais espaço para automóveis no trecho. "Não vamos aumentar, a demanda já existe. Antes da Barra se tornar local de moradia e trabalho deveriam ter previsto esse espaço", disse o secretário de Transporte.

De acordo com a CET-Rio, o engarrafamento no trecho era constante porque, enquanto o elevado possuía apenas duas faixas, os acessos tinham três.

Atualmente, 85 mil carros trafegam pelo elevado por dia. A nova pista será toda em direção à Barra. O tabuleiro antigo inferior segue com sentido a zona sul, enquanto o superior se tornará mão dupla. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Retomado pela UFRJ em 2010, Canecão ainda tem futuro incerto

Por falta de recursos, casa não foi transformada em centro cultural
   
POR ELENILCE BOTTARI 

26/05/2016 - O Globo

A fachada do Canecão está sem letreiro e cheia de pichações - Alexandre Cassiano / Agência O Globo

RIO - Fechado há quase seis anos, após uma longa batalha judicial que garantiu a reintegração de posse para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Canecão, uma das mais famosas casas de espetáculos do Rio por quatro décadas, ainda não tem data para reabrir. O palco pelo qual passaram muitos artistas, inaugurado pelo empresário Mario Priolli em 1967, encerrou as atividades em 15 de outubro de 2010 para ser transformado não só em um espaço de promoção de cultura, mas também de educação, ensino e ciência da UFRJ. Porém, por falta de recursos, o projeto não foi à frente e todo o mobiliário que havia no local está abandonado.

Mas, apesar da crise financeira que a universidade enfrenta, o reitor Roberto Leher garante que o espaço será reaberto por meio de parcerias público-privadas:

— Foram os artistas que configuraram aquele espaço como um patrimônio cultural estratégico para a cidade, e precisamos reivindicar essa herança simbólica. Nós temos a responsabilidade de retomar esse espaço icônico, agora com outro conceito. A recuperação do local será gradual, de modo que possibilite o seu uso no prazo mais curto de tempo por artistas e pela universidade.

IDEIA É ATRAIR EMPRESÁRIOS COM INCENTIVOS FISCAIS

Segundo o reitor Roberto Leher, a UFRJ espera reativar o Canecão com o apoio das áreas de cultura do município, do estado e do governo federal:


A fachada do Canecão, pichada, apresenta sinais da deterioração que se arrasta desde sua retomada pela UFRJ, há dois anos. Foto de 8/12/2012

Canecão vai ficar mais um ano de portas fechadas

O destino do ex-Canecão

A obra no Cassino da Urca para instalar um instituto de design está paralisada
FOTOGALERIAImóveis ainda à espera de uso na Zona Sul e no Centro
— Vamos pedir, por meio de incentivos fiscais, a participação de empresários que compreendem a relevância de um equipamento cultural que carrega uma tradição histórica, construída por músicos e outros artistas.

Para Leher, o Canecão foi utilizado por décadas de forma indevida, o que resultou numa longa disputa judicial:

— A despeito dessa relação desvantajosa para a UFRJ, compreendemos que a casa de espetáculos onde funcionou o Canecão tornou-se, ao longo dos anos, um patrimônio cultural do Rio de Janeiro e do país. Queremos recuperar o prédio, devolvendo à cidade um espaço de promoção de cultura, mas também da educação, ensino e ciência, que são finalidades da universidade.

No momento, profissionais da Escola de Belas Artes e arquitetos da UFRJ trabalham para estabelecer um novo conceito para o local. A proposta é criar um espaço multiuso, com mobiliário e palcos móveis, o que permitirá a realização de eventos dos mais diferentes tipos, de seminários internacionais a shows de MPB, de teatro de arena a concertos de música clássica.

PAINEL SERÁ RECUPERADO

A primeira atividade cultural para o público será a abertura do Laboratório Público de Restauro, que exibirá aos moradores e turistas, em tempo real, a restauração do painel “A Última Ceia”, que o cartunista Ziraldo pintou em 1967, na então choperia Canecão. A etapa atual é de preparação do restauro. Já foram demolidos paredes e tapumes que há anos impediam que a obra fosse vista. O painel é um dos maiores do Brasil, com 32mX6m.

Apesar do atraso para a reabertura do espaço, a UFRJ já conta com a torcida de Ziraldo.

— A ideia é que eu trabalhe na restauração do mural com alunos da Escola de Belas Artes. Tenho 84 anos e sou muito otimista. Gostaria muito de deixar o mural inteiro — disse o artista.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/retomado-pela-ufrj-em-2010-canecao-ainda-tem-futuro-incerto-19379592#ixzz49rU8dzAR 
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terça-feira, 24 de maio de 2016

Novo Joá será aberto ao tráfego no próximo sábado

24/05/2016  - O Globo

RIO - Após dois anos de obras, o novo e o velho Elevado do Joá repousam, lado a lado, espremidos entre a encosta e o mar. A inauguração da nova ligação viária, marcada para o próximo sábado, promete desafogar o trânsito entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, ampliando em 35% a capacidade de tráfego na via, que hoje é de cem mil veículos por dia. Os ciclistas, no entanto, ainda terão que esperar mais um pouco. A ciclovia de 3,1 km de extensão, construída sobre o elevado já existente, só será aberta ao público após a divulgação do relatório da perícia independente contratada pela prefeitura para investigar o desabamento, no mês passado, do trecho da pista da Avenida Niemeyer.

— Não foi preciso fazer nenhum reforço (na ciclovia do Joá). Toda a obra foi feita com a norma técnica vigente e com total segurança — garante o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.

Pelo que consta no contrato firmado pelo município com a construtora Odebrecht, a via teria que ser aberta ao trânsito até o fim de março. Assim como a Linha 4 e os corredores de BRTs, a duplicação do viaduto faz parte do plano de mobilidade urbana para os Jogos Olímpicos. O custo da obra foi de R$ 458 milhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

RETOQUES FINAIS

Para construir o Novo Joá, foram abertos um viaduto, dois túneis (o de São Conrado e o do Joá), um elevado e uma ponte, além dos acessos, totalizando um trajeto de cinco quilômetros de extensão. Os horários de funcionamento e o planejamento operacional da nova ligação serão divulgados somente amanhã, segundo a secretaria municipal de Transportes. A princípio, as duas faixas do novo elevado vão operar no sentido Barra, sem necessidade de reversível.

Ontem, repórteres do GLOBO percorreram o novo viaduto. Além da limpeza e dos testes de iluminação, ainda faltam terminar as pinturas no chão e nas paredes dos túneis, instalar as sinalizações de trânsito e plantar o gramado perto das encostas.
Diferentemente da estrutura atual, o novo elevado terá três áreas de acostamento, em caso de emergências. Cada recuo tem 32 metros de comprimento e quase oito de largura. Chega a ser cinco metros mais alto do que o “irmão” mais velho, permitindo que os motoristas continuem a apreciar uma das mais belas vistas da cidade durante a maior parte do trajeto.

Durante os Jogos, a faixa da direita do novo elevado será usada pela família olímpica. No antigo viaduto, será usada a faixa reversível na parte superior, pois, embaixo, no sentido Zona Sul, uma faixa também será exclusiva para a passagem das delegações e dos carros credenciados para os Jogos.

UMA HISTÓRIA CHEIA DE PERCALÇOS

Uma das principais ligações entre a Barra e a Zona Sul, o Elevado do Joá foi construído em 1968 e aberto parcialmente em 1971. Só começou a operar plenamente três anos depois. Serpenteando a encosta junto ao mar, o viaduto passou a apresentar problemas estruturais alguns anos após sua inauguração. Engenheiros relataram danos por corrosão nas suas estruturas. Intervenções pontuais chegaram a ser realizadas para saná-los, mas não foram suficientes. Em 1984, a situação do viaduto já era tão grave que chegou a ser interditado parcialmente. De acordo com especialistas, houve falhas na construção e falta de manutenção, que, agravadas pelo excesso de salinidade, aceleraram o processo de corrosão.

Em 1988, especialistas da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe/UFRJ) identificaram pela corrosões em partes do elevado pela primeira vez. Na época, a recuperação levou três anos. Em 2012, um outro estudo, encomendado à Coppe pela prefeitura, identificou que a estrutura em concreto armado que sustenta os 1.100 metros (em cada sentido) do Elevado do Joá estava comprometida. Segundo o relatório, a situação era tão grave que havia a possibilidade de colapso. Apesar da recomendação da Coppe de reconstruir o Elevado do Joá como a solução definitiva para os graves problemas da via, a prefeitura descartou a demolição da via. Optou por obras emergenciais. Para diminuir os riscos, o tráfego de caminhões foi suspenso e o limite de velocidade, reduzido de 80 para 60 quilômetros por hora. Só após a conclusão desses serviços é que a prefeitura iniciou as obras de duplicação do Joá.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Rio ganha painéis digitais na orla

22/05/2016 - O Globo

Totens interativos dão dicas sobre pontos turísticos e meios de transporte na Cidade Maravilhosa

GUSTAVO RIBEIRO

Turistas aprovam novidade
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

Rio - O casal mineiro Isabella Sales, 22 anos, e Luiz Felipe Braga, 30, passeava no calçadão de Copacabana, na manhã deste domingo, quando se deparou com uma estrutura de mais de 2 metros de altura no Posto 6. Curiosos, logo quiseram saber o que era, e descobriram que o Rio ganhou, nesse domingo, a primeira rede de informação interativa em mobiliário urbano da América Latina. São 16 totens tecnológicos, semelhantes a grandes tablets, instalados nas orlas de Copacabana e do Leme para auxiliar cariocas e turistas a aproveitar melhor a cidade.

Nos totens, apelidados de Tomis (em referência à fabricante portuguesa Tomi Worls), o usuário pode consultar informações sobre as rotas e meios de transportes disponíveis para chegar a um destino, a agenda de eventos da semana e uma lista de estabelecimentos comerciais no perfil desejado, com os respectivos endereços, telefones e coordenadas de GPS. É possível escolher, por exemplo, um restaurante para comer uma massa ou um peixe na região. Outra função é a veiculação de notícias.

As informações são transferidas por e-mail ou por QR Code para o celular da pessoa, que pode compartilhá-las com amigos nas redes sociais. O visitante ainda pode fazer selfies a partir do totem e enviar as fotos para si próprio.

“Muito bom para a gente que é turista e não conhece os lugares, facilita muito”, disse Luiz Felipe. O investimento, de 1 milhão de euros, é da concessionária Orla Rio, que administra os quiosques das praias.

Niterói: Túnel Charitas-Cafubá em fase final de perfuração

22/05/2016  - O Fluminense

Após 40 anos, o niteroiense está mais próximo de ver uma das maiores obras de mobilidade já feitas na cidade sendo concluída. As escavações do Túnel Charitas-Cafubá, parte da TransOceânica, estão em reta final. Em apenas 10 meses, dois mil metros foram perfurados, mil em cada galeria. No total, faltam apenas 350 metros para serem perfurados em cada galeria até a segunda quinzena de junho. Para isso, 550 mil quilos de explosivos estão sendo utilizados desde julho do ano passado, quando foram iniciadas as obras, e, atualmente, são feitas de duas a três detonações por dia, a fim de agilizar a conclusão das obras. Nesta segunda-feira o prefeito Rodrigo Neves visitará o local para marcar os dois quilômetros de escavações. 

Os 2,7 mil metros do túnel – 1.350 em cada uma das duas galerias – serão concluídos no próximo mês, quando já será possível atravessar a pé. Após a fase de acabamento e pavimentação, cerca de 15 câmeras serão instaladas em toda a extensão, sendo interligadas com o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp). A previsão é que veículos poderão circular no local em dezembro deste ano. 

De acordo com o diretor da Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (Emusa), Lincoln Silveira, até o mês que vem, cerca de 100 explosões ainda irão acontecer. “A rocha aqui é muito boa e isso possibilitou o avanço das obras em tempo recorde. Só tivemos dificuldade em um trecho que encontramos água, mas conseguimos retirar com segurança. Apenas uma parte do túnel tem uma rocha que esfarela, então só conseguimos avançar 1,5 metro a 2 metros por dia nesse trecho”, explicou o diretor, ressaltando que dois tipos de mármore foram encontrados durante as perfurações, o branco e o preto. 

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, contou que esta é a obra de infraestrutura e mobilidade mais importante da cidade. 

“Mesmo num cenário de crise geral, nós estruturamos um plano estratégico que está sendo implementado e a conclusão da perfuração do túnel nas próximas semanas supera todas as nossas expectativas. O Rebouças, no Rio, levou quase 14 anos para ser aberto e perfurado. A nossa previsão, após a perfuração e a fase de utilidade, pavimentação e ventilação, que leva em torno de 4 a 5 meses, é de entregar os túneis Luiz Antônio Pimentel e João Sampaio até dezembro”, antecipou. 

Com isso, já foram retiradas 520 mil toneladas de pedras, suficientes para encher cerca de 21 mil caminhões. Segundo a Emusa, parte do material retirado das escavações do túnel foi utilizado na construção da sede dos escoteiros, no Horto do Fonseca, e, segundo o vice-prefeito Axel Grael, o material também poderá ser aproveitado nas obras de revitalização da Praia de Piratininga. Outra parte está sendo usada em obras da própria TransOceânica. 

Atualmente foram iniciados outros tipos de intervenções nas galerias. A ciclovia, que já vem tomando forma no local e terá 1,90 metro de largura em cada galeria, e as obras de drenagem também já foram iniciadas no sentido Cafubá-Charitas. 

Após a conclusão das escavações, a fase de terraplanagem será iniciada para, então, ser possível começar a pavimentação e a instalação do sistema de iluminação e ventilação. Além da ciclovia, serão construídas duas pistas para o tráfego de veículos e uma faixa exclusiva para o BHLS (Bus High Level System – Sistema de Ônibus de Alto Nível). Para isso, 4.950 toneladas de asfalto serão usadas para pavimentar as duas faixas e 17,5 mil metros cúbicos de concreto serão usados para toda a faixa exclusiva de transporte público. 

“Montamos uma usina de concretagem aqui dentro. O concreto é feito aqui e isso adianta muito o processo de obras. Por isso estamos conseguindo fazer esse túnel em um tempo tão significativo”, ressaltou o diretor da Emusa. 

Além disso, outras estruturas também estão sendo montadas no local. Segundo Lincoln, uma estação de força já está pronta. Além disso, também está em fase de construção o Centro de Controle Operacional, que será responsável por toda a logística do túnel. Por isso, pelo menos 15 câmeras serão instaladas ao longo das galerias e terão ligação direta com o centro de controle e com o Cisp. 

De acordo com Lincoln, a construção do túnel visa transformar a vida dos niteroienses, tendo impacto direto na mobilidade urbana da cidade. 

“A ideia é tirar carros da rua e oferecer o novo transporte coletivo, com toda a segurança, conforto e tempo ágil. Não é só a construção de um túnel, é uma proposta de mudança de vida, um trajeto que agora poderá ser feito até de bicicleta”, disse. 

Segundo dados da Prefeitura de Niterói, a Região de Pendotiba, com uma população de mais de 55 mil pessoas em nove bairros, e diretamente 68 mil habitantes da Região Oceânica serão beneficiados com a travessia do túnel. Hoje toda a população da região passa obrigatoriamente por Pendotiba para alcançar o restante de Niterói.

Com as duas galerias prontas, carros e ônibus não precisarão mais passar pelo Largo da Batalha, ampliando a capacidade de circulação em Pendotiba.

O diretor da Emusa ainda destaca que a perfuração do túnel vai beneficiar não só a população da Região Oceânica, mas também moradores de Maricá, que farão o trajeto com uma redução de tempo considerável até a estação das barcas de Charitas, caso forem em direção ao Rio de Janeiro. 

As galerias do túnel terão os nomes do historiador e jornalista Luís Antônio Pimentel, que morreu ano passado, e do ex-prefeito João Sampaio, falecido em 2011. 

TransOceânica – Atualmente 670 pessoas trabalham em quatro canteiros de obras pela Região Oceânica para dar continuidade às obras, e esse número pode aumentar para mil até o fim do ano. Orçada em R$ 310 milhões – com recursos do Governo Federal (R$ 292 milhões) e o restante é contrapartida da Prefeitura de Niterói –, a TransOceânica terá, ao todo, 9,3 quilômetros de extensão, incluindo o túnel, sem cobrança de pedágio. 

O tempo gasto atualmente no trajeto Charitas-Cafubá, cerca de uma hora para percorrer 18 quilômetros, será reduzido pela metade, com tempo estimado de 25 minutos para percorrer 9,5 quilômetros. 

Visita guiada na obra

Para acompanhar a histórica obra e ver seu andamento, qualquer pessoa pode se inscrever para ter uma visita guiada aos sábados no local. Essa oportunidade, segundo Lincoln, faz com que as pessoas realmente acreditem que a obra será finalizada. 

“Mesmo com todos esses números significativos, tem gente que ainda não acredita que esse túnel vai sair do papel e que isso está próximo de acontecer, afinal, são 40 anos de espera”, destacou. 

Para participar, basta garantir a reserva através do e-mail da Administração Regional da Região Oceânica (admregionaloceanica@gmail.com) ou pelos telefones 2609-6580 e 2609-7575. São permitidas apenas 10 pessoas por sábado, sempre às 10h. 

Raridades – Um grupo de arqueólogos que trabalha na busca de peças históricas encontrou centenas de artefatos, entre louças e outras peças, nas perfurações do túnel e próximo ao Hospital Psiquiátrico de Jurujuba. 

Esse material, quando encontrado, tem sua área delimitada através de GPS, para que o sítio arqueológico possa ser preservado.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

PREFEITURA APRESENTA PROJETO DE URBANIZAÇÃO DAS VARGENS E NOVO PEU


Nova linha de BRT e transporte aquaviário são propostas
Vista de Vargem Grande, do Santuário Montserrat - Guilherme Leporace / Agência O Globo

   
POR LUCAS ALTINO 

19/05/2016 - O Globo

RIO - Desde meados do ano passado, a prefeitura, por meio de parceria público-privada, elabora um plano para urbanizar, qualificar e ordenar a ocupação da área do PEU das Vargens (Vargens, Camorim, e parte do Recreio, além de um pequeno trecho de Barra e Jacarepaguá), região que representa 23,99% do terreno de todo o município. Apesar de informações básicas sobre a intenção do projeto terem sido divulgadas, detalhes e estudos de base eram um mistério para a população. Nas últimas duas semanas, O GLOBO-Barra acompanhou as três primeiras audiências públicas sobre o assunto. Já estão marcadas outras duas.

O projeto
Críticas e sugestões
Mobilidade
Infraestrutura
Parâmetros urbanísticos
Meio Ambiente
O projeto

Reunião na Câmara de Vereadores - Divulgação

Com propostas arrojadas, como transporte aquaviário, milhões de metros quadrados destinados a áreas verdes, novo corredor de BRT e 160 quilômetros de ciclovia, a Operação Urbana Consorciada (OUC) das Vargens, estudo feito pelo consórcio formado pelas construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão, chama a atenção. E suscitou críticas. A ausência de menções à habitação social, as dúvidas sobre o financiamento e o fato de o novo PEU das Vargens, que determina parâmetros urbanísticos de construção no local, ter sido incluído no mesmo projeto de lei que trata da OUC foram alguns dos questionamentos de moradores e parlamentares nas primeiras audiências.

Em julho de 2015, a prefeitura publicou um Procedimento de Manifestação de Interesse, convocando empresas candidatas a participar do projeto a elaborar uma análise do que seria necessário fazer na região. No mês seguinte, a Secretaria Especial de Concessões e Parceiras Público-Privadas (Secpar) aprovou a proposta de Odebrecht e Queiroz Galvão, que fizeram estudos ao custo de R$ 12 milhões, finalizados em dezembro passado. O projeto faz parte do programa Em Frente Rio, que reúne dez propostas de obras de mobilidade, infraestrutura, saneamento e logística na cidade.

Em paralelo, as secretarias municipais de Urbanismo, Obras, Meio Ambiente e Transporte, junto com Rio Águas e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, elaboravam a nova proposta do PEU das Vargens. Iniciado há mais de dois anos, o texto foi finalizado junto com o projeto da OUC. E ambos foram enviados à Câmara dos Vereadores como o Projeto de Lei 140. O PEU foi revisto porque o de 2009, alvo de duras críticas, está suspenso desde então. Os parâmetros anteriores permitiriam adensamento considerado insustentável por especialistas.

O titular da Secpar, Jorge Arraes, explicou que a fragilidade ambiental das Vargens serviu de diretriz à proposta.

— A situação pedia um estudo aprofundado. O lema é preservar e desenvolver. Sabemos que o momento econômico não é favorável, mas a operação é de longo prazo — disse Arraes durante a primeira audiência pública, na Câmara dos Vereadores.

A operação seria semelhante à feita no Porto Maravilha, isto é, as transformações urbanísticas seriam viabilizadas através da arrecadação com a comercialização de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Segundo a Secpar, a expectativa de receitas é de R$ 9.040.050, com um estoque inicial de 13.909.000m² para venda. Cada Cepac seria vendido por R$ 650. No porto, a unidade custou R$ 545.

— São números estimados. Ainda não sabemos se o leilão terá lote único, como foi no porto (um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal adquiriu os Cepacs do Porto Maravilha), até pela situação do país. Podem ser leilões parciais, por exemplo — disse Arraes.

Críticas e sugestões

Cartazes de protesto foram espalhados na audiência pública de Vargem Grande - Analice Paron / Agência O Globo

O projeto não convenceu todos. A principal reclamação foi a reunião de dois projetos na mesma lei. Na segunda audiência, a Federação de Associações de Moradores do Rio (FAM-Rio) pediu a suspensão do processo de discussão, pois os estudos que subsidiam a proposta não foram previamente disponibilizados para a população. A presidente, Sônia Rabelo, também reclamou da falta de menção à habitação social no projeto.

Na Associação de Moradores de Vargem Grande (Amavag), uma comissão foi montada para acompanhar o processo. Após analisar as propostas, o grupo destacou oito pontos, entre reivindicações e pedidos de esclarecimento: querem mais detalhes sobre o possível reassentamento de moradores de comunidades; a separação do PEU e da OUC; estímulo à concessão do direito real de uso, através de atividades comerciais, serviços e indústria caseira; flexibilização da legislação de exigência de urbanização que impede a legalização de pequenos empreendimentos; liberação de licença para construção na coluna 1 do PEU; regulamentação da PL160, que trata da regularização de condomínios nas Vargens; representatividade da Associação de Moradores de Vargem Grande no conselho consultivo da OUC; e um canal de comunicação com os responsáveis.

Representante dos moradores no processo do PEU das vargens - Analice Paron / Agência O Globo
Para o arquiteto Canagé Vilhena, o projeto de lei trata de duas questões diferentes:

— Legislação sem participação popular não pode ter eficácia social. Quais os princípios que permitem concluir que se pode construir três, seis ou oito pavimentos? Ninguém sabe.

Na terceira audiência pública, no Colégio Vargem Grande, cartazes com frases como “morador não é investidor” foram espalhados. Na ocasião, o recém-formado grupo Articulação Plano Popular das Vargens foi apresentado por uma de suas fundadoras, Mariana Bruce:

— Não concordamos com a privatização da nossa região. Não se sustenta um projeto de adensamento populacional aqui. Temos que lembrar que o equilíbrio ecológico do Rio depende muito das Vargens.

Mobilidade

As duas primeiras audiências públicas foram na Câmara dos Vereadores e divididas por temas: mobilidade e meio ambiente, na primeira; e operação e infraestrutura, na seguinte. Os estudos de mobilidade realizados pelo consórcio formado por Odebrecht e Queiroz Galvão para a Operação Urbano Consorciada (OUC) nas Vargens têm duas grandes novidades: a presença de uma linha de BRT, já apelidada de Transvargens; e de transporte aquaviário, este ainda um projeto longínquo, já que depende de outros fatores, como a dragagem dos canais da região.


A PROPOSTA DE MOBILIDADE
PREVISÃO É INTEGRAR DIFERENTES MEIOS DE TRANSPORTE

BRT TRANSOLÍMPICA
BRT TRANSCARIOCA
BRT TRANSOESTE
BRS
NOVO BRT
TRANSPORTE
AQUAVIÁRIO
TERMINAIS
PROPOSTOS

Fonte: Operação Urbana Consorciada
Editoria de Arte

O novo corredor de BRT teria 21 quilômetros e ficaria pronto para ser transformado, no futuro, em VLT. A linha teria integração com o Transoeste e correria paralelamente a ele até se ligar ao Transolímpico, na altura da Ilha Pura. O caderno de propostas do PEU das Vargens cita apenas o VLT como alternativa de mobilidade, porém, técnicas da Secretaria municipal de Urbanismo explicaram, nas audiências, que o BRT também é uma possibilidade.

O transporte aquaviário aproveitaria as dezenas de canais da região e iria até a Lagoa de Jacarepaguá. Diferentemente do Transvargens, que seria complementar ao sistema viário já em operação, precisaria de uma nova concessão. Os estudos do consórcio detalham ainda uma ampla rede de ciclovias, com 160 quilômetros (quase metade de toda a rede existente na cidade hoje), com 500 bicicletários ao longo do trajeto, e uma série de BRSs nas principais vias da região, como a Estrada dos Bandeirantes.

Proposta de ponto de transporte aquaviário - Divulgação

O especialista Willian Aquino, contratado pelo consórcio para desenvolver os estudos de mobilidade, explicou que a região não será como um “bairro de passagem”.

— Não estamos contemplando vias expressas. A ideia não é atrair o deslocamento em carros, mas sim em transporte público e bicicletas — explicou ele, que também opinou sobre uma possível rede de VLT. — Para ser sustentável, o VLT deveria cobrir toda a Barra, e não só Vargens.

Na terceira audiência, em Vargem Grande, o foco foi o novo PEU.

Infraestrutura

Passeios seriam padronizados - Divulgação

O desenvolvimento de infraestrutura proposto pelo consórcio foi dividido em sete temas principais: drenagem, esgoto, água, elétrica, iluminação, gás e telecomunicações. O saneamento básico, um dos principais problemas hoje nas Vargens, recebeu atenção especial durante as audiências públicas. O plano, mais uma vez com números superotimistas, cita redes de 260 quilômetros de esgoto e 470 quilômetros de abastecimento de água. Se concretizado, Sérgio Dias, ex-secretário municipal de Urbanismo, cujo escritório foi responsável pela elaboração dos estudos, diz que seria o primeiro caso de uma região totalmente coberta por esgoto na cidade.

A todo momento, técnicos citavam o caso do Porto Maravilha como inspiração para a infraestrutura das Vargens. Os passeios padronizados foram um exemplo. Ernani Costa, que atuou nos dois projetos, explicou que o esgoto das Vargens seria ligado à nova estação de tratamento da Barra, criada pela Cedae, em frente ao Parque Olímpico. Além disso, haveria 18 estações elevatórias espalhadas pelas Vargens.

A sustentabilidade também se faz presente no plano, que prevê iluminação inteligente, com sensor de presença; aproveitamento da água da chuva; e instalação subterrânea de rede de telecomunicações.

Parâmetros urbanísticos

Adensamento proposto pela secretaria de urbanismo - Divulgação

Incluído no mesmo projeto de lei da Operação Urbano Consorciada, o novo PEU das Vargens foi elaborado em um trabalho de cerca de dois anos desenvolvido pelas secretarias municipais de Urbanismo (SMU), Obras, Meio Ambiente e Transporte, junto com Rio Águas e Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Os novos parâmetros para a região foram redefinidos após a percepção de que o PEU de 2009, até agora suspenso, resultaria num adensamento inconcebível para o local.

A SMU, representada nas audiências públicas pela secretária Maria Madalena Saint Martin, pela gerente da AP4 Estela Fontenele e pela coordenadora-geral de planejamento urbano Glória Torres, deixou claro que a nova proposta buscou, nos parâmetros de adensamento, fazer uma média entre os índices do Jardim Oceânico e do Recreio. Com isso, o adensamento máximo projetado foi de 320 habitantes por hectare. O número no Jardim Oceânico é de 262; e, no Recreio, de 393. Com o PEU de 2009, esse índice seria de 547 nas Vargens, o que faria desta a área mais populosa de toda a AP4.

A diretriz básica da proposta é o Índice de Aproveitamento de Terreno (IAT) básico de 1. Esse índice estabelece quanto de uma determinada área pode receber construções. Em alguns zoneamentos, o número pode chegar a 1,5, através de outorgas.

— Nós utilizamos os zoneamentos já definidos pelo último PEU. O que mudamos foi a redução do IAT de uma forma geral. Assim, respeitamos melhor a fragilidade ambiental da área — explicou Estela Fontenele.

Meio Ambiente

Parques seriam criados nas margens dos canais - Divulgação

"Hoje já vivemos um holocausto ambiental”. Assim o biólogo Mario Moscatelli, contratado pelo consórcio para realizar os estudos de meio ambiente da proposta de OUC, definiu a situação da cidade, em especial na Baixada de Jacarepaguá, que abrange as Vargens. A fragilidade da região nesse aspecto foi um dos principais temas abordados. As principais propostas apresentadas são recuperar a Praia da Macumba, que seria oficializada como uma “praia das Vargens”; realizar a macrodrenagem de 40 quilômetros de canais e criar parques lineares e centrais.

Na Praia da Macumba, a intenção é construir um molhe, como há no Quebra-Mar da Barra, que possibilitaria a navegabilidade dos canais, diminuiria a possibilidade de poluição do mar e “renaturalizaria” a praia, que hoje sofre com o encurtamento da faixa de areia em dias de ressaca.

— O calçadão construído no local avançou sobre a areia. O molhe ajudaria num engordamento da praia, que nada mais é do que o aumento da faixa de areia. A Praia da Macumba seria qualificada, e seu potencial de lazer e turismo poderia ser mais bem aproveitado — explicou o oceanógrafo David Zee, também contratado pelo consórcio.

O conceito ambiental do projeto, explica o especialista, foi de trazer a perspectiva de inovação de tecnologia ambiental, para que a região se torne sustentável.

— A edificação por si só não torna uma cidade viável ou funcional. Tudo depende dos equipamentos urbanos, e a maioria nas Vargens está relegada. Quando o adensamento populacional era pequeno, o poder público não dava tanta atenção, mas agora planejamos uma infraestrutura urbana, com redes de energia elétrica, água pluvial, esgoto e telecom subterrâneos, como é numa cidade moderna. Estamos preparando o local para o futuro.

Molhe ajudaria a renaturalizar a Praia da Macumba - Divulgação

Dentro das Vargens, parques contribuiriam para a preservação das áreas verdes. Os planos do consórcio são ousados, com 1,5 milhão de metros quadrados de parques lineares, com desenhos inspirados no Parque Madureira; e 650 mil metros quadrados distribuídos em quatro parques centrais. Os lineares seriam feitos nas faixas marginais dos rios, o que auxiliaria também na preservação destes. O plano ainda prevê uma árvore a cada dois metros e meio nas ruas.

A proposta dos parques lineares, porém, entra em conflito com outra questão: a presença de diversas comunidades nas faixas marginais de rios. O consórcio, assim como o novo PEU, prevê a remoção de parte delas, mas não detalha quais nem como isso seria feito. O fato foi lembrado durante as audiências públicas. A professora de Planejamento Urbano da UFRJ Ana Lúcia Nogueira destacou a falta de detalhamento das remoções:

— Louvo a proposta dos parques, mas isso tem um custo alto. Quem vai assumir isso? Como será o reassentamento?

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Áreas vizinhas ao BRT Transolímpico já são alvo de ocupação irregular

17/05/2016 - O Globo

O corredor Transolímpico, que ligará Deodoro à Barra e ao Recreio, já será aberto com construções irregulares em seu caminho. No topo do morro em que está sendo finalizado um dos túneis da via, próximo às estradas da Boiuna e Curumaú, na Taquara, um loteamento clandestino tem pelo menos 20 casas que avançam sobre a encosta, nas bordas do Maciço da Pedra Branca. Embora as obras estejam embargadas pela Secretaria municipal de Urbanismo desde 2012, inclusive com um edital de demolição, no mínimo seis casas estão sendo erguidas. Enquanto as obras da via expressa avançam — a inauguração está prevista para o mês que vem —, os negócios imobiliários seguem a pleno vapor. 

NEGÓCIOS SÃO FECHADOS PELA INTERNET 

O loteamento funciona como um condomínio fechado, batizado como Residencial Bosque Pedra da Boiuna, com entrada pela Estrada do Curumaú 920. Na parte mais baixa, as construções já estão consolidadas. Mas, subindo uma rua asfaltada até o alto do morro, pedreiros trabalham em novas casas, de até dois andares. Numa delas, um muro termina perto de um barranco de onde se vê o Transolímpico.

Na internet, um terreno de 200 metros quadrados no loteamento é oferecido por R$ 60 mil e um outro, por R$ 75 mil. Em um dos anúncios, a corretora afirma que o lugar tem água, luz, esgoto e segurança, além de RGI e regularização do Ibama. Ontem, O GLOBO não conseguiu contato com os telefones informados no anúncio.

— Denunciamos essas construções antes do início das obras do Transolímpico. Mas nada foi feito. Já são ao menos 30 casas, não só no condomínio no topo do morro, mas também numa área ao lado da entrada do túnel — diz um morador da região.

Em vistorias feitas em 2012, a Secretaria municipal de Urbanismo afirmava que a obra não era legalizável por “localizar-se em fração de ocupação desornada e irregular”. Em dezembro de 2014, quando ainda eram poucas casas no topo do morro, uma reportagem do GLOBOBarra mostrou a situação do loteamento. Quase dois anos depois, com o túnel recebendo os retoques finais, o número de casas se multiplicou.

O aumento no número de casas no loteamento pode ser observado em imagens de satélite do Google. Dois anos atrás, em maio de 2014, há apenas construções no pé da morro, com o topo ainda coberto pelo mato. Em julho do mesmo ano, percebe-se uma rua, sem asfalto, subindo a encosta. Quatro meses depois, são vistas as primeiras casas na parte alta da Pedra da Boiuna. Na fotografia mais recente, de abril deste ano, a ladeira já tem construções, e outras vêm surgindo.

No condomínio, no início da tarde de ontem, uma pessoa que trabalhava nas obras, ao avistar a equipe do GLOBO, chegou a manifestar a preocupação com o fato de o loteamento estar tão próximo do Transolímpico. Durante as explosões para perfurar a rocha, ele contou que sentia o terreno tremer.

— Ouvíamos o barulho aqui em cima. Às vezes tremia tudo — diz ele.

Analisando imagens do local, o engenheiro José Schipper, vice-presidente do Crea-RJ, afirma que, em princípio, por se tratar de uma pedreira, o terreno não apresenta risco de desmoronamento, caso as obras respeitem os padrões de construção.

Segundo a SMU, desde 2009 existem contra o condomínio processos como embargos e multas, tanto para o parcelamento irregular de solo quanto para cada uma das casas construídas.

A secretaria lembra, no entanto, que está em vigor a Lei Complementar 161/15, que permite a regularização de loteamentos clandestinos e de casas na região de Jacarepaguá. Segundo a secretaria, os moradores do condomínio receberão, através de intimação, um comunicado para tomarem as medidas de regularização. Para construções acima dos 60 metros de altura, no entanto, será necessária a aprovação de órgãos como a Geo-Rio. E, após o fim do prazo, serão tomadas medidas administrativas de fiscalização que podem chegar até a demolição dos imóveis.

Imagens do Google Earth mostram expansão de loteamento clandestino na Taquara - Reprodução

sábado, 7 de maio de 2016

Boulevard da Orla Conde é aberto ao público

Nova área de lazer tem 600 metros de extensão e 23.627 metros quadrados, entre os Armazéns 1 e 6 do Cais do Porto
   
POR MARCO STAMM 

07/05/2016 - O Globo

RIO - O carioca ganhou mais um espaço de lazer na manhã deste sábado. Foi aberto ao público o Boulevard da Orla da Guanabara Prefeito Luiz Paulo Conde, com um quilômetro de extensão e 57 mil metros quadrados, entre os Armazéns 1 e 6 do Cais do Porto. A região estava interditada para obras desde a demolição da Avenida Perimetral.

Peixoto / agência globo - Domingos Peixoto / Agência O Globo

O prefeito Eduardo Paes participou da abertura e destacou que a revitalização devolve um ambiente para a cidade, antes tomado pela escuridão.

Balão panorâmico ficará perto da Igreja da CandeláriaBalão panorâmico será uma das atrações do boulevard olímpico
O tanque principal cheio de água: sete metros de profundidade Tanques do AquaRio passam por testes finais antes da chegada dos peixes
O VLT é testado num trecho da Avenida Rio Branco, no Centro VLT começa a operar em 22 de maio entre rodoviária e Santos Dumont
— É muito bom saber que nos próximos meses isto aqui vai ser incorporado pelo carioca. Só precisa colocar fotos para as pessoas possam ver como isto era antes — defendeu o prefeito.

Um ambiente de festa, com a presença de bandinhas, marcou a inauguração. José Guerreiro e Ana Izabel Bonfim, moradores de São Cristóvão, comentaram que passavam pelo local e decidiram parar para ver de perto a novidade:

— Isto aqui era bem esquisito. Agora está muito mais bonito e melhorou muito - contaram.

A comerciante Claudia Risso veio de Niterói para vender doces em sua bikefood e também gostou da novidade:

— Estou achando muito bonita. É a primeira vez que venho depois das obras. Vai ser um espaço muito bem aproveitado, inclusive para os negócios.

Esse é o terceiro trecho da Orla Conde inaugurado, após dois anos de obra. O trecho de um quilômetro vai da Praça Mauá até o Armazém 6 (da Utopia). Os pedestres terão prioridade, já que os carros só poderão circular em baixa velocidade, e em situações excepcionais.

— Este local já foi a Perimetral, foi a Avenida Rodrigues Alves e foi planejada para os carros. Agora é o contrário. Você pode entrar à pé, de bicicleta de skate, mas não é um lugar para carro com roteiro específico. O Boulevard não permite embarque e desembarque nem de táxi — explicou o gerente-geral de operações da concessionária Novo Porto, responsável pela manutenção do lugar, Gabriel Cavalcanti.

As exceções são para os acessos necessários, como a estacionamentos nas ruas internas, e apenas pelas vias de serviço.

— A pessoa pode chegar de carro ou de táxi pelas ruas internas, mas este não é o contexto. O contexto é chegar de transporte público, acessado pela Avenida Venezuela, ou de bicicleta — completou.

Na nova área de passeio, cortada pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), foram instalados 206 postes de iluminação de LED, 153 bancos e plantadas 463 árvores.

Dois trechos já foram entregues: a Praça Mauá, em setembro do ano passado, e um caminho de 600 metros de extensão, aberto no mês passado, após ficar 252 anos restrito aos militares do I Distrito Naval. A previsão é que a região da Praça Quinze e da Praça Marechal Âncora seja inaugurada entre maio e junho. Já a Praça da Candelária e o trecho entre os armazéns 6 e 8, na Rodrigues Alves, deverão ser entregues até o final de junho, junto com o Túnel da Via Expressa e seus acessos, que ligarão o Aterro do Flamengo à Ponte Rio-Niterói e à Avenida Brasil. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), as obras em toda a Orla Conde alcançam 76% de conclusão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/boulevard-da-orla-conde-aberto-ao-publico-19255055#ixzz480JgNOiK 
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Prefeitura começa a demolir prédios irregulares na Muzema, às margens da Lagoa da Tijuca


Apartamentos estavam sendo vendidos por cerca de R$ 150 mil
   
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 

07/05/2016 - O Globo

O prédio construído ilegalmente no Itanhangá: edifício se destacava às margens da lagoa - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO - A Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) começou a demolir, no fim da tarde de sexta-feira, dois edifícios que estavam sendo erguidos irregularmente na Estrada do Itanhangá 2.631, na área da Favela da Muzema. Os prédios ficavam num terreno às margens da Lagoa da Tijuca, que sofre com a poluição devido ao despejo irregular de esgoto, principalmente de imóveis instalados ilegalmente na região. Uma das construções derrubadas tinha sido denunciada pelo jornalista Ancelmo Gois, ontem, em sua coluna no GLOBO. De acordo com a prefeitura, cada unidade tinha pelo menos 23 apartamentos. Dois já estavam ocupados e, neste sábado, um terceiro receberia moradores:

— Minha mãe pagou R$ 150 mil à vista por um dos apartamentos. O imóvel mede 63 metros quadrados e tem dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Ela não sabia que estava irregular. Vamos discutir como o vendedor para reaver o dinheiro — contou o comerciante Antonio Pereira de Moraes.

SUPOSTO ENGENHEIRO ASSINA OBRA

Até o início da noite, os agentes da Seop ainda não tinham identificado o responsável pela construção. Como na entrada do prédio havia um cartaz com o nome de um suposto engenheiro que assina o projeto, o órgão também vai procurar o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) para saber se o profissional tem registro na entidade e se cabe punição por ele ter dado aval a uma obra irregular.

— Também entregaremos um relatório sobre o caso ao Ministério Público, para apurar a prática de crime ambiental — disse o secretário de Ordem Pública, Leandro Matieli.

Como não havia espaço para a entrada de máquinas no terreno, a demolição começou de forma manual, num bloco de seis andares, que estava vazio. O bloco teria um sétimo pavimento, ainda em construção.

A demolição do segundo prédio, com cinco andares, não tinha começado até a noite de ontem, pois será necessário reassentar as duas famílias que já estão morando no local. A previsão é terminar a derrubada em até duas semanas.

O leitor que enviou a foto do prédio para a coluna do Ancelmo, e prefere não ser identificado, mora há seis anos em um condomínio na Avenida das Américas. Da varanda, disse acompanhar com preocupação a expansão desordenada da Favela da Muzema. Para ele, a fiscalização da prefeitura é falha.

— Um desses blocos começou a ser construído há meses. É óbvio que um prédio desse tamanho só pode ter sido iniciativa de alguém que lucra com a venda de imóveis. O inacreditável é o poder público não perceber.

Matieli, por sua vez, afirma que a prefeitura realiza operações constantes. Ele diz que as ações são planejadas tomando como base informações de técnicos da Secretaria de Urbanismo. São eles que avaliam se construções em favelas podem ou não ser regularizadas:

— Hoje (ontem) mesmo removemos invasores de um terreno na Rua Visconde de Niterói (Mangueira). Além disso, a equipe deslocada para a Muzema foi a mesma que mais cedo demoliu dois prédios irregulares na favela Asa Branca (Curicica ) — disse Matieli.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-comeca-demolir-predios-irregulares-na-muzema-as-margens-da-lagoa-da-tijuca-19254233#ixzz47yoEbImq 
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